Faz parar!

O de sempre: excesso de sentimentos ruins me obrigam a escrever. Terapia velha de guerra, sabe como é.

Há exatamente 1 semana as coisas que não estavam boas (mas tampouco estavam ruins) degringolaram. Pedi aqui no trabalho, pela nonagésima vez, uma oportunidade de ir pra rua. Para ter material pro meu tcc.
Me disseram que não ia dar.
Sábado tive que vir trabalhar. Aproveitei a paz e tranquilidade para conversar, e expôr minha situação de maneira calma e decidida. Minha chefe disse que ia ser dificílimo, contavam comigo pra fazer o que eu tava fazendo (o que? Atualizar meus blogs e ficar lendo matérias? é.). Mas disse que ia tentar alguma coisa.

Fiquei mais tranquila por ter falado, mas…

Chegou ontem. Quinta-feira, 18 de setembro. Esse dia entra fácil no meu TOP 3 piores dias da minha vida ever.

Começou com uma notícia:
O comitê aboliu os fins de semana de todos os funcionários. Trabalharemos de segunda a segunda, integral.
Isso é ruim, mas nem taaaanto. A rigor, nas últimas 4 semanas, só fiquei em casa 1 dia. Por mim não ia fazer tanta diferença…

O foda é que ninguém me coloca na rua pra fazer porra nenhuma, só fico nessa merda de internet o dia inteiro. E aí não vai ter trabalho de campo pro meu tcc. E não uso meu cérebro, não mostro minha inteligência e minha habilidade de escrever – melhor que a de muitos por aqui, devo dizer. Assim, ninguém sonha quais as minhas reais habilidades. Portanto, não se lembrarão de mim no futuro, já que não fiz nenhum trabalho marcante.

E daí juntou-se a isso a notícia de que eu não iria no comício do Lula, sábado. Expliquei que era para o meu tcc, que era importante para mim. Dezenas de jornalistas estarão lá. 3 governadores do nordeste prestigiarão o comício. Isso há 2 semanas do 1º turno. Uma das poucas oportunidades que eu teria para mais trabalhos de campo para o meu tcc.
O que me responderam? Você já foi. Não vamos te priorizar. Daí que cagam para mim e para os meus interesses.

A partir daquele momento, surtei fudido. Comecei a chorar silenciosamente. E chorei por horas. Lágrimas de raiva rolavam incessantes e silenciosas pelo meu rosto.

Sábado, a rigor, eu ia reatar com a minha vida social. Tinha o churrasco do Adão, com um bom povo do Concórdia. Tinha o aniversário da Sarah, diversão garantida com as meninas da sala. Tem pizza de aniversário da minha prima. Todos os planos pro fim de semana foram pro saco. Mas não tem problema, minha vida social já tá na merda faz tempo. Mais um mês de completa solidão pouca diferença fará.

Daí que tô ganhando bem, mas meu trabalho de conclusão de curso vai ser uma merda, nada além de “passável”, e não vai me gabaritar para porra nenhuma. Não servirá para nada, na minha futura ambição profissional.

Matei minha vida social por isso, larguei o trabalho que eu gostava (a medida do possível), e pessoas que eu realmente gostava, por uma instabilidade completa, mas pensando que isso renderia frutos no futuro.
Só que foi completamente à toa.
Sou uma nada aqui. Meu trabalho é ler matérias e ouvir rádio. Ó! Quanto desafio intelectual. Quanta bagagem!

Minha revolta só pode ser mensurada pela quantidade de comida que tenho ingerido. Engordei tudo o que emagreci o ano todo, e ganhei uns 4 Kg extras, ainda por cima. Isso sem falar que a minha pele virou um chokitão, terrível.

Psicológico interferindo fudidamente no físico.

Tô correndo de espelhos, e evito olhar de cabeça erguida, tá foda. Vergonha master da minha aparência. Minha auto-estima sempre foi uma merda, mas gorda pra caralho e com espinhas pipocando a cada milímetro de pele decente disponível – além de estar descascando por causa de um creme pra tirar as espinhas – não facilita muito.

Daí ontem nem saí pra almoçar. Tava com fome, mas sem ânimo de sair. Em compensação, 17h eu saí fora. Parei na Paulista e comi um camarão aos 4 queijos da Vivenda do Camarão, pq, né. Alguma coisa tem que ser boa na minha vida. Que seja a comida.

Daí fui pra faculdade, pra aula que eu mais detesto. Foda que as outras optativas não seriam melhores, então quanto a isso não tem o que fazer.
E a professora adora falar do meu tcc, mesmo sabendo que a PUC é um antro anti-PT. Daí todo mundo me olha torto, mas foda-se, não ligo. Só que ontem foi foda. Com aquela cara de cu que eu tava, ela perguntou o que tinha acontecido. Falei que eu ia trabalahar diretão de segunda a segunda, e que não teria como fazer o trabalho dela até terminar a eleição. Ela disse q dava um jeito. Ok.

Só que aí ele perguntou quem ia pro 2º turno, eu disse “Kassab”, e ela disse “Ainda bem que eu não vou estar em São Paulo. Só lixo no 2º turno”. Ok.

Aí chega uma insignificantezinha da manhã e começa a falar aquelas coisas burguesas-jovens-paulistanas-conservadoras-preconceituosas-ignorantes…
Ah, não tô podendo não.

E a professora disse “a gestão dela só fez merda”. Olha, digam que ela fez uma cagada ou outra, lógico que fez. Mas quem é o FILHODEUMAPUTA que pode negar o quão útil é o bilhete único?
Eu quis argumentar, mas eu nunca fui boa nisso. Não sou boa falando, nunca fui. Só sei escrever.

Enfim. Pensei em falar “você fala que a gestão dela só fez merda pq vc não é pobre. Pq seus filhos não dependem de escola pública. Se você morasse no extremo da zona sul e seus filhos frequentassem um céu, e ganhassem material escolar, uniforme e transporte, além de contar com uma infra-estrutura de escola de rico, tendo acesso à cultura, você mudaria sua opinião de burguesa ignorante que acha que pobre tem que se fuder.”

Mas não falei nada. Me limitei a levantar, puta, e dizer que não ia aturar discussãozinha política. Saí da sala aos trancos e barrancos e fui prum canto escuros respirar. Mas desabei. Fiquei algum tempo chorando de soluçar. Tentei me recompôr, mas não tava rolando. Daí que uma pessoa, que até então estava na minha lista negra, por ser mega antipática comigo, tipo ir NA MINHA CASA e nem me dar oi, me viu lá e foi perguntar, toda fofa, se eu tava bem, se precisava de alguma coisa.

Sério. Bastou para eu piorar. Me senti uma escrota por odiar tanto alguém que, enfim, não é tão desprezível quanto a minha cegueira propunha.

Fiquei mais um tempão malzona. Depois tentei melhorar, mas eu nem ia voltar pra sala. E tava um frio do cão. Resolvi ir pra casa. Não dei 2 passos fora da PUC tive outra crise. Chegando em casa, fiquei mais algumas horas deitada, tentando me acalmar, mas chorando horrores. Lógico que bodiei da 2ª aula – uma das minahs preferidas no curso todo de 4 anos, q eu não tinha faltado 1 vez sequer.

A Stella me ligou. Foi bom desabafar pra alguém – ainda mais ela, com quem falo everyfuckingminute no msn e tava ligada da minha situação dramática.

Melhorei. Comi um sanduíche e resolvi ver o filme do Harry Potter 5. Terapia, saca.

Minha mãe me ligou, me segurei pra não desabafar tudo, mas falei o básico. Um pouco depois, meu pai me ligou, puto por eu “extrapolar meu pessimismo e deixar todo mundo mau. Se tá tudo tão ruim, pq vc não sai de lá?”

Bom, vejamos. As coisas NÃO SÃO tão simples como papai pensa. Se eu sair daqui, o povo vai ficar puto, pq dependem de mim. Pra uma função idiota, mas realmente precisa de alguém pra fazer isso. E daí que eles ficaram tão putos que não iam topar me ajudar com o meu tcc. E, lógico, eu minaria TODAS as minhas chances futuras na área política.

Então, pai, as coisas não são tão simples.

Das últimas 24h, passei metade delas chorando. E não é um exagero.

Ouvi as pessoas combinando do comício de amanhã, logo que cheguei. Desabei e só parei de chorar há pouco.

Então. Malz aê pela minha deprê. Mas a coisa tá feia.

Ou eu aguento firme e faço um tcc meíssima boca, ou largo tudo e vou fazer mochilão pelo mundo. Queria ser mais parecida com a Polly. Ela não teria dúvidas.

Agora chega, minha cabeça tá latejando.

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