Europa 2014/2015 (parte 2: Praga)

Atenção: esse post é uma continuação desse.

27 de dezembro, Praga (República Checa)

Acordei totalmente destruída. Ainda era noite em Berlim quando peguei o ônibus para a estação central de trem. Cheguei cedíssimo. Aprendizado: para viagens de trem, não há a menor necessidade de chegar com antecedência maior do que 30 minutos. De modo que fiquei sentada num banquinho gelado que nem o demônio por quase 1h esperando o meu trem para Praga.

Estava lotado. Eu não sabia onde era o meu lugar. Não sabia onde enfiar minha mala – acabou ficando no corredor.

Bagulho louco de trem é a galera circulando pelos corredores procurando seu lugar horas depois do trem estar em movimento.

Um cara me ajudou a achar meu vagão. Outro cara me ajudou a achar meu compartimento. Outro, meu lugar. Foi complexo. A informação do lugar não está tão clara no bilhete…

Mas só tive problemas nesse trecho. Todas as outras viagens de trem que fiz (foram MUITAS) foram numa boa.

Viagem foi longa, mais de 6h. A paisagem? Neve neve neve neve neve neve depois mais neve, neve neve. Dormi boa parte do trajeto. Ah. Custou 78 euros porque eu fui burra e não sabia que poderia escolher a opção mais barata, que era 50 e pouco (achei que era restrito a alemães o desconto). Depois, quando fui comprar o trecho Munique-Zurique entendi: o desconto vale para todos, mas com o bilhete mais barato não há reembolso e otras cositas que eu não lembro.

Cheguei em Praga e já comprei a passagem de trem Praga-Munique para dali a 2 dias. Não dava para comprar pela internet. O site de trens alemães só permite imprimir os bilhetes que tem como origem cidades alemãs. Quando a origem é outro país, só se entregar pelo correio, o que acarreta uma puta taxa.

Descobri só em Praga que lá a moeda não é euro, é a coroa. 1 euro = 27 coroa checa. Troquei 350 euros, mas foi demais. Sobraram quase 200 coroas checas, que eu troquei de novo para euro depois. O hotel eu ia pagar com cartão de crédito. Só precisaria pagar alimentação e passeios.

Peguei informações na própria estação de como chegar ao meu hotel. Metrô-tram-caminhada. A parte sobre trilhos correu bem.

Meu primeiro contato de verdade com Praga foi ao sair da estação do metrô. Se liga:

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Sim, a famosa Charles Bridge e o Castelo de Praga ao fundo. Lindo!

Só que na parte de caminhada foi osso. O centro de Praga é bem medieval, com aquele monte de viela e galeria sem nome que garantem que você se perca mil vezes. Em geral, eu sou ótima com localização, mas em Praga, mesmo com o mapa na mão, me perdi centenas de vezes. Em 3 dias na cidade eu não consegui acertar o caminho de TREZENTOS METROS entre a Old Town Square e meu hotel NEM UMA ÚNICA VEZ. Bagulho é tenso.

E lá tava eu num frio da porra arrastando minha mala (mesmo que leve, era uma mala grande) por ruas de paralelepípedo totalmente desertas. Ninguém pra perguntar. Dei muitas voltas até achar uma lojinha onde alguém pudesse me ajudar. A instrução: “primeira à esquerda, depois primeira à esquerda de novo”. Fantástico.

Cheguei na pousada meio puta de ter rodado tanto a toa.

Me hospedei no Pension U Lilie. Foram €125 por 2 noites com café da manhã incluso. Quarto e banheiro só para mim, finalmente.

Quarto bem pequeno, banheiro idem, mas era um hotel bem honesto. E por um bom preço – se bem que eu Praga geralmente as coisas são baratas.

Comecei a organizar minhas coisas e me bateu preguiça de sair. Dediquei meu tempo à planejar meus próximos movimentos. Eu faria um tour de cerveja naquele mesmo dia às 18h; no dia seguinte, um free walking tour de manhã e um tour no Castelo a tarde. Perfeito.

Saí para o tour da cerveja e, guess what: não achei o ponto de encontro. Em poucas horas em Praga eu já tinha me perdido duas vezes.

Na verdade, o ponto de encontro era em um dos cantos da magnífica Old Town Square, ou Staroměstské náměstí, em checo. Só que eu não sabia identificar os monumentos históricos, era noite cerrada, um frio do cacete e a praça estava entupida por conta de mais uma Feira de Natal. De modo que eu desisti do tour e fui andar pela magnífica praça, que tem uma iluminação linda, principalmente na igreja Church of Our Lady before Týn:

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Tomei chocolate quente e comi um troço frito esquisito que todo mundo também estava comendo:

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Era uma massa frita enorme (precisava das duas mãos para segurar), com uma pasta de alho, ketchup e bastante queijo ralado por cima. Não tive coragem de comer inteiro, muito gordo. E também não era grandes coisas.

Circulei por toda a praça, ouvi um coro natalino e achei, tarde demais, o ponto de encontro. No harm done: era o mesmo local onde eu deveria estar às 10h da manhã do dia seguinte para o free walking tour. Pelo menos agora eu sabia.

Fui andando sem rumo definido.

Entrei em uma rua linda que lembrava Paris, cheia de lojas de grife e um traçado que lembra muito a cidade francesa (não a toa, a rua chamava Pařížská).

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Continuei andando até chegar à beira do rio. Fazia o maior frio que eu já havia sentido na Europa até então, razão pelo qual as fotos estão péssimas (tirar as mãos do bolso e bater foto sem tremer: não dá). Mas UAU, viu.

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Voltei às vielas. Cada casa, igreja, monumento mais lindo que o outro, e eu sei ideia do que era o quê:

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As ruas estavam apinhadas de turistas e, para a minha grande surpresa, muitos, muitos, MUITOS brasileiros.

Fui entrando em lojinhas aleatórias. Várias lojas de cristais. Centenas de lojas de souvenirs. Eu não tinha a menor noção de que Praga é tão turística assim. Isso porque estamos em pleno inverno, temperaturas negativas. Dizem que no verão Praga é insuportável de tanto turista…

Eram umas 21h quando voltei para o hotel, pronta para um merecido sono antes de um dia seguinte que prometia ser bem cansativo.

28 de dezembro, 3 tours em Praga

No meu único dia inteiro em Praga, tive que me virar nos 30 para fazer tudo o que eu queria: das 10h às 13h Free Walking Tour; das 14h às 18h Castelo de Praga e das 19h às 22h Beer Tour. Prometia ser um dia longo e extremamente cansativo. Mais: um milagre se tudo desse certo. Spoiler: deu tudo certo.

Acordei 8h e pouco e chequei a temperatura: -8ºC. hahaha. Da hora. Além de cansativo, seria um dia extremamente gelado: o pior na Europa até então (na verdade o pior de todos. À noite a temperatura alcançou -15ºC).

Tomei café da manhã, coloquei meu combo de roupas mais quentes e encarei as ruas geladas e apinhadas. Milhares de turistas, muitos deles brasileiros. GENTE. Chocada.

Para terem uma ideia, meu walking tour em Berlim tinha 10 pessoas. Em Praga, eram 5 agências de walking tours. Cada uma oferecia 4 horários de tours por dia. Às 10h, a agência do meu tour tinha 4  guias com grupos com 44 pessoas CADA. Gente pra caralho.

Uma parte do grupo que se dispôs a sair na foto. Eu sou um pontinho de gorro vinho lááá no fundo.

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O guia era mais uma vez irlandês. Dessa vez, com um sotaque forte. Muitas coisas do que ele dizia eu não entendia. Ou não ouvia (44 pessoas…).

Começamos o tour pela Old Town Square, lógico.

Que praça lindíssima, gente do céu!!! Tombada pela Unesco.

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Foto do Shutterstock.

Essa praça é muito louca. Fundada no século XIV, assistiu a importantes acontecimentos da história europeia e mundial ao longo dos séculos. Além disso, mescla prédios dos mais diferentes estilos arquitetônicos. Os mais fotografados são dois:

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O relógio astronômico.

Algumas curiosidades sobre um dos monumentos mais fotografados da Europa (pq vocês não tem NOÇÃO da quantidade de gente apinhada a -10ºC para tirar foto do relógio):

- foi considerada uma das maravilhas do mundo durante a Idade Média

- eis uma das famosas obras que ficaram tão maravilhosas e perfeitas que quem pagou para ela ser feita mandou cegar o artista, para que fosse para sempre única.

- Há quatro esculturas nas laterais do relógio. Elas representam as grandes ansiedades da população de Praga durante o século XV:  Vaidade (figura com espelho), Ganância (com um saco de dinheiro), Morte (esqueleto) e Invasão Pagã (representada por um turco – risos).

- No relógio debaixo, não dá pra ver na foto ruim (sorry), há zilhões de nomes marcando todo o interior do círculo. São os nomes que os checos podiam batizar os filhos. Antes, era proibir fugir desses nomes. Agora, precisa pedir autorização se quiser dar um nome diferente para a criança.

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E a belíssima Igreja de Nossa Senhora Antes de Týn

As torres claramente góticas podem ser vistas de longe, muito longe. Uma curiosidade: vêem que a torre da esquerda é menor e mais fina que a da direita? É de propósito. A maior simboliza Adão. A menor, Eva. O grandão protegendo a frágil. Ai ai.

Outra coisa: essas torres não lembram um outro castelo beeem famoso? Pois.

Estava REALMENTE frio. Não rolava tirar as mãos com luvas de dentro dos bolsos. Por tanto, esse dia carece e muito de fotografias.

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Durante o tour ouvi uma menina canadense toda coberta de casacos falando para o namorado: “I don’t care how bad I look when is freezing”. É esse o espírito: não existe vaidade quando está um frio que faz até irlandeses reclamarem.

Praga também é conhecida como uma das capitais da música clássica na Europa. Mozart era habituê da cidade, adorava, e o amor era mútuo. Inclusive, fica em Praga o único teatro ainda em pleno funcionamento onde Mozart se apresentou!

Em Praga, tudo que é canto têm menções a Kafka. O autor dos clássicos “Metamorfose” e “O Processo” viveu em Praga boa parte de sua vida. O escritor dizia que Praga era como uma mãe: impossível se livrar das garras. hehe.

Outra parte visitada foi o quarteirão judeu, um dos bairros judeus mais bem preservados da Europa. Na região há seis sinagogas, uma prefeitura judia e um cemitério. E sabem porque isso tudo resistiu ao Holocausto? Não, Hitler não poupou os judeus checos. O que ocorreu de verdade: ele queria transformar aquela região em um “Museu da Raça Extinta”…

O mais chocante no lugar é o cemitério, que fica acima do nível da rua. Um dos maiores  e mais antigos cemitérios judeus do mundo, logo não havia mais espaço para enterrar os mortos. O que fizeram? Cobriram o cemitério inúmeras vezes e construíram novas camadas. Hoje, são mais de VINTE camadas de mortos sobre mortos!!!

Depois dessa loucura, hora de se aquecer. Tem jeito melhor de esquentar o corpo do que com comida? Não.

Almocei um prato típico da Europa Oriental: goulash. E vinho quente (sim, que nem da festa junina – eles tomam adoidado isso no inverno europeu!) para acompanhar.

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Saí do restaurante e… me perdi de novo nas vielas do centro de Praga. Hahaha. Quando cheguei ao ponto de encontro para o tour ao Castelo não tinha mais ninguém lá. Fui ao centro de informações turísticas de Praga e o cara, muuuuito bonzinho, me falou que o grupo andaria até outro ponto, para cruzar a ponte a pé, e falou que se eu corresse, chegava. Deu certo!

Ah. É absurdamente impressionante como no inverno europeu a palavra CALORIA faz sentido. Me senti uns 15ºC mais quentinha depois de almoçar…

Nesse tour, o guia era local. Phillip, nascido e criado em Praga. Foi para ele que perguntei coisas como “por que vocês não usam euro” (pq não é economicamente interessante), “por que todos os guias são estrangeiros” (pq as agências preferem  pessoas com bom inglês e divertidas do que apenhas conhecedores, e “está muito frio?” (sim, demais, odeio trabalhar nessas condições – mostrou o celular, marcava -15ºC). hahaha

Tinha gente pra caralho subindo as escadas para o castelo. Notávamos no guia certa apreensão pela quantidade de gente. MUITA gente, juro. Parecia Disney em julho. Só que era Praga e tava -15ºC. Turismo é um bagulho muito louco.

Enfim.

QUE LUGAR MARAVILHOSO MERMÃO.

Primeira coisa a ser notada: tem uma vista incrível da cidade, claramente um paraíso arquitetônico.

Novamente, desculpe pelas fotos ruins.

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Ok, mais uma foto do Shutterstock, para vocês compreenderem O QUANTO PRAGA É LINDA:

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O castelo é cercado por muralhas. Óbvio. Na frente delas há guardas. No melhor estilo guarda real inglês.

Mas é que a sede do poder checo fica dentro dessas muralhas… O presidente mora dentro do Castelo de Praga. Que loucura, não?

O Castelo de Praga foi fundado no século IX (!!!) e abrigou gerações e gerações de monarcas e presidentes, além de uma verdadeira cidade dentro. Mesmo. Há trocentos palácios, igrejas, museus, vielas e tudo o mais dentro daquelas muralhas.

O Castelo está no Guinness Book como o maior e mais antigo castelo do mundo.

Bom, diante do frio satanástico, fomos direto para a principal igreja do lugar. Em estilo neogótico, a liiiiiiiiiiinda Saint Vitus Cathedral. Demorou quase 6 séculos para ficar pronta!!!

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Mas valeu a pena, não? ;)

O interior (mais uma vez completamente apinhado de turistas. muuuuuitos brasileiros).

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Bem gótico: tudo muito alto, fazendo a gente se sentir um nada diante da magnificência da Igreja e de Deus.

Toda a área do castelo é fantástica. Vale uma visita mais longa. E talvez num dia não tão frio…

Voltando para a cidade, encontrei o grupo para o meu último tour do dia: Beer Tour.

É República Checa, né.

O guia – americano – falou que a República Checa é o país que mais consome cerveja no mundo. São, por ano, 143 litros por habitante. Incluindo quem não bebe. Para efeitos comparativos, no Brasil são 62 litros por habitante por ano (também é uma quantidade significativa).

Achei o Beer Tour meio dispensável. Queria saber mais sobre a cerveja e tal, mas na verdade o rolê era algo como um pub crawl. O pior é que meu grupo era velho e um bando de casal. Mas valeu, até porque eu não iria sair sozinha descobrindo cervejarias no centro histórico de Praga…

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O grupo.

Das coisas interessantes que o guia explicou: a tradição do brindar checo: as pessoas se encaram por uns segundos, brindam (ainda olhando nos olhos) com a expressão “na zdraví“, batem a caneca de cerveja na mesa e bebem um bom gole.

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Não lembro do nome das cervejarias. Só a segunda delas, a melhor e mais lotada, “Lokál”. É enorme, ocupa um quarteirão inteiro, mas está sempre cheia, principalmente de checos. Dizem que servem boas comidas da região. As cervejas são produzidas lá mesmo por um processo todo elaborado. Até para servir é meticuloso. A cerveja da “Lokál” é essa logo acima, com bastante colarinho.

E assim terminou o dia.

29 de dezembro, Charles Bridge

Já com passagem comprada mas sem horário marcado, eu poderia ir para Munique de manhã ou na hora do almoço. Pensei: poxa, falta muita coisa para ver em Praga. Assim, decidi ir embora um pouco mais tarde.

Levantei e olhei a temperatura: -8ºC. Olhei pela janela. Neve. Muita neve. MUITA NEVE.

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Minha intenção era ir à famosa Karluv Most (Charles Bridge) e andar pela Karlovo náměstí (Charles Square). Metade de Praga é chamada Charles alguma coisa.

O cara – Charles IV – foi rei na Era de Ouro do mundo checo, no século XIV. Ele foi responsável  por tornar Praga a capital cultural da Europa Central e a tornou uma das cidades mais prósperas de todos os tempos. Também foi em seu reinado que alguns dos mais importantes monumentos da cidade começaram a ser construídos, como a Charles University (a primeira na Europa Central), a Charles Bridge e a Saint Vitus Cathedral.

Voltando:

A Charles Bridge é uma ponte gótica que liga a cidade antiga ao outro lado do rio. É lindíssima e adornada dos dois lados por 17 estátuas barrocas do século XVII. Nos dois extremos há torres, que ficam abertas na alta temporada e que oferecem uma vista bacana (dizem – estava fechado). Durante o verão, dizem² ser totalmente impraticável andar pela ponte, de tão lotada de turistas, músicos, vendedores de quinquilharias.

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A torre

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A ponte levemente coberta com uma camada da primeira neve do inverno checo ♥

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A ponte com uma camada de neve, alguns turistas corajosos, as estátuas barrocas nas laterais e o castelo, lá no fundo, à direita.

Sim, com um belo dia ensolarado deve ser ainda melhor. Mas a neve tem um charme único, né?

Só que estava nevando cada vez mais, de modo que desisti de prosseguir o rolê. Fui até o fim da ponte e voltei para o hotel. Arrumei as coisas e parti em direção à estação central de Praga (antes me perdendo DE NOVO nas ruas do centro histórico até achar o metrô. Risos. Malditas cidades medievais).

A estação central de Praga parecia o Terminal Tietê dia 31 de dezembro. Entupido e com gente falando português por todos os lados.

O trem para Munique saiu na hora certinha. Dessa vez, encontrei fácil um lugar para mim e outro para deixar minha bagagem. Nada como a experiência…

Ainda estava aprendendo sobre o trem ser o melhor e mais seguro meio de transporte (a certeza veio na Suíça. Chego lá).

Só que o rolê Praga – Munique levou APENAS 6h30. A viagem deve ser bonita em um dia ensolarado, as paisagens da Bavária e talz. Mas nevava muito (a cântaros é só pra chuva, né?). A paisagem era: branco branco branco. depois preto preto preto (anoiteceu.)

Europa 2014/2015 (parte 1: Berlim)

Todo o mundo real e virtual está careca de saber que passei maravilhosos, fantásticos, esplêndidos 19 dias na Europa agora entre o final de dezembro e começo de janeiro.

Posso resumir a viagem inteira em palavra: perfeição. A viagem foi tão perfeita e mágica que achei que meu avião da volta iria cair. ALGUMA COISA tinha que dar errado. (Não deu).

Melhor viagem que fiz na vida, e olha que só planejei as cidades-base e fui decidindo o que fazer assim que acordava.

Vou dividir a viagem em 5 posts: os 4 destinos “cidades-base” (Berlim, Praga, Munique e Zurique) e um post dedicado, let’s say, à alta socialização durante a viagem (esse último post será com senha. Interessados, entrem em contato).

Hoje começamos com Berlim.

Saí de casa – São Paulo, Brasil – com uma temperatura de 32°C. Mal podia esperar pelo inverno europeu de neve e temperaturas negativas. Minha mala, no entanto, foi enxuta: meros 13kg para 20 dias. Algumas leggings e blusas para usar como segunda pele; 4 blusas mais grossas para segunda camada, duas calças jeans, uma bota de neve, underwears e meias, cachecol, luvas e uma blusa de frio intenso, impermeável, comprada por meros R$ 150 na Decathlon. A bota e as blusas segunda-camada também comprei lá. Só queria dizer que eu não teria sobrevivido à sensação térmica de -15°C em Praga se não fosse esse excelente casaco e as botas de neve.

Aliás, me perdoem, mas preciso dar umas dicas sobre inverno na Europa.

Se você vai para a Europa, não seja imbecil como as brasileiras que conheci por lá, que iam andar pela cidade com a mesma bota que usam no inverno paulistano. E nem com o mesmo casaco que você usa em Campos do Jordão.

Antes de viajar eu tinha ido à outra loja de esportes procurar o casaco. Na Mundo Terra, a que eu queria custava APENAS R$ 1999, quase o que paguei de passagem aérea. Risos. Não comprei, obviamente. A vendedora queria me entuchar meias especiais, casaco corta-vento, primeira, segunda, terceira, quinta camada…

Também não é pra tanto, galera. Eu tava indo pra Berlim, não pra Antártida. -5°C não são -40°, né. HÁ LIMITES.

Foi meu segundo inverno na Europa e em nenhuma dessas vezes peguei hipotermia. Nem resfriado. Nem nada. Sinal de que deu certo, né?

Enfim. Mala leve, porque desfile de moda não é comigo, nunca foi. Despachei a mala no aeroporto e fui encontrar Chris (o amigo suíço), que tinha voo para Zurique quase no mesmo horário que eu, e a namorada, que estava lá para se despedir. Combinamos de nos encontrar em Zurique dia 3/1. Tomamos uma cerveja juntos e zarpei para o meu périplo São Paulo – Paris – Berlim (a volta seria Zurique – Paris – São Paulo. Tudo Air France. Paguei R$ 2800 pelas passagens, já com todas as taxas inclusas).

O voo até Paris foi demoníaco. Uma turbulência safada desde a saída de São Paulo até chegar à Europa. 10h tremendo tremendo tremendo. Nada surreal, não achei que ia morrer, mas foi muito incômodo. Tanto que passei os próximos 3 dias em Berlim com uma vertigem fortíssima, que só posso atribuir à turbulência.

Papi fez meu check-in online e fez uma trapalhada: um upgrade no voo Berlim – Paris. Acabei indo de executiva nesse trecho de menos de 2h. hehe. Mas consegui fazer valer um pouquinho, pois usei a sala VIP da Air France no Charles de Gaulle, tomei chocolate quente, usei a tomada, usei wifi. No voo, um café da manhã bacaninha:

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Além disso fui a primeira a desembarcar e a primeira a pegar a mala. A parte ruim é que essa burrice custou a papi R$ 300.

BERLIM, Alemanha. 22 a 27 de dezembro.

Cheguei a Berlim com um tempo desolador: super cinzento, chovendo. 3 ou 4°C, não lembro.

Segui as instruções do site do hostel para ir de transporte público do aeroporto até lá, e fui super tranquilo.

Cheguei ao hostel umas 13h30, antes do horário de check-in. Mas eles me deixaram já ir pro quarto.

Fiquei no The Circus Hostel, no Mitte (Mitte significa meio. O bairro Mitte é assim chamado porque fica no meio da cidade de Berlim, dãããr). Peguei um quarto privativo com banheiro compartilhado que me custou € 284,10 por 5 noites. O quarto era super espaçoso, se pensarmos no padrão-hostel. Hostel limpinho, staff sempre atencioso, uma puta localização – fiz praticamente tudo andando -, um ótimo e muito barato bar downstairs, hóspedes bacanas e amigáveis… Estou segura em afirmar: melhor hostel que já fiquei. (Dica do primo Gustavo. Valeu!!!!)

A vista do meu quarto:

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O bondinho amarelo – tram – é hiper silencioso.

Larguei as coisas no quarto e fui passear pela cidade (eram 15h e pouco e já começava a anoitecer).

Fui andando às vezes olhando o mapa, às vezes ignorando-o. Berlim é uma cidade bem fácil de andar. Em alguns dias em já fazia todos os caminhos sem consultar sequer uma vez o mapa.

Mas no primeiro dia tudo era novo. Andei por umas ruas com lojas estranhas. Dezenas de lojas dedicadas a fetiches sexuais, como roupas bem antigas, ou só de couro… Também uma loja de sapatos chamada “Atheist”, cuja vitrine ostentava a frase: “For those who live on their feet, not on their knees”. Achei totalmente maravilhoso e instantaneamente me apaixonei pela cidade.

Também me deparei com várias vielas que a princípio pareciam degradadas e abandonadas (temos várias dessas no Brasil, vcs sabem), mas que eram uma verdadeira cidade dentro. Restaurantes, cinemas, lojas alternativas. Sensacional. E tudo cheio de grafite, é claro. Arte urbana em Berlim é um caso a parte.

Segui meu trajeto até chegar à beira do rio Spree. Ali, vi a Museumsinsel, a ilha dos museus, onde estão os principais museus da cidade. Tirei selfie com o belíssimo Berliner Dom atrás de mim.

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A frente do Altesmuseum (Alt = old. Velho.) e os jardins do Lustgarten.

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Um problema das datas que escolhi para visitar Berlim é que a grande maioria dos museus fecha no período entre natal e ano novo. A Alemanha leva MUITO a sério feriados, quase nada abre… Se eu soubesse disso, teria aproveitado esse primeiro dia para visitar um dos museus da Ilha. Não fui, e nos próximos dias só os encontraria fechados. Ok, no harm done. Já tenho motivo para voltar. Hehe.

Acabei indo a outro museu, indicado por uma amiga, e também para fugir do frio e da chuva. O DDR. Trata-se de um museu 100% interativo dedicado à Berlim Oriental. O mote é “experimente como era a vida na Alemanha socialista”. Tem tudo lá: carros, uniformes de escola, livros, roupas, instrumentos de trabalho, entretenimento e tudo imaginável sobre a Alemanha oriental. É bem bacana.  E não achei tão parcial quanto tinha imaginado. Você entende bem os prós e contras do regime no qual os caras estavam inseridos.
Só que o museu estava entupido. A parte “interação” ficou bastante prejudicada.

Fui embora totalmente destruída e faminta. Na frente do hostel comprei uma garrafinha de vinho, para garantir um sono de pedra, uma garrafa de água (a única que comprei em 20 dias de Europa – a água da torneira deles é potável), e um sanduíche bizarro, que foi meu almoço and jantar. Comi no quarto e apaguei em poucos minutos, antes das 20h. Amo muito o fuso deles: para mim já eram 23h…

23 de dezembro, walking tour e chuva

Tomei café-da-manhã no hostel. Esquema all-you-can-eat por €5. Meio carinho, mas eu tava com fome, mal tinha comido no dia anterior, então valeu a pena.

Segui a sugestão da moça da recepção: primeira vez em Berlim, um walking tour é uma boa pedida. Walking tours são super comuns nas grandes cidades turísticas do mundo. Até São Paulo e Rio têm. Optei pela modalidade “tour completo, 6h, €15″. Perguntei se mesmo com aquele tempo tenebroso – bastante chuva – rolava. Me disseram que sim. Encarei a chuva e fui até o ponto de encontro. No caminho, não uma, mas DUAS pessoas me pediram direções. Em alemão. Como assim tenho cara de alemã, gente? hahaha

Enfim. No ponto de encontro, a guia nos encontrou e nos levou até outro ponto, para termos um grupo maior. Também trocamos de guia. Agora era um homem, irlandês, LINDO DE MORRER (mas acho que gay). Irlandês explicando sobre Berlim? Como assim? Muitos walking tours depois, aprendi que as empresas dos tours contratam gente que fale inglês bem, com boa oratória e com um quê de humor. Quanto aos conhecimentos do lugar, é de menos. Ok, isso é meio triste, concordo. A chance de ouvir informação errada é grande. Mas de qualquer forma vale a pena.

Começamos o tour na frente da maior Sinagoga da Europa, a “Nova Sinagoga”. No interior, há uma réplica do muro das lamentações com pedras trazidas de Israel. Não, não entramos.

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De lá fomos seguindo pelas ruas da região, parando vez ou outra para ver uma escola de judeus quando, certa vez, militares entraram, pegar as crianças e mandar para campos de concentração, assim, sem mais nem menos; símbolos no chão dizendo “aqui morou a família XXX, morta pelos nazistas em 19XX” e coisas assim. Ou: esse prédio foi bombardeado pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial; esse quarteirão foi destruído pelos americanos na 2ª Guerra…

É tão surreal. Mesmo com todas as marcas da história, é tão difícil conceber que algo tão sinistro tenha mesmo acontecido nessa cidade…

Berlim é impressionante. Em menos de 100 anos, a cidade viu a ascensão e a queda do nazismo e a ascensão e a queda do socialismo. Arrepiante.

Falando em socialismo, as marcas do Muro de Berlim estão por toda a parte. Em alguns lugares, resquícios do muro.

Em outros, placas no chão para marcar onde ficava o muro que separava Alemanha socialista e Alemanha capitalista.

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Pedaço do muro, próximo ao Checkpoint Charlie, um dos principais pontos de entrada e saída das duas Alemanhas. Nesse trecho, uma cerca (!) protege o que sobrou do muro de predadores, AKA turistas que querem um pedaço da História para si.

Próxima parada: Parlamento Alemão

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Dizem que tem uma vista bem legal desse domo de vidro, no centro do prédio…

O Parlamento guarda histórias tanto da época do nazismo quanto do socialismo: um memorial aos parlamentares de oposição mortos a mando de Hitler fica bem do lado do prédio. Em cada placa de aço tem um nome, um partido político, uma data (da morte) e o local de morte. A maioria é campo de concentração, como Dachau e Auschwitz.

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O Parlamento também foi um ponto crucial da tomada da Alemanha Oriental pelos soviéticos. De lá essa foto clássica foi tirada, logo após o fim da segunda guerra:

Next stop: Brandenburger Tor, o principal cartão postal de Berlim. A antiga porta de entrada da cidade.

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Em seguida, como não poderia deixar de ser, mais história:

Screen Shot 01-16-15 at 03.49 PMUm bizarro Memorial aos Judeus Mortos na Europa simula, em mais de 2 mil blocos de concreto alinhados, os mais de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Pesadíssimo. Arrepiante. Necessário.

Enquanto isso, turistas babacas tiravam selfies sorrindo. Como pode tamanha imbecilidade e falta de respeito? Tsc, tsc, tsc.
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Esse estacionamento nada mais é do que o local onde ficava o Bunker do Hitler. Onde ele foi (?) encontrado morto. Até hoje há teorias de que o cadáver não era dele, e que ele viveu seus últimos anos de vida sossegado na América do Sul, como de fato ocorreu com outros grandes nomes do regime nazista.

Enfim.

O Bunker era enorme e o que ainda resta dele está abaixo do solo. O governo alemão não quer tornar o lugar um ponto turístico. As razões são compreensíveis, né? Por isso, o lugar hoje é um mero estacionamento.

De lá seguimos até o Checkpoint Charlie, já citado anteriormente.

Na região, achei interessante uma agência de turismo que aluga os antigos carros fabricados pela Alemanha Oriental, os “Trabi”, para um passeio pela cidade. Não, não fiz o passeio. Acho que é um pouco demais, não?
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Ainda passamos pela bela praça Gendarmenmarkt, onde é realizada uma das mais tradicionais Feiras de Natal da Alemanha (fui lá no último dia), e pela frente da Universidade Humboldt e a Praça da Ópera, onde ocorreu aquela famosa queima de livros promovida por Hitler em 1933:

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Aliás, o gesto nazista (a mão esticada) é um gesto proibido por lei. Dá multa e cadeia. O guia falou o valor da multa para quem desrespeitar. É um valor altíssimo, mas eu não lembro e tô com preguiça de pesquisar.

O tour terminou e já era noite cerrada. Pernas doíam, frio por todo o corpo. Mas foi nesse dia que agradeci ter comprado a bota de neve e o casacão. Ambos se mostraram realmente impermeáveis. Obrigada, Decathlon.

Voltei para o hostel, jantei um pedaço de torta com Kartoffelsalad (salada de batata – aparentemente eles colocam salada de batata até quando é coisa doce), tomei umas cervejas e fim dos nossos serviços.

24 de dezembro, Alexandreplatz, Nikolaiviertel, Eastside Gallery e véspera de Natal

Dia de rolê by my own. Tava um frio da desgrama, temperatura negativa, e continuava chovendo. Mas comigo não tem tempo ruim. Minha programação era ir à Alexanderplatz, à Nikolaiviertel e à Eastside Gallery, tudo a pé. Concluída satisfatoriamente.

A Alexanderplatz é uma praça enorme, cheia de lojas, shopping e mil coisas, bem perto do hostel. Obviamente o local sediava uma Feira de Natal, com centenas de barraquinhas vendendo de tudo um pouco: brinquedos, roupas, doces, comidas típicas… E no centro rolava uma pista de patinação. Eu não tive coragem: só tinha pró patinando. Até as criancinhas pequenininhas eram pró. Eu ia ser a grande atração (mico) do lugar…

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Vi por ali uma loja com cara de coisa barata e me dei conta de que não tinha um gorro. Precisava de um gorro. Entrei na loja. Foi meio ÚNICO ímpeto consumista em toda a viagem. Saí com o gorro (€3), e também com cachecol, três (!) calças jeans, cada uma a € 6,50, top de ginástica, uma blusa (a amarela, que vocês me verão usando no Ano Novo e na minha última noite na Suíça) e meias. Gastei menos de € 40. Amo muito.

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Já passava do meio-dia e eu ainda tava de jejum. Mandei uma porção dessa aí de cogumelo, na foto acima. Com molho de alho e pão.  Bagulho oleoso até dizer chega. Não caiu nada bem, maior revertério intestinal… Sorry a too much information. Mas ainda tinha muita coisa o que fazer naquele dia, aguentei à duas penas o máximo que pude.

Andei até o Nikolaiviertel, que sediava mais uma Feira de Natal. O que não era Feira de Natal eram obras. obras, obras e mais obras. Guindastes, lama, tapumes. Nenhuma foto aproveitável, exceto essa, que traz o novo e o velho:

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A igreja mais antiga de Berlim e a modernidade da Torre de Tv, atrás.

O Nikolaiviertel tem várias vielas com cafés, lojas, restaurantes, tudo com um jeitinho de cidade medieval. Fofo. Mas as obras e a chuva forte que caía no momento não colaboraram.

Andei então até a Eastside Gallery, uma boa caminhada por um lugar totalmente sem graça. Fica o aprendizado: melhor ir de tram (o bondinho).

A Eastside Gallery é uma área ao ar livre que preserva parte do Muro de Berlim e traz em suas duas faces obras de artistas de rua (achei os grafites meio sem graça. Sou muito mais um Kobra ou OsGêmeos, desculpa aê). Mas valeu a experiência.

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Não satisfeita com as pernas doendo, o intestino em frangalhos devido aos cogumelos com alho, a chuva que insistia em cair e a distância de 5 km que teria de percorrer, voltei ao hostel andando por mais uma rua totalmente sem graça. Fica o aprendizado².

É véspera de Natal, todo mundo com a família bláblá. Abdiquei faz tempo dessas coisas. Depois de um bom banho, desci ao bar do hostel. Encontrei um brasileiro que eu tinha conhecido no walking tour do dia anterior e, quando vi, estava ensinando o melhor drinking game do mundo (SUECA!) para um grupo de australianas, chineses, americanos e outro brasileiro; bebendo litros de cerveja; tomando shots de bebidas desconhecidas e me divertindo muito, muuuuuito.

Minha ceia de natal:

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Era tipo uma pizza, mas muito mais leve. Dizem que é especialidade suíça. Sei lá. Tava gostoso e segurou a barra.
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Até gorro de Papai Noel apareceu na minha cabeça, sabe-se lá de onde.

25 de dezembro, Berliner Fernsehturm

Saí na rua e tinha céu azul! Sol! Uhuuuuu!

Só que cada centímetro do meu corpo doía e a vertigem, que tinha diminuído nos dias anteriores, voltou com tudo (pq bebi horrores, eu sei). De modo que o dia teria de ser light, muito muito light.

Aproveitei o dia bonito para um rolê de vista panorâmica: a Berliner Fernsehturm. Até porque era Natal e 10 entre 10 estabelecimentos (de farmácias a lojas, passando por museus, restaurantes etc etc) estavam fechados. Mas a torre estava aberta, então bora lá.

€17 para subir no lugar. Bem caro. Mas acho imprescindível uma vista panorâmica. E minhas contas estavam muitíssimo em ordem: in fact, estava gastando muito menos do que imaginava.

Só que tinha uma fila de quase 2h. Só que era por senha, o que permitiu que eu fosse dar um rolê, comer alguma besteira, tomar um chocolate quente, curtir um maravilhoso sol gelado e voltar a tempo de chamarem o meu número.

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E olha… Valeu a pena.

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Na foto dá pra ver um pedaço da Feira de Natal da Nikolaiviertel, o Berliner Dom, o Portão de Brandemburgo e o Tiergarten lá atrás…

Mas eu mal conseguia ficar em pé de vertigem. Não chegava a dar enjoo, mas parecia que tinha um terremoto eterno sob meus pés. Sensação horrível.

Voltei para o hostel e dormi para ver se melhorava.

3h de sono e quando acordei não havia mais sinal de vertigem.

Nessa noite, o hostel promoveu um jantar de Natal €10 por pessoa. De entrada uma sopa, frango com legumes de prato principal e um musse de sobremesa. Com vinho branco. E uma cerveja mais tarde. Meio fracote, mas por 10 tá valendo.

Ao descer para o jantar não reconheci ninguém da noite anterior. Me sentei numa mesa com duas americanas, um inglês, três australianos, um canadense e mais tarde se juntou a nós um mexicano. Aparentemente era uma mesa com roommates de 2 quartos e eu, a burguesa do quarto privativo. hahaha. TÔ NEM AÍ, quero conforto nessa vida.

Long story short: noite DIVERTIDÍSSIMA. O mexicano descolou shots de Agave para nós (uma bebida feita com a mesma planta que a tequila, só que num processo mais lento e elaborado, algo assim), tomamos muita cerveja, descemos para o bar, bebemos mais, mais gente foi se juntando ao nosso grupo… Uma coisa louca.

Mas não me demorei tanto quanto gostaria. Tava com medo da vertigem voltar.

26 de dezembro, último dia em Berlim

Primeiramente, acordei e olhei a janela:

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Nevando ♥

Não é a primeira vez que vejo neve (minha primeira vez experiência com neve foi em 1994, em Bariloche, Argentina); não é a primeira vez que vejo nevar (a primeira vez foi em Lucerne, Suíça, em 1997). Mas é sempre um espetáculo lindo, ainda mais para nós, nada acostumados a isso. Os floquinhos de neve são de uma beleza e perfeição indescritíveis. A neve é linda, gente.

Estava sossegada tomando café da manhã e planejando o meu dia (rolê pela Strasse des 17 Juni, Tiergarten, Postdamerplatz, Gerdamenmarkt e museu da história alemã) quando uma das pessoas que conheci anteriormente sentou na minha mesa e perguntou se poderia fazer o rolê comigo. Lutei contra meu espírito individualista ao extremo e topei a companhia da Cathy, uma chinesa que mora há anos na Austrália (e para quem ensinei sueca dois dias antes).

Cathy e eu fomos de metrô até o Portão de Brandemburgo, nosso ponto de partida para o tour do dia. Geral se divertindo com a primeira neve da temporada. Tive essa sorte. E também alguém para tirar fotos para mim :)

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Só que como podem ver pelo tapume branco, algo estava rolando: metade da região estava interditada, até para pedestres, por conta dos preparativos para a festa de ano novo (a Strasse des 17 Juni é tipo a Avenida Paulista de Berlim – os grandes eventos são todos lá). Assim, o meu primeiro plano, de andar pela rua, foi pro saco.

No harm done. Entramos no Tiergarten, o Central Park de Berlim, onde, no verão, a galera toma sol pelada. Obviamente no inverno são outros 500. A paisagem é bem diferente. De qualquer modo, lindíssima: as árvores nevadas são de tirar o fôlego.

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Seguimos então até a Postdamer Platz. Passamos pelo Memorial do Holocausto, pelo Bunker do Hitler e por outros lugares, e eu fui explicando à Cathy o que era o quê, sendo eu a guia, dessa vez – ela não tinha feito o walking tour.

Na Postdamer Platz… Adivinhem:

Sim, Feira de Natal. Hahha

Só que em vez de pista de patinação, tinha uma ladeira de gelo para descer com boia inflável – opa, isso eu encaro!

Cathy e eu de fato encaramos. € 1,50 a brincadeira.

Screen Shot 01-16-15 at 05.46 PMFoi divertido =D

Andamos até o Sony Center, que tem uma caralhada de coisas, restaurantes, museus, Legoland, lojas… Sério, é um mundo. Mas não ficamos muito lá. Continuamos a jornada.

Logo estávamos na Fassbender & Rausch, a maior loja de chocolates do mundo.

Na fachada estão expostos importantes monumentos de Berlim, tipo o Parlamento e o Portão de Brandemburgo, feitos de CHOCOLATE. Tinha placas para não tocar, mas obviamente uma galera metia a mão para ver se era mesmo chocolate. Pela reação delas, era.

Resolvemos almoçar na feira de Natal da Gendarmenmarkt – falei à Cathy que era a mais tradicional da Alemanha e talz. De fato, era bem diferente das outras. Mais típica, digamos. Poucos turistas, muitos locais.

Provei pela primeira vez na vida um Eggnog (é estranho) e Cathy foi na minha onda:

2014-12-26 22.13.14Comemos um negócio que todo mundo tava comendo, parecia uma pizza, com um queijo esquisito e bacon. Muito bom.
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Französischer Dom, linda igreja na Gendarmemarkt.

Próxima parada: Deutsches Historisches Museum, o museu de história alemã – único museu aberto no período entre natal e ano novo. Bagulho é ENORME, gasta-se um século para vê-lo inteiro e com atenção. Só dispúnhamos de 2h, por tanto vimos bem rapidamente a história antiga alemã e um pouco mais atentamente o século XX, muito mais interessante (nazismo e ruptura entre as duas Alemanhas).

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Há um vasto material sobre as guerras. Propaganda política, documentos, fotos… Bem interessante.

Saímos de lá e já era noite cerrada. Passamos na frente do Berliner Dom e me deu vontade de entrar.

Eis o altar da bela Catedral:

Screen Shot 01-16-15 at 05.47 PM 001 :)

Berlim é incrível.

Voltei ao hostel, tomei banho e lá fui eu para o bar de novo haha. Encontrei o brasileiro do walking tour e fomos jantar kebab ali pertinho. Voltei para o hostel e para o bar, obviamente. Conversei com brasileiros, com o inglês e o canadense do dia anterior, depois um grupo de australianos jovens me convidou para a mesa deles – mas não suportei por muito tempo as poop stories deles – depois encontrei o mexicano da noite anterior e, finalmente, fui dormir. Precisava acordar em poucas horas – meu trem para Praga saía às 7h e pouco da manhã!

CONTINUA.

Amigo secreto das blogueiras – I’m back!

Foi com muita alegria que participei do amigo secreto das blogueiras (carinhosamente chamado de AS da Laje) em 2011 e 2012. Em 2013, as vacas estavam magérrimas: estava desempregada, celular roubado e tinha acabado de gastar uma bela grana em uma viagem. Assim, qualquer gasto estava fora dos planos.

Mas, em 2014, com as coisas em ordem, foi com muita alegria que voltei a participar do AS. Esse ano, sofremos duas baixas: Dani e Bel não participaram. Mas tivemos duas novas adesões: as adoráveis Quel e Lu se juntaram a mim, à Bel, à Lile e às Ju’s Teixeira e Rodrigues.

O que não prevíamos era um final de 2014 turbulento. Muitos acontecimentos na vida de todas, de modo que as funções do AS, como os versinhos anônimos (nem tão anônimos hahaha), as piadas internas, as mensagens secretas e tudo aquilo que antecipava o envio e recebimento dos presentes foi deixado de lado. Muito triste :(

REVELAÇÃO

Eu estava viajando, mas meu pai me avisou: tem um pacote aqui da XXX (ele falou o nome) para você. Ou seja: matou a surpresa. Mas pelo menos eu ainda não sabia o que tinha ganhado…

Eu já desconfiava de quem tinha me tirado por uma mensagem no twitter da dita-cuja. Pouco depois do sorteio, ela postou algo como “Já sei o que dar de presente para minha AS”! Isso porque ninguém ainda tinha dado dicas. Não sei exatamente o porquê, mas achei que era eu. E não me enganei! hahaha

Quem me tirou foi a…

Raquel!

Queridíssima, a nossa mascotinha hahaha ♥

Assim que cheguei de viagem imediatamente desembrulhei o presente:

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O conteúdo era uma cartinha fofa, escrita a mão:

Screen Shot 01-16-15 at 12.50 PME, conforme meu desejo, coisas úteis. Na dica de presentes, falei às meninas que não curto coisas fadadas a ficar na estante pegando pó. E obviamente não é o caso:

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Uma venda para olhos (imprescindível para viagens de avião diurnas) e uma necessaire (sempre útil) de tecido com uma estampa linda!

Obrigaaaaaaaaaaaada Quel, querida! Tenha certeza que seus presentes serão bem úteis :)

Quem eu tirei

Da mascote para a mãe de todos: esse foi meu AS. A Quel caiu comigo, e eu tirei a Bel. Adoro que meus ASs nunca se repetem!

As ideias de presentes para a Bel eram mil. Ela adora fotografia, ama viajar, adora a família. Mas todos os presentes que vinham à mente estavam muito, muito acima do valor máximo de R$ 50 hahaha. Assim, fui no mais óbvio: mais uma temporada de Gilmore Girls, que a Bel adora.

Falei pra Bel na carta: algumas das pessoas mais incríveis que conheço amam essa série. Eu nunca tive qualquer interesse, mas são pessoas TÃO legais… Acho que um dia precisarei dar uma chance, né?

Além disso, a Bel tinha pedido bijuterias descontraídas. Não foi fácil, isso é muito pessoal. Comprei coisas de estilos super diferentes e torci para que ela gostasse de ao menos um. hahaha

Confiram as outras revelações:

Bel – http://www.deixoler.com/2015/01/amigo-secreto-na-laje.html
Lile – http://janelacolonial.blogspot.com.br/2015/01/amigo-secreto-das-meninas-da-laje.html
Juliane Rodrigues – http://julianelrodriguess.blogspot.com.br/2015/01/blogueiras-e-um-amigo-secreto.html
Jullyanne Teixeira –  http://www.vermelhasunhas.blogspot.com.br/
Lu –  http://pensariumblog.blogspot.com.br/2015/01/amigo-secreto-das-meninas-da-laje.html
Raquel – http://raquelzices.blogspot.com.br/

Rapidinhas

Quase 4 meses sem postar, que vergonha!
Vamos a uns drops do que rolou:

- #CopaDasCopas : vou guardar pro resto da vida memórias de um mês maravilhoso. Juro. Tenho a plena consciência de ter vivido uma felicidade quase suprema entre junho e julho de 2014, e 90% se deve à Copa. Aos jogos indescritíveis, às bebelanças dia sim dia também, às piadas SENSACIONAIS, às comilanças, às reuniões com amigos dias sim dias também para assistir aos jogos. Tudo. Foi uma época linda e de muita felicidade.

- Nos últimos tempos ando batendo a cabeça de burrice por aí. Sim, suíço-related. Long story short: em janeiro estarei 5 dias em Zurique e tudo indica que iremos nos encontrar.

- Ainda nesse tema: nos falamos uma vez por semana, no mínimo. 95% das vezes ele é quem começa o assunto. Falamos de trabalho, fofoquinhas, generalidades, mas no fim sempre descamba para putaria.

- Isso adianta o próximo tópico: passarei Natal e Ano Novo sozinha no inverno europeu. E estou contentíssima com isso. O roteiro: 21 a 26 em Berlim, 27 a 29 em Praga, 29 a 3/1 em Munique, 3 a 9/1 em Zurique.

- Estou desde agosto aprendendo alemão. Precisava ocupar minhas manhãs com algo meio leve (horror de pensar em pós e afins), precisava de uma nova língua, mas não curto idiomas latinos. Como passarei 15 dias em países de língua germânica, optei pelo alemão. E tem me feito muito bem. Adoro as aulas, saio leve. Estou apanhando, é lógico. Mas ainda assim adoro.

- Depois da Copa entrei numa dieta poderosa. Fiquei 1 mês sem sair, sem ingerir uma gota de álcool nem 1 grama de doce. Dia 19 de julho, quando comecei a dieta, estava com 80 kg (comecei a Copa com 75 hahaha). Dia 27 de outubro, cheguei aos 72,6 kg.  Estou feliz, estou usando calças 40 (recorde da minha vida), tenho corrido 5, ou 6 quilômetros na esteira e me sinto bem gostosa, obrigada. ahhaha. Não quero ser magra, nunca quis.

Olha que saudável eu tô, hihihi:

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- Trabalho tá ok. Não sou amiga das pessoas, mas convivemos bem. E mesmo se assim não fosse, o esforço seria válido. Adoro meu trampo, sério mesmo. Inclusive, daqui alguns dias completo 1 ano aqui.

- Eleição foi uma loucura. Estou cercada por pessoas com uma visão política e ideológica completamente diferente da minha. Engoli tudo, a campanha inteira, e o mar de baixaria que fui obrigada a aturar tornou meu voto ainda mais convicto (como se isso fosse possível).

 – Os hómi? Como sempre, estou na modalidade “casuais”. Cheguei a me interessar por um deles, mas foi solenemente ignorada, haha.

Acho que é isso, gente.

Devidamente atualizados?

Qualquer coisa tô lá no twitter. Por lá as atualizações são constantes.

=*

TPM means crise?

No caso atual, yes.

Tô em crise porque tô de dieta, e fazer dieta me torna uma pessoa mais amarga e triste. Verdade. Cada minuto é um suplício.

Tô em crise porque a cada dia que passa sinto mais saudades do suíço. Troço surreal. A gente se fala quase todo dia. E tanta coisa fofa! Se eu tinha qualquer dúvida sobre sentimentos, não tenho mais. Nunca ninguém me tratou como ele me trata. Nunca ninguém me disse as coisas que ele me diz. Obviamente, não espero nada dele, só migalhas de afeto durante uma semana ao ano. Mereço mais do que isso? Lógico. Mas ele me fez e me faz bem. Por causa dele, mudei muito e acredito muito mais em mim, hoje em dia.
Ele voltaria para São Paulo agora em maio, mas tá o maior imbróglio o contrato por conta da Copa. Eu já disse pra ele que TUDO para durante a Copa e que obviamente o projeto vai ser empurrado para depois, mas ele não dá o braço a torcer… Ele ainda acredita que possa vir em junho. Só que eu sei que é verdade, tô ligada como a economia brasileira funciona.

Tô em crise porque o pessoal do meu trabalho é extremamente reacionário, machista, preconceituoso e afins. Não saio de casa há 3 semanas, então todas as conversas que ouço vêm da boca deles. E as conversas deles definitivamente me fazem mal, porque exemplificam perfeitamente o tipo de gente que faz parte da elite brasileira.

Tô em crise porque, como disse acima, não tenho tido vida social nenhuma. Primeiro porque chega fim de semana e eu só quero dormir; segundo porque sair implica comer, beber e sair da dieta.

Tô em crise porque não sei lidar com um relacionamento baseado em sexo esporádico. Não sei até que ponto devo ou posso cobrar sinceridade, quando não há qualquer tipo de acordo de ambas as partes (não, não é o suíço. é outro cara).

Quero: chorar, comer chocolate, dormir.

Não posso fazer nenhuma dessas 3 coisas. Agora vou ali almoçar uma salada e ficar ainda mais amarga, beijo.

EUA 2014: NY, Boston, Miami em 4 dias

Breve (não tão breve) histórico. Se quiser role direto para o relato de viagem, lá embaixo.

Tô meio que de saco cheio de pessoas me perguntando “mas como você gosta de fazer viagens tão curtas?”. Olha, não é questão de gosto. É questão de oportunidade. Por mil razões, dentre as quais: viajar durante temporada é caríssimo e tenho horror a lugar entupido de gente; meus trabalhos são instáveis e não consigo planejar férias; viajar muito tempo = caro. viajar pouco tempo = menos caro.

Enfim. Fato é que fiz mais uma dessas viagens curtíssimas agora no começo de abril.

Tudo começou em setembro do ano passado. Minhas milhas da TAM expirariam em 1 mês e daí surgiu uma linda promoção de milhas reduzidas para ir para NY. Nem hesitei.

Meu pai se animou e me deu as milhas dele que estavam vencendo para um voo NY-São Francisco. Ok.

Daí o tempo foi passando, arranjei um trabalho do qual não pretendo sair, a viagem foi chegando e tudo indicava que não conseguiria folgar muitos dias e emendar com o feriado da páscoa – o que eu planejava fazer, a princípio.

Entre cancela daqui, pondera de lá, decidi em janeiro cancelar a parte São Francisco e só faltar 3 dias no trabalho. O problema é que passagem só um trecho é MUITO mais caro que comprar ida e volta. Daí me fodi.

A passagem mais barata para o Brasil que achei era MIA-GRU via Gol (coisa de R$ 1100 – ida e volta custava uns R$ 1500). Mas não tinha escolha: comprei.

Então eu tinha a ida: 10/4 – GRU – NY pela TAM, e a volta, 14/4 MIA-GRU pela Gol. Faltava o resto.

New York – Miami era um valor absurdo, quase R$ 1000 a passagem. Tentei cidades próximas: Washington, Philadelphia, Boston. Consegui passagem Boston-MIA por R$ 440 já com taxas. Ok.

E foi assim, totalmente pensando no dinheiro, que elaborei a viagem. No fim das contas foi excelente, fiz quase tudo do que planejei e passei bem.

10 de abril, quinta-feira

Saí de casa 4 da manhã. Fui de táxi para Guarulhos, usando a liiiinda promoção da Easy Táxi e do Santander, que das 22h às 6h, usando o aplicativo e pagando com cartão de crédito Santander, você paga só 50% do valor do taxímetro. Decolou 8h e pouco. Voo ok. Assisti “Doze Anos de Escravidão” no voo e achei meio blé.

Pousamos em NY 17h e pouco. No controle de passaporte, uma surpresa: o moço não me pediu passagem de volta, não me perguntou o que eu fazia da vida, nada. Carimbou meu passaporte e chamou o próximo. Lindo.

Peguei o Super Shuttle para ir até o albergue. U$ 18 e te deixam na porta do hotel, acho digno. Só que tava um trânsito insano – quinta-feira, 18h e pouco, uma das maiores metrópoles do mundo. Pensa. Mas tudo bem, porque estava uma tarde LINDA e fui abençoada com isso aqui:

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Apenas o skyline de Manhattan com um pôr-do-sol maravilhoso. Só isso.

É brega, sei que é, mas me caiu uma lágrima. Foi tipo NY demonstrando seu amor por mim. I♥NY. De verdade.

Só que o trânsito me ferrou, só cheguei no albergue 20h e pouco e várias coisas que eu pretendia fazer ainda na quinta foram pro saco. Paciência.

Da outra vez que fui pra NY, fiquei no HI Hostel. Bem bom, só que em Uptown, dependia de metrô para absolutamente tudo. Então dessa vez optei por outro.

Como uma das minhas metas em NY era conhecer o Highline Park, o local foi meu ponto de partida. Acabei optando por ficar no bairro de Chelsea, no albergue Chelsea Highline Hostel.

U$ 50 a noite, com café-da-manhã (podrão, mas…) incluso. A melhor parte: quarto com só duas pessoas. Você e mais um.

Só que era um albergue velhão, a beliche zuada, rangia a qualquer movimento e jurei que ela cederia ao meu peso (ao subir as escadinhas, de fato quase tombou em cima de mim. tô gorda mas calma lá, né).

Pior: quando cheguei, a recepcionista gritou: “I’m on my break!” e eu respondi “I need to ckeck in”. Ela veio com a cara mais emburrada do mundo. Tipo, desculpa, passei 10h em avião e outras 2h no trânsito. Vá se foder e respeite os hóspedes.

Isso feito, tomei um banho e saí.

Andei até o metrô. Outro ponto negativo do hostel é que a estação mais próxima ficava a quase 15 minutos de caminhada.

Parei na Christopher Square para ir ao Jazz que me recomendaram. Antes comi um autêntico hot dog americano. Sem purê, nem ervilhas, nem nada dessas bichices que brasileiro inventa. Só pão, salsicha, mostarda e catchup.

De lá fui ao Smalls Jazz, o tal recomendado. U$ 20 a entrada (pros padrões locais, dizem que é honesto).

Descia uma escadinha e lá estavam algumas dezenas de novaiorquinos – certamente nenhum turista – sentados em bancos ouvindo um jazz e tomando cerveja no pós-expediente.

Fiquei um tempo em pé, até a moça garçonete fofa me arranjar um lugar divino na frente da banda:

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Pedi uma Guiness (U$ 8) e fiquei lá de buenas curtindo música de qualidade e tocada com paixão.

Não aguentei ficar muito, porque sou do tipo de pessoa para quem a música é um complemento da atividade, e não a atividade em si. Assim, 2h depois peguei um táxi (pois é, nível financeiro subiu, nível de conforto subiu junto) e fui pro hostel, que era bem pertinho. Não deu nem U$ 10 o táxi.

11 de abril, sexta-feira, NY 

Meu único dia inteiro em NY. Acordei 7h e pouco, comi um bagel com geleia no hostel e andei até a entrada de cima no Highline, isso é: na 10th Ave com a W 30th St.

O Highline Park é um projeto arquitetônico foda. Saca o minhocão, em São Paulo? Então. Trata-se de um elevado enorme para o transporte sobre trilhos, que passa por meia Manhattan, criado na década de 1930. Nos anos de 1980, os trens pararam de circular por lá. A comunidade, pensando no quê fazer, se uniu com o poder público e, em 2009, o parque foi aberto. Dizem que logo, logo inauguram uma segunda parte do parque, que vai da 30th em direção a Uptown (atualmente só funciona o trecho da 30 até Downtown).

Ele tem diversas entradas, é totalmente acessível a deficientes físicos e possui espaços para eventos culturais, como um pequeno anfiteatro, banquinhos e locais para exibição de filmes ao ar livre e tal.

NY é tão cultural ♥

Fiquei um pouco decepcionada porque em todas as fotos eu via o parque Highline realmente como um parque, isso é, com área verde. Só que o inverno norte-americano foi muito rigoroso esse ano, então a primavera está sofrendo: nada de vegetação vigorosa, nada de cerejeiras floridas no Central Park. Uma primavera que mais parece um Outono :(

Eu num dos únicos pontos do Highline com um pouquinho de vegetação:

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Terminei o percurso no elevado mais rápido do que imaginei. De lá, segui andando até Washington Square, só porque queria tirar foto do arco do triunfo que aparece sempre em Friends (pretendia ir ver o prédio dos Friends também, mas desisti):

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De lá, peguei o metrô para a 66th, para ver o Lincoln Center, um complexo cultural GIGANTESCO que ocupa muitos quarteirões e onde fica o Ballet de NY, o Teatro Municipal e várias outras coisas.

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Segui pela 66th até o Central Park. Queria ver as cerejeiras, tava rolando festival primaveril. Ou pelo menos dizia o site. No caminho achei uma pequena orquestra de crianças executando uma performance. Parei e fiquei olhando. Tocaram, dentre outros, a música do Rei Leão e “New York, New York” (Frank Sinatra) – chorei, te juro:

http://www.youtube.com/watch?v=Ak2MdVfTf34 Toda emotiva besta apaixonada por NY, confesso ♥♥♥

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Central Park liiiindo

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Strawberry Fields de novo. Da outra vez tinha uma decoração mais-MAIS, só que dessa vez tinha morangos. Achei fofo.

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Acima, Sheep Meadow, ainda no Central Park. Trata-se um um extenso gramado onde a galera fica deitada a toa tomando sol no verão.

Minha intensão no Central Park era ver o Carrossel e as cerejeiras. Não achei o carrossel (nem sei se existe) e as cerejeiras não deram flores porque o inverno foi muito rigoroso.

Pior: Central Park é um labirinto verde. No matter what, sempre ando em círculos e nunca acho o que quero. Mas sempre vale a pena.

De repente me deparei com uma estátua do Christopher Columbus (as in Cristóvão Colombo kkkk). E, olha que impressionante: minha intensão era atravessar o parque. Acabei saindo pelo mesmo lugar por onde entrei HAHAHAHHA

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Next stop: fui andando bestamente pela 5ª avenida. Entrei no Bloomindale’s, na H&M, na GAP e em uma outra loja. Não gostei de nada. Definitivamente, não sou esse tipo de turista.

Continuei andando até me deparar com o Rockefeller Center.

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Lá dei um rolê pela incrível loja da NBC, que vende desde um ímã do sofá dos Friends e a caneca do Central Perk até camisetas Dunder Mifflin, e mil objetos úteis e outros nem tanto de tudo que é série que você ama.

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Ainda no Rockefeller Center, tava rolando uma Egg Parade. Lembram da Cow Parade e da Monica Parade, aqui em Sampa? Então. Só que de ovos. Só que é uma caça aos ovos, tipo Páscoa mesmo.

Se liga no site.

Enfim. Mais de 250 ovos Fabergé estilizados por pessoinhas como Ralph Lauren, Carolina Herrera e ROMERO BRITTO estão espalhadas pela cidade. Veja alguns nesse link.

Vários estão no Rockefeller:

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Nisso já eram umas 15h e eu estava desde às 7h só com um bagel na barriga. Fui andando e um T.G. I. Friday’s me pareceu tentador. A garçonete foi uma foooooooooooofa, linda, daquelas que merecem U$ 100 de gorjeta. Me deu bebida de graça (não, não era refil) e tudo. Comi um steak com batatas. Divino.

Na mesa do lado um grupo de brasileiros. Nunca estive tão cercada por brasileiros como dessa vez. Impossível andar um quarteirão sequer sem me deparar com brasileiros em NY. As exceções foram o Smalls Jazz e o Burger Joint (descrição mais abaixo). De resto… BRASILEIROS EVERY-FUCKING-WHERE.

De lá segui para o Museu do Sexo.

Da outra vez já queria ter ido, mas acho que tava tendo alguma mostra fodástica, que o ingresso tava uma fortuna. Dessa vez custou U$ 17. Caro, já que é um museu pequeno e nada demais, mas foi uma experiência interessante.

Primeiro porque é sexo é interessante, e ver gente de todas as idades e jeitos vendo fotos de putaria é interessante.

Segundo porque tava tendo exposição da Linda Lovelace, as in A MINA DO GARGANTA PROFUNDA.

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Uma sala branca. Várias fotos dela pelada. No fundo da sala, uma projeção ENORME do garganta profunda (não postarei a foto se não o wordpress me bloqueia).

Ainda na sala, várias frases dela espalhadas, dizendo que tinha levado o corpo a fazer coisas sexuais que a grande maioria dos seres humanos nem sonha. Hahaha. Diva.

Em outra sala rolava uma exposição sobre internet & sexo. Tinha fotos de todas as taras bizarras que a galera procura na internet, e um quadro no fim perguntando o que você nunca procuraria:

IMG_2847Alguns me fizeram rir (tipo YOU), outros concordei (tipo animals, pedophilia). Eu incluí “blood+torture”.

Na última parte do museu, uma exposição sobre sexo animal. Fotos como o pinto do pato chileno (tá escrito na imagem que é argentino, mas é chileno), uma foto de uma macaca batendo uma siririca, uma foto de leões gays trepando… Coisas phynas hahaha

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No fim, uma puta loja de coisas sexuais, que vendia desde macarrão em forma de pinto, até MIL tipos de vibradores (tinha um de U$ 500!!!), gel pra tudo, coisas para S&M, livros, mil coisas! Muito divertido!

Saí de lá e fui andando até o metrô. Parei para tirar fotinho nesse LOVE fofo:

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Next step: hambúrguer no Burger Joint at Le Parker Meridien. Dentro de um hotel chiquérrimo, ATRÁS DE UMA CORTINA, fica a hamburgueria. Apertada, abafada, com uma fila kilométrica de novaiorquinos – mais um lugar sem brasileiros.

Avisos na parede diziam: “se quando chegar sua vez você hesitar ao pedir, volta pro fim da fila” ou “se não tem no cardápio é porque não tem, não adianta perguntar” hahaha. Newyorkers mal humorados ♥

Comi rapidinho e continuei andando. Passei pela Times Square F-E-R-V-I-L-H-A-N-D-O de gente, coisa mais insuportável.

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De lá direto para a Broadway, assistir Mamma Mia. AMEI PRA CARALHO. Desculpa aê, mas não tem outra expressão. Foi incrível, incrível!!!

E olha que manjo NADA de Abba.

Mas gostei muito. 2h30 e U$ 75 muito bem gastos!

Mil vezes melhor do que o maçante “Fantasma da Ópera”. Dessa vez, entendi 100% (meu inglês melhorou um pouco, mas o fato de não ser ópera foi o mais importante) e realmente curti. Musical bom é isso: aquele que dá vontade de ficar de pé, cantar e dançar junto. O elenco todo cantando “Dancing Queen” no final, como BIS, foi tipo… Delírio.

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Terminou o espetáculo 23h e pouco. Peguei metrô e voltei para o hostel.

Arrumei malas, deixei tudo pronto e dormi um tico.

12 de abril, sábado – Boston

2h30 da manhã acordei. Com tudo pronto, só me troquei e peguei um táxi para Port Authority. Já tinha comprado pela internet uma passagem para Boston, via PeterPan. Meras 27 doletas.

Às 4h saiu o ônibus para Boston. Dormi por 4h, ou o trajeto inteiro.

Acordei com a motorista falando “We are arriving at Boston South Station”. De lá, foi facílimo seguir para o hostel. Um metrô, troca de linha, outro metrô, dobrar esquina, cheguei. Larguei a mala e saí. Eram 8h, a cidade estava vazia, gelada e com um CÉU AZUL MARAVILHOSO.

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As in: meu clima perfeito. 15 ou 16ºC, céu azul, friozinho, mas calorzinho no sol. ♥

Com esse clima perfeito, foi fácil achar Boston linda.

Eu tinha em mãos um day tour escrito pelo cunhado bostoniano de uma grande amiga (valeu Tom, valeu Dê!). Segui quase que a risca.

Ele sugeriu uma parada na Pizza Regina, perto do hostel. De manhã estava fechado e a tarde tinha uma fila de 2h de espera; ele sugeriu o restaurante mais antigo da cidade, mas tinha fila de 1h40 de espera (americano = povo que gosta mais de pegar fila que paulistano, tá louco!!!). De resto, fiz tudo o que ele indicou:

Freedom Trail, um trajeto de alguns Km que passa por importantes marcos históricos da cidade – a grande parte coisa extremamente americana e que não interessa realmente a nós. Mas mesmo assim, são belas arquiteturas, lugares bonitos e com um clima gostoso.

O melhor é que a trilha toda é fácil de ser seguida, porque tem tijolinhos vermelhos no chão. Basta segui-los!

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Viu?

O primeiro lugar onde parei foi o Copp’s Hill Burying Ground. Trata-se de um cemitério no alto de um morro. A VISTA MAIS LINDA. Not a bad place to rest in peace :)IMG_2882

Aliás, Boston tá bombando de cemitério.

Nesse, tem uma galera de artistas, mercadores, blabláblá enterrados. Datado do século XVII, era o maior cemitério de Boston.

Continuei seguindo a Freedom trail, passando pela Old North Church, por uma bela praça homenageando vários cidadãos ilustres mortos há muito tempo.

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Continuei a trilha até o fim. Feio falar, mas a maioria do caminho era composto por coisas meio bairristas, não me interessei o suficiente para parar e ficar lendo tudo. Mas é tudo lindo, sim. Valeu a caminhada.

No caminho entrei em um Dunkin’ Donuts. Não é a toa que americano é gordo: uma rosquinha custa U$ 0,89. Uma dúzia (sim, DOZE) sai por 6 e pouco. É ridículo de barato.

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O fim do trajeto é no Boston Common, o parque público mais antigo dos Estados Unidos: data de 1634. Acho louco demais pensar que enquanto aqui na América do Sul branco matava índio, trazia condenado da Europa pra viver aqui e explorava a matéria prima para exportação, lá eles criavam cidades e parques.

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Enfim. É um lugar lindo, embora, assim como o Central Park em NY, a vegetação não esteja tão exuberante quanto estaria se o inverno não tivesse sido tão punk.

De qualquer maneira, era um sábado de um céu azul límpido, temperatura agradável e consequentemente muuuuita gente curtindo o parque com os filhos, os cachorros, a namorada, a bicicleta.

Em frente ao parque está a State House, que é um prédio lindíssimo.

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Oposto à State House, cruzando o Boston Common inteiro está o lugar mais lindo que vi nos últimos tempos. Lhes apresento o Public Garden:

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Mais uma vez, as flores que esperamos ver em um jardim vão ficar para a próxima. Mas não importa. Que lugar lindo, que energia boa esse lugar tem!

Curti uns minutos de sol olhando o lago, sentindo a atmosfera do lugar e tirando várias selfies. hahaha

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Em seguida continuei meu trajeto.

O cunhado da minha amiga escreveu o seguinte: Newbury Street é a rua mais chique para compras na cidade… tem lojas dos designers mais famosos do mundo (Burberry, Chanel, Armani, etc.) e arquitetura e igrejas bonitas. Ou se ela não tem interesse nessa rua, pode andar na avenida paralela, Commonwealth Avenue. Essa avenida também é muita chique e tem arquitetura e igrejas bonitas. 

Não, eu definitivamente não faço o perfil de turista-consumista. Muito menos de grife, argh. O que eu fiz então? Um zig-zag. Comecei andando na Commonwealth, daí fui para a Newbury, daí voltei para a Commonwealth e novamente para a Newbury (dessa forma, conheci as duas) até parar na Copley Square, que tem a Biblioteca e a Trinity Church:

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Do outro lado da rua tinha outra igreja, a Old South Church. E na frente dessa última, já na  Boylston Street, algo que se assemelhava muito, no tamanho e na forma, a um sambódromo, estava sendo montado e causava certo transtorno aos pedestres e automóveis.

Até então nem passava pela minha cabeça o que aconteceria ali. Era sábado, dia 10.

Já no Brasil descobri que dia 15 o atentado na Maratona de Boston completaria um ano, e teria toda uma homenagem. Eis o porquê de todo o aparato que estava sendo montado.

O cunhado da minha amiga me sugeriu dali pegar o metrô e já ir para Harvard. Acontece que estava bem cedo, e Harvard já era praticamente a última coisa do roteiro. Além disso, eu queria almoçar. E bem. Boston é o paraíso dos frutos do mar. Das lagostas, dos mexilhões. Muito amor.

Portanto, continuei nessa rua, que era uma maravilha: restaurantes, cafés, lojas tchã-nã-nã (Apple, Samsung, Sephora, Lindt, etc etc) e muito mais.

Eu tava com fome, já eram quase 14h, mas todos os lugares estavam abarrotados de gente. Mas beleza: foquei em um restaurante chique, porém não tão ostentação, e que tinha um nome bem convidativo – Atlantic Fish  – e entrei.

Lotado. Mas tinha lugar no balcão, o que não era nada mal, já que comer sozinha numa mesa de 4, num restaurante lotado, é meio desagradável.

Não hesitei: pedi um vinho branco. Olha bem minha cara de enóloga, néam. Já que manjo tanto (só que não), pedi ajuda pro garçom. Ele me indicou um: 2008 Pinot Gris, Reserve, Trimbach, Alsace. Demorou mas chegou. Delicioso e fresco. E apenas uma taça – que custou U$ 14!!! –  me deixou alegre. Perfeito.

O vinho foi para harmonizar com o meu prato, um ravioli recheado de lagosta. O molho era branco, com cogumelos e shitakes, creme de manjericão e pedaços de lagosta fresca. Eis:

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Gastei U$ 50, mas valeu muito a pena. Aliás, minha alimentação bostoniana foi perfeita.

Próxima parada: Prudencial Center, um shoppinzão enorme. Mas o que eu queria lá era a vista panorâmica. Fui na entrada do lugar e tinha uma placa: hoje a torre estará fechada para evento. FUÉN. Triste. Adoro vistas panorâmicas, e aquele dia azul magnífico seria o ideal. Mas fazer o quê.

De lá tomei meu rumo à Harvard. A mais antiga universidade americana, que data do século XVII. É uma das melhores e mais prestigiadas do mundo.

Foi facílimo chegar, usando o metrozão.

Comecei o rolê bem perdida. O lugar é enorme e o mapa não me dizia muita coisa.

Daí resolvi andar sem rumo, observando o povo feliz tomando sol na grama, tocando violão, curtindo o sabadão.

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Andei pela Law School, passei pelo Museu de História Natural (adoraria entrar, mas não daria tempo), atravessei tudo e fui até a Harvard Yard. Lá, fiz o que tantos estavam fazendo. Deitei ao sol e fiquei lá, estirada no solzinho pensando como a vida é boa, apesar de tudo.

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Já eram umas 17h e pouco. Dei uma volta por Harvard Square, que estava entupida de gente tomando café, sorvete e papeando contente e feliz.

Peguei o metrô e voltei pro hostel, fiz check-in e talz. Fiquei no Friends Street Hostel. Super bem localizado, a uma esquina do metrô e a curta caminhada do centro. As coisas boas param por aí: reservei uma cama em um quarto misto com 8 camas. Uma noite, U$ 48. Tinha café da manhã inclusivo, mas fui embora antes.

Nota: NUNCA fiquem em um quarto de um só sexo. Ninguém se respeita e é capaz de você encontrar uma moça se depilando no meio do quarto e absorventes sujos, caso seja mulher, e cuecas sujas largadas pelo quarto inteiro, se for homem. Quando é quarto misto, geralmente os sexos se respeitam. Dica de quem já viajou por uns 20 países e ficou em uns 10 hostels.

Quando o recepcionista subiu para mostrar o quarto, qual não é minha surpresa ao entrar em um quarto não com 8, mas DEZESSEIS camas? Pior: estavam montando uma cama de acampamento para uma 17ª pessoa. PIOR²: tudo mulher. Quis morrer. Mas antes reclamei com o cara, que falou em overbooking (caguei, problema deles). Eu disse que ao menos queria a diferença do dinheiro de volta, já que obviamente um quarto com 17 pessoas é mais barato que um com 8. Daí o moço foi bem grosso: disse que eu reservei faz tempo, e agora o quarto com 16 é o valor que eu paguei, então tava tudo certo. E que se eu não estivesse satisfeita teria todo meu dinheiro de volta. As in: pode ir dormir na rua.

Não criei caso, afinal de contas era só uma noite. Mais: algumas horas de sono e uma chuveirada. Mas ainda pretendo mandar um e-mail pro gerente reclamando. Só que de pensar em bolar o e-mail todo em inglês me dá uma preguiiiiça… Meu inglês escrito é sofrível.

Enfim. Me calei, larguei minhas coisas e fui tomar banho num chuveiro vagabundo, em que a água caia quase que em gotas, e mais pra fria do que pra quente. Meu consolo era pensar: HILTON AMANHÃ. AMANHÃ, HILTON.

Voltei pro quarto e tinha uma menina muçulmana fazendo as orações da tarde num canto do quarto, virada para Meca, com tapetinho e tudo. Interessante, nunca tinha visto. Já estive com muçulmanos em Israel e Jordânia e também na Turquia. Mas no primeiro caso não tive contato com momentos religiosos e, no segundo, fui a mesquitas, mas só tinha turista fotografando.

Enfim.

A última coisa da lista do cunhado da minha amiga era um restaurante chamado Union Oyster House. Aspas do moço:  É um restaurante bem velho (abriu em 1826) e com muita história. O rei da França morava lá em exílio! Também era o restaurante favorito dos Kennedys.

Andei até lá: 1h40 de fila. Até entrei no salão – eu não tinha mais nada pra fazer e ainda eram 20h. Mas daí vi um tanque enorme cheio de lagostas vivas. Os caras tiravam as lagostas do tanque direto pro seu prato, praticamente. Ok, garantia de frescor. Mas meu minúsculo e quase inexistente lado vegetariano disse NÃO. Saí de lá e andei até Quincy Market. Tinha passado lá durante o dia: é um mercadão lindinho, cheio de restaurantes.

Dei uma volta e me decidi por um bar/restaurante chamado Salty Dog. Durante o dia vi um monte de gente comendo ostras e outras coisas do mar lá, e ficou gravado na minha mente.

Além disso, o Tom (o cunhado da minha amiga), tinha escrito: “Algumas comidas que eu recomendo: steamed clams com manteiga, clam chowder , mussels com alho”. 

Ou seja: era pra fechar o roteiro com chave de ouro.

Sentei numa cadeira ao ar livre. A noite estava serena – provavelmente quente para os padrões locais. Pedi uma cerveja e bolei meu plano: um jantar de entradas.

Clam chowder primeiro. Trata-se de uma espécie de uma sopa bem grossa com um tipo de fruto do mar de concha, talvez marisco. Deliciosa:

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Depois comi uma ostra: a mais fresca que comi na vida.

Por último, mussels with garlic and bread:

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Ok, não sei o que sei direito de que frutos do mar se tratam, mas devem ser variações de mariscos. Sei que tava tudo ótimo, sem ranço de areia e fresquinho.

Voltei pro hostel. Dormi quase que imediatamente.

13 de abril, domingo – Miami

Acordei às 6h. De metrô cheguei com a maior tranquilidade e facilidade ao aeroporto.

Eu tava morrendo de medo do check-in da American Airlines. Isso porque fui obrigada a despachar minha mala no voo da TAM, e tava com medo de que isso acontecesse de novo. Problem is: a American cobra U$ 40 para despachar. Eu tinha medido a mala e talz, dava certinho como mala pra levar a bordo. Mas sei lá né.

Mas deu. Coube DIREITINHO, sem tirar nem por, no testador de bagagem deles.

Voo tranquilo, 100% litorâneo. Eta litoralzinho feio o leste americano, hein? Tá louco.  Só chegando na Florida é que melhora, obviamente.

O pouso em Miami foi lindo. Primeiro aquele mar caribenho. Depois, altas ilhas, lagos, casas chiquérrimas, lanchas e iates.

Eram 12h40 quando saí do avião. Meu check-in no hotel era só às 15h. Comi um baggel no aeroporto (fui muitíssimo mal tratada) e peguei um super shuttle por U$ 18 até o Hilton, já que no hay transporte público até lá. Uma pena, mas ok.

Cheguei no hotel 13h30. Mas é Hilton. Eles tinham um quarto já pronto pra mim ♥

Hilton Downtown Miami. U$ 150 a diária, sem café da manhã. Mas valeu. Eu precisa disso.

Subi, olhei aquele quarto enorme, aquela cama king size, aquela banheira, tudo só pra mim, e gritei: EU MEREÇO.

#POBREDETECTED

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MEU.QUARTO.

O que eu fiz?

Tomei um banho de banheira. EUA não tá com falta d’água e tô pagando caro. Fim.

Que vida boa, cara.

Depois peguei o metromover, um metrô de superfície gratuito recém-instalado no centro de Miami. Sim, gratuito. Uma maravilha. Fui até o Bayside Market, um shopping ao ar livre que fica em frente ao mar. Olha que chato:

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Queria comprar um monte de coisa, mas nada me atraiu. Coisas feias, caras, de mal gosto. Daí encontrei a Thaís, uma amiga que mora em Miami, que em 2012 fez comigo e com outra amiga um tour bem bacana pela cidade. Passamos a tarde passeando pelo lugar. Saí de lá com um tênis novo e uma blusinha da GAP. Só. Consumismo fail.

Tomei um sorvete enorme da Häagen-Dazs e ficamos sentados, Thais, namorado e eu, conversando sobre a vida.

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Quando o lugar fechou, umas 20h, eles me deixaram no hotel. Eu fiquei lendo um tempo e tal e resolvi ir jantar. Descobri uma pizzaria meio perto do hotel e fui. Chamava Pizza Pazza. Era uma mistura de cantina com pizzaria. Não vendia pizza em pedaço.

Pizzas americanas: nunca serão. Essa era diferentona, tinha queijo de cabra, cebola caramelizada, presunto de parma e talz. Mas a massa… NUNCA SERÃO.

Para acompanhar, cerveja. O que sobrou foi meu café da manhã do dia seguinte.

Voltei pro hotel e curti no lobby minha última noite, tomando uma cervejinha e papeando no whatsapp.

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Minha intenção era acordar meio cedo e ir na piscina do hotel. Mas 3 dias dormindo pouco e mal não permitiram, de modo que acordei e já eram quase 11h (a diária do hotel terminava 12h; meu voo era às 17h).

Mas ok. Valeu cada centavo dos U$ 150 pagos na diária.

Tomei um bom banho, deixei minha mala numa saleta deles, fiz checkout e fui a um outlet de roupas que a Thaís havia recomendado: Ross Dress For Less. Eu não tinha muito tempo, e acho UM SACO ficar experimentando roupa. Pior ainda numerações que não entendo. De forma que peguei uns vestidos que curti, experimentei, gostei de 3, comprei. Tudo na faixa dos U$ 15 até U$ 25. Tinha calvin klein e várias grifes (que pra mim MEANS SHIT).

Olha que chata a vista de dentro do vagão do Metromover…

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Minha última parada, indispensável, era num supermercado. Para comprar Mac & Cheese.

Sou doente por essa merda calórica e gorda que nunca vi pra vender no Brasil:

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É tipo um miojo. Mas ainda mais gordo e do mal. E muito melhor.

Enfim. Comprei 4 caixas (U$ 1,99 cada – o preço da foto é de uma caixa tamanho família), um saquinho de mini-rolos (chocolate recheado com caramelo) e outro saquinho de Kiss, aquele chocolate mínimo em forma de gota da Hersheys. Tudo não deu nem U$ 10. Por isso americano é gordo…

Tava um calor do cão e eu já pingava de suor. Ok, Miami é linda. Mas puta merda, taí uma cidade no mundo que eu não gosto.

Voltei pro Hilton, soquei tudo na mala e peguei um táxi até o aeroporto.

Taxista brasileira. Chata. Preconceituosa. Errou o terminal em que eu deveria ser deixada. UÓ.

Mas ok.

Foi um suplício achar o terminal da GOL. O aeroporto de Miami é enorme, tá em reforma, e a Gol não está onde deveria estar.

Despachei a mala, fui pro embarque e já eram 16h. Meu voo da Gol MIA-GRU, com conexão em Santo Domingo (República Dominicana) estava marcado para às 17h e pouco.

Tava faminta. Vi as opções de alimentação: fracas e desinteressantes. Comi o quê? Isso. Pizza. Hahaha. Meaning: minha última refeição de verdade foi o almoço em Boston, mais de 2 dias atrás. HAHAHA.

Pra completar a gordice, uma bola de sorvete Häagen-Dazs.

O voo Miami-Santo Domingo foi LINDO. Sobrevoamos toda a South Miami:

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Depois as Bahamas, até o sol se por sobre Nassau, capital das Bahamas. A foto não condiz nem em 10% com o que eu vi, então nem vou postar.

Até que a GOL não é tão ruim. Mas não é realmente boa, né.

A conexão em Santo Domingo foi mega rápida. Entrei no avião para São Paulo quase por último. Qual não é minha surpresa quando vejo que tinha UM CASAL COM BEBÊ nas poltronas B e C (eu era a A, janela S-E-M-P-R-E). Mal sentei e eles perguntaram se eu me importava de ficar na janela. Sim, respondi. Só viajo em janela, reservei faz tempo e trabalho amanhã de manhã, então a janela pelo menos me garante um apoio para dormir um pouco.

Primeiro: PRA QUÊ viajar com bebê? Só pra trolar os passageiros, tenho certeza. Inferno.

Segundo: já que TEM que viajar, POR QUÊ não reservar um lugar? Inferno, inferno.

Acordei muitas vezes na madrugada, com o bebê gritando duas vezes, e uma com um cheiro de bosta na minha cara: eles tavam trocando a fralda da menina. Inferno, inferno, inferno.

O jantar da Gol foi um macarrãozinho com legumes e um cheesecake totalmente fake.

Pousei em São Paulo quase 1h antes do previsto. Eram 4h da manhã. Aeroporto às moscas (grande parte dos voos que chegam/saem de Guarulhos são de manhã ou de noite). Passei reto pelo freeshop. Vi a fila de táxi brilhando e não hesitei: saquei o cartão e lá se foram R$ 150 conto (de metrô+bus gastaria R$ 8), mas cheguei em casa em 40 minutos. Às 5h eu tava na minha cama dormindo. Consegui dormir 4h antes de ir trabalhar! Sucesso!

Mais uma viagem ótima e muito bem aproveitada concluída com sucesso.