Z’Oropa 2010, parte 2 – Amsterdã

Bom, vamos lá. Continuando:

Depois de me recuperar do stress com a polícia holandesa, fui tentar me virar para ir pro albergue. Tudo que eu tinha era o nome da rua “Zandpad”, porque emoção é o meu nome. Ah, importante dizer que com o stress no aeroporto esqueci de pegar um mapa.

Olha, mapa é mais importante do que roupa numa viagem. Me fudi.

Depois de seguir instruções de metade da população holandesa (impressionante como TODAS as mulheres parecem a Ana Rickmann), achei o parque Vondelpark. Meu albergue estava em alguma das saídas dele. Eram quase 9 da noite e o sol brilhava como se fosse 3 da tarde. Ah, o verão europeu. Mas o frio já dilacerava os meus lábios. Os holandeses, por outro lado, faziam piquenique, andavam de bicicleta, de patins e caminhavam com roupas de pleno verão. Shortinho curto, blusa cavada, vestinho… Êta povo tropical mal acostumado que somos.

Depois de dar umas três voltas (calculo eu) pelo maior parque de Amsterdã (é claro), me achei.

Gracinha meu albergue, não? Construção tipicamente holandesa. Na verdade, são três prédios, mas só esse é bonitinho😛 (do outro lado da rua fica o tal parque)

Entrei no meu quarto – para 6 pessoas – mas só 2 camas estavam ocupadas. Uma delas com aspecto de “armário”. 2 pessoas tomavam banho. “Fudeu: casal”, pensei. Minha sina, não adianta.

Saiu do banho uma japonesinha primeiro. Soltei um “hello” e ela um “alô”, assim mesmo. Aí perguntei da onde ela era: Brasil, São Paulo. haha mas é claro! Seu nome era Renata. Um tempo depois, o namorado saiu do banheiro, o Pablo. Era a última noite deles em Amsterdã, e me convidaram para sair por aí, não sem antes terminar com a Absolut cheia que estava na nossa frente.

Gostei do casal.

Estranho como ficamos apenas umas 12h juntos mas rolou um entrosamento sensacional, que raras vezes encontrei nas minhas viagens (que já são numerosas, thanks god!). Além disso, o Pablo era cheio dos lances espíritas. Queria me fazer ver as coisas por outro ângulo e que eu me soltasse mais. Tipo, nem me conhece mas me leu.

Aliás, me lembrem de mandar e-mail pra eles. Até hoje, quase 1 mês depois, ainda não mandei.

Lá pelas 23h, finalmente, começou a anoitecer. A cidade é meio morta depois que anoitece. Exceto o Red Light District, o famoso bairro da esbórnia, que tem mil coffee shops (onde vende maconha legalizada) e boates com prostitutas que se expõem na vitrine. Entendo o apelo do lugar, mas é pra turista ver. Porra, sou brasileira. Samba, mulher pelada na tevê em qualquer horário, traveco na Rua Augusta, checked. Mas imaginem um, sei lá, nórdico. Os gringos das terras distantes do primeiríssimo mundo ficam doidos. Tem oriental, tem gorda, tem magrinha, tem negra, tem loira, tem morena. Muitas delas são lindíssimas. A maioria, eu diria. (não, não tirei foto. Não saí com a câmera na primeira noite)

Sentamos várias vezes na beira de algum dos vários canais. Ficamos conversando e eles me apresentavam algumas variedades de maconha, haxixe e skank. Fumo muito raramente, mas poxa. Amsterdã.

Andamos pelo centro inteiro. City tour pela noite fria. Umas 3h voltamos ao albergue. Continuavamos só nós 3 no quarto, uma bênção. Bebemos um vinho vagabundo que eles tinham comprado anteriormente e… algumas poucas horas depois, já estavamos de pé.

Um café da manhã bem caprichado para um albergue. Tinha até nutella pra passar no pão, chique.

Anotem aí, crianças: se um dia forem para Amsterdã e ficarem em albergue, escolham um da rede StayOkay (são três na cidade. O meu era o Vondelpark, que não é TÃO perto do centro). A diária era coisa de € 20 por noite, com café-da-manhã incluído.

Ainda de manhã, fui com o Pablo a uma Coffee Shop conhecer o ambiente. Extremamente masculino e… bizarro. Nas mesinhas tinha seda disponível para a galera enrolar seus baseados!
Anyway… Eu não voltaria ali sozinha.

A tarde, aluguei uma bicicleta e, com meu mapa na mão, fui percorrendo as ruas e pontes sobre canais apinhados de gente andando de bicicleta. Gente de terno e gravata, mulheres com roupa social e salto alto (!), crianças de uniforme e mochila, pais com filhos nas costas, velhinhos, moças com flores na cesta. É um outro universo onde a bicicleta REALMENTE é um meio de transporte. Ninguém usa capacete nem nada, mas super funciona.

Minha bicicleta. O aluguel por 24h com seguro (furto de bicicleta é um crime grave na Holanda! haha) ficou carinho, € 17. Mas valeu a pena. Só assim para ter tempo de apreciar as paisagens sem me cansar tanto.

Um dos belíssimos canais… Maior paz

Um moinho de vento! Bem pra turista. Mas fazer o quê.

Passava horas olhando mapa e tentando decorar uma parte de um nome de alguma rua. Coisas como: Huygensstraat, Lennepkade, Passeendergraacht… Dêem uma olhada num mapa de Amsterdã. Tenso.

Mas passava tanto tempo entre bicicletas, visuais lindos, fotos (minha máquina é podre e a maioria das fotos nem vale a pena ser mostrada) e tal que esquecia de comer. Uma beleza ter acumulo de gordura no corpo, porque passava o dia inteiro bem. Ainda nesse dia fui ao museu Van Gogh, que achei meio decepcionante pelo preço – €14. Adoro Van Gogh e impressionistas no geral. Mas as grandes obras do Van Gogh não tão na Holanda! Tão no Louvre! Ou em algum museu de Londres. A tarde, deitei na grama ensolarada da Praça dos Museus, como toda a Europa adora fazer .

Na foto, dá pra ver o museu Rijksmuseum, o principal de Amsterdã (que tava em reforma :P). O do Van Gogh fica do lado oposto. Por isso “Praça dos Museus”🙂. Também dá pra ver um povo se exercitando, outro povo de boa no solzinho.

Sozinha a noite, não tinha tanta coragem para desbravar baladas (e nem curto, na real). Fui até o Hard Rock Café e fiquei por lá bebendo umas cervejas e saciando a fome.

18 de junho – Amanheceu um dia horrível. Cinza. Triste. Mas era o meu último e a diária da bicicleta ainda valia.

Resolvi ir na casa da Anne Frank, livro que por sinal levei para viagem e nem tinha acabado de ler ainda.

Para quem não sabe, a Anne Frank era uma menina de uma família judia que viveu escondida com seus pais, irmã e outra família em uma casa de Amsterdã durante a 2ª Guerra Mundial. O bacana é que eu ainda não tinha lido o final do livro, e a casa já GRITOU o final trágico que me aguardava. Mó spoiler😛 HAHAHA
Para entrar no esconderijo da familia Frank, paga-se € 9.

Se você não leu, não selecione o texto a seguir. (Poxa, nem sabia que todos  que tavam escondidos na casa eram presos e que só o pai da Anne voltaria com vida dos campos de concentração – e que ele quem publicou o seu diário.)

Enfim. BEM impressionante.

Depois, pra relaxar, fui na Heineken Experience. Olha, nem sabia que a Heineken é holandesa, então disfarça.

O lugar é a primeira fábrica da marca. E o tour é INCRÍVEL – para quem gosta de cerveja pelo menos. Mas o preço é salgaaaado. € 22.

Além da degustação (são ao todo 3 copos), tem toda a história da marca, o processo de fabricação e fermentação… Até nos dão pra provar o chá de cevada, ou melhor, a cevada ANTES de fermentar. Parece chá de regime haha. Para os publicitários, tem uma câmara com todos os comerciais da Heineken desde 1950 e lá vai bolinha. Toda a mudança de comportamento na sociedade, o espaço da mulher, a tecnologia, o lazer e o trabalho… Tá tudo lá. Vale a pena.

Morrendo de fome, fui achar o que comer. Entrei num bar com telões. Tava passando um jogo dos EUA X Esvolênia (ou Eslováquia?). No cardápio, uma coisa chamou minha atenção: ribs all you can eat for €9. Ahhh malandro! Cara, comi T-A-N-T-O. E ainda tomei dois baldes de cerveja (€2 cada, só!). Achei positivamente que ia cair morta. Mas aí um gringo doido começou a conversar comigo e com a menina da mesa ao lado, que, olha só: era brasileira. Carioca. Conversamos um pouco mas a achei muito blé. O português falado atraiu mais dois brasileiros que moram em Amsterdã. Ficamos papeando bêbadamente.

Já menos estufada de comida, parti para fechar com chave de ouro. Um passeio de barco pelos canais (€ 12).

A bandeirinha, o canal, uma ponta cheeeeia de bicicletas e uma pergunta: por que a seleção holandesa joga de laranja, se sua bandeira é azul, vermelha e branca???

Cara, tem cisnes e famílias inteiras de patinhos nos canais de Amsterdã, uma cidade com quase 1 milhão de habitantes! Ô primeiro mundo…

Um lindo exemplar de uma casa-barco. Imagine, morar em um barco? Em Amsterdã milhares de pessoas vivem assim.

Do passeio de barco voltei para o albergue para buscar minhas coisas. Fui para o ponto do tram (ou bonde). Fui até a Amstel Station, de onde ANOS-LUZ depois o meu ônibus para Londres saiu. Sim, decidi ir de ônibus pela economia: 1 noite a menos de hotel e menos de € 40. Só não contava com um ônibus sem banheiro (oi, 12h de viagem), uma poltrona desconfortabilíssima, um motorista que passava metade do tempo falando ao celular (AHAM!!! TE JURO!!! NA EUROPA!!!) ou ficava assoviava melodias medonhas. ah, e é claro: não contava com paradas longuíssimas na fronteira com a França e na fronteira com o Reino Unido (coisa de ” raioxizar” todas as malas and stuff). Isso porque só PASSAMOS pela França. Por outro lado, na fronteira com a Bélgica foi tranquilo…

Mais uma parte termina aqui.

No próximo capítulo: Londres com papi, Glasgow, Edimburgo e Paul Mccartney.

4 comentários sobre “Z’Oropa 2010, parte 2 – Amsterdã

  1. Nossa, que coisa essa casa barco, nunca imaginei! haha

    Pelo menos nesse albergue você deu sorte! e os outros, teve algum perrengue?

    Me disseram que a cor do uniforme das seleções não são nas cores da badeira e sim nasa cores da federação. (don’t ask me WTH it mean..) mas enfim, vários países tem uniforme da seleção diferente das cores da bandeira.

    Aguardando a próxima parte da sua jornada!

  2. Amei tua viajem a Amsterdam, gostaria muito de poder conhecer a Europa um dia, treinar meu francês, conhecer pessoas diferentes, me familiarizar com outros lugares…

    Tuas fotografias estão lindas, hahaha, e será mesmo que lá todo mundo é igual à Anna Hickmann? Bem, conheci uma holandesa uma vez, acho que deve ser mesmo…

    Querida, leia o livro da Anne Frank inteiro, vale muito a pena! Sua história não fala apenas sobre um episódio histórico, a Segunda Grande Guerra, o antissemitismo… na verdade, poucas vezes Anne toca nesse ponto em seus escritos. Ela nos dá o relato de sua vida, seu dia a dia, seus sentimentos. Talvez ela fosse até lésbica (afinal teve um dia que sentiu ‘curiosidade’ por uma amiga sua).

    Pena que o mundo seja o que é. Li já o Diário de Anne Frank duas ou três vezes, e me surpreendi ao conhecer a história de Zlata Filipović: as coisas se repetiram, meio século depois. Claro que uma coisa é perseguir um povo por causa da etnia e da cultura (no caso, os judeus), e outra é brigar por territórios (no caso dos sérvios, a querer manter o controle da Bésnia), mas há sim muita coisa que lembra.

    Se ainda não terminastes de ler o Diário de Anne Frank, termina, como eu disse já, vale muito a pena. Tens fotos de lá, do Het Ahterhuis, o seu Anexo secreto, onde ela e sua família ficaram escondidos? É meu sonho conhecer o lugar, não só por ser judeu, já conheci gente que visitou e fiquei com vontade.

  3. Bel disse:

    Ahahahaha! Não andei de bicicleta, (#frustração) mas vi os Van Goghs, no Museu d’Orsay, em Paris!!!!

    O bairro da putaria de Paris é o Pigale, e nós fomos lá com duas crianças (filhos da Geórgia), de 10 e 5 anos. Mas não tinha “vitrine viva”, não! No Mc Donalds do Pigale tava passando vídeo softporno, acredita??? e no como, em vez de “amo muito tudo isso” tinha: “o máximo de prazer”.

    Ansiosa pelo relatório de Londres!

    Bjooo

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