Vida nova em outra escola

Já contei que sofri horrores na escola, durante a minha pré-adolescência. E que finalmente sai de lá na 7ª série. Fui para uma escola bem menor, que tinha apenas 1 sala com 20 e poucos alunos por série. E, cara. Minha vida mudou. Eram apenas 6 meninas, não tinha mais aquela putaria de patricinhas-jogadoras-de-handebol que era no colégio antigo.

Como ninguém me conhecia, aproveitei para me soltar: mostrar o meu eu que jamais fora revelado na escola antiga. Não tinha nada a perder, né? Pior do que era não podia ser.
Mas olha como a vida é: me dei bem com todo mundo. Era um pessoal unido, que se conhecia desde criança, simples e alegre, que não sentia necessidade em diminuir as pessoas. Outra educação, outro mundo, sabe? Lógico que tinham as panelinhas: dos mais pops, dos esportistas, dos cdfs. Mas todo mundo se dava bem. Descobri que o problema era com o colégio antigo, mesmo. Eu poderia sim me dar bem em algum lugar. Tinha até gente me disputando! Juro! Imagine o que é para uma pessoa excluída a vida toda, ter dois caras discutindo abertamente por mim? UP na auto-estima, até porque eu não queria eles, e pegava um terceiro, do meu condomínio, que era temdêmcia. Fiquei amiga das pessoas, viajamos juntos, formatura… Como eu já disse: OUTRO mundo que eu jamais julguei que fosse possível, ou que eu tivesse direito a conhecer. Foi um ano incrível! Mas era 8ª série, geral ia sair do colégio e fazer o ensino médio em outro lugar. E eu sai junto.

Nesse meio tempo, conheci um pessoal do meu bairro que era de um ano mais novo do que eu e estudava no colégio que me odiou e me humilhou. Só que, ó a surpresa: amigos  DE VERDADE, alguns dos melhores amigos que tive na vida, e já soube disso no primeiro olhar. (Beijo, Thais!) Eram todos super populares, desses que a gente sabe o nome por inércia, sabe. Desses disputados, que todo mundo quer ser amigos. Desses que saem no cartaz de publicidade da escola colado atrás de ônibus público (note: no cartaz tinha 3 pessoas. Um era o moço temdêmcia do meu condomínio que eu pegava, outra era amigona). Precisava de mais alguma coisa?

1º colegial. Fui para um colégio que estava reabrindo. Novo e enorme, salas com 40 pessoas. Eu e o Chris (aquele ex-melhor amigo do mundo que virou gay) estudando juntos de novo. E aí eu comecei a andar com o povo mais popular, e virei DO FUNDÃO. Me dava bem até com pessoas de outra sala. Não era mais uma ninguém. Eu CAUSAVA, eu adquiri uma certa postura arrogante e pouco me importava com tudo. Só que o colégio era longe. Aí resolvi chutar o balde e voltar pro colégio que me rejeitava, agora super melhor amiga do mundo de praticamente um classe inteira de populares – a famosa e inesquecível 8ª B. Eu voltaria pro 1º colegial, mas com a segurança de ser amiga deles. E foi o que fiz. Voltei NA ARROGÂNCIA PURA, pq, né. Eu merecia. E, surpresa! Várias pessoas que me maltratavam anteriormente super fingiram ser minhas amigas, e ó, Ana, como você mudou! e blábláblá. #meucu, sabe. E eu cabulava aula, andava com as pessoas mais populares, e me sentia A MELHOR. Mas não destratava os não tão populares, não. Era até amiga do pessoal mais quietinho. Eu sei que foi um ano bizarro, e eu me sentia a rainha da Escócia andando com aquele povo popular, fazendo parte de um grupo popular. Interesseira? Olha… Era bom fazer parte de um grupo que não era humilhado e que não abaixava a cabeça.

E aí grande parte dos meus amigos populares resolveu sair do colégio pra fazer o 1º colegial num lugar decente, ou estudar a noite, ou supletivo, e lá fui eu junto, pq sem eles não tinha graça. E não tinha mais aquela segurança.

Voltei para o colégio pequeno, onde estudei na 8ª série. Com a Juliana – aquela que se fodia comigo na pré-adolescência, que acabou indo para lá também, e adorava.

Entrei numa sala em que conhecia 1 ou outro remanescente da 8ª, a Juliana e mais ninguém. E numa segurança inabalável. Com camiseta de rock, revoltadinha e tudo.

Numa época em que era bem rockeira frequentadora de shows, fiz amizade com outros amantes do rock. E ficamos amigos, a cada dia mais. Zoava horrores com o grupo que rapidamente formei, tinha confiança até para apresentar trabalhos, não aceitava ordens de professores, não me submetia a nada, respondia a tudo e a todos. Sentava no fundão da sala, no meu canto, só meu. Quando alguém sentava lá eu olhava feio. Sérião, me transformei em outra pessoa. E me orgulhava do que eu tinha virado. As pessoas me admiravam. Nunca na vida eu tinha sido admirada.

As notas? Tirei muita nota boa na vida. Resolvi que vagabundear e escrever piada na folha de prova era bem mais legal. Ficava de recuperação com gosto, colava em tudo que era prova – ô saudade que eu sinto da boa e velha mini-cola de papel – ouvia música na aula, jogava baralho em plena aula… Acabei ficando de D.P. em química – minha pior matéria. Ouvi falar em algum momento que C é carbono. Mas isso rendeu segundas-feiras deliciosas de pura vadiagem.

No final desse mesmo ano, briguei feio com toda aquela turma que era super minha amiga do bairro, do ano anterior ao meu no colégio. E reparei no potencial ainda maior do pessoal do colégio. Começamos a armar o puteiro juntos, iamos beber, passavamos a tarde no meu condomínio falando/pensando/tramando merda… Era L-I-N-D-O. Eram aqueles dias em que você ia dormir com a certeza de que se lembraria daqueles momentos pelo resto da vida. Tem tudo isso arquivado nesse blog, entre 2002 e 2003. Boa sorte se quiser fuçar.

E aí rolou o site da nossa sala. E começaram a chover xingamentos ao nosso grupo. E a mim, que era, como a coordenadora da escola definiu “a líder da gang”, título que me fazia sorrir de orelha a orelha. E os xingamentos… Coisa pesaaaaada. O povo entrava nesse meu blog e me xingaaaaava. Lia posts inteiros e comentavam o post, com ironias e xingamentos. Mas eu achava LINDO que tivesse gente que me odiasse tanto e mesmo assim gastasse horas de sua vida lendo sobre mim e comentando sobre mim. É muita fascinação, não é? Fala mal mas paga um pau.

Mas isso não era nada. No 3º colegial entrou um menino novo, e a gente formou um grupo tão coeso e amigo que parecia totalmente impossível para mim, antes. Era o “Fundão”. A gente zoava, a gente se xingava, a gente atrapalhava a aula, a gente causava. Causava inveja, causava raiva, causava riso, muito riso. E a gente se amava. A gente zoava os nerds – pois é, hipocrisia: trabalhamos. Mas eramos amigos deles. Era ESSA a diferença. Casa um pertencia a sua panela. Uns passavam o intervalo tomando sol e falando besteira. Outros ficavam na biblioteca. Outros jogavam futebol. Mas todo mundo se dava bem.
Aliás, um dos nerds era um puta amigo. O moço desse post, por sinal.

No fim, continuo mantendo contato com alguns deles, e “aqueles” continuam sendo pessoas que eu sei que posso contar forever. And ever.

OgAAACLZZCFQm8HDP8macF3WJZaSkOvaXa9GrKp9PvpUyJ1fvetRXHB3hpWY_UK6bXuj__dqCY2mJn4nA4VenOQS5jgAm1T1UOe8z474IVHM7AfRxcymW9xT7v5zEu tô na frente do cara de amarelo – um professor de religião que era um doce. Foto batida por outro professor muito foda, o Dexter.
SAUDADE ETERNA.

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7 comentários sobre “Vida nova em outra escola

  1. Que mudança radical :OO E como c mudou de escola, né?
    Ainda bem que n começou a destratar os quietinhos depois q virou pop. :B Ah, e o que restou dessa Ana rockeira que aprontava todas?
    Pois, quando mudei de escola, na sexta série, fui superbem acolhida e os professores me fizeram manter uma relação de muito respeito e admiração, alguns q eu falo até hoje. E o colégio todo era unido, mesmo cada um tendo um grupinho de mais afinidade, e apesar de ser grande. Foi a mudança da minha vida, mesmo eu tendo temido tanto; ainda bem que meu pai insistiu. Comecei a me interessar bem mais pelas matérias e meu grupo mais chegado tbm era assim, mas n tinha nada de rotulações e o engraçado era q o grupo da gente, dos q estudavam, tinha muita gente popular, eu acabava conhecendo o povo por causa deles. Os professores incentivavam muito todo mundo, a gente ria de tudo e era tão bom. Mudei de estado no segundo ano e, no começo as coisas foram complicadas, mas acabou q conheci muita gente legal, os prof eram engraçados e tal; ao contrário de vc, comecei a adorar muito química, a ponto de n saber se fazia eng. química ou jornalismo haha. Minha prof de química do segundo e terceiro anos é superespecial pra mim e falo com ela até hj, mesmo já tendo mudado de estado de novo :~

    Agora eu confesso que vez por outra me pego pensando ou ouvindo de alguém que um dia deveria fazer uma loucura dessas na vida, tenho até sugesões bem comuns como beber todas e perambular por aí. Mas ainda há tempo =x
    Beijo C:

  2. Meu tempo de escola foi uó… rsrrsr

    De popular, a desconhecida total assim como vc só que ao contrário… na escola de 5º a 8º era mega hiper popular e odiada por uma serie de meninas… Amava minha sala todo mundo super unido, nossa bom demais…

    Já o segundo grau foi super apagado… nem compensa… rsrsrs

    Que bom que com vc foi o contrário… rs

  3. Eu meio que sinto que te “conhecia” desde a última fase aí que você relatou, pq a Pri vivia me contando os bafos do colégio, então eu “conhecia” vocês pelos nomes.

    Aí eu conhecia a Pri e o Leandro do Senai, o que me levou a conhecer o Jean, que me levou a conhecer você! The end! 😀

    Eu estudei em 3 escolas, uma da 1° a 4° série, outra da 5° a 8°, ambas do meu bairro e péssimas, nunca gostei. A última em que fiz ensino médio era bem diferente, mas como nas outras, todo mundo era meio água e óleo.
    O único lugar que eu guardo saudade com muito carinho, e que realmente eu gostava das pessoas, foi o Senai, só!

  4. Oie! Não publica o comment que aguarda moderação, anterior a esse, ok?

    Olha, eu não tive fase popular na escola. Fui a impop desde a 2ª série até p último dia do terceiro ano do colegial, como já comentei ctg. Mas acredito que teria feito como tu, “chutado o pau da barraca” e super aproveitado meu “reinado” de “new popstar” num lugar onde antes tivessem me humilhado. Acho bacana porque, ao que tudo indica, você passou pelos dois extremos e aprendeu a “dosar”. A gente não pode se sentir o mínimo, nem se portar como sendo o máximo. Enfim. Divagações.

    O que importa é fazer amigos, DE VERDADE, não importa quando, nem como, nem onde. Isso é atemporal. A tribo da adolescência é útil e faz falta, pra quem não teve, mas a gente precisa aprender a descobrir quem a gente é por nós mesmos, bem lá dentro. Nada que não se possa fazer na cia dos outros, mas, certamente, algo que amadurece mais rápido quando a vida nos empurra do precipício e nos obriga a fazer isso sozinhos.

    É bom olhar pra trás e ser mais forte.
    É bom olhar pra trás e ser mais “a gente”.
    É bom olhar pra trás e ver que doeu, mas passou.

    Beijão!

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