E daqui pra frente?

Falta menos de um mês para eu terminar o primeiro ano de Geografia na USP. Primeiro ano, numas. Porque no segundo semestre tranquei a metade das matérias. Não tenho mais idade pra trabalhar o dia inteiro e depois estudar a noite inteira. Fora perder fins de semanas inteiros fazendo trabalhos.

Com isso, chego ao inevitável momento de me perguntar o que caralhos eu quero da vida. De novo.

Queria demais saber planejar o futuro. Vejo pessoas próximas planejando casamento, comprando casa, carro, aplicando na bolsa, fazendo pós, mestrado… Coisas de longo prazo. Mas eu… não sei. Não sei nem o que vou jantar, vou saber o que quero pros próximos 5, 10, 15 anos?

E eu aqui, sem saber se gosto da minha profissão a ponto de viver disso pro resto da vida. Sem saber pra quê raios estou fazendo uma outra faculdade.

Tá, eu sei o que eu quero pro futuro. Um amor que goste de cachorros e uma conta bancária confortável.

Estando faaaaaaaaaaaaaaar, faaaaaaaaaaaar away de ambos, não vejo muito sentido em planejar coisas.

Enquanto isso, meus amigos vão adultecendo. E eu empacada. Exatamente igual a como estava no começo da primeira faculdade.

Não vejo sentido em sair da casa dos meus pais. Não tenho problema de trazer gente em casa, porque, né. Sou filha única, portanto meu quarto está seguro. Nunca tive que dar muita satisfação – até porque nunca fui do tipo que sai de casa segunda e aparece na sexta com as roupas rasgadas e cheias de lama – e, claro: NÃO TENHO DINHEIRO. Minha poupança, acumulada desde que comecei a estagiar, em 2006, não paga nem um carro popular, que dirá a entrada de um apartamento. Aqui tô confortável, comida e roupa lavada. PRA QUÊ sair daqui, meu deus?

Tenho pensado em prestar concurso público. Porque gosto do meu trampo, que é exatamente o que um jornalista concursado faz. A diferença é que não sou registrada e nem tenho os direitos do CLT. Fora que depender de politicagem é foda.

Acontece que só tenho pensado. Nunca nem tentei prestar um concurso.

Voltando à USP: tá UM SACO. UM PORRE. Continuo sem amigos. E as aulas que tenho esse semestre são todas em grupos, então sempre me fodo. Quando tento fazer sozinha, tomo bronca de professor. ME DEIXA, sabe.  Mas falta um mês, só. Ano que vem, se Alá quiser, vou ter matérias melhores.

Daí que recentemente tinha uma crise fortíssima. Daquelas que começam sem um porquê, mas que trazem a tona tudo aquilo que ficou acumulado desde a última crise.

E o ano de 2011 vai chegando ao fim. O que ficou? Bem poucas coisas. Parece que a cada ano são cada vez menos bons momentos para guardar na memória.

Andei totalmente irregular na minha dieta sem carboidratos. Fui a muitos bares, tomei altos porres, churrascos e talz. Comi muitos doces, até Mc Donalds encarei. Mas pelo menos não engordei.

Agora voltei à dieta. Na batalha pra sair dos 80 (falta pouco).

Anúncios

7 comentários sobre “E daqui pra frente?

  1. Bel disse:

    Essa angústia de não saber o que quer (além de um amor que goste de cachorros e uma conta bancária gorda), é terrível mesmo.
    Não sair da casa dos pais não é pecado, ainda mais se vc trabalha e estuda. Se meus filhotes tivessem trabalho e estudo aqui na capitania, eu não me importaria de tê-los por perto…
    Quanto à dieta… ai ai ai, cuidado. Eu tb tô estacionada, mas “pelo menos não engordei”. Só que isso pra mim não é suficiente. Depois dos 40 fica tudo muito mais difícil.
    Enfim… compartilho suas agonias… pena que nem posso ajudar. 😦

    Bjooooo

  2. Sei como é estar “sem rumo”. Depois que saí da escola, fiquei 3 anos sem fazer nada, e vendo todos os meus amigos escolherem a carreira, faculdade. Só esse ano, comecei a faculdade, mas estou amando. É chato, mas às vezes, é bem isso, precisamos de tempo pra escolher o caminho certo. Agora falta o amor que goste de cachorro rs. Tô vendo tb todo mundo fazendo planos com alguém ao lado, mas embora eu sinta falta, vou esperar o cara que me parecer certo.

  3. Eu não sei se vc pensou nisso qdo postou, mas eu li o título e já fiquei pensando naquela música ‘daqui pra frenteeee, tudo vai ser difereeeeeente…’ sabe? hahahahaha

    Vou te falar uma coisa. Eu fico meio aliviada de ver mais gente em conflito a não ser eu. Eu tou terminando a segunda e, embora saiba o que eu quero (trabalhar com marketing, oras bolas) eu tenho todas essas perguntas na minha mente e resposta pra quase nenhuma. Será que eu devia fazer programa de trainee e tentar ir embora? mas pra que eu quero sair da casa dos meus pais? da Coca? Fica todo mundo me cobrando uma postura diferente da que eu tenho, e eu sem saber no que apostar. Claro que eu tou super afins de ganhar mais, comprar meu carro, essas coisas. Mas, em compensação, eu não sei se a relação custo x benefício pra mudar as coisas valem a pena. E, as pessoas que me cobram isso, não estão vivendo nem um pouquinho melhor que eu, sabe?…

    Comentei naquele estilo, não resolve porra nenhuma, mas pra vc não se sentir tão sozinha. E, sim, pra achar os bons momentos de 2011 é necessário algum esforço, puxar pela memória, esses sacos. Daí eu me pergunto o que foi feito daquela fase da minha vida em que coisas boas aconteciam a olhos vistos. -.-

    ;*********

  4. Também sinto que a cada ano, as boas memórias ficam menores. Ou, vai ver, esse ano de merda é que me deixou com essa impressão. Meus amigos também estão adultecendo, todo mundo casando, tendo filhos e eu fico me sentindo à margem, sabe? Não sei o que te dizer pra te deixar melhor, pq eu não sei nem resolver os meus problemas, que dirá os seus, mas olha, eu tento pensar que cada um tem seu tempo e que as coisas vão acontecer quando tiverem que acontecer. E quando eu não sei pra onde ir, acabo não indo pra lugar nenhum – ou pra qualquer um. No final das contas, a vida é isso: a gente fica com os olhos no futuro, sem aproveitar o presente. Eu tô tentando muito fazer com que o meu presente melhore, pra eu conseguir ter fé no meu futuro. E, calma, vc tbm tá fazendo bastante coisa por vc. Se vc observar bem, vc é tão privilegiada! Com certeza já fez mais coisas – e teve mais oportunidades – que a maioria das pessoas do mundo.

    Bjo bjo

  5. Mais uma vez me encaixo em cada palavra sua. Não sei o que quero da vida, e nem sei se quero continuar a ser jornalista, não sei, não sei, não sei.
    Daí, esses dias, conversando com um senhor jovem de 58 anos, falei sobre essa minha indecisão da vida, de não estar certa se é isso que quero pra ela. Ele me respondeu que, aos 58, muito bem sucedido na carreira de engenheiro ainda não sabe se é isso o que ele quer.

    Isso me conforto e me desesperou. Talvez eu fique assim a vida toda, talvez seja normal essa inquietude, mas é chato pra caralho.

    Acho que vou fazer as malas e dar uma volta pelo mundo pra ver se decido o que querer da vida, rs

    Boa sorte, pra você e pra mim 🙂

    Beijo!

  6. Eu to com 27 e fico me perguntando se quero trabalhar com publicidade pro resto da vida.
    Gosto do que eu faco mas nao ao ponto de fazer isso pra sempre. Acho normal vc pensar assim e acho que a maioria das pessoas uma hora ou outra se pergunta.

    Parabens por estar finalizando seu curso!

    bjus

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s