Um dia de trabalho diferente

Vocês sabem que eu reclamo do trabalho bastante, aqui e no twitter.

Quando soube, na segunda-feira, o que o dia seguinte me esperava, morri de preguiça. Ia acordar 5 da manhã, passar o dia em entrevistas e caminhadas exaustivas. Ia visitar a fábrica do cliente do meu trampo, a fábrica da International Paper em Mogi Guaçu, a 150 Km mais ou menos de São Paulo.

E aí a terça-feira começou. Acordei de fato 5 da manhã. Já suando em bicas. Mais um dia quente em São Paulo. Ônibus lotado, espera pelos companheiros chefe + fotógrafo + pessoal da outra agência que faz a arte e o moço fofíssimo da IP.

Chegamos lá 10h e pouco da manhã, de ônibus fretado e vazio. Fomos visitar o viveiro, onde as mudas de eucaliptos (que dão origem ao papel) crescem. Um sol a pino, dia azul, todo aquele verde, as pessoas trabalhando arduamente na preparação das mudas. Confesso que não demorou 1 minuto para que eu ficasse encantada, e ó que Biologia (e Química, posteriormente) jamais foram os meus fortes. Aprendi muuuuito sobre eucaliptos e o processo que dá origem às folhas que usamos a torto e direito nos cadernos, jornais, revistas, na impressora. Conversei com pessoas que trabalham há anos lá, e que gostam do que fazem. Desde cortar a ponta da plantinha, para evitar a “vapotranspiração” (oi, planta transpira? pois é!), ou seja, para não desidratar, até o povo que cuida dos elementos químicos adicionados à madeira.

Todo o processo, a quantidade de pessoas envolvidas e, claro, as plantas, conferem humanidade ao papel. Coisa bizarra. Jamais pensei que eu fosse curtir 1 décimo do que curti de fato. Fora que todo mundo era super atencioso. Em São Paulo, não estou muito acostumada a lidar com gente fofa e atenciosa.

E aquele calor de 40 graus, o composto de cascas de arroz tostadas e coco que compõem a base onde as raizes da muda de eucalipto se desenvolvem… É um mundo incrível. Engenhoso, esse tal de ser humano.

Eu sou boba. Me encanto com a maior facilidade pelas coisas. Com céu azul, sol forte e verde, o processo de fascinação fica ainda mais fácil.

Almoço em bandejão é divertido, também. Me senti tão… POVÃO. Sinto muita falta de uma vida mais humana, menos computadorizada. Menos msn, mais vida real.

Dentro da fábrica foi estranho. A minha visão Charles Chaplin de uma fábrica está bastante equivocada, já que praticamente todos os processos são programados por computadores hoje em dia. Aquela história de apertar parafuso está bastante ultrapassada. Agora, desde a mistura dos químicos, a lavagem, os cortes do papel são feitos por computadores. Os homens só reparam as máquinas e ficam atentos à falhas no processo. Não diria que é desumano… Desumano mesmo seria manter um cidadão por 8h numa fábrica que fica o dia inteiro com a temperatura acima de 40 graus, por causa do cozimento dos produtos. Fora o cheiro. É engraçado que, quando o fedor do enxofre se dissipou, senti um puta cheiro de pão assado. De padaria. Aí me liguei que um dos produtos usados na composição do papel é o AMIDO. Não demorou para eu enxergar os diversos barris de amido pela fábrica. Nice.

Saimos de lá 17h.

No caminho para São Paulo, depois de uma dormida, acordei vendo o Pico do Jaraguá resplandescente sob um céu azul, com rajadas de nuvens e o sol se pondo. Botei um Cartola pra tocar e fiquei apreciando o universo.

Ah, a vida é bela.

4 comentários sobre “Um dia de trabalho diferente

  1. Mas, fala sério q é mto bom qdo a gente sai de casa pronto pra ter um dia ‘from hell’ e, de repente, parece que tudo foi um paraíso.

    Fiquei curiosa, principalmente pela parte que vc fala do Charles Chaplin. Pq eu ainda tenho essa visão, sabe…e seria mto interessante se pudesse VER diferente. Engraçado a coincidência: sou vizinha de uma empresa que trabalha quase que com a mesma coisa da que vc visitou. Quem sabe um dia?…

    E, Aaaaaaaana, super obrigada sempre pelos coments no Excesso Intenso. Poucas pessoas conseguem ser positivas e deixar comentários realmente animadores como vc. ADOOOOOORO.
    =*

  2. Ah, vc só gostou do bandeijão porque foi uma experiência única! Vem aqui almoçar no RU TODODIA pra ver se é divertido! Ecaaaa…😉
    Bjo!

  3. Nossa, estou desatualizada por aqui.
    O mais perto que cheguei de uma fábrica, foram vinícolas e…esqueci o nome… “azeitícula” (?), haha, não sei o nome, mas o lugar que plantam azeitonas e fazem azeite, hahahaha. Achei legal também😀

    Que bom que você gostou, às vezes é bom fazer algo direferente, conhecer o outro lado da moeda. Talvez te ajude a ver com outros olhos as matérias chatissímas sobre papel que você tem que escreve, né?

  4. Ate que foi bom entao…odeiava quando tinha reunioes e treinamentos em outra cidade, pq eu nao tenho carro e so me fodo nos onibus por ai.
    Mas… as vezes era legal, conhecer pessoas diferentes,comer comida de outro ligar kkkkkkkk.
    Pois é viu, meu namorado apelo,vsf,criancisse total.
    bjaummmmmmmmm

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