Sobre gostar demais das pessoas

Um dia, eu tive um problema sério: dava muito mais importância aos meus amigos do que eles davam a mim.
Num mundo normal, gostar demais não seria um problema, mas para mim era. Cresci cercada de gente fechada, com a maior dificuldade do mundo em demonstrar o que sente. Daqueles que não rolava abraçar COM GOSTO sem ficar um puta climão, como invasão de um terreno estranho.

Na minha vida reina a não-reciprocidade, desde sempre. Eu amo alguém? Esse alguém não me ama, pelo menos não da mesma forma. (Aí repete essa fórmula 500 vezes = story of my life).

Eu deixava de fazer muitas coisas pelos meus amigos. Sou mão de vaca pra cacete, mas sempre me senti bem pagando coisas para eles. Eu me doava 100%. Me compadecia com as histórias, sofria mais do que os protagonistas. Em suma: amava mais do que era amada.

Mas aí o tempo passou, eu cresci, e a distância e a idade adulta se impuseram, me tornando aquilo que eu temia: alguém com dificuldade de expressar o que sente – pelo menos face to face, pq não há vergonha na internet. Alguém que valoriza bem menos os amigos. Alguém que vai preferir ficar em casa vendo séries sozinha à sair com amigos para um rolê não tão interessante.

Como pode? Em que ponto minha vida ficou tão chata? Eu sempre fui meio anti-social, amante da privacidade e do individualismo, mas eu tinha vida social. Eu tinha AMIGOS. Meus dias poderiam ser um tédio, como o são hoje, mas não eram. Tinha sempre alguém sugerindo de pedir uma pizza, de ficar na frente do condomínio conversando, de ir até a padaria ou de ficar na escadaria do prédio falando merda. Não tinha como sentir esse vazio que eu sinto hoje.

Tenho amigos que eu gosto muito, mas não é a mesma coisa. Nunca me doei aos outros como me doava a esses.

Aí foi aniversário de uma das melhores amigas que tive na vida, segunda-feira. Ela que me aprimorou na arte de dizer “eu te amo” e de abraço de verdade – se bem que ela fala tanto “eu te amo” que até desvaloriza; ela secou minhas lágrimas, ouviu minhas lamúrias, soube enxergar cor no preto e branco. Muitas, muitas vezes. Anos e anos seguidos.
Enfim. Foi aniversário dela. Óbvio que ela não atende celular, essa é uma característica nata dela. Daí lá fui eu no quase falecido Orkut dar parabéns. Na mesma página do scrapbook, recados de dois dos que um dia foram grandes amigos: um era o ex namorado dessa citada, outro… hm, difícil definir o outro. Amor platônico da adolescência, destinatário de dezenas de cartas de amor (sim, já fui dessas… – na real duas pessoas receberam cartas de amor minhas… esse e um outro, também do mesmo grupo de amigos. Eu sou uma completa idiota).

E os parabéns deles eram tão vagos… Como se falassem com uma desconhecida.

Como foi que nos separamos desse jeito? Dói, cara. Dói de saudade de um tempo que já foi. E que não volta, infelizmente. A gente mudou, cresceu…
Um dia eu tive amigos, e amei esses amigos. De uma forma ou outra, eles me amaram também. Me fizeram rir da vida, me animaram com as piadas idiotas deles. O fato de estarmos juntos era o suficiente.

E hoje não nos conhecemos mais.

P.S.: nos viamos todos os dias. O tal amor platônico era meu vizinho de porta. E hoje sabe há quanto tempo não o vejo? 1 ano e meio. Os outros, vi há alguns meses. Mesmo que todos estejam diferentes, foi um dos pontos altos do meu 2009.
Outro fez facebook recentemente e entrou no Mafia Wars e no Farmville (dois dos meus grandes vícios atuais na internet). Aí a gente fica trocando presente e eu fico feliz.

Pergunta de um milhão de reais: QUÃO TRISTE E PATÉTICA EU SOU?

OgAAABffIJgLchBzDEYUwS9XN85Kzk0mp5cfxPjHFIPXn6DeDpgv_94NBblKvXINL8BEdAY7ZenTGoYR5vo057qKN0gAm1T1UMxhzH8pGUcBn9kC4WUBgR3h4yH3Aí meu eu atual volta pra esse dia e grita para todos: SE ABRACEM! DIGAM QUE SE AMAM! ISSO VAI TERMINAR LOGO.

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10 comentários sobre “Sobre gostar demais das pessoas

  1. Ok, não vou dizer que cansei de me identificar com o que você coloca aqui pq n cansei, mas devo ter te cansado de ler o quanto eu me identifico com um monte de coisa que você posta :~
    Foi exatamente isso q aconteceu dessa vez.
    Sempre, sempre achei que gostava mais do que gostavam de mim em diversas situações, até hoje acho isso. É como se eu sempre tivesse à disposição das pessoas, disposta, de verdade, a fazer o impossível, de abrir mão de coisas muito importantes, enquanto elas não tão nem aí pra mim. Algumas vezes, eu pensava “não, mas quando a gente gosta de verdade, o próprio sentimento é bom o bastante pra valer a pena”, outras vezes, eu penso que eu que não valorizo o que as pessoas fazem por mim, não consigo enxergar que aquilo foi um baita sacrifício pra pessoa, mesmo q pra mim n custasse nada demais fazer.
    E claro que já me distanciei de um monte dos meus amigos (principalmente com tantas mudanças em tão pouco tempo), mas ainda me sinto nesse meio do caminho e n quero deixar q vão.

    Enfim, acho que c deveria insistir no contato. Provavelmente, com poucas conversas vocês voltariam a ser como antes. Deixe as séries pra depois 😐
    Beijo ;D

  2. Sabe o que é pior do que olhar pra trás e querer que o tempo volte e não ter esse tempo pra voltar…

    Eu não tenho, nunca tive um grupo de amigos, sempre 4 ou 5 amigas que hoje acabaram se desentendento e as que ainda vejo hoje percebo um certo ar de “Eu sou melhor que você” sempre que vem falar comigo… rsrsr

    Bjus

  3. Triste, Ana! Mas a vida é isso: “chegada e partida”. Um sem-sim de vezes repetida, incessantemente. Eu só estou elocubrando na questão, não aceitando, tampouco compreendendo. Até porque eu lido pessimamente mal com tudo isso. Essa impermanência moi meus nervos. E me alimenta uma angústia no peito. Mas SEMPRE será assim, o “tal” do eterno não existe. Quanto à “tal” da reciprocidade, disseram-me que existe, alguns, até, esfregaram-me (casais felizes, amigos inseparáveis) que existe… mas ó…eu DUVIDO! Ainda não experimentei isso.

    p.s.: Acho que nós duas viramos caso pro MADA – lembra da novela do Manuel Carlos? Mulheres que amam demais? POIS É!! Isso significa MADA. E serve não só pra relacionamento amoroso, mas pra relacionamentos em geral. Amar demás es fueda! =/

    Nada pior e mais dolorido do que falta de reciprocidade. Nem mesmo a solidão.

  4. Já achei que me doava mais que os outros,mas,hoje,vejo que não.

    Aah,essa saudade da ‘amizade adolescente’ vive em mim.Essa distância é coisa mesmo da vida adulta.
    Meus abraços apertados,que eu amo dar,ainda estão na validade,mas ‘eu te amo’ dito pra um amigo,faz tempo.
    E,realmente,dói.

    beijos.

  5. Pronto, eis um sentimento universal para os que ainda têm coração. Eu já tive uma sensação breve de que seria para sempre. E não foi. Foi estranho. Como uma corda forte que vai desfiando, até se arrebentar. E arrentou. Tentamos amar[rar] os pedaços, mas foi em vão. Deixamos de nos falar, às vezes rola só um aceno – por mais perto que estejamos um dos outros.

  6. Não é querer te consolar nem nada…na verdade, é uma constatação em uníssono com seu post. De repente caiu a ficha do quão afastada dos meus amigos eu me tornei. E não é do recém-namoro não…é q eu já andava reclusa. Silenciosa. Sem grandes demonstrações de afeto. Meio egoísta, até. E, de repente, lembro das turmonas que tive…das amizades que pareciam eternas, e daquelas poucas, duas ou três, que sinto mais falta.

    Oq dói, talvez, é q minha conclusão é diferente da sua…eu nunca penso que volta…eu penso ‘já foi’. Como se tivesse sido uma fase, em que todo mundo era mto puro e isso era o que permitia essa ligação tão intensa. E que hj, nada voltaria a ser o mesmo.

    =/

  7. Que saudade de usar calça boca larga com blusa de moletom…ai que tempo gostoso.
    É triste ne,as amizades nunca mais serao as mesmas =(
    Iai como esta sua terapia?
    bjaum

  8. Ellen disse:

    Sempre que eu penso ou falo sobre esse papo de “gostar demais” me vem à mente aquela música dos Paralamas: “saber amar | é saber deixar alguém te amar”. Entregar-se, dedicar-se aos outros é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque quem é capaz desse gesto se sente muito bem e ruim porque há uma linha muito tênue entre extrapolar seus próprios limites e a entrega ideal. Toda forma de afeto é válida, na minha opinião. Mas, como td na vida, a gente tem que encontrar o ponto de equilíbrio. “Saber amar…”

    Bjão Ana!
    Adoro seu blog =)

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