Europa 2014/2015 (parte 4: Suíça)

Esse post faz parte de um texto divididos em 5 partes sobre a minha viagem à Europa entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015. As partes 1, 2 e 3 podem ser lidas aqui: BerlimPraga e Munique.

Continuando a viagem maravilhosa, chegamos à última parte: Suíça. Que país, meus amigos. A Suíça é sim tudo aquilo que a gente pensa que é: organizada, limpa, eficiente, caríssima e com paisagens arrebatadoras. E devo dizer que aproveitei MUITO cada minuto em solo suíço.

3 de janeiro

Durante todo o percurso Munique-Zurique, a paisagem era desalentadora. Neve e chuva constantes. Já estava pensando: pô, todos os meus dias na Suíça serão assim? 😦

Cheguei à estação central de Zurique umas 17h e fui trocar dinheiro. Na época, €1 = 1,2 CHF (franco-suíço). Uma semana depois de eu voltar, a Suíça desencanou de ter uma moeda mais fraca que o euro, e deixou o câmbio livre. Hoje, as duas moedas estão equivalentes. Só que a Suíça é um ABSURDO de cara. Enquanto eu podia tranquilamente jantar um kebab e tomar uma cerveja em Berlim por menos de € 10, em Zurique eu gastaria uns 40CHF. Sente o drama. Uma longneck de Heineken, uns 8 CHF. 24h de transporte público por Zurique, 12CHF, um bagel do Starbucks no café da manhã, 6 CHF. É tudo um absurdo.

Enfim. Troquei a grana e fui procurar o meu hotel, que era bem de frente à estação – o problema era achar a saída certa, até porque chovia a cântaros e já estava anoitecendo. Mas deu tudo certo.

Bom, devo alertá-los de que fiquei num hotel classudo. Zurique é tão rica que não tem hostel. Os hostels ficam em cidades vizinhas, a tipo 20 min de trem, coisa assim. Os hotéis 2/3 estrelas eram muito caros e muito podres: não caberia minha mala e eu dentro do quarto. Daí comecei a ver hotéis melhores e descobri que o preço entre uma diária de uma espelunca 2 estrelas e um hotel 4 estrelas era muuuuito pequena. Valia a pena.

Foi caro pra caralho e minhas finanças estão fodidaças até hoje (final de março) por conta daqueles 6 dias com vista para o lago de Zurique e a poucos passos da estação de trem, mas não me arrependo.

Sente o drama do Central Plaza. 6 diárias, sem café da manhã, me custaram CHF 1.160 (é, eu sei, não pensem que sou rica. Faz 2 meses que não almoço, ainda tentando reverter essa desgraça). Mas olha: um quarto com 10 metros quadrados a 2km da estação de trem era CHF 1000. Me digam que não valeu a pena???

A merda de verdade é que paguei no cartão de crédito e o real cagou total enquanto minha fatura estava aberta: o dólar (não importa a moeda, o cartão sempre converte pro dólar) tava uns R$ 2,80 quando viajei. Voltei e já tava uns R$ 3,10. Ou seja. Calculem a merda. Ou não. Mas tudo bem: estava numa localização PERFEITA e com muito conforto. Como pretendia fazer vários day-tours pela Suíça de trem, ficar a poucos passos da estação foi uma mão na roda e economizei com transporte público que, como dito acima, era bem caro.

Tomei um banho e saí para encontrar o Chris, meu amigo suíço que estava por lá e fez um rolê por alguns pontos da cidade comigo. Sempre bom conhecer gente local. Andamos pela Banhoffstrasse, a avenida principal e cheia de lojas chiques; entramos em vários pubs, enquanto ele me contava curiosidades e histórias pessoais de alguns daqueles lugares;

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passamos em frente a igrejas (tudo protestante). Essa da foto abaixo é a Grossmünster;

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Chris me mostrou um quarteirão cheio de… putz, não lembro a palavra nem em inglês, nem em português e nem em alemão. Hahaha. São tipo clubes de entidades. Salas lindas, todas ornamentadas, que recebem reuniões de sócios e coisas assim. Coisa BEM CONSERVADORA, saca? Não sei explicar. (UPDATE Chris falou que: A palavra da praça cheia de… é “Zunft” ou guild em inglês. Clubes para cavaleiros)

Terminamos percorrendo a Nierderdofstrasse, equivalente à Rua Augusta de Zurique: Vááários bares, restaurantes, puteiros e afins – também a poucos passos do meu hotel.

Ele me levou a um bar low profile, mas ao mesmo tempo super autêntico. O Bierhalle Wolf tem mesas bem duras de madeira, pra galera ficar batendo as canecas de chopp, música ao vivo (inclusive alemã) todos os dias e uns frequentadores velhos e patéticos que bebem até cair, hahaha. Maravilhoso.

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Depois comemos um kebab e assim terminou minha primeira noite em Zurique.

4 de janeiro, Berna

Acordei e olhei pela janela:

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QUE QUE É ISSO MINHA GENTE. Quase chorei quando olhei pela janela e vi o céu azul e a vista do meu quarto. Se eu acreditasse em divindade agradeceria a Deus. Mas como não acredito, agradeci ao meu próprio esforço. Cada centavo para pagar essa viagem foi fruto do meu trabalho.

Já tinha planejado no dia anterior o que fazer com meus próximos 5 dias inteiros na Suíça. 1 dia para Zurique e 4 para percorrer cidades suíças, começando por Berna, a capital, a cerca de 1h de trem de Zurique. Para isso, comprei um Swiss Travel Pass de 4 dias, 2ª classe. Lá se foram 251 CHF. Caro, muito caro, mas vale cada centavo e compensa especialmente para quem quer fazer bate-voltas pela Suíça.

Um adendo: esse post do ótimo blog “Viaje na Viagem” me ajudou muito a pensar no roteiro e a entender o funcionamento do Swiss Travel Pass. Pena que o preço tava desatualizado, quebrei a cara quando cheguei ao guichê da SBB.

Resumindo: o Swiss Travel Pass permite que você use qualquer tipo de transporte público em qualquer cidade suíça no período de validade do seu bilhete. Dá pra comprar 3, 4, 8 ou 15 dias, consecutivos ou não. Eu optei por não-consecutivos. Com o Swiss Pass dá pra ir a qualquer cidade suíça de trem, pegar trams, ônibus, barcos e ainda rolam pequenos descontos em rotas exclusivamente turísticas. Mais: dá pra fazer isso tudo num único dia (é burrice, mas é permitido). Bagulho é maravilhoso.

Comprei na própria estação de trem de Zurique e já comecei a usar: olhei o próximo trem para Berna, entrei, sentei e pronto. Daí quando o moço do controle de bilhetes passa, você apresenta o Swiss Pass com a data do dia que está sendo usado e zaz. Simples assim.

Uma coisa que aprendi nessa viagem e mudou minha vida: salvar mapas offline no google. Por exemplo: usando o wifi do hotel de Zurique, eu entrava no mapa de Berna, estrelava alguns pontos que queria conhecer e escrevia “ok maps”. Daí ele salvava offline. Em Berna, ou em qualquer cidade que eu chegasse, saía em busca de um lugar com wifi (não é tão fácil, pq os wifi livres deles requerem uma senha que é enviada por sms, e eu não tinha habilitado o meu para uso no exterior, pq não sabia disso). Mas sempre tinha um starbucks no caminho. Com wifi, entrava de novo no mapa salvo e ele detectava minha localização em Berna. Pronto: com esse simples expediente garanti jamais me perder 🙂

Minha ideia era dar uma volta em Berna, almoçar e voltar para Zurique. Tinha visto um day tour, só que era na parte da tarde…

Só que eu fui andando por Berna e me apaixonando pelas ruas medievais,

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pelas galerias e pelas centenas de lojas subterrâneas,

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(isso é uma loja. Fechada – domingo tudo está fechado.)

pelas dezenas de fontes de água potável espalhadas pela cidade

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e pelas construções. Todas.

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Isso porque eu ainda nem tinha chegado às margens do rio! Cheguei às margens do rio e plaft, mais um arrebatamento. Arrepiei com a beleza do lugar. Inacreditável.

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Isso porque o rio originalmente é turquesa. Olha uma foto dele como normalmente é:

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Tava marrom por conta das chuvas, mas não atrapalhou. O lugar é maravilhoso mesmo com o rio barrento ♥

Na margem em que tirei foto rola um parque enorme, o parque dos ursos. Durante meses quentes os bichos podem ser vistos com facilidade. Eu não vi nenhum, fiquei desapontadíssima. Mas depois me dei conta: é inverno, eles tão hibernando!!! Fui confundida pelo maravilhoso dia azul. hehe.

Sei que me encantei com a cidade num grau que resolvi ficar mais e encarar o free walking tour. Eu pensei que passaria pelos mesmos lugares já explorados sozinha, mas não. Foi um rolê novo. Descemos à margem do rio (oposta ao parque dos ursos). Vimos onde a população ~pobre~ de Berna mora. Vimos nas colinas ao longe onde os ricos moram. Foi espetacular! Isso porque a guia, nascida e criada em Berna, era estudante de Ciências Sociais. Humanas da Suíça! E era um grupo pequeno, melhor ainda!

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Na foto acima, a típica habitação de classe média-baixa de Berna. No prédio do meio, último andar, uma mulher curtia o solzinho de um inverno ameno. Achei simbólico 🙂

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Nessa foto acima, tirada do topo da Bern Münster (a igreja de Berna, foto abaixo), dá pra ver a divisão social da cidade: embaixo, rente ao rio (e às inundações, que ocorrem – alagamento não é só no Brasil, amados), os pobres. Acima, protegidos por um morro, os ricos. Screen Shot 03-19-15 at 03.38 PM 001 Screen Shot 03-19-15 at 03.38 PM

Detalhe da fachada da Bern Münster.

Fora que estava um dia agradabilíssimo. Até rolou tirar o casacão, fiquei só com a blusa de manga longa! Perfeição ❤

Meu grupo posando para foto no parque atrás da igreja.

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4 alemães; eu segurando a plaquinha do tour; uma argentina; mãe e filha brasileiras e um singapuriano.

Aliás, outra informação que só uma guia cientista social acharia relevante: diz ela que o parque atrás da igreja era uma verdadeira cracolândia. Para contornar a situação, Berna foi uma das pioneiras em um projeto que depois se espalhou por outras cidades suíças e também pela Europa: foram criados espaços pros viciados poderem se drogar em paz. O projeto deu certo; a praça foi recuperada e hoje em dia fica cheia de esportistas, famílias, turistas…

Após o tour, entrei em um restaurante para comer um prato tipicamente suíço e mais, originário do Cantão (a divisão geografica dos estados suíços chama Cantão) de Berna: a Batata Rösti.

Só que fiz uma má escolha, pedi uma com espinafre. Bagulho ficou molhado por conta da verdura e perdeu a crocância 😦

Voltei para a estação com ajuda do GPS do mapa salvo no meu celular, peguei o primeiro trem para Zurique – estava lotado. Vamos lembrar que o dia seguinte era uma segunda-feira e, mais, volta ao trabalho de todo mundo pós feriados de fim de ano.

Cheguei ao meu hotel 20h e pouco destruída. Só tomei banho e morri.

5 de janeiro, Zurique

Dia de tranquilidade para passear por Zurique. Acordei tarde, tomei café da manhã saudável no Starbucks (granola e iogurte com frutas vermelhas) e fiquei aguardando outro amigo suíço que me levaria para passear pela cidade. Durante o dia, dessa vez.

Passamos pelos mesmos pontos que eu tinha estado com o Chris na minha primeira noite, mas dessa vez era dia, com um belo céu ensolarado e aquele frio maravilhoso, porém positivo (acho que uns 4ºC): Sol+frio = melhor coisa do mundo.

Além disso, nos detivemos mais em cada ponto. Entramos nas igrejas também. Igreja protestante, sem aquele monte de altar de ouro, anjos, santos, cruzes e afins – são tão sem graça artisticamente, né? Embora a Fraumünster tenha vitrais lindos – meu amigo disse que são importantes, mas não soube explicar e eu nem pesquisei. Aliás, Zurique é sede de várias coisas históricas importantes. Tipo o surgimento do calvinismo. E quem viveu na cidade por um tempo foi Marx. Só que meus dois amigos-guias provavelmente se importavam muito mais com a cerveja do que com as aulas de História hahaha

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Mas aprendi coisas bacanas. Exemplo: essa grua atrás de mim na foto acima é arte urbana, e não uma obra sendo executada. Parece que é polêmica, muita gente acha horrível um skyline desses com uma grua no meio… Mas boa parte da população já se habituou.

E daí chegamos à Bellevue. Zurique é alemã, mas o nome é em francês. E vou te contar que nunca vi um lugar com um nome TÃO apropriado.

Bela Vista. Concordam?

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Rolava uma névoa meio que cobrindo os Alpes. Mas dá pra ver.
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Galera nada nesse lago. Há cervejas feitas com a água desse lago.

Um momento de silêncio para apreciarmos a transparência de um lago que cruza uma cidade de 500 mil habitantes:

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Suíça, gente.

Apenas.

Ainda fui contemplada com algo que não é muito comum em Zurique, como disse meu amigo. Dois homens tocando ~cornetas das montanhas~ ou algo assim.

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São coisas típicas dos vilarejos alpinos, mas é raro ter nas cidades. Ainda mais no inverno, quando há escassez de turistas…

Também passamos pela Ópera e passeamos pela praça por um tempo. Já a tardinha almoçamos em um restaurante italiano com vista à Bellevue. Brincadeira, mermão. Que dia!!!

Voltei para o hotel para descansar um pouco. Depois me arrumei para encontrar novamente o Chris.

Fomos jantar pizza em um restaurante que ele adora e que eu não lembro o nome. Em seguida, fomos a um show de Jazz conceitual nesse pico. Um amigo dele ia tocar.

Existe o conceito de música intelectualizada? Pois só assim consigo explicar. Um som delicioso, mas muito diferente de qualquer jazz a que estamos acostumados.

Screen Shot 03-19-15 at 04.10 PME assim terminou a noite.

6 de janeiro, Jungfraujoch

Pensa em um dia cansativo, mas extremamente recompensador: 6 de janeiro em carne e osso. Acordei às 5 da manhã, noite cerrada, para fazer o percurso de 4h30 de ida até o Jungfraujoch, o Top of Europe, ponto mais alto da Europa. Eu tava com medinho, porque precisaria trocar de trem CINCO fucking vezes, e o intervalo entre eles era de tipo 3 minutos. Só que É SUÍÇA, GENTE. Funciona.

E lá fui eu, com meu Swiss Travel Pass na mão, pegar: trem para Berna; de Berna para Interlaken (quando começou a amanhecer); de Interlaken para Lauterbrunnen, de Lauterbrunnen para Kleine Scheidegg (nesse trecho é trem turístico e lá se vão mais uns 150 CHF 😥 )e de lá finalmente para o o Top of Europe.

No trajeto centenas de pessoas equipadas para prática de esportes de neve. Invejei. Preferia muito mais tentar uma aula de esqui do que só olhar neve, mas esqui leva uma vida para aprender. Em um dia não dá nem pra ficar de pé.

Rolê caro pra cacete, demorado pra cacete. BUT… Não vou falar nada, só vou postar as fotos do trajeto e vocês tirem suas conclusões a respeito desse rolê:

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E aí?

Foi tudo tão maravilhoso que chegando ao topo foi até meio brochante. Aquele monte de turista asiático folgado pra porra que te expulsa de um lugar na maior cara de pau para tirar uma foto; vários locais para brincar com a neve fechados por conta de ameaça de avalanche; um puta estrutura mega turística que dá preguicinha. Mas vamos lá, né.

Ladies and gentlemen, com vocês, o Jungfraujoch:

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De ladinho:

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Outra parte. No horizonte, França.
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Um vale nevado

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Deixei o rolê turístico por último. Dentro de um puta prédio que era a estação final do bondinho (fun fact: no bondinho tinha uma TV que passava comercial de vários bondinhos pelo mundo, inclusive do Pão de Açúcar no Rio) tinham restaurantes, a “loja mais alta do mundo” da Lindt (fun fact²: o “d” do Lindt não é pronunciado. o correto é dizer “lint”), e umas coisas para distrair turista. Desde um pequeno filme para mostrar a construção do lugar até um tour por dentro das montanhas (me deu uma vertigem absurda, odiei a experiência) e um ~palácio de neve~:

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Bobinho, mas, né.

Terminei o rolê rápido e pensei: e agora? Ainda tava cedo. Planejei ir até Interlaken, que dizem ser uma cidade magnífica. Comecei o trajeto de decida.

O ponto depois do Jungfraujoch, no sentido de descida, era a estação de esqui de Grindelwald. Bati o olho: várias famílias almoçando em banquinhos no sol; um monte de gente esquiando nos arredores; pessoas tomando cerveja, conversando.

E foi assim: dei um pulo e decidi ficar naquela estação.

Pedi uma Erdinger, porque a gente merece:

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E aí, no bar, começou a tocar “Highway to Hell”, do AC/DC.

Bateu. Mais uma vez nessa viagem.

Aquela alegria profunda e a sensação de que aquele momento perfeito será lembrado pelo resto da minha vida. Felicidade em sua plenitude.

Até gravei videozinho:

Almocei um bagulho também tipicamente suíço cujo nome não me lembro. Colesterol e gordura até morrer. O bagulho tem: torradas fritas, cebola crocante, macarrão ao queijo suíço e bacon e purê de maçã. OBESIDADE escala mil. Me senti tão culpada que não comi nem metade. E foi caro, viu. Minha Erdinger custou 11CHF, esse prato foi 24CHF. Mas pelo menos Suíça não é como EUA no quesito gorjeta. É normal ninguém deixar um centavo.

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Antes de iniciar minha jornada de volta, olhei por um tempo o povo esquiando e jurei pra mim mesma: um dia eu tento.Screen Shot 03-19-15 at 05.02 PM

Comecei meu périplo para voltar. Também com paisagens incríveis.

Fim de tarde em uma vila alpina:
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Já em Interlaken e com o sol se pondo.Screen Shot 03-19-15 at 05.02 PM 002

Cheguei em Zurique e fui passear um pouco pela cidade. Sozinha dessa vez.

Banhoffstrasse:

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Bellevue de noite:

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Skyline noturno com a Kirsche Fraumünchen e uma loja da Lindt. hahaha

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Daí decidi jantar.

Segui o conselho de um amigo: fui ao restaurante Brasserie Federal, dentro da estação de trem, e comi o Zürcher Kalbgeschnetzeltes, algo como um picadinho de vitela. E ainda acompanhava batata Rösti.

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MELHOR COMIDA DA VIAGEM, sem a menor sombra de dúvida. Tava divino!!! Lembra um pouco um strogonoff (meu prato favorito), tanto na aparência quanto no sabor. Só que o molho é bem mais forte. A batata rösti também estava maravilhosa. Esse prato me custou 36,90 CHF. (Acho que nunca me cansarei de repetir o quanto a Suíça é cara. )

Já eram umas 23h e pouco quando cheguei no hotel. Desmaiei em instantes naquela maravilhosa cama de casal só pra mim.

7 de janeiro, Lugano

Eu ainda queria ir a algum lugar da Suíça francesa (Genebra provavelmente), da Suíça italiana (Lugano) e a Lucerne. Só que eu só tinha mais dois dias. Shit. Vontade de voltar no tempo e refaz meu roteiro, com um dia a menos em Munique e um dia a mais na Suíça… Mas fazer o quê, né.

Acordei cedo e fiquei quebrando cabeça tentando decidir o que fazer nesse penúltimo dia. Lucerne ficaria para o último. Faltava decidir entre Suíça italiana ou francesa. Mas como?

O argumento de um amigo resolveu a parada: ele disse que o trajeto de trem para Lugano passava pelo meio dos Alpes. Para Genebra não havia muitos atrativos…

E lá fui eu para Lugano: um trem vazio com destino a Milão (o Swiss Travel Pass só é válido dentro da Suíça. Se eu fosse até a Itália com ele e fosse pega, pagaria multa) e parada em Lugano. Foram umas 2h30 até lá e… GENTE.

Fora que dei uma sorte dos diabos: meus 6 dias na Suíça foram 6 dias de frio ameno e de céu azul.

O trem estava vazio, o que me permitiu ficar as 2h30 correndo de um lado para o outro para admirar as paisagens. Meu amigo tinha razão: impactante. Todas os estereótipos da beleza suíça estampadas nas embalagens de chocolate estavam ali. Nem fiquei me matando pra tirar foto, mas vejam duas:

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Lindo demaaaais.

E rolou mais um momento “se eu morrer agora vou-me embora no auge da felicidade”.

Só esse rolê de trem já valeu. Mas ainda tinha Lugano, no Cantão de Ticino. A parte pobre da Suíça.

No trajeto deu pra reparar nisso, mesmo. Casas bem mais simples, uma pegada agricultura, sabe?

Mas voltando: Lugano.

Primeira coisa que fiz foi entrar em uma lojinha ainda na estação para comprar algo para comer. Essa vida sem café da manhã é cruel. O “Buongiorno” da atendente me encheu de amor. Respondi ao Buongiorno e ainda mandei um Grazie. hahaha

Cheguei na cidade sem qualquer expectativa. Dessa vez não tinha mapa salvo no google, nada preparado. Foi um tiro no escuro. Tanto que na estação de trem fui ao guichê turístico perguntar o que eu poderia fazer para conhecer Lugano em poucas horas.

A moça, com um inglês fraquinho, me deu um mapa e me indicou descer pelas ruazinhas da parte histórica, andar pela margem do lago, ir até o Parque Cívico e terminar com o Monte Brè.

Fazia um clima bastante agradável, uns 12ºC talvez. Até calorzinho. Quase.

Lá fui eu. Saí da estação e olhei a cidade:

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Mamma mia!

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A igreja no começo da descida…

Fui andando meio sem rumo pelas vielas apertadinhas TOTALMENTE italianas. Vasinhos com flores e tudo. Bastante verde. Muitas árvores. Gente falando alto em uma língua que eu compreendia muitas palavras por frase. Depois de quase 20 dias em lugares de língua alemã e checa, parecia que eu era fluente em italiano, de tanto que entendia os pedaços de frases que as pessoas falavam ao meu redor. Muito louco isso.

Mas a cidade era uma desgraça para se localizar. Me perdi mil vezes sem meu GPS, e não encontrei se quer um Starbucks pra fazer o rolê do wifi 😦

Me perdendo, me achei. Dei de cara com o lago. Não sei o que eu esperava, mas não issoisso.

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Mas que país filhadaputamente lindo.

E aí olhei pro outro lado. OS ALPES.

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Parei para almoçar.

Se estamos na Itália…

Screen Shot 03-19-15 at 05.35 PM 002Risoto e vinho 🙂

Próxima parada: Parque Cívico, uma área verde enorme na margem do lago.

Cheio de crianças brincando, casais namorando, velhinhos lendo jornal.

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O que me impressionou bastante foi a quantidade de verde na cidade. Isso porque é janeiro, inverno. Fiquei imaginando esse lugar no verão… Deve ser lindo, mas um inferno de turistas.

Falando em turistas: pouquíssimos brasileiros na Suíça.

Só me restava o Monte Brè. Só que me perdi de novo nas ruas, não achava o ônibus que precisava pegar. Fui andando até o bondinho, quase uns 40 minutos. E as horas corriam… Logo anoiteceria.

No bondinho, uma placa dizendo que estava em manutenção, fechado até março.

Outra placa dizia que tinha um ônibus público que subia até lá. Fui atrás do raio do ônibus.

Agora já anoitecia de verdade. O céu azul já estava laranja. Na melhor das hipóteses veria o último raio de sol de cima do Monte Brè.

Mas a gente é brasileiro e não desiste nunca (risos). Além disso, não custava tentar, né? 🙂

No ponto de ônibus, um aviso digital mostrava o tempo até o próximo ônibus. Mais uma vez, precisão total. Impressionante.

Entrei no ônibus para subir o morro e já era finzinho de tarde:

Screen Shot 03-19-15 at 05.35 PM 003Subindo…
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Lá de cima.

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Nem desci do ônibus, porque seria noite total em poucos minutos e o outro ônibus demoraria mais de meia hora. Mas o trajeto valeu a pena.

Li em alguns lugares que Lugano lembra o Rio de Janeiro. É verdade.

Olhem as três últimas foto aí acima. Não parece a Baía de Guanabara? O Pão de Açúcar? Parece muito!

Lugano foi uma surpresa agradabilíssima!

No trajeto até Zurique dormi o tempo inteiro.

Ao chegar, dei uma volta pela Nierderdofstrasse (a rua Augusta de Zurique). Tomei uma cerveja, comprei mais uma e também um kebab para jantar no hotel.

Comi e capotei.

8 de janeiro, Lucerne

Último dia de viagem. Último dia de Suíça. Acordei num misto de sentimentos: últimos resquícios de felicidade suprema e um começo de depressão de a viagem estar no fim. Depressão essa, aliás, da qual não me livrei até agora (final de março).

A ideia inicial era ter companhia dos meus dois amigos suíços para ir a Lucerne, a apenas 1h de Zurique. Mas a indecisão deles me fez desencanar: tô sozinha, continuarei sozinha. Mais tarde jantamos juntos e tá tudo certo.

Das vantagens de ser independente e de adorar a própria companhia.

Cheguei em Lucerne e entrei no centro turístico atrás de dicas do que fazer. Estive em Lucerne em 1998 com meus pais. Passeamos pela cidade, fomos a uma montanha na região e foi a primeira vez que vi nevar (meu primeiro contato com a neve foi bem antes, em 1995, em Bariloche, Argentina). Só que eu não lembrava de Lucerna, só da parte nevada. Criança, né…

Eu já tinha visto muita neve, então mais montanha nem me ocorreu. Além disso, queria voltar cedo para Zurique, a fim de arrumar malas.

A moça sugeriu uma volta pelo centro histórico, ver as pontes famosonas e um tour de 1h de barco (também incluso no Swiss Pass). Fiz isso.

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Lucerne.

Atrás de mim o ponto mais visitado da cidade, a Kapellbrücke. É a ponte coberta de madeira mais antiga da Europa, datando do século XIV. No interior da ponte, no teto, tem várias pinturas do século XVII sobre a história da cidade.

Foto da ponte por outro ângulo:

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Foto da Wikipedia com fotos das pinturas:

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Optei por deixar o passeio pelo centro para mais tarde. Primeiro, o passeio de barco pelo lago:

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Not bad at all!!!

Ao voltar, comecei o rolê pela cidade. Fui primeiro à Löwendenkmall. Lindíssimo!!!
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A descrição é que não nos diz muita coisa:

Foi esculpido em rocha natural em memória das mortes heroicas dos mercenários suíços nas Tuileries em 1792 (pela data, deve ser coisa da Revolução Francesa. Não sei. Não pesquisei, sorry.)

O escritor Mark Twain descreveu o Leão de Lucerna como uma das mais tristes e impactantes esculturas do mundo.

De fato, o leão chorando desconsolado sobre o espelho d’água é de dilacerar o coração.

Também passei e entrei na igreja Hofkirche. Linda e católica, como grande parte da cidade, aliás.

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Próxima parada: Musegg Wall, as muradas medievais que protegeram os limites da cidade de 1386 em diante.

Screen Shot 03-19-15 at 06.13 PM 002Elas estão praticamente intactas. De um lado, a cidade histórica. De outro, um parque e a parte moderna da cidade.

São nove torres: quatro delas abertas ao público. Mas nenhuma delas na baixa temporada/inverno. Triste, mas fazer o quê.

Na foto abaixo, a Torre Zyt, que abriga o relógio mais antigo da cidade, construído em 1535.

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A muralha fica na parte alta da cidade e tem vista maravilhosa:Screen Shot 03-19-15 at 06.15 PM

Do alto das torres a panorâmica deve ser ainda mais bonita, mas, como estavam fechadas, tive de me contentar com essa. Not bad, though.

Por último, uma voltinha pela parte histórica. O grande lance do centrinho das as centenas de construções com afrescos medievais na fachada, tipo isso:


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É lindo!

Começando a entardecer, voltei pra Zurique. Meu último por do sol na Europa:

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😥

Voltei ao hotel com o coração partido: em 24h eu trocaria o inverno suíço pelo verão de temperaturas recordes em São Paulo. Por um Brasil em crise política e econômica. Trocaria o lazer pelo trabalho.

Arrumei as malas e desci para o bar CHIQUÉRRIMO do hotel. Tomei um mojito de 18 CHF (risos) e saí para encontrar meus amigos para jantar aquele prato que é um símbolo suíço, e que eu guardei especialmente para a última noite:

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Fondue! Com vinho branco! E kirsche, tradicional bebida suíça feita de cereja. No restaurante Le Dèzaley.

Algumas informações sobre fondue na Suíça:

– Não existe fondue de chocolate na Suíça. Não existe fondue de carne. Não existe NADA DISSO. Só queijo.
– O fondue é acompanhado de UM tipo de pão e nada mais. Nada de batatas, legumes, aquele monte de frescura que brasileiro inventou.
– É tradição suíça mergulhar um pedaço de pão, de vez em quando, no copinho de kirsche e, em seguida, no queijo. Isso facilita a digestão.

Bom, estava excelente. E tomei tanto vinho e kirsche que saí de lá bem bêbada. Mas a noite ainda estava no começo. Próxima parada foi em um pico que funciona como restaurante, embaixo, e lugar para beber vinho, em cima.  O Öpfelchammere. É um lugar pequeninho e impressionante, que eu jamais saberia da existência não fossem meus dois amigos nascidos e criados em Zurique.

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O lugar existe desde 1801 e era muito frequentado por poetas, artistas e outras personalidades famosas de Zurique, nenhuma das quais ouvi falar.

Mas o grande lance do lugar é um desafio que tem a ver com esse espaço entre o teto e a madeira de sustentação, nessa foto abaixo:

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Como vocês podem observar nas duas fotos, o lugar é coberto por inscrições e nomes talhados na madeira. O lance é o seguinte: se você conseguir passar seu tronco corporal por esse espaço entre o teto e a madeira, você também pode imortalizar seu nome. Não paga nada para tentar (só mico). Mulheres podem subir no banco de madeira logo abaixo para dar impulso; homens tem que ir na raça.

O lugar estava vazio e meus amigos (um deles venceu o desafio quando tinha 18 anos, mas não lembrou onde talhou o nome; o outro, nunca conseguiu e agora, quase com 40, nem tenta mais) insistiram para eu tentar. Não rolou, não tive coragem. Mesmo só com eles e o garçom presentes. Até porque eu sou gorda e peituda. Meus peitos não passariam por esse espaço nem a pau.

Mas eu falei que o grande lance do lugar era esse desafio? Não, o garçom também rivaliza como uma das grandes atrações. Por que? A foto diz tudo:

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Sim, praticamente uma mistura de Dalí com Trotsky. Na foto atrás dele, o avô, que também foi garçom de lá.

De modos que apenas tomamos vinho enquanto ouvíamos o garçom falar, enquanto um amigo contava como conseguiu vencer o desafio, enquanto o outro amigo contava como viu muita gente passando pelo buraco.

Próxima e última parada: Bierhalle Wolf de novo, é claro.

E mais cerveja, mais tipos esquisitos, mais ótimos últimos momentos.

Screen Shot 03-19-15 at 06.16 PM 003Entre as cervejas, meu amigo foi convidado para tocar bateria com a banda durante uma música. Também presenciamos uma briga! Um cara berrando pro outro para irem resolver o assunto “lá fora” (aqui no Brasil um quebraria a garrafa de Skol na cabeça do outro dentro do bar mesmo, né? Mas até para brigar eles são civilizados). Sei que deu até polícia! hahahaha.

Enquanto isso, um cara na mesa de trás, sentado sozinho, fazia palavras cruzadas.

MELHOR BAR.

E vou encerrar com a foto mais maravilhosa. É tradição tomar o shot de Jagermeister (vocês já devem ter visto isso em pubs por aí) direto da garrafinha, segurando com os dentes e com a tampinha grudada no nariz. Tipo isso:

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Foto pra Linkedin ou o quê? ♥♥♥

Umas 2h voltei para o hotel naquele estado de euforia, tristeza e muito álcool no sangue.

Mal dormi: meu vôo para Paris (onde faria conexão para São Paulo) era às 7h20. Peguei o primeiro trem para o aeroporto, às 5h. Cheguei em exatos 10 minutos. Imagina? Chegar em 10 minutos a um aeroporto internacional por transporte público? Pois é. Suíça.

Voos tranquilos, nem achei que ia morrer pela turbulência. Mas foi pousando em São Paulo que rolou um momento engraçado: decolamos de Paris e estava chovendo e 5º C. Ao começar o processo de aterrissagem, o piloto anunciou que a temperatura em solo em São Paulo era de 36ºC. Choque e perplexidade em forma de murmúrios ecoaram em uníssono pelo avião inteiro. Hahaha. Depressão.

FIM DA VIAGEM MARAVILHOSA.

P.s.: (Sempre tem alguém me mandando e-mails com perguntas sobre viagens. Se você também quiser: anamyself@gmail.com)

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