Oriente Médio 2012 – Israel e Jordânia

Me meti a fazer uma viagem para o Oriente Médio no meio de [mais] um grande conflito entre Israel e Palestina. Antes que perguntem: não vi nada de estranho, além do grande número de militares fortemente armados em Jerusalém (dizem que é normal) e, no sábado, ouvimos sirenes anunciando possível ataque de bombas. Rolou friozinho na barriga, mas nada afetou a viagem, só deixou a galera no Brasil preocupada.

A verdade é que o povo do Oriente Médio está acostumado a viver sob constante tensão. Conflitos fazem parte da história deles. No Brasil, é o contrário. Não conhecemos guerra.

Enfim.

Essa viagem foi entre 15 e 20 de novembro, parte dela em companhia do meu pai (que, mais uma vez, pagou boa parte, entre passagens aéreas, hotéis e passeios), começou e terminou com voos longuíssimos e quebrei todos os recordes de tempo sem dormir.

Só lembrando: sou ateia, mas fascinada por expressões religiosas. Meu pai também. O intuito da viagem era sociológico e antropológico, por tanto.

Vamos à viagem.

15 de novembro – 

O voo da Turkish para Istanbul (onde faríamos conexão para Tel-aviv) saia às 5 da manhã, o que inviabilizou uma noite de sono. Depois de trabalhar o dia inteiro, cheguei em casa, arrumei “malas”, ou melhor, minha mochila velha de guerra com três camisetas, underwears, calça legging, blusa e coisas de higiene – vocês não imaginam o tempo que ganhamos em uma viagem curta quando não despachamos bagagem! – e 1h fomos pro aeroporto.

Vôo lotado, totalmente diurno. Não foi fácil.

Cruzando o deserto do Saara!

Pousamos na Turquia e fomos atrás de um hotel para passar a noite. Nossa conexão era só no dia seguinte.

Não consegui dormir direito. Meu pai roncava feito porca grávida e minha mãe ficava mandando mensagem falando pra gente não ir pra Israel porque ia ter guerra, daí deu medinho e fiquei caçando matérias na imprensa. A situação era ruim, mas não era pra tanto.

16 de novembro – 

O vôo para Tel-aviv foi rápido. O tal interrogatório tenso na imigração, de que tanto se fala na internet, não foi nada demais. Nos perguntaram para onde íamos, por quanto tempo e como elaboramos o roteiro de viagem (??? INTERNET, ALOU?). Só.

Por 26 shekel cada (a moeda israelense. U$ 1 = 3,8 shekel) pegamos um táxi coletivo para Jerusalém.

Ainda era cedo para check-in no albergue, então deixamos nossas coisas e fomos andando até a cidade velha, cerca de 15 minutos do hotel.

Chegamos lá e encontramos certo caos pelos arredores dos muros que dão acesso à Old City. Maior feira rolando. Era o povo se preparando pro o Shabat, dia sagrado judeu, que começa às 17h de sexta e termina às 17 h do sábado.

Entramos pelo Damascus Gate, que dá direto no quarteirão árabe. A luz estava péssima para tirar foto, então roubei uma imagem do google:

0_Damascus_gate_into_The_Old_City

Ao passarmos os muros, chegamos a túneis CAÓTICOS. Altas vielas que parecem dar em lugar nenhum, encruzilhadas sinistras, apinhadas de comerciantes vendendo de tudo um pouco: tranqueiras pra turistas, coisas falsificadas, roupas (típicas e comuns), brinquedos, comidas, temperos.

Como era véspera de Shabat, tava tudo meio vazio, ou fechando. Não achamos lugar para contratar guia (depois soube que só tem no Jaffa Gate, mas só até 12h, por causa do Shabat), não tínhamos um mapa decente, então fomos andando bestamente pelas vielas escuras.

De quando em quando, passava um grupo grande de turistas e seguíamos, aproveitando para pegar alguma explicação. Foi assim que chegamos às ruínas da Cardo Maximus, a avenida principal de cidades romanas. Um mural atrás de mim representaria a vida à época:

De lá, continuamos andando sem rumo até chegarmos ao Santo Sepulcro. Estava entupido de gente, o que contrastava muito com o resto da cidade antiga, vazia. Centenas de pessoas formavam filas para entrar num mausoléu de madeira, dezenas beijavam, choravam, rezavam sobre uma pedra no chão, outras centenas faziam fila numa escada.

Meu pai e eu boiamos completamente. Por mais que nos interessemos por religião, não soubemos o que significava aquilo, e não havia placas informativas.

Só depois pesquisei o que era o quê. A escadaria dá acesso ao Calvário, lugar onde creem que Jesus e outras duas pessoas foram crucificadas. A Pedra da Unção (local das devoções mais acaloradas que vi, exceto talvez pelo Muro das Lamentações) é onde o corpo de Jesus foi preparado para ser enterrado. O mausoléu tem em seu interior a tumba de Cristo e restos da pedra que acreditam tê-la selado. Também tinham outros trocentos monumentos lá dentro.

De lá continuamos pela parte cristã até cairmos na parte judia – um contraste absurdo com o resto da Old City. Na parte judia há bares e restaurantes chiquezinhos, é tudo limpo, arejado, organizado e sinalizado.

Assim, foi fácil chegarmos ao monumento mais sagrado da fé judia, o Muro das Lamentações.

Mulheres e homens rezam separado, há grades em cada lado.

Acredita-se que o muro seja remanescente da primeira sinagoga.

Sou um ser sem capacidade de sentir lances espirituais quaisquer que sejam, mas a fé dessas pessoas beijando, tocando, rezando na frente do muro é poderosa. Mexe forte com a gente. Fiquei sensibilizada. Tanto que fiquei até meio temerosa de bater foto. Acredito ser muito desrespeitoso fotografar manifestações acaloradas de fé como recordações de viagem. Acho mais válido ficar só na memória.

Só tirei essa foto meio sem graça para mostrar para minha avó, tia e mãe que os papeizinhos com pedidos delas foram devidamente enfiados no muro, junto com outros milhões.

Quanto a mim, me permiti tocar o muro e aliviar minha mente de todo e qualquer pensamento. Não fiz desejos, não agradeci. Só toquei a parede e senti aquela atmosfera densa.

Na parte masculina, pede-se que os homens usem quipá – o chapeuzinho judeu. Para quem não tem, há quipás de papel distribuídos gratuitamente.

Ó papai de quipá:

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Vista do Muro e a cúpula dourada do Domo da Rocha, já na parte árabe. A parte verde alta, ao fundo, é o Monte das Oliveiras (não fomos).

Essa porrada de carros brancos estacionados são militares.

Foto horrível para dizer “EU FUI”.

Voltamos por um caminho que passou pela parte armênia, lotada de lojinhas de vestimentas e comidas típicas. Incrível.

Almocei shawarma de falafel com suco de romã. Shawarma é um sanduíche de pão pita, mais comumente recheado de carne (nosso famoso churrasco grego) ou frango. Falafel é um bolinho de grão de bico delicioso. Para ‘molhar’ o sanduíche, muito iogurte.

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Depois andamos em direção ao Jaffa Gate, até porque tudo estava fechando. Já eram umas 14h e o clima em Jerusalém era de rush, todo mundo apressado para chegar logo em casa. No caminho passamos pela bela Torre de David, mas estava fechada. Uma pena. O visu de lá de cima deve ser único.

Voltamos andando pela Yafo, uma avenidona. Ficamos estarrecidos: tudo fechado! Clima de 1º de janeiro, poucas pessoas perdidas pelas ruas, todas se dirigindo com pressa para algum lugar. Nada de transporte público, nem carros, nem nada. Numa das pouquíssimas lojas abertas, enquanto meu pai comprava um vinho e uma água, eu trocava ideia com o dono: “Que época que vocês escolheram para visitar Jerusalém, hein? Mas não se preocupem, nada acontecerá”, garantiu.

O albergue em que ficamos, Abraham Hostel, é super bem falado pela internet. Inclusive um moço que conheci recentemente me indicou. Só elogios à hospedaria, que tem aquele clima jovem de albergue mas sem ser caótico, que tem um lounge com bar delicioso, que tem uma programação ótima para turistas e que é razoavelmente perto das coisas. Sem dúvida o melhor em que já me hospedei, recomendo do fundo da alma. Meu pai e eu ficamos num quarto privado, com banheiro e uma mina-copa, com frigobar.

Pagamos por 2 noites de hospedagem, com café da manhã, U$ 134.

Melhor: o albergue deu vale-drinque de boas vindas pra mim e pro meu pai.

Umas 19h, já noite cerrada e cerca de 10ºC, saímos em busca de comida. Nada. Há, sim, alguns poucos restaurantes abertos no Shabat, mas ficavam longe. Desistimos e voltamos pro albergue.

Tava rolando jantar de Shabat, mas tinha que ter se inscrito antes. Diante disso, só nos restou apelar pro bar do hostel. Pegamos nossos drinks de boas vindas – cerveja, eu, e vinho, ele, nachos e pita bread com tahine. Misturei nacho com comida árabe, será que é pecado? hahaha

Meu pai vazou e eu fiquei bebendo. Tomei 3 canecas de chopp e ainda me deram de graça um shot de araq, uma bebida do Oriente Médio, a base de anis.

Sei que comecei a trocar ideia com pessoas por perto e logo colaram vários brasileiros. Impressionante, eu os atraio. A menina do bar, inclusive, era brasileira. E colocou pra tocar Claudinho & Buchecha e Los Hermanos. COMO PROCEDER? EM PLENO ORIENTE MÉDIO OUVINDO LOS HERMANOS!

Sei que voltei pro quarto altíssima, mal me importei com os roncos do meu pai e dormi o sono merecido depois de 3 dias inteirinhos só pescando vez por outra.

17 de novembro – 

Acordei revigorada e descemos para o café-da-manhã. O melhor que já tomei em hostel. Simples, mas sem frescura de “1 por pessoa”. Tinha queijo, pepino e tomate (como se come pepino por esses cantos!), suco, geleia, requeijão, nutella, chá, pão…

Umas 9h o guia nos buscou no hostel para o tour por Massada e pelo Mar Morto.

O Mar Morto tem esse nome porque não há vida nele. Recentemente descobriram que, na verdade, há sim um organismo que sobrevive, uma bactéria. Mas o ambiente é inóspito para qualquer outro ser. Isso por causa da alta concentração de minerais. São 29, enquanto, para efeitos de comparação, o Mar Mediterrâneo têm 5.

Os tantos minerais são altamente explorados por Israel, principalmente na produção de produtos de beleza. O Mar Morto tem propriedades medicinais únicas. Ajuda no tratamento de diversas doenças de pele.

Na ida, passamos na fábrica de uma marca de produtos de beleza. Tudo caro.

Um pouco depois chegamos a Massada, uma fortaleza romana construída no século I d.C, e que fica em cima de um morro – chega-se de bondinho, mas os aventureiros e desocupados podem subir pela “Trilha da Serpente” – uma escadaria sem fim.

Vista área de Massada, que roubei do google:

https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-g8-hGu-Zv24/UJGjI3pZiDI/AAAAAAAABOc/INvbxJI9iSY/s1600/23+-+national+geografic.jpg

A fortaleza ocupa todo o planalto do morro. Era uma verdadeira cidade, construída por Heródes, o Grande.

A fortaleza possuia 3 palácios, cisternas com água suficiente para 2 anos, piscinas, saunas… Majestoso define.

Atrás de mim: em cada fileira ficava um tipo de alimento. Era tanto que poderia durar por 5 anos!

Isso sem falar da puta vista incrível do Mar Morto, de um lado, e do desertão da Judeia, de outro:

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A ave preta, que achei que era um corvo, é híbrida – só existe nessa região. O nome é impronunciável. Hebraico é difícil.

O mais legal de Massada, no entanto, é que após a morte de Heródes, o forte foi tomado por um grupo judeu que se estabeleceu por lá com suas famílias. Alguns anos depois, com a iminente invasão romana, o grupo decidiu se matar, para evitar os horrores da guerra (que fossem escravizados, torturas, que suas mulheres e filhas fossem estupradas e afins) e morressem livres e com dignidade. Eram quase 1000 pessoas.

Cada homem matou sua família. Um sorteio definiu 10 homens que matariam a todos os outros. Desses, um foi selecionado para matar os outros nove, incendiar o palácio e depois, suicidar-se. O plano deu certo. Os romanos chegaram à fortaleza, no dia seguinte, e encontraram todos mortos.

Sabe-se da história porque duas mulheres, que não tinham maridos, escaparam, e contaram aos romanos o que havia acontecido. Recentemente, escavações acharam pedras com 10 nomes masculinos. Creem que sejam os 10 remanescentes.

Essa história enche os israelitas de orgulho: dizem que é símbolo de fé e de perseverança.

Depois de almoçar na praça de alimentação que fica na base do morro (tinha até Mc Donalds, que tristeza), fomos para o Mar Morto boiar!

Outra curiosidade do Mar Morto: é o ponto mais baixo da Terra. Está abaixo do nível do mar, a -422 metros de altitude!

Para se banhar no Mar Morto há várias regras. Se desrespeitar, azar o seu. Não devemos molhar a cabeça, muito menos os olho – vai arder. Nada de mergulhar. Um banho com água doce é fundamental logo após sair do mar.

Isso dito, lá fui eu boiar:

Bagulho é louco.

Experiência única na vida. É impossível morrer afogado. Você não boia porque quer, boia porque o mar te obriga. Dá pra ficar sentado. Qualquer movimento é difícil de ser feito, a água é muito densa. E oleosa. Você fica melado.

Se você tiver qualquer pequeno ferimento na pele, vai arder insuportavelmente.

Depois de passar por isso, tem toda a lógica ler na Bíblia que Jesus caminhou sobre as águas.

Além do mar, tem também o lance da lama medicinal.

Há vários baldes com lama. Você vai lá e se enlambuza todo, assim, sem medo. Favor ignorarem as minhas banhas. Sou contra postar foto de biquíni, mas essa é outra pegada. Essa pode.

Depois da lama, uma bela duchada tira tudo. Não imaginei que saísse tão fácil.

Se notei mudanças na pele? A oleosidade sinistra que faz parte do meu ser evaporou. A oleosidade no meu rosto só voltou quando retornei ao Brasil. Também fiquei mais… lisa?

Voltamos ao hotel e tomei uma cervejinha para me preparam para o jantar:

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Delicinha!

Jantamos no Restaurante Arcadia, acho que o jantar mais caro da minha vida. Foram uns bons U$ 250. Foda. Tava ótimo, é claro. Tudo feito com coisa orgânica, entrada, sobremesa, bebidas… Mas nada muito… israelense.

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Umas 21h voltamos pro hotel. Não consegui dormir 1 minuto se quer, até porque meia-noite zarparíamos. Papi de volta ao Brasil, eu rumo à Jordânia.

18 de novembro – 

Cheguei no aeroporto Ben Gurion cedíssimo – a ideia era eu esperar lá, porque o aeroporto doméstico de Tel-aviv provavelmente não tinha uma infra decente. Sentei numa cadeira e tentei dormir. Impossível.

A ideia era passar o dia em Petra, na Jordânia, e voltar a noite, direto para Tel-aviv, e passar o dia seguinte lá. Isso só seria possível indo de avião, então comprei o pacote de day tour em Petra e avião nesse site. U$ 450 a brincadeira. Mas é uma vez na vida. Não achei que houvesse outra oportunidade.

Umas 4h30 da manhã peguei um táxi e fui para o Sde Dov, o aeroporto doméstico, de onde pegaria o voo para Eilat, que faz fronteira com a Jordânia. ESTAVA FECHADO. Rysos eternos. Fiquei 40 minutos num frio absurdo sentada na calçada esperando abrir.

Abriu.

Para entrar no aeroporto – um galpãozinho – teve um questionário foda perguntando minha vida. Equipamentos de segurança que pareciam fazerem tomografia dos nosso pertences.

O avião – um teco-teco a hélice, fofo! – demorou quase 40 minutos para decolar. Chapada de sono, dormi o vôo inteiro, 45 minutos. No aeroportinho de Eilat, um motorista me aguardava com duas alemãs. Ele nos levou até a fronteira, que atravessamos sozinhas.

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Tão fácil entrar, tão difícil sair…

Na Jordânia, o grupo – um casal holandês velho, um casal australiano bem jovem, um americano gordo jovem, dois brasileiros e o guia, jordaniano, nos aguardavam.

O micro-ônibus rodou por pouco mais de 1h, passando por um desertão inóspito, até chegarmos perto.

Atrás de mim, tudo que é marrom faz parte de Petra, a cidade de pedra.

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Petra é uma cidade com arquitetura greco-romana oriental construída inteiramente na pedra, dentro de um grande vale. Foi criada pelos Nabateus (árabes) no século 3 a.C., e foi descoberta por arqueólogos só no século XIX! É porque de longe não dá pra ver, como podemos reparar nessa minha foto acima. Só adentrando o vale e caminhando por lá vamos aos poucos descobrindo os tesouros de várias civilizações que por lá viveram durante séculos – os últimos moradores, no século passado, foram beduínos, até a UNESCO declarar Petra Patrimônio da Humanidade e expulsar a galera de lá.

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Casas, igrejas, tumbas, tem de tudo um pouco aí.

Petra é enorme. Andamos por 4h e não vimos nem metade. Não deu tempo de entrar em nenhum lugar, só ver de longe. Petra continua sendo explorada, é um sítio arqueológico importantíssimo, estudiosos de todos os lugares a visitam. Acredita-se que apenas CINCO PORCENTO da cidade são conhecidos!!!

E tchã-nã-nã-nããããã

O monumento mais conhecido e fotografado de Petra, usado como cenário em Indiana Jones: A Câmara do Tesouro,  Al Khazneh. Não se sabe direito o que ela é: uma tumba, uma igreja, tudo isso?

Mas o mistério maior é como algo construído há milênios – lá pela época de Jesus – é tão perfeito. A simetria, os detalhes helenísticos, é impressionante.

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Não, não andei de camelo. Fiquei com pena. Eles são muito judiados.

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A Cardo Maximus de Petra.

IMG_3876O anfiteatro

Para terminar, uma imagem área que vi num livro:

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Umas 15h30 fomos almoçar num restaurante de comida jordaniana. Estava incluído no pacote. Aquelas coisas de sempre: muito pão pita, tahine, iogurte, pepino, grãos… Ou seja: delicioso!

Daí o guia e o motorista começaram a se desesperar. Ia chover. Muito. A região de Petra inunda com a maior facilidade – é um vale, afinal de contas.

Chegamos a Aqaba, a cidade que faz divisa com Eilat, e nos deram uns minutos para dar um rolê pelo centrinho.

Fiquei assustada. Me perdi do grupo por um instante, e foi atravessar a rua para eu sentir de verdade o clima árabe homem X mulher. A Jordânia é um dos países mais tranquilos em relação a isso, mas ainda assim é chocante.

Já tinha sentido, na trilha de Petra, altos árabes me secando de uma forma nada comum. Já não sou muito de ser olhada, ainda mais daquela forma. Mas até aí, lá tinha muito vendedor e pra vender vale tudo. Mas em Aqaba foi sinistro. Atravessei a rua e TODOS os homens me olharam. E vocês viram a minha roupa: legging preta, blusa preta, tênis. Nada muito absurdo. Sei que você se sente como se estivesse comendo uma banana na frente de uma obra. Não é um lance de admirar mulher bonita. É um misto de estranheza (acho que por estar sozinha) e puríssima luxúria. Fiquei com medo e decidi nunca visitar um país árabe sozinha.

A Jordânia é sunita. As mulheres só cobrem os cabelos, nada de burca. Usam até roupas normais, ocidentais. Então não sei bem o que rola.

Uma curiosidade da Jordânia: 90% dos casamentos são arranjados entre os pais. Oferecem-se camelos e aquela história toda. Nosso guia, Hussein, se casou assim, e diz estar muito feliz.

Tudo lindo, mas queria logo ir pra Tel-aviv dormir.

Ao chegarmos à fronteira, um clima estranho e muitos ônibus de turismo parados. Em pouco tempo vieram nos dizer: Israel fechou a fronteira. Culpam um alagamento. Só abririam na manhã seguinte. Teríamos que passar a noite em um hotel. Com isso, perdi a passagem de volta para Tel-Aviv, gastei U$ 50 na hospedagem no Mina Hotel, sendo que dividi quarto com uma brasileira, a carioca Altaíra, gastei uns U$ 20 no jantar e mais uns U$ 100 no dia seguinte para atravessar a outra fronteira e voltar para Tel-Aviv, mas chegarei lá.

Fudido por um, fudido por mil.

A minha situação, ao menos, não era tão desesperadora. Só perdi dinheiro. E o brasileiro, do Mato Grosso, que ia encontrar os pais (que não falavam nada de inglês) na Turquia no dia seguinte? E as alemãs, que iam voltar pra Alemanha também no dia seguinte? Meu vôo para o Brasil era só às 5 da manhã do outro dia, então não me desesperei.

Fora que eu estava com a minha mochila com tudo, coisas de higiene e roupas limpas, carregador de celular… O povo todo tinha largado as bagagens em Israel. Day tour, quem anda com mala em day tour? Daí lá foi a galera comprar sabonete, escova de dentes, roupa… Que situação!

Fora que a moeda jordaniana, o dinar, vale mais que o dólar. 1 dinar = U$ 1,5 Mais câmbio, mais dinheiro indo pro lixo.

Mas já que estávamos na merda, fomos ao menos curtir a noite em um restaurante agradável quase na esquina. Troço louco: SÓ homens nas mesas e ABSOLUTAMENTE TODOS ELES fumando narguile. Meu grupo (australianos, brasileiros e americano) também quis tentar.

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Amo narguile!

Jantei carne de carneiro com tahine, porque sou a favor de provar as coisas regionais. Tava foda! E para beber, um chá gelado com baunilha MARAVILHOSO.

19 de novembro – 

Acordamos e tomamos o café da manhã do hotel – ótimo. Nos encontramos com o guia, como estava marcado, e soubemos que a fronteira com Eilat continuaria fechada, e que ficaríamos esperando abrir. A cada hora o novo boletim do guia dizia a mesma coisa: vamos esperar até 10h. Depois: até 11h. Depois: até 12h… Daí começou a rolar um desespero.

As alemãs desencanaram da bagagem inteira em Eilat, gastaram U$ 300 cada uma e conseguiram um táxi para levá-las até a fronteira norte, Allenby Bridge, de onde pegariam outro táxi para o aeroporto de Tel-Aviv, tudo para não perderem o voo de volta à Alemanha.

Como nenhum de nós queria nem podia gastar tanto, decidimos esperar.

O guia, vendo nossa frustração, nos levou para dar uma voltinha.

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Triste foi que estive à beira do Mar Vermelho e nem o vi! Se eu soubesse que ia ficar uma manhã inteira em Aqaba, podia ter curtido melhor o dia.

O guia nos pagou um café num lugarzinho bacana e nos apresentou a uma menina palestina linda, ruiva. Não sabia que isso existia. Sempre pensamos em árabes como um povo moreno. A menina, de 16 anos, bem poderia ser, sei lá, escocesa.

Ela não usava véu na cabeça. Nos explicou que era escolha pessoal. E que quando se casasse e tivesse filhos, talvez repensasse. Foda, né?

Às 13h nos arranjaram um ônibus para irmos até a fronteira norte, a mesma que as alemãs cruzaram, já que a fronteira com Eilat permaneceria fechada. Era isso ou cruzar pelo Egito! Imagina.

E daí lá se foram mais 50 dinar (U$ 75) para o ônibus e para a fronteira.

Mas o visual era incrível!

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IMG_3910De volta ao mar Morto, dessa vez do lado jordaniano. Uma linda imagem do sol se pondo.

Chegamos à fronteira e ficamos um século esperando carimbarem nossos passaportes e nos liberarem. E começou a chover. Foi nesse momento, presos no ônibus na fronteira Jordânia X Israel, de noite e chovendo, que o americano falou a frase que marcou a viagem: “Didn’t you all ask for a super hard experience trip? Here you go” hahahaha Morri!

Sei que atravessamos a fronteira e nos separamos do grupo. A outra brasileira e eu pegamos um táxi para Tel-aviv com um casal canadense, porque Tel-aviv era bem perto dessa fronteira. Todo o resto pegou um ônibus até Eilat – SEIS horas de viagem, depois das 5h que já tinhamos feito. hahahaha! Que bacana.

O que me deixou indignada foi a agenciadora dessa viagem, que queria que eu e a brasileira retornássemos a Eilat e pegássemos o avião para Tel-Aviv – para manter o pacote que acertamos. Hahaha, que piada.

Cheguei no Central Hotel às 21h, com apenas um dia inteirinho de atraso! US$ 161.50 por duas noites (sendo que usei por quatro horas! hahahah!)

O hotel na verdade é um albergue, mas com quartos privativos. Quartos? O menor que já entrei na vida, incluindo na conta o de Nova York. Para entrar no banheiro tinha que subir em cima da cama. Mas era limpo e agradável.

Liguei em casa para falar que estava viva e dormi.

Acordei 1h, tomei um belo banho e fui pegar meu táxi na recepção. Nisso, entendi um papo inteiro em hebraico, sinistro. O taxista tava falando que só aceitava shekel (moeda israelense) e o cara do hotel dizia que eu só tinha dólar, daí eles combinaram que eu chegaria no aeroporto e trocaria dinheiro. COMO CARALHOS ENTENDI ESSE PAPO???? Não me perguntem. 

Tava indo embora e o moço do hotel, que era outro do da hora que cheguei, me cobrou minhas diárias, sendo que eu tinha pago na chegada. Pior: eles já tinham cobrado as duas diárias no cartão do meu pai, no ato da reserva, mas o cara da recepção disse que não tinha dinheiro nenhum e que eu tinha que pagar a outra diária. Comecei a ficar irada – até isso dando errado? Daí ele falou NÃO CHORE. Mano, vontade de esmurrar aquele judeu filho da puta.

Sei que com muita discussão ele me deu o cartão do hotel, pra passarmos os comprovantes do cartão de crédito, e eles devolveriam. ATÉ AGORA NÃO DEVOLVERAM NADA, BOOKING DOS INFERNOS.

Fui pro aeroporto pela primeira vez na vida LOUCA de vontade de chegar em casa. Para esse meu Brasil maravilhoso. Patriotismo batendo forte depois de visitar um país mais neurótico que os EUA (ok, entendo o motivo da neura, mas isso não é desculpa), um país que vive em conflito com seus vizinhos, que tem inimigos no mundo.

No aeroporto, passei por 500 revistas e entrevistas para entrar no embarque. Por que Jordânia?, por que entrei por uma fronteira e saí pela outra?, porque Turquia?, o que faço no Brasil?, cadê minha família?, por que sozinha?, quanto ganho?. Revistaram EVERY-FUCKING-SINGLE-ITEM da minha bagagem. Passaram coisinhas nos meus sapatos para identificar sabe deus o quê. Já tava tão fudida, puta, faminta e cansada que nem me importei. Nem me estressei. Atingi um nível de calma estranho, depois da quase explosão com o recepcionista do hotel.

Depois dos trâmites de segurança (meu pai não passou por nada disso. É sempre aquilo: brasileira, jovem, sozinha SÓ SE FODE), dei um rolê pelo incrível free shop do Ben Gurion, que se diz o maior do mundo. É de fato grande. Comprei uns creminhos para dar de presente e chocolate.

Depois fui jantar:

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Falafel com tahine, berinjelas e cerveja. EU MEREÇO nível um milhão.

20 de novembro – 

O voo entre Tel-aviv e Istanbul estava completamente vazio. Me estiquei na poltrona tripla e dormi. Acordei pousando em Istanbul. Tudo nublado, não vi nada da cidade.

Nem deu tempo de passear pelo magnífico aeroporto de Istanbul, que tem uma loja de coisas típicas foda. Já embarquei direto naquele voo entupido de brasileiro classe média descobrindo o mundo. Nada contra. Mas o brasileiro tá de fato viajando, viu. Pelamor.

Interessante dessa viagem é que perdi meu medo de turbulências. Altas turbulências no meio do oceano, e eu nem me importei. Antes eu ficava gelada, apertando a cadeira com força. Mó cagaço. Mas passou.

Pousei em Guarulhos 19h e pouco, estraçalhada de cansaço. A imigração não foi tão demorada. Peguei o ônibus pro Tatuapé, de lá peguei metrô e cheguei em casa 21h e pouco.

Foi isso.

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Z’Oropa 2010, parte 2 – Amsterdã

Bom, vamos lá. Continuando:

Depois de me recuperar do stress com a polícia holandesa, fui tentar me virar para ir pro albergue. Tudo que eu tinha era o nome da rua “Zandpad”, porque emoção é o meu nome. Ah, importante dizer que com o stress no aeroporto esqueci de pegar um mapa.

Olha, mapa é mais importante do que roupa numa viagem. Me fudi.

Depois de seguir instruções de metade da população holandesa (impressionante como TODAS as mulheres parecem a Ana Rickmann), achei o parque Vondelpark. Meu albergue estava em alguma das saídas dele. Eram quase 9 da noite e o sol brilhava como se fosse 3 da tarde. Ah, o verão europeu. Mas o frio já dilacerava os meus lábios. Os holandeses, por outro lado, faziam piquenique, andavam de bicicleta, de patins e caminhavam com roupas de pleno verão. Shortinho curto, blusa cavada, vestinho… Êta povo tropical mal acostumado que somos.

Depois de dar umas três voltas (calculo eu) pelo maior parque de Amsterdã (é claro), me achei.

Gracinha meu albergue, não? Construção tipicamente holandesa. Na verdade, são três prédios, mas só esse é bonitinho 😛 (do outro lado da rua fica o tal parque)

Entrei no meu quarto – para 6 pessoas – mas só 2 camas estavam ocupadas. Uma delas com aspecto de “armário”. 2 pessoas tomavam banho. “Fudeu: casal”, pensei. Minha sina, não adianta.

Saiu do banho uma japonesinha primeiro. Soltei um “hello” e ela um “alô”, assim mesmo. Aí perguntei da onde ela era: Brasil, São Paulo. haha mas é claro! Seu nome era Renata. Um tempo depois, o namorado saiu do banheiro, o Pablo. Era a última noite deles em Amsterdã, e me convidaram para sair por aí, não sem antes terminar com a Absolut cheia que estava na nossa frente.

Gostei do casal.

Estranho como ficamos apenas umas 12h juntos mas rolou um entrosamento sensacional, que raras vezes encontrei nas minhas viagens (que já são numerosas, thanks god!). Além disso, o Pablo era cheio dos lances espíritas. Queria me fazer ver as coisas por outro ângulo e que eu me soltasse mais. Tipo, nem me conhece mas me leu.

Aliás, me lembrem de mandar e-mail pra eles. Até hoje, quase 1 mês depois, ainda não mandei.

Lá pelas 23h, finalmente, começou a anoitecer. A cidade é meio morta depois que anoitece. Exceto o Red Light District, o famoso bairro da esbórnia, que tem mil coffee shops (onde vende maconha legalizada) e boates com prostitutas que se expõem na vitrine. Entendo o apelo do lugar, mas é pra turista ver. Porra, sou brasileira. Samba, mulher pelada na tevê em qualquer horário, traveco na Rua Augusta, checked. Mas imaginem um, sei lá, nórdico. Os gringos das terras distantes do primeiríssimo mundo ficam doidos. Tem oriental, tem gorda, tem magrinha, tem negra, tem loira, tem morena. Muitas delas são lindíssimas. A maioria, eu diria. (não, não tirei foto. Não saí com a câmera na primeira noite)

Sentamos várias vezes na beira de algum dos vários canais. Ficamos conversando e eles me apresentavam algumas variedades de maconha, haxixe e skank. Fumo muito raramente, mas poxa. Amsterdã.

Andamos pelo centro inteiro. City tour pela noite fria. Umas 3h voltamos ao albergue. Continuavamos só nós 3 no quarto, uma bênção. Bebemos um vinho vagabundo que eles tinham comprado anteriormente e… algumas poucas horas depois, já estavamos de pé.

Um café da manhã bem caprichado para um albergue. Tinha até nutella pra passar no pão, chique.

Anotem aí, crianças: se um dia forem para Amsterdã e ficarem em albergue, escolham um da rede StayOkay (são três na cidade. O meu era o Vondelpark, que não é TÃO perto do centro). A diária era coisa de € 20 por noite, com café-da-manhã incluído.

Ainda de manhã, fui com o Pablo a uma Coffee Shop conhecer o ambiente. Extremamente masculino e… bizarro. Nas mesinhas tinha seda disponível para a galera enrolar seus baseados!
Anyway… Eu não voltaria ali sozinha.

A tarde, aluguei uma bicicleta e, com meu mapa na mão, fui percorrendo as ruas e pontes sobre canais apinhados de gente andando de bicicleta. Gente de terno e gravata, mulheres com roupa social e salto alto (!), crianças de uniforme e mochila, pais com filhos nas costas, velhinhos, moças com flores na cesta. É um outro universo onde a bicicleta REALMENTE é um meio de transporte. Ninguém usa capacete nem nada, mas super funciona.

Minha bicicleta. O aluguel por 24h com seguro (furto de bicicleta é um crime grave na Holanda! haha) ficou carinho, € 17. Mas valeu a pena. Só assim para ter tempo de apreciar as paisagens sem me cansar tanto.

Um dos belíssimos canais… Maior paz

Um moinho de vento! Bem pra turista. Mas fazer o quê.

Passava horas olhando mapa e tentando decorar uma parte de um nome de alguma rua. Coisas como: Huygensstraat, Lennepkade, Passeendergraacht… Dêem uma olhada num mapa de Amsterdã. Tenso.

Mas passava tanto tempo entre bicicletas, visuais lindos, fotos (minha máquina é podre e a maioria das fotos nem vale a pena ser mostrada) e tal que esquecia de comer. Uma beleza ter acumulo de gordura no corpo, porque passava o dia inteiro bem. Ainda nesse dia fui ao museu Van Gogh, que achei meio decepcionante pelo preço – €14. Adoro Van Gogh e impressionistas no geral. Mas as grandes obras do Van Gogh não tão na Holanda! Tão no Louvre! Ou em algum museu de Londres. A tarde, deitei na grama ensolarada da Praça dos Museus, como toda a Europa adora fazer .

Na foto, dá pra ver o museu Rijksmuseum, o principal de Amsterdã (que tava em reforma :P). O do Van Gogh fica do lado oposto. Por isso “Praça dos Museus” :). Também dá pra ver um povo se exercitando, outro povo de boa no solzinho.

Sozinha a noite, não tinha tanta coragem para desbravar baladas (e nem curto, na real). Fui até o Hard Rock Café e fiquei por lá bebendo umas cervejas e saciando a fome.

18 de junho – Amanheceu um dia horrível. Cinza. Triste. Mas era o meu último e a diária da bicicleta ainda valia.

Resolvi ir na casa da Anne Frank, livro que por sinal levei para viagem e nem tinha acabado de ler ainda.

Para quem não sabe, a Anne Frank era uma menina de uma família judia que viveu escondida com seus pais, irmã e outra família em uma casa de Amsterdã durante a 2ª Guerra Mundial. O bacana é que eu ainda não tinha lido o final do livro, e a casa já GRITOU o final trágico que me aguardava. Mó spoiler 😛 HAHAHA
Para entrar no esconderijo da familia Frank, paga-se € 9.

Se você não leu, não selecione o texto a seguir. (Poxa, nem sabia que todos  que tavam escondidos na casa eram presos e que só o pai da Anne voltaria com vida dos campos de concentração – e que ele quem publicou o seu diário.)

Enfim. BEM impressionante.

Depois, pra relaxar, fui na Heineken Experience. Olha, nem sabia que a Heineken é holandesa, então disfarça.

O lugar é a primeira fábrica da marca. E o tour é INCRÍVEL – para quem gosta de cerveja pelo menos. Mas o preço é salgaaaado. € 22.

Além da degustação (são ao todo 3 copos), tem toda a história da marca, o processo de fabricação e fermentação… Até nos dão pra provar o chá de cevada, ou melhor, a cevada ANTES de fermentar. Parece chá de regime haha. Para os publicitários, tem uma câmara com todos os comerciais da Heineken desde 1950 e lá vai bolinha. Toda a mudança de comportamento na sociedade, o espaço da mulher, a tecnologia, o lazer e o trabalho… Tá tudo lá. Vale a pena.

Morrendo de fome, fui achar o que comer. Entrei num bar com telões. Tava passando um jogo dos EUA X Esvolênia (ou Eslováquia?). No cardápio, uma coisa chamou minha atenção: ribs all you can eat for €9. Ahhh malandro! Cara, comi T-A-N-T-O. E ainda tomei dois baldes de cerveja (€2 cada, só!). Achei positivamente que ia cair morta. Mas aí um gringo doido começou a conversar comigo e com a menina da mesa ao lado, que, olha só: era brasileira. Carioca. Conversamos um pouco mas a achei muito blé. O português falado atraiu mais dois brasileiros que moram em Amsterdã. Ficamos papeando bêbadamente.

Já menos estufada de comida, parti para fechar com chave de ouro. Um passeio de barco pelos canais (€ 12).

A bandeirinha, o canal, uma ponta cheeeeia de bicicletas e uma pergunta: por que a seleção holandesa joga de laranja, se sua bandeira é azul, vermelha e branca???

Cara, tem cisnes e famílias inteiras de patinhos nos canais de Amsterdã, uma cidade com quase 1 milhão de habitantes! Ô primeiro mundo…

Um lindo exemplar de uma casa-barco. Imagine, morar em um barco? Em Amsterdã milhares de pessoas vivem assim.

Do passeio de barco voltei para o albergue para buscar minhas coisas. Fui para o ponto do tram (ou bonde). Fui até a Amstel Station, de onde ANOS-LUZ depois o meu ônibus para Londres saiu. Sim, decidi ir de ônibus pela economia: 1 noite a menos de hotel e menos de € 40. Só não contava com um ônibus sem banheiro (oi, 12h de viagem), uma poltrona desconfortabilíssima, um motorista que passava metade do tempo falando ao celular (AHAM!!! TE JURO!!! NA EUROPA!!!) ou ficava assoviava melodias medonhas. ah, e é claro: não contava com paradas longuíssimas na fronteira com a França e na fronteira com o Reino Unido (coisa de ” raioxizar” todas as malas and stuff). Isso porque só PASSAMOS pela França. Por outro lado, na fronteira com a Bélgica foi tranquilo…

Mais uma parte termina aqui.

No próximo capítulo: Londres com papi, Glasgow, Edimburgo e Paul Mccartney.