Z’Oropa 2010, parte 4 (final) – Londres

Olá, meu povo bonito!

Antes de mais nada, queria agradecer os comentários fofos do povo aqui, no twitter, no facebook… Não vou citar todo mundo, *medo* de esquecer alguém. Mas sintam-se abraçados 🙂

Agora é hora de finalizar o meu relato de viagem, beeeeeem atrasado, eu sei.

Então. Como devem se lembrar, fui de Glasgow para Londres de trem, numa segunda-feira. 4h de sono ininterrupto depois, chegava à estação de London Euston.

Me perdi um pouco para comprar o passe do metrô, acabei fazendo uma cagada em não comprar o bilhete semanal. O single, que faz apenas um trecho, é caríssimo:  £4. Lembrando que em São Paulo, onde o transporte urbano é falho e caro, o metrô custa R$ 2,65 por trecho (cerca de 1/3 do preço londrino). Enfim.

O metrô estava bombando e não demorei para ouvir brasileiros conversando. Já tinha consciência da quantidade de brasucas em Londres, mas ainda assim fiquei perplexa com a quantidade de compatriotas que trombei por lá, fosse no albergue, no restaurante, nas atrações turística.

Meu albergue ficava em Picadilly Circus, centrão de Londres. Próximo ao bairro boêmio de Soho, próximo ao Green Park e ao Hyde Park, perto de vários museus e da Trafalgar Square – o ponto central de Londres.

O albergue era caótico. Picadilly Backpackers, anotem aí. A localização não poderia ser melhor, mas… É Feio. Sujo. Camas barulhentas. Quarto apertado. Banheiro sujo e desagradável. Isso sem falar que a região inteira estava em obras. Acordava as 7h da manhã já com barulheira de bate-estaca. Um inferno. Ah! E não tinha café-da-manhã – até tinha, mas a £ 1 por 2 torradas SEM manteiga. Preferia sair de estômago vazio e comer uma coisa mais interessante (bagels, donuts e starbucks :D).

Mas voltando: já eram umas 18h. Larguei minhas coisas no quarto – compartilhado com outras 3 pessoas, ausentes no momento – e fui bater perna. Entrei num Starbucks pra tomar meu frapuccino querido na cidade onde o Starbucks nasceu. Lá, o atendente percebeu pelo meu sotaque que eu era brasileira. Ele também era. Me cobrou por um frapuccino pequeno, e me deu o maior deles. Nice. Valeu aí, brasileiro brother bonitinho.

Depois entrei numa loja de quinquilharias. O atendente TAMBÉM era brasileiro. E o ajudante também. ô raios. #melaaaarga.

Andei sem rumo até cair na Trafalgar Square, que é a praça mais importante de Londres. É onde o ano novo é comemorado. Onde as conquistas no esporte são celebradas. É como a nossa Av. Paulista.

Fui andando de volta para o albergue, sem saber bem o que fazer. Resolvi ir no Ripleys: Believe It Or Not, só porque era na esquina do meu albergue e eu estava cansada.

A atendente… brasileira, é claro. Contou que Vesgo, do Pânico, tinha estado lá dias antes e a entrevistado. Não que isso mude a minha vida nem a de vocês. – tô chata hoje –

O Ripleys Believe It Or Not é um museu de estranhisses. Quadros feitos de pennys (moedinhas de 1 centavo), esculturas de chiclete, vacas de três cabeças, uma estátua do cara mais gordo do mundo, e do mais alto. Eram sessões e mais sessões de bizarrices, bem legalzinho se você tem uma grana extra (custa £20 a entrada, pesado). A ala de instrumentos de tortura é bem interessante para quem curte história medieval.

Esqueleto de um ornitorrinco

Quadro feito de chicletes!

Saí de lá e tinham passado 3h! Eram 23h. Nem comi nada. Fui pro albergue, tomei um banho frio – simplesmente porque, descobri dia seguinte, a torneira de sair água quente era a torneira de água fria, e vice-versa. Mas é isso.

Antes de dormir conheci meus parceiros de quarto: uma italiana e um casal de irmãos suiços. Só lembro do nome do cara, era Sebastian. Roncava feito um porco.

Dia seguinte acordei sem planos. Tinha tanta coisa pra ver e fazer que eu não sabia nem por onde começar. Resolvi ser turistona e pegar o Big Bus (que a  Bel recomendou), uma das 300 empresas de ônibus de city tour vermelhinhos e de dois andares que rodam pelas principais cidades do mundo. Custou £ 24. Até ser a hora do primeiro ônibus, às 10h, fiquei conversando com o mocinho que me vendeu o ticket, um espanhol gatchéééénho que falava português super bem. Nem me importei de ser usada pro cara treinar o português dele.

O dia estava liiiiiiindo, e mas perfeito impossível, e o moço espanhol me alertou sobre o tempo: disse que faria 34º C (graus Célsius, thanks god. Mané ficar convertendo fahrenheit! estadunidense gosta de complicar).

Passei o dia no ônibus. Cada trajeto inteiro demorou horas, e fiz dois diferentes. Também fiz o passeio de barco (já incluso no preço). Passei por praticamente toda a Londres e fui marcando o que eu gostaria de ver nos próximos dias.

Umas fotos do passeio de bus:

Dia típico de cartão postal. Londrinos indo trabalhar e eu só admirando a cidade do alto do ônibus de dois andares.

Entrando na London Bridge!

Catedral St. Paul

Essa eu bati do barco \o/

Foi basicamente isso o meu segundo dia em Londres. Às 18h e pouco desci do ônibus perto do Green Park e fui andando pra Picadilly, pertinho. Tava vermelha do sol de quase 40º  o dia todo, desidratada e faminta. Comi no KFC, só pq morro de saudade daquele frango frito gordo e daquelas batatas smile (que, pra minha decepção, nem tinha). Voltei pro albergue eram umas 20h. Tomei banho e dormi. Ainda era dia.

3º dia em Londres. Decidi ir no Madame Tussaud, o museu de cera. £ 28 a entrada, beeeeeeem pesado. Tudo que economizei em Amsterdã tava indo. Mas valeu a pena. Divertidíssimo tirar fotos com os famosos de cera em tamanho natural. O Johnny Deep, aquele gostoso, é baixinho, ó:

#pegavafacil

Perfeito, embora o flash deixe muito aparente o brilho nada natural. Mas ao vivo dá medo.

Marley & eu.

Amy ♥

Shakespeare

Com a família real

Bonequinha de luxo

Enfim. Quando vi, já tinha passado boa parte do dia. Saí de lá e fui andando até o Museu Britânico, meio longinho. Passei num supermercado e comprei um sanduíche de salmão defumado + uma água + um pacote de batata frita por £1! Maravilha.

Os principais museus em Londres são gratuitos. E são obrigatórios por quem se interessa minimamente por arte e história – e eu me interesso muito. Taí o caráter extremamente intelectual da minha primeira vez em Londres.

AMEI o Museu Britânico. Muitos objetos essenciais para entender a história da civilização estão lá. Um deles é a Pedra de Roseta, que ajudou a traduzir os hieróglifos egípcios. Tinham várias alas. A de arte egípcia era incrível! Dezenas de sarcófagos e múmias.

Outra coisa bacana era uma ala para a história do dinheiro. Desde os primeiros objetos usados como moeda – corais, conchas, pedras – até moedas de ouro maciço, e notas de dinheiro grandes como uma folha A4… Incrível. E os instrumentos de tortura da Idade Média?

Cara, amo história.

Fico fascinada por essas coisas.  Me perco no tempo. Gastei 3h lá, mas poderia ter ficado 4 dias seguidos. Em várias alas, como a da Mesopotâmia, passei super rápido.

De lá, também andando, fui até a National Gallery. No caminho, passei por Soho e pela China Town.

Tinha meia hora para visitar a National Gallery. Fui pro essencial: Leonardo DaVinci e impressionistas. Quadros conhecidíssimos do Van Gogh estavam lá; do Monet também. Do Cezanne. De Renoir.

Nem sou muito ligada em quadros, não tenho sensibilidade de ficar analisando o tipo de pincelada e tal. Mas a estética me toca. Valeu muito a pena.

Entrada em estilo neoclássico da National Gallery

Às 18h, tive que sair já que estava fechando. Estava um sol forte e havia uma enorme concentração de gente na Trafalgar Square.  Dezenas de turistas de várias nacionalidades tiravam fotos até do chão. Pessoas de várias idades se sentavam nos degraus da entrada do National Gallery para ler um livro, conversar ou relaxar. E o mais importante: Muitos jovens comemoravam a classificação da Inglaterra para as oitavas de final da Copa do Mundo.

Aliás, fiquei impressionada com o fanatismo deles por futebol. Em todos os prédios havia no mínimo uma bandeira da Inglaterra pendurada. No Brasil, vi até que poucas bandeiras.

Fiquei um tempão admirando a concentração na Trafalgar Square. Daí fui comer alguma coisa. Optei por Mc Donalds (é, eu sei. Trash). Mc Donalds no exterior é um lance muito popular, impressionante. Comi, fui pro hotel, tomei um banho e dormi.

Quinta-feira acordei cedão planejando fazer uma viagem de dia inteiro pra fora de Londres. Fui até a agência, na Victoria Station, pra descobrir que não tinha mais lugar em nenhum passeio interessante. Acabei comprando pro dia seguinte um passeio para Warwick Castle, Stratford upon Avon e Oxford.

Daí tive que planejar na hora o que fazer com o meu último dia inteiro em Londres. Nem pestanejei: fui direto pro Museu de História Natural.

Uma construção LINDÍSSIMA.

E uma fila enorme pra entrar, também. Além de muito turista, VÁRIAS excursões de escola com crianças pequenas.

Queria uma infância com mais cultura no Brasil também!

Logo na entrada, uma estátua de Darwin.

O Museu tinha muita coisa para criança. Sessões com linguagem bem didática, objetos antigos dispostos para que as pessoas pudessem tocar. A pirralhada ficava louca. Ótimo – história atraindo a atenção de crianças é um bom começo.

Museu de História Natural é um barato. Esqueletos de dinossauros, animais empalhados, botânica… O que me chamou muito a atenção foi a ala de minerais e pedras preciosas. Nunca tinha visto coisa parecida. CADA pedra que vocês não tem noção.

Algumas estavam dispostas como um arco-iris. Fantástico. Infelizmente, minha câmera vagabundinha não pegou nem 10% da beleza disso.

A seção dedicada ao espaço também era fodona.

É nítida a importância que o governo e iniciativas privadas dão a museus na Europa. Estão sempre cheios, as instalações são perfeitas e bem cuidadas, o staff é grande e atencioso.

Recorde: entrei às 10h no museu e saí às 16h rumo a mais um museu. O Imperial War, dica do meu primo, o @gustavofsalles.

A entrada era uma graça, dentro de um parque.

Pensei que seria um rolê cultural mais “de menino”. Essa coisa de tanques, e aviões… O hall de entrada também dava essa impressão.

Mas NADA a ver. Só deu tempo de ver rapidamente as alas das 1ª e 2ª Guerras Mundiais.

INCRÍVEL. Desde o uniforme usado pelos soldados, até símbolos da guerra, prataria, cartas e decalarações, material de publicidade da guerra…

Impressionante.

Voltei pra região de Picadilly. Dei uma volta por lá, procurando boas opções pra comer. Pensei em atacar de mexicano, mas nem tava afim de gastar £ 40. Acabei num pub gostosinho. Comi uma carne assada com batata, bem inglês, acompanhado de cerveja. Viajo sozinha mas passo bem.

Estufada, fui pro albergue. Até pensei em sair e ir prum bar ou algo assim, mas desisti. Morrendo de sono e sem pique de socializar.

Sexta-feira acordei cedão e fui pra Victoria Station fazer meu day trip por Warwick, Stratford e Oxford.

A guia era espanhola, e falava tudo em inglês e espanhol. Ótimo, porque assim o que não entendia em inglês entendia em espanhol.

A primeira parada foi Warwick Castle, onde morou Madame Toussand e outros. É um castelo bem medieval mesmo, você se sente nos desenhos da professora de história explicando sobre feudos. Tem um fosso ao redor do castelo, tem jardins, tem uma igrejinha. A cidadezinha cresceu ao redor do castelo.

Foto medonha com o sol na minha cara. Mas é só pra falar “eu fui”. haha (era dia de jogo do Brasil; isso explica a minha camiseta).

Quando estava indo embora, vi uma ave ENORME fazendo rasantes pelo campo do castelo. Estava no finzinho de uma exibição. Uma águia maravilhosa. E gigante. Puta bicho GRANDE.

De lá, fomos até a cidade de Shakespeare, Stratford Upon Avon. Sou uma pessoa sem cultura e nunca li Shakespeare. #medeixa. Mas um dia leio.

Uma graça a cidade. Nada Ó, QUE INCRÍVEL, mas foi bacaninha entrar na casa em que ele nasceu. Era uma família “com posses”, uma das poucas na cidade que tinha cama naquela época.

Fiquei viajando mesmo foi no jardim da casa.

No caminho para Oxford, nossa última parada, a guia fez um desvio para nos mostrar umas casinhas lidinhas típicas da região. Ela disse que esse tipo de teto é caríssimo e demonstra nobreza. Mas não entendi que raio de material que era nem em inglês, nem em espanhol:

Então, rumamos à Oxford, que é cheia de história e cultura, além de conter resquícios harrypotterianos ♥.

E aí a gente lembra do primeiro HP.

E a sala comunal, gente?

Malz pela foto ruim.

That’s it.

Fiquei em dúvida do que fazer na última noite. Acabei não fazendo nada e indo dormir cedo de novo. Raios. Isso é foda de viajar sozinha – alguém pra te chacoalhar e dizer: vamo pra gandaia que é a última noite. Sozinha o meu rolê é outro.

Mas tudo bem, porque madruguei no sabadão para conhecer a Porto Bello Road, feirinha de antiguidades, comidas, tranqueiras e muitas coisas mais. INCRÍVEL. Tem de tudo. É uma Benedito Calixto vezes um milhão. E mais. É um bairro inteiro.

Foi bom porque cheguei cedinho, eram 8 e pouco da matina. Tava vazio e pude bisbilhotar barriquinhas e sentir cheiros em paz. O que mais me impressionou foi a diversidade de barracas de comidas. Da óbvia (e não menos boa) italiana, com seus antepastos:

Até as mais bizarras, como a culinária de Uganda:

Saudável, né?

Ó a “entrada” da Porto Bello Road aí.

Para coroar, comi um belo de um waffle com mel. E rumei para a minha última parada antes de dar tchau. Uma outra pegada cultural, o Covent Garden: cafés, restaurantes, manifestações artísticas, lojinhas de artesanato se misturam. DELÍCIA de lugar. Pra passar um fim de semanas inteiro. Infelizmente, só pude dar uma volta rápida.

Depois, voltei pro albergue pra buscar minhas coisas. Fui pro aeroporto. Cheguei cedo. RÁ. Que merda. Mas beleza. Percorri as milhares de lojas do aeroporto – até uma micro Harrods tinha por lá. O Heathrow Airport é um puta dum shopping center, pra dar a real.

Enfim.

Meu vôo de volta era bizarro. Ia até Frankfurt, Alemanha, pra de lá vir pro Brasil.

Mas valeu a pena a esticada fora da direção. As colinas verdes e os lagos límpidos ao redor de Frankfurt me chaparam. Nunca tive muita vontade de ir à Alemanha até aquele momento. Que puta lugar lindo!

Cheguei atrasadaça. Thanks god que mó galera tava em conexão também.

Foi entrar na sala da espera que mudou o clima. SÓ BRASILERAIADA. Atendentes da TAM falando em português com a gente. No primeiro instante é sempre bom ouvir aquela língua tão sua. Mas passa 1 minuto e já dá saudade do inglês.

Puta zoeira no avião. Sentei do lado de um cara de Goiás, que devia ter uns 3 metros de altura. Delícia sentar do lado de gigantes na classe econômica. Ah! O vôo teria 14h. Mais delícia ainda.

Mas não sei por que cargas d’água consegui dormir bastante – vai ver porque o vôo inteiro foi a noite, e chegou em São Paulo 5 da manhã. Brisa louca ficar 14 horas sem amanhecer.

E assim acaba a minha história.

Até a próxima – que continua semana que vem, com uma viagem à Bogotá. Uma cidade perto, tida como muito bonita, mas que não desperta muito interesse dos brasileiros. Enfim. Quinta que vem tô colando lá e passo 4 dias.

Beijos a todos. Se alguém aí já foi pra Bogotá, entre em contato! 😉

Z’Oropa 2010, parte 2 – Amsterdã

Bom, vamos lá. Continuando:

Depois de me recuperar do stress com a polícia holandesa, fui tentar me virar para ir pro albergue. Tudo que eu tinha era o nome da rua “Zandpad”, porque emoção é o meu nome. Ah, importante dizer que com o stress no aeroporto esqueci de pegar um mapa.

Olha, mapa é mais importante do que roupa numa viagem. Me fudi.

Depois de seguir instruções de metade da população holandesa (impressionante como TODAS as mulheres parecem a Ana Rickmann), achei o parque Vondelpark. Meu albergue estava em alguma das saídas dele. Eram quase 9 da noite e o sol brilhava como se fosse 3 da tarde. Ah, o verão europeu. Mas o frio já dilacerava os meus lábios. Os holandeses, por outro lado, faziam piquenique, andavam de bicicleta, de patins e caminhavam com roupas de pleno verão. Shortinho curto, blusa cavada, vestinho… Êta povo tropical mal acostumado que somos.

Depois de dar umas três voltas (calculo eu) pelo maior parque de Amsterdã (é claro), me achei.

Gracinha meu albergue, não? Construção tipicamente holandesa. Na verdade, são três prédios, mas só esse é bonitinho 😛 (do outro lado da rua fica o tal parque)

Entrei no meu quarto – para 6 pessoas – mas só 2 camas estavam ocupadas. Uma delas com aspecto de “armário”. 2 pessoas tomavam banho. “Fudeu: casal”, pensei. Minha sina, não adianta.

Saiu do banho uma japonesinha primeiro. Soltei um “hello” e ela um “alô”, assim mesmo. Aí perguntei da onde ela era: Brasil, São Paulo. haha mas é claro! Seu nome era Renata. Um tempo depois, o namorado saiu do banheiro, o Pablo. Era a última noite deles em Amsterdã, e me convidaram para sair por aí, não sem antes terminar com a Absolut cheia que estava na nossa frente.

Gostei do casal.

Estranho como ficamos apenas umas 12h juntos mas rolou um entrosamento sensacional, que raras vezes encontrei nas minhas viagens (que já são numerosas, thanks god!). Além disso, o Pablo era cheio dos lances espíritas. Queria me fazer ver as coisas por outro ângulo e que eu me soltasse mais. Tipo, nem me conhece mas me leu.

Aliás, me lembrem de mandar e-mail pra eles. Até hoje, quase 1 mês depois, ainda não mandei.

Lá pelas 23h, finalmente, começou a anoitecer. A cidade é meio morta depois que anoitece. Exceto o Red Light District, o famoso bairro da esbórnia, que tem mil coffee shops (onde vende maconha legalizada) e boates com prostitutas que se expõem na vitrine. Entendo o apelo do lugar, mas é pra turista ver. Porra, sou brasileira. Samba, mulher pelada na tevê em qualquer horário, traveco na Rua Augusta, checked. Mas imaginem um, sei lá, nórdico. Os gringos das terras distantes do primeiríssimo mundo ficam doidos. Tem oriental, tem gorda, tem magrinha, tem negra, tem loira, tem morena. Muitas delas são lindíssimas. A maioria, eu diria. (não, não tirei foto. Não saí com a câmera na primeira noite)

Sentamos várias vezes na beira de algum dos vários canais. Ficamos conversando e eles me apresentavam algumas variedades de maconha, haxixe e skank. Fumo muito raramente, mas poxa. Amsterdã.

Andamos pelo centro inteiro. City tour pela noite fria. Umas 3h voltamos ao albergue. Continuavamos só nós 3 no quarto, uma bênção. Bebemos um vinho vagabundo que eles tinham comprado anteriormente e… algumas poucas horas depois, já estavamos de pé.

Um café da manhã bem caprichado para um albergue. Tinha até nutella pra passar no pão, chique.

Anotem aí, crianças: se um dia forem para Amsterdã e ficarem em albergue, escolham um da rede StayOkay (são três na cidade. O meu era o Vondelpark, que não é TÃO perto do centro). A diária era coisa de € 20 por noite, com café-da-manhã incluído.

Ainda de manhã, fui com o Pablo a uma Coffee Shop conhecer o ambiente. Extremamente masculino e… bizarro. Nas mesinhas tinha seda disponível para a galera enrolar seus baseados!
Anyway… Eu não voltaria ali sozinha.

A tarde, aluguei uma bicicleta e, com meu mapa na mão, fui percorrendo as ruas e pontes sobre canais apinhados de gente andando de bicicleta. Gente de terno e gravata, mulheres com roupa social e salto alto (!), crianças de uniforme e mochila, pais com filhos nas costas, velhinhos, moças com flores na cesta. É um outro universo onde a bicicleta REALMENTE é um meio de transporte. Ninguém usa capacete nem nada, mas super funciona.

Minha bicicleta. O aluguel por 24h com seguro (furto de bicicleta é um crime grave na Holanda! haha) ficou carinho, € 17. Mas valeu a pena. Só assim para ter tempo de apreciar as paisagens sem me cansar tanto.

Um dos belíssimos canais… Maior paz

Um moinho de vento! Bem pra turista. Mas fazer o quê.

Passava horas olhando mapa e tentando decorar uma parte de um nome de alguma rua. Coisas como: Huygensstraat, Lennepkade, Passeendergraacht… Dêem uma olhada num mapa de Amsterdã. Tenso.

Mas passava tanto tempo entre bicicletas, visuais lindos, fotos (minha máquina é podre e a maioria das fotos nem vale a pena ser mostrada) e tal que esquecia de comer. Uma beleza ter acumulo de gordura no corpo, porque passava o dia inteiro bem. Ainda nesse dia fui ao museu Van Gogh, que achei meio decepcionante pelo preço – €14. Adoro Van Gogh e impressionistas no geral. Mas as grandes obras do Van Gogh não tão na Holanda! Tão no Louvre! Ou em algum museu de Londres. A tarde, deitei na grama ensolarada da Praça dos Museus, como toda a Europa adora fazer .

Na foto, dá pra ver o museu Rijksmuseum, o principal de Amsterdã (que tava em reforma :P). O do Van Gogh fica do lado oposto. Por isso “Praça dos Museus” :). Também dá pra ver um povo se exercitando, outro povo de boa no solzinho.

Sozinha a noite, não tinha tanta coragem para desbravar baladas (e nem curto, na real). Fui até o Hard Rock Café e fiquei por lá bebendo umas cervejas e saciando a fome.

18 de junho – Amanheceu um dia horrível. Cinza. Triste. Mas era o meu último e a diária da bicicleta ainda valia.

Resolvi ir na casa da Anne Frank, livro que por sinal levei para viagem e nem tinha acabado de ler ainda.

Para quem não sabe, a Anne Frank era uma menina de uma família judia que viveu escondida com seus pais, irmã e outra família em uma casa de Amsterdã durante a 2ª Guerra Mundial. O bacana é que eu ainda não tinha lido o final do livro, e a casa já GRITOU o final trágico que me aguardava. Mó spoiler 😛 HAHAHA
Para entrar no esconderijo da familia Frank, paga-se € 9.

Se você não leu, não selecione o texto a seguir. (Poxa, nem sabia que todos  que tavam escondidos na casa eram presos e que só o pai da Anne voltaria com vida dos campos de concentração – e que ele quem publicou o seu diário.)

Enfim. BEM impressionante.

Depois, pra relaxar, fui na Heineken Experience. Olha, nem sabia que a Heineken é holandesa, então disfarça.

O lugar é a primeira fábrica da marca. E o tour é INCRÍVEL – para quem gosta de cerveja pelo menos. Mas o preço é salgaaaado. € 22.

Além da degustação (são ao todo 3 copos), tem toda a história da marca, o processo de fabricação e fermentação… Até nos dão pra provar o chá de cevada, ou melhor, a cevada ANTES de fermentar. Parece chá de regime haha. Para os publicitários, tem uma câmara com todos os comerciais da Heineken desde 1950 e lá vai bolinha. Toda a mudança de comportamento na sociedade, o espaço da mulher, a tecnologia, o lazer e o trabalho… Tá tudo lá. Vale a pena.

Morrendo de fome, fui achar o que comer. Entrei num bar com telões. Tava passando um jogo dos EUA X Esvolênia (ou Eslováquia?). No cardápio, uma coisa chamou minha atenção: ribs all you can eat for €9. Ahhh malandro! Cara, comi T-A-N-T-O. E ainda tomei dois baldes de cerveja (€2 cada, só!). Achei positivamente que ia cair morta. Mas aí um gringo doido começou a conversar comigo e com a menina da mesa ao lado, que, olha só: era brasileira. Carioca. Conversamos um pouco mas a achei muito blé. O português falado atraiu mais dois brasileiros que moram em Amsterdã. Ficamos papeando bêbadamente.

Já menos estufada de comida, parti para fechar com chave de ouro. Um passeio de barco pelos canais (€ 12).

A bandeirinha, o canal, uma ponta cheeeeia de bicicletas e uma pergunta: por que a seleção holandesa joga de laranja, se sua bandeira é azul, vermelha e branca???

Cara, tem cisnes e famílias inteiras de patinhos nos canais de Amsterdã, uma cidade com quase 1 milhão de habitantes! Ô primeiro mundo…

Um lindo exemplar de uma casa-barco. Imagine, morar em um barco? Em Amsterdã milhares de pessoas vivem assim.

Do passeio de barco voltei para o albergue para buscar minhas coisas. Fui para o ponto do tram (ou bonde). Fui até a Amstel Station, de onde ANOS-LUZ depois o meu ônibus para Londres saiu. Sim, decidi ir de ônibus pela economia: 1 noite a menos de hotel e menos de € 40. Só não contava com um ônibus sem banheiro (oi, 12h de viagem), uma poltrona desconfortabilíssima, um motorista que passava metade do tempo falando ao celular (AHAM!!! TE JURO!!! NA EUROPA!!!) ou ficava assoviava melodias medonhas. ah, e é claro: não contava com paradas longuíssimas na fronteira com a França e na fronteira com o Reino Unido (coisa de ” raioxizar” todas as malas and stuff). Isso porque só PASSAMOS pela França. Por outro lado, na fronteira com a Bélgica foi tranquilo…

Mais uma parte termina aqui.

No próximo capítulo: Londres com papi, Glasgow, Edimburgo e Paul Mccartney.

Ser ou estar gordo (To be fat)

obeso

Muitos gordos falam: Eu não sou gordo; estou gordo. Se fosse em inglês, não faria muita diferença, já que I’m fat pode significar tanto ser quanto estar gordo. To be fat: ser/estar gordo. Pois então.

No meu caso, sempre fui gorda. Às vezes muito gorda (tipo atualmente), às vezes até próxima da faixa de peso normal. Mas sempre gorda. Efeito sanfona entre quase normal e muito gorda desde, sei lá, 10 anos de idade.

Me habituei às partes boas e ruins de ser gorda. Partes boas existem? Sim! Tenho peitão, coxão e bundão, e gosto disso. O problema é quando fica tudo tão ÃO que não cabe mais nas blusas e calças de outrora. Tipo atualmente. Nunca precisei ir em loja de roupa de gordo, mas não tô longe disso, não.

A parte ruim? Essa é fácil. É preconceito pra caralho. A pior coisa que já passei quanto a isso aconteceu ano passado, numa balada em Ilha Bela – litoral norte de São Paulo: um cara ficava toda hora me empurrando na pista de dança. Pensei que ou fosse débil mental ou queria me pegar. Mas encheu o saco: virei pra ele e falei numa boa: “Amigo, você pode ir um pouquinho mais pra trás? Você está toda hora relando em mim”. O cara respondeu: “a culpa não é minha se você é enorme de gorda e ocupa todo o espaço disponível”. Não pensei duas vezes: catei o copo de uísque cheio que ele  tinha na mão e taquei na cara/roupa dele. Olha, recomendo do fundo da alma essa experiência. É incrível. O cara ficou PUUUUUUUUUUUUUUTO. Bem próximo de me bater. Mas minhas amigas me tiraram de lá – a essa altura eu tava soluçando de chorar – e chamaram o segurança pra dar um jeito no cara.

Tenho facilidade para emagrecer: basta minha vida estar OK e alguma mínima motivação – alguma festança a vista, algum romancezinho, formatura, viagem… Se os dois pontos citados batem, consigo ter ânimo pra me matar de malhar, emagrecer quase 10 Kg em um mês e manter a dieta por mais 2, 3 meses. Mas se não tem o tal motivo… Bodeio de tudo e engordo tuuuudo de novo.

Porquê raios isso acontece eu não tenho a mais puta noção, e ainda nem discuti isso com a minha terapeuta. Mas como isso acontece eu sei: eu tenho um distúrbio alimentar fodido – uma compulsão alimentar grave. Nada de bulimia nem anorexia. O que eu faço basicamente é dosar períodos de severas dietas alimentares com outros de completa “orgia” alimentar (esse termo achei excelente!). Vivo em função da comida, planejando o que vou comer, quando e porquê, fazendo cálculos de calorias e, de repente, me deixo levar por uma tentação e a dieta vem a baixo. Aí penso: “perdido por um…” e como. Como, como, como… Eu resumo: “A compulsão alimentar ou episódios de comer compulsivo, por definição, consiste na ingestão de uma grande quantidade de comida em período curto de tempo. Essa quantidade é definida como definitivamente superior do que a maioria das pessoas conseguiria comer durante um período de tempo igual e sob circunstâncias similares.”

Me alimento sem sentir fome. Eu costumo dizer, por brincadeira, que não espero sentir fome para comer. Com medo da fome, me previno. Algo assim.

Esse é um problema que eu tenho desde os mais remotos tempos de infância. Os sites que andei lendo me chocaram. Se aplicam a mim como uma luva, sem tirar nem pôr. Minha auto-estima sempre foi nula (antigamente era pior, mas ainda sim me sinto deslocada do mundo “normal”.) Tenho certeza da minha falta atributos físicos – só físicos, pq intelectualmente eu me amo. E olha só essa frase: “A intensidade dos excessos é diretamente proporcional ao grau de comprometimento da auto-estima.”

Só que aí vem a pior parte, a que mais se encaixa comigo: “No ataque de comer a pessoa come muito mais depressa que o usual, praticamente sem mastigar ou mesmo sem fome. Come até estar desconfortavelmente empanturrada. Quem come compulsivamente sente-se constrangido com a quantidade de comida que ingere no ataque de comer. Muitas vezes come escondido ou da forma mais discreta possível. Em público mantém comportamento alimentar controlado, tendendo a ingerir produtos dietéticos. Reconhece os ataques de comer como anormais e depois deles sentem-se culpados, deprimidos, preocupados com as conseqüências em longo prazo, inclusive em seu peso e forma corporal. Sua dificuldade em controlar-se é vista como “falta de força de vontade” e é acompanhada de autodesvalorização e desamparo.”

Sou eu, sem tirar nem pôr. Agora eu entendo direito todas as minhas neuras com o meu corpo, os porquê de eu achar que sou sempre a mais gorda, feia, desajeitada e por aí vai, do recinto.

Quando descobri sobre isso, fui atrás de tratamento. Mas, surpresa: R$ 250 A SESSÃO. Ou seja: só rico tem direito a tratamento. Espero que a minha terapeuta, bem mais barata por sessão, consiga me ajudar nisso.

(Fonte: site http://www.tommaso.psc.br/html/alimentar/compulsao/comp10.htm)

Sim, sou toda problemática, eu sei e tento lidar com isso.