EUA 2012 – parte 1 – Miami

Sei que tá velho.

Como todo mundo que convive comigo física ou virtualmente soube, passei bons 20 dias entre março e abril nos Estados Unidos. Viagem planejada há tempos, tendo como minha prioridade Nova York. Sempre quis conhecer a Big Apple, e achava um grande furo no meu título “viajada” não conhecer os Estados Unidos e, principalmente, Nova York. Um palco de cultura, de consumismo, de jornalismo, sede de grandes multinacionais, exportadora de modas, manifestações e políticas. O centro do mundo ocidental.

Daí que com o lançamento do parque do Harry Potter em Orlando, há uns dois anos, comecei a querer ir pra lá também. E já que estamos em Orlando, porque não passar pela Disney, ao menos pra tirar uma foto do Castelo da Cinderela, não?

E assim começou o roteiro da viagem, lá pela metade de 2011.

Nesse meio tempo, uma amiga de infância começou a fazer também seus planos – ela já tinha ido a Disney, mas queria demais conhecer o parque do Harry Potter – POUCO VICIADA, ELA. Daquelas que tem fan clube, que participa de eventos, de RPGs e nerdices que estão além do meu entendimento (e do meu gosto pela saga – amo HP, mas ler os livros e ver os filmes é o suficiente).

Enfim: decidimos ir juntas.

Pânico total – sou filha única, individualista, egoísta, curto praticidade e rapidez.  E sempre fui uma viajante individual. Com ela, temi perda de privacidade, de liberdade e desorganização da agenda (apertadíssima).

Mas vamo que vamo.

Decidimos pelo final de março – começo de abril. O tempo estaria perfeito: um calor NÃO TÃO ABSURDO na Flórida e um frio agradável em NY. Baixa temporada.  Preços menores, menos gente, menos filas. ESSA ERA A IDEIA.

A passagem aérea estava cara, então meu pai me deu as milhas dele, e pegamos tudo de graça: SP-MIAMI / NY-SP. Só pagamos o trecho Orlando – Nova York (algo em torno de R$ 300 pela American Airlines).

Chegou a véspera da viagem e eu estava morrendo de dor de garganta, que começou por conta da noitada fooooooorte na sexta-feira anterior (16). Mas isso é outra história. O que importa saber é que a partir da sexta dormi maaaaaaaaaaal até o dia da viagem, quando acordei 5 da manhã pra ir pro aeroporto. E ainda tinha trabalhado no dia anterior.

20 de março

Papai, além das milhas, me deu a oportunidade de voar de classe executiva, por algumas milhas a mais. Com isso, tive certo conforto, IMPOSSÍVEL na classe econômica.

Decolei 10 e pouco da manhã. Vôo inteiro diurno. Do meu lado, uma mulher esnobe não ficava quieta: falava dos filhos e das namoradas dos filhos, do marido e, claro, do apartamento dela em Miami, e de como ela viajava o mundo para assistir campeonatos de tênis, sua grande paixão ZzZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Não consegui ver paisagem nenhuma no voo. Tudo nublado. E a janela da executiva fica meio longe da poltrona, não é que nem na Econômica, que é tudo grudado e dá pra se apoiar na janela. Em compensação, faltando meia hora para pousar, Bahamas surgiu diante dos nossos olhos. E eu mal conseguia olhar porque a rica chata do meu lado não parava de me cutucar pra falar alguma inutilidade. Saco.

Mas deu pra ver um pouco daquela água quase transparente do Caribe e seus vários tons de azul. Lindo.

Pousamos umas 17h e pouco. Desacreditei na calma do aeroporto: não tinha viv’alma no controle do passaporte (o tio da imigração só perguntou se eu tava sozinha – respondi que minha amiga chegaria depois de amanhã) e se eu ia festejar um pouco. Minha mala não demorou nem dois minutos pra aparecer na esteira. Uma beleza. Até porque tinham me falado que o aeroporto de Miami era caótico.

O transfer do hotel demorou bastante, uns 40 minutos.

Cheguei no hotel, fiz check-in, me joguei na deliciosa cama de casal do quarto, liguei por skype para meus pais, li um pouco – “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingway – e capotei.

E dormir mal de novo, acreditam? Toda hora acordava, ficava virando na cama, incerta se estava morrendo de calor ou de frio. Uma hora desisti de dormir e continuei a ler.

Nesse meio tempo lembrei de carregar meu celular. Fui lá na tomada e óbvio que eu precisaria de um adaptador. BURRA QUE SOU, toda viagem que faço tenho que comprar um novo carregador. Sempre esqueço.

O hotel: SLEEP INN MIAMI AIRPORT – 2 diárias = U$ 225 (com taxas inclusas)
Optei por conta da proximidade  com o aeroporto, pelo transfer gratuito e pelo café da manhã incluso – sou daquelas que, em viagem, para economizar em comida, come feito porca no café da manhã incluso.
O quarto, com cama de casal e ar condicionado, era bom e espaçoso, mas as paredes eram muito finas. Maior barulheira vinha das vizinhos altas horas da noite.

21 de março – 

6h da manhã já estava banhada e tomando café-da-manhã. Bem bom o café, 3 opções de fruta (aprenderia, nos próximos dias, o quanto fruta era raridade nos EUA), vários tipos de pão, vários tipos de cereais e suco. Deu pro gasto.

Em seguida fui pro aeroporto, porque de lá saía um ônibus para Key West, meu plano de passeio para esse primeiro dia. Li no mochileiros.com e em vários sites que o ônibus saia às 7h40, às 11h40 e às 17h40. Cheguei lá e depois de andar feito um burra de carga pelo aeroporto e de perguntar para trocentas mil pessoas de onde saia o ônibus, achei. E descobri que o ônibus das 7h40 não existia mais. Resultado: teria que esperar QUATRO HORAS. Até mais, porque cheguei super cedo no aeroporto pra mim garantir.

Primeiro fui atrás de um adaptador de tomada. Lá se foram 16 dólares (mais, na verdade, porque tem sempre a merda da taxa que não está inclusa no produto). Achei uma tomada, coloquei o iPhone pra carregar e continuei a ler Hemingway.

Minhas leituras de viagem sempre têm a ver com o destino – Hemingway viveu por um tempo em Key West. Lá tem até museu na casa dele e talz.

Terminei o livro e fui passear pelo aeroporto, um verdadeiro shopping center, com hotel e tudo. E consegui conhecê-lo e decorar cada loja, pra terem uma noção de quanto apodreci lá.

O ônibus para Key West atrasou e acabou sendo bem mais caro do que me informaram as fontes – mochileiros e outros sites de turismo diziam que eu gastaria U$ 50  ida e volta. Gastei U$ 90. Fui pela companhia Greyhound, bem conhecida nos EUA, e acho que a única a fazer esse trajeto.

Key West é a extrema ponta sul dos EUA. Deixa que eu desenho:

Além disso, de Key West a Cuba são apenas 40 milhas (pq lá tudo é milha. 1 milha = 1,6 Km).

O trajeto foi longo, e demorou pra ficar interessante. Eram 4h de bus, e só a partir da segunda hora é que começamos a passar por Everglades, a enorme reserva ambiental que ocupa boa parte do sul da Flórida. E então… MAAAR. A primeira visão foi impactante: todo aquele verde do Everglades e o oceano caribenho, um azul esverdeado que a gente não vê em qualquer lugar.

O trajeto que liga a ponta do continente a Key West passa por pontes atrás de pontes – a maior delas com 7 milhas de extensão. Por quase todo o caminho tem ciclovias, e fiquei viajando ao me imaginar com uma bicicleta lá.

São dezenas de ilhas no trajeto, cada uma mais linda que a outra.

Cheguei a Key West 16h e pouco. 17h30 era o último ônibus para Miami, e eu não tinha escolha. Não sabia que demoraria tanto e que só tinha ônibus às 11 da manhã. Tive que ficar pelas redondezas do aeroporto. Nessa 1h30 deu tempo de andar até a praia, correr uns 20 minutos no calçadão e tirar boas fotos. Mas não cheguei nem perto do centro histórico de Key West.

Tanto na ida como na volta o ônibus parou num Burguer King. Comi uma cebola empanada no almoço e um hambúrguer no jantar.

Na volta pegamos uma tempestade sinistra na estrada.

Cheguei no aeroporto, peguei o transfer pro hotel e morri.

Dessa vez dormi bem.

22 de março – 

Acordei, tomei café, fiz check out no hotel e fui pro aeroporto esperar a Pri, que chegaria às 8h. No dia anterior pude passear bastante pelo aeroporto e achei um bom ponto de encontro, debaixo de uma parede rosa choque.

Cerca de 1h depois ela apareceu – tinha fila na imigração.

Novamente, eu já conhecia o aeroporto de cor, então soube exatamente onde ir para pegar o ônibus para Miami Beach, que super deu certo e foi bem barato, não fosse o fato de descermos um ponto antes.

South Beach é um NOJO.

Não tenho outra palavra para definir. Exibição de corpos, carros, roupas. Esnobismo. Argh.

Por outro lado, as praias são muito bonitas.

Deixamos nossas tralhas no albergue – ainda não era hora do check in – e fomos andar. Fomos até a ponta de South Beach, andamos pela areia, tiramos fotos e fomos almoçar. Comi uma bela salada – me matando para não engordar nos EUA – e uma budweiser ^^

Voltamos para o albergue. Agora sim, check in.

Ficamos no Deco Walk Hostel. O escolhemos pela localização excelente – na frente da praia, no meio do agito (só não sabíamos que o agito não era a nossa, mas…). Foi bem caro. 3 noites U$ 250 cada. Culpa de um festival de música eletrônica badaladíssimo que ia rolar no fim de semana bem pertinho do hotel.

O quarto era misto – tenho uma tese: mulher é mais porca que homem. Quando há mulher no quarto, homem se comporta. Quando só há mulher, não raro entramos no quarto e a mina tá raspando a dita-cuja no meio de todo mundo. ARGH.

A noite combinamos de encontrar a Thais, amiga da Pri que mora nos arredores de Miami, num shopping, que era mega longe do nosso albergue. A encontramos e ficamos batendo papo por um bom tempo.

Agora um porém de Miami, que a rica esnobe tinha me alertado no avião mas não prestei a devida atenção: GALERA ABUSA DO AR CONDICIONADO. Não é um abusar nível hotel de luxo. É botar o bagulho no talo. Em todos os lugares possíveis. No ônibus urbano, por exemplo, a Pri ficou roxa de frio – incautas, não levamos blusas. Eu estava de VESTIDO. Foi tenso demais. Ainda falando do ônibus, tinha wi-fi no transporte público de Miami! Não é incrível?

23 de março – 

Tínhamos fechado, no dia anterior, um rolê de one-day-trip para Bahamas. Não podemos perder uma oportunidade dessas, não é mesmo?

Fechamos o passeio com o hostel que, filho da puta, cobrou um extra fodido pelo transfer até o porto. A passagem do navio era U$ 90, mas pagamos mais de U$ 200 cada, para incluir o transfer.

Com passaporte às mãos (Bahamas é outro país, NÉAM), o transfer nos levou até o porto, em Fort Lauderdale, a 1 hora de Miami. O embarque foi às 9h, e demoramos umas 2h pra chegar à Grand Bahamas, de onde pegamos uma excursãozinha para uma praia que não lembro o nome.

Passamos o dia na vida mansa da praia de poucas ondas e águas transparentes.

Fiquei meio decepcionada com Bahamas. Achei que fosse mais bonito. Mas culpo a praia. Não tivemos muita escolha… Era essa praia ou um cassino ¬¬

Foi um dia bem agradável.

Voltamos para Miami e chegamos ao albergue em tempo de dormir o sono merecido.

24 de março – 

Passar o dia todo passeando com a Thais. Foi uma delícia. Ela nos levou pra conhecer quase toda a costa de Miami, fomos a Outlets – fiquei ENCANTADA. Pela primeira vez na vida entendi porque as pessoas viajam pra comprar. Outlets são um sonho. UM SONHO. Comprei tênis de U$ 20 dólares, comprei óculos escuros de R$ 30 – almoçamos Mc Donalds, fomos à praia no distrito de Aventura e assistimos um casamento na praia. Foi um dia delicioso, cheio de aprendizados sobre os norte-americanos, a língua inglesa e talz.

 Na inauguração de um novo Mc Donalds, pagando de americana obesa – hahahahah

Ó lá o casamento na praia.

Nos enxotaram sem dó da praia que é PÚBLICA, mas beleza, ficamos assistindo. Foi fofo. Quase chorei.

A noite, fomos a um shopping ao ar livre e… tchãnãnã… a um CASSINO!

Perdi meu U$ 1  na velocidade da luz, mas foi divertido.

Depois a Thais nos levou pra tomar o sorvete mais obeso que já tomei, numa tal de COLD ROCK sorveteria. Delícia. Foi nosso jantar.

Mais tarde ela nos deixou no albergue e assim acabaram nossos dias em Miami.

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