Toronto/Jerusalém/Palestina em 3 dias (2016)

Nos últimos anos deixei de postar muita coisa e hoje me arrependo. Não contar sobre minhas viagens é um crime, porque acabarei inevitavelmente esquecendo boa parte. Nunca falei da minha uma semana em Paris (tá nos rascunhos, quem sabe um dia?) em 2015; do bate-volta às Bahamas no mesmo; da Alemanha/Bélgica/Espanha ano passado; nem da Argentina, nem do Chile. Foram viagens ótimas, cada uma com suas bizarrices, peculiaridades e perrengues. Quem sabe um dia eu animo, né?

Mas, por ora, vou me ater à uma viagem realizada em setembro de 2016, que ainda tá “meio” fresca: 3 dias entre Canadá/Israel/Palestina. Sim, você leu certo. 3 continentes (se considerarmos o Brasil-América do Sul como origem) em 3 dias. Céus, virei meu pai hahaha

Sim, sim. Essa foi mais uma viagem paitrocinada. Ele sempre jura que é a última vez. Uma hora será. Mas enquanto pintarem… Quem sou eu para recusar, não é mesmo?

A loucura da vez surgiu com mais uma promoção do site Melhores Destinos. Ida e volta para Tel-Aviv, pela Air Canada, por MIL FUCKING REAIS POR PESSOA.

Claro que ficou mais caro que isso. Afinal, tinha conexão em Toronto, e o Canadá exige visto, mesmo que de trânsito. Foi uma chatice correr atrás disso, além de custoso. Mas ok.

Eu já tinha estado em Israel e Jordânia em 2012. O relato você pode acompanhar aqui.

Marcamos a viagem para o feriado de 7 de setembro. Saída na quarta, 7, a tarde, volta na segunda, 12, de manhã. Estaria em Israel novamente durante o Shabat, o dia santo, quando tuuudo fecha. Mas fazer o que, né…

Vamos ao relato.

7 de setembro, quarta-feira

Decolamos de Guarulhos 20h e pouco num avião meio velho da Air Canada. Voo lotado. Jantar bem sem graça. Triste.

Quase 10h de voo inteiro noturno até nossa primeira parada: Toronto.

8 de setembro, quinta-feira (Toronto)

Em 2004, passei 2 meses no Canadá fazendo curso de inglês (a linguagem é miguxa e detestável, mas conto um pouco da época aqui e aqui). E uma foto ridícula da época aqui:

Na oportunidade, pude conhecer super bem Toronto e suas redondezas. Também estive em Quebéc, Montreal, Ottawa, Vancouver e Whistle.

12 anos depois, muita coisa deve ter mudado em Toronto. Mas só teríamos algumas horas pra fazer um rolê pela cidade, antes da conexão para Tel-aviv.

Meu pai nunca tinha estado em Toronto. Ele pensou em ir à CN Tower, que é uma torre enorme, cartão postal, com vista panorâmica, mas estava um dia HORROROSO. Não valeria o alto custo. Preferimos pegar o metrô e ir até o centro, dar uma volta por lá e fim. Barato e eficiente.

Do aeroporto, fomos de trem até a Union Square. Chegando lá, vimos um ônibus gratuito que ia entre a localização onde estávamos e o pequeno aeroporto Billy Bishop, também no centro de Toronto. Meu pai, TARADO por aviação, quis conhecer. E lá fomos nós.

Até que o passeio valeu a pena, pois o aeroporto tem umas particularidades interessantes, como por o exemplo o fato de ficar em uma ilhota, e, para alcançá-la, há duas formas: uma passagem subterrânea ou uma balsa:

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Fomos pela passagem subterrânea.

Para entenderem o aeroporto, essa foto minha tirada em 2004 do alto da CN Tower ajuda:

O aeroporto tem uma decoração toda temática Billy Bishop, um conhecido aviador canadense que fez história principalmente na I Guerra Mundial. Tem até uma réplica do avião dele, ó que fofo. Desculpem pelas fotos péssimas, mas meu celular tava nos seus últimos dias de vida.

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Pegamos o mesmo ônibus para voltar à Union Station.

Tava um dia realmente horroroso. Abafado e chuvoso. Então o rolê foi curto.

Fomos até o Entertainment District. A Broadway de Toronto. Ia ter um festival de cinema no mesmo dia, a noite, então as ruas do bairro estavam fechadas para tráfego de carros. Ótimo para passear.

O bairro é uma graça, cheio de bares, restaurantes e teatros:

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Andando na direção contrária, fomos parar na frente da igreja St. Andrews:

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Interessante notar, na panorâmica acima, a CN Tower, à direita. Entre dois prédios bem altos, logo atrás de um edifício meio achatado e baixo. A vista de lá é foda e deve ter mudado bastante em 12 anos, né?

Passeio super rápido, mas valeu.

Depois voltamos para o aeroporto. Meu pai tinha um esquema lá para usarmos a sala vip por 3 horas. Mas era uma sala VIP humildona. Pelo menos tinha vinho. Bebi, hein. Bem.

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O voo para Tel-aviv, marcado para 16h30, atrasou mais de 2h (aliás, 3 dos 4 voos que fiz com a Air Canada nessa viagem atrasaram mais de uma hora. Fica aqui a crítica). Com esse atraso, perdi um passeio que faria em Jerusalém logo que chegasse, no dia seguindo. Paciência, né =/

Além disso, embarcamos no avião e… Nosso assento era aquele sem janelas. Fiquei louca com o meu pai. Ele é o PHd em aviação. Não sabia que nosso assento era sem janelas? Ele disse que não.

Mas eu tava puta da vida. Juntando isso com o consumo excessivo de vinho (a bebida da BAD) e uma crise fortíssima no meu então “relacionamento” lá em São Paulo, a coisa tava FEIA. Passei metade do voo chorando HAHAHA.

Ok, volta pra viagem.

Tenso quando o trajeto do seu voo mal cabe na tela, né?

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Provavelmente o voo mais longo da minha vida. Mas o da volta (14h) seria pior. Entre 7 e 12 de setembro, foram gastas 46h da minha vida em aviões. Joia.

Bom, não tinha janela no meu assento, mas quando fui ao banheiro fui contemplada por esse visual maravilhoso do balneário de Antália, na Turquia:

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9 de setembro, sexta-feira (Jerusalém)

Deveríamos chegar 10h, chegamos depois do meio-dia. Dureza. Nesse ponto, meu pai e eu nos separamos: ele ia para Petra, Jordânia (já tinha ido em 2013), e eu iria para Jerusalém. Nos encontraríamos apenas no embarque da Air Canada do voo Tel-Aviv – Toronto. E ele com um celular ultrapassado incapaz de mandar qq sinal de fumaça. Tem tudo pra dar certo, né?

Bom, 1h de táxi compartilhado e eu estava lá em Jerusalém, no mesmo hostel da última vez, o excelente Abraham Hostel. Um ótimo café da manhã, quarto privado bacana, localizado a 15 minutos a pé da cidade antiga (a parte sagrada).

Eram 14h quando cheguei. O tour que eu pretendia fazer – Holy City Tour já era. Sim, tour. Em 2013 fiz isso por conta própria e me dei mal. Manjo zero de religião e fiquei boiando nos lugares históricos, que obviamente não têm placas com “aqui acredita-se que Jesus carregou uma cruz”, sabe? Bom, mais uma vez fiquei sem saber o que Jesus fez ou deixou de fazer naqueles lugares em que vi tanta gente praticamente lambendo o chão e chorando.

Optei por um tour às 17h. Assim, eu poderia dar uma descansada (22h de avião, veja bem). Fiz isso.

16h30 estava lá no Jaffa Gate, a principal porta de entrada da Old Town, pro Tour Shabbat Experience.

A ideia do tour era dar um rolê pelos pontos históricos do judaísmo, no Dia Santo, e terminar o passeio no auge da celebração do Shabbat, no Muro das Lamentações.

Enquanto o sol começava a se pôr, passamos por sinagogas e outros pontos históricos.

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Abaixo, o Muro das Lamentações e ao fundo o Monte das Oliveiras. Uns 35 graus. Mas lindo ❤

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Um dos locais mais sagrados do judaísmo, acredita-se que o muro é o que restou de um dos mais antigos templos dessa religião – construído originalmente antes de Cristo. É também um símbolo da vitória de Roma sobre os judeus, que por séculos estiveram impedidos de acessarem a área.

O Muro das Lamentações divide homens e mulheres. Na foto acima, dá pra ver uma barreira bem no meio da foto, um pouco à direita da bandeira de Israel.

Só que os tempos mudaram e os movimentos de igualdade entre gêneros começaram a demandar um local para que homens e mulheres orassem juntos. Pois bem. Ele existe e fica do lado da concentração original. Mas permanece vazio. Ou utilizado por turistas como nós.

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O sol estava se pondo. Os cantos e orações ficavam mais altos. É exatamente nessa hora que começa o Shabat – todos devem parar e cultuar a deus.

Então, dividimos o pão e o vinho (suco), comemos e oramos (eles, não eu) – assim como é a tradição judaica.

Depois voltamos para a parte central do muro. Era o auge. Muita cantoria, muita dança. Próximo ao muro, silêncio alternado com pessoas chorando, orando compenetradíssimas. Acho uma loucura esse lance de religião, sério.

Fiz até um videozinho:

Impressionante. Energia poderosa.

Os trajes também chamavam atenção, principalmente os judeus ortodoxos, com suas barbas longas, chapéus e cachos.

Sempre lembrando que era verão no Oriente Médio e a temperatura estava alta. BEM ALTA. Mesmo durante a noite.

Depois dessa experiência magnífica, voltei para o hostel pelas avenidas que a pouco estavam cheias, mas agora não tinham viv’alma. Nada, nada. É bizarro. Até um pouco assustador. Uma noite muito quente e nenhum ser vivo na rua.

Cheguei ao hostel, tomei um banho e desci ao bar para jantar. Antes, uma cerveja, claro. Shapiro, a principal marca da região.

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O jantar? Pizza. Shabat, né. Tudo fechado. Tinha que me garantir no hostel, mesmo.

Daí tô lá tomando minha 4ª pint e senta um cidadão do meu lado, claramente alemão, e puxou papo. Pensei: eba, hora de treinar o alemão! Não durei 3 frases, juro. No alto do meu nível intermediário no Goethe Institut, NÃO FUI CAPAZ DE FALAR TRÊS FRASES. Ele perguntou se eu preferia inglês. YES, PLEASE. E ainda perguntou: ou espanhol? PORRA COLEGA, NÃO PRECISA HUMILHAR HAHAH

É, enfim, peguei o cara. Stefan. Um alemão de Stuttgart que ama o Brasil e tava usando havaianas. hahaha clichêzaço.

Só que ele queria ir pro meu quarto (privativo), eu tava zero afim (lembram que eu falei que tava em crise amorosa à época?). Tava exausta e morrendo de sono. Ele me levou até a porta do meu quarto e por lá – do lado de fora da porta – ficou.

Eu entrei e desmaiei. 22h de avião, rolê no calor de Israel, alimentação toda zuada, 5 cervejas e acordaria às 6h no dia seguinte. Há limites.

10 de setembro, sábado (Cisjordânia-Palestina)

Acordei de boa e tomei aquele café da manhã fodão que até nutella tinha.

Às 7h veio o ônibus que nos levaria pelo tour do dia – Best of the West Bank. Em outras palavras, bora conhecer a Palestina.

A loucura começou a poucos quilômetros de Jerusalém. O ônibus parou NO MEIO DA ESTRADA. Um cara desceu, outro entrou. Era o guia. A explicação: “sou cidadão palestino, não posso entrar em Israel”. SENTE O DRAMA. E ainda nem tinha começado.

Que tal essa placa aqui, que aparece várias vezes pela estrada?

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Primeira parada foi Qasr-el-Yahud, o local de batismo de Jesus, no Rio Jordão. Um filete de água turva venerado como se fosse um oceano. Se liga na galera pra se batizar:

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Saca a escada do outro lado? É da Jordânia. Se ultrapassar toma tiro. Oriente Médio é loucura.

 Próxima parada: Jericó. A cidade mais antiga do mundo. Há historiadores que discordam, mas a placa tá lá:

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DEZ MIL ANOS. É tempo pra caralho.

Além de antiga, é a cidade mais baixa do mundo. Está a 1300 metros ABAIXO DO NÍVEL DO MAR. Praticamente o inferno.

Andamos pelas ruínas da cidade antiga, mas tava um calor de 48ºC (!), não tava rolando.

Por ser tão abaixo do nível do mar, NÃO EXISTE BRISA. É um calor sem igual nessa desgraça de cidade. Sem brincadeira. O guia falou que mesmo no inverno rigoroso (rysos), nunca cai abaixo de 30ºC. HAHA. DEUS ME LIVRE.

Próxima parada: Ramallah, a capital da Palestina. No caminho, esse visual de aridez infinita.

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Visitamos em primeiro lugar a tumba de Yasser Arafat.

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Árabe, não trabalhamos. Mas diz algo como “lutou pela paz”, “líder palestino” e as datas de nascimento e morte (nasceu em 1929, 2004 morreu).

Sim, sou a ridícula que tira foto com os guardas que fazem a segurança do túmulo.

É difícil falar de Israel, Palestina, Shimon Perez, Yasser Araf sem tomar partido. É terrível o quanto de desgraça aconteceu com o povo judeu ao longo dos séculos. É terrível tomar o país alheio e dizer “ó, judeus, tá aqui sua terra prometida”. É terrível o conflito permanente e a sensação de guerra constante no Oriente Médio – algo que nós, brasileiros, não temos A MENOR IDEIA. A guerra está arraigada na cultura árabe e judia. Na cultura brasileira, guerra é algo distante. Imaterial, até.

Enfim. Isso tudo pra dizer que é foda meter o bedelho.

Enfim, centro de Ramallah.  TODA A LOUCURA ÁRABE EM SUA ESSÊNCIA. Calor infernal, trânsito, muçulmanos, barulho, caos.

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A cidade estava uma bagunça e nosso grupo tinha quase 40 pessoas (a maioria alemães e suíços, eu a única brasileira, AMÉM). Foi um grande desafio andar pela cidade, já tão abarrotada, sem perder ninguém.

Ramallah é uma típica cidade árabe. Nada mais a acrescentar aí.

Foi por lá que almoçamos. Num restaurante abafado e bem típico, enquanto todos comiam esfihas e zaatar (quero, amo!), fomos agraciados com um sem graça arroz com frango. Decepção. Amo comida árabe legítima! Mas enfim.

Próxima parada era Belém. Nesse trajeto há muitos grafites do Banksy, como esse:

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Bom. Belém.

O clima lá é pesado, ainda que seja (acredita-se), o local de nascimento de Cristo.

É BEM NA FRONTEIRA com Israel e é lá que ficam os muros separando os estados de Israel e Palestina.  É uma vibe pesadíssima. O Muro de Berlim é pesado, mas esse é pior: é algo atual. É um conflito permanente. Os barulhos de explosões são quase diários e nós, turistas, recebemos instruções ao adentrar a área. O guia passa a tarde no celular pra saber se está tudo bem. É tenso de verdade.

Mas a parte palestina do muro virou uma galeria  céu aberto. São quilômetros de mensagens contra a guerra, contra a tirania. É emocionante. Tirei poucas fotos, mas todas valem o post:

Ainda em Belém, fomos a uma doceria típica. FINALMENTE COMIDA ÁRABE \o/

Eu não tenho a mais puta noção de como chame esse doce, mas leva mussarela de algum bicho estranho da região, pistache, mel e macarrão fio de anjo. ISSO É FRITO E QUENTE.

(update) Parece que achei, chama Knafeh essa obesidade mórbida. É a versão árabe do cheesecake. É uma delícia, mas EXTREMAMENTE pesado. E é uma gorda quem vos fala, tenho autoridade. hahaha

Comi inteiro, pois ÚNICA OCASIÃO NA VIDA.

Uma rua no centro de Belém.

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Atenção para o nome dessa rua:

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ESTAMOS NO CENTRO DE BELÉM, PALESTINA, ORIENTE MÉDIO, E A RUA TEM NOME EM ESPANHOL. Não sei lidar. E não lembro da explicação. *.*

Próxima parada: Basílica da Natividade, Belém. Local onde Cristo nasceu (ou não, parece que dependendo da corrente do cristianismo, o lugar difere). Enfim.

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O caos. Muita gente. Calor do inferno. E a igreja desce escadas. É QUENTE DEMAIS.

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Eis o pico onde Jesus Cristo nasceu (de acordo com os católicos).

Também dei minha ajoelhada e ~pensei positivo~. Mal não faz, né?

E esse foi a última parada do nosso day tour pela Palestina.

Triste, mas acho que fiquei devendo. Não consegui colocar em palavras o que senti pisando no Palestina. Foi foda. Intenso. Triste. Único.

Depois disso voltamos para o hostel. Chegamos no começo do anoitecer.

Tomei merecido banho e fui pro bar tomar umas cervejas. Subi no meu quarto pra pegar minhas coisas e sair atrás de jantar. Tô lá e batem na porta. STEFAN, o alemão do dia anterior. Chegou agarrando. Preguiça. Falei para me encontrar no bar mais tarde, pq eu ia sair pra jantar. Disse que ok.

Saí.

Se na noite anterior as ruas de Jerusalém estavam às moscas, o day after do Shabat era a festa total. TODO MUNDO na rua. Festa, Cantoria. Muitos, muitos jovens. Um clima de AZARAÇÃO. Eu sei que a palavra soa idosa, mas os jovens de Israel usam vestidos abaixo dos joelhos/calça e camisa social na night de 35ºC. Loucura.

Ah, sim. É rara a comercialização de bebida.

Fiquei ali na praça observando o movimento enquanto devorava meus Falafels.

Voltei pro hostel, tomei mais uma cerveja no bar (o alemão não apareceu, PQ SERÁ NÉ). E fui dormir.

10 de setembro, domingo

Tomei café da manhã correndo e fui esperar o transfer pro aeroporto. Demorou um século – a ponto de eu tomar um novo café da manhã #gorda

Cheguei ao aeroporto 10 min antes do combinado com meu pai e tentei fazer nosso check-in. O sistema não aceitou. Esperei.

Passaram 15 min da hora combinada. 30 min. 45 min. MEU PAI NÃO É DE ATRASAR.

Morreu, pensei. Deixa eu fazer o checkin, entrar na sala de embarque, que lá tem wi-fi e tento ver o que fazer, pensei. SOU PÉ NO CHÃO, DESCULPA SE PAREÇO INSENSÍVEL.

Entrei na fila do check-in. PUTA FILA.

Mais meia hora passa. Falta 1h30 pro voo, 40 min pro embarque. Faltavam 5 pessoas para eu ser atendida. E MEU PAI APARECE EXASPERADO E FURIBUNDO. Aparentemente ele teve problema em TODOS os controles de imigração em q passou. Israel queria saber pq só ficaria 2 dias. E pq só iria à Jordânia. E pra eles entenderem que: a) ele já conhecia as principais atrações de Israel; b) a passagem estava o equivalente a 300 dólares ida e volta; c) ele não poderia dispor de mais de 2 dias para essa viagem.??? Israel encrencou. E feio. Raio-xizaram até as cuecas dele. Num grau tão foda que ele desistiu da próxima aventura louca dele, que estava marca para dali 2 meses. Traumatizou.

Mas ele tava lá. Num humor do cão, mas tava. Fizemos o check-in, embarcamos.

Voo MARAVILHOSO – 14h de voo, inteiro DIURNO. Céu claro em toda a Europa. Vimos a Turquia, vimos Praga, vimos cidades da Alemanha. Só no Oceano que zoou o tempo e ficou encoberto. Porém, aconteceu.

Mas também aconteceu, ali pela região da Islândia, de um outro avião emparelhar com o nosso, como se estivesse apostando corrida, A DEZ MIL METROS DE ALTITUDE E 900 KM/H. Juro que fiquei com medo. Tava muito, muito perto. filmei:

A chegada ao Canadá foi linda. Sobrevoamos toda a região dos lagos, num belo dia de verão. Tava da hora:

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Cadê os ursos e a neve, né? Canadá também é verdinho!

Bom, pousamos. Espera até o próximo voo. Longa. E ainda atrasou 2h.

Pousamos no Brasil com 2 horas de atraso. 12h. Eu precisava estar no trabalho – Itaim Bibi – às 14h. Estava a incontáveis horas (meu relógio cronológico pifou aí) sem banho, mas basta pensar que tomei banho ao acordar, em Jerusalém, às 5h da manhã. 6h a mais que o Brasil. Fui tomar banho de novo às 13h e pouco do dia seguinte, em casa.

UMA MARAVILHA.

E fui trabalhar.

Muito a fazer.

Tô velha pras essas coisas.

 

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3 comentários sobre “Toronto/Jerusalém/Palestina em 3 dias (2016)

  1. Ana, seus relatos de viagem são os melhores! Me sinto viajando junto.
    Fiquei super emocionada com a parte religiosa. Não me considero praticante de nada (já fui) e, mesmo assim, a prática conjunta mexe muito comigo.
    E a parte que vc fala do conflito Israel x Palestina é muito digna, sem tomar partido e expondo que estamos há anos luz de entender a verdade.
    Tô curiosa: qual seria a nova aventura do seu pai?
    Bjo!!!

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