Da série: meus ‘filhos’ não podem saber e muito menos fazer igual

Estava aqui à toa lendo as histórias da Lu e alucinei. Agora quero contar minhas histórias bêbadas e ninguém me seguraaaa ahhhhhhhhhhhh

Cara. Já fiz muita merda. Já bebi muito. Já dei MUITO vexame, muito mesmo. Mas não me arrependo de nada – e olha que, diferentemente da Lu, eu lembro de tudo.

A seguir alguns dos piores:

O primeiro porre a gente nunca esquece (2002)

16 anos, 2º colegial, sou ~popular~ e tenho muitos amigos meninos. Junto os amigos da escola AND os meninos do bairro para beber – só que a grande maioria de nós era um bando de amador no quesito álcool, me included. E esse foi o maior erro, porque escolhemos comprar para beber PINGA 51 e Pepsi Twist (aquela com limão, lembram?). SÓ JESUS NA CAUSA.

Fomos para um dos condomínios do meu bairro e viramos aquela desgraça. Uns 8 meninos e eu. Foi uma noite longa, que incluiu eu caindo no meio da rua, no exato lugar em que o caminhão de lixo carregado tinha acabado de passar; um amigo socando todos os postes do quarteirão porque a moça que ele amava não o amava (no fim eles ficaram, namoraram, noivaram e 7 anos depois ele terminou com ela); e o mundo girando pela primeira vez na minha vida. Fiquei enlouquecida, achei a experiência incrível (e muito enjoativa. Vomitei as tripas). Ainda paguei peitinho para um amigo (que uns 10 anos depois acabou vendo direito).

Outs & o anjo (2004)

Uns amigos tinham uma banda. Eles iam tocar num bar de rock na Rua Augusta. Chegamos muito cedo e fomos beber nos botecos do lado. Pinga com limão, pinga com canela, bombeirinho e todas as bebidas mais mendigo que você consiga imaginar.
Ok.
Teve o show. Durante o show inventei de beber vinho. Depois de toda aquela pinga.
Não lembro ao certo em que momento comecei a passar mal. Sei que subi a augusta (para ir até o metrô) sendo meio que arrastada pelo meu grupo de amigos. Eram umas 10 pessoas que precisavam pegar metrô, depois ônibus e depois andar pra chegar em casa. Morar no Campo Limpo antes da Linha 5-Lilás existir era ainda pior.
Enfim.
Cheguei no metrô e gorfei numa lata de lixo no vômito que ficou conhecido pelos meus amigos como EXORCITA. Um volume absurdo de vômito e numa velocidade sinistra.
Depois disso vomitei dentro do vagão do metrô.
DESCULPA MUNDO. Sério. Desculpa. Gorfar no vagão do metrô é zuado. Sorte que tava vazio – exceto pelos meus amigos.

Sei que meu porre fodeu a vida de todo mundo, porque os atrasei e eles não conseguiram pegar o ônibus, já estava muito tarde. Ficamos todos ao relento num ponto de ônibus da Heitor Penteado – eu deitada no chão me acabando de vomitar, ainda.
Daí surgiu um anjo, como meus amigos dizem. Um estranho – dizem que era jovem e bonito (!) cuidou de mim. Passou parte da noite de sábado dele me dando água… Fofo. OBRIGADA MOÇO.
Só que daí meus amigos acharam uma boa ideia LIGAR PARA OS MEUS PAIS IREM ME BUSCAR.
Apenas sensacional tirar meus pais da cama no meio da madrugada para falar que a filha deles está vomitando horrores no meio da rua.
Meu pai passou muitos dias me dando sermão…
E meus amigos, até hoje, me cobram os 2 táxis que tiveram que pegar para voltarem para casa, do outro lado da cidade.

Los Hermanos em Taubaté (2005)

Minha amiga, os amigos de Taubaté dela e eu fomos ao show, que custou meros R$ 15. Bons tempos. Antes, fizemos um esquenta de Smirnoff Ice (rysos). No show vendia DE TUDO, e eu bebi DE TUDO: virei 2 copos de 200ml cada de vodka; tomei 2 copos de vinho; e 2 doses de tequila.

O resultado? Comecei a ver o mundo girar na segunda música do show. Fui pro banheiro, morri vomitando, acordei com uma faxineira ME ARRASTANDO pra fora do banheiro. Fiquei vomitando deitada quase inerte no meio da pista do show com uma galera me olhando. Dignidade.

2006, um caso a parte

Em 2006 tive mais dias de caos, bebida e vômito do que dias sóbrios. Teve uma semana em que eu dei 3 PTs em questão de 5 dias. Eu saia todas as noites, bebida vinha de graça sabe deus da onde. Uma beleza.
2006 foi um ano em que eu ia a churrascos toda semana; foi o ano em que eu comecei a beber cerveja e fumar maconha com o moço estranho do conhaque na mochila por quem eu era apaixonada. PENSA.

Foram tantos porres HOMÉRICOS nesse ano que é difícil separar um ou dois. O mais forte e mais importante de todos, sem dúvida, foi no dia em que fiquei pela primeira vez com o tal moço da maconha e do conhaque na mochila – amigão da minha prima (ele carregava também pão de mel e um cobertor). A história inteira daquele dia está contada em detalhes aqui, e ainda forte na memória (ele foi o último cara de quem gostei de verdade, antes do suíço, SETE anos depois). Resumo: festa 1, festa 2, enquadro de polícia, festa em casa, bebida bebida bebida, papos sobre dimensões e física, vomitar A ALMA no banheiro, sair do banheiro e descobrir que está tudo apagado e todo mundo foi embora, reparar num colchão no chão na minha frente, deitar nele, ser coberta por um cobertor mágico (junho é frio, gente) e depois por um corpo humano muito desejado me acariciando e chegando de leve. Soa estranho, mas foi lindo, gente.

Como dito antes, foram mil porres esse ano, e confundo um pouco os acontecimentos. Teve um em que gorfei em uma caçamba; um outro, dormi no banheiro e quando acordei (no banheiro) eu estava coberta com edredom e com travesseiro (!!!); numa outra, vomitei pela janela do meu quarto (um prédio) e as paredes do prédio ficaram marcadas… Ai ai. A juventude. Eu não conseguia controlar, bebia demais (e misturava várias bebida e maconha – UM GRANDESSÍSSIMO ERRO). Daí era sempre o mesmo resultado. Numa dessas, me descolaram um balde. Depois disso, nunca mais larguei o balde. Era meu fiel companheiro dos porres. Logo, virei a Ana do baldinho.

Power rangers & a grande decepção chamada cerveja (2006)

Foram poucos meses de amor eterno com a cerveja. A descobri em fevereiro de 2006 e passei a me acabar na cerveja, sem passar mal, sem enjoar e nem nada. Achava que era a bebida perfeita. Esse belo dia começou com um imagem & ação com gente que nunca vi na vida, um amigo que eu não tinha ideia de onde tinha surgido no rolê e com o moço do conhaque na mochila sendo chamado de Los Hermanos por um cara no bar – ao que respondeu que ele e os amigos eram os power rangers (cada um com uma camiseta lisa de uma cor diferente). E eu bebi muita cerveja, como nunca tinha bebido na vida. Estava segura de que estava segura. EPA PERA.

Pois é. Esse dia é importante porque foi uma grande, grande decepção. Fiquei chocada de que cerveja, sem nenhum complemento, pudesse causar um estrago tão grande (e caganeira, ainda por cima). Demorou pra fazer efeito, mas passei a madrugada inteirinha no banheiro, cagando e vomitando e perguntando pra cerveja “por que me traíste?”.

O caso dos dois moreninhos (2007)

Nossa, essa história é foda. Se tem alguma bebedeira que eu quase me arrependo é essa. Foi tenso e FORTE.
Tudo começou com 4 amigas e eu querendo chamar homens para a minha casa para… Hm. You know. Foi difícil achar, viu. Esses homens de hoje em dia… tudo negando fogo. hahaha
Mas conseguimos. Foi um amigo da faculdade de uma delas, um amigo desse amigo e dois caras que eles mal conheciam. Sabe-se lá de onde surgiram, sei que apareceram os 4 na minha casa num sábado a noite. Daí a gente jogou sueca.
Nunca jogou sueca? É um jogo de beber sensacional, mas que 11 em cada 10 vezes, dá merda e alguém gorfa. Informe-se sobre o joguinho aqui.
Sei que eu fiquei trêbada. Em dado momento, uma amiga falou que um dos caras queria me pegar. Eu disse: “eu não quero esse, quero aquele” e apontei outro cara. Ela falou com o cara e ele disse que ia me esperar na cozinha. Fui na cozinha e agarrei o cara. Canibal, mesmo. Mas mal agarrei me subiu aquele revertério. Falei pro cara esperar. Fui ao tanque e gorfei na frente dele. HAHAHAHAH
Ele sumiu. Eu fui pro banheiro vomitar decentemente. Saí do banheiro e fui pro meu quarto me recuperar cochilando. Acordei com alguém me fazendo massagem. Dei trela e peguei – achando que era o moço que me viu gorfar.
Só que não era. E quando eu me dei conta já era tarde demais.
Acordei na manhã seguinte com A MAIOR RESSACA MORAL DA ESTRATOSFERA.

JUCA (2007)

Juca são os Jogos Universitários de Comunicação e Artes. As principais faculdade dos cursos do gênero, em São Paulo, se reúnem em alguma cidade do interior, por 4 dias, para disputar um campeonato e destruir a pobre cidade.
Nos primeiros anos de faculdade eu não fui. Não tinha a menor vontade de dormir em barraca, passar calor, frio, dormir mal, comer mal. Mas em 2007, 3º ano da faculdade, resolvi ir. Foi em Registro, cidade ao sul do estado.
A PUC é conhecida por ser a pior das faculdades, esportisticamente falando. É um bando de maconheiro bêbado. Com muito orgulho. Nas provas de natação, uma menina da PUC nadou cachorrinho de biquini de lacinho. Te juro. Nas raias do lado, gente do Mackenzie, da USP, da Casper se alongam, tomam concentrado energético antes das provas… O lema da PUC no JUCA é: “A PUC VEIO PRA BEBER E SE GANHAR FOI SEM QUERER”.
Enfim. O grande lance do JUCA são as festas no alojamento. Tudo open bar. Sempre. O dia inteiro.
Logo na primeira noite eu bebi bem e não percebi a merda chegando. Mas ela chegou. Forte. Quando vi, o mundo não estava girando ~redondamente~. Eram quadrados. Triângulos. Polígonos. Vocês não tem uma noção, gente. Vomitei as tripas e fui pra barraca dormir. Quando acordei, minha cabeça estava pra fora da barraca, e o corpo pra dentro. E percebi que metade do alojamento estava em situação parecida ou pior que a minha. Ah, o JUCA… ♥

2012, Carnajuju I edição

Sítio sempre dá merda. Simples assim. Cheguei no sítio às 7 da manhã com a aniversariante e comecei a beber desde então. E bebi de tudo. Me acabei na cerveja, na tequila, nas coisas mais bizarras misturadas com vodka, uísque, vodka pura… E rolava uma piscina de lona. Sempre que eu ficava alta ia lá mergulhar.

MERGULHAR MESMO, gente:

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Enfim. Teve samba, teve tombo, teve sangue, teve corredor polonês de homem beijando a mulherada que passava… Teve eu mostrando os peitos pra festa inteira (inclusive pro pai da dona da festa)… E teve eu passando mal. Dizem que eu beijei a minha amiga que cuidou de mim, mas juro que não lembro. Embora eu lembre de ter beijado 3 pessoas naquele dia, mas jamais lembrei claramente quem foi a 3ª pessoa.

Passei a madrugada num quarto com 5 pessoas me ouvindo vomitar. Fim.

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Vocês podem reparar que nos primeiros anos os porres eram frequentes, e depois foram se tornando mais raros. Pois é, amadurecer tem dessas.Tenho tido porres uma, duas vezes por ano, hoje em dia (2014 ainda tá zerado).
Consigo me controlar muito mais. Naquelas, né. Sempre que eu bebo causo horrores. Dou em cima de todo mundo, conto minha vida sexual para estranhos, provoco. Fico assanhada, extrovertida, falante, gritante. Nunca fui uma bêbada briguenta, nem triste, nem amorosa. Sou uma bêbada vadia. Faço amizade com todo mundo, falo merda pra todo mundo, divirto quase todo mundo. Mas aprendi a beber mais devagar e, principalmente, não misturar bebidas.

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Z’Oropa 2010, parte 2 – Amsterdã

Bom, vamos lá. Continuando:

Depois de me recuperar do stress com a polícia holandesa, fui tentar me virar para ir pro albergue. Tudo que eu tinha era o nome da rua “Zandpad”, porque emoção é o meu nome. Ah, importante dizer que com o stress no aeroporto esqueci de pegar um mapa.

Olha, mapa é mais importante do que roupa numa viagem. Me fudi.

Depois de seguir instruções de metade da população holandesa (impressionante como TODAS as mulheres parecem a Ana Rickmann), achei o parque Vondelpark. Meu albergue estava em alguma das saídas dele. Eram quase 9 da noite e o sol brilhava como se fosse 3 da tarde. Ah, o verão europeu. Mas o frio já dilacerava os meus lábios. Os holandeses, por outro lado, faziam piquenique, andavam de bicicleta, de patins e caminhavam com roupas de pleno verão. Shortinho curto, blusa cavada, vestinho… Êta povo tropical mal acostumado que somos.

Depois de dar umas três voltas (calculo eu) pelo maior parque de Amsterdã (é claro), me achei.

Gracinha meu albergue, não? Construção tipicamente holandesa. Na verdade, são três prédios, mas só esse é bonitinho 😛 (do outro lado da rua fica o tal parque)

Entrei no meu quarto – para 6 pessoas – mas só 2 camas estavam ocupadas. Uma delas com aspecto de “armário”. 2 pessoas tomavam banho. “Fudeu: casal”, pensei. Minha sina, não adianta.

Saiu do banho uma japonesinha primeiro. Soltei um “hello” e ela um “alô”, assim mesmo. Aí perguntei da onde ela era: Brasil, São Paulo. haha mas é claro! Seu nome era Renata. Um tempo depois, o namorado saiu do banheiro, o Pablo. Era a última noite deles em Amsterdã, e me convidaram para sair por aí, não sem antes terminar com a Absolut cheia que estava na nossa frente.

Gostei do casal.

Estranho como ficamos apenas umas 12h juntos mas rolou um entrosamento sensacional, que raras vezes encontrei nas minhas viagens (que já são numerosas, thanks god!). Além disso, o Pablo era cheio dos lances espíritas. Queria me fazer ver as coisas por outro ângulo e que eu me soltasse mais. Tipo, nem me conhece mas me leu.

Aliás, me lembrem de mandar e-mail pra eles. Até hoje, quase 1 mês depois, ainda não mandei.

Lá pelas 23h, finalmente, começou a anoitecer. A cidade é meio morta depois que anoitece. Exceto o Red Light District, o famoso bairro da esbórnia, que tem mil coffee shops (onde vende maconha legalizada) e boates com prostitutas que se expõem na vitrine. Entendo o apelo do lugar, mas é pra turista ver. Porra, sou brasileira. Samba, mulher pelada na tevê em qualquer horário, traveco na Rua Augusta, checked. Mas imaginem um, sei lá, nórdico. Os gringos das terras distantes do primeiríssimo mundo ficam doidos. Tem oriental, tem gorda, tem magrinha, tem negra, tem loira, tem morena. Muitas delas são lindíssimas. A maioria, eu diria. (não, não tirei foto. Não saí com a câmera na primeira noite)

Sentamos várias vezes na beira de algum dos vários canais. Ficamos conversando e eles me apresentavam algumas variedades de maconha, haxixe e skank. Fumo muito raramente, mas poxa. Amsterdã.

Andamos pelo centro inteiro. City tour pela noite fria. Umas 3h voltamos ao albergue. Continuavamos só nós 3 no quarto, uma bênção. Bebemos um vinho vagabundo que eles tinham comprado anteriormente e… algumas poucas horas depois, já estavamos de pé.

Um café da manhã bem caprichado para um albergue. Tinha até nutella pra passar no pão, chique.

Anotem aí, crianças: se um dia forem para Amsterdã e ficarem em albergue, escolham um da rede StayOkay (são três na cidade. O meu era o Vondelpark, que não é TÃO perto do centro). A diária era coisa de € 20 por noite, com café-da-manhã incluído.

Ainda de manhã, fui com o Pablo a uma Coffee Shop conhecer o ambiente. Extremamente masculino e… bizarro. Nas mesinhas tinha seda disponível para a galera enrolar seus baseados!
Anyway… Eu não voltaria ali sozinha.

A tarde, aluguei uma bicicleta e, com meu mapa na mão, fui percorrendo as ruas e pontes sobre canais apinhados de gente andando de bicicleta. Gente de terno e gravata, mulheres com roupa social e salto alto (!), crianças de uniforme e mochila, pais com filhos nas costas, velhinhos, moças com flores na cesta. É um outro universo onde a bicicleta REALMENTE é um meio de transporte. Ninguém usa capacete nem nada, mas super funciona.

Minha bicicleta. O aluguel por 24h com seguro (furto de bicicleta é um crime grave na Holanda! haha) ficou carinho, € 17. Mas valeu a pena. Só assim para ter tempo de apreciar as paisagens sem me cansar tanto.

Um dos belíssimos canais… Maior paz

Um moinho de vento! Bem pra turista. Mas fazer o quê.

Passava horas olhando mapa e tentando decorar uma parte de um nome de alguma rua. Coisas como: Huygensstraat, Lennepkade, Passeendergraacht… Dêem uma olhada num mapa de Amsterdã. Tenso.

Mas passava tanto tempo entre bicicletas, visuais lindos, fotos (minha máquina é podre e a maioria das fotos nem vale a pena ser mostrada) e tal que esquecia de comer. Uma beleza ter acumulo de gordura no corpo, porque passava o dia inteiro bem. Ainda nesse dia fui ao museu Van Gogh, que achei meio decepcionante pelo preço – €14. Adoro Van Gogh e impressionistas no geral. Mas as grandes obras do Van Gogh não tão na Holanda! Tão no Louvre! Ou em algum museu de Londres. A tarde, deitei na grama ensolarada da Praça dos Museus, como toda a Europa adora fazer .

Na foto, dá pra ver o museu Rijksmuseum, o principal de Amsterdã (que tava em reforma :P). O do Van Gogh fica do lado oposto. Por isso “Praça dos Museus” :). Também dá pra ver um povo se exercitando, outro povo de boa no solzinho.

Sozinha a noite, não tinha tanta coragem para desbravar baladas (e nem curto, na real). Fui até o Hard Rock Café e fiquei por lá bebendo umas cervejas e saciando a fome.

18 de junho – Amanheceu um dia horrível. Cinza. Triste. Mas era o meu último e a diária da bicicleta ainda valia.

Resolvi ir na casa da Anne Frank, livro que por sinal levei para viagem e nem tinha acabado de ler ainda.

Para quem não sabe, a Anne Frank era uma menina de uma família judia que viveu escondida com seus pais, irmã e outra família em uma casa de Amsterdã durante a 2ª Guerra Mundial. O bacana é que eu ainda não tinha lido o final do livro, e a casa já GRITOU o final trágico que me aguardava. Mó spoiler 😛 HAHAHA
Para entrar no esconderijo da familia Frank, paga-se € 9.

Se você não leu, não selecione o texto a seguir. (Poxa, nem sabia que todos  que tavam escondidos na casa eram presos e que só o pai da Anne voltaria com vida dos campos de concentração – e que ele quem publicou o seu diário.)

Enfim. BEM impressionante.

Depois, pra relaxar, fui na Heineken Experience. Olha, nem sabia que a Heineken é holandesa, então disfarça.

O lugar é a primeira fábrica da marca. E o tour é INCRÍVEL – para quem gosta de cerveja pelo menos. Mas o preço é salgaaaado. € 22.

Além da degustação (são ao todo 3 copos), tem toda a história da marca, o processo de fabricação e fermentação… Até nos dão pra provar o chá de cevada, ou melhor, a cevada ANTES de fermentar. Parece chá de regime haha. Para os publicitários, tem uma câmara com todos os comerciais da Heineken desde 1950 e lá vai bolinha. Toda a mudança de comportamento na sociedade, o espaço da mulher, a tecnologia, o lazer e o trabalho… Tá tudo lá. Vale a pena.

Morrendo de fome, fui achar o que comer. Entrei num bar com telões. Tava passando um jogo dos EUA X Esvolênia (ou Eslováquia?). No cardápio, uma coisa chamou minha atenção: ribs all you can eat for €9. Ahhh malandro! Cara, comi T-A-N-T-O. E ainda tomei dois baldes de cerveja (€2 cada, só!). Achei positivamente que ia cair morta. Mas aí um gringo doido começou a conversar comigo e com a menina da mesa ao lado, que, olha só: era brasileira. Carioca. Conversamos um pouco mas a achei muito blé. O português falado atraiu mais dois brasileiros que moram em Amsterdã. Ficamos papeando bêbadamente.

Já menos estufada de comida, parti para fechar com chave de ouro. Um passeio de barco pelos canais (€ 12).

A bandeirinha, o canal, uma ponta cheeeeia de bicicletas e uma pergunta: por que a seleção holandesa joga de laranja, se sua bandeira é azul, vermelha e branca???

Cara, tem cisnes e famílias inteiras de patinhos nos canais de Amsterdã, uma cidade com quase 1 milhão de habitantes! Ô primeiro mundo…

Um lindo exemplar de uma casa-barco. Imagine, morar em um barco? Em Amsterdã milhares de pessoas vivem assim.

Do passeio de barco voltei para o albergue para buscar minhas coisas. Fui para o ponto do tram (ou bonde). Fui até a Amstel Station, de onde ANOS-LUZ depois o meu ônibus para Londres saiu. Sim, decidi ir de ônibus pela economia: 1 noite a menos de hotel e menos de € 40. Só não contava com um ônibus sem banheiro (oi, 12h de viagem), uma poltrona desconfortabilíssima, um motorista que passava metade do tempo falando ao celular (AHAM!!! TE JURO!!! NA EUROPA!!!) ou ficava assoviava melodias medonhas. ah, e é claro: não contava com paradas longuíssimas na fronteira com a França e na fronteira com o Reino Unido (coisa de ” raioxizar” todas as malas and stuff). Isso porque só PASSAMOS pela França. Por outro lado, na fronteira com a Bélgica foi tranquilo…

Mais uma parte termina aqui.

No próximo capítulo: Londres com papi, Glasgow, Edimburgo e Paul Mccartney.

Friday night

Então. Sexta passada fui de novo lá pra onde eu morava, ver o pessoal. Afinal, bar é SEMPRE lucro, ainda mais quando aceitam VR para pagar a cerveja.

Se foi um erro voltar lá depois de tudo que eu falei? De jeito nenhum. Gosto muito, muito, muuuuito deles, e me dá uma alegria gritante o fato de estar com eles. Às vezes me decepcionam, mas vou deixar de vê-los por causa disso? Não! Vou é me jogar.

E aí…

Olha, quando você bebe muito, fala demais e faz coisas vergonhosas mas tem amnésia, tá tudo lindo. O problema é quando você lembra de tudo detalhadamente. Tópicos da noite que começou às 19h30 e terminou às 11h30 da manhã do dia seguinte.

– Ana sexóloga. Porque, olha: quer prender a atenção de 15 pessoas (ou mais), basta sugerir um papo de sexo. O que eu fiz, basicamente, foi pedir a opinião das pessoas da mesa sobre o que elas gostam, não gostam, fantasiam e tal. Nada absurdo, mas o suficiente para deixar meninas cheias de fogo morrendo de vergonha.

– Ana boxeadora. Fomos para a casa de uns vizinhos de uma amiga, que nós não conheciamos, mas who cares?
República, parede de latas de cerveja e saco de boxe. Pra quê? Roxos até hoje, beijos.

– Pessoas abrindo cerveja presa entre meus peitos com os dentes.

– Acordar com o dia claro, ver que está sobrando e pedir para ir embora. Ninguém te dá a mínima nas 3 vezes, então você pega suas coisas e sai andando por um condomínio imenso que mal conhece. Na caminhada rumo à portaria, uma buzina, uma carona de uma estranha que ouve músicas evangélicas, de saia e cabelos compridos e adesivos “Te amo Jesus”. E eu com olheira, meibêbada ainda. perdida no mundo.
Sei lá, tem gente boa por aí.
A mulher não só me levou até a portaria, como também me levou até o metrô. E me deu um folhetinho da igreja dela, claro.
E aí meus amigos me ligam berraaaaando PQ VC FOI EMBORA blábláblá VAMOS AÍ TE BUSCAR blábláblá FICA AÍ blábláblá. 40 minutos depois, eles aparecem, discutimos meia hora, decidimos que eu vou pra casa, e de bus mesmo, porque tá todo mundo bêbado e minha casa fica longe. Aí fico muito puta, porque CAUSARAM pq eu ia de metrô, e no fim eu continuava com a opção de transporte público. Espero 30 minutos no ponto muito puta e desgostosa da vida. Mais 50 de trajeto até a minha casa. Chego quase meio dia e amargo uma porra de um dia inteiro numa das piores ressacas dos últimos tempos.

FIM.

Pelo menos a minha vida anda… ANIMADA.

Katiaça

Tenho poucos arrependimentos na vida. A maioria é por deixar de ter feito alguma coisa. E muitas delas poderiam ter acontecido se não fosse culpa da marvada.

Eis uma das coisas que eu mais me arrependo até hoje:

Dezembro de 2007 – fui uma das primeiras a chegar no churrasco do meu “step-cousin” . Já fui abrindo uma cerveja. Eram 14h e não parei de beber. Enquanto bebia, ficava sentada numa cadeira tomando sol. E conversava com todo mundo que chegava perto, parentes, amigos, desconhecidos. Bastava que ocupasse a única cadeira disponível, que estava perto de mim. Era divertido. Aí foi aumentando a quantidade de gente, foi escurecendo, e eu bebendo, lógico…
Chegou meu ex com a mulher e a filha recém-nascida, que eu vi pela primeira vez… E com eles um gringo, que logo se tornou meu melhor amigo dos últimos tempos da última semana. Gringo gatinho, perdido no Brasil, com português fluente e tudo.
Super ia rolar, sabe. O cara mega gente boa, me dando a maior atenção do mundo…

Só que.

Eu não parei de beber no momento certo, gente.

Fim.

(Vou poupar vocês dos detalhes sórdidos. Basta dizer que tinha um bolo de chocolate e brigadeiros que eu nem cheguei perto).

Álcool (de novo…)

1173145406_fEm algum momento bêbado da minha vida o grupo de pessoas com quem eu conversava comparava os gastos com bebida com bens. Assim:
– Eu já bebi um apartamento
– Eu já bebi um carro popular
– Eu já bebi um barco

Olha, eu já bebi bem. BEM. De gastar R$ 80 numa balada SÓ de bebida (R$ 8 cada caipirinha de sakê, bebi 10). Mas geralmente eu bebo coisa de pobre, e tento me controlar (a grana, pelo menos). Cerveja, principalmente, que é mais barata. Fora os milhões de rolês em que a gente paga R$ 10 pra entrar e bebe umas 15 latas de cerveja – pra não sair no prejú, lógico. hehe.
E também durante anos a bebida foi comprada em supermercado e a balada seguiu para a minha casa, o que é uma puta economia. E vamos lembrar do fato de eu ter começado a beber tarde.
Sendo assim, acho que eu bebi, sei lá, uma moto. Uma biz  qualquer. Se pá usada.

E você, caro leitor?
Pare e pense um pouco. O quanto você já bebeu?