México 2013

Mais uma viagem incrível para o meu currículo.

A Cidade do México foi a minha primeira viagem internacional de 2013 (espero que não a única!). Mais uma vez, com despesas aéreas e de hospedagem pagas por papai, lá fui eu conhecer um novo país.

O que motivou meu pai a ir para o México foi sua vontade de conhecer Puebla, uma cidade vizinha à Cidade do México (na capital ele já esteve algumas vezes). Também o fato de as passagens aéreas estarem baratíssimas. UM BEIJO PARA AS PROMOÇÕES DE PASSAGENS AÉREAS 😉

Sei nem quanto custou, mas foi barato. Nível bem @passagensaereas (se você gosta de viajar e ainda não conhece esse twitter/site… I feel sorry for you.)

Enfim. Papai me convidou para mais uma viagem pá-pum, bate-volta. Seria durante o feriado de Corpus Christi. Ida na quarta-feira, volta no domingo. Ao todo, 2 dias inteiros para a Cidade de México.

Mas o que fazer com apenas 2 dias na segunda maior metrópole da América, a 4ª maior metrópole do mundo? Uma das regiões mais ricas e importantes na história da América Latina? Num país com uma cultura singular, com uma gastronomia incrível? Nem incluo na lista paisagens naturais, que obviamente requerem uma viagem à parte (que está nos meus planos futuros).

Foi aí que entrou minha preparação, que incluiu e-mails trocados e um material emprestado pela queridíssima amiga Ayla, que passou muitos dias no México há não tanto tempo e que é apaixonada pelo mundo latino-americano.

Ela fez roteirinho para mim, falou o que era imperdível e deu toques para agilizar o tempo.

Só que as coisas nem sempre saem como planejadas. Às vezes a gente conhece um tiozão mexicano afim de esbanjar 50 anos de estudos latinos, aí a gente não tem muito o que fazer, além de receber de braços abertos tudo o que não descobriria de outra maneira. Mas já chego lá.

Quarta-feira, 29 de maio

Saímos de casa 3 da matina. Nos perdemos na Dutra no meio da madrugada. Pegamos quebradas absurdas no meio de favelas de Guarulhos, mas deu tudo certo, porque já tínhamos feito o check-in eletrônico e viajantes bate-e-volta nunca despacham bagagem, por tanto deu o tempo certinho de chegarmos ao aeroporto e embarcarmos. Mas foi um sufoco.

O voo da TACA foi bacaninha. Serviço de bordo com comida quente e bebida alcoólica a gente não vê em qualquer companhia, hoje em dia. Duro foi conexão na ida e na volta em Lima.

Antes de chegar à Lima, sobrevoamos toda a Cordilheira dos Andes e vimos lá do alto o lindíssimo Lago Titicaca e La Paz. Um verdadeiro buraco (no bom sentido) povoado no meio do nada da Cordilheira

Chegamos na Cidade do México 18h e pouco. Em pleno dia. Beijo pros dias longos do hemisfério norte =*

Fomos até o hotel usando o serviço público de ônibus que vai do aeroporto ao centro histórico. $ 30 pesos cada (10 pesos = U$ 1). Foi rápido. O ônibus tem uma faixa-exclusiva para ele.

O hotel Roble fica bem pertinho do Zócalo (a praça matriz), super bem localizado.  2 noites para 2 pessoas, U$ 120 total. Sem café da manhã. Era um quarto pequeno, sem luxo nenhum. Banheiro idem. Fez calor e o ventilador foi insuficiente. Não recomendo no verão. Além disso, uma baratinha fez uma visita surpresa a certa altura. Só olhou e deu meia volta por baixo da porta.

Cansados de um dia inteiro de avião, só tomamos um banho e fomos jantar num restaurante ryco e phyno no meio do Zócalo. O La Casa de las Sirenas fica num casarão fofo do século XVIII, possui uma vista bacana para a Catedral Metropolitana (que estava toda apagada devido a uma forte tempestade que deu um curto nas luzes, na noite anterior), para o Templo Mayor (as ruínas astecas) e para o Palácio do Governo, único que deu pra ver mais ou menos.

O restaurante é bem carinho e recebe muito estrangeiro. A mesa do lado, meu pai jura, era formada por tipinhos professorais de tudo que era canto do mundo participando de encontros/palestras com motes sociais: de fato havia francês, português, inglês e espanhol sendo falados na tal mesa.

De entrada, tacos com carne de pato. Apenas DIVINO. Só a entrada já seria suficiente, mas ainda tinha prato principal: “la gallinita em mole de mango” para mim. Um peito de frango com um molho de manga, arroz branco e um purê que lembrava muito uma pamonha. Bem bacanudo, mas não aguentei nem 1/3. Para beber, cerveja Corona, a oficial mexicana. A conta passou dos 900 pesos.

Quinta-feira, 30 de maio –

Minha intenção era acordar bem cedo – madrugar – e ir para Teotihuacán na primeira hora. Não rolou, eu estava morta. Acabei indo tomar café da manhã com papi no Starbucks (lá tem em cada esquina, que nem em NY), depois demos um passeio pelo Zócalo, entramos na Catedral Metropolitana (a maior catedral da América Latina), vimos pelas grades as ruínas astecas e o Palácio do Governo.

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Fachada da catedral vizinha à Catedral Metropolitana. Não sei o nome dela, sei que a fachada é linda!

Ali do lado é a entrada do museu do Templo Mayor – as ruínas astecas em pleno Zócalo. A cidade asteca foi soterrada, na época da colonização, e sobre ela foi construída a Cidade do México. Só vislumbrei as ruínas pelas grades, ainda não estava aberto.

De qualquer modo, eu estava indo para Teotihuacán. Muito mais impactante.

Fui de metrô.

O metrô da Cidade do México é velho, cheio e quente, QUENTE DEMAIS. Mas custa o equivalente a R$ 0,50, e te leva pra cidade inteira (lembrando que a Cidade do México é maior que São Paulo): a malha do metrô deles tem 202 Km de extensão, e o nosso mal passa dos 70. O preço, $ 3 pesos, está congelado há anos. Em meio às manifestações do Movimento Passe Livre, deixo aí uma comparação interessante com São Paulo.

Enfim: o metrô de lá tem uma coisa que para alguns pode ser chata. A interligação entre linhas de metrô diferentes é feita por corredores enormes, pior do que a ligação Paulista (linha amarela) – Consolação (linha verde), em São Paulo. São 5, 10 minutos andando de uma plataforma a outra. No mínimo.

Outra coisa interessante do metrô de lá: sabe como nós, no Brasil, reclamamos de gente que ouve música no celular sem fone de ouvido? Lá os caras entram no metrô com uma caixa de som de 1 metro nas costas tocando músicas das mais variadas com o intuito de vender CD. Do nada entra uma caixa de som ambulante no seu vagão, com o som altíssimo fazendo vibrar, involuntariamente, cada músculo do seu corpo. E todo mundo age na maior naturalidade.

Enfim. Cheguei à estação Autobuses del Norte rápido. Entrando no terminal, fui à esquerda. É o penúltimo guichê. Acho que número 8. Achei também rápido o guichê que vendia passagens de ônibus à Ciudad Historica (em nenhum lugar há menção à Teotihuacán).  Custou 40 pesos.

A ida foi sem graça. O dia estava enevoado e os arredores por onde o ônibus passou não tinham qualquer atrativo. Fora que demorou: a estrada estava sendo recapeada. Foram mais de 2h de ida.

Mas cheguei enfim.

Gastei 57 pesos para entrar no sítio arqueológico de Teotihuacán.

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Eu com a placa de “Patrimônio Cultural da Humanidade” em Teotihuacán

Entrei. Muuuuuuuuito vendedor ambulante te persegue tentando vender bugigangas das mais variadas. NO, GRACIAS eternas. Não soube para onde ir e decidi ir em frente, deixando as pirâmides do Sol e da Lua para depois. Cruzei a Calle de los Muertos para conhecer a Ciudadela e a pequena pirâmide de la Serpiente, que tem uns detalhes lindos gravados há séculos.

Depois voltei à Calle de los Muertos, que é tipo a avenida principal da cidade, com mais de 2 Km, e segui à direita, sentido pirâmides.

Um mapa da cidade, para entender meu caminho:

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Conjunto_Teotihuacan_Detallado.JPG

Uma boa caminhada sob um sol forte e com mais de 2 mil metros de altitude até chegar à base da primeira pirâmide, a única que permite que alcancemos o topo.

São 200 e tantos degraus até chegar, mas o visual da enorme cidade pré-hispânica é devastador:

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Desci e continuei pela Calle de los Muertos até a Pirâmide de la Luna.

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As duas pirâmides tem o mesmo tamanho, mas por conta do desnível do terreno, a do Sol parece muito maior.

O sol forte e a luminosidade não colaboraram com as fotos.

Gastei cerca de 3 horas nas caminhadas. Voltei pela Calle de Los Muertos até chegar ao mesmo lugar onde entrei. Comprei uma água caríssima na lojinha (15 pesos – depois vi na vending machine do lado que custava 7) e fui esperar o bus pra voltar pra Cidade do México, continuar minha jornada pré-hispânica.

Apenas morri de cansaço no ônibus, mesmo com um tiozão Mariachi fazendo um showzinho inesperado. O cara tava sentado, de repente levantou, pegou um violão e começou a tocar. Êta povo musical.

A volta demorou menos de 1h. De volta ao terminal, fui de metrô até os arredores do parque Chapultec para conhecer o Museo de Antropologia.

Mas não foi tão fácil achar. Tive que pedir informações pelo caminho. Nisso, lembrei que eu devia comer alguma coisa. Vi uma tia vendendo salada de frutas e comprei. Ela ofereceu para colocar PIMENTA na SALADA DE FRUTAS. Ai, México…

Enfim achei o museu. O espanhol dos mexicanos é facilmente compreensível, felizmente. Eu me virava com um portunhol bem baixo nível, mas entendia perfeitamente o que me falavam.

O museu de Antropologia, também 57 pesos, é enorme. Minhas pernas doíam. Fui percorrendo as salas: história da antropologia, maias, astecas, e tantas outras que não lembro. Artesanatos, réplicas de como viviam, de suas roupas, alimentos, mapas de onde viviam. Muito completo. Fiquei pensando no Brasil, na vida indígena riquíssima que nosso país e nossos políticos matam dia após dia. Na falta de estudos sobre os nossos índios… Sobre a falta de interesse de quase todos por esse tópico fundamental da História do Brasil (manifestação contra o genocídio dos índios só meia dúzia faz, percebeu?).

Na última sala, a principal relíquia do museu: o calendário asteca, ou a Pedra do Sol, que ficava no Templo Mayor (nas ruínas lá do centrão da Cidade do México). Aqui está a história dele, com explicação de cada detalhe. Resumo da ópera: não era na verdade um calendário, mas sim um monumento ao Sol onde se realizavam sacrifícios.

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Outra peça importantíssima que achamos no Museu de Antropologia é a “big head” de um guerreiro Olmec.

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Saí do museu umas 17h e pouco, com o sol ainda a pino, e resolvi ir andando pela avenida Paseo de la Reforma, que tem por toda sua extensão vários monumentos importantes, como o Ángel de la Independencia (abaixo).

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Continuando a caminhada por esta mesma avenida – claramente área nobre da cidade – fui surpreendida por uma incrível descoberta: uma Feira de Nações Amigas do México. Por quase 2 kms de extensão, centenas de tendas de todos os países imagináveis (Sudão, Árabia Saudita, Equador, Mongólia, Chade, tudo, tudo!) traziam objetos, comidas, imagens de suas culturas. Desde as coisas estereotipadas (salsichão e cerveja na Alemanha; sushi, sakê e gatinhos da sorte no Japão; hot dog nos EUA, etc), até espetos de insetos no estande da China, por exemplo, e roupas africanas no estande do Quênia… Incrível!!!

A avenida estava entupida de transeuntes interessados em conhecer tantas culturas, provar o sorvete italiano, a cerveja tcheca, o doce de leite uruguaio, os pratos apimentados da Indonésia e, claro, tomar Guaraná e comer coxinha no estande do Brasil ♥

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Minha próxima meta era o Monumento da Revolução. Para tanto, entrei na avenida Insurgientes. Me deparei primeiro com um monumento esquisito que fazia uma sombra enorme em todo o quarteirão – Monumento a La Madre. Andei mais uns minutos e achei o que procurava: o Monumento a La Revolución.

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Dizem que tem uma vista bacana do alto dos seus 60 e poucos metros de altura. Não fui conferir. Estava com o corpo moído de andar o dia inteiro.

O Monumento à Revolução Mexicana foi inaugurado em 1938 e é um dos símbolos mais veementes do que significa construir uma cidade sobre um lago, o Texcoco. Assim como o Monumento à Independência, eles vão afundando ano após ano.

A Cidade do México foi construída sobre um lago. A pintura abaixo retrata a Cidade alguns séculos atrás (está e exposição no museu da Torre Latinoamericana). Tudo que era água foi aterrado, dando lugar à urbanização desenfreada.

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Andei mais um pouco e entrei no próximo metrô, em direção ao Zócalo.

Cheguei ao hotel exausta. Além de andar MUITO, não esqueçamos que a Cidade do México está a quase 2.500 metros de altitude, ou seja, o ar não chega aos nossos pulmões com tanta facilidade.

Tomei banho e percebi o estrago do dia (não me refiro à espinha):

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Quando te disserem para levar protetor solar às pirâmides de Teotihuacán, acredite.

Papi e yo estávamos exaustos (ele passou o dia em Puebla), e resolvemos jantar no restaurante do hotel. Eu comi quesadillas com guacamole e cerveja Corona. Quebrou o galho.

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Sexta-feira, 31 de maio –

Hotel sem café da manhã é uma droga, né? Umas 8h fui andando até uma enorme padaria que eu tinha visto no primeiro dia. Pastelaria Ideal. Só que não era bem uma padaria: era um self-service de gordices de carboidrato puro, a grande maioria doces. Croissants de chocolate, bolos, donnuts, biscoitos de manteiga, broa, tuuuuuuuuudo. Mas nada de pão, nem coisa pra beber. Comi um croissant e andei até o Zócalo.

Entrei na Catedral Metropolitana esperando ver uma missa, um coro, algo assim, mas estava muito cedo. Fui até o Palácio do Governo, mas estava tendo um protesto na frente dele e fecharam a entrada. Fiquei sem ver os murais do Diego Rivera que lá residem. Saco.

Decidi improvisar. Fui andando pela avenida Francisco Madero, que é um calçadão cheio de lojas de bacaninhas (Zara, Starbucks, Levis…), restaurantes, cafés…

Quando vi estava sob a sombra da Torre Latinoamerica, um arranha-céu de quase 200 metros que possui um mirante com vista de toda a Cidade do México.

Eu piro em mirantes, gente. Nem me importei de pagar 80 pesos. Valeu a pena, até porque o ingresso permite que você entre no prédio várias vezes no mesmo dia, e foi o que eu fiz: de manhã e de tardinha (já que a claridade da manhã ferrou com as minhas fotos). O ingresso dá direito a acessar o museu, que tem umas pinturas da transformação da Cidade do México ao que é hoje e, o mais legal, o efeito devastador de alguns dos maiores terremotos na cidade. Nos anos 80, teve um terremoto que praticamente destruiu tudo.

De lá de cima delineei meu roteiro: ir ao Palácio de Bellas Artes, depois ao Museu Mural Diego Rivera, depois à Casa da Frida, em seguida ao mercado de Coyoacán e depois à Casa do Diego.

O que realmente fiz: desencanei do Palácio de Bellas Artes momentaneamente e fui andando pela bela praça que cerca a Alameda Central até o Museu Mural Diego Rivera. O museu é o mural. O mural é o museu. São 40 pesos para entrar (se quiser tirar foto são mais uns 30 – eu tenho acesso ao google e prefiro pegar de lá).

O mural é aquele do Diego criança de mãos dadas com uma caveira, “Sueño de una tarde dominical”:

Tinha uma placa detalhando quem é cada um nesse mural. Enquanto tentava entender, um tio percebeu minha profunda admiração pelo mural e começou a puxar papo.

Arturo. Mexicano, por volta dos 50 anos.

Estudou Diego Rivera a vida inteira e achou que eu era merecedora de uma verdadeira aula sobre o muralista. Sem cobrar nada.

Esse do Museu Mural traz diversos elementos da história antiga, recente e atual do México. Tem as fogueiras da Inquisição, o colonizador e genocida Hernán Cortez, o heroi da revolução Benito Juarez, a miséria, a ostentação, o vendedor de doces, o abuso dos militares, cidadãos comuns e ela, Frida Kahlo, atrás do menino Diego Rivera.

Arturo me explicou cada detalhe do mural e me convenceu a ir com ele no Palácio de Bellas Artes conhecer “o mural mais incrível de Diego Rivera”. Quem sou eu para discutir!

O Palácio de Bellas Artes – que antes tinha passado batido, apenas tirando fotos da fachada – custa 40 pesos para entrar. Suas paredes internas são forradas de murais dos principais muralistas mexicanos: Diego Rivera, David Siqueiros (comunista que traiu Trostky – chego lá!) e Rufino Tamayo.

O tal incrível mural do Rivera que Arturo queria me mostrar era esse aqui, “El hombre en la encrucijada mirando con incertidumbre pero con esperanza y una visión alta en la elección de un curso que le guíe a un nuevo y mejor futuro”:

O mural tinha sido encomendado pelo grande empresário americano John Rockefeller. A pintura ficaria no saguão de entrada do complexo Rockefeller, em Nova York. Ao ver o mural de Diego, o empresário não gostou nada de ver o comunista Lênin retratado e mandou o artista mexicano apagar o rosto do dito-cujo.

Rivera se negou; Rockefeller pagou o que devia ao artista e destruiu seu mural. Simples assim.

O governo mexicano soube disso e convidou Diego a fazer o mesmo mural no Palácio de Bellas Artes. Diego topou e adicionou alguns detalhes, dentre eles retratado bêbado (com uma taça na mão e olhos enviesados) o empresário americano cercado de prostitutas. Tem mais! Em cima dessa cena tão americana-capitalista, foram retratadas bactérias e vírus de doenças sexualmente transmissíveis, como gonorreia. ACHO que Rivera se vingou =)

O mural retrata o capitalismo à esquerda e o comunismo à direita. O macrocosmo e o microcosmo. Guerra nuclear. Drogas. Poluição. Ciência. Teoria da Evolução. São muitos elementos. De fato, Arturo tem razão: é incrível.

Os outros murais também são bacanas.

Enfim, se estiver passando pela Cidade do México, conheça o Palácio de Bellas Artes e gaste um tempo sentado na frente desse mural fantástico.

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Fachada do Palácio de Bellas Artes

A seguir, já umas 14h (ferrou com minha programação!), peguei o metrô até Coyoacán, bem ao sul da cidade, conhecer o bairro da Frida e do Trostky (Arturo me convenceu de que o museu valia a pena).

Do metrô até a casa onde Trostky viveu e morreu foram uns bons 30 minutos andando por uma avenidona sem qualquer atrativo. Mas estamos na chuva temos de nos molhar, right?

O Museu Casa de Leon Trotsky também tem frescura com fotos; se quiser fotografar, paga mais. Eu optei por não tirar fotos, por tanto paguei 40 pesos. O ingresso dá direito à guia dentro do museu. Foi o que fiz. Em cerca de 40 minutos vi a casa toda, fotografias da família toda (o único neto, que é responsável pelo museu, tem mais de 80 anos e vive no México com sua prole, descendentes de Trostky!), sua biblioteca… Aprendi muito!

Trotsky foi um marxista e bolchevique. Um dos líderes da Revolução Russa. Desempenhou importantes funções políticas no comunismo russo. Após a morte de Lênin, Trostky e Stálin disputaram o poder na Revolução Soviética. Stálin chegou ao poder e perseguiu seu rival em 1001 países, assassinando filhos e quem estivesse pelo caminho. “Stálin jamais sossegaria enquanto Trotsky estivesse vivo”, disse o guia. Trostky se refugiou em meio mundo.

Meanwhile, Diego Rivera e Frida Kahlo, comunistas, souberam que Trotsky procurava por asilo político. Diego tinha relevância junto ao governo, e convenceu o presidente a aceitar o comunista russo e sua esposa no México.

Primeiramente, o casal ficou na casa de Frida e Diego. Só que Trotsky e Frida tiveram um lance. Sacando os córneos, a esposa do russo fez os dois se mudaram para uma casa só deles.

Trotsky continuou trabalhando pro partido.

O primeiro atentado contra sua vida foi orquestrado pelo muralista, também comunista e amigo de Frida e Diego, David Siqueiros. Só que ele contratou um bando de anta. Dezenas de pessoas invadiram a casa de Trotsky e metralharam geral. Só acertaram paredes. Ninguém se feriu.

Diante do atentado, Trotsky, temendo muito pela sua vida, blindou a casa inteira: não adiantou.

Tinha um cara contratado pelo Stálin para matar Trotsky. O desgraçado se aproximou da irmã da secretária do Trotsky, fez a coitada se apaixonar, tal e tal. Conseguiu acesso à casa de Trotsky como amigo da família. Até que um dia apunhalou Trotsky na nuca.

Trotsky não morreu imediatamente. Ainda ficou no hospital consciente por uns dias. Daí morreu.

No final do tour e da História, o acachapante túmulo com os restos mortais de Trotsky no centro do jardim de sua casa. Uma enorme tumba sombreada por uma bandeira vermelha. Na tumba, a inscrição da foice e do martelo.

Arrepiante.

Fachada do museu:

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Próxima parada: Casa Azul, casa de Frida Kahlo. Por 80 pesos (para tirar foto mais uma grana) temos acesso ao museu da Frida e ao Museu do Diego Rivera, em San Angél (não deu tempo =/). Vi a Casa Azul relativamente rápido: o quarto da Frida, o belo jardim no meio da casa com uma pirâmide; aqueles quadros transcendentais da Frida; sua máscara mortuária; a decoração fofa e bizarra da casa.

Na miúda, tirei foto do jardim:

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Coyoacán é um bairro muito fofo. Só casas de classe média, muito verde, muita calma. Me lembra uma Vila Madalena, só que sem o agito e nem a especulação imobiliária. Na época de Frida, Diego e Trotsky, era como que uma cidade do interior, um bairro industrial bem afastado do centro.

No centro do bairro tem um mercado. Nada melhor e mais autêntico para almoçar, né?

Comi dois tacos: um de champignons e um de lula. Estou viva.

Se liga no visual da barraca dos tacos. Nas travessas, os recheios:

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México, seu lindo!

O mercado vendia de TUDO: galinhas vivas, brinquedos, fantasias do Cháves, frutas, doces e, claro recuerdos. Foi lá que comprei as pouquíssimas bugigangas adquiridas na viagem.

Frida caveira ♥

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Andei até a praça principal de Coyoacán e entrei na igrejinha.

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Quando vi, eram 17h30. Em menos de meia hora o museu do Diego Rivera (de acordo com minha programação, a última parada) estaria fechado. Não daria tempo de chegar, muito menos de ver as coisas.

Diante das circunstâncias, desisti. 😦

Andei até o metrô (longe pra cacete da praça de Coyoacán) e fui até o Hidalgo: decidi subir de novo no mirante da Torre Latinoamericano. Foi uma ótima ideia!

Vista das montanhas (duas delas são vulcões!)

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No centro da foto abaixo, uma bandeirinha do México. É o Zócalo! Estonteante a imensidão da cidade. Ah, lembrando que há poucos prédios na cidade por causa dos frequentes terremotos.

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Praça da Alameda Central:

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Fazia uma tarde linda. Sexta-feira. Todo mundo na rua. E quanta gente!!

Fui andando pela calle Francisco Madero até o Zócalo.

Os artistas de rua de lá dão um banhos nos nossos, brasileiros. Olha a caracterização do soldadinho, que legal:

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(Ele escondeu o rosto com a arma porque não dei dinheiro)

Comprei um sorvete numa sorveteria chique e continuei andando até o Zócalo.

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Liiiiinda tarde!

Voltei pro hotel e fui com meu pai jantar num restaurante de frutos do mar, o Fisher’s. Restaurante todo modernoso, com cara de Lanchonete da Cidade, sabem?

Tomamos margaritas, eu de tamarindo.

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Meu prato era composto de duas entradas. Um era um mini taco com frijoles e o outro eram tacos com cheddar e peixe-espada (que estava com um gosto fortíssimo de calabreza, ainda que o restaurante só trabalhe com frutos do mar).

Enfim.

Queria muito ter ido ao show dos Mariachis na Plaza Garibaldi, mas era meio longinho e nosso voo sairia em poucas horas. Mais uma programação cancelada 😦

Sábado, 1º de junho – 

O dia dos vôos eternos: saímos da Cidade do México com o sol raiando. Fizemos conexão, lá pela hora do almoço, em San Jose, Costa Rica e, depois, uma conexão em Lima de 6h. Achamos que seria uma boa ideia ir comer um ceviche, já que estávamos em Lima e a tarde estava linda. Só que tivemos que pagar a taxa aeroportuária. Quase U$ 100 meu pai e eu.

Fomos até a zona portuária de Callau, onde tem um restaurante gracinha à beira do pacífico:

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Olha o nosso ceviche, que lindo:

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Amo taaaaaaaaaaanto ceviche, mas tanto ♥♥♥

Ceviche é feito de peixe cru marinado no molho de limão. Acompanha cebola roxa, batata doce  e milho. E pimenta e coentro.

Voltamos para o aeroporto que estava simplesmente ENTUPIDO de viajantes, em sua maioria mochileiros europeus (extremamente fedidos, diga-se de passagem).

Nosso voo saiu de Lima de noite e chegou em São Paulo ainda de madrugada. Dormi quase o tempo todo.

FIM.

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4 comentários sobre “México 2013

  1. Ana,

    li seu post por etapas, pq é compriiiiiido, e muito gostoso.
    O que dizer das suas viagens, se não que são invejáveis (mas totalmente no bom sentido, amiga… inveja boa!!! rsrsrs)
    muito rica, das coisas e lugares que valem a pena, não?
    beijo

  2. Ana, ADOREI o post!!! E li em voz alta todinho pra Marido. Vamos ao México em janeiro, e quero todas as dicas extras, incluindo “como encontrar o Arturo”!!! (ficou com e-mail/telefone dele???)

    Também tínhamos planejado 2 dias, mas diante do seu post, já alteramos pra três. (oooohhh, grande mudança!!!)

    Beijoooo

    Bel
    (Estou odiando os blogs do WP, que não me deixam conectar com a conta do google! Não tem como mudar isso, não? Detesto aparecer “Anabel Mascarenhas”! Eu sou BEL!)

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