Europa 2013: Áustria e Eslováquia

2013 foi um ano sensacional. Viagens incríveis, pessoas incríveis, experiências únicas. Mais essa curtíssima viagem entra ao rol que compõe um 2013 ótimo. Vamos à ela.

Eu não sabia que ficaria desempregada em novembro. Por tanto, faltaria 2 dias no trabalho e iria com meu pai para a Áustria (outras opções eram Milão – Itália, ou Interlaken – Suíça [risos], mas acabamos optando pela Áustria).

Quando soube, em outubro, que ficaria desempregada, tentei mudar o voo para ficar uns dias em cidades da Alemanha – país que tá no meu top 3 de “preciso conhecer” – e em Paris, com o primo querido. Mas a multa era ridiculamente cara, o preço de uma passagem nova, e não rolou.

Assim, me contentei com os 4 dias e algumas horas na Europa. Fazer o quê, né.

Sexta-feira, 15 de novembro

Mala pronta, almoçada, malhada, fui com papi de metrô para o aeroporto. Feriadão, chegamos lá em 40 minutos. Uma beleza. Mais uma vez sem me planejar, acabei tendo de comprar minha leitura de viagem na Laselva do aeroporto – comprei o “Cuco’s Calling”, livro policial de um pseudônimo da J.K. Rowling (1 mês depois e ainda não acabei, aliás).

Voo da Lufthansa estava entupido, mas foi tranquilo. Pouca turbulência. Tomei 3 taças de vinho e dormi alguns minutos. Mas não tem jeito: ô coisa desconfortável e indigna que a classe econômica é. Nem Gisele Bündchen fica bonita depois de 12h de classe econômica.

Um pouco antes de chegar a Munique, cruzando os Alpes, o tempo abriu. OLHA QUE MARAVILHA 🙂

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Sábado, 16 de novembro

Chegamos de manhã em Munique, para uma conexão rápida para Viena. Tempo pavoroso no trajeto. Chuva e frio intenso. Chegamos à Áustria cedo, pegamos o ônibus executivo até o Schwedenplatz, bem próxima ao centro, e fomos andando até o hotel, no coração do centro antigo de Viena. Fiquei besta com a quantidade de indústrias que circundam o aeroporto. Cadê os bosques de Viena? Só tinha fábrica! Complexos enooooormes expelindo uma fumaça branca… Que coisa.

Da Schwedenplatz até nosso hotel foi uma curta caminhada, passando no caminho pela praça principal da cidade, a Stephanplatz – onde fica uma catedral enorme toda trabalhada no gótico. Linda, linda:

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Enfim chegamos ao hotel: Pension Neuermarkt. Boazinha. Três diárias, com café da manhã (bacaninha) para nós dois deu uns €300. Não é caro, pela localização do hotel. Mas é caro para o bolso fodidamente desvalorizado do brasileiro: 1 euro, com taxas IOFs e a porra toda, tava R$ 3,33. Com R$ 1000, não consegui nem 300. Muito triste.

Mas se a gente tá na chuva tem que se molhar. Não dá pra ficar convertendo, se não a gente fica louco. Imagina pensar toda hora que a garrafa de água que te custou  €3 vale tipo 10 conto? Não. Tem que abstrair.

Enfim. Deixamos nossas tralhas no hotel e fomos andar pelas ruas lotadas do centro histórico de Viena. Estava um sábado lindo, com um solzinho discreto, um vento gelado mas suportável, e muita, muita gente nas ruas.

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Na maioria das ruas do centro de Viena carro não passa. São boulevares largos, com lojas de grife chiquérrimas ocupando prédios antigos e históricos.  Tudo começando na Stephanplatz. Aquele sistema arquitetônico em que as ruas convergem a partir da igreja principal.

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Outra coisa bacana de Viena é que em tudo que é canto há menção à alguma personalidade. Não sei quem almoçou aqui. Não sei quem compôs sei lá o quê aqui. Não sei quem morou aqui em 1700 e bolinha… Na foto acima, um lugar onde o compositor Vivaldi morou certa época.

Continuamos andando, nos embrenhando pelos grotões históricos de Viena, sem saber ao certo o que era o quê. Passamos por alguma coisa ligada a cavalos, por uma biblioteca, pelo museu Albertina, pelo lindo parque Burggarten…

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Essa foto aí é do Hofburg, que era o palácio – e centro do império – de Habsburg. Hoje é um museu.

A monarquia da família Habsburg comandou o Império Austro-húngaro por séculos. Era uma família que incentivava as artes. É por isso que da Áustria saíram alguns dos grandes compositores, músicos, artistas, escritores, pensadores da humanidade. Tipo Freud e Mozart.  A foto tá escura porque já estava anoitecendo. Amo Z’oropa, adoro frio. Mas essa história de 16h já ser noite é apenas cruel (ok, é incrível ter sol às 23h no verão, mas mesmo assim).

Voltamos para o hotel.

Ó que graça a fachada externa:

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Anoiteceu de vez e fomos à caça de um lugar para comer.

Na Stephanplatz estava rolando uma feira de natal, com mil barraquinhas vendendo comidas típicas, bebidas, doces, enfeites natalinos, artesanatos, mil coisas fofas.

Foi lá mesmo que ficamos, embora estivesse ENTUPIDO de gente – descobrimos no dia seguinte que participamos da “estreia” do Vienna Christmas Market. Nem sabia que existia isso, mas parece que um mês e pouco antes do Natal as principais cidades europeias (cristãs, é lógico) montam em suas praças principais uma grande feira natalina. Em Viena pudemos conferir, felizmente. Grande parte da decoração ainda estava sendo montada, no entanto. Em Salzburg e em Bratislava, ainda demorariam uns dias para inaugurar.

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Na Catedral de Stephan rolavam umas luzes/projeções natalinas. Lembrei vagamente da Disney.

Tomamos ponche de laranja (fortíssimo, quentinho e delicioso – perfeito para a noite de 3ºC e sensação térmica abaixo de zero); comemos goulash no pão italiano; comemos salsichões “Braumeister” e “Käserkrainer” hotdog. SE LIGA NO TAMANHO DA ENCRENCA:

IMG_0135Dois palmos de salsichão! hahaha

E assim terminou o primeiro dia.

Domingo, 17 de novembro – Salzburg

O dia começou bem cedo, por volta das 5h30 da matina. Noite cerrada. Tomamos café-da-manhã (bem bonzinho, com nutella e tudo ^^) e fomos esperar o guia do day-tour para Salzburg.

Salzburg é na outra ponta da Áustria, quase divisa com a Alemanha. Seriam cerca de 2h de estrada para ir, outras 2h para voltar.

O dia amanheceu frio e chuvoso; nosso grupo era composto por uma família asiática que não falava inglês (ou não se interessava pelo que o guia falava); por um cara grudento do Bahrein; e por um casal gay de Israel. Bem misturado.

O guia falou que o trecho entre Viena e Linz (a metade do caminho) seria bonita, que veríamos bosques e talvez os Alpes. Só que nada disso aconteceu, já que havia uma névoa densa e chuva. Hahaha. Great.

Isso aqui foi o máximo que vimos de bosques:

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Além de Salzburg, passaríamos por diversos vilarejos que foram locações do filme “A Noviça Rebelde”. Sabem aquele meme clássico do “foda-se essa merda toda”? ENTÃO. Aquele tipo de lugar.

Como o guia falou: a conhecida “suíça-austríaca”. De fato.

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Esse primeiro vilarejo chama-se Mondsee e é das coisas mais fofas e cenográficas que já vi na vida. Papai não sabe que apareceu na minha foto. Hahaha.

A foto abaixo já lembra vaaaagamente o cenário do foda-se essa merda toda. Exceto que não aparecem picos nevados (por conta da névoa), nem a relva verde e florida (outono, néam).

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Mas o guia colocou pra tocar a trilha sonora inteira d'”A Noviça Rebelde” enquanto nos aproximávamos do lugar…

O lago em questão é o Wolfgangsee. No verão, essa região lota de banhistas. Claro que a água é limpíssima.

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Abaixo, Saint Gilgen, um dos mil vilarejos ao redor do lago – e aqui começa de verdade a parte Mozart da nossa viagem.

Na época do planejamento dessa viagem, eu estava trabalhando no Theatro Municipal de São Paulo. Já tinha visto óperas de Verdi, Mozart e outros; já tinha visto concertos de Stravinsky, balé de Ravel. Estava imersa na música erudita e tentando aprender mais. Por tanto, a oportunidade de conhecer a região onde Mozart viveu seus poucos anos de vida seria incrível e perfeita – até para me exibir no TMSP. Infelizmente, nosso contrato acabou antes disso. Hahaha

(mas os aprendizados, amigos e bons momentos ficarão para sempre #mimimi)

Saint Gilgen é o vilarejo da família da mãe do Mozart. A praça onde posei para foto, abaixo, era local recorrente de concertos de Mozart quando jovem. Ele vinha visitar os avós, que moravam no vilarejo.

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Essa casa, que hoje é o correio, é uma das mais antigas da cidade. É do século XVI!

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Tirei essa próxima foto porque, mesmo com uma temperatura de 3ºC e sensação térmica bem inferior a zero, tinha UMA MOSCA pousada na placa. Sim, há moscas na Europa.

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Tivemos um tempo para rodar pelo vilarejo. Era domingo de manhã, e onde estava TODA a população? Na igreja. Sim. Esterótipo de vilarejo europeu. Me senti no filme “Chocolate“. Domingo bem frio, de manhã. Cidade vazia, todo mundo dentro da igreja central. População bem idosa, toda vestida com roupas “de missa”.

A casa abaixo é onde a mãe do Mozart nasceu, e onde ele passava o verão. O guia falou que ele costumava compôr nessa paisagem.

NOT BAD, hein.

IMG_0213Papai testando a temperatura a água. Eu não tive coragem. Frio demais.

E então, finalmente, Salzburg.

Até o século XIX, Salzburg não pertencia nem à Alemanha, nem à Áustria. Era independente. Como Mozart nasceu antes de a região ser anexada à Áustria, não é inteiramente correto dizer que ele era austríaco. Ele era, antes de tudo, de Salzburgo.

Dividida em “parte histórica/parte moderna” pelo rio Salzach, começamos pela parte “moderna” (pero no mucho) da cidade, onde está o parque e o palácio de Mirabell – e que também foi cenário da “Noviça Rebelde”.

O palácio foi construído em 1600 e bolinha para abrigar o arcebispo da cidade. Pegou fogo, foi reconstruído e remodelado ao longo dos séculos, e hoje é a sede da prefeitura.

Lugar lindíssimo, cheio de fontes e jardins floridos – ainda que no outono não estejam tão formosos

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E aqui abaixo temos uma visão, ao longe, da fortaleza de Salzburg, um castelo enorme no alto do morro lá no fundo. A fortaleza foi construída em 1077 (!!!) e é, de acordo com o site oficial da cidade, a fortaleza mais antiga e bem preservada da Europa. Nunca saberei. Não deu tempo de ir lá/meu pai não tava afim/era caro pra cacete.

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Dá nada não. O google tá aí, e a gente chupa uma foto de lá de cima da fortaleza:

A próxima etapa foi cruzar a ponte que dá acesso à cidade antiga.

O rio gelaaaado e limpíssimo correndo lá embaixo, mil construções históricas nos rodeando, uma ponte cheia de cadeados simbolizando amores eternos. Coisa mais linda ❤

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Ao adentrar a parte histórica da cidade, entendi perfeitamente como raios um palácio de 1700 é considerado moderno. TUDO na parte histórica é medieval. Inclusive as fachadas das lojas de grife são construções históricas, e devem manter tudo exatamente como era.

Olhem que fantástico:

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E tchã-nã-nã-nã…

Mozarts Geburtshaus (ou: o local de nascimento de Mozart, em alemão).

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Nascido em 27 de janeiro de 1756 (beijo grande aos aquarianos!!!), o nome de batismo dele era Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.  

E vou te contar que a família dele não era nada pobre, viu. Puta casa enorme, com jardim interno, lugar para festas…

Desde criança Mozart mostrou-se genial. Começou a compor aos 5 anos de idade, e ainda jovem viajou a Europa inteira se apresentando para a alta realeza. Morreu aos 35 anos. A teoria do nosso guia para a morte dele é muito válida: imagina cruzar a Europa de ponta a ponta no alto inverno, em viagens que duravam meses. Sua saúde não aguentou. Foi adoecendo até… Puff. Mesmo vivendo tão pouco, compôs mais de 600 obras.

Tudo na cidade é ligado a Mozart. Onde nasceu, onde escovou os dentes, onde morou por seis meses, onde casou. Sério. Mas Salzburg tem muito mais. Tem a casa onde viveu Döppler – sabe a série The Big Bang Theory? Sheldon fala bastante do Efeito Doppler.  Tem um centro lindíssimo, mil restaurantes, uma população simpática e… A livraria mais antiga da Áustria ❤

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E essa, abaixo, é uma das ruas mais antigas da cidade. Vielas fofas medievais. Amo.

Amo Idade Média, gente.

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Daí o frio pegou de jeito e fomos achar um lugar para comer. Acabamos num pub mandando uma cerveja deliciosa – tomei 3 long necks e fiquei BACANA – e típicas comidas austro-alemãs.

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E esse foi o fim dos nossos serviços em Salzburg.

Andando para encontrar o guia – e nosso transporte de volta à Viena – ainda passei por essa inscrição no chão. Me sentia feliz com o mundo, e essa frase só melhorou meu estado de espírito:

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=)

Chegamos à Vienna umas 19h. Noite cerrada, um frio satanástico.

Optamos por jantar em um restaurante bem famoso na cidade, e que vive lotado: o Figlsmüller, que é famoso por causa do schnitzel, um dos pratos tradicionais austríacos – e que é, nada mais, nada menos, UM BIFE A MILANESA.

Sim. Um bife a milanesa. Que não tem acompanhamento nenhum e que é tão grande que não cabe no prato:

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Comi 1/3, dividi uma garrafa de vinho com papi e foi isso aí.

Olha, sem ser babaca e regionalista… Mas gente. Essa culinária da Europa não-latina é meio decepcionante. No Reino Unido o lance são carnes no molho com batata – você que lê Harry Potter tá ligado. Na Europa germânica, porco e fritura. Na Europa Oriental, uma mistura dos dois e embutidos. Mas nada assim Ó QUE MARAVILHA.

É por isso que (saíndo da mesmice de falar do arroz e feijão, até pq não sou do arroz e feijão) insisto numa tese que a cada viagem fica mais encorpada: de que a comida brasileira é uma das mais diversificadas e incríveis do mundo. Já viu, em um mesmo país, ter pato no tucupi, tutu de feijão, churrasco gaúcho, moqueca, baião de dois, feijoada? Sem falar de pastel, mandioca, caipirinha, brigadeiro e frutas brasileiras. Sério. Culinária mais sensacional. E daí me vem uma Alemanha com joelho de porco. Ah. Vá se foder, apenas.

Mas mudei totalmente de assunto. hahahah.

Assim terminou o segundo dia.

Segunda-feira, 18 de novembro – Bratislava (Eslováquia)

Acordamos cedo, pegamos o metrô – gente, não entendo esse metrô europeu que não sabemos onde e como pagar, e daí quando vemos entramos de graça – e fomos até uma rodoviária num subúrbio pegar ônibus para Bratislava, na Eslováquia. Muito louca a Europa, né? De um país a outro em 1h de ônibus. Em um dia de carro, dá pra cruzar vários países… Muito louco isso pra gente que é brasileiro e está acostumado a dimensões continentais… é mais rápido ir de Viena a Berlim de carro do que de São Paulo ao Rio de carro… Doideira.

Enfim.

Bratislava, Eslováquia.

A ponte da foto abaixo liga a cidade histórica (lado em que estou) à parte moderna. O rio que corta a cidade é o DANÚBIO, que cruza metade da Europa e inspira tantas imagens idílicas na nossa mente =)

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A cidade histórica estava completamente morta. A guia nos explicou que segunda-feira geralmente é assim. Igrejas, museus, tudo fechado, daí os turistas não vem, mesmo.

Bratislava também tem um castelo. Que cidade na Europa não tem um castelo, gente?

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Mas esse foi remodelado inteirinho. Acho que só tem um quartinho mínimo que não mudou ao longo dos séculos. Até o estilo arquitetônico dele foi sendo alterado… A pintura… Tudo.

Mais uma vez, não fomos admirar a vista panorâmica e tive que roubar a foto do google:

Continuemos.

O primeiro lugar onde fomos – na frente, já que estava fechada – foi a Catedral Saint Martin, essa no primeiro plano da foto acima.

Essa é uma das únicas catedrais católicas do mundo que não tem uma cruz no topo, e sim uma coroa. Para simbolizar a importância do reinado para o crescimento da cidade. Que coisa, não?

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Na entrada da parte histórica tem essa estátua de bronze, homenagem a um cara que ficava nos bueiros da cidade espiando as mulheres de saias. HAHAHAHA

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Falei que a cidade estava às moscas?
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Bratislava era uma das principais cidades do império dos Habsburg. Esse símbolo que está na ponta da minha bota está espalhada por todo o chão da cidade histórica, simbolizando o reinado de Maria Thereza, que adorava a cidade e elevou-a a uma das mais importantes do império austro-húngaro, sede de universidades, grandes concertos de Mozart, Beethoven e talz, festejos, cerimônias da realeza e muito mais.

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Acima, um dos portais da cidade.

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Eu na frente do Teatro Municipal de Bratislava.

Essas estruturas no chão são para montar os Christmas Markets de Bratislava.

Nosso almoço eslavo foi uma pizza. Hahaha. Não queríamos comer de novo Schnitzel, e nem aquelas outras coisas de sempre. Pelo menos foi barato.

Minha impressão de Bratislava é a mesma que tive de Bucareste: cidades ex-comunistas fodidas e abandonadas se erguendo aos poucos. E convivendo com mendigos, pobreza e arranha-céus podres de ricos ao mesmo tempo. Sweet desigualdade…

Romênia e Eslováquia, os únicos países ex-URSS que conheço, compõem uma Europa completamente diferente de Itália, Reino Unido, França, Suíça etc e etc.

É tudo diferente. É um clima bucólico e de abandono. Os jovens lutando para serem mais como seus irmãos da Europa ocidental e rechaçando toda e qualquer qualidade que o comunismo tivesse. Vários cantões das cidades com cara de abandono e melancolia.

Antes de irmos embora, passamos numa loja que vendia umas bebidas típicas e compramos isso aqui:

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Hidromel. Foi baratíssimo – acho que 3 euros a garrafa – e me arrependi profundamente de não ter comprado umas 30, porque beber isso foi uma experiência riquíssima e única. É tipo um licor. Ou um vinho. Mas nada a ver com nenhum dos dois. Uma delícia.

Fomos jantar numa cadeia de fast food de frutos do mar que rola por toda a Europa, e que prima por pratos lindos nas vitrines: Nordsee. Olha só:

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E sim. Os preços são ABSURDOS. Papi não resistiu e mandou uma lagosta. Eu maneirei. Mas mesmo assim deixamos quase 70 euros!!!!!! Absurdo completo. Mas faz parte.

Famosa síndrome da família de o último jantar da viagem ser sempre errado: caro demais, ruim, pouco etc. É SEMPRE assim. Culpa também das expectativas, claro.

Terça-feira, 19 de novembro – Viena & voos/aeroportos

Acordei cedo para curtir o restinho da viagem. Ainda tinha uma manhã inteira, e decidi seguir a dica de um amigo – conhecer o Wiener Zentralfriedhof – ou o cemitério central de Viena. É um cemitério E-N-O-R-M-E, bem afastado do centro e com gente importante dentre seus mortos.

Fui até lá de tram (o bondinho), por dica do staff do hotel. Soube onde descer certinho, sem precisar de ajuda.

Estranho que conforme a viagem vai acabando, começamos a nos habituar com a língua do país. Várias coisas escritas em alemão eu já entendia…

Enfim. O cemitério, um dos maiores da Europa, tem 2.4 Km quadrados de área e mais de 300 mil tumbas. É incrível. É tão grande que dentro do cemitério passa um ônibus, que leva a outros pontos do próprio cemitério.

Piro com cemitérios, desde criança.

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A avenida principal do cemitério, acima. Leva até uma capela – uma verdadeira basílica, na verdade.

Não foi difícil achar o que eu queria: o hall dos mortos famosos. Mais especificamente, dos músicos e compositores. Estão enterrados nesse cemitério Beethoven, Mozart (em tumba desconhecida), Strauss, Schubert e Brahms.

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Beethoven à esquerda, memorial a Mozart no centro e Schubert à direita.

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Eu e minhas únicas companhias na andança pelo cemitério: corvos.

Foto bem na pegada de Six Feet Under 🙂

Andei mais pelo cemitério, explorando aleatoriamente grupos de tumbas, com sobrenomes estranhos, com datas de morte séculos atrás, com sobrenomes como Gaspar. E pensei muito na vida enquanto tomava aquele vento gelado na cara.

Minha ideia era sair do cemitério e ir à casa onde Freud viveu. Mas deu preguicinha. Desisti no meio do caminho e resolvi dar um rolê pelo centro.

Tomei um chocolate quente no Starbucks enquanto pensava no que fazer em seguida.

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E decidi aproveitar minha última hora no Museu Albertina. Porque eu amo museus e não tinha entrado em nenhum até agora.

Entrada do museu:

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E tava rolando exposição do Matisse & friends. Ou sobre o fauvismo, na verdade.

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Fauvismo é um estilo de pintura criado no começo do século XX e que tinha Matisse e Derain como principais líderes. As cores  fortes são muito usadas, e a técnica do pontilhismo também. Leia mais na wikipedia.

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Vi correndo as outras exposições. Tinha o cara viciado em FIMs (acima), tinha a mina viciada em olhos…

E daí #parti para encontrar papi no hotel, pegar nossas malas e ir para o aeroporto.

Assim começou o trajeto de volta: horas de aeroporto, de cochilos em cadeiras de aeroporto e muito, muito avião.

Em Munique, como era uma conexão longa (mas não longa o suficiente para sair do aeroporto e dar uma volta pela cidade), sentei num restaurante, comi um salsichão e mandei 3 pint de Paulaner (Weißbier alemã – esse B bizarro tem som de ‘ss’. A palavra alemã para rua – Straße – se fala ‘strasse’).

E assim terminaram nossos serviços, decolando para o Brasil:

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E ouvindo música clássica:

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Gostaram?

Eu gostei! Mas queria ficar mais tempo 😦

4 comentários sobre “Europa 2013: Áustria e Eslováquia

  1. Também gosto de cemitérios desde criança! Eu ia muito com o meu avô e gostava de ficar conversando com as imagens dos túmulos hahahaha
    Amo de paixão essas casinhas coloridas, acho um charme!
    Sempre quis fazer uma viagem para outro país! E, claro, nunca fui.
    Quem sabe um dia né?

  2. Prazer, Papai! Ana, se ele rir, você parece muito com ele!!!
    Mandei o link deste post pra Line (minha filha). O TCC dela foi a criação de uma fonte chamada HIDROMEL, porque saiu de um rótulo de hidromel fabricado aqui no Brasil no século passado. Achei que ela ia gostar de saber que existe hidromel na Europa!
    Adoro seus posts de viagem, mas isso eu já falei milv ezes.
    Bjoooo

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