Vida que segue

Hoje almocei com minha avó e minha tia. Minha tia perguntou se eu estou feliz. Não soube responder. Eu poderia dizer que estou “normal”, mas normal não é bem a palavra. Infeliz não estou, mas passar o dia inteiro trabalhando e estudando e estar distante de todos os meus amigos não cabe no que eu interpreto como felicidade.

E é essa a minha situação agora.

Meu trabalho vai bem. Poderia estar melhor, não fosse o salário absurdamente ridículo, que me põe abaixo do salário de muita profissão que sequer exige diploma. Gosto muito das pessoas com quem trabalho. Me sinto EU. Não sinto mais necessidade de criar um personagem para o meu eu-profissional. O trabalho também é interessante. Me sinto útil para a sociedade. O problema lá é que a amizade se restringe às horas de trabalho e ao almoço.

– Antes de começar a USP, andei lendo arquivos desse blog. Como pude pensar que o problema era COMIGO em trabalhos anteriores? Nunca esqueço do meu chefe reclamando da minha falta de sociabilidade. E lá realmente o problema NÃO era comigo. Era um povo esquisito. Nada a ver comigo.

Pois bem. Assim anda a vida em Osasco.

Na USP, por um lado, adoro as aulas. Mesmo. MORRO de preguiça de ir à aula, de pegar busão lotado, chegar em casa 23h30, gastar fins de semana e feriado para fazer trabalho. Mas as aulas são BOAS. Me sinto aprendendo. Por outro lado, lá não tenho amigos. Mesmo. Não sei o nome de ninguém da minha sala.

E esses dois pontos constituem diferenças brutais entre a PUC e a USP. Na PUC, 70% das aulas eram picaretagem pura, outras 10% desinteressantes. Das dezenas de disciplinas que tive fazendo jornalismo na PUC, gostei de verdade de 4, 1 delas uma optativa de FONOAUDIOLOGIA, e outra de DIREITO. Ou seja. Por outro lado, tinha amigos. Amigos que considero e fazem parte da minha vida ainda hoje, 3 anos depois . Outros de quem morro de saudade.  Mesmo com picuinhas e panelas, o povo era meio unido. E na USP, é completamente diferente. Não há qualquer abertura nas poucas panelinhas, as turmas são enormes (100 pessoas) e as pessoas são bastante individualistas.

Espero que eu queime a língua, mas não me vejo com amigos da USP.

E a minha vida pessoal? Bom. Meio que inexiste.

Hoje, sábado a noite e estou em casa lendo textos de “História do Pensamento Geográfico” e fazendo um trabalho dificilzinho, que devo entregar terça.

Todos os meus rolês do ano tem sido como vela. Tá devastador o fenômeno de eu ser a única solteira em qualquer ambiente que eu esteja.  E ó que não tenho poucos amigos. Na galera da minha prima, é tudo casal. O povo da PUC, é tudo casal. O povo do Morumbi Sul, é tudo casal. E não tenho muita opção: ou saio com casal, ou fico em casa.

E a maioria desses rolês tem sido bons. Mas sempre acabo naquela deprê: o casal me dá carona pra casa. Chego, durmo sozinha, enquanto eles tem a noite inteira pela frente.

Porra, queria não reclamar a vida inteira da minha condição de solteira. Queria de uma vez por todas matar as esperanças de achar alguém, e viver não plenamente feliz, mas ao menos EM PAZ na condição de solteira para sempre. Mas não dá. Maldita esperança. MALDIIIITA esperança que me deixa aquele buraco todo dia, toda hora, sempre.

Bom, não vamos chover no molhado.

Não tenho viajado. Me falta companhia, ou coragem de fazer a milésima viagem da minha vida sozinha.

E aí fico nessas. Em casa, trancada no quarto, comendo kilos de chocolates e me aproximando perigosamente da marca dos 100.

Enquanto isso, meus pais reclamam que eu fico em casa. Minha mãe queria que eu fosse como ela era: uma menina linda, admirada, magra, desejada por metade da humanidade, que não parava em casa. Mas hello, mãe. Eu não sou assim.

Amo demais os meus amigos, mas já foi-se o tempo em que eu me matava para estar com eles. Foi-se o tempo em que eu me esforçava para vê-los, até porque a recíproca não é verdadeira.

É hora de viver para mim. Cada vez mais para mim, aceitando que eu vou estar sozinha. Posso contar com amigos, às vezes. Mas na maior parte do tempo estarei sozinha.

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3 comentários sobre “Vida que segue

  1. Somos duas! Também sou das poucas que está solteira entre as amiga. O que nos resta é sassaricar!
    Quando precisar de companhia pode gritar, porque mesmo sem te conhecer pessoalmente, gosto de você, tu é prima do Gabriel, poxa. Claro que vai ser legal! 🙂

    E olha eu aqui, sexta à noite em casa! 😐

    É a vida… rs

    Beijo!

  2. Nossa me identifiquei demais, sempre me matei por amigos e mtos deles ja me deixaram com cara de otaria esperando por ele…a real é o que vc disse, na maioria das vezes,estermos sozinhos,nao tem jeito.

    bjussss e parabens pelo sucesso na dieta!

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