Da série: meus ‘filhos’ não podem saber e muito menos fazer igual

Estava aqui à toa lendo as histórias da Lu e alucinei. Agora quero contar minhas histórias bêbadas e ninguém me seguraaaa ahhhhhhhhhhhh

Cara. Já fiz muita merda. Já bebi muito. Já dei MUITO vexame, muito mesmo. Mas não me arrependo de nada – e olha que, diferentemente da Lu, eu lembro de tudo.

A seguir alguns dos piores:

O primeiro porre a gente nunca esquece (2002)

16 anos, 2º colegial, sou ~popular~ e tenho muitos amigos meninos. Junto os amigos da escola AND os meninos do bairro para beber – só que a grande maioria de nós era um bando de amador no quesito álcool, me included. E esse foi o maior erro, porque escolhemos comprar para beber PINGA 51 e Pepsi Twist (aquela com limão, lembram?). SÓ JESUS NA CAUSA.

Fomos para um dos condomínios do meu bairro e viramos aquela desgraça. Uns 8 meninos e eu. Foi uma noite longa, que incluiu eu caindo no meio da rua, no exato lugar em que o caminhão de lixo carregado tinha acabado de passar; um amigo socando todos os postes do quarteirão porque a moça que ele amava não o amava (no fim eles ficaram, namoraram, noivaram e 7 anos depois ele terminou com ela); e o mundo girando pela primeira vez na minha vida. Fiquei enlouquecida, achei a experiência incrível (e muito enjoativa. Vomitei as tripas). Ainda paguei peitinho para um amigo (que uns 10 anos depois acabou vendo direito).

Outs & o anjo (2004)

Uns amigos tinham uma banda. Eles iam tocar num bar de rock na Rua Augusta. Chegamos muito cedo e fomos beber nos botecos do lado. Pinga com limão, pinga com canela, bombeirinho e todas as bebidas mais mendigo que você consiga imaginar.
Ok.
Teve o show. Durante o show inventei de beber vinho. Depois de toda aquela pinga.
Não lembro ao certo em que momento comecei a passar mal. Sei que subi a augusta (para ir até o metrô) sendo meio que arrastada pelo meu grupo de amigos. Eram umas 10 pessoas que precisavam pegar metrô, depois ônibus e depois andar pra chegar em casa. Morar no Campo Limpo antes da Linha 5-Lilás existir era ainda pior.
Enfim.
Cheguei no metrô e gorfei numa lata de lixo no vômito que ficou conhecido pelos meus amigos como EXORCITA. Um volume absurdo de vômito e numa velocidade sinistra.
Depois disso vomitei dentro do vagão do metrô.
DESCULPA MUNDO. Sério. Desculpa. Gorfar no vagão do metrô é zuado. Sorte que tava vazio – exceto pelos meus amigos.

Sei que meu porre fodeu a vida de todo mundo, porque os atrasei e eles não conseguiram pegar o ônibus, já estava muito tarde. Ficamos todos ao relento num ponto de ônibus da Heitor Penteado – eu deitada no chão me acabando de vomitar, ainda.
Daí surgiu um anjo, como meus amigos dizem. Um estranho – dizem que era jovem e bonito (!) cuidou de mim. Passou parte da noite de sábado dele me dando água… Fofo. OBRIGADA MOÇO.
Só que daí meus amigos acharam uma boa ideia LIGAR PARA OS MEUS PAIS IREM ME BUSCAR.
Apenas sensacional tirar meus pais da cama no meio da madrugada para falar que a filha deles está vomitando horrores no meio da rua.
Meu pai passou muitos dias me dando sermão…
E meus amigos, até hoje, me cobram os 2 táxis que tiveram que pegar para voltarem para casa, do outro lado da cidade.

Los Hermanos em Taubaté (2005)

Minha amiga, os amigos de Taubaté dela e eu fomos ao show, que custou meros R$ 15. Bons tempos. Antes, fizemos um esquenta de Smirnoff Ice (rysos). No show vendia DE TUDO, e eu bebi DE TUDO: virei 2 copos de 200ml cada de vodka; tomei 2 copos de vinho; e 2 doses de tequila.

O resultado? Comecei a ver o mundo girar na segunda música do show. Fui pro banheiro, morri vomitando, acordei com uma faxineira ME ARRASTANDO pra fora do banheiro. Fiquei vomitando deitada quase inerte no meio da pista do show com uma galera me olhando. Dignidade.

2006, um caso a parte

Em 2006 tive mais dias de caos, bebida e vômito do que dias sóbrios. Teve uma semana em que eu dei 3 PTs em questão de 5 dias. Eu saia todas as noites, bebida vinha de graça sabe deus da onde. Uma beleza.
2006 foi um ano em que eu ia a churrascos toda semana; foi o ano em que eu comecei a beber cerveja e fumar maconha com o moço estranho do conhaque na mochila por quem eu era apaixonada. PENSA.

Foram tantos porres HOMÉRICOS nesse ano que é difícil separar um ou dois. O mais forte e mais importante de todos, sem dúvida, foi no dia em que fiquei pela primeira vez com o tal moço da maconha e do conhaque na mochila – amigão da minha prima (ele carregava também pão de mel e um cobertor). A história inteira daquele dia está contada em detalhes aqui, e ainda forte na memória (ele foi o último cara de quem gostei de verdade, antes do suíço, SETE anos depois). Resumo: festa 1, festa 2, enquadro de polícia, festa em casa, bebida bebida bebida, papos sobre dimensões e física, vomitar A ALMA no banheiro, sair do banheiro e descobrir que está tudo apagado e todo mundo foi embora, reparar num colchão no chão na minha frente, deitar nele, ser coberta por um cobertor mágico (junho é frio, gente) e depois por um corpo humano muito desejado me acariciando e chegando de leve. Soa estranho, mas foi lindo, gente.

Como dito antes, foram mil porres esse ano, e confundo um pouco os acontecimentos. Teve um em que gorfei em uma caçamba; um outro, dormi no banheiro e quando acordei (no banheiro) eu estava coberta com edredom e com travesseiro (!!!); numa outra, vomitei pela janela do meu quarto (um prédio) e as paredes do prédio ficaram marcadas… Ai ai. A juventude. Eu não conseguia controlar, bebia demais (e misturava várias bebida e maconha – UM GRANDESSÍSSIMO ERRO). Daí era sempre o mesmo resultado. Numa dessas, me descolaram um balde. Depois disso, nunca mais larguei o balde. Era meu fiel companheiro dos porres. Logo, virei a Ana do baldinho.

Power rangers & a grande decepção chamada cerveja (2006)

Foram poucos meses de amor eterno com a cerveja. A descobri em fevereiro de 2006 e passei a me acabar na cerveja, sem passar mal, sem enjoar e nem nada. Achava que era a bebida perfeita. Esse belo dia começou com um imagem & ação com gente que nunca vi na vida, um amigo que eu não tinha ideia de onde tinha surgido no rolê e com o moço do conhaque na mochila sendo chamado de Los Hermanos por um cara no bar – ao que respondeu que ele e os amigos eram os power rangers (cada um com uma camiseta lisa de uma cor diferente). E eu bebi muita cerveja, como nunca tinha bebido na vida. Estava segura de que estava segura. EPA PERA.

Pois é. Esse dia é importante porque foi uma grande, grande decepção. Fiquei chocada de que cerveja, sem nenhum complemento, pudesse causar um estrago tão grande (e caganeira, ainda por cima). Demorou pra fazer efeito, mas passei a madrugada inteirinha no banheiro, cagando e vomitando e perguntando pra cerveja “por que me traíste?”.

O caso dos dois moreninhos (2007)

Nossa, essa história é foda. Se tem alguma bebedeira que eu quase me arrependo é essa. Foi tenso e FORTE.
Tudo começou com 4 amigas e eu querendo chamar homens para a minha casa para… Hm. You know. Foi difícil achar, viu. Esses homens de hoje em dia… tudo negando fogo. hahaha
Mas conseguimos. Foi um amigo da faculdade de uma delas, um amigo desse amigo e dois caras que eles mal conheciam. Sabe-se lá de onde surgiram, sei que apareceram os 4 na minha casa num sábado a noite. Daí a gente jogou sueca.
Nunca jogou sueca? É um jogo de beber sensacional, mas que 11 em cada 10 vezes, dá merda e alguém gorfa. Informe-se sobre o joguinho aqui.
Sei que eu fiquei trêbada. Em dado momento, uma amiga falou que um dos caras queria me pegar. Eu disse: “eu não quero esse, quero aquele” e apontei outro cara. Ela falou com o cara e ele disse que ia me esperar na cozinha. Fui na cozinha e agarrei o cara. Canibal, mesmo. Mas mal agarrei me subiu aquele revertério. Falei pro cara esperar. Fui ao tanque e gorfei na frente dele. HAHAHAHAH
Ele sumiu. Eu fui pro banheiro vomitar decentemente. Saí do banheiro e fui pro meu quarto me recuperar cochilando. Acordei com alguém me fazendo massagem. Dei trela e peguei – achando que era o moço que me viu gorfar.
Só que não era. E quando eu me dei conta já era tarde demais.
Acordei na manhã seguinte com A MAIOR RESSACA MORAL DA ESTRATOSFERA.

JUCA (2007)

Juca são os Jogos Universitários de Comunicação e Artes. As principais faculdade dos cursos do gênero, em São Paulo, se reúnem em alguma cidade do interior, por 4 dias, para disputar um campeonato e destruir a pobre cidade.
Nos primeiros anos de faculdade eu não fui. Não tinha a menor vontade de dormir em barraca, passar calor, frio, dormir mal, comer mal. Mas em 2007, 3º ano da faculdade, resolvi ir. Foi em Registro, cidade ao sul do estado.
A PUC é conhecida por ser a pior das faculdades, esportisticamente falando. É um bando de maconheiro bêbado. Com muito orgulho. Nas provas de natação, uma menina da PUC nadou cachorrinho de biquini de lacinho. Te juro. Nas raias do lado, gente do Mackenzie, da USP, da Casper se alongam, tomam concentrado energético antes das provas… O lema da PUC no JUCA é: “A PUC VEIO PRA BEBER E SE GANHAR FOI SEM QUERER”.
Enfim. O grande lance do JUCA são as festas no alojamento. Tudo open bar. Sempre. O dia inteiro.
Logo na primeira noite eu bebi bem e não percebi a merda chegando. Mas ela chegou. Forte. Quando vi, o mundo não estava girando ~redondamente~. Eram quadrados. Triângulos. Polígonos. Vocês não tem uma noção, gente. Vomitei as tripas e fui pra barraca dormir. Quando acordei, minha cabeça estava pra fora da barraca, e o corpo pra dentro. E percebi que metade do alojamento estava em situação parecida ou pior que a minha. Ah, o JUCA… ♥

2012, Carnajuju I edição

Sítio sempre dá merda. Simples assim. Cheguei no sítio às 7 da manhã com a aniversariante e comecei a beber desde então. E bebi de tudo. Me acabei na cerveja, na tequila, nas coisas mais bizarras misturadas com vodka, uísque, vodka pura… E rolava uma piscina de lona. Sempre que eu ficava alta ia lá mergulhar.

MERGULHAR MESMO, gente:

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Enfim. Teve samba, teve tombo, teve sangue, teve corredor polonês de homem beijando a mulherada que passava… Teve eu mostrando os peitos pra festa inteira (inclusive pro pai da dona da festa)… E teve eu passando mal. Dizem que eu beijei a minha amiga que cuidou de mim, mas juro que não lembro. Embora eu lembre de ter beijado 3 pessoas naquele dia, mas jamais lembrei claramente quem foi a 3ª pessoa.

Passei a madrugada num quarto com 5 pessoas me ouvindo vomitar. Fim.

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Vocês podem reparar que nos primeiros anos os porres eram frequentes, e depois foram se tornando mais raros. Pois é, amadurecer tem dessas.Tenho tido porres uma, duas vezes por ano, hoje em dia (2014 ainda tá zerado).
Consigo me controlar muito mais. Naquelas, né. Sempre que eu bebo causo horrores. Dou em cima de todo mundo, conto minha vida sexual para estranhos, provoco. Fico assanhada, extrovertida, falante, gritante. Nunca fui uma bêbada briguenta, nem triste, nem amorosa. Sou uma bêbada vadia. Faço amizade com todo mundo, falo merda pra todo mundo, divirto quase todo mundo. Mas aprendi a beber mais devagar e, principalmente, não misturar bebidas.

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2013, a paz e o caos

Todo mundo já sabe que estou desempregada desde o começo do ano, certo? Não acho, definitivamente, motivo de orgulho, mas estou tendo uma rotina agradável, saudável, pacífica e cultural desde então.

Na verdade, doi a saudade da galera – adorava grande parte dos meus colegas de trabalho, de verdade! – e, claro, o dinheiro.

Aconteceu assim: eu trabalhava em uma Prefeitura, cargo comissionado (o que significa que não era CLT), daí mudou o prefeito e, mesmo sendo do mesmo partido do anterior, mudou boa parte da equipe. De umas 30 pessoas no Departamento de Comunicação, permaneceram umas 15, em sua maioria efetivos e gente comprometida com o Partido. Política é uma merda. Daí que eu não tinha nem comprometimento com partido nenhum, nem contatos fortes, nem nada, e fui lindamente vazada, com uma mão na frente e outra atrás – que é isso que cabe a funcionário comissionado. Seguro desemprego, fundo de garantia… NO HAY.

Desde setembro-outubro do ano anterior eu já sabia que passaria um tempo de 2013 desempregada. Esperta (e filha de economista) que sou, comecei a me preparar pras vacas magras. Cheguei a 2013 com a conta corrente trincando e mil planos de como fazer o que quero mas sem gastar excessivamente.

Tem dado certo. Pelos próximos 4 meses certamente não precisarei mexer na poupança e nem fazer bico no Mc Donald’s. Mas não se iludam: sinto falta de trabalhar, de estar com outras pessoas, de TER SALÁRIO.

— CONTRATA EU, TIO! —

Nas últimas semanas desempregada dediquei meu tempo a: academia; alimentação saudável; cinema; procurar emprego e mandar curriculos; songpop (alguma coisa tem que ser estragada, né?)

Procuro não dormir tarde e nunca acordar depois das 9h, e ter uma rotina regrada. Acho isso fundamental para não morrer de tédio, ficar deprimida e afins.

Assisti a boa parte dos filmes que estão concorrendo ao Oscar: “Lincoln” (chatinho, mas aprendi bastante sobre história dos EUA, um lapso na minha educação); “Aventuras de Pi” (INCRÍVEL, assistam!!!), “No” (chileno, sobre marketing político que tirou Pinochet do poder – muito bom!), “Django Livre” (incapaz de expressar uma opinião além de F-O-D-A), “Amor” (austríaco chatíssimo)… Devo ter esquecido algum.

Teve também a formatura do meu primo. 5 dias no interior de SP passando muito calor, comendo bem, bebendo absolutamente o tempo inteiro e ouvindo todos os ritmos de música imagináveis. Conheci muita gente e me diverti demais!

Daí teve o carnaval, aquele lindo caos brasileiro, que começou, nada mais nada menos, com um convite para o Camarote da Prefeitura de São Paulo no Sambódromo. Foi uma experiência incrível! Tudo na faixa, incluindo aí temakis, picolés, chopps, caipirinhas, salgados e frios mil, café da manhã… Isso sim é vida, minha gente! Isso sem falar nos desfiles, lindos, gloriosos, brilhantes… E olha que só muito recentemente aceitei realmente o carnaval. Eu era daquelas rockeiras revoltadas, sabe? Passava o feriado todo vendo MTV trancada em casa com amigos, jogando WAR e comendo pizza! kkkk

Nos dias seguintes encontrei amigos, fui a blocos de rua, me diverti muuuuuito, beijei homem, beijei mulher, beijei em dupla, trio, quarteto. É o tal pan-amor. Acho válido.

Sábado último, 16, foi meu aniversário. Mais uma vez fiz um churrasco no meu prédio e queria dizer que foi meu melhor aniversário em muitos anos! Compareceram amigos queridos, me diverti muito, ri muito, conversei muito, conheci algumas pessoas melhor… Ótimo começo da nova idade (27, caso estejam curiosos).

No final, aconteceu um troço esquisitíssimo, e é difícil demais explicar o quanto isso está me enlouquecendo desde então. Eis o resumo da ópera> peguei meu melhor amigo.

O foda é que por muito tempo tive não quedas, mas cachoeiras por ele, e ele sabia e me ignorava. Mas sempre esteve por perto, aquele tipo de amigo que vara noites conversando com você sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis, aquele cara que te conhece de verdade, sabe?

E o mais foda ainda é que há muito tempo parei de sentir qualquer coisa nesse sentido… E agora que aconteceu… Imaginei por muito tempo como seria, e em nenhuma dessas vezes pensei que poderia não gostar. Mas essa é a realidade: não curti. Isso me mata em mil e um sentidos, Tipo… Misto de estranheza, com uma sensação de que tá tudo errado.

Mas acho bom ter acontecido. Era mais do que hora de eu aprender a parar de ter queda pelos meus amigos. É o mundo me dizendo: “não era isso que você queria? então tooooma, trouxa!”

E agora rola um medo absurdo de falar com o cidadão. Ele até tentou, no dia seguinte, começar uma DR sobre o que raios tinha acontecido, mas eu mal conseguia olhar ele na cara, muito menos conversar sobre. CONSTRANGIMENTO DEFINE.

Enfim. E assim começou meu 2013, gente.

Só pra não deixar espaço em branco: CONTRATA EU!

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, mídias sociais, análise de mídia. Procuro QUALQUER coisa na área da Comunicação – é que ainda não tenho certeza do que gosto, e no que quero me aperfeiçoar.

Trabalho bem em grupos, sou multi-tarefas, desinibida, responsável.

CONTRATA EU!

hehe

Pronto, parei.

Z’Oropa 2010, parte 4 (final) – Londres

Olá, meu povo bonito!

Antes de mais nada, queria agradecer os comentários fofos do povo aqui, no twitter, no facebook… Não vou citar todo mundo, *medo* de esquecer alguém. Mas sintam-se abraçados 🙂

Agora é hora de finalizar o meu relato de viagem, beeeeeem atrasado, eu sei.

Então. Como devem se lembrar, fui de Glasgow para Londres de trem, numa segunda-feira. 4h de sono ininterrupto depois, chegava à estação de London Euston.

Me perdi um pouco para comprar o passe do metrô, acabei fazendo uma cagada em não comprar o bilhete semanal. O single, que faz apenas um trecho, é caríssimo:  £4. Lembrando que em São Paulo, onde o transporte urbano é falho e caro, o metrô custa R$ 2,65 por trecho (cerca de 1/3 do preço londrino). Enfim.

O metrô estava bombando e não demorei para ouvir brasileiros conversando. Já tinha consciência da quantidade de brasucas em Londres, mas ainda assim fiquei perplexa com a quantidade de compatriotas que trombei por lá, fosse no albergue, no restaurante, nas atrações turística.

Meu albergue ficava em Picadilly Circus, centrão de Londres. Próximo ao bairro boêmio de Soho, próximo ao Green Park e ao Hyde Park, perto de vários museus e da Trafalgar Square – o ponto central de Londres.

O albergue era caótico. Picadilly Backpackers, anotem aí. A localização não poderia ser melhor, mas… É Feio. Sujo. Camas barulhentas. Quarto apertado. Banheiro sujo e desagradável. Isso sem falar que a região inteira estava em obras. Acordava as 7h da manhã já com barulheira de bate-estaca. Um inferno. Ah! E não tinha café-da-manhã – até tinha, mas a £ 1 por 2 torradas SEM manteiga. Preferia sair de estômago vazio e comer uma coisa mais interessante (bagels, donuts e starbucks :D).

Mas voltando: já eram umas 18h. Larguei minhas coisas no quarto – compartilhado com outras 3 pessoas, ausentes no momento – e fui bater perna. Entrei num Starbucks pra tomar meu frapuccino querido na cidade onde o Starbucks nasceu. Lá, o atendente percebeu pelo meu sotaque que eu era brasileira. Ele também era. Me cobrou por um frapuccino pequeno, e me deu o maior deles. Nice. Valeu aí, brasileiro brother bonitinho.

Depois entrei numa loja de quinquilharias. O atendente TAMBÉM era brasileiro. E o ajudante também. ô raios. #melaaaarga.

Andei sem rumo até cair na Trafalgar Square, que é a praça mais importante de Londres. É onde o ano novo é comemorado. Onde as conquistas no esporte são celebradas. É como a nossa Av. Paulista.

Fui andando de volta para o albergue, sem saber bem o que fazer. Resolvi ir no Ripleys: Believe It Or Not, só porque era na esquina do meu albergue e eu estava cansada.

A atendente… brasileira, é claro. Contou que Vesgo, do Pânico, tinha estado lá dias antes e a entrevistado. Não que isso mude a minha vida nem a de vocês. – tô chata hoje –

O Ripleys Believe It Or Not é um museu de estranhisses. Quadros feitos de pennys (moedinhas de 1 centavo), esculturas de chiclete, vacas de três cabeças, uma estátua do cara mais gordo do mundo, e do mais alto. Eram sessões e mais sessões de bizarrices, bem legalzinho se você tem uma grana extra (custa £20 a entrada, pesado). A ala de instrumentos de tortura é bem interessante para quem curte história medieval.

Esqueleto de um ornitorrinco

Quadro feito de chicletes!

Saí de lá e tinham passado 3h! Eram 23h. Nem comi nada. Fui pro albergue, tomei um banho frio – simplesmente porque, descobri dia seguinte, a torneira de sair água quente era a torneira de água fria, e vice-versa. Mas é isso.

Antes de dormir conheci meus parceiros de quarto: uma italiana e um casal de irmãos suiços. Só lembro do nome do cara, era Sebastian. Roncava feito um porco.

Dia seguinte acordei sem planos. Tinha tanta coisa pra ver e fazer que eu não sabia nem por onde começar. Resolvi ser turistona e pegar o Big Bus (que a  Bel recomendou), uma das 300 empresas de ônibus de city tour vermelhinhos e de dois andares que rodam pelas principais cidades do mundo. Custou £ 24. Até ser a hora do primeiro ônibus, às 10h, fiquei conversando com o mocinho que me vendeu o ticket, um espanhol gatchéééénho que falava português super bem. Nem me importei de ser usada pro cara treinar o português dele.

O dia estava liiiiiiindo, e mas perfeito impossível, e o moço espanhol me alertou sobre o tempo: disse que faria 34º C (graus Célsius, thanks god. Mané ficar convertendo fahrenheit! estadunidense gosta de complicar).

Passei o dia no ônibus. Cada trajeto inteiro demorou horas, e fiz dois diferentes. Também fiz o passeio de barco (já incluso no preço). Passei por praticamente toda a Londres e fui marcando o que eu gostaria de ver nos próximos dias.

Umas fotos do passeio de bus:

Dia típico de cartão postal. Londrinos indo trabalhar e eu só admirando a cidade do alto do ônibus de dois andares.

Entrando na London Bridge!

Catedral St. Paul

Essa eu bati do barco \o/

Foi basicamente isso o meu segundo dia em Londres. Às 18h e pouco desci do ônibus perto do Green Park e fui andando pra Picadilly, pertinho. Tava vermelha do sol de quase 40º  o dia todo, desidratada e faminta. Comi no KFC, só pq morro de saudade daquele frango frito gordo e daquelas batatas smile (que, pra minha decepção, nem tinha). Voltei pro albergue eram umas 20h. Tomei banho e dormi. Ainda era dia.

3º dia em Londres. Decidi ir no Madame Tussaud, o museu de cera. £ 28 a entrada, beeeeeeem pesado. Tudo que economizei em Amsterdã tava indo. Mas valeu a pena. Divertidíssimo tirar fotos com os famosos de cera em tamanho natural. O Johnny Deep, aquele gostoso, é baixinho, ó:

#pegavafacil

Perfeito, embora o flash deixe muito aparente o brilho nada natural. Mas ao vivo dá medo.

Marley & eu.

Amy ♥

Shakespeare

Com a família real

Bonequinha de luxo

Enfim. Quando vi, já tinha passado boa parte do dia. Saí de lá e fui andando até o Museu Britânico, meio longinho. Passei num supermercado e comprei um sanduíche de salmão defumado + uma água + um pacote de batata frita por £1! Maravilha.

Os principais museus em Londres são gratuitos. E são obrigatórios por quem se interessa minimamente por arte e história – e eu me interesso muito. Taí o caráter extremamente intelectual da minha primeira vez em Londres.

AMEI o Museu Britânico. Muitos objetos essenciais para entender a história da civilização estão lá. Um deles é a Pedra de Roseta, que ajudou a traduzir os hieróglifos egípcios. Tinham várias alas. A de arte egípcia era incrível! Dezenas de sarcófagos e múmias.

Outra coisa bacana era uma ala para a história do dinheiro. Desde os primeiros objetos usados como moeda – corais, conchas, pedras – até moedas de ouro maciço, e notas de dinheiro grandes como uma folha A4… Incrível. E os instrumentos de tortura da Idade Média?

Cara, amo história.

Fico fascinada por essas coisas.  Me perco no tempo. Gastei 3h lá, mas poderia ter ficado 4 dias seguidos. Em várias alas, como a da Mesopotâmia, passei super rápido.

De lá, também andando, fui até a National Gallery. No caminho, passei por Soho e pela China Town.

Tinha meia hora para visitar a National Gallery. Fui pro essencial: Leonardo DaVinci e impressionistas. Quadros conhecidíssimos do Van Gogh estavam lá; do Monet também. Do Cezanne. De Renoir.

Nem sou muito ligada em quadros, não tenho sensibilidade de ficar analisando o tipo de pincelada e tal. Mas a estética me toca. Valeu muito a pena.

Entrada em estilo neoclássico da National Gallery

Às 18h, tive que sair já que estava fechando. Estava um sol forte e havia uma enorme concentração de gente na Trafalgar Square.  Dezenas de turistas de várias nacionalidades tiravam fotos até do chão. Pessoas de várias idades se sentavam nos degraus da entrada do National Gallery para ler um livro, conversar ou relaxar. E o mais importante: Muitos jovens comemoravam a classificação da Inglaterra para as oitavas de final da Copa do Mundo.

Aliás, fiquei impressionada com o fanatismo deles por futebol. Em todos os prédios havia no mínimo uma bandeira da Inglaterra pendurada. No Brasil, vi até que poucas bandeiras.

Fiquei um tempão admirando a concentração na Trafalgar Square. Daí fui comer alguma coisa. Optei por Mc Donalds (é, eu sei. Trash). Mc Donalds no exterior é um lance muito popular, impressionante. Comi, fui pro hotel, tomei um banho e dormi.

Quinta-feira acordei cedão planejando fazer uma viagem de dia inteiro pra fora de Londres. Fui até a agência, na Victoria Station, pra descobrir que não tinha mais lugar em nenhum passeio interessante. Acabei comprando pro dia seguinte um passeio para Warwick Castle, Stratford upon Avon e Oxford.

Daí tive que planejar na hora o que fazer com o meu último dia inteiro em Londres. Nem pestanejei: fui direto pro Museu de História Natural.

Uma construção LINDÍSSIMA.

E uma fila enorme pra entrar, também. Além de muito turista, VÁRIAS excursões de escola com crianças pequenas.

Queria uma infância com mais cultura no Brasil também!

Logo na entrada, uma estátua de Darwin.

O Museu tinha muita coisa para criança. Sessões com linguagem bem didática, objetos antigos dispostos para que as pessoas pudessem tocar. A pirralhada ficava louca. Ótimo – história atraindo a atenção de crianças é um bom começo.

Museu de História Natural é um barato. Esqueletos de dinossauros, animais empalhados, botânica… O que me chamou muito a atenção foi a ala de minerais e pedras preciosas. Nunca tinha visto coisa parecida. CADA pedra que vocês não tem noção.

Algumas estavam dispostas como um arco-iris. Fantástico. Infelizmente, minha câmera vagabundinha não pegou nem 10% da beleza disso.

A seção dedicada ao espaço também era fodona.

É nítida a importância que o governo e iniciativas privadas dão a museus na Europa. Estão sempre cheios, as instalações são perfeitas e bem cuidadas, o staff é grande e atencioso.

Recorde: entrei às 10h no museu e saí às 16h rumo a mais um museu. O Imperial War, dica do meu primo, o @gustavofsalles.

A entrada era uma graça, dentro de um parque.

Pensei que seria um rolê cultural mais “de menino”. Essa coisa de tanques, e aviões… O hall de entrada também dava essa impressão.

Mas NADA a ver. Só deu tempo de ver rapidamente as alas das 1ª e 2ª Guerras Mundiais.

INCRÍVEL. Desde o uniforme usado pelos soldados, até símbolos da guerra, prataria, cartas e decalarações, material de publicidade da guerra…

Impressionante.

Voltei pra região de Picadilly. Dei uma volta por lá, procurando boas opções pra comer. Pensei em atacar de mexicano, mas nem tava afim de gastar £ 40. Acabei num pub gostosinho. Comi uma carne assada com batata, bem inglês, acompanhado de cerveja. Viajo sozinha mas passo bem.

Estufada, fui pro albergue. Até pensei em sair e ir prum bar ou algo assim, mas desisti. Morrendo de sono e sem pique de socializar.

Sexta-feira acordei cedão e fui pra Victoria Station fazer meu day trip por Warwick, Stratford e Oxford.

A guia era espanhola, e falava tudo em inglês e espanhol. Ótimo, porque assim o que não entendia em inglês entendia em espanhol.

A primeira parada foi Warwick Castle, onde morou Madame Toussand e outros. É um castelo bem medieval mesmo, você se sente nos desenhos da professora de história explicando sobre feudos. Tem um fosso ao redor do castelo, tem jardins, tem uma igrejinha. A cidadezinha cresceu ao redor do castelo.

Foto medonha com o sol na minha cara. Mas é só pra falar “eu fui”. haha (era dia de jogo do Brasil; isso explica a minha camiseta).

Quando estava indo embora, vi uma ave ENORME fazendo rasantes pelo campo do castelo. Estava no finzinho de uma exibição. Uma águia maravilhosa. E gigante. Puta bicho GRANDE.

De lá, fomos até a cidade de Shakespeare, Stratford Upon Avon. Sou uma pessoa sem cultura e nunca li Shakespeare. #medeixa. Mas um dia leio.

Uma graça a cidade. Nada Ó, QUE INCRÍVEL, mas foi bacaninha entrar na casa em que ele nasceu. Era uma família “com posses”, uma das poucas na cidade que tinha cama naquela época.

Fiquei viajando mesmo foi no jardim da casa.

No caminho para Oxford, nossa última parada, a guia fez um desvio para nos mostrar umas casinhas lidinhas típicas da região. Ela disse que esse tipo de teto é caríssimo e demonstra nobreza. Mas não entendi que raio de material que era nem em inglês, nem em espanhol:

Então, rumamos à Oxford, que é cheia de história e cultura, além de conter resquícios harrypotterianos ♥.

E aí a gente lembra do primeiro HP.

E a sala comunal, gente?

Malz pela foto ruim.

That’s it.

Fiquei em dúvida do que fazer na última noite. Acabei não fazendo nada e indo dormir cedo de novo. Raios. Isso é foda de viajar sozinha – alguém pra te chacoalhar e dizer: vamo pra gandaia que é a última noite. Sozinha o meu rolê é outro.

Mas tudo bem, porque madruguei no sabadão para conhecer a Porto Bello Road, feirinha de antiguidades, comidas, tranqueiras e muitas coisas mais. INCRÍVEL. Tem de tudo. É uma Benedito Calixto vezes um milhão. E mais. É um bairro inteiro.

Foi bom porque cheguei cedinho, eram 8 e pouco da matina. Tava vazio e pude bisbilhotar barriquinhas e sentir cheiros em paz. O que mais me impressionou foi a diversidade de barracas de comidas. Da óbvia (e não menos boa) italiana, com seus antepastos:

Até as mais bizarras, como a culinária de Uganda:

Saudável, né?

Ó a “entrada” da Porto Bello Road aí.

Para coroar, comi um belo de um waffle com mel. E rumei para a minha última parada antes de dar tchau. Uma outra pegada cultural, o Covent Garden: cafés, restaurantes, manifestações artísticas, lojinhas de artesanato se misturam. DELÍCIA de lugar. Pra passar um fim de semanas inteiro. Infelizmente, só pude dar uma volta rápida.

Depois, voltei pro albergue pra buscar minhas coisas. Fui pro aeroporto. Cheguei cedo. RÁ. Que merda. Mas beleza. Percorri as milhares de lojas do aeroporto – até uma micro Harrods tinha por lá. O Heathrow Airport é um puta dum shopping center, pra dar a real.

Enfim.

Meu vôo de volta era bizarro. Ia até Frankfurt, Alemanha, pra de lá vir pro Brasil.

Mas valeu a pena a esticada fora da direção. As colinas verdes e os lagos límpidos ao redor de Frankfurt me chaparam. Nunca tive muita vontade de ir à Alemanha até aquele momento. Que puta lugar lindo!

Cheguei atrasadaça. Thanks god que mó galera tava em conexão também.

Foi entrar na sala da espera que mudou o clima. SÓ BRASILERAIADA. Atendentes da TAM falando em português com a gente. No primeiro instante é sempre bom ouvir aquela língua tão sua. Mas passa 1 minuto e já dá saudade do inglês.

Puta zoeira no avião. Sentei do lado de um cara de Goiás, que devia ter uns 3 metros de altura. Delícia sentar do lado de gigantes na classe econômica. Ah! O vôo teria 14h. Mais delícia ainda.

Mas não sei por que cargas d’água consegui dormir bastante – vai ver porque o vôo inteiro foi a noite, e chegou em São Paulo 5 da manhã. Brisa louca ficar 14 horas sem amanhecer.

E assim acaba a minha história.

Até a próxima – que continua semana que vem, com uma viagem à Bogotá. Uma cidade perto, tida como muito bonita, mas que não desperta muito interesse dos brasileiros. Enfim. Quinta que vem tô colando lá e passo 4 dias.

Beijos a todos. Se alguém aí já foi pra Bogotá, entre em contato! 😉

Z’Oropa 2010, parte 2 – Amsterdã

Bom, vamos lá. Continuando:

Depois de me recuperar do stress com a polícia holandesa, fui tentar me virar para ir pro albergue. Tudo que eu tinha era o nome da rua “Zandpad”, porque emoção é o meu nome. Ah, importante dizer que com o stress no aeroporto esqueci de pegar um mapa.

Olha, mapa é mais importante do que roupa numa viagem. Me fudi.

Depois de seguir instruções de metade da população holandesa (impressionante como TODAS as mulheres parecem a Ana Rickmann), achei o parque Vondelpark. Meu albergue estava em alguma das saídas dele. Eram quase 9 da noite e o sol brilhava como se fosse 3 da tarde. Ah, o verão europeu. Mas o frio já dilacerava os meus lábios. Os holandeses, por outro lado, faziam piquenique, andavam de bicicleta, de patins e caminhavam com roupas de pleno verão. Shortinho curto, blusa cavada, vestinho… Êta povo tropical mal acostumado que somos.

Depois de dar umas três voltas (calculo eu) pelo maior parque de Amsterdã (é claro), me achei.

Gracinha meu albergue, não? Construção tipicamente holandesa. Na verdade, são três prédios, mas só esse é bonitinho 😛 (do outro lado da rua fica o tal parque)

Entrei no meu quarto – para 6 pessoas – mas só 2 camas estavam ocupadas. Uma delas com aspecto de “armário”. 2 pessoas tomavam banho. “Fudeu: casal”, pensei. Minha sina, não adianta.

Saiu do banho uma japonesinha primeiro. Soltei um “hello” e ela um “alô”, assim mesmo. Aí perguntei da onde ela era: Brasil, São Paulo. haha mas é claro! Seu nome era Renata. Um tempo depois, o namorado saiu do banheiro, o Pablo. Era a última noite deles em Amsterdã, e me convidaram para sair por aí, não sem antes terminar com a Absolut cheia que estava na nossa frente.

Gostei do casal.

Estranho como ficamos apenas umas 12h juntos mas rolou um entrosamento sensacional, que raras vezes encontrei nas minhas viagens (que já são numerosas, thanks god!). Além disso, o Pablo era cheio dos lances espíritas. Queria me fazer ver as coisas por outro ângulo e que eu me soltasse mais. Tipo, nem me conhece mas me leu.

Aliás, me lembrem de mandar e-mail pra eles. Até hoje, quase 1 mês depois, ainda não mandei.

Lá pelas 23h, finalmente, começou a anoitecer. A cidade é meio morta depois que anoitece. Exceto o Red Light District, o famoso bairro da esbórnia, que tem mil coffee shops (onde vende maconha legalizada) e boates com prostitutas que se expõem na vitrine. Entendo o apelo do lugar, mas é pra turista ver. Porra, sou brasileira. Samba, mulher pelada na tevê em qualquer horário, traveco na Rua Augusta, checked. Mas imaginem um, sei lá, nórdico. Os gringos das terras distantes do primeiríssimo mundo ficam doidos. Tem oriental, tem gorda, tem magrinha, tem negra, tem loira, tem morena. Muitas delas são lindíssimas. A maioria, eu diria. (não, não tirei foto. Não saí com a câmera na primeira noite)

Sentamos várias vezes na beira de algum dos vários canais. Ficamos conversando e eles me apresentavam algumas variedades de maconha, haxixe e skank. Fumo muito raramente, mas poxa. Amsterdã.

Andamos pelo centro inteiro. City tour pela noite fria. Umas 3h voltamos ao albergue. Continuavamos só nós 3 no quarto, uma bênção. Bebemos um vinho vagabundo que eles tinham comprado anteriormente e… algumas poucas horas depois, já estavamos de pé.

Um café da manhã bem caprichado para um albergue. Tinha até nutella pra passar no pão, chique.

Anotem aí, crianças: se um dia forem para Amsterdã e ficarem em albergue, escolham um da rede StayOkay (são três na cidade. O meu era o Vondelpark, que não é TÃO perto do centro). A diária era coisa de € 20 por noite, com café-da-manhã incluído.

Ainda de manhã, fui com o Pablo a uma Coffee Shop conhecer o ambiente. Extremamente masculino e… bizarro. Nas mesinhas tinha seda disponível para a galera enrolar seus baseados!
Anyway… Eu não voltaria ali sozinha.

A tarde, aluguei uma bicicleta e, com meu mapa na mão, fui percorrendo as ruas e pontes sobre canais apinhados de gente andando de bicicleta. Gente de terno e gravata, mulheres com roupa social e salto alto (!), crianças de uniforme e mochila, pais com filhos nas costas, velhinhos, moças com flores na cesta. É um outro universo onde a bicicleta REALMENTE é um meio de transporte. Ninguém usa capacete nem nada, mas super funciona.

Minha bicicleta. O aluguel por 24h com seguro (furto de bicicleta é um crime grave na Holanda! haha) ficou carinho, € 17. Mas valeu a pena. Só assim para ter tempo de apreciar as paisagens sem me cansar tanto.

Um dos belíssimos canais… Maior paz

Um moinho de vento! Bem pra turista. Mas fazer o quê.

Passava horas olhando mapa e tentando decorar uma parte de um nome de alguma rua. Coisas como: Huygensstraat, Lennepkade, Passeendergraacht… Dêem uma olhada num mapa de Amsterdã. Tenso.

Mas passava tanto tempo entre bicicletas, visuais lindos, fotos (minha máquina é podre e a maioria das fotos nem vale a pena ser mostrada) e tal que esquecia de comer. Uma beleza ter acumulo de gordura no corpo, porque passava o dia inteiro bem. Ainda nesse dia fui ao museu Van Gogh, que achei meio decepcionante pelo preço – €14. Adoro Van Gogh e impressionistas no geral. Mas as grandes obras do Van Gogh não tão na Holanda! Tão no Louvre! Ou em algum museu de Londres. A tarde, deitei na grama ensolarada da Praça dos Museus, como toda a Europa adora fazer .

Na foto, dá pra ver o museu Rijksmuseum, o principal de Amsterdã (que tava em reforma :P). O do Van Gogh fica do lado oposto. Por isso “Praça dos Museus” :). Também dá pra ver um povo se exercitando, outro povo de boa no solzinho.

Sozinha a noite, não tinha tanta coragem para desbravar baladas (e nem curto, na real). Fui até o Hard Rock Café e fiquei por lá bebendo umas cervejas e saciando a fome.

18 de junho – Amanheceu um dia horrível. Cinza. Triste. Mas era o meu último e a diária da bicicleta ainda valia.

Resolvi ir na casa da Anne Frank, livro que por sinal levei para viagem e nem tinha acabado de ler ainda.

Para quem não sabe, a Anne Frank era uma menina de uma família judia que viveu escondida com seus pais, irmã e outra família em uma casa de Amsterdã durante a 2ª Guerra Mundial. O bacana é que eu ainda não tinha lido o final do livro, e a casa já GRITOU o final trágico que me aguardava. Mó spoiler 😛 HAHAHA
Para entrar no esconderijo da familia Frank, paga-se € 9.

Se você não leu, não selecione o texto a seguir. (Poxa, nem sabia que todos  que tavam escondidos na casa eram presos e que só o pai da Anne voltaria com vida dos campos de concentração – e que ele quem publicou o seu diário.)

Enfim. BEM impressionante.

Depois, pra relaxar, fui na Heineken Experience. Olha, nem sabia que a Heineken é holandesa, então disfarça.

O lugar é a primeira fábrica da marca. E o tour é INCRÍVEL – para quem gosta de cerveja pelo menos. Mas o preço é salgaaaado. € 22.

Além da degustação (são ao todo 3 copos), tem toda a história da marca, o processo de fabricação e fermentação… Até nos dão pra provar o chá de cevada, ou melhor, a cevada ANTES de fermentar. Parece chá de regime haha. Para os publicitários, tem uma câmara com todos os comerciais da Heineken desde 1950 e lá vai bolinha. Toda a mudança de comportamento na sociedade, o espaço da mulher, a tecnologia, o lazer e o trabalho… Tá tudo lá. Vale a pena.

Morrendo de fome, fui achar o que comer. Entrei num bar com telões. Tava passando um jogo dos EUA X Esvolênia (ou Eslováquia?). No cardápio, uma coisa chamou minha atenção: ribs all you can eat for €9. Ahhh malandro! Cara, comi T-A-N-T-O. E ainda tomei dois baldes de cerveja (€2 cada, só!). Achei positivamente que ia cair morta. Mas aí um gringo doido começou a conversar comigo e com a menina da mesa ao lado, que, olha só: era brasileira. Carioca. Conversamos um pouco mas a achei muito blé. O português falado atraiu mais dois brasileiros que moram em Amsterdã. Ficamos papeando bêbadamente.

Já menos estufada de comida, parti para fechar com chave de ouro. Um passeio de barco pelos canais (€ 12).

A bandeirinha, o canal, uma ponta cheeeeia de bicicletas e uma pergunta: por que a seleção holandesa joga de laranja, se sua bandeira é azul, vermelha e branca???

Cara, tem cisnes e famílias inteiras de patinhos nos canais de Amsterdã, uma cidade com quase 1 milhão de habitantes! Ô primeiro mundo…

Um lindo exemplar de uma casa-barco. Imagine, morar em um barco? Em Amsterdã milhares de pessoas vivem assim.

Do passeio de barco voltei para o albergue para buscar minhas coisas. Fui para o ponto do tram (ou bonde). Fui até a Amstel Station, de onde ANOS-LUZ depois o meu ônibus para Londres saiu. Sim, decidi ir de ônibus pela economia: 1 noite a menos de hotel e menos de € 40. Só não contava com um ônibus sem banheiro (oi, 12h de viagem), uma poltrona desconfortabilíssima, um motorista que passava metade do tempo falando ao celular (AHAM!!! TE JURO!!! NA EUROPA!!!) ou ficava assoviava melodias medonhas. ah, e é claro: não contava com paradas longuíssimas na fronteira com a França e na fronteira com o Reino Unido (coisa de ” raioxizar” todas as malas and stuff). Isso porque só PASSAMOS pela França. Por outro lado, na fronteira com a Bélgica foi tranquilo…

Mais uma parte termina aqui.

No próximo capítulo: Londres com papi, Glasgow, Edimburgo e Paul Mccartney.

Fevereiro

Não sei qual é a magia implícita no mês do meu aniversário, mas tem alguma coisa nessa época do ano que me deixa feliz. Simplesmente feliz.

Se paro para pensar, o meu mês tem sido geralmente o melhor do ano. É um mês de verão, tem carnaval, tem animação e ainda tem o pique do começo de ano. Além, claro, da minha já tradicional comemoração de aniversário, que já rolou (mesmo que meu aniversário só seja terça que vem).

Então, dessa vez, tudo que tenho a dizer é que estou bem. Serena. Feliz. Sem motivos para reclamar (além dos óbvios, mas que NÃO vão estragar o MEU fevereiro :)).

Estou feliz de ter comemorado o meu aniversário num churrasco com sucesso de quórum, com pessoas completamente diferentes socializando bem, com fotos ótimas, com muita risada, com muita música boa e muita música vagabunda, com duetos, cerveja, sakê, vodka, a-ônha, e tudo que uma pessoa precisa para se sentir completa.

Porque quando estou com tanta gente que eu amo tanto, não preciso de mais nada para ser feliz.

E que venha o carnaval, a ser comemorado numa cidade no interior de São Paulo chamada…. ANALÂNDIA! Me diz se o carnaval no meu mês e numa cidade com o meu nome não é um bom sinal?

🙂

Minha mãe – a pior história de todas

Alô, você que leu esse post aqui. Você já conhece um pouco sobre a minha relação com a minha família. Mas agora vou me aprofundar nisso. Vou falar da minha mãe.

Tá, você ama sua mãe, ela é a pessoa mais importante da sua vida, você deve tudo a ela.
Super te compreendo, camarada. Mas para mim é bem mais difícil falar isso. Claro que devo minha vida a ela, mas dizer que a amo e que eu devo tudo a ela… Não condiz muito com a realidade.

Minha mãe é louca. Não é autista e nem nada, mas ela tem uma personalidade complicada. Um gênio ruim. Pelos relatos da família e dos amigos antigos dela, ela sempre foi uma pessoa dificílima de lidar. Ela era possuída por surtos inexplicáveis, 99% deles agressivos e destruidores.

Ela sempre foi assim. Só que aí, lá pelos meus 12 anos, ela começou a beber. Tipo, MUITO. Ela sempre foi da cerveja, da caipirinha e tal, e sempre dava trabalho/vexâme. Mas não era alcoólatra. Ainda.

Lembro dela cozinhando e tomando uns goles de conhaque. Nada escondido. Ainda, novamente.

Só que as coisas foram se deteriorando.

Só culpa dela? Óbvio que não. Pessoas não se viciam em drogas só porque querem. Sempre tem um motivo escuso. No caso, os motivos eram vários. Da família complicada dela, o trabalho e o chefe fdp que a mandou embora, irmão mega problemático, meu pai com amizades inadequadas e eu teimosa e respondona e desse jeito que eu sou. Talvez eu tenha mais culpa ainda, mas não saberia indicar em quê.

O fato é que foi piorando, e piorando e piorando. Logo foi pra vodka, depois cachaça e nos últimos estágios antes do fim (isso acaba, se não eu nem contaria), pinga de garrafa de plástico. Daquelas que os mendigos tomam.

Eu falei que era uma história complicada.

O fato de ela se consumir em bebida não era o pior. Eu já disse que ela tem gênio ruim. Imagine uma pessoa com gênio ruim, super agressiva e bêbada.

Olha, eu devo estar na lista VIP do Open Bar do Céu, viu.

Bom, minha mãe passou uns 8 anos ou acordada, bêbada e surtando OU dormindo. Isso poderia ser às 2 da manhã, às 3 da tarde, às 8 da noite, nada a impedia. Escândalos pavorosos. Ela falava que eu era um monstro, uma gorda horrorosa, imatura, que só ia passar por desgraça na vida porque era isso que eu merecia. E daí pra baixo. Aparecia com facas, tentava nos dar garrafada…

NOS dar, porque lógico que eu e meu pai nos unimos contra ela. Ou nos uniamos, ou ela ia nos levar a morte. Sem exagero. Essa parte da minha vida não tem nem como exagerar. NINGUÉM além de mim e do meu pai tem uma noção do que foi essa época. E quando nos mudamos para perto da PUC, perto do centro de São Paulo, piorou o que parecia impiorável. 11º andar de um prédio com 1 apartamento por andar. Ela ameaçava se jogar ou jogar a mim, meu pai ou minha cachorra (!) dia sim, dia não. Por cerca de três anos, não desejei a ela nada que não a morte. Na verdade, ela já estava morta para mim há muito mais tempo.

E aí estava todo mundo dormindo, ela acordava a gente com tapas. Dava medo de dormir. Era stress puro.
A família sabia um pouco do que acontecia, mas ninguém entendia e nem tentava se meter. E aí ela ligava pras pessoas e começava a falar delas, tipo o que ela falava pra mim… Super agradável, vocês podem imaginar.

Nessa época, ela não comia mais. Se alimentava exclusivamente de álcool, e comprava umas ruffles de vez em quando. Tava magra, chupada, parecia morta-viva.

Não sei bem como consegui manter minha vida mais ou menos nos eixos, sendo que ela me acordava aos berros, me xingando, às vésperas do vestibular, sabem.
Mas consegui. Entrei na faculdade e sabia que o fato de voltar pra casa a noite, significava que insônia. Quem dormiria tranquilo com constantes ameaças?

Uma vez bati nela. Bati mesmo, de sair sangue e tudo. Ela tinha falado alguma coisa muito além do que costumava falar, não tenho nem idéia do que seja, mas aquilo me enxeu de ódio. Bati a cabeça dela contra o armário várias vezes, se meu pai não me parasse, não sei o que teria acontecido.

Mas foi só aquela vez. E não me orgulho. Mas assumo.

Então, no final de 2005, o irmão problemático dela morreu. 39 anos. Ele era gay, morava em Lisboa com um amigo, era alcoólatra e curtia umas drogas. E tinha uma vida bem intensa. VIVEU, sabem.
Ela sempre se identificou e tomou as dores do irmão quase 10 anos mais novo.

Só sei que a rápida evolução do quadro dele mexeu com ela. Fora que ela tava indo pelo mesmo caminho: já tinha tido uns desmaios pela rua, de fraqueza. Foi aí que ela procurou ajuda. Psicóloga encaminhou pro psiquiatra logo de cara (óbvio). Ela começou a tomar uns remédios tarja preta. E num intervalo de tempo surpreendentemente mínimo – tipo uma semana! – ela era outra pessoa. A alcoólatra maligna morreu, e apareceu uma mãe calma, abalada, abandonada e deprimida, que eu nunca tinha conhecido. Do álcool, passou para o chocolate – foi a recomendação do psiquiatra, trocar um vício pelo outro.

Meu pai ficou maravilhado e passou a dar todo o apoio. Eu não. Difícil perdoar e esquecer a mãe que ela foi pra mim por tanto tempo. Não que eu quisesse uma mãe-amiga como as que comentaram aquele post que eu citei no começo. Nós não somos disso… Mas. Né.

Ano passado, 2008, ela permanecia tomando vários remédios pesados. Aí, num certo domingo, enfartou. Foi pro hospital. Estado: grave. Poucos botavam uma fé. Meu pai ficou destruido, tinha certeza que ela morreria e que sua vida seria uma desgraça sem fim dali em diante.
Eu? Não chorei. Não cheguei nem perto disso. Primeiro porque sabia que ela não ia morrer. Não era lance de esperança,  nem fé: eu sabia, simplesmente. Me sentia estranha, porque faltava alguém em casa. Faltava a dedicação dela. Faltava alguma coisa…

E aí ela se recuperou. Naquelas. Agora ela toma 50 remédios para depressão/ansiedade e afins e outros 50 para coração, pressão, colesterol… E vive na inércia. Nada na vida dela a interessa suficientemente. Ela está fraca, não tem energia pra nada, e nem tenta.

Um dia desses, ela mandou um e-mail para o meu pai e deu para eu ler também. O e-mail falava que ela não via mais graça na vida, e que tudo que restava nela era amor e gratidão para o meu pai, para mim e para a Maggie.
Chorei.

Dói, sabe.

Chorando agora, também.

Pois é, gente. Vida complicada, a minha.

Quem é você no trabalho?

O meu eu divide-se em dois: o eu pirado e o eu do trabalho. Acho que é normal as pessoas agirem meio diferente em ambientes profissionais, mas, como em toda a minha vida, nisso eu também sou radical. Se um amigo trabalhasse comigo, desacreditaria que eu sou eu, se é que vocês me entendem.

Exemplo: tem um conhecido da namorada de um primo que trabalha comigo. Comentei com a tal namorada, que acabou falando com o cara dias depois. O cara disse a ela que eu era super quieta, na minha. Minha prima, acostumada com a louca, boca suja e cheia de histórias bizarras pra contar e opiniões sobre tudo e todos que eu sou normalmente, desacreditou que se tratava da mesma pessoa.

E sempre foi assim.

Não que eu já tenha trabalhado muito. Foram 3 lugares até hoje. Mas era sempre a mesma coisa: eu suuuuper quieta. Super individualista, almoçando sozinha sempre, de pouca conversa, não vai a happy hour… Eu tenho uma imagem a zelar, sabe.  E sempre tenho uma impressão de q as pessoas q trabalham comigo não tem nada a ver comigo. Além disso, se a Ana bêbada e que adora contar detalhes sórdidos de sua vida existisse no trabalho… Bom, eu não estaria aqui.

Mas nos dois outros trabalhos que eu tive, assim que soube que ia sair, fui me soltando. Foi assim na Riot: durante 7 meses tinha gente que nem sabia que eu existia. E não as culpo, já que eu era uma alheia completa. Quando soube que meus dias estavam contados… Bom. TUDO mudou. E olha como a vida é: me apaixonei loucamente por tudo mundo lá. Pessoas legais pra caralho. Ótimas companhias de bar e papo e fofoca. E elas conheceram a bêbada tagarela que sou. Mas aí terminou. 😦
Na campanha eleitoral, em seguida, a mesma coisa: individualismo, silêncio, passividade. No bar final… Bom, foi um caos. U-M C-A-O-S. Terminou com o cobrador do ônibus me acordando no ponto final. Só isso tenho a declarar.

Tem só 3 meses que estou nesse trabalho atual. Até pouco tempo eu pouco me importava com pessoal daqui. Só que rolou uma mudança de lugares. Não que o povo seja animadão, mas melhorou, viu. Pelo menos rolam uns comentários durante o dia. E teve a festa de aniversário de 2 anos da empresa semana passada. Mas, ai. COMO sinto falta do pessoal da Riot. Povo mais animado no hay.

E vocês, representam um papel no trabalho, diferente do que costumam desempenhar “na vida real”?