Vida sofrida na escola

Minha vida na escola nunca foi muito fácil. Será que existe alguém no mundo que não foi maltratado na escola? Bom, eu fui. E MUITO. Um caso típico de bullying, que a minha escola de certa forma incentivava. Sério.

Nunca fui CFD. Sempre empurrei com a barriga a escola, raras vezes fiz lição de casa, mas acabava me dando bem nas notas. Mas era quieta. Não era tímida, mas excluída, considerada uma nerd.

contei que estudei boa parte da vida no colégio do bairro. E que metade do meu condomínio estudava lá também. Era um colégio grande, com 4, 5 salas por ano. Até a 4ª série, era QUASE suportável.

Nessa época eu tinha amigos na sala, até. Tinha o meu grupinho: Natália, Pâmela e Juliana. E tinha um tal de Bruno dos Santos, que era o terror dos professores e o terror dos alunos. Ele aloprava TODO mundo. Foi no meu aniversário de 10 anos e me fez chorar, me humilhou de forma discreta na frente da minha família e dos meus amigos. Vê se pode. Mas a justiça foi feita: no meio da 4ª série a professora anunciou, na frente de 30 e poucos alunos, que ele estava expulso. E todo mundo aplaudiu com entusiasmo.

Na 5ª série, tinha um repetente insuportável na minha sala. Igor. Ele se masturbava no fundo da sala. Um dia apertou meu peito na frente da professora, e a VADIA não disse nada, mesmo comigo uivando de ódio. Ela nos mandou aos berros à diretoria. A diretora ouviu a história. Ele rindo e ela achando normal. E disse para ele pedir desculpas. Ele pediu. E ELA o perdoou. Eu continuei o odiando. E ele continuou me zoando.

Na 6ª série até que era razoável. Sempre teve a turminha que me zoava até dizer chega. Humilhações das brabas. Mas o resto da classe até que era suportável. E tinha a Juliana (da 4ª série) de volta, e a gente acabou ficando super amiga de novo. Mas era duro aturar todos os meninos pagando o maior pau do universo para as metidinhas de cabelo listo, que faziam questão de PENTEAR no meio da classe. E eu na pior época do meu cabelo. De óculos. Sempre meio gorda. Dá pra imaginar, né.
ScreenShot002

É nesse época que começam as festinhas. As ficadas. Preciso dizer que nunca fui em nenhuma, e que jamais tive qualquer relacionamento com algum menino da escola? Eu era uma excluída, considerada nada atreante e maltratada, mas ainda não tinha planos de explodir a escola e ver a cabeça de cada um deles pegando fogo. Ainda.

Na 7ª série entrou uma renca nova no colégio. A unidade 1 fechou (obras do metrô & stuff), e a galera foi pra nossa unidade. Minha sala só tinha gente nova. E era um bando de VAGABUNDA. Vagabunda mesmo. Ou marginalzinho. Mas eu nem sabia. Enquanto isso, eu continuava sendo zoada e humilhada por onde fosse. Mordia a ponta de um lápis e a vaca ali dizia para a classe toda ouvir que eu estava treinando como beijar. Levantava a cabeça e o filhodaputa ali gritava que não sabia como o Chris tinha ficado comigo, porque ele era até bonitão (era lindo, na verdade) e eu era horrorosa. Enfim. Desse nível pra baixo. Nunca foi nem um pouco fácil. Mas nunca tinha sido uma classe inteira.

Eu só tinha a Juliana. Eu e ela faziamos contagem regressiva dos anos pra terminar a fase escolar. Faziamos planos para destruir a escola. Fazíamos planos para foder as pessoas que nos humilhavam. Tudo por escrito. Na nossa famosa “carta do mês”. Até que um dia a vaca mais vaca da 7ª C resolveu vasculhar as coisas da Juliana sem ela saber – lógico. As minhas cartas pra ela estavam lá. Bom. Sessões das minhas cartas lidas em voz alta, com professor e tudo rindo, sabe. E todo mundo falando que a gente era lésbica, e que éramos horrorosas e blábláblá. 13 de setembro de 1999: um dos piores dias da minha vida. Chorei a tarde toda. Um misto de querer matar todo mundo (bem Columbine style) com uma tristeza, uma solidão, uma rejeição anormais. Sim, eu tinha amigos no condomínio. Mas no colégio era só a Juliana. Que tava na mesma situação que eu.

Aguentei mais 3 meses e sai daquela desgraça de colégio, amaldiçoando cada ser vivo que já pôs os pés lá. Porque ninguém me deixava em paz, simplesmente? Pq todo mundo tinha que jogar constantemente na minha cara que o meu cabelo não era liso, que eu era gorda, usava óculos, não era sequer cogitada pelos meninos? Já sei: para eu ser insegura pelo resto da vida. Parabéns, conseguiram. O foda é que vejo fotos daquela época e eu nem era assim tão gorda e tão estranha. Não mesmo. Só era deslocada.

Considerações importantes

QUASE chorei escrevendo esse post. Acho que é a primeira vez que boto isso tudo pra fora sem receio. Mas é impressionante como pensar na minha vida escolar de 1ª a 7ª série ainda me afeta. Ainda dói. Faz mais de 10 anos, mas o rancor tá sempre fresco. A sede de vingança perdura, também. Acho que eles conseguiram o que queriam: foder a minha auto-estima para sempre.

Nunca sai de lá por dois motivos: o primeiro é porque eu me sentia culpada. Não que eu achasse que merecesse aquela humilhação, mas pensava que onde estivesse, seria sempre rejeitada. Também porque meus pais não deixavam, achavam que aquele meu ódio todo era exagero. Eles nunca me defenderam, sempre deixaram que eu me virasse completamente sozinha nos meus problemas. Hoje acho isso ótimo, porque estou fortalecida contra muitas coisas que afetam demais a maioria das pessoas por aí. Mas, por outro lado, lidar sozinha com aquilo em plena puberdade era foda.

Sim, eu tinha os meus amigos no condomínio. O Chris, principalmente. Amigo, irmão, e mais, muito mais. Se bem que dentro de sua própria casa eu também sofria uma boa rejeição: sua mãe sempre me achou “baiana”, brega, feia, peluda, de cabelo ruim, e jogava na minha cara isso, com essas palavras.

Mas, acima de tudo, eu tinha a Juliana, que sofria comigo no Colégio Morumbi Sul. Nunca fomos as melhores amigas, temos algumas características peculiares que não batem para isso, mas sempre nos demos bem. É a amizade sólida que mais perdura na minha vida.

E aí, na 8ª série, minha vida mudou. Completamente. Mas isso é história para outro post.

12 comentários sobre “Vida sofrida na escola

  1. Gata eu passei por tudo isso…
    Só usava camisetão, eu era super magra,calça de moletom para esconder a magreza…meu se eu for detalhar dá um post,que logo mais voce vera os detalhes…ate hoje sinto as marcas deas humilhações que sofri,ate apanhar eu apanhei na escola sem motivos!

    Os pais deviam ser amigos dos filhos, no meu caso,nao tinha liberdade para falar que tinha apanhado ou sofria ameaças…e a escola peca muito nesse respeito.

    Fica triste não,mas eu sei como é lembrar dos detalhes que mais fizeram mal.

    Bjk

    =)

  2. Te entendo MUITO.
    Da quinta até a oitava série não tive nenhuma amizade verdadeira, tanto que realmente não mantenho contato com mais ninguém daquela época.
    Eu demorei horrores pra me desenvolver, então aos 13 anos ainda parecia uma tripa escorrida sem qualquer curva (não que hoje isso tenha melhorado muito, haha) enquanto as “amigas” já tinham corpo, daí que eu também nunca era cogitada pelos meninos da classe, eu sempre me sentia inferiorizada pelas “amigas”.

    Certa vez fizeram uma daquelas votações idiotas pra eleger a garota mais feia e mais bonita da classe, e eu fiquei com o cu na mão pq eu era a única que parecia uma tábua, mas por sorte não fui eu (deve ter sido por pouco).

    Pra ajudar eu estudava em uma escola pública, mas daquelas BEM RUINS, cheia de alunos muito mais velhos, fumantes, e que achavam que podiam mandar em você. Na quinta-série tinha um gordo maldito, de 2 metros de altura e 1 metro de largura, que me obrigava a dar meus pirulitos da língua azul pra ele. (Filho da puta! deu raiva só de lembrar…)

    Escrevi horrores, chega! rs

    Fora isso

  3. o “Fora isso” ficou boiando no último comentário, abafa! haha

    Só mais uma coisa: Crianças e pré-aborrecetes são realmente muito crueis. Honestamente, não sei como podem ser tão crueis assim.

  4. Pra começar, eu sou “outra” Bel, viu?

    Não sei se ja comentei aqui, mas leio seu blog via Google reader já há um tempinho, vim por um link da Intense.

    Seu post me deixou com vontade de fazer um igual, e olha que se não fossem os dias extremamente ocupados e felizes que estou vivendo, eu fazia, e dava nomes e sobrenomes aos bois, correndo o risco de me lascar publicamente, já que moro numa cidade minúscula.

    Mas, enfim, essa história de perseguição na escola precisa ser tratada, acho que acabar mesmo, de verdade, não vai, mas já está começando a ser vista, vai que melhora um pouco para os nossos filhos, não é?

    Um beijo procê!

    E olha… isso dos pais não acreditarem e não tomarem uma atitude é a pior parte. A gente se sente – e está mesmo – indefesa.

    Outro beijo!

  5. Nossa,isso pareceu até filme americano.
    Essas coisas me assustam,acho que pq nunca acompanhei coisas assim.

    Bom,só no jardim 3.As meninas me batiam,e a professora não fazia nada ¬¬ -me diz,pq professores agem assim?fdp-
    Mas minha mãe me passou pro horário da tarde,e conseguiu que a prof. da manhã,fosse expulsa da escola o/.

    Depois disso,nunca mais passei por coisas desse tipo.
    Quase todo mundo gostava de mim,mesmo quando era estudiosa e sentava na segunda carteira.
    Mudei de escola,passei pro grupinho popular,isso sem nunca ter sido tão bonita,e sendo supermagra de perninha fina.
    Não sei se,por sempre ter estudado em colégio pequeno,mas nunca vi um caso sério de bullying.
    Do tipo garotos tentando roubar o lanche do cdf.
    Mas claro,que tinha uns excluídos,um que diziam que fedia,enfim,coisas cruéis de adolescente.
    Logo na fase que formamos nossa auto-estima ;~.

    E acho sim,que os pais tem que agir.Sabe se lá o que mais aconteceria comigo,se eu continuasse na turma da manhã.Agradeço por ela ter me mudado,e feito escândalo na escola haha.

    Me empolguei –‘

    beeijos ;**

  6. Eu me vi em muitas das linhas do seu post. E me revoltei, não só lembrando dos embaraços da minha vida, mas vendo o que vc passou tbm. A da diretora foi fora do normal de absurdo e, tipo, sei q n posso opinar de certeza só vendo o post, afinal, eu n tava lá e tal, mas seus pais deveriam ter feito alguma coisa!
    Tipo, eu sempre fui mais gordinha e usei óculos até a sétima série e todo mundo (n só da escola) deixava bem claro o meu peso e colocavam minha autoestima lá no fundo do poço, sabe? E vendo as fotos, hoje em dia, eu n consigo entender como eu me sentia tão menor q os outros, eu era linda🙂
    Outra coisa q amenizou a situação foram meus amigos, pq apesar de passar por umas situações doídas, q me faziam chorar rios trancada, me achando um cocô, mudei de escola na sétima e fiz amigos muuito, muito legais, de até hoje. A escola era grande, mas, ao mesmo tempo, era como se todo mundo formasse uma família, é uma coisa tão bonitinha e feliz q até hj tem encontros das turmas passadas, até da turma da minha avó!
    Hmnn, sei q tinha mais oq dizer, mas fui me enrolando ao longo do comentário e esqueci.
    Enfim, passei por poucas e boas parecidas, revoltantes e doídas. E tbm acho q minha autoestima sofre as consequências disso até hoje.
    Acho q nunca comentei com tanta vontade (?).
    O bom é q eu nem lembro como cheguei aqui😡
    De qualquer forma, gostei e quero voltar😀
    Beijo.

  7. Guria, fui vítima de bullying pesado, também, desde a 2ª série até o último dia de aula do segundo grau. Eu sei como doi. Eu naum sei mais o que dizer. Eu tb explodi muita gente, mentalmente; tb tive ódio, raiva e uma sensação de que sempre seria rejeitada. Fui ter amigas (os), pela primeira vez na vida, aos 24 anos. A autoestima da gente fica estraçalhada!! A gente nunca mais cola os cacos. Mas acho que você pode lidar melhor com isso… Já pensou em terapia? Eu sei que doi pra sempre, mas, sério, hoje, eu lembro das coisas que sofri com uma frequência bem menor, quase nunca lembro – ainda que a autoestima seja baixa, a autoimagem fodida, a insegurança persistente! Minhas amigas (verdadeiras) da idade adulta, e as primeiras amigas que tive na via me ajudaram a curar um pouco a alma. Eu, ao contrário de ti, era a CDF com as melhores notas da turma. E, como tu, olhando as fotos, hoje, não era gorda, nem feia, nem estranha como me diziam e como eu achava que eu era. Se não te importar, vou escrever um post sobre o mesmo tema, uma hora dessas, sobre o bullying que eu sofria!

    p.s.: Isso MERECE punição severa, nas escolas. Não dá para tolerar! Depois vem gente hipócrita crucificar os culpados do caso “Columbine”, em que, mesmo discordando da “matança”, eu acho que não dá para superestimar nem glorificar os mortos – muitos dos quais, quando vivos, destruíram a autoestima e infernizaram a vida dos assassinos.

  8. Ana, que história triste!

    Mas oh.. eu só descobri a cera cor de rosa há dois meses atrás! E amiga.. ela faz milagres! Mudou a minha vida.

    Hoje eu penso q grande parte da minha baixa estima, era por conta do bigodão q eu tinha!

    te mandei uma DM.

    bjs

  9. cheiadegraxa disse:

    “Mas é impressionante como pensar na minha vida escolar de 1ª a 7ª série ainda me afeta. Ainda dói. Faz mais de 10 anos, mas o rancor tá sempre fresco. A sede de vingança perdura, também.”

    Eu poderia dizer que fui eu mesma quem escreveu esse trecho.

    Fui vítima de bullying também desde que mudei de colégio. Sofri por 8 anos me sentindo deslocada, uma merda, uma porcaria por ninguém me achar bonita e por jogarem isso na minha cara. No meu caso eu era super CDF e era na minha, nunca fui de jogar na cara dos outros que tirava nota boa. Os professores me adoravam e o pessoal, por conta disso, tinha vontade de me extrupiar.

    Não só vontade, já até perguntaram se eu tinha cogitado me matar e, caso não tivesse, era melhor pensar bem.

    Até hoje, quando encontro esse pessoal que fez da minha pré-adolescência um inferno, bate um ódio tão grande que chego até a pensar que tô fazendo o curso que faço só pra esfregar na cara deles que eu, no fim das contas, ganhei.

    O foda é que tem um que é meu calouro e os outros de certeza vão se dar bem na vida…

    Pelo menos eu aceito as pessoas do jeito que elas são, tento compreender ao máximo pois sei como é não ser compreendida. Tenho certeza de que eles não entendem até hoje e acho difícil entenderem em algum ponto da vida deles.

    (um adendo: tive um coordenador IGUAL à tua diretora! malditos!!!! e ele ainda é meu vizinho de rua!!)

    Enfim, é pena misturada com raiva. Ainda sinto vontade de sair batendo (matar não, é pouco) em todo mundo e mostrando o quão merdas eles são.

    Bosta de vida injusta. D:

  10. Ana,

    não gosto nem de lembrar do meu ensino fundamental,especialmente a oitava série.era extremamente massacrada, e humilhada. e até hoje, lembro de TUDO, como se tudo aquilo tivesse me acontecido neste momento.

    então se tem algo que não sinto saudades, é da época escolar.

    bjs

  11. Eu não ia ler esse post, estava evitando,pois sei exatamente o que essas recordações péssimas me deixam…..bom….
    é complicado, acho que muita coisa na minha vida não deu certo, filha de pais separados, irmão com problemas e sofrimento na escola…Demorei muito para me tornar uma mulher sabe?! pois não só no Morumbi Sul tive problemas, no Concórdia de certa forma tb…não de você,mais como comentários: ” Pq vc não passa um lápis ou um batom!”….ou até que me falaram uma vez que cheirava mal e estava no Concórdia….muita coisa eu não comentei e fiz questão de apagar e espero de coração que se um dia eu tiver filhos, que não passem por isso…
    Fico triste que esse tema só seja discutido nos dias de hoje, imaginar que na nossa época essa palavra nem ao menos existia!

    é isso…

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