Z’Oropa 2010, parte 3 – Reino Unido: Londres, Glasgow e Edimburgo

Alô você, guerreiro que tem acompanhado minhas postagens longuíssimas e nem sempre tão interessantes. Vamos continuar com o relato da minha viagem para a Europa.

De Amsterdã para Londres, tinha resolvido ir de ônibus, vocês devem estar lembrados. No fim foi uma cagada, porque o ônibus era desconfortável, sem banheiro, não podia nem beber água e as polícias de fronteira dos países nos faziam perder muito tempo.

Mas enfim cheguei a Londres, na Victoria Station, que é bem central. A missão agora seria encontrar o hotel do meu pai. Enrolei um bom tempo porque ainda estava cedíssimo, meu pai devia estar dormindo (tempo que usei para terminar de ler “O diário de Anne Frank”). Umas 9h saí arrastando minhas bagagens até achar o hotel, com um mapa na mão (sempre!). Foi tranquilo. Subi no micro quartinho dele, me dei uma rápida higienizada e saí com meu pai pra dar uma volta na cidade.

O céu estava cinza, com umas raras faixas de sol. O vento era cortante. Meu pai já esteve em Londres algumas vezes, então foi ele quem pensou o roteirinho. Fomos andando pelas ruas de Winchester e atravessamos uma ponte. Já de cara, reconheci uma fábrica lá no fundo, sinais da Inglaterra da Revolução Industrial e capa do cd Animals do Pink Floyd. Olhe a foto e compare com o cd. Falta só o porquinho voando:

Continuamos andando pelas margens do Tâmisa, até avistarmos um dos principais cartões postais do mundo:

O Big Ben e o Parlamento! Enfim!

Símbolos londrinos.

Continuamos andando. Fomos até o St. James Park e em direção ao Buckingham Palace. Chegamos lá e uma multidão se acotovelava. Acabamos chegando bem na hora da troca de guarda, super sem querer!

Depois de um tempo, resolvemos ir almoçar. Atacamos de vietnamita!
Comi, viu. E tava booooooooooom! Umas carnes de carneiro bem picantes, um macarrãozinho beeem fininho frito com legumes, chá para acompanhar. Uma beleza.

Voltamos para o hotel dele, pegamos nossas coisas e fomos para o aeroporto: rumo a Glasgow!

O vôo foi o melhor da viagem. Não estava cheio, um vôo de menos de 2h e o serviço de bordo incluia bebidas alcoólicas! Mandei um vinhozinho para aquecer.

O pouso em Glasgow foi bem bonito. O dia estava absurdamente maravilhoso e resplandecia nos morros verdes. A cidade mesmo é bem sem graça. Parece esquecida pelo tempo, sem nenhum charme, com muitos prédios e casas abandonados. Até meio suja (pros padrões europeus de até então, BEM suja).

No hotel – da rede Ibis, enfim –  um banho com B maiúsculo. Quarto gostoso, cama ótima, um banheiro só pra mim (e pro meu pai, mas ainda assim…). I was really missing that.

Fomos jantar num indiano bem bom e CARO na rua mais pop de Glasgow, uma tal de Sauchiehall.

Preciso dizer que o sotaque escocês é um caos. Não entendia lhufas do que diziam.

Ali se repetia um troço estranho que já tinha reparado na Holanda. O pessoal acha que 15ºC são 35º. Te juro, mulherada de tomara que caia curtinho, ou bermudinha e top, homens até sem camiseta bebendo cerveja na rua! E eu de casaco fechado! Tipo, não estava nenhum frio absurdo, as noites do inverno paulista chegam fácil a temperaturas inferiores a 10ºC.

Aí a gente pensa que o inverno desse povo não é de 10º positivos. É de -30ºC. Aí a gente começa a compreender o calorão e a oportunidade de usar roupas curtas.

Quando saímos do restaurante, umas 22h30, surpresa: ainda estava claro! Parecia fim de tarde, umas 5h e pouco no Brasil! Amo verão europeu, definitivamente.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até a estação de trem fazer o que eu realmente queria na Escócia. Conhecer Edimburgo, a capital. Já tinha ouvido maravilhas dos castelos de lá.

O trem, SUPER confortável e agradável, chegou lá em cerca de uma hora. Saindo da estação, um baque: QUE CIDADE MARAVILHOSA. Fui ligar a câmera para tirar uma foto do primeiro monumento que vi, bem em frente à estação de trem, e… pipipipipi – desligou. Sem pilha. Troquei a pilha. Pipipipi. Descarregada. ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! Então, é com muita dor que digo que algumas das partes mais lindas da viagem não têm foto. Mas graças a internet, posso mostrar a vocês que maravilha Edimburgo é.

Como nosso tempo era bem curto (cerca de 2h para conhecer a cidade), optamos por um city tour num desses ônibus de dois andares abertos que tem em tudo que é cidade turística do mundo. Além disso, o dia estava MARAVILHOSO, quente, ensolarado.

Se você é uma pessoa fascinada por história e Idade Média como eu, Edimburgo é um lugar essencial para se conhecer. Mal botei os pés na cidade e já tive a certeza de que preciso voltar lá e conhecê-la direito, como merece.

A cidade praticamente inteira exala a Idade Média. Quase todas as construções datam daquele periodo. E hoje em dia abrigam de tudo um pouco: escolas, faculdades, hotéis, albergues, restaurantes, museus… São tantos, mas TANTOS elementos medievais que a gente nem sabe para onde olhar. É tudo um impacto forte, de tão maravilhoso. Era o tipo de cidade medieval que eu sempre quis conhecer.

Encantada. Abismada. Eu não cabia em mim.

E lá no topo da cidade, o grande castelo, com suas muralhas, várias torres, tudo.

Imponente.

Meu pai e eu optamos por dar mais uma volta de ônibus para ver tudo de novo e com mais atenção, a descer em algum lugar onde teriamos menos de 1h para curtir.

Deu nossa hora. Voltamos para Glasgow. Almoçamos pizza hut \o/. Voltamos pro hotel, banho e rumo show do Paul Mccartney – show que motivou a viagem inteira (inclusive a minha).

O estádio onde seria era na PQP, longe pra cacete. O sol estava queimando a pele.

Entramos e fomos descobrir nossos lugares a preço de ouro. Imaginem o palco. Aí não dêem qualquer espaço entre o palco e o começo das cadeiras. Daí contem 4 fileiras. Era esse nosso lugar. Setor A, fileira D, lugares 7 e 8.  Estavamos tão perto do palco que nem dava para ver o telão –  o que foi uma pena, porque durante a espera rolaram vários recortes de memórias beeatlemaníacas – fotos deles, objetos, matérias de jornal…

Teve uma abertura de uma bandinha X, meio folk, com uma menina no vocal.

E aí começou o show do Paul.

NÃO DAVA PARA ACREDITAR A DISTÂNCIA DA GENTE E DELE! E simplesmente não tinha câmera (malditos adaptadores universais que NÃO funcionam). NÃO.TINHA.CÂMERA.

Pensei que iam tocar várias músicas da carreira solo dele, que não conheço praticamente nada. Mas não: foram 3h de show, com um repertório de algo em torno de 70% de músicas dos Beatles!

Um vídeo do show pra galera, de alguém num lugar nem tão bom como o nosso, mas…

Live and let die, uma das minhas músicas preferidas ever, também não faltou, e foi foda.

E o grand finalle? Entrou uma banda escocesa completa, com gaita de fole e tudo! (Vá direto para o 1min40 do vídeo.)

Foi foda. Um PUTA show. Fiquei encantada com o baterista, um puta negão grandão, que toca seu instrumento com uma paixão arrepiante, coisa bem rara de se ver por aí.  Tocaram várias músicas que eu adoro, algumas que nem gosto tanto… Mas a qualidade do show foi indiscutível.

Pra ir embora do estádio, pensamos que ia ser um périplo. Foi nada! Quase em frente ao estádio, ponto final de uma linha de ônibus que ia pro centro. A fila era enorme, mas em menos de 10 minutos já estavamos no ônibus, sentados. Eles não lotam ônibus urbanos por lá. Sério. Lotavam os lugares sentados, não deixavam mais ninguém entrar.

Pegamos um kebak para viagem e fomos para o hotel. Minha última noite numa cama boa 😦

No hotel, um lance bizarro – obrigada, Murphy. Te devo uma (not).

Meu pai ficou no bar do hotel pra comprar um vinho ou algo para levar pro quarto. Eu já fui subindo. No elevador, um cara com seus 20 e muitos. Bem simpático. Cara de alemão ou algo assim. Perguntou meu andar. third. O dele tb. Fomos andando no corredor. Ambos estavamos beeem no finzão do corredor, com diferença de 1 quarto apenas.

Entrei no meu quarto e já estava com a calça do pijama na mão quando batem na porta. Jurando que era meu pai, berrei: “PÉRAEEEEEEEEEE”. hahaha

Abri. Era o cara do elevador.

“Hello. I was wondering… I don’t know if you’d like a company, but… Would you like to drink some tea in my room with me?” (Oi… Estava me perguntando… Não sei se você quer companhia, mas… Você gostaria de tomar um chá no meu quarto, comigo?)

Hahahahaha. Primeiro: CHÁ. Em que tipo de país orientam os moços a convidar as moças para uma xícara de chá? No meu país, cerveja funciona melhor. hahha
Mais foi fofo.

Segundo ponto: porquê, meu deus. Fiquei QUINZE dias na Europa, apenas 2 com o meu pai. Por quê me aparece um cara fofo me convidando para tomar chá BEM quando estou com o meu pai?

Claro que declinei o convite. Primeiro pela surpresa que me fez agir como uma imbecil de 14 anos que foi “pedida para ficar” (meu deus, tô idosa). Gaguejei um pouco enquanto falava:

Oh, thanks, but I can’t. I’m with my father, he’s downstairs. But he will be back soon. I’m sorry. Good night!” (Obrigada, mas não posso. Estou com meu pai. Ele está lá embaixo, mas volta jajá. Desculpe. Boa noite!)

Explico: não tenho absolutamente nenhum diálogo com o meu pai. Mesmo se fosse uma situação normal. Mas como explicaria para ele que vou no quarto de um cara que acabei de conhecer no elevador para tomar chá?
Fora de questão.

Mas te juro que se tivesse sozinha, não pensava duas vezes.

Comi um pouco do kebab e dormi frustrada. Murphy desgraçado.

Na manhã seguinte, comi um puta dum café da manhã reforçado, tomei um banho e fui pra estação de trem, para voltar à Londres, onde passaria 5 dias enfim só.

Meu pai saiu do hotel junto, mas foi para o aeroporto. Pegou um vôo para Londres e de lá, para o Brasil.

A passagem de trem para Londres era absurdamente cara. O moço do guinchê explicou que tinha que comprar antecipado. Mas eu não tinha muita opção. Avião seria mais caro ainda e nem tava afim de passar mais 10h dentro de um ônibus. Encarei o preço de £ 117 (mais de R$ 300, ó deus) e embarquei no trem.

Umas 4h depois, estava em Londres. Trem rápido (embora não  fosse trem bala) é uma beleza.

Por hora, é isso.
Depois continuo com a última parte do meu relato: Londres all by myself.

Anúncios