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30 horas em Dubai (2015)

Com tantas expedições vapt-vupt mundo a fora (como 2 dias no México, 1 dia na Turquia e 2 dias na Romênia, 3 dias entre Israel e Jordânia…) , a magnânima Dubai, nos Emirados Árabes, não poderia ficar de fora do meu complexo mapa mundi de viagens – que é vergonhosamente ocidentalizado, dá uma olhada:

Screen Shot 06-16-15 at 02.12 PMComo podem ver, Dubai é o pontinho mais oriental do meu mapa. Nunca cheguei tão perto da Índia e da China. Quem sabe um dia.

Essa foi mais uma viagem louca paitrocinada (patrocinada por papai) – que me acompanhou na jornada em Dubai. Em seguida, fui a Paris visitar meu primo, mas essa é história para outro post. Foco no Oriente Médio!

29/30 de abril

Um dia dedicado a aviões. Sem brincadeira. Fomos pela Ethiopian Airlines (MUITO mais barata), só que incluía escala no Togo (!) e conexão em Adis Abeba (capital da Etiópia). GRAZADEUS SANTÍSSIMO a Ethiopian parou de fazer escala no Togo dois ou três dias antes da nossa viagem, nos poupando horas de vida que seriam gastas em aeroportos e aviões. Ainda assim, foi tenso. O voo tava meio vazio, a poltrona entre papi e eu ficou vazia, então foi mais ok. Além disso, a Ethiopian é a única companhia não-asiática que usa o avião Dreamliner. Manjo nada de aeronaves, mas essa é sensacional! Foi projetada para oferecer mais conforto aos passageiros, de modo que o ar condicionado não resseca tanto o ambiente, é preparado para tremer menos durante as turbulências e as janelas são maiores e sem persianas – durante o dia, o passageiro ativa um controle que escurece a janela. Muito louco!!! Se estiver interessado no assunto leia mais aqui.

Saímos de São Paulo 0h e pouco da madrugada do dia 29 para o dia 30 de abril. Só chegamos a Dubai às 4h da manhã do outro dia (1º de maio). Isso porque:

1- Cruzamos a fucking África inteira, de oeste a leste;

2- A conexão em Adis Abeba (cujo aeroporto é SOFRÍVEL) atrasou mais de 1h e foi uma bagunça, ninguém respeitando nada, nego tudo se empurrando para entrar no embarque;

3- O trecho Adis Abeba-Dubai daria umas 3h em condições normais. Mas o Iêmen tá em guerra, sob ataques aéreos e talz, de modo que todas as rotas que passam pelo país são desviadas. Assim, nosso vôo “ganhou” mais 2h. Delícia. Olha só a rota para não passar pelo Iêmen, que doideira:

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O problema é que tínhamos um tour marcado já para às 7h da manhã. A ideia era ir para o hotel dormir um tico, tomar um banho e sair. Só que não contávamos com a fila de quase 2h na imigração em Dubai. O controle de passaporte estava ABARROTADO de gente, e a fila não andava. Um tormento.

Detalhe: para entrar em Dubai é necessário um visto. Quem vai pela Emirates, a companhia oficial dos Emirados (dãr), paga U$ 50 no visto de entrada única; quem vai por outras companhias, morre com quase U$ 200 (nosso caso). Além disso, você pode pagar um “extra” para ir à fila “fast”. Ou seja: a burocracia no controle de passaporte e as longas filas são financeiramente interessantes.

Isso já dá uma dica do que é Dubai: o triunfo do dinheiro. Quem tem se dá bem. Quem não tem…

1º de maio

Fomos de táxi até o hotel, que era na parte mais periferia de Dubai. Uma região onde moram imigrantes, principalmente indianos e paquistaneses, que são as duas nacionalidades mais comuns entre imigrantes nos Emirados Árabes – embora a riqueza e necessidade de mão de obra barata tenha trazido levas de imigrantes de mais de 60 países!!!

O hotel, mesmo na “perifa”, era bem bacana, com banheira e tudo. Gateway Hotel. Duas pessoas, duas noites, café da manhã, transfer para o aeroporto e tinha até piscina (que nem deu tempo de olhar)… 450 AED (o AED, em relação ao dólar, é tipo o real. Algo em torno de 1=3). Isso é um bom preço, juro!

Foi o tempo de fazer check-in, tomar uma ducha e ir para o saguão esperar o guia do primeiro tour do dia: Bedouin Breakfast at the Desert, comprado pelo site Viator por um valor que desconheço – até porque a excursão não existe mais no site.

Fomos meu pai e eu e um casal inglês. 1h de estrada num carro com ar condicionado a pico até a entrada do Dubai Desert Conservation Reserve, um pedaço do Deserto dos Arábias. Eram 8h e pouco da manhã e eu ainda não tinha sentido o tão famoso calor de Dubai.

No caminho até lá, passamos por hordas de cáfilas (Google acaba de me informar que essa é a palavra para coletivo de camelos).

O guia nos explicou que corrida de camelo é o esporte oficial dos Emirados Árabes. Todo mundo que se preza cria camelos e está sempre comprando mais. A preço de ouro, claro. Alguns valem centenas de milhares de dólares.

Chegamos enfim à entrada do deserto e o guia nos vestiu à caráter:

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Além de ficarmos charmosos, os panos são essenciais para nos proteger do sol forte do deserto e evitar desidratação, queimaduras e coisa e tal.

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A primeira parada foi no acampamento beduíno. Por mais realista que seja, vale dizer: não existem mais nômades nos Emirados Árabes. Todo mundo enricou e mora em belíssimos e luxuosos apartamentos com ar condicionado na zona urbana…

Triunfo do capitalismo sobre as culturas primitivas…

À entrada, havia um homem preparando um dos quitutes que seriam nosso café da manhã. Uma espécie de panqueca de zaatar, aquela erva árabe.

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Na foto abaixo, a tal panqueca de zaatar está à direita da cumbuca. No meio, uma espécie de miojo doce (?) e no canto esquerdo, uma panqueca americana, sem qualquer charme.

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Havia um beduíno nos recepcionando. Ele respondeu perguntas do público (nós e vááários outros grupos) sobre a cultura dos beduínos e a vida em um dos lugares mais ricos do planeta.

O beduíno era bem para inglês ver e mais parecia personagem de humor tosco. Mas falou umas coisas interessantes, sobre como o governo paga TUDO – habitação, saúde, educação, lazer…; sobre poligamia; sobre não existirem mais beduínos nos EAU, apenas porque a vida na cidade é muito mais prática e cômoda. Não podemos negar, né…

No final, sessão de fotos. Aproveitei e fui também:

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Depois dessa sessão “entrevista com o árabe”, mais uma atividade bem turística: passeio de camelo.

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Só uma voltinha pelos arredores do acampamento, para tirar fotos e sentir o drama da altura do bicho. Mas valeu a experiência.

Próximo destino era um passeio pelo deserto num jipe sem cobertura. Eram umas 10h e o sol castigava. Calor forte e sol a pico. A burca foi mais importante do que nunca.

Demos uma volta na reserva vendo aquele areal sem fim e os bichos do lugar. Obviamente a maior parte dos animais (cobras, insetos, roedores) passa o dia em tocas e sai para se alimentar a noite. Durante o dia, o deserto é ocupado pelos Órix. Esses bichos fofos aqui:
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Também rolam umas aves de rapina, mas não vi nenhuma :(

Eram umas 11h quando voltamos ao hotel. Ainda tava rolando café da manhã, e não pensamos duas vezes: nosso almoço seria a rebarba do café da manhã.

Descansamos duas horinhas antes do próximo passeio: Half-day Dubai city tour.

Em um ônibus com ar condicionado no talo, rodamos até Jumeirah Beach, a praia chique de Dubai. Na região estão vários dos hotéis-ostentação de que tanto ouvimos falar: 6 estrelas, com teto de ouro, pedras preciosas e tal.

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Bem bonita a praia. Com aqueles 43ºC a sombra (que sombra?), dava uma vontade louca de entrar… Inveja dos banhistas.

Ah, os banhistas: sim, Emirados Árabes são muçulmanos, mas os frequentadores dessas praias são em sua maioria ocidentais cheios da grana. Não rola fio dental, mas também não tem ninguém de burca na praia…

Do outro lado, o destaque da paisagem é para o Burj Al Arab (burj em árabe = prédio):

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A “abinha” no topo direito do prédio é um restaurante… De lá dá pra ver a “The Palm”, a ilha artificial que forma uma palmeira – vocês sabem…

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Imagem do Google Earth. Não tive o prazer de ver esse engenhosidade humana…

Próxima parada:

uma das maiores mesquitas dos Emirados Árabes, a Jumeirah Mosque:

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Só demos uma volta ao redor dela… Estava fechada :(

Em seguida, fomos ao incrível Museu de Dubai:

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O museu fica no Forte Al Fahidi – a estrutura mais antiga da região, construída em 1799. O local abriga uma coleção interessante que mostra a estratosférica mudança de Dubai: de uma vila beduína a um centro global de comércio, finanças e turismo.

Há canhões, barcos de pesca, tendas beduínas e representações da vida de antigamente. Há espaços que mostram a vida tradicional em casa, na mesquita, no deserto e no mar. Há vídeos, fotos e documentos mostrando a transformação da área. Vale a pena!

Próximo destino: Deira Spice Souk. Para isso, atravessamos o canal de Dubai de barquinho <3

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Louco como o horizonte é todo misturado: vários prédios espelhados chiques e várias construções tipicamente árabes.

O Deira Spice Souk é mais um dos famosos mercados que toda cidade árabe possui.

Temperos, incensos, bugigangas, roupas… Tem de tudo ali, e desperta todos os nossos sentidos: é tudo tão colorido! Tão vivo! O povo gritando tentando vender. Os cheiros das pimentas, dos temperos, das plantas. As cores das lanterninhas. Os sabores das coisas que nos dão para experimentar. Incrível.

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Tem de tudo aí: frutas secas, canela, pimenta e zilhões de coisas que não faço ideia.

Em seguida fomos ao Mercado do Ouro de Dubai, ou Gold Souk.

Bizarro.

Várias ruas dedicadas ao comércio de ouro e pedrarias. E as vitrines das lojas, minha gente? Tipo isso:

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TUDO OURO.

Bem assustador pensar que só essa vitrine compra o meu prédio inteiro.

As estimativas são de 10 toneladas de ouro passando diariamente pelo Dubai Gold Market.

E esse foi nosso destino final no city tour. Deu bem pra ver o básico…

Voltamos para o hotel.

A região em que estávamos só tinha restaurantes indianos e, como não curto curry, convenci papi a procurarmos outro restaurante para jantar. Infelizmente nada árabe, mas nos indicaram um com frutos do mar fresquinhos e bem perto: o Golden Fork.

Foi uma sucessão de más escolhas. Meu prato era grande demais e tudo era empanado. Um erro, mas, fazer o quê…

Screen Shot 06-16-15 at 02.00 PM 001Ao menos era tudo fresco, né? Os camarões, as lulas, o caranguejo inteiro (!), o filé de peixe, as ostras…

Voltamos para o hotel destruídos como poucas vezes na vida. Só lembrando: 30h de aviões+aeroportos e 2 city tours, tudo isso com quase zero intervalo para descanso. Pesado.

Pior meu pai: eram umas 21h e o voo dele de volta ao Brasil (via Adis Abeba) era daqui algumas horas. Ele saiu do hotel 1h da manhã, tendo dormido menos de 3h em 2 dias e pronto para encarar mais 20 e tantas horas de avião… De modo que ele não passou nem 24h em Dubai! É, tem gente que é louca, mesmo…

2 de maio

Papi foi embora, mas eu ainda tinha uma manhã inteira sozinha em Dubai antes do meu voo para Paris (via Adis Abeba), às 17h.

Dormi bem, tomei café da manhã tranquila e, seguindo as instruções da moça do guichê de turismo do hotel, foi ao Burj Khalifa, a maior estrutura já construída pelo ser humano.

Fui a pé até o metrô – forma mais fácil e barata de chegar ao prédio. Mas não foi agradável, pois: eram 7h da manhã e o sol já rachava; eu era A ÚNICA MULHER DESACOMPANHADA E SEM BURCA NA RUA. Mesmo estando vestida ~decentemente~ (calça, camisa cobrindo braços, nada de decote) todo mundo me olhava com estranheza. Os homens locais pior ainda: é um misto de luxúria com um olhar acusatório de “mulher desacompanhada sem burca = puta”. É horrível. Desaconselho fortemente mulher viajar sozinha ao mundo árabe.

Minhas experiências do gênero foram na Jordânia e nos Emirados Árabes – países acostumados com ocidentais e tidos como os mais liberais do mundo muçulmano. Em ambos, me senti mal. Não consigo nem imaginar ir para Irã e picos do gênero. Aliás, esse choque cultural + o fato de ser mulher sozinha é uma das milhões de razões pelas quais meu mapa é tão ocidentalizado. Tô de boa de ir pra China ou pra Índia sozinha…

Enfim:

fui no vagão das mulheres no Metrô – todo mundo respeita e segue a risca.

A estação de metrô cai dentro do shopping, o Dubai Mall – o maior do mundo (claro, em Dubai tudo é maior/melhor/mais caro do mundo). Demorei quase meia hora para achar a entrada do Burj Khalifa, afinal, 8h da manhã ainda tava tudo fechado no shopping…

Como fui bem cedinho, comprei fácil e não peguei fila para subir os 147 andares do prédio – que tem mais do que isso, mas, $$$, né.

No entanto, sempre aconselham comprar com antecedência. Até porque é mais barato. Em todo o caso, eis o link.

O Burj Khalifa tem 828 metros de altura e 160 andares. A aventura já começa no elevador… Dá frio na barriga de tão rápido, e é todo tecnológico, cheio das luzinhas…

Chegando lá em cima, esse é o visu:

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Uma cidade enorme e rica construída no meio do deserto. E o mar do Golfo Pérsico.

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#Ostentação

Rola uma área interna e uma área externa. Aguentei poucos minutos na externa: calor do inferno + sol a pico + altura (o que torna ainda mais quente): complicado.

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Na entrada, tem uma exposição de fotos contando a história do prédio, construção, fatos e recordes. Bacaninha.

Paguei um pau para essa foto em particular, de algum ano novo:

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Louco demais! Malz aê a sombra… Foto de foto é uma merda.

Esse é o Burj visto de fora: não cabe na foto! Isso porque tirei praticamente deitada!

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Na lojinha (ona, no caso) de presentes, achei essa bolsinha espetacular – não comprei; nunca compro nada.

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Hahahha. Van Gogh se revira no túmulo!

Meu plano era voltar para o hotel 11h, tomar um bom banho, descansar um pouco e ir para o aeroporto. Mas como ainda eram 9h e pouco e eu estava dentro do maior shopping center do mundo, pensei: porque não?

Eu odeio shoppings. ODEIO. Não sou a turista consumista – nunca compro NADA. Mas, gente, que shopping! O lugar tem uma área externa linda, com fontes de água, bares, restaurantes, hotéis… E dentro mais de mil lojas (dentre as quais uma das Havaianas, claro). Dei uma rodada descompromissadamente, sem entrar em nenhuma loja. Claro que todas as grifes estavam lá. Me espantei com essa loja aqui:

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Que horror de nome, gente! “NÃO DO BRASIL” (?????)

Mas o que me chocou de verdade nesse shopping não foram as mais de mil lojas ou o tamanho, mas o tipo de coisa que tem lá dentro, tipo:

Arena de Hockey:

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Um esqueleto autêntico de um dinossauro na área dedicada às coisas árabes do shopping:

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Um aquário com arraias e tubarões:

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QUE DOIDEIRA!

Voltei para o hotel – novamente a péssima sensação de ser mulher em um lugar mega machista.

Tomei banho e fui pro aeroporto. Tinha uma arte do Romero Britto bem na entrada! hahaha

Tava cedo, então dei uma volta pelo freeshop, comprei um sanduíche para almoçar e fiquei esperando meu voo para Adis Abeba (+5h para Adis Abeba, 2h de conexão e +7h até Paris, argh). Grazadeus o primeiro voo estava vazio – tanto que escolhi uma janela da hora para ver uma decolagem incrível:

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O Burj Khalifa lindão lá no fundo, ao por do sol <3

Faltou: ver a The Palm (a ilha-palmeira), entrar no mar, ir a um parque aquático. De qualquer forma, acho que minhas 30h em Dubai foram muitíssimo bem aproveitadas, não? :)

A vida não tá fácil

Não tá.

Desde que voltei de viagem, em 9 de janeiro, conto nos dedos de uma mão os momentos realmente felizes do ano (na real, só lembro de dois: Casamento de um amigão; Carnaval/Sambódromo; bar semana passada com os brothers. [não, meu aniversário não consta nessa lista pq, mesmo que muita gente que amo tenha ido, muita gente que amo NÃO foi e nem deu justificativa. fiquei mal).

Tenho impressão que gastei a cota de felicidade do quinquênio na minha viagem…

De resto, um misto de melancolia, desânimo e desgosto marcam meu primeiro trimestre de 2015.

O Trabalho.

O trabalho está uma merda. Graças à economia brasileira toda fodida e à crise da água em São Paulo, a construção civil foi reduzida em um volume assombroso. Como meu trabalho está diretamente ligado ao mercado imobiliário, que é um dos que mais sentem essa crise, tenho passado longos períodos de ócio não-remunerado (só ganho pelo que produzo). Em fevereiro, tive o pior salário até agora nesse trabalho. Até menos do que costumava ganhar quando era estagiária, juro. Tudo indica que abril será parecido. A coisa tá feia. Meus colegas de trabalho estão tensos. A chefe está mais tensa ainda.

O Brasil. 

Me deprime. Me dá vontade de gritar, de chorar. Essa onda de conservadorismo está me dando um desgosto sem precedentes com o fato de ser brasileira e morar no Brasil. Manifestação pedindo impeachment, pedindo golpe militar. Não consigo olhar a bandeira do Brasil ou ouvir o hino sem sentir repulsa.

Gente boicotando novela porque gays se beijam. Gente pedindo a morte de uma presidente eleita pela maioria (não esmagadora, ok, mas ainda assim) da população. Gente que grita “Abaixo Maria do Rosário, Viva Bolsonaro”. Enfim. Vocês lêem jornal, sabem do que eu tô falando.

Nunca tive vontade de sair do Brasil. Até 2015.

Se acho que outros países são melhores? Depende. Há lugares e lugares. O que eu não aguento é gente com boa educação pedindo ditadura e apoiando feminicídio.

O que me impede de vazar? Um trabalho mais ou menos decente. Nem fodendo que saio daqui pra limpar bunda de bebê – até porque não curto criança. Seja finlandesa, ugandense ou canadense. Não gosto. São folgadas, são mimadas, são inconvenientes. Tô fora.

A Vida.

Minha vida social está em coma na UTI. Ninguém tem grana pra nada, ninguém quer fazer nada, quem sai só sai com cônjuge/namorad@, chega fim de semana e todo mundo só quer dormir. Eu inclusive.

Meus pais não param de jogar na minha cara o fato de eu estar sozinha e sem amigos. Sempre pra cima a opinião dos meus pais.

Vida está chatíssima e desmotivadora.

O Amor.

Rysos altos do mais puro sarcasmo. Em resumo: sou uma completa imbecil sem amor próprio e que não canso de me humilhar. Mas não sigo em frente porque a vida está tão chata, tão desmotivadora, que me apegar a três ou quatro frases agradáveis por semana é o que me resta para não sucumbir de desgosto.

Ok, é uma maré que vai passar.

#Oremos para que passe logo.

—-

Mas nem tudo é desgraça. Em exatos 15 dias vou fazer uma viagem bacana com o meu pai. Tô pobre pra caralho e não teria condição de ir nem até a Praia Grande, mas como meu pai está pagando a parte aérea e eu tinha dinheiro vivo sobrando da última viagem… Vou pra Dubai passar meros 2 dias, com meu pai, e daí ele volta pro Brasil. Eu sigo para Paris, onde ficarei com meu primo e a namorada, que moram lá.

***

Se você estiver à toa na região central/oeste de São Paulo, faizfavô de me chamar pra uma cerveja. Sério. Por favor. anamyself@gmail.com

;)

Europa 2014/2015 (parte 4: Suíça)

Esse post faz parte de um texto divididos em 5 partes sobre a minha viagem à Europa entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015. As partes 1, 2 e 3 podem ser lidas aqui: BerlimPraga e Munique.

Continuando a viagem maravilhosa, chegamos à última parte: Suíça. Que país, meus amigos. A Suíça é sim tudo aquilo que a gente pensa que é: organizada, limpa, eficiente, caríssima e com paisagens arrebatadoras. E devo dizer que aproveitei MUITO cada minuto em solo suíço.

3 de janeiro

Durante todo o percurso Munique-Zurique, a paisagem era desalentadora. Neve e chuva constantes. Já estava pensando: pô, todos os meus dias na Suíça serão assim? :(

Cheguei à estação central de Zurique umas 17h e fui trocar dinheiro. Na época, €1 = 1,2 CHF (franco-suíço). Uma semana depois de eu voltar, a Suíça desencanou de ter uma moeda mais fraca que o euro, e deixou o câmbio livre. Hoje, as duas moedas estão equivalentes. Só que a Suíça é um ABSURDO de cara. Enquanto eu podia tranquilamente jantar um kebab e tomar uma cerveja em Berlim por menos de € 10, em Zurique eu gastaria uns 40CHF. Sente o drama. Uma longneck de Heineken, uns 8 CHF. 24h de transporte público por Zurique, 12CHF, um bagel do Starbucks no café da manhã, 6 CHF. É tudo um absurdo.

Enfim. Troquei a grana e fui procurar o meu hotel, que era bem de frente à estação – o problema era achar a saída certa, até porque chovia a cântaros e já estava anoitecendo. Mas deu tudo certo.

Bom, devo alertá-los de que fiquei num hotel classudo. Zurique é tão rica que não tem hostel. Os hostels ficam em cidades vizinhas, a tipo 20 min de trem, coisa assim. Os hotéis 2/3 estrelas eram muito caros e muito podres: não caberia minha mala e eu dentro do quarto. Daí comecei a ver hotéis melhores e descobri que o preço entre uma diária de uma espelunca 2 estrelas e um hotel 4 estrelas era muuuuito pequena. Valia a pena.

Foi caro pra caralho e minhas finanças estão fodidaças até hoje (final de março) por conta daqueles 6 dias com vista para o lago de Zurique e a poucos passos da estação de trem, mas não me arrependo.

Sente o drama do Central Plaza. 6 diárias, sem café da manhã, me custaram CHF 1.160 (é, eu sei, não pensem que sou rica. Faz 2 meses que não almoço, ainda tentando reverter essa desgraça). Mas olha: um quarto com 10 metros quadrados a 2km da estação de trem era CHF 1000. Me digam que não valeu a pena???

A merda de verdade é que paguei no cartão de crédito e o real cagou total enquanto minha fatura estava aberta: o dólar (não importa a moeda, o cartão sempre converte pro dólar) tava uns R$ 2,80 quando viajei. Voltei e já tava uns R$ 3,10. Ou seja. Calculem a merda. Ou não. Mas tudo bem: estava numa localização PERFEITA e com muito conforto. Como pretendia fazer vários day-tours pela Suíça de trem, ficar a poucos passos da estação foi uma mão na roda e economizei com transporte público que, como dito acima, era bem caro.

Tomei um banho e saí para encontrar o Chris, meu amigo suíço que estava por lá e fez um rolê por alguns pontos da cidade comigo. Sempre bom conhecer gente local. Andamos pela Banhoffstrasse, a avenida principal e cheia de lojas chiques; entramos em vários pubs, enquanto ele me contava curiosidades e histórias pessoais de alguns daqueles lugares;

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passamos em frente a igrejas (tudo protestante). Essa da foto abaixo é a Grossmünster;

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Chris me mostrou um quarteirão cheio de… putz, não lembro a palavra nem em inglês, nem em português e nem em alemão. Hahaha. São tipo clubes de entidades. Salas lindas, todas ornamentadas, que recebem reuniões de sócios e coisas assim. Coisa BEM CONSERVADORA, saca? Não sei explicar. (UPDATE Chris falou que: A palavra da praça cheia de… é “Zunft” ou guild em inglês. Clubes para cavaleiros)

Terminamos percorrendo a Nierderdofstrasse, equivalente à Rua Augusta de Zurique: Vááários bares, restaurantes, puteiros e afins – também a poucos passos do meu hotel.

Ele me levou a um bar low profile, mas ao mesmo tempo super autêntico. O Bierhalle Wolf tem mesas bem duras de madeira, pra galera ficar batendo as canecas de chopp, música ao vivo (inclusive alemã) todos os dias e uns frequentadores velhos e patéticos que bebem até cair, hahaha. Maravilhoso.

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Depois comemos um kebab e assim terminou minha primeira noite em Zurique.

4 de janeiro, Berna

Acordei e olhei pela janela:

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QUE QUE É ISSO MINHA GENTE. Quase chorei quando olhei pela janela e vi o céu azul e a vista do meu quarto. Se eu acreditasse em divindade agradeceria a Deus. Mas como não acredito, agradeci ao meu próprio esforço. Cada centavo para pagar essa viagem foi fruto do meu trabalho.

Já tinha planejado no dia anterior o que fazer com meus próximos 5 dias inteiros na Suíça. 1 dia para Zurique e 4 para percorrer cidades suíças, começando por Berna, a capital, a cerca de 1h de trem de Zurique. Para isso, comprei um Swiss Travel Pass de 4 dias, 2ª classe. Lá se foram 251 CHF. Caro, muito caro, mas vale cada centavo e compensa especialmente para quem quer fazer bate-voltas pela Suíça.

Um adendo: esse post do ótimo blog “Viaje na Viagem” me ajudou muito a pensar no roteiro e a entender o funcionamento do Swiss Travel Pass. Pena que o preço tava desatualizado, quebrei a cara quando cheguei ao guichê da SBB.

Resumindo: o Swiss Travel Pass permite que você use qualquer tipo de transporte público em qualquer cidade suíça no período de validade do seu bilhete. Dá pra comprar 3, 4, 8 ou 15 dias, consecutivos ou não. Eu optei por não-consecutivos. Com o Swiss Pass dá pra ir a qualquer cidade suíça de trem, pegar trams, ônibus, barcos e ainda rolam pequenos descontos em rotas exclusivamente turísticas. Mais: dá pra fazer isso tudo num único dia (é burrice, mas é permitido). Bagulho é maravilhoso.

Comprei na própria estação de trem de Zurique e já comecei a usar: olhei o próximo trem para Berna, entrei, sentei e pronto. Daí quando o moço do controle de bilhetes passa, você apresenta o Swiss Pass com a data do dia que está sendo usado e zaz. Simples assim.

Uma coisa que aprendi nessa viagem e mudou minha vida: salvar mapas offline no google. Por exemplo: usando o wifi do hotel de Zurique, eu entrava no mapa de Berna, estrelava alguns pontos que queria conhecer e escrevia “ok maps”. Daí ele salvava offline. Em Berna, ou em qualquer cidade que eu chegasse, saía em busca de um lugar com wifi (não é tão fácil, pq os wifi livres deles requerem uma senha que é enviada por sms, e eu não tinha habilitado o meu para uso no exterior, pq não sabia disso). Mas sempre tinha um starbucks no caminho. Com wifi, entrava de novo no mapa salvo e ele detectava minha localização em Berna. Pronto: com esse simples expediente garanti jamais me perder :)

Minha ideia era dar uma volta em Berna, almoçar e voltar para Zurique. Tinha visto um day tour, só que era na parte da tarde…

Só que eu fui andando por Berna e me apaixonando pelas ruas medievais,

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pelas galerias e pelas centenas de lojas subterrâneas,

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(isso é uma loja. Fechada – domingo tudo está fechado.)

pelas dezenas de fontes de água potável espalhadas pela cidade

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e pelas construções. Todas.

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Isso porque eu ainda nem tinha chegado às margens do rio! Cheguei às margens do rio e plaft, mais um arrebatamento. Arrepiei com a beleza do lugar. Inacreditável.

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Isso porque o rio originalmente é turquesa. Olha uma foto dele como normalmente é:

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Tava marrom por conta das chuvas, mas não atrapalhou. O lugar é maravilhoso mesmo com o rio barrento ♥

Na margem em que tirei foto rola um parque enorme, o parque dos ursos. Durante meses quentes os bichos podem ser vistos com facilidade. Eu não vi nenhum, fiquei desapontadíssima. Mas depois me dei conta: é inverno, eles tão hibernando!!! Fui confundida pelo maravilhoso dia azul. hehe.

Sei que me encantei com a cidade num grau que resolvi ficar mais e encarar o free walking tour. Eu pensei que passaria pelos mesmos lugares já explorados sozinha, mas não. Foi um rolê novo. Descemos à margem do rio (oposta ao parque dos ursos). Vimos onde a população ~pobre~ de Berna mora. Vimos nas colinas ao longe onde os ricos moram. Foi espetacular! Isso porque a guia, nascida e criada em Berna, era estudante de Ciências Sociais. Humanas da Suíça! E era um grupo pequeno, melhor ainda!

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Na foto acima, a típica habitação de classe média-baixa de Berna. No prédio do meio, último andar, uma mulher curtia o solzinho de um inverno ameno. Achei simbólico :)

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Nessa foto acima, tirada do topo da Bern Münster (a igreja de Berna, foto abaixo), dá pra ver a divisão social da cidade: embaixo, rente ao rio (e às inundações, que ocorrem – alagamento não é só no Brasil, amados), os pobres. Acima, protegidos por um morro, os ricos. Screen Shot 03-19-15 at 03.38 PM 001 Screen Shot 03-19-15 at 03.38 PM

Detalhe da fachada da Bern Münster.

Fora que estava um dia agradabilíssimo. Até rolou tirar o casacão, fiquei só com a blusa de manga longa! Perfeição <3

Meu grupo posando para foto no parque atrás da igreja.

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4 alemães; eu segurando a plaquinha do tour; uma argentina; mãe e filha brasileiras e um singapuriano.

Aliás, outra informação que só uma guia cientista social acharia relevante: diz ela que o parque atrás da igreja era uma verdadeira cracolândia. Para contornar a situação, Berna foi uma das pioneiras em um projeto que depois se espalhou por outras cidades suíças e também pela Europa: foram criados espaços pros viciados poderem se drogar em paz. O projeto deu certo; a praça foi recuperada e hoje em dia fica cheia de esportistas, famílias, turistas…

Após o tour, entrei em um restaurante para comer um prato tipicamente suíço e mais, originário do Cantão (a divisão geografica dos estados suíços chama Cantão) de Berna: a Batata Rösti.

Só que fiz uma má escolha, pedi uma com espinafre. Bagulho ficou molhado por conta da verdura e perdeu a crocância :(

Voltei para a estação com ajuda do GPS do mapa salvo no meu celular, peguei o primeiro trem para Zurique – estava lotado. Vamos lembrar que o dia seguinte era uma segunda-feira e, mais, volta ao trabalho de todo mundo pós feriados de fim de ano.

Cheguei ao meu hotel 20h e pouco destruída. Só tomei banho e morri.

5 de janeiro, Zurique

Dia de tranquilidade para passear por Zurique. Acordei tarde, tomei café da manhã saudável no Starbucks (granola e iogurte com frutas vermelhas) e fiquei aguardando outro amigo suíço que me levaria para passear pela cidade. Durante o dia, dessa vez.

Passamos pelos mesmos pontos que eu tinha estado com o Chris na minha primeira noite, mas dessa vez era dia, com um belo céu ensolarado e aquele frio maravilhoso, porém positivo (acho que uns 4ºC): Sol+frio = melhor coisa do mundo.

Além disso, nos detivemos mais em cada ponto. Entramos nas igrejas também. Igreja protestante, sem aquele monte de altar de ouro, anjos, santos, cruzes e afins – são tão sem graça artisticamente, né? Embora a Fraumünster tenha vitrais lindos – meu amigo disse que são importantes, mas não soube explicar e eu nem pesquisei. Aliás, Zurique é sede de várias coisas históricas importantes. Tipo o surgimento do calvinismo. E quem viveu na cidade por um tempo foi Marx. Só que meus dois amigos-guias provavelmente se importavam muito mais com a cerveja do que com as aulas de História hahaha

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Mas aprendi coisas bacanas. Exemplo: essa grua atrás de mim na foto acima é arte urbana, e não uma obra sendo executada. Parece que é polêmica, muita gente acha horrível um skyline desses com uma grua no meio… Mas boa parte da população já se habituou.

E daí chegamos à Bellevue. Zurique é alemã, mas o nome é em francês. E vou te contar que nunca vi um lugar com um nome TÃO apropriado.

Bela Vista. Concordam?

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Rolava uma névoa meio que cobrindo os Alpes. Mas dá pra ver.
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Galera nada nesse lago. Há cervejas feitas com a água desse lago.

Um momento de silêncio para apreciarmos a transparência de um lago que cruza uma cidade de 500 mil habitantes:

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Suíça, gente.

Apenas.

Ainda fui contemplada com algo que não é muito comum em Zurique, como disse meu amigo. Dois homens tocando ~cornetas das montanhas~ ou algo assim.

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São coisas típicas dos vilarejos alpinos, mas é raro ter nas cidades. Ainda mais no inverno, quando há escassez de turistas…

Também passamos pela Ópera e passeamos pela praça por um tempo. Já a tardinha almoçamos em um restaurante italiano com vista à Bellevue. Brincadeira, mermão. Que dia!!!

Voltei para o hotel para descansar um pouco. Depois me arrumei para encontrar novamente o Chris.

Fomos jantar pizza em um restaurante que ele adora e que eu não lembro o nome. Em seguida, fomos a um show de Jazz conceitual nesse pico. Um amigo dele ia tocar.

Existe o conceito de música intelectualizada? Pois só assim consigo explicar. Um som delicioso, mas muito diferente de qualquer jazz a que estamos acostumados.

Screen Shot 03-19-15 at 04.10 PME assim terminou a noite.

6 de janeiro, Jungfraujoch

Pensa em um dia cansativo, mas extremamente recompensador: 6 de janeiro em carne e osso. Acordei às 5 da manhã, noite cerrada, para fazer o percurso de 4h30 de ida até o Jungfraujoch, o Top of Europe, ponto mais alto da Europa. Eu tava com medinho, porque precisaria trocar de trem CINCO fucking vezes, e o intervalo entre eles era de tipo 3 minutos. Só que É SUÍÇA, GENTE. Funciona.

E lá fui eu, com meu Swiss Travel Pass na mão, pegar: trem para Berna; de Berna para Interlaken (quando começou a amanhecer); de Interlaken para Lauterbrunnen, de Lauterbrunnen para Kleine Scheidegg (nesse trecho é trem turístico e lá se vão mais uns 150 CHF :'( )e de lá finalmente para o o Top of Europe.

No trajeto centenas de pessoas equipadas para prática de esportes de neve. Invejei. Preferia muito mais tentar uma aula de esqui do que só olhar neve, mas esqui leva uma vida para aprender. Em um dia não dá nem pra ficar de pé.

Rolê caro pra cacete, demorado pra cacete. BUT… Não vou falar nada, só vou postar as fotos do trajeto e vocês tirem suas conclusões a respeito desse rolê:

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E aí?

Foi tudo tão maravilhoso que chegando ao topo foi até meio brochante. Aquele monte de turista asiático folgado pra porra que te expulsa de um lugar na maior cara de pau para tirar uma foto; vários locais para brincar com a neve fechados por conta de ameaça de avalanche; um puta estrutura mega turística que dá preguicinha. Mas vamos lá, né.

Ladies and gentlemen, com vocês, o Jungfraujoch:

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De ladinho:

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Outra parte. No horizonte, França.
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Um vale nevado

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Deixei o rolê turístico por último. Dentro de um puta prédio que era a estação final do bondinho (fun fact: no bondinho tinha uma TV que passava comercial de vários bondinhos pelo mundo, inclusive do Pão de Açúcar no Rio) tinham restaurantes, a “loja mais alta do mundo” da Lindt (fun fact²: o “d” do Lindt não é pronunciado. o correto é dizer “lint”), e umas coisas para distrair turista. Desde um pequeno filme para mostrar a construção do lugar até um tour por dentro das montanhas (me deu uma vertigem absurda, odiei a experiência) e um ~palácio de neve~:

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Bobinho, mas, né.

Terminei o rolê rápido e pensei: e agora? Ainda tava cedo. Planejei ir até Interlaken, que dizem ser uma cidade magnífica. Comecei o trajeto de decida.

O ponto depois do Jungfraujoch, no sentido de descida, era a estação de esqui de Grindelwald. Bati o olho: várias famílias almoçando em banquinhos no sol; um monte de gente esquiando nos arredores; pessoas tomando cerveja, conversando.

E foi assim: dei um pulo e decidi ficar naquela estação.

Pedi uma Erdinger, porque a gente merece:

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E aí, no bar, começou a tocar “Highway to Hell”, do AC/DC.

Bateu. Mais uma vez nessa viagem.

Aquela alegria profunda e a sensação de que aquele momento perfeito será lembrado pelo resto da minha vida. Felicidade em sua plenitude.

Até gravei videozinho:

Almocei um bagulho também tipicamente suíço cujo nome não me lembro. Colesterol e gordura até morrer. O bagulho tem: torradas fritas, cebola crocante, macarrão ao queijo suíço e bacon e purê de maçã. OBESIDADE escala mil. Me senti tão culpada que não comi nem metade. E foi caro, viu. Minha Erdinger custou 11CHF, esse prato foi 24CHF. Mas pelo menos Suíça não é como EUA no quesito gorjeta. É normal ninguém deixar um centavo.

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Antes de iniciar minha jornada de volta, olhei por um tempo o povo esquiando e jurei pra mim mesma: um dia eu tento.Screen Shot 03-19-15 at 05.02 PM

Comecei meu périplo para voltar. Também com paisagens incríveis.

Fim de tarde em uma vila alpina:
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Já em Interlaken e com o sol se pondo.Screen Shot 03-19-15 at 05.02 PM 002

Cheguei em Zurique e fui passear um pouco pela cidade. Sozinha dessa vez.

Banhoffstrasse:

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Bellevue de noite:

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Skyline noturno com a Kirsche Fraumünchen e uma loja da Lindt. hahaha

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Daí decidi jantar.

Segui o conselho de um amigo: fui ao restaurante Brasserie Federal, dentro da estação de trem, e comi o Zürcher Kalbgeschnetzeltes, algo como um picadinho de vitela. E ainda acompanhava batata Rösti.

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MELHOR COMIDA DA VIAGEM, sem a menor sombra de dúvida. Tava divino!!! Lembra um pouco um strogonoff (meu prato favorito), tanto na aparência quanto no sabor. Só que o molho é bem mais forte. A batata rösti também estava maravilhosa. Esse prato me custou 36,90 CHF. (Acho que nunca me cansarei de repetir o quanto a Suíça é cara. )

Já eram umas 23h e pouco quando cheguei no hotel. Desmaiei em instantes naquela maravilhosa cama de casal só pra mim.

7 de janeiro, Lugano

Eu ainda queria ir a algum lugar da Suíça francesa (Genebra provavelmente), da Suíça italiana (Lugano) e a Lucerne. Só que eu só tinha mais dois dias. Shit. Vontade de voltar no tempo e refaz meu roteiro, com um dia a menos em Munique e um dia a mais na Suíça… Mas fazer o quê, né.

Acordei cedo e fiquei quebrando cabeça tentando decidir o que fazer nesse penúltimo dia. Lucerne ficaria para o último. Faltava decidir entre Suíça italiana ou francesa. Mas como?

O argumento de um amigo resolveu a parada: ele disse que o trajeto de trem para Lugano passava pelo meio dos Alpes. Para Genebra não havia muitos atrativos…

E lá fui eu para Lugano: um trem vazio com destino a Milão (o Swiss Travel Pass só é válido dentro da Suíça. Se eu fosse até a Itália com ele e fosse pega, pagaria multa) e parada em Lugano. Foram umas 2h30 até lá e… GENTE.

Fora que dei uma sorte dos diabos: meus 6 dias na Suíça foram 6 dias de frio ameno e de céu azul.

O trem estava vazio, o que me permitiu ficar as 2h30 correndo de um lado para o outro para admirar as paisagens. Meu amigo tinha razão: impactante. Todas os estereótipos da beleza suíça estampadas nas embalagens de chocolate estavam ali. Nem fiquei me matando pra tirar foto, mas vejam duas:

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Lindo demaaaais.

E rolou mais um momento “se eu morrer agora vou-me embora no auge da felicidade”.

Só esse rolê de trem já valeu. Mas ainda tinha Lugano, no Cantão de Ticino. A parte pobre da Suíça.

No trajeto deu pra reparar nisso, mesmo. Casas bem mais simples, uma pegada agricultura, sabe?

Mas voltando: Lugano.

Primeira coisa que fiz foi entrar em uma lojinha ainda na estação para comprar algo para comer. Essa vida sem café da manhã é cruel. O “Buongiorno” da atendente me encheu de amor. Respondi ao Buongiorno e ainda mandei um Grazie. hahaha

Cheguei na cidade sem qualquer expectativa. Dessa vez não tinha mapa salvo no google, nada preparado. Foi um tiro no escuro. Tanto que na estação de trem fui ao guichê turístico perguntar o que eu poderia fazer para conhecer Lugano em poucas horas.

A moça, com um inglês fraquinho, me deu um mapa e me indicou descer pelas ruazinhas da parte histórica, andar pela margem do lago, ir até o Parque Cívico e terminar com o Monte Brè.

Fazia um clima bastante agradável, uns 12ºC talvez. Até calorzinho. Quase.

Lá fui eu. Saí da estação e olhei a cidade:

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Mamma mia!

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A igreja no começo da descida…

Fui andando meio sem rumo pelas vielas apertadinhas TOTALMENTE italianas. Vasinhos com flores e tudo. Bastante verde. Muitas árvores. Gente falando alto em uma língua que eu compreendia muitas palavras por frase. Depois de quase 20 dias em lugares de língua alemã e checa, parecia que eu era fluente em italiano, de tanto que entendia os pedaços de frases que as pessoas falavam ao meu redor. Muito louco isso.

Mas a cidade era uma desgraça para se localizar. Me perdi mil vezes sem meu GPS, e não encontrei se quer um Starbucks pra fazer o rolê do wifi :(

Me perdendo, me achei. Dei de cara com o lago. Não sei o que eu esperava, mas não issoisso.

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Mas que país filhadaputamente lindo.

E aí olhei pro outro lado. OS ALPES.

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Parei para almoçar.

Se estamos na Itália…

Screen Shot 03-19-15 at 05.35 PM 002Risoto e vinho :)

Próxima parada: Parque Cívico, uma área verde enorme na margem do lago.

Cheio de crianças brincando, casais namorando, velhinhos lendo jornal.

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O que me impressionou bastante foi a quantidade de verde na cidade. Isso porque é janeiro, inverno. Fiquei imaginando esse lugar no verão… Deve ser lindo, mas um inferno de turistas.

Falando em turistas: pouquíssimos brasileiros na Suíça.

Só me restava o Monte Brè. Só que me perdi de novo nas ruas, não achava o ônibus que precisava pegar. Fui andando até o bondinho, quase uns 40 minutos. E as horas corriam… Logo anoiteceria.

No bondinho, uma placa dizendo que estava em manutenção, fechado até março.

Outra placa dizia que tinha um ônibus público que subia até lá. Fui atrás do raio do ônibus.

Agora já anoitecia de verdade. O céu azul já estava laranja. Na melhor das hipóteses veria o último raio de sol de cima do Monte Brè.

Mas a gente é brasileiro e não desiste nunca (risos). Além disso, não custava tentar, né? :)

No ponto de ônibus, um aviso digital mostrava o tempo até o próximo ônibus. Mais uma vez, precisão total. Impressionante.

Entrei no ônibus para subir o morro e já era finzinho de tarde:

Screen Shot 03-19-15 at 05.35 PM 003Subindo…
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Lá de cima.

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Nem desci do ônibus, porque seria noite total em poucos minutos e o outro ônibus demoraria mais de meia hora. Mas o trajeto valeu a pena.

Li em alguns lugares que Lugano lembra o Rio de Janeiro. É verdade.

Olhem as três últimas foto aí acima. Não parece a Baía de Guanabara? O Pão de Açúcar? Parece muito!

Lugano foi uma surpresa agradabilíssima!

No trajeto até Zurique dormi o tempo inteiro.

Ao chegar, dei uma volta pela Nierderdofstrasse (a rua Augusta de Zurique). Tomei uma cerveja, comprei mais uma e também um kebab para jantar no hotel.

Comi e capotei.

8 de janeiro, Lucerne

Último dia de viagem. Último dia de Suíça. Acordei num misto de sentimentos: últimos resquícios de felicidade suprema e um começo de depressão de a viagem estar no fim. Depressão essa, aliás, da qual não me livrei até agora (final de março).

A ideia inicial era ter companhia dos meus dois amigos suíços para ir a Lucerne, a apenas 1h de Zurique. Mas a indecisão deles me fez desencanar: tô sozinha, continuarei sozinha. Mais tarde jantamos juntos e tá tudo certo.

Das vantagens de ser independente e de adorar a própria companhia.

Cheguei em Lucerne e entrei no centro turístico atrás de dicas do que fazer. Estive em Lucerne em 1998 com meus pais. Passeamos pela cidade, fomos a uma montanha na região e foi a primeira vez que vi nevar (meu primeiro contato com a neve foi bem antes, em 1995, em Bariloche, Argentina). Só que eu não lembrava de Lucerna, só da parte nevada. Criança, né…

Eu já tinha visto muita neve, então mais montanha nem me ocorreu. Além disso, queria voltar cedo para Zurique, a fim de arrumar malas.

A moça sugeriu uma volta pelo centro histórico, ver as pontes famosonas e um tour de 1h de barco (também incluso no Swiss Pass). Fiz isso.

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Lucerne.

Atrás de mim o ponto mais visitado da cidade, a Kapellbrücke. É a ponte coberta de madeira mais antiga da Europa, datando do século XIV. No interior da ponte, no teto, tem várias pinturas do século XVII sobre a história da cidade.

Foto da ponte por outro ângulo:

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Foto da Wikipedia com fotos das pinturas:

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Optei por deixar o passeio pelo centro para mais tarde. Primeiro, o passeio de barco pelo lago:

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Not bad at all!!!

Ao voltar, comecei o rolê pela cidade. Fui primeiro à Löwendenkmall. Lindíssimo!!!
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A descrição é que não nos diz muita coisa:

Foi esculpido em rocha natural em memória das mortes heroicas dos mercenários suíços nas Tuileries em 1792 (pela data, deve ser coisa da Revolução Francesa. Não sei. Não pesquisei, sorry.)

O escritor Mark Twain descreveu o Leão de Lucerna como uma das mais tristes e impactantes esculturas do mundo.

De fato, o leão chorando desconsolado sobre o espelho d’água é de dilacerar o coração.

Também passei e entrei na igreja Hofkirche. Linda e católica, como grande parte da cidade, aliás.

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Próxima parada: Musegg Wall, as muradas medievais que protegeram os limites da cidade de 1386 em diante.

Screen Shot 03-19-15 at 06.13 PM 002Elas estão praticamente intactas. De um lado, a cidade histórica. De outro, um parque e a parte moderna da cidade.

São nove torres: quatro delas abertas ao público. Mas nenhuma delas na baixa temporada/inverno. Triste, mas fazer o quê.

Na foto abaixo, a Torre Zyt, que abriga o relógio mais antigo da cidade, construído em 1535.

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A muralha fica na parte alta da cidade e tem vista maravilhosa:Screen Shot 03-19-15 at 06.15 PM

Do alto das torres a panorâmica deve ser ainda mais bonita, mas, como estavam fechadas, tive de me contentar com essa. Not bad, though.

Por último, uma voltinha pela parte histórica. O grande lance do centrinho das as centenas de construções com afrescos medievais na fachada, tipo isso:


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É lindo!

Começando a entardecer, voltei pra Zurique. Meu último por do sol na Europa:

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:'(

Voltei ao hotel com o coração partido: em 24h eu trocaria o inverno suíço pelo verão de temperaturas recordes em São Paulo. Por um Brasil em crise política e econômica. Trocaria o lazer pelo trabalho.

Arrumei as malas e desci para o bar CHIQUÉRRIMO do hotel. Tomei um mojito de 18 CHF (risos) e saí para encontrar meus amigos para jantar aquele prato que é um símbolo suíço, e que eu guardei especialmente para a última noite:

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Fondue! Com vinho branco! E kirsche, tradicional bebida suíça feita de cereja. No restaurante Le Dèzaley.

Algumas informações sobre fondue na Suíça:

– Não existe fondue de chocolate na Suíça. Não existe fondue de carne. Não existe NADA DISSO. Só queijo.
– O fondue é acompanhado de UM tipo de pão e nada mais. Nada de batatas, legumes, aquele monte de frescura que brasileiro inventou.
– É tradição suíça mergulhar um pedaço de pão, de vez em quando, no copinho de kirsche e, em seguida, no queijo. Isso facilita a digestão.

Bom, estava excelente. E tomei tanto vinho e kirsche que saí de lá bem bêbada. Mas a noite ainda estava no começo. Próxima parada foi em um pico que funciona como restaurante, embaixo, e lugar para beber vinho, em cima.  O Öpfelchammere. É um lugar pequeninho e impressionante, que eu jamais saberia da existência não fossem meus dois amigos nascidos e criados em Zurique.

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O lugar existe desde 1801 e era muito frequentado por poetas, artistas e outras personalidades famosas de Zurique, nenhuma das quais ouvi falar.

Mas o grande lance do lugar é um desafio que tem a ver com esse espaço entre o teto e a madeira de sustentação, nessa foto abaixo:

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Como vocês podem observar nas duas fotos, o lugar é coberto por inscrições e nomes talhados na madeira. O lance é o seguinte: se você conseguir passar seu tronco corporal por esse espaço entre o teto e a madeira, você também pode imortalizar seu nome. Não paga nada para tentar (só mico). Mulheres podem subir no banco de madeira logo abaixo para dar impulso; homens tem que ir na raça.

O lugar estava vazio e meus amigos (um deles venceu o desafio quando tinha 18 anos, mas não lembrou onde talhou o nome; o outro, nunca conseguiu e agora, quase com 40, nem tenta mais) insistiram para eu tentar. Não rolou, não tive coragem. Mesmo só com eles e o garçom presentes. Até porque eu sou gorda e peituda. Meus peitos não passariam por esse espaço nem a pau.

Mas eu falei que o grande lance do lugar era esse desafio? Não, o garçom também rivaliza como uma das grandes atrações. Por que? A foto diz tudo:

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Sim, praticamente uma mistura de Dalí com Trotsky. Na foto atrás dele, o avô, que também foi garçom de lá.

De modos que apenas tomamos vinho enquanto ouvíamos o garçom falar, enquanto um amigo contava como conseguiu vencer o desafio, enquanto o outro amigo contava como viu muita gente passando pelo buraco.

Próxima e última parada: Bierhalle Wolf de novo, é claro.

E mais cerveja, mais tipos esquisitos, mais ótimos últimos momentos.

Screen Shot 03-19-15 at 06.16 PM 003Entre as cervejas, meu amigo foi convidado para tocar bateria com a banda durante uma música. Também presenciamos uma briga! Um cara berrando pro outro para irem resolver o assunto “lá fora” (aqui no Brasil um quebraria a garrafa de Skol na cabeça do outro dentro do bar mesmo, né? Mas até para brigar eles são civilizados). Sei que deu até polícia! hahahaha.

Enquanto isso, um cara na mesa de trás, sentado sozinho, fazia palavras cruzadas.

MELHOR BAR.

E vou encerrar com a foto mais maravilhosa. É tradição tomar o shot de Jagermeister (vocês já devem ter visto isso em pubs por aí) direto da garrafinha, segurando com os dentes e com a tampinha grudada no nariz. Tipo isso:

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Foto pra Linkedin ou o quê? ♥♥♥

Umas 2h voltei para o hotel naquele estado de euforia, tristeza e muito álcool no sangue.

Mal dormi: meu vôo para Paris (onde faria conexão para São Paulo) era às 7h20. Peguei o primeiro trem para o aeroporto, às 5h. Cheguei em exatos 10 minutos. Imagina? Chegar em 10 minutos a um aeroporto internacional por transporte público? Pois é. Suíça.

Voos tranquilos, nem achei que ia morrer pela turbulência. Mas foi pousando em São Paulo que rolou um momento engraçado: decolamos de Paris e estava chovendo e 5º C. Ao começar o processo de aterrissagem, o piloto anunciou que a temperatura em solo em São Paulo era de 36ºC. Choque e perplexidade em forma de murmúrios ecoaram em uníssono pelo avião inteiro. Hahaha. Depressão.

FIM DA VIAGEM MARAVILHOSA.

P.s.: (Sempre tem alguém me mandando e-mails com perguntas sobre viagens. Se você também quiser: anamyself@gmail.com)

Europa 2014/2015 (parte 3: Munique)

Esse post faz parte de um texto divididos em 5 partes sobre a minha viagem à Europa. As partes 1 e 2 podem ser lidas aqui: Berlim e Praga.

29 de dezembro, Munique

Depois de uma longuíssima viagem de trem, que incluiu mil vezes a mudança de todos os meus companheiros de compartimento, cheguei a Munique. Noite cerrada, bastante neve e muito frio. Acho que eram umas 20h. O albergue felizmente era muito perto da estação de trem. Bastava atravessar a rua e andar uns míseros metros, uma beleza.

Foi nesse dia em Munique que comecei a ver o lado nada glamouroso da neve. Sim, floquinhos de neve são lindos, uma perfeição da natureza. Só que quando a neve acumula nas ruas, fica imunda. Preta. Mistura com poeira, terra e fica uma meleca. E o chão congela, tornando o simples caminhar uma tarefa complicada. Escorregar é lei. Um saco. e imagine arrastar uma mala grande nessa situação… Péssimo.

O albergue foi o Wombats Munich. Dessa vez mandei o conforto às favas. Fiquei 5 noites em um quarto misto com 8 camas e apenas um banheiro (QUE BELÍSSIMO INFERNO é um banheiro para OITO filhosdaputa). Paguei €137 pelas 5 noites, meio carinho. Mas Munique é meio cara, mesmo. E meio esnobe. E 5 noites foi demais.

Tirando o problema da falta de banheiros, era um bom hostel. Staff bacana, um bar gostoso e espaçoso no térreo, quarto grandão, excelente localização (pertinho da estação e a distância andável do centro)… Ok, arrumei rapidamente minhas tralhas e desci para o bar. Obviamente eu não sairia mais naquele dia. No bar, encontrei meus roomates italianos, que me convidaram a sentar com eles numa mesa cheeeia de gente. Cheguei lá e era tudo brasileiro. Aos poucos percebi que o bar estava tomado por diferentes grupos de jovens compatriotas. Só que não do tipo de brasileiro legal que encontrei em Berlim. :(

Minha noite terminou com alguma socialização, algumas cervejas de primeiríssima por meros €3 e uma pizza ruim do próprio hostel.

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30 de dezembro, Dachau

Acordei e olhei a previsão do tempo no celular: alerta amarelo de neve. O aviso dizia ainda que somente naquele dia iria nevar cerca de 30 cm. Dá pra afundar a canela inteira… Desagradável.

No entanto, aprendi que quando neva a sensação térmica é maior do que quando está ensolarado. Não sei  explicar o porquê e nem tô afim de pesquisar.

Enfim.

Meu intuito era fazer [mais um] Free Walking Tour, só que a neve incessante desanimava. Optei pelo plano B, outra coisa que eu pretendia fazer estando em Munique: visitar o campo de concentração de Dachau. E foi o que eu fiz.

O hostel tinha um tour próprio para esse rolê. Custou €25, o que é muito caro, já que pra ir a Dachau é só pegar trem e depois ônibus (são 18km de distância de Munique), a entrada é gratuita e eles tem tours lá dentro por €5 . Ou seja: dava pra ter economizado no mínimo a metade… Mas beleza. Ao menos era um grupo pequeno: um canadense com dois filhos (um deles L-I-N-D-O), um filipino morando nos EUA e duas finlandesas. O guia, mais uma vez, não era local: era irlandês. Tinha sotaque forte e falava baixo. Odeio gente que fala baixo. Sou surda e não ouço.

Bom, Dachau foi o primeiro e um dos maiores campos de concentração abertos na Alemanha. Ele se distinguia de outros, como Auschwitz, por abrigar presos políticos. Desde padres com discursos libertadores até congressistas opositores dos nazistas, além de feministas, comunistas, anarquistas e tal. Inclusive, no uniforme deles, no lugar onde estaria a estrela de Davi, tinha um símbolo específico para marcar o “crime” do cara, ou seja, sua ideologia política responsável por tirá-lo da sociedade e obrigá-lo a fazer trabalho forçado em um campo de concentração. Mais tarde, no auge da segunda guerra, também teve sua cota de judeus, é claro.

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Acima, exemplo da vestimenta dos presos de Dachau. O triângulo vermelho no braço simbolizava o “crime” do condenado. O dono dessa roupa era um padre polonês.

Agora imagine usar apenas essa camada de roupa de flanela e uma pantufa e trabalhar forçado o dia inteiro sob essas condições climáticas:

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O campo também recebeu os rejeitados da sociedade alemã: gays, mulheres que não queriam casar e nem ter filhos (!), mendigos…

Dachau têm mais diferenças em relação a outros campos de concentração, e uma das mais importantes diz respeito às terríveis câmaras de gás. As câmaras em Dachau eram usadas apenas para pequenos grupos. 3 ou 4 pessoas por vez. Não era um assassinato em massa, como ocorria em Auschwitz…

Entre 1933 e 1945, Dachau registrou mais de 200 mil presos de 30 países. Estima-se que 40 mil não tenham sobrevivido às torturas e humilhações, às câmaras de gás, ao trabalho forçado e ao frio intenso.

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Memorial aos mortos de Dachau. Horrível, né? É para ser, mesmo.

Esse tipo de tour não é pra ficar tirando foto, obviamente. É para aprender. Para pensar. Para sofrer. Para nos darmos conta do quanto o ser humano é podre e que não há limites para a maldade.

De volta a Munique, precisava aquecer o corpo e o espírito – até porque eram 15h e eu estava em jejum absoluto desde a pizza vagabunda da noite anterior. Entrei em uma cervejaria quase na frente da estação de trem e mandei isso aqui:

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“Regensburger vom Grill mit Sauerkraut”, o famoso salsichão com chucrute. E cerveja, é claro. Consumi baldes de cerveja nessa viagem: no dia em que tomei só 500 ml fiquei orgulhosa da minha abstinência…

Devo dizer que não curto comida alemã. Não gosto de mostarda (só dijon, só que daí é francesa e não conta), não gosto de salsichão, não gosto de carne de porco, não gosto de repolho… Mas se estou na Alemanha não vou ficar comendo Mc Donald’s, né? O intuito é se aprofundar na cultura do país, e a comida é parte essencial disso…

Terminei de comer e pensei: quero beber mais.

Aproveitei o anoitecer (16h30, risos) e resolvi andar até uma cervejaria cultuadíssima, que um peguete me recomendou, dizendo que era mais agradável, mais barata e menos turística do que a famosérrima Hofbräuhaus (que um outro amigo praticamente me ameaçou de morte caso eu não fosse).

A caminhada foi curta, mas sofrida. Frio intenso e neve incessante. Carrinhos da prefeitura passavam a cada 5 minutos arrastando o excesso de neve das ruas e calçadas… Mas, mesmo assim, olha a situação:

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Pois bem: a tal cervejaria mais gostosa e barata que a Hobräuhaus é a Augustine-Keller. A cervejaria tem mais de 600 anos. Sua história começa em 1328!!! A bebida é produzida ali mesmo e segue os rígidos padrões bávaros de qualidade. Não é pouca porcaria, não! E olha a entrada, que coisa mais fofa:

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Provei a pilsen e a de trigo. Muito amor <3

Para acompanhar, pretzel.

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Cerveja espetacular (daria a alma por um gole, agora) e um ambiente bem bacana. Lotado de fregueses locais – uma grande diferença da Hofbräuhaus, onde só tem turista. A experiência em ambos foi interessante, mas na Augustine dá pra curtir muito mais a comida e as cervejas. Depois falo da Hofbräuhaus…

Bem bêbada, voltei pro hostel e fui direto pro bar beber um pouco mais. hahaha. Fiz amizade com brasileiros e acabei a noite jogando sinuca com eles.

31 de dezembro, tour by my own & ano novo

Meu intuito, ao acordar, era o raio do walking tour. Mas nos dias 31 e 1º não tinha. Hahaha.

Beleza, faria o tour por minha conta, mesmo.

A neve finalmente tinha parado, o que tornou o passeio bem mais agradável. Fui andando até a Kaufingerstrasse, a principal rua de comércio de Munique, onde estão todas as lojas imagináveis (que obviamente não me interessam. Odeio fazer compras em viagens, puta costume de brasileiro babaca frequentador de Miami. Desculpa aê quem ofendi, era essa a intenção, mesmo).

A rua começa (ou termina? depende do ponto de vista) na Karlsplatz, onde tava rolando o quê, o quê? isso mesmo! uma feira de natal. Mais uma vez, arreguei e não tive coragem de patinar no rinque de gelo :(

Um pouco mais adiante fica a lindíssima Marienplatz, a principal praça da cidade (onde eu voltaria mais tarde para a comemoração do ano novo). Nessa praça fica o fantástico prédio neogótico da prefeitura, ou Neues Rathaus. Na torre central fica o Glockenspiel, um daqueles tantos relógios europeus com showzinho em determinadas horas do dia – e eu dei a sorte de estar lá bem no momento de uma dessas apresentações. Bobinha, é claro. Pra turista ver… Mas já que estávamos lá, né?

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Dá para subir na torre, mas estava fechada durante os feriados de natal/ano novo.

Continuei andando. Passei Odeonplatz e entrei no Hofgarten, um parque bem bacana. Deve ser lindo e bombar no verão… Entrada dele:

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Atravessei e dei de cara com o Englischen Garten, o maior parque da cidade. Li em algum lugar que é maior do que o Central Park! De fato, o bagulho parece gigantesco no mapa… Mas segui sem entrar. Ia me perder naquela imensidão branca…

Atravessei o rio Isar para ver o Angel of Peace, que fica bem no meio de outro parque enorme que toma toda a margem do rio, o Maximiliansanlagen.

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Tava tudo tããão lindo branquinho. As águas do rio tão limpas, mostrando as pedrinhas do fundo… E aquela paz típica de feriados. Quase ninguém em lugar nenhum. Delícia de rolê.

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Voltei pela Maximilianstrasse, uma avenida enorme com um monumento x no meio. Deve ser o tal Maximilian. hahaha

Minha intenção era comer uma pizza recomendada por um amigo, mas não tinha pizza individual. Segui meu caminho. Novo plano: Hofbräuhaus. Entrei no pico e tava um caos. Não dava para circular de tanta gente (tudo turista com saco de compras nas mãos). Nas milhares de mesas espalhadas naquele enorme edifício, o povo tomava cerveja naquelas canecas que requerem as duas mãos para segurar. Uma banda tocava ao vivo músicas típicas com roupas também típicas. Divertido, mas bem estereotipado.

Mas deu preguiça de permanecer lá. New plan: comer alguma besteira na rua e ir pro hostel descansar antes do reveillón. Foi exatamente o que fiz.

Umas 21h30, já “pronta” desci pro bar e comecei a minha festa. Foram surgindo cervejas e shots sabe deus de onde.

Às 22h e pouco essa era a minha situação:

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É de se imaginar que não existe tradição de se vestir de branco por lá, né? Primeiro porque é temperatura negativa e poucos casacões são brancos; segundo porque a gente usa branco por causa de Iemanjá. Nossa linda cultura que bagunça as religiões todas <3. Obviamente não tem Iemanjá na Alemanha. hahaha

Não tem tradição de cores de roupas no ano novo europeu, mas um amarelinho vai sempre bem, né? Afinal, só com dinheiro no bolso pra fazer uma viagem dessas e ser feliz :)

Ia perguntando às pessoas ao redor sobre os planos de ano novo. A maioria iria para festas fechadas. Argh, nem fodendo. Ninguém iria à Marienplatz. Dá nada não: se estava viajando sozinha no natal e no ano novo, era de se esperar que eu passasse essas datas também sozinha. né?

23h e pouco saí. Minha ceia foi um falafel no tiozinho de kebab na esquina do albergue. hahaha.

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Pagando de gatinha no Kebab da esquina, só que não.

O caminho para a Marienplatz tava um caos, mó galera. Fora que a Alemanha têm uma legislação específica sobre fogos de artifício e rojões (me pergunto se o fanatismo no futebol tem a ver…): só é permitido comercializar e soltar fogos de artifício e rojões nos dias 30, 31 de dezembro e 1 de janeiro. Só que aí libera geral. Galera perde as estribeiras e até criança solta rojão na cara de amiguinhos. Bem perigoso, por sinal…

Graças à ajuda de um argeliano (!), consegui um bom lugar na praça e pude ver os fogos ~oficiais~ sem sofrimento. Fogos bem sem graça, aliás. Só barulho, fumaça, uns verdinhos e vermelhinhos no céu e nada mais.

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Nada de fogos de artifício formando palavras. Nada de champanhe voando no ar (quem quer se molhar quando está -5ºC, não é mesmo?). Nada da galera torta de bêbada cantando “adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize…”. Nada de contagem regressiva!!!

Mais uma vez entra o lance cultural: Europa é OUTRO rolê. Para verem como a cultura de celebração do ano novo é distinta, só nesse ano Paris oficializou a comemoração de ano novo na cidade (e foi um caos, pelo que me falaram. Organização no Rio dá de 10).

Voltei para o hostel. Bebi mais. Uns colombianos me pagaram tequila. A barwoman (?) me deu um shot de uma bebida cor de rosa. Pessoas me davam goles de bebidas bizarras. E assim acabou meu 2014 e começou meu 2015: bastante bêbada num albergue em Munique, socializando com ingleses, suíços, brasileiros e tantos outros que nunca mais veria na vida… Melhor ano novo. Sério.

1º de janeiro de 2015, hangover day + Hofbräuhaus

Depois de beber quantidades industriais de todas as bebidas imagináveis, obviamente não acordei bem. Aliás, mal dormi. Ressaca day se fez presente no meu começo de 2015. Só tive condições de sair da cama no começo da noite.

E essa é a merda de Munique: perdi um dia de ressaca na cama, mas esse dia não fez falta. Minha to-do list já estava quase completa.

Assim que me recuperei, pensei: beber.

hahahaha. juro.

Fiz o quê? Andei até o Hofbräuhaus.

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Tava bem mais decente do que o dia anterior, mas ainda assim impossível de conseguir lugar para sentar, ainda mais sozinha.

Bom, a Hofbräuhaus é uma das cervejarias mais antigas e tradicionais da Alemanha. Abre todos os dias do ano e chega a receber 30 mil pessoas em um único dia!!!

São 3 andares de um prédio enorme. Na parte de cima rola um pequeno museu com a história do lugar e o culto à cerveja. No meio, um biergarten, os jardim de cerveja ao ar livre famosos nas Oktoberfests (obviamente fechados no inverno).

Quase uma hora observando as pessoas, descobri o segredo: ou você ficava de pé esperando alguém em alguma mesa sair ou simplesmente pedia para a pessoa se apertar pq vc queria sentar. Olhei as mesas e optei por uma bem de frente ao palco dos músicos. Pelos menus cálculos, estavam sentados na mesa 4 grupos diferentes. 2 jovens amigos cabeludos, dois casais amigos e uma família. Do lado dos cabeludos tinha bastante espaço. Cheguei lá morrendo de vergonha e: “Can I join this table? Is there room for one more person…?”. Fui aceita numa boa.

Tomei um chopp escuro e uma cerveja de trigo. Não queria abusar depois de horas de ressaca, né? Ainda assim: a caneca do chopp tinha 500 ml. Um desbunde.

Observei que o prato mais pedido do lugar era um ossão cheio de molho. Eu sabia o que era: o joelho de porco, ou einsbein.  Só que em Munique não tem esse nome. Simplesmente pedi ao garçom “isso que todo mundo tá comendo”.

Ei-lo:

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Joelho de porco com dumpling. Não curto carne de porco, não gosto de comida alemã. Mas tava bem gostoso. A casquinha bem crocante e a carne bem molinha. Mas não aguentei comer nem a metade… Alemão é tudo ogro.

Enquanto isso, a banda cantava parabéns a você para a mesa ao lado, a maior festa. O povo batendo as canecas com força na mesa, gritando, brindando com estranhos. Clima bem Oktoberfest mesmo. Super legal.

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Vocês sabem que eu viajo sozinha, curto minha companhia, faço tudo sozinha numa boa. Ainda que eu tenha curtido o lugar, contra-indico a pessoas sozinhas. A Hofbräuhaus definitivamente é um rolê para grupos. amigos. casais. Sozinho não dá pra curtir nem 10%. “Faça amigos”, você diz? Não é um ambiente muito propício para isso, já que é, na verdade, um restaurante. As pessoas estão comendo e bebendo, e não dançando na pista, sabe?

A Hofbräuhaus é incrível e vale a pena conhecer, mas é basicamente um restaurante enorme, extremamente bagunçado, lotado e barulhento.

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Voltei pro hostel e capotei.

2 de janeiro de 2015, Füssen (Neuschwanstein Castle)

Na primeira noite em Munique conheci uma brasileira nojentíssima, daquele tipo de gente que repete “só no Brasil acontecem essas coisas, Europa é civilizada e maravilhosa”. Argh. Detestável. Mas ela foi útil porque me disse como chegar ao Neuschwanstein Castle numa tranquila, sozinha mesmo. Se ela, com um inglês porco e toda cheia de frescura foi com facilidade, que dirá eu, né?

De fato, facílimo:

€ 20 o percurso ida e volta de trem até Füssen, uma cidade a 2h30 de Munique; de lá, um dos 3 ônibus  que levam até os castelos. Coisa bem simples. E tem TANTO turista que nem dá pra errar.

O percurso Munique-Füssen foi extraordinário. Meu primeiro contato nessa viagem com o Alpes. E tava um dia meio azul. Foi lindo.

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Exceto pelo fato de os meus companheiros de cabine serem uma família com um filho de um ano. A certa altura o pai pediu para baixar a persiana por causa do pirralho. Eu falei que não. Que estava na janela porque queria ver as paisagens, sinto muito. Por que pessoas viajam com crianças pequenas? Certeza que é só pra infernizar outras pessoas. Eles falavam em espanhol entre eles, mas nem dei sinal de que estava entendendo. Nos comunicamos só em inglês. De qualquer modo, não falaram mal de mim. Acho bom, mesmo. Viajar com criança a lazer é uma escolha. Então se adaptem, porra.

Enfim. Ainda bem que venci a ~guerra~, porque a paisagem foi a mais linda que vi na viagem até então (Suíça obviamente deixaria isso no chinelo, mas eu ainda não sabia disso. Fiz uma EXCELENTE escolha deixando a Suíça por último).

O trem estava lotado e era tudo turista indo pro castelo. Dito e feito: chegando lá, a fila para comprar ingresso para entrar nos castelos demorava horas. Nem pensei duas vezes: vou andar até eles, curtir os visuais, mas não há necessidade de entrar.

São dois castelos: o Hohenschwangau

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e o Neuschwanstein.

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O primeiro, amarelinho e menor (mas muito bonito!) foi reconstruído das ruínas no século XIX. O segundo foi construído do zero pelo rei da Bavária, Ludwig II (filho do cara que reconstruiu o primeiro). A ideia era ser um castelo maior, mais bonito e num lugar ainda mais alto, “o estilo dos antigos cavaleiros germânicos”. Com as montanhas de Tirol ao redor, devo dizer que de fato é impactante. Pobre “castelo amarelo”.

Fui até a entrada do castelo. Uma bela subidinha… Mas UAU. Que lugar. Que paisagem! Que puta castelo lindo – que inclusive inspirou o Castelo da Cinderela, da Disney.

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Depois fui ao Hohenschwangau. Também lindo. Ele tem uma viela bem no meio, o que foi bem bacana para ter uma ideia melhor do castelo, já que não pude entrar. Várias bandeiras e pinturas com cenas medievais decoravam o lugar.

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Continuei andando e fui parar em um bosque. Tinham várias placas indicando trilhas. Peguei uma delas.

Só ouvia o som dos meus passos e o gotejar da neve derretendo do topo das árvores. E toda aquela neve intocada. Com uns 5 minutos de caminhada tive uma boa panorâmica do belíssimo lago turquesa.

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Difícil colocar em palavras a beleza daquilo tudo. A paz de espírito. Aquela sensação de que se eu morresse naquele momento, estaria plenamente feliz (tive essa mesma sensação outras vezes na viagem). De que a vida é linda. E que lugar maravilhoso.

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Andei um pouco mais. A cada passo, mais beleza.

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Tinha uma trilha que levava às montanhas, mas eram 2h30 de caminhada. Marquei mentalmente: um dia eu volto e faço isso.

Mas precisava ir embora, só tinha ônibus para Füssen até às 17h, já eram 15h e pouco.

No caminho de volta pensei: se eu tivesse conseguido entrar nos castelos, jamais teria como percorrer esses caminhos tão maravilhosos. Ainda bem que não entrei nos castelos!!!

Na estação de trem comprei um salgadinho trash e extremamente gordo e esse foi meu almoço.

Já era noite quando o trem partiu em direção a Munique. Chovia. Nada para ver, dormi o caminho inteiro.

No albergue, comecei a arrumar minhas tralhas. Quando cansei, saí para a Kaufingerstrasse com a ideia de, uma única vez, fazer um rolê consumista, já que tinha bastante dinheiro sobrando – não tinha gasto nem 1/3 do que pensava gastar até esse ponto da viagem!

Entrei em 400 lojas, aquelas grifes que brasileiro ama. Odiei tudo. Desisti.

Essa desistência foi linda para as minhas finanças, ainda mais com o real desvalorizadíssimo. No fim da viagem, pós-Suíça, sobraram mais de €500 que já tem destino . E para breve! ;)

Comprei um yakisoba e uma cerveja, levei para o hostel, comi e encerrei minha última noite em Munique.

3 de janeiro, pinacoteca e fim

Acordei, tomei café da manhã, terminei de arrumar minhas coisas, dei check out, deixei minha bagagem num quartinho do hostel e fui fazer um rolê cultural: fui à Nova Pinacoteca, ou Neue Pinakothek. Não que eu seja A entendida de arte. A maioria das obras era de artistas alemães, mas tinham quadros do Van Gogh, do Monet e do Cézanne também.

Em menos de 1h vi a pinacoteca inteira.

Voltei pro hostel, peguei minhas tralhas e fui pra estação do trem. Lá comprei uma salada para almoçar. Fiquei orgulhosa de mim, minha primeira refeição saudável desde o primeiro jantar em Berlim!

No trem, consegui sem ajuda colocar minha mala grande de 17 kg no compartimento acima de nossas cabeças. Duas velhinhas comentaram para mim, em alemão, “nossa, você é forte!” e a outra “é porque é jovem”. E eu entendi tudo. hahaha.

Mal sabia eu que seriam umas das últimas frases completas em alemão que eu entenderia. Crianças, o alemão da Suíça não é um pouco diferente. É totalmente diferente. Não é como comparar sotaque. Não dá nem pra comparar alemão suíço e alemão tradicional com português e espanhol. Eles não se entendem! Mas isso é assunto para o próximo post, sobre a Suíça. Ah, a Suíça…………….

Europa 2014/2015 (parte 2: Praga)

Atenção: esse post é uma continuação desse.

27 de dezembro, Praga (República Checa)

Acordei totalmente destruída. Ainda era noite em Berlim quando peguei o ônibus para a estação central de trem. Cheguei cedíssimo. Aprendizado: para viagens de trem, não há a menor necessidade de chegar com antecedência maior do que 30 minutos. De modo que fiquei sentada num banquinho gelado que nem o demônio por quase 1h esperando o meu trem para Praga.

Estava lotado. Eu não sabia onde era o meu lugar. Não sabia onde enfiar minha mala – acabou ficando no corredor.

Bagulho louco de trem é a galera circulando pelos corredores procurando seu lugar horas depois do trem estar em movimento.

Um cara me ajudou a achar meu vagão. Outro cara me ajudou a achar meu compartimento. Outro, meu lugar. Foi complexo. A informação do lugar não está tão clara no bilhete…

Mas só tive problemas nesse trecho. Todas as outras viagens de trem que fiz (foram MUITAS) foram numa boa.

Viagem foi longa, mais de 6h. A paisagem? Neve neve neve neve neve neve depois mais neve, neve neve. Dormi boa parte do trajeto. Ah. Custou 78 euros porque eu fui burra e não sabia que poderia escolher a opção mais barata, que era 50 e pouco (achei que era restrito a alemães o desconto). Depois, quando fui comprar o trecho Munique-Zurique entendi: o desconto vale para todos, mas com o bilhete mais barato não há reembolso e otras cositas que eu não lembro.

Cheguei em Praga e já comprei a passagem de trem Praga-Munique para dali a 2 dias. Não dava para comprar pela internet. O site de trens alemães só permite imprimir os bilhetes que tem como origem cidades alemãs. Quando a origem é outro país, só se entregar pelo correio, o que acarreta uma puta taxa.

Descobri só em Praga que lá a moeda não é euro, é a coroa. 1 euro = 27 coroa checa. Troquei 350 euros, mas foi demais. Sobraram quase 200 coroas checas, que eu troquei de novo para euro depois. O hotel eu ia pagar com cartão de crédito. Só precisaria pagar alimentação e passeios.

Peguei informações na própria estação de como chegar ao meu hotel. Metrô-tram-caminhada. A parte sobre trilhos correu bem.

Meu primeiro contato de verdade com Praga foi ao sair da estação do metrô. Se liga:

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Sim, a famosa Charles Bridge e o Castelo de Praga ao fundo. Lindo!

Só que na parte de caminhada foi osso. O centro de Praga é bem medieval, com aquele monte de viela e galeria sem nome que garantem que você se perca mil vezes. Em geral, eu sou ótima com localização, mas em Praga, mesmo com o mapa na mão, me perdi centenas de vezes. Em 3 dias na cidade eu não consegui acertar o caminho de TREZENTOS METROS entre a Old Town Square e meu hotel NEM UMA ÚNICA VEZ. Bagulho é tenso.

E lá tava eu num frio da porra arrastando minha mala (mesmo que leve, era uma mala grande) por ruas de paralelepípedo totalmente desertas. Ninguém pra perguntar. Dei muitas voltas até achar uma lojinha onde alguém pudesse me ajudar. A instrução: “primeira à esquerda, depois primeira à esquerda de novo”. Fantástico.

Cheguei na pousada meio puta de ter rodado tanto a toa.

Me hospedei no Pension U Lilie. Foram €125 por 2 noites com café da manhã incluso. Quarto e banheiro só para mim, finalmente.

Quarto bem pequeno, banheiro idem, mas era um hotel bem honesto. E por um bom preço – se bem que eu Praga geralmente as coisas são baratas.

Comecei a organizar minhas coisas e me bateu preguiça de sair. Dediquei meu tempo à planejar meus próximos movimentos. Eu faria um tour de cerveja naquele mesmo dia às 18h; no dia seguinte, um free walking tour de manhã e um tour no Castelo a tarde. Perfeito.

Saí para o tour da cerveja e, guess what: não achei o ponto de encontro. Em poucas horas em Praga eu já tinha me perdido duas vezes.

Na verdade, o ponto de encontro era em um dos cantos da magnífica Old Town Square, ou Staroměstské náměstí, em checo. Só que eu não sabia identificar os monumentos históricos, era noite cerrada, um frio do cacete e a praça estava entupida por conta de mais uma Feira de Natal. De modo que eu desisti do tour e fui andar pela magnífica praça, que tem uma iluminação linda, principalmente na igreja Church of Our Lady before Týn:

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Tomei chocolate quente e comi um troço frito esquisito que todo mundo também estava comendo:

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Era uma massa frita enorme (precisava das duas mãos para segurar), com uma pasta de alho, ketchup e bastante queijo ralado por cima. Não tive coragem de comer inteiro, muito gordo. E também não era grandes coisas.

Circulei por toda a praça, ouvi um coro natalino e achei, tarde demais, o ponto de encontro. No harm done: era o mesmo local onde eu deveria estar às 10h da manhã do dia seguinte para o free walking tour. Pelo menos agora eu sabia.

Fui andando sem rumo definido.

Entrei em uma rua linda que lembrava Paris, cheia de lojas de grife e um traçado que lembra muito a cidade francesa (não a toa, a rua chamava Pařížská).

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Continuei andando até chegar à beira do rio. Fazia o maior frio que eu já havia sentido na Europa até então, razão pelo qual as fotos estão péssimas (tirar as mãos do bolso e bater foto sem tremer: não dá). Mas UAU, viu.

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Voltei às vielas. Cada casa, igreja, monumento mais lindo que o outro, e eu sei ideia do que era o quê:

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As ruas estavam apinhadas de turistas e, para a minha grande surpresa, muitos, muitos, MUITOS brasileiros.

Fui entrando em lojinhas aleatórias. Várias lojas de cristais. Centenas de lojas de souvenirs. Eu não tinha a menor noção de que Praga é tão turística assim. Isso porque estamos em pleno inverno, temperaturas negativas. Dizem que no verão Praga é insuportável de tanto turista…

Eram umas 21h quando voltei para o hotel, pronta para um merecido sono antes de um dia seguinte que prometia ser bem cansativo.

28 de dezembro, 3 tours em Praga

No meu único dia inteiro em Praga, tive que me virar nos 30 para fazer tudo o que eu queria: das 10h às 13h Free Walking Tour; das 14h às 18h Castelo de Praga e das 19h às 22h Beer Tour. Prometia ser um dia longo e extremamente cansativo. Mais: um milagre se tudo desse certo. Spoiler: deu tudo certo.

Acordei 8h e pouco e chequei a temperatura: -8ºC. hahaha. Da hora. Além de cansativo, seria um dia extremamente gelado: o pior na Europa até então (na verdade o pior de todos. À noite a temperatura alcançou -15ºC).

Tomei café da manhã, coloquei meu combo de roupas mais quentes e encarei as ruas geladas e apinhadas. Milhares de turistas, muitos deles brasileiros. GENTE. Chocada.

Para terem uma ideia, meu walking tour em Berlim tinha 10 pessoas. Em Praga, eram 5 agências de walking tours. Cada uma oferecia 4 horários de tours por dia. Às 10h, a agência do meu tour tinha 4  guias com grupos com 44 pessoas CADA. Gente pra caralho.

Uma parte do grupo que se dispôs a sair na foto. Eu sou um pontinho de gorro vinho lááá no fundo.

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O guia era mais uma vez irlandês. Dessa vez, com um sotaque forte. Muitas coisas do que ele dizia eu não entendia. Ou não ouvia (44 pessoas…).

Começamos o tour pela Old Town Square, lógico.

Que praça lindíssima, gente do céu!!! Tombada pela Unesco.

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Foto do Shutterstock.

Essa praça é muito louca. Fundada no século XIV, assistiu a importantes acontecimentos da história europeia e mundial ao longo dos séculos. Além disso, mescla prédios dos mais diferentes estilos arquitetônicos. Os mais fotografados são dois:

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O relógio astronômico.

Algumas curiosidades sobre um dos monumentos mais fotografados da Europa (pq vocês não tem NOÇÃO da quantidade de gente apinhada a -10ºC para tirar foto do relógio):

– foi considerada uma das maravilhas do mundo durante a Idade Média

– eis uma das famosas obras que ficaram tão maravilhosas e perfeitas que quem pagou para ela ser feita mandou cegar o artista, para que fosse para sempre única.

– Há quatro esculturas nas laterais do relógio. Elas representam as grandes ansiedades da população de Praga durante o século XV:  Vaidade (figura com espelho), Ganância (com um saco de dinheiro), Morte (esqueleto) e Invasão Pagã (representada por um turco – risos).

– No relógio debaixo, não dá pra ver na foto ruim (sorry), há zilhões de nomes marcando todo o interior do círculo. São os nomes que os checos podiam batizar os filhos. Antes, era proibir fugir desses nomes. Agora, precisa pedir autorização se quiser dar um nome diferente para a criança.

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E a belíssima Igreja de Nossa Senhora Antes de Týn

As torres claramente góticas podem ser vistas de longe, muito longe. Uma curiosidade: vêem que a torre da esquerda é menor e mais fina que a da direita? É de propósito. A maior simboliza Adão. A menor, Eva. O grandão protegendo a frágil. Ai ai.

Outra coisa: essas torres não lembram um outro castelo beeem famoso? Pois.

Estava REALMENTE frio. Não rolava tirar as mãos com luvas de dentro dos bolsos. Por tanto, esse dia carece e muito de fotografias.

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Durante o tour ouvi uma menina canadense toda coberta de casacos falando para o namorado: “I don’t care how bad I look when is freezing”. É esse o espírito: não existe vaidade quando está um frio que faz até irlandeses reclamarem.

Praga também é conhecida como uma das capitais da música clássica na Europa. Mozart era habituê da cidade, adorava, e o amor era mútuo. Inclusive, fica em Praga o único teatro ainda em pleno funcionamento onde Mozart se apresentou!

Em Praga, tudo que é canto têm menções a Kafka. O autor dos clássicos “Metamorfose” e “O Processo” viveu em Praga boa parte de sua vida. O escritor dizia que Praga era como uma mãe: impossível se livrar das garras. hehe.

Outra parte visitada foi o quarteirão judeu, um dos bairros judeus mais bem preservados da Europa. Na região há seis sinagogas, uma prefeitura judia e um cemitério. E sabem porque isso tudo resistiu ao Holocausto? Não, Hitler não poupou os judeus checos. O que ocorreu de verdade: ele queria transformar aquela região em um “Museu da Raça Extinta”…

O mais chocante no lugar é o cemitério, que fica acima do nível da rua. Um dos maiores  e mais antigos cemitérios judeus do mundo, logo não havia mais espaço para enterrar os mortos. O que fizeram? Cobriram o cemitério inúmeras vezes e construíram novas camadas. Hoje, são mais de VINTE camadas de mortos sobre mortos!!!

Depois dessa loucura, hora de se aquecer. Tem jeito melhor de esquentar o corpo do que com comida? Não.

Almocei um prato típico da Europa Oriental: goulash. E vinho quente (sim, que nem da festa junina – eles tomam adoidado isso no inverno europeu!) para acompanhar.

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Saí do restaurante e… me perdi de novo nas vielas do centro de Praga. Hahaha. Quando cheguei ao ponto de encontro para o tour ao Castelo não tinha mais ninguém lá. Fui ao centro de informações turísticas de Praga e o cara, muuuuito bonzinho, me falou que o grupo andaria até outro ponto, para cruzar a ponte a pé, e falou que se eu corresse, chegava. Deu certo!

Ah. É absurdamente impressionante como no inverno europeu a palavra CALORIA faz sentido. Me senti uns 15ºC mais quentinha depois de almoçar…

Nesse tour, o guia era local. Phillip, nascido e criado em Praga. Foi para ele que perguntei coisas como “por que vocês não usam euro” (pq não é economicamente interessante), “por que todos os guias são estrangeiros” (pq as agências preferem  pessoas com bom inglês e divertidas do que apenhas conhecedores, e “está muito frio?” (sim, demais, odeio trabalhar nessas condições – mostrou o celular, marcava -15ºC). hahaha

Tinha gente pra caralho subindo as escadas para o castelo. Notávamos no guia certa apreensão pela quantidade de gente. MUITA gente, juro. Parecia Disney em julho. Só que era Praga e tava -15ºC. Turismo é um bagulho muito louco.

Enfim.

QUE LUGAR MARAVILHOSO MERMÃO.

Primeira coisa a ser notada: tem uma vista incrível da cidade, claramente um paraíso arquitetônico.

Novamente, desculpe pelas fotos ruins.

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Ok, mais uma foto do Shutterstock, para vocês compreenderem O QUANTO PRAGA É LINDA:

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O castelo é cercado por muralhas. Óbvio. Na frente delas há guardas. No melhor estilo guarda real inglês.

Mas é que a sede do poder checo fica dentro dessas muralhas… O presidente mora dentro do Castelo de Praga. Que loucura, não?

O Castelo de Praga foi fundado no século IX (!!!) e abrigou gerações e gerações de monarcas e presidentes, além de uma verdadeira cidade dentro. Mesmo. Há trocentos palácios, igrejas, museus, vielas e tudo o mais dentro daquelas muralhas.

O Castelo está no Guinness Book como o maior e mais antigo castelo do mundo.

Bom, diante do frio satanástico, fomos direto para a principal igreja do lugar. Em estilo neogótico, a liiiiiiiiiiinda Saint Vitus Cathedral. Demorou quase 6 séculos para ficar pronta!!!

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Mas valeu a pena, não? ;)

O interior (mais uma vez completamente apinhado de turistas. muuuuuitos brasileiros).

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Bem gótico: tudo muito alto, fazendo a gente se sentir um nada diante da magnificência da Igreja e de Deus.

Toda a área do castelo é fantástica. Vale uma visita mais longa. E talvez num dia não tão frio…

Voltando para a cidade, encontrei o grupo para o meu último tour do dia: Beer Tour.

É República Checa, né.

O guia – americano – falou que a República Checa é o país que mais consome cerveja no mundo. São, por ano, 143 litros por habitante. Incluindo quem não bebe. Para efeitos comparativos, no Brasil são 62 litros por habitante por ano (também é uma quantidade significativa).

Achei o Beer Tour meio dispensável. Queria saber mais sobre a cerveja e tal, mas na verdade o rolê era algo como um pub crawl. O pior é que meu grupo era velho e um bando de casal. Mas valeu, até porque eu não iria sair sozinha descobrindo cervejarias no centro histórico de Praga…

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O grupo.

Das coisas interessantes que o guia explicou: a tradição do brindar checo: as pessoas se encaram por uns segundos, brindam (ainda olhando nos olhos) com a expressão “na zdraví“, batem a caneca de cerveja na mesa e bebem um bom gole.

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Não lembro do nome das cervejarias. Só a segunda delas, a melhor e mais lotada, “Lokál”. É enorme, ocupa um quarteirão inteiro, mas está sempre cheia, principalmente de checos. Dizem que servem boas comidas da região. As cervejas são produzidas lá mesmo por um processo todo elaborado. Até para servir é meticuloso. A cerveja da “Lokál” é essa logo acima, com bastante colarinho.

E assim terminou o dia.

29 de dezembro, Charles Bridge

Já com passagem comprada mas sem horário marcado, eu poderia ir para Munique de manhã ou na hora do almoço. Pensei: poxa, falta muita coisa para ver em Praga. Assim, decidi ir embora um pouco mais tarde.

Levantei e olhei a temperatura: -8ºC. Olhei pela janela. Neve. Muita neve. MUITA NEVE.

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Minha intenção era ir à famosa Karluv Most (Charles Bridge) e andar pela Karlovo náměstí (Charles Square). Metade de Praga é chamada Charles alguma coisa.

O cara – Charles IV – foi rei na Era de Ouro do mundo checo, no século XIV. Ele foi responsável  por tornar Praga a capital cultural da Europa Central e a tornou uma das cidades mais prósperas de todos os tempos. Também foi em seu reinado que alguns dos mais importantes monumentos da cidade começaram a ser construídos, como a Charles University (a primeira na Europa Central), a Charles Bridge e a Saint Vitus Cathedral.

Voltando:

A Charles Bridge é uma ponte gótica que liga a cidade antiga ao outro lado do rio. É lindíssima e adornada dos dois lados por 17 estátuas barrocas do século XVII. Nos dois extremos há torres, que ficam abertas na alta temporada e que oferecem uma vista bacana (dizem – estava fechado). Durante o verão, dizem² ser totalmente impraticável andar pela ponte, de tão lotada de turistas, músicos, vendedores de quinquilharias.

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A torre

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A ponte levemente coberta com uma camada da primeira neve do inverno checo ♥

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A ponte com uma camada de neve, alguns turistas corajosos, as estátuas barrocas nas laterais e o castelo, lá no fundo, à direita.

Sim, com um belo dia ensolarado deve ser ainda melhor. Mas a neve tem um charme único, né?

Só que estava nevando cada vez mais, de modo que desisti de prosseguir o rolê. Fui até o fim da ponte e voltei para o hotel. Arrumei as coisas e parti em direção à estação central de Praga (antes me perdendo DE NOVO nas ruas do centro histórico até achar o metrô. Risos. Malditas cidades medievais).

A estação central de Praga parecia o Terminal Tietê dia 31 de dezembro. Entupido e com gente falando português por todos os lados.

O trem para Munique saiu na hora certinha. Dessa vez, encontrei fácil um lugar para mim e outro para deixar minha bagagem. Nada como a experiência…

Ainda estava aprendendo sobre o trem ser o melhor e mais seguro meio de transporte (a certeza veio na Suíça. Chego lá).

Só que o rolê Praga – Munique levou APENAS 6h30. A viagem deve ser bonita em um dia ensolarado, as paisagens da Bavária e talz. Mas nevava muito (a cântaros é só pra chuva, né?). A paisagem era: branco branco branco. depois preto preto preto (anoiteceu.)

Europa 2014/2015 (parte 1: Berlim)

Todo o mundo real e virtual está careca de saber que passei maravilhosos, fantásticos, esplêndidos 19 dias na Europa agora entre o final de dezembro e começo de janeiro.

Posso resumir a viagem inteira em palavra: perfeição. A viagem foi tão perfeita e mágica que achei que meu avião da volta iria cair. ALGUMA COISA tinha que dar errado. (Não deu).

Melhor viagem que fiz na vida, e olha que só planejei as cidades-base e fui decidindo o que fazer assim que acordava.

Vou dividir a viagem em 5 posts: os 4 destinos “cidades-base” (Berlim, Praga, Munique e Zurique) e um post dedicado, let’s say, à alta socialização durante a viagem (esse último post será com senha. Interessados, entrem em contato).

Hoje começamos com Berlim.

Saí de casa – São Paulo, Brasil – com uma temperatura de 32°C. Mal podia esperar pelo inverno europeu de neve e temperaturas negativas. Minha mala, no entanto, foi enxuta: meros 13kg para 20 dias. Algumas leggings e blusas para usar como segunda pele; 4 blusas mais grossas para segunda camada, duas calças jeans, uma bota de neve, underwears e meias, cachecol, luvas e uma blusa de frio intenso, impermeável, comprada por meros R$ 150 na Decathlon. A bota e as blusas segunda-camada também comprei lá. Só queria dizer que eu não teria sobrevivido à sensação térmica de -15°C em Praga se não fosse esse excelente casaco e as botas de neve.

Aliás, me perdoem, mas preciso dar umas dicas sobre inverno na Europa.

Se você vai para a Europa, não seja imbecil como as brasileiras que conheci por lá, que iam andar pela cidade com a mesma bota que usam no inverno paulistano. E nem com o mesmo casaco que você usa em Campos do Jordão.

Antes de viajar eu tinha ido à outra loja de esportes procurar o casaco. Na Mundo Terra, a que eu queria custava APENAS R$ 1999, quase o que paguei de passagem aérea. Risos. Não comprei, obviamente. A vendedora queria me entuchar meias especiais, casaco corta-vento, primeira, segunda, terceira, quinta camada…

Também não é pra tanto, galera. Eu tava indo pra Berlim, não pra Antártida. -5°C não são -40°, né. HÁ LIMITES.

Foi meu segundo inverno na Europa e em nenhuma dessas vezes peguei hipotermia. Nem resfriado. Nem nada. Sinal de que deu certo, né?

Enfim. Mala leve, porque desfile de moda não é comigo, nunca foi. Despachei a mala no aeroporto e fui encontrar Chris (o amigo suíço), que tinha voo para Zurique quase no mesmo horário que eu, e a namorada, que estava lá para se despedir. Combinamos de nos encontrar em Zurique dia 3/1. Tomamos uma cerveja juntos e zarpei para o meu périplo São Paulo – Paris – Berlim (a volta seria Zurique – Paris – São Paulo. Tudo Air France. Paguei R$ 2800 pelas passagens, já com todas as taxas inclusas).

O voo até Paris foi demoníaco. Uma turbulência safada desde a saída de São Paulo até chegar à Europa. 10h tremendo tremendo tremendo. Nada surreal, não achei que ia morrer, mas foi muito incômodo. Tanto que passei os próximos 3 dias em Berlim com uma vertigem fortíssima, que só posso atribuir à turbulência.

Papi fez meu check-in online e fez uma trapalhada: um upgrade no voo Berlim – Paris. Acabei indo de executiva nesse trecho de menos de 2h. hehe. Mas consegui fazer valer um pouquinho, pois usei a sala VIP da Air France no Charles de Gaulle, tomei chocolate quente, usei a tomada, usei wifi. No voo, um café da manhã bacaninha:

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Além disso fui a primeira a desembarcar e a primeira a pegar a mala. A parte ruim é que essa burrice custou a papi R$ 300.

BERLIM, Alemanha. 22 a 27 de dezembro.

Cheguei a Berlim com um tempo desolador: super cinzento, chovendo. 3 ou 4°C, não lembro.

Segui as instruções do site do hostel para ir de transporte público do aeroporto até lá, e fui super tranquilo.

Cheguei ao hostel umas 13h30, antes do horário de check-in. Mas eles me deixaram já ir pro quarto.

Fiquei no The Circus Hostel, no Mitte (Mitte significa meio. O bairro Mitte é assim chamado porque fica no meio da cidade de Berlim, dãããr). Peguei um quarto privativo com banheiro compartilhado que me custou € 284,10 por 5 noites. O quarto era super espaçoso, se pensarmos no padrão-hostel. Hostel limpinho, staff sempre atencioso, uma puta localização – fiz praticamente tudo andando -, um ótimo e muito barato bar downstairs, hóspedes bacanas e amigáveis… Estou segura em afirmar: melhor hostel que já fiquei. (Dica do primo Gustavo. Valeu!!!!)

A vista do meu quarto:

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O bondinho amarelo – tram – é hiper silencioso.

Larguei as coisas no quarto e fui passear pela cidade (eram 15h e pouco e já começava a anoitecer).

Fui andando às vezes olhando o mapa, às vezes ignorando-o. Berlim é uma cidade bem fácil de andar. Em alguns dias em já fazia todos os caminhos sem consultar sequer uma vez o mapa.

Mas no primeiro dia tudo era novo. Andei por umas ruas com lojas estranhas. Dezenas de lojas dedicadas a fetiches sexuais, como roupas bem antigas, ou só de couro… Também uma loja de sapatos chamada “Atheist”, cuja vitrine ostentava a frase: “For those who live on their feet, not on their knees”. Achei totalmente maravilhoso e instantaneamente me apaixonei pela cidade.

Também me deparei com várias vielas que a princípio pareciam degradadas e abandonadas (temos várias dessas no Brasil, vcs sabem), mas que eram uma verdadeira cidade dentro. Restaurantes, cinemas, lojas alternativas. Sensacional. E tudo cheio de grafite, é claro. Arte urbana em Berlim é um caso a parte.

Segui meu trajeto até chegar à beira do rio Spree. Ali, vi a Museumsinsel, a ilha dos museus, onde estão os principais museus da cidade. Tirei selfie com o belíssimo Berliner Dom atrás de mim.

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A frente do Altesmuseum (Alt = old. Velho.) e os jardins do Lustgarten.

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Um problema das datas que escolhi para visitar Berlim é que a grande maioria dos museus fecha no período entre natal e ano novo. A Alemanha leva MUITO a sério feriados, quase nada abre… Se eu soubesse disso, teria aproveitado esse primeiro dia para visitar um dos museus da Ilha. Não fui, e nos próximos dias só os encontraria fechados. Ok, no harm done. Já tenho motivo para voltar. Hehe.

Acabei indo a outro museu, indicado por uma amiga, e também para fugir do frio e da chuva. O DDR. Trata-se de um museu 100% interativo dedicado à Berlim Oriental. O mote é “experimente como era a vida na Alemanha socialista”. Tem tudo lá: carros, uniformes de escola, livros, roupas, instrumentos de trabalho, entretenimento e tudo imaginável sobre a Alemanha oriental. É bem bacana.  E não achei tão parcial quanto tinha imaginado. Você entende bem os prós e contras do regime no qual os caras estavam inseridos.
Só que o museu estava entupido. A parte “interação” ficou bastante prejudicada.

Fui embora totalmente destruída e faminta. Na frente do hostel comprei uma garrafinha de vinho, para garantir um sono de pedra, uma garrafa de água (a única que comprei em 20 dias de Europa – a água da torneira deles é potável), e um sanduíche bizarro, que foi meu almoço and jantar. Comi no quarto e apaguei em poucos minutos, antes das 20h. Amo muito o fuso deles: para mim já eram 23h…

23 de dezembro, walking tour e chuva

Tomei café-da-manhã no hostel. Esquema all-you-can-eat por €5. Meio carinho, mas eu tava com fome, mal tinha comido no dia anterior, então valeu a pena.

Segui a sugestão da moça da recepção: primeira vez em Berlim, um walking tour é uma boa pedida. Walking tours são super comuns nas grandes cidades turísticas do mundo. Até São Paulo e Rio têm. Optei pela modalidade “tour completo, 6h, €15”. Perguntei se mesmo com aquele tempo tenebroso – bastante chuva – rolava. Me disseram que sim. Encarei a chuva e fui até o ponto de encontro. No caminho, não uma, mas DUAS pessoas me pediram direções. Em alemão. Como assim tenho cara de alemã, gente? hahaha

Enfim. No ponto de encontro, a guia nos encontrou e nos levou até outro ponto, para termos um grupo maior. Também trocamos de guia. Agora era um homem, irlandês, LINDO DE MORRER (mas acho que gay). Irlandês explicando sobre Berlim? Como assim? Muitos walking tours depois, aprendi que as empresas dos tours contratam gente que fale inglês bem, com boa oratória e com um quê de humor. Quanto aos conhecimentos do lugar, é de menos. Ok, isso é meio triste, concordo. A chance de ouvir informação errada é grande. Mas de qualquer forma vale a pena.

Começamos o tour na frente da maior Sinagoga da Europa, a “Nova Sinagoga”. No interior, há uma réplica do muro das lamentações com pedras trazidas de Israel. Não, não entramos.

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De lá fomos seguindo pelas ruas da região, parando vez ou outra para ver uma escola de judeus quando, certa vez, militares entraram, pegar as crianças e mandar para campos de concentração, assim, sem mais nem menos; símbolos no chão dizendo “aqui morou a família XXX, morta pelos nazistas em 19XX” e coisas assim. Ou: esse prédio foi bombardeado pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial; esse quarteirão foi destruído pelos americanos na 2ª Guerra…

É tão surreal. Mesmo com todas as marcas da história, é tão difícil conceber que algo tão sinistro tenha mesmo acontecido nessa cidade…

Berlim é impressionante. Em menos de 100 anos, a cidade viu a ascensão e a queda do nazismo e a ascensão e a queda do socialismo. Arrepiante.

Falando em socialismo, as marcas do Muro de Berlim estão por toda a parte. Em alguns lugares, resquícios do muro.

Em outros, placas no chão para marcar onde ficava o muro que separava Alemanha socialista e Alemanha capitalista.

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Pedaço do muro, próximo ao Checkpoint Charlie, um dos principais pontos de entrada e saída das duas Alemanhas. Nesse trecho, uma cerca (!) protege o que sobrou do muro de predadores, AKA turistas que querem um pedaço da História para si.

Próxima parada: Parlamento Alemão

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Dizem que tem uma vista bem legal desse domo de vidro, no centro do prédio…

O Parlamento guarda histórias tanto da época do nazismo quanto do socialismo: um memorial aos parlamentares de oposição mortos a mando de Hitler fica bem do lado do prédio. Em cada placa de aço tem um nome, um partido político, uma data (da morte) e o local de morte. A maioria é campo de concentração, como Dachau e Auschwitz.

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O Parlamento também foi um ponto crucial da tomada da Alemanha Oriental pelos soviéticos. De lá essa foto clássica foi tirada, logo após o fim da segunda guerra:

Next stop: Brandenburger Tor, o principal cartão postal de Berlim. A antiga porta de entrada da cidade.

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Em seguida, como não poderia deixar de ser, mais história:

Screen Shot 01-16-15 at 03.49 PMUm bizarro Memorial aos Judeus Mortos na Europa simula, em mais de 2 mil blocos de concreto alinhados, os mais de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Pesadíssimo. Arrepiante. Necessário.

Enquanto isso, turistas babacas tiravam selfies sorrindo. Como pode tamanha imbecilidade e falta de respeito? Tsc, tsc, tsc.
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Esse estacionamento nada mais é do que o local onde ficava o Bunker do Hitler. Onde ele foi (?) encontrado morto. Até hoje há teorias de que o cadáver não era dele, e que ele viveu seus últimos anos de vida sossegado na América do Sul, como de fato ocorreu com outros grandes nomes do regime nazista.

Enfim.

O Bunker era enorme e o que ainda resta dele está abaixo do solo. O governo alemão não quer tornar o lugar um ponto turístico. As razões são compreensíveis, né? Por isso, o lugar hoje é um mero estacionamento.

De lá seguimos até o Checkpoint Charlie, já citado anteriormente.

Na região, achei interessante uma agência de turismo que aluga os antigos carros fabricados pela Alemanha Oriental, os “Trabi”, para um passeio pela cidade. Não, não fiz o passeio. Acho que é um pouco demais, não?
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Ainda passamos pela bela praça Gendarmenmarkt, onde é realizada uma das mais tradicionais Feiras de Natal da Alemanha (fui lá no último dia), e pela frente da Universidade Humboldt e a Praça da Ópera, onde ocorreu aquela famosa queima de livros promovida por Hitler em 1933:

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Aliás, o gesto nazista (a mão esticada) é um gesto proibido por lei. Dá multa e cadeia. O guia falou o valor da multa para quem desrespeitar. É um valor altíssimo, mas eu não lembro e tô com preguiça de pesquisar.

O tour terminou e já era noite cerrada. Pernas doíam, frio por todo o corpo. Mas foi nesse dia que agradeci ter comprado a bota de neve e o casacão. Ambos se mostraram realmente impermeáveis. Obrigada, Decathlon.

Voltei para o hostel, jantei um pedaço de torta com Kartoffelsalad (salada de batata – aparentemente eles colocam salada de batata até quando é coisa doce), tomei umas cervejas e fim dos nossos serviços.

24 de dezembro, Alexandreplatz, Nikolaiviertel, Eastside Gallery e véspera de Natal

Dia de rolê by my own. Tava um frio da desgrama, temperatura negativa, e continuava chovendo. Mas comigo não tem tempo ruim. Minha programação era ir à Alexanderplatz, à Nikolaiviertel e à Eastside Gallery, tudo a pé. Concluída satisfatoriamente.

A Alexanderplatz é uma praça enorme, cheia de lojas, shopping e mil coisas, bem perto do hostel. Obviamente o local sediava uma Feira de Natal, com centenas de barraquinhas vendendo de tudo um pouco: brinquedos, roupas, doces, comidas típicas… E no centro rolava uma pista de patinação. Eu não tive coragem: só tinha pró patinando. Até as criancinhas pequenininhas eram pró. Eu ia ser a grande atração (mico) do lugar…

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Vi por ali uma loja com cara de coisa barata e me dei conta de que não tinha um gorro. Precisava de um gorro. Entrei na loja. Foi meio ÚNICO ímpeto consumista em toda a viagem. Saí com o gorro (€3), e também com cachecol, três (!) calças jeans, cada uma a € 6,50, top de ginástica, uma blusa (a amarela, que vocês me verão usando no Ano Novo e na minha última noite na Suíça) e meias. Gastei menos de € 40. Amo muito.

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Já passava do meio-dia e eu ainda tava de jejum. Mandei uma porção dessa aí de cogumelo, na foto acima. Com molho de alho e pão.  Bagulho oleoso até dizer chega. Não caiu nada bem, maior revertério intestinal… Sorry a too much information. Mas ainda tinha muita coisa o que fazer naquele dia, aguentei à duas penas o máximo que pude.

Andei até o Nikolaiviertel, que sediava mais uma Feira de Natal. O que não era Feira de Natal eram obras. obras, obras e mais obras. Guindastes, lama, tapumes. Nenhuma foto aproveitável, exceto essa, que traz o novo e o velho:

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A igreja mais antiga de Berlim e a modernidade da Torre de Tv, atrás.

O Nikolaiviertel tem várias vielas com cafés, lojas, restaurantes, tudo com um jeitinho de cidade medieval. Fofo. Mas as obras e a chuva forte que caía no momento não colaboraram.

Andei então até a Eastside Gallery, uma boa caminhada por um lugar totalmente sem graça. Fica o aprendizado: melhor ir de tram (o bondinho).

A Eastside Gallery é uma área ao ar livre que preserva parte do Muro de Berlim e traz em suas duas faces obras de artistas de rua (achei os grafites meio sem graça. Sou muito mais um Kobra ou OsGêmeos, desculpa aê). Mas valeu a experiência.

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Não satisfeita com as pernas doendo, o intestino em frangalhos devido aos cogumelos com alho, a chuva que insistia em cair e a distância de 5 km que teria de percorrer, voltei ao hostel andando por mais uma rua totalmente sem graça. Fica o aprendizado².

É véspera de Natal, todo mundo com a família bláblá. Abdiquei faz tempo dessas coisas. Depois de um bom banho, desci ao bar do hostel. Encontrei um brasileiro que eu tinha conhecido no walking tour do dia anterior e, quando vi, estava ensinando o melhor drinking game do mundo (SUECA!) para um grupo de australianas, chineses, americanos e outro brasileiro; bebendo litros de cerveja; tomando shots de bebidas desconhecidas e me divertindo muito, muuuuuito.

Minha ceia de natal:

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Era tipo uma pizza, mas muito mais leve. Dizem que é especialidade suíça. Sei lá. Tava gostoso e segurou a barra.
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Até gorro de Papai Noel apareceu na minha cabeça, sabe-se lá de onde.

25 de dezembro, Berliner Fernsehturm

Saí na rua e tinha céu azul! Sol! Uhuuuuu!

Só que cada centímetro do meu corpo doía e a vertigem, que tinha diminuído nos dias anteriores, voltou com tudo (pq bebi horrores, eu sei). De modo que o dia teria de ser light, muito muito light.

Aproveitei o dia bonito para um rolê de vista panorâmica: a Berliner Fernsehturm. Até porque era Natal e 10 entre 10 estabelecimentos (de farmácias a lojas, passando por museus, restaurantes etc etc) estavam fechados. Mas a torre estava aberta, então bora lá.

€17 para subir no lugar. Bem caro. Mas acho imprescindível uma vista panorâmica. E minhas contas estavam muitíssimo em ordem: in fact, estava gastando muito menos do que imaginava.

Só que tinha uma fila de quase 2h. Só que era por senha, o que permitiu que eu fosse dar um rolê, comer alguma besteira, tomar um chocolate quente, curtir um maravilhoso sol gelado e voltar a tempo de chamarem o meu número.

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E olha… Valeu a pena.

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Na foto dá pra ver um pedaço da Feira de Natal da Nikolaiviertel, o Berliner Dom, o Portão de Brandemburgo e o Tiergarten lá atrás…

Mas eu mal conseguia ficar em pé de vertigem. Não chegava a dar enjoo, mas parecia que tinha um terremoto eterno sob meus pés. Sensação horrível.

Voltei para o hostel e dormi para ver se melhorava.

3h de sono e quando acordei não havia mais sinal de vertigem.

Nessa noite, o hostel promoveu um jantar de Natal €10 por pessoa. De entrada uma sopa, frango com legumes de prato principal e um musse de sobremesa. Com vinho branco. E uma cerveja mais tarde. Meio fracote, mas por 10 tá valendo.

Ao descer para o jantar não reconheci ninguém da noite anterior. Me sentei numa mesa com duas americanas, um inglês, três australianos, um canadense e mais tarde se juntou a nós um mexicano. Aparentemente era uma mesa com roommates de 2 quartos e eu, a burguesa do quarto privativo. hahaha. TÔ NEM AÍ, quero conforto nessa vida.

Long story short: noite DIVERTIDÍSSIMA. O mexicano descolou shots de Agave para nós (uma bebida feita com a mesma planta que a tequila, só que num processo mais lento e elaborado, algo assim), tomamos muita cerveja, descemos para o bar, bebemos mais, mais gente foi se juntando ao nosso grupo… Uma coisa louca.

Mas não me demorei tanto quanto gostaria. Tava com medo da vertigem voltar.

26 de dezembro, último dia em Berlim

Primeiramente, acordei e olhei a janela:

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Nevando ♥

Não é a primeira vez que vejo neve (minha primeira vez experiência com neve foi em 1994, em Bariloche, Argentina); não é a primeira vez que vejo nevar (a primeira vez foi em Lucerne, Suíça, em 1997). Mas é sempre um espetáculo lindo, ainda mais para nós, nada acostumados a isso. Os floquinhos de neve são de uma beleza e perfeição indescritíveis. A neve é linda, gente.

Estava sossegada tomando café da manhã e planejando o meu dia (rolê pela Strasse des 17 Juni, Tiergarten, Postdamerplatz, Gerdamenmarkt e museu da história alemã) quando uma das pessoas que conheci anteriormente sentou na minha mesa e perguntou se poderia fazer o rolê comigo. Lutei contra meu espírito individualista ao extremo e topei a companhia da Cathy, uma chinesa que mora há anos na Austrália (e para quem ensinei sueca dois dias antes).

Cathy e eu fomos de metrô até o Portão de Brandemburgo, nosso ponto de partida para o tour do dia. Geral se divertindo com a primeira neve da temporada. Tive essa sorte. E também alguém para tirar fotos para mim :)

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Só que como podem ver pelo tapume branco, algo estava rolando: metade da região estava interditada, até para pedestres, por conta dos preparativos para a festa de ano novo (a Strasse des 17 Juni é tipo a Avenida Paulista de Berlim – os grandes eventos são todos lá). Assim, o meu primeiro plano, de andar pela rua, foi pro saco.

No harm done. Entramos no Tiergarten, o Central Park de Berlim, onde, no verão, a galera toma sol pelada. Obviamente no inverno são outros 500. A paisagem é bem diferente. De qualquer modo, lindíssima: as árvores nevadas são de tirar o fôlego.

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Seguimos então até a Postdamer Platz. Passamos pelo Memorial do Holocausto, pelo Bunker do Hitler e por outros lugares, e eu fui explicando à Cathy o que era o quê, sendo eu a guia, dessa vez – ela não tinha feito o walking tour.

Na Postdamer Platz… Adivinhem:

Sim, Feira de Natal. Hahha

Só que em vez de pista de patinação, tinha uma ladeira de gelo para descer com boia inflável – opa, isso eu encaro!

Cathy e eu de fato encaramos. € 1,50 a brincadeira.

Screen Shot 01-16-15 at 05.46 PMFoi divertido =D

Andamos até o Sony Center, que tem uma caralhada de coisas, restaurantes, museus, Legoland, lojas… Sério, é um mundo. Mas não ficamos muito lá. Continuamos a jornada.

Logo estávamos na Fassbender & Rausch, a maior loja de chocolates do mundo.

Na fachada estão expostos importantes monumentos de Berlim, tipo o Parlamento e o Portão de Brandemburgo, feitos de CHOCOLATE. Tinha placas para não tocar, mas obviamente uma galera metia a mão para ver se era mesmo chocolate. Pela reação delas, era.

Resolvemos almoçar na feira de Natal da Gendarmenmarkt – falei à Cathy que era a mais tradicional da Alemanha e talz. De fato, era bem diferente das outras. Mais típica, digamos. Poucos turistas, muitos locais.

Provei pela primeira vez na vida um Eggnog (é estranho) e Cathy foi na minha onda:

2014-12-26 22.13.14Comemos um negócio que todo mundo tava comendo, parecia uma pizza, com um queijo esquisito e bacon. Muito bom.
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Französischer Dom, linda igreja na Gendarmemarkt.

Próxima parada: Deutsches Historisches Museum, o museu de história alemã – único museu aberto no período entre natal e ano novo. Bagulho é ENORME, gasta-se um século para vê-lo inteiro e com atenção. Só dispúnhamos de 2h, por tanto vimos bem rapidamente a história antiga alemã e um pouco mais atentamente o século XX, muito mais interessante (nazismo e ruptura entre as duas Alemanhas).

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Há um vasto material sobre as guerras. Propaganda política, documentos, fotos… Bem interessante.

Saímos de lá e já era noite cerrada. Passamos na frente do Berliner Dom e me deu vontade de entrar.

Eis o altar da bela Catedral:

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Berlim é incrível.

Voltei ao hostel, tomei banho e lá fui eu para o bar de novo haha. Encontrei o brasileiro do walking tour e fomos jantar kebab ali pertinho. Voltei para o hostel e para o bar, obviamente. Conversei com brasileiros, com o inglês e o canadense do dia anterior, depois um grupo de australianos jovens me convidou para a mesa deles – mas não suportei por muito tempo as poop stories deles – depois encontrei o mexicano da noite anterior e, finalmente, fui dormir. Precisava acordar em poucas horas – meu trem para Praga saía às 7h e pouco da manhã!

CONTINUA.