Analândia

Como disse no post anterior, fui passar o carnaval em Analândia, ou Ana’s Land, como a apelidei. Cidadezinha mínima no interior de São Paulo, com 3 mil habitantes, cachoeiras mil e tal. A casa era bem boa, com um tanquinho que talvez alguém poderia chamar de piscina, um gramadão delícia, varandona delícia, uns R$ 300 reais em cerveja comprada em mercado atacadista e DEZESSETE pessoas. Conhecia apenas três: duas amigas da faculdade e o namorado de uma delas. A galera era do tal namorado.

O bom de viajar sem conhecer ninguém é que não rola expectativas. E quando não rolam expectativas, a chance de uma surpresa boa é grande.

E foi o que aconteceu.

Gente legal pra caralho! Rolou uma sintonia muito boa entre todos… O único problema é que das 17 pessoas, 12 eram casais (um deles formado e terminado durante o carnaval).  Então, no putaria this time.

Até porque o carnaval de rua em Analândia foi VETADO pelo prefeito evangélico fervoroso, que considera o feriado um sacrilégio. Até tinha um movimento na pracinha, mas só música da pior qualidade imaginável saindo de um carro com som potente – “Rebolation” foi a melhor coisa a tocar, juro – e um povo meio bizarro.

Na noite da segunda, o ponto alto do carnaval: a escola de samba vencedora do carnaval de Rio Claro, a maior cidade da região e, de acordo com o namorado da minha amiga, sede do 3º maior carnaval do estado de SP, se apresentou em Analândia. Escola de samba entre aspas, na real… Eram umas 6 ou 7  pessoas de cada ala, que leva de verdade dezenas. Mas foi muito legal. Tô numa pegada escola de samba, que, gente! Nunca imaginei, viu.

Eu estou me tornando cada vez mais eclética e contrariando antigos preceitos da minha juventude “revoltadinha de 5ª categoria”.  Houve um tempo em que meus pais iam aos desfiles de escola de samba em São Paulo, e eu chamava uns amigos pra ir em casa, jogar WAR e ver MTV.
Mas fui mudando, me entregando à MPB e ao samba bom, de raiz.
Um pouco antes do carnaval, fui chamada pelas mesmas companheiras de faculdade que viajaram comigo para Analândia para ir ao ensaio da Pérola Negra, uma escola de samba nova e pequena de São Paulo, mas que já faz parte do grupo especial há um certo tempo. Vou te contar que me senti em casa, viu. Rolou um aperto no peito tão bom, um orgulho de ser brasileira, uma sintonia com o povo… Sempre tive horror à escolas de samba, desfiles, Sampucaí e o caralho a quatro, mas foi entrar na quadra da Pérola Negra que tudo mudou. No instante em que pisei lá dentro e a bateria contagiante me alcançou, passei a ter vontade de sair numa escola de samba. Um dia eu vou, anotem essa promessa. Mas, desta vez, me limitei a sambar (pular e rebolar, na verdade) com aquelas mulheronas que são destaque.

Me desviei do assunto, mas tudo bem. Analândia foi ótima, mas não tem tanta história a contar. Resumo algumas:

* Teve uma noite em que uma boa parte do grupo ficou tentando adivinhar mímicas de nomes de filmes que dois meninos estavam fazendo. Não ria daquele jeito há tempos, estou rouca até hoje por causa daquela noite, que terminou com 4 gatos pingados bêbados falando de cinema nacional. AMO GRANDE.

* Fomos a uma cachoeira cuja queda era bem aproveitada se descida de bóia. Fui lá testar a brincadeira e achei lindo. Fui repetir. E não é que a bóia me desce de costas? Eu me caguei de medo e me encolhi na bóia: minha bunda ficou desprotegida lá embaixo. Lógico que bateu numa pedra enorme. Na hora não consegui me mexer direito de susto e dor. Daí passou completamente. No dia seguinte, vi um roxo-preto de um palmo (ou mais) na minha bunda. ASSUSTADOR, gente.
Como eu me machuco fácil!
Mas prefiro. Não nasci pra ser mulherzinha e não curtir uma cachoeira por medo de se esfolar, não.

* Na meia-noite do dia 16 (a.k.a. meu aniversário), estávamos na praça e fui esmagada num abraço coletivo. Durante o dia, teve bolo e brigadeiro. E churrasco.

E cerveja eterna.

Piriri eterno.

FIM.

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Fevereiro

Não sei qual é a magia implícita no mês do meu aniversário, mas tem alguma coisa nessa época do ano que me deixa feliz. Simplesmente feliz.

Se paro para pensar, o meu mês tem sido geralmente o melhor do ano. É um mês de verão, tem carnaval, tem animação e ainda tem o pique do começo de ano. Além, claro, da minha já tradicional comemoração de aniversário, que já rolou (mesmo que meu aniversário só seja terça que vem).

Então, dessa vez, tudo que tenho a dizer é que estou bem. Serena. Feliz. Sem motivos para reclamar (além dos óbvios, mas que NÃO vão estragar o MEU fevereiro :)).

Estou feliz de ter comemorado o meu aniversário num churrasco com sucesso de quórum, com pessoas completamente diferentes socializando bem, com fotos ótimas, com muita risada, com muita música boa e muita música vagabunda, com duetos, cerveja, sakê, vodka, a-ônha, e tudo que uma pessoa precisa para se sentir completa.

Porque quando estou com tanta gente que eu amo tanto, não preciso de mais nada para ser feliz.

E que venha o carnaval, a ser comemorado numa cidade no interior de São Paulo chamada…. ANALÂNDIA! Me diz se o carnaval no meu mês e numa cidade com o meu nome não é um bom sinal?

🙂