Forever Alone

Sempre me orgulhei da minha independência e da minha capacidade em lidar comigo mesma, sem aquela carência extrema que afeta tanta gente por aí. Nada de implorar por companhia, nem de ter medo de fazer as coisas sozinha. Sempre viajei, fui ao cinema, fui a restaurantes by myself, e vou continuar indo sem me importar.

Mas isso era uma escolha. Sabia que se eu ligasse para meus amigos, eles sempre teriam algo para sugerir, e eu iria topar.

Mas as coisas mudaram. Não sei bem o que mudou. É certo que estou trabalhando mais, e alguns dos poucos convites de rolê no ano foram exatamente nos fins de semana em que estava de plantão no trampo. Nem trabalho o fim de semana inteiro, mas as poucas horas visitando obras são suficientes para me fazer chegar em casa exausta e dormir até o outro dia.

Outro fato relevante é que nunca antes na história desse país estive cercada de tantos casais. E daqui pra frente só vai piorar, mais e mais.

Minha vida não está uma merda, propriamente dita. Gosto do meu trabalho, sim. É o melhor que já tive. Mas me irrito profundamente quase todo dia com gente folgada que vê os coleguinhas se matando, enquanto lê blogs de culinária, e com a falta de confiança da minha chefe em mim para pautas grandes, e com os baixos salários e excesso de trabalho. Mas gosto daqui. Adoro meus coleguinhas de trabalho, que me divertem e não limitam o meu modo de agir. Posso ser eu. Acho lindo trabalhar num lugar em que me visto do jeito que quiser (hoje estou de calça jeans, camiseta da Camiseteria e all star. Anteontem estava de calça social e bota com salto. Só porque acordei na pegada). Falo meus palavrões em paz, rio até que bastante, reclamo como sempre.

Mas eles continuam como colegas. E são todos casados, com outras ideias de vida e de rolês. E são de Osasco, é claro. Não ter carro atrapalha.

Este é o primeiro trabalho na minha vida que tenho a consciência de não ser medíocre. Não chego perto de ser exemplar (como já dito, minha chefe não confia em mim para pautas grandes), mas sou hardworking. E geralmente faço as coisas com gosto. Adoro ir pra rua trabalhar, ir a eventos de várias secretarias, falar com gente de todas as profissões possíveis. Mas continuo odiando trabalhar 8h por dia.

A faculdade vai indo. Fechei o primeiro semestre lindamente, cheia de notas 8. Gosto das aulas. Mas continuo #foreveralone. Chega trabalho em grupo e é aquele sofrimento sem fim. Terminei o primeiro semestre sabendo o nome de 3 ou 4 pessoas da minha sala, que tem 90. E não tenho perspectivas de terminar o segundo semestre muito além disso.

Isso sem contar o eterno problema de ser mal amada. Aliás, não amada. Outro dia, distribuiram camisinhas aqui no trabalho. Eu já tenho 500 em todas as bolsas e gavetas possíveis PERDENDO A VALIDADE. Recusei. No dia seguinte, a pessoa que distribuiu ligou aqui. E eu disse a ela que, além da camisinha, teria que me dar alguém com quem usar.

Hahaha juro. E ela ficou de ver se tem algum médico pegável por lá. (Mas não vai ter. Nunca me arranjam um blind date.)

Ontem a chefe deu rosas para algumas pessoas daqui. Eu estava fora, e não sobrou pra mim. Quando soube, disse: “poxa, ninguém nunca me deu flor. nem a prefeitura!”. Arranquei suspiros de comoção e quase lágrimas dos coleguinhas, que não acreditaram que ninguém nunca me deu uma flor. Mas um dos coleguinhas sacou: “já teve um relacionamento de mais de 6 meses?”. Zaz.

Será que conta como “flor recebida” a vez quando um cara que eu ficava tava com uma flor na mão e disse pra mim: “Cheira isso: flores da cidade não tem cheiro”…?

hahaha. Romântico.

Fora isso, minha dieta vai indo até que bem. Tive deslizes sérios, como ontem, por exemplo, que comi cinco mini-carolinas no evento da Secretaria da Educação (nunca resisto a pautas com comida), e a noite mandei ver um pote de nutella inteiro, sempre na ideia do “perdida por um, perdida por mil”.

Mas já emagreci mais de 10 Kg.

Estava com 93,2 quando comecei a dieta, hoje estou com 82,8 Kg. Faltam uns 20 ainda, mas vamos indo. Pelo menos já entro com folga em todas as minhas calças jeans 48, que estavam extremamente apertadas.

Ah, fora isso, minha doguita querida não anda muito bem. Tá com 14 anos, e agora a velhice tá batendo. Tá completamente surda, mas ainda enxerga. Tá cheeeeeia de verrugas no corpo. Ainda come bem e bastante, não tem problemas na coluna, nem no coração. Mas tá com sangramentos na boca. É que ela é super ansiosa e começa a comer a pata com a maior obsessão. Aí as unhas rasgam a gengiva dela. O fato é que o fim dela se aproxima =(

Agora vou almoçar.

E mais tarde vou embora, com mais um fim de semana sem a menor perspectiva de sair de casa.

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Um comentário sobre “Forever Alone

  1. ADOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORO qdo vc posta. Esses dias andei lendo um montão de coisa antiga sua, pelo Reader, só por gostar do jeito que vc escreve mesmo. Sincero, real, sabe? Sem metáforas e cu doce e coisa e tal. Tem muitos blogs bons na blogosfera, creia-me, mas gente que escreve assim é raro. Sério mesmo.

    Então. Imagino do que vc esteja falando, o que vc esteja sentindo. Assim que terminei o namoro – e já andava sendo assolada por esse pânico tipos, sei lá, um mês antes – intui que estava sem amigos. Sem amigos = sem gente pra sair = fds inteiros, longos, aflitivos em casa pensando na dor, no ex, nas loucuras, etc. Essa semana tive a surpresa de ver que tem um montão de gente que tb ficou solteira de repente e, muita gente que quer sair comigo (amigos, amigos). De repente fui eu que percebi ainda não ter clima pra cair na noite e fazer certos programas e, não sei como dizer não. Pq eu tenho medo que as pessoas desistam da minha amizade, de tentar me animar, e coisas do tipo. Fico com medo de estar sozinha, de verdade. Depois me pergunto até onde alguns amigos são companhia mesmo, sendo que por qualquer motivo a gente some um do outro depois – férias, namoros, etc.

    O q eu tenho feito? Ficado em casa, então. Faço minhas coisas. Converso com gente da net. Leio, converso com as cachorras (que não me respondem nada, mas uivam lindamente), vejo tv e durmo infinitamente pra ver se o tempo passa mais rápido. Sei que eu dizer que eu do lado de cá passo por isso tb não alivia em nada o seu incômodo por isso. Mas pelo menos eu aceno pra vc, e digo ‘ó, Ana, vc não é o monstro do pântano, tem mais gente legal sozinha em casa’ (eu sou legal, né? hahahahaha). Às vezes eu tenho a sensação que a gente se sente mais sozinho ainda pq tem pessoas ao nosso redor – Facebook e afins – divulgando que estiveram em mil festas, mil encontros, eventos, bares, teatros, com 1488 pessoas diferentes. Mas será que eles não ficam sozinhos hora nenhuma? :/

    Outra coisa: feliiiiiiiz com sua dieta (pq sei que essa questão de peso é algo que te incomoda e talz). Que bom que está dando certo. Tenho vontade de morrer qdo vejo alguém super se esforçar pra seguir uma certa dieta e, não resolve nada. Eu comeria em dobro pra compensar ¬¬ Me fala, o que são mini-carolinas? (imaginei minha sobrinha loirinha em tipo, sei lá, doce de leite ninho, sabe? que parece biscuit. ahahahah)

    E, a última coisa: sinto sinceramente pela sua cachorrinha. Muito mesmo. Sei o quanto vc gosta de bicho e, então, o quanto deve amá-la. Amo as minhas de uma jeito até doente :/ Mas me deu vontade de falar uma coisa. Ana, deixa ela sofrer não. É mto ruim pensar em certas coisas, e acho que é até cedo, ela tá consciente, enxergando e tudo, mas…não deixa ela sofrer muito não.

    Bom fds. Qualquer coisa me manda um sms, se tiver mto ruim ficar aí sozinha, hahahaha, vou mandar meu cel por dm.
    😉
    ;*

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