Reclamando do trabalho

carteira_trabalhoSeguinte: me formei em jornalismo sem gostar do ofício básico da profissão. Já falei sobre isso uns posts atrás, mas é importante repetir, pro povo não vir falando: “Se não gostava, por que não fez outra coisa?”. A resposta é: porque nada me atraia mais do que a oportunidade de ganhar dinheiro escrevendo. Mesmo que fossem textos idiotas e sem sentido para a minha vida.

A parte boa é que nunca trabalhei com jornalismo de verdade. Sempre estive mais ligada à publicidade.

De qualquer maneira, não posso reclamar tanto. Estou há três meses em uma agência de RP, e escrevo textos sobre vinhos para uma publicação de uma importadora de vinhos famosona. São 30 mil exemplares distribuídos por todo o Brasil. É uma boa cifra, vai.Fico orgulhosa de ver o meu nome lá, e é interessante ver a revista nascer.

Além dos textos sobre vinhos – é chique saber sobre Pinot Noirs, Chardonnay, Sauvignon Blanc e outros tipos de uva, mesmo que meu salário não comporte mais do que um Sangue de Boi – escrevo para a publicação de uma multinacional. E aí é BORING. Eu quero MORRER quando ouço falar dessa publicação. Primeiro porque ela lida diretamente com jornalismo: tenho que correr atrás de contatos, tenho que LIGAR pras pessoas (eu odeio com todas as minhas forças o telefone), tenho que fazer entrevistas – oi, quero uma profissão que lide com o menor número de pessoas possível!, escrever texto com formato pré-determinado e escrever coisas BORING tipo a história de uma marca de papel, ou sobre os projetos ambientais da tal companhia. É um saco. UM SACO.

Em junho eu vim trabalhar aqui para que, em julho, substituísse a pessoa originalmente encarregada desses dois projetos – a revista de vinho e a publicação da multinacional. Uma semana depois de eu começar, uma entrevista que eu tinha feito em abril deu certo e me chamaram pra trabalhar na prefeitura de uma cidade aqui de São Paulo. Contratada, com benefícios e tudo. E o lance que eu tava era temporário, mas era a 4 quarteirões de casa. Conversei aqui e eles toparam me contrar em setembro. O trampo na prefeitura seria bacana, mas muito JORNALISTA pro meu gosto. Não dou pra isso, definitivamente. A não ser que seja para escrever colunas e crônicas. Aí belezera.

Então a pessoa das publicações entrou de férias e eu assumi. Ocilei períodos de trabalho fatigante (uns dias sai daqui 22h, 22h30.) e alguns bem tranquilos. Mas nada absurdo, nada em fins de semana… Um trabalho ok para uma pessoa.

Agora essa pessoa voltou.

E nós dividimos o trabalho que era originalmente realizado por uma pessoa só. OU SEJA: estou vagabundeando 90% do tempo.

Não que eu não goste de coçar e ganhar dinheiro pra postar em blogs, twitter e afins para motivos pessoais, mas além de me sentir uma inútil, fico com medo de me ferrar aqui.

Eles se comprometeram a me contratar em setembro, mas como, se estou SOBRANDO?

Sim, vou conversar com meus chefes provavelmente semana que vem. Mas e se me demitirem? Aí fodeu.

A verdade é que eu não gosto de trabalhar. Acho que nunca vou gostar.  O único trabalho que eu amaria ter está MEIO fora de cogitação: ser uma Paulo Coelho da vida (sem textos tão imbecis, diga-se de passagem), ou seja, ganhar dinheiro para escrever um livro a cada dois anos. É, eu quero ser escritora. Comofas?

Porque, olha. Não sirvo pra essa rotina de trabalho. Malz aê, ditado popular (ou é de alguém essa frase?) “o trabalho enaltece o homem”, mas isso não se aplica a mim.

Sabe do que eu morro de saudade? De acordar às 6h da manhã pulandinho e felizaça, porque estava indo pra escola encontrar OS MEUS e com a consciência de que aquele tempo ia durar pouquíssimo. Dava TUDO para ficar eternamente entre os 15 e 20 anos (colégio e faculdade, no máximo).

Não me conformo com a idéia de ter virado adulta. De trabalhar.

Assinado: Peter Pan wannabe.

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5 comentários sobre “Reclamando do trabalho

  1. definitivamente, eu não me sinto nem um pouco enaltecida quando venho trabalhar. especialmente em dias como hoje, depois de uma noite na esbórnia como foi a minha ontem.

    eu quero um livro seu.

    =*

  2. Como você bem sabe, também não gosto de trabalhar.
    Bom, quanto a ser escritora, o principal você tem. Escreve, oras, quem sabe algum dia não rola uma publicação?

  3. Voce adivinhou meus pensamentos?
    Me assustou!
    Eu estou como estagiaria em assistente de mídia, e muitas vezes me sinto uma inutil,porque a coordenadora de midia nao tem tempo de m ensinar tudo,e acaba fazedno o trabalho por mim…resultado:fk parasitando.
    Meu chefe diz que vai me efetivar em Janeiro…vou rezar!
    bjaum

  4. Ellen disse:

    A-DO-REI a sua signature! =)
    Qto a não gostar de trabalhar, vc conhece a minha situação e seus altos e baixos (no momento estou no “alto”). Mas até qdo?! Acho que não importa onde se trabalhe, na maioria dos casos, é assim. A não ser que vc tenha o seu próprio negócio, do jeitinho que vc quer – claro. Quanto a ser escritora, via blog acho que vc já começou bem! Deu seus primeiros passos.

    Bjão Ana!

  5. Sabe com o que me identifiquei aqui? Ser jornalista e não gostar de ser repórter. Fugir de telefone. Ter pavor de entrevistar pessoas. Se eu pudesse, ficava quietinha, no meu cantinho, só escrevendo. Ou editando. É disso que eu gosto. Odeio reportagem. E ninguém me entende. Bjo!

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