♪ There’s a hole in my soul ♪

“E aí, tudo bem?”

Estou com uma imensa dificuldade de responder a essa simples pergunta retórica. Não tá tudo bem. Tô mal, tô triste, tô desmotivada, poucas coisas me animam. Só queria que o mundo parasse um pouco para eu ficar na cama chorando por dias seguidos. Não, não tô bem.

Não consigo lembrar de um período tão prolongado em que eu passasse tanto tempo chorando ou reprimindo choro.

Já tive muitas crises de tristeza na vida, mas não dessa forma. Há meses não tenho ânimo para absolutamente nada. Para terem uma noção: desisti de viajar no fim do ano. Não quero ir pra lugar nenhum, viagens já não são suficientes para diminuir o buraco dentro de mim.

Para toda a humanidade, tá tudo ok na minha vida. De fato, não posso reclamar da grande maioria das coisas. Trabalho? Não amo, mas é o melhor que eu poderia ter, sem a menor sombra de dúvida. Não me sobrecarrega, não me estressa, não me mantém acordada a noite. Dinheiro? Moro com meus pais, então meus gastos são basicamente comigo, tipo pagar terapia (sim, desde o começo do ano tô na terapia), internet, coisas do dia a dia. Como sou filha única, vou herdar tudo (não é muito, mas o suficiente para eu não morrer de fome na velhice). Além disso, guardo uma grana para eventualidades. Amigos? Ok. Tenho muito menos contato com eles do que gostaria, mas eles são muito importantes para mim. Aliás, os botecos não tão frequentes com eles são alguns dos poucos momentos em que não estou na melancolia completa (sim, o álcool ajuda muito). Saúde? Bem, obrigada. Família? Nem bom nem ruim. Vamos nos tolerando, algumas brigas tensas, períodos de calmaria. Comparando com os períodos realmente horrorosos que já vivemos, tá até ok.

O que nos resta? Sim, sim. Amor. Afeto.

Aí você vem me dizer: TODO ESSE DRAMA POR CAUSA DE HOMEM?

Se você realmente quer fazer Olimpíadas de Sofrimento, talvez possa parar por aqui e vazar.


Olha só: são 30 anos, provavelmente metade da minha vida, sem afeto, carinho, amor. De nada, de ninguém. Exagero? Você realmente precisa ler/reler esse post e esse post para tentar compreender como foi minha infância e minha adolescência. Claro que meus pais têm consideração por mim, gostam de mim da forma deles. Tô morando com eles até agora, né? Mas nunca expressaram isso. Nunca tive alguém com quem contar, para quem desabafar, sabe?

Daí a pessoa cresce e começa a desejar afeto. Deseja se sentir amada por alguém. Só que isso nunca acontece. 30 anos desejando um pão inteiro e não recebendo nem migalhas.

Daí a pessoa desenvolve uma compulsão alimentar fodida. O chocolate (inteiro) antes de dormir é o símbolo do que eu mais sonho: alguém para me abraçar antes de eu pegar no sono, e dizer que vai ficar tudo bem. Comfort food.

E daí a pessoa engorda, autoestima já no chão fica ainda pior… etc etc.


Semana passada fui visitar o bebê recém-nascido de uma grande amiga. Assisti o vídeo do parto (humanizado, em casa, com doula e tal). Emocionei. Chorei. Na hora, a emoção foi pela felicidade deles, pela realização do sonho deles. Assim como chorei no casamento. Em todos os casamentos que já fui, na verdade. Chorei até vendo o primeiro beijo de uma amiga no cara por quem ela era apaixonada há anos. A felicidade alheia me comove muito. Às vezes até parece que eu fico mais feliz pelas pessoas do que elas mesmas!

Só que, depois, voltando sozinha pra casa, bateu a realização de que eu não sei se quero casar e ter filhos. Eu não me permito sonhar com isso. Não consigo nem ter alguém pra estar ao meu lado, me abraçar e me sentir amada! Que dirá CASAR E TER FILHO. Daí fiquei revendo aquele vídeo do parto na cabeça… E pensei: eu até poderia ser mãe solteira. Mas QUEM estaria do meu lado no parto? Aliás, quem estaria do meu lado a qualquer momento da minha vida?
Isso mesmo. Ninguém. Não tenho ninguém. Essa dor da solidão é avassaladora e ocupa um espaço cada vez maior dentro de mim.

E é claro que isso afasta ainda mais as pessoas.


Por tanto, sou extremamente vulnerável e carente. Se alguém me dá uma migalha de afeto, eu me jogo de corpo inteiro. E sempre penso “dessa vez será diferente”. Mas nunca é. De modo que cada decepção dói de uma forma quase insuportável. Me derruba.

Imagina. Cada cidadão com que saio, que parece se interessar por mim, pela minha vida, será inevitavelmente fonte de um sofrimento grande. Mais um pra conta. Mais um tijolinho na muralha de amargura, que é como eu me sinto.

Não era pra gente sofrer cada vez menos com essas coisas? Criar uma casca, ou algo assim? Talvez, se você é uma pessoa “normal”. Mas pra mim, não. Me sinto cada vez mais sozinha, cada vez pior.

E daí, com esse psicológico cagadíssimo que só piora dia após dia, achei uma boa ideia me envolver com alguém que já tinha uma mínima noção do meu estrago emocional (geralmente as pessoas não tem ideia de como sou). Dói pra caralho pensar que das únicas DUAS boas semanas que tive em 2016, uma delas foi por causa dele. Pq? Acreditei mais uma vez que dessa vez seria diferente. “Ele me compreende. Pode me ajudar. Me dar um apoio”.

AHÃN. VAI NESSA, TROUXA.

Não vou entrar em muitos detalhes, disse que não iria o expor e não vou, até pq ele não foi um babaca.

Ele agiu como boa parte da população age com pessoas que carregam uma dor muito grande: se distanciando. Compreendo. Não é fácil lidar com toda a carência e atenção que eu demando. Sei que me excedi. Praticamente perdi contato com uma pessoa que sempre foi legal comigo, que me fazia bem.


Sabe o que é foda? É saber que muita gente (no universo de meia dúzia que o google vai mandar pra cá por conta de alguma tag bizarra) que vai ler isso vai achar que sou ridícula e que o drama é, sim, por causa de homem. Olha, pode até ser. A rejeição de toda a espécie humana por mim. Aí faz sentido.

Não guardo (tanta) mágoa de um bofe ou outro. Guardo mágoa da somatória de toda a rejeição que já sofri em todas as relações familiares, amorosas e afetivas na vida.

Você tem noção do que é sentir inveja de um mendigo, que não tem um puto, fodido na vida, mas tá ali dormindo debaixo da marquise abraçado com outra fodida? Bem vindo à minha vida.


Hoje minha psicóloga me encaminhou para um psiquiatra, para confirmar o diagnóstico de depressão e me medicar.

Então. Não, não tô bem.

Malz aí o desabafo.

Às vezes sessões de 45 minutos de terapia são insuficientes…

Faz paraaaaaaaaaaaar

Já contei aqui muita desgraça, né? Muito sofrimento, muitas lágrimas, ansiedade e tudo. Agora, vamos falar de outra dor: a física.

Resolvi fazer depilação a laser na virilha. Bróder, eu sou peluda, viu. Certeza que começo com a virilha e termino só deixando cabelo e sobrancelha. Mas por enquanto a grana só permite uma região.

Uma amiga próxima está fazendo, e disse que a segunda sessão foi terrível, ela até chorou.  E ela é uma mulher forte, viu.
Conversando com outra amiga, ela perguntou se a dor não me assusta.

Lógico que assusta.

Mas acho que já passei por coisas bem piores, e sem o lado positivo NO MORE PÊLOS. Conto as três maiores dores que passei na vida:

1) Manaus (AM), hotel de selva, 1996. Ana Clara com 10 anos de idade fazendo trilha pela mata com a japonesaiada. Aí Ana Clara avisa a todos sobre o perigo de se tropeçar nos troncos no chão. No próprio tronco que ela apontou, ela tropeça. E vai apoiar seu peito, barriga e braços numa árvore cujo tronco era basicamente composto de espinhos pretos.

Olha, não lembro de muita coisa. Lembro de chorar. Pra caralho. Lembro de uma volta ao hotel lenta (tinhamos pegado barco para ir até a trilha). Lembro de todo mundo assustado, porque eu tava atolada de espinhos de uma árvore desconhecida. Vai saber o que raios a seiva daqueles espinhos continha. Lembro da moça do hotel passando gelo no meu corpo todo (não tinha nada pra anestesiar) e tirando os espinhos CORTANDO MINHA PELE COM GILETTE.

Sabem.

DOR, gente. Dor.

Por incrível que pareça, lembro pouco da dor. Só lembro de terem tirado uns 50 espinhos, e outras dezenas terem continuado circulando na minha corrente sanguínea até hoje. Mas a parte dos passeios na selva de noite, dos macacos ladrões de café da manhã, do hotel rústico sem água quente, dos saguis, tucanos e papagaios, tudo isso continua firme na minha mente como a melhor e mais inesquecível parte da viagem.

2) 2003, quadra do meu antigo condomínio. Uma partida de futebol meninas contra meninos. Violência. Pisei na bola e apoiei o pé errado. Torci FEIO. Meu tornozelo dobrou 90 graus e encostou no chão. Cai de dor e gemia, e chorava e gemia, e chorava. Meu pé nunca mais voltou ao normal e até hoje torce com a maior facilidade. Não fui pro hospital nem nada, fiquei na base do gelo e dos apoios humanos por alguns dias e pronto. Mas doeu, viu. Absurdamente.

3) Por ser bem mais recente, essa ainda dói de lembrar. Tá até escrita aqui no blog, porque aconteceu em 2006, durante uma viagem à praia com o meu “caso” e outros dois casais. Tá nesse ENORME post aqui, mas beeeeem mais pra baixo, lá pelo 25º parágrafo (se considerarmos um parágrafo o que começa após uma linha em branco). Mas enfim. Leiam. Era uma época boa.

O resumo daquela desgraça é a seguinte: hippies. E a imbecil que vos fala foi seguir o pique: uma trilha de umas 3h de caminhada DESCALÇA e de bermuda micro (oi, sou gorda e minhas coxas raspam uma na outra). Mas é pior ainda. Trilha por pedras, praia de areia grossa e mais pedras. DESCALÇA. Acho que já mencionei isso.

Sei que eu chorava demais. Tudo doía. Eu só queria morrer para não precisar mais andar e foder ainda mais meus pés e minhas coxas. E ainda teria que voltar, no mesma esquema roots, descalça e com as coxas em carne viva! Fora o mico de deixar o cara que eu pegava MEGA envergonhado de mim diante do irmão e da cunhada. Ai Ai.

Enfim.

Que venha a depilação a laser.

E vocês? Me contem por quais dores físicas vocês já passaram?

Minha mãe – a pior história de todas

Alô, você que leu esse post aqui. Você já conhece um pouco sobre a minha relação com a minha família. Mas agora vou me aprofundar nisso. Vou falar da minha mãe.

Tá, você ama sua mãe, ela é a pessoa mais importante da sua vida, você deve tudo a ela.
Super te compreendo, camarada. Mas para mim é bem mais difícil falar isso. Claro que devo minha vida a ela, mas dizer que a amo e que eu devo tudo a ela… Não condiz muito com a realidade.

Minha mãe é louca. Não é autista e nem nada, mas ela tem uma personalidade complicada. Um gênio ruim. Pelos relatos da família e dos amigos antigos dela, ela sempre foi uma pessoa dificílima de lidar. Ela era possuída por surtos inexplicáveis, 99% deles agressivos e destruidores.

Ela sempre foi assim. Só que aí, lá pelos meus 12 anos, ela começou a beber. Tipo, MUITO. Ela sempre foi da cerveja, da caipirinha e tal, e sempre dava trabalho/vexâme. Mas não era alcoólatra. Ainda.

Lembro dela cozinhando e tomando uns goles de conhaque. Nada escondido. Ainda, novamente.

Só que as coisas foram se deteriorando.

Só culpa dela? Óbvio que não. Pessoas não se viciam em drogas só porque querem. Sempre tem um motivo escuso. No caso, os motivos eram vários. Da família complicada dela, o trabalho e o chefe fdp que a mandou embora, irmão mega problemático, meu pai com amizades inadequadas e eu teimosa e respondona e desse jeito que eu sou. Talvez eu tenha mais culpa ainda, mas não saberia indicar em quê.

O fato é que foi piorando, e piorando e piorando. Logo foi pra vodka, depois cachaça e nos últimos estágios antes do fim (isso acaba, se não eu nem contaria), pinga de garrafa de plástico. Daquelas que os mendigos tomam.

Eu falei que era uma história complicada.

O fato de ela se consumir em bebida não era o pior. Eu já disse que ela tem gênio ruim. Imagine uma pessoa com gênio ruim, super agressiva e bêbada.

Olha, eu devo estar na lista VIP do Open Bar do Céu, viu.

Bom, minha mãe passou uns 8 anos ou acordada, bêbada e surtando OU dormindo. Isso poderia ser às 2 da manhã, às 3 da tarde, às 8 da noite, nada a impedia. Escândalos pavorosos. Ela falava que eu era um monstro, uma gorda horrorosa, imatura, que só ia passar por desgraça na vida porque era isso que eu merecia. E daí pra baixo. Aparecia com facas, tentava nos dar garrafada…

NOS dar, porque lógico que eu e meu pai nos unimos contra ela. Ou nos uniamos, ou ela ia nos levar a morte. Sem exagero. Essa parte da minha vida não tem nem como exagerar. NINGUÉM além de mim e do meu pai tem uma noção do que foi essa época. E quando nos mudamos para perto da PUC, perto do centro de São Paulo, piorou o que parecia impiorável. 11º andar de um prédio com 1 apartamento por andar. Ela ameaçava se jogar ou jogar a mim, meu pai ou minha cachorra (!) dia sim, dia não. Por cerca de três anos, não desejei a ela nada que não a morte. Na verdade, ela já estava morta para mim há muito mais tempo.

E aí estava todo mundo dormindo, ela acordava a gente com tapas. Dava medo de dormir. Era stress puro.
A família sabia um pouco do que acontecia, mas ninguém entendia e nem tentava se meter. E aí ela ligava pras pessoas e começava a falar delas, tipo o que ela falava pra mim… Super agradável, vocês podem imaginar.

Nessa época, ela não comia mais. Se alimentava exclusivamente de álcool, e comprava umas ruffles de vez em quando. Tava magra, chupada, parecia morta-viva.

Não sei bem como consegui manter minha vida mais ou menos nos eixos, sendo que ela me acordava aos berros, me xingando, às vésperas do vestibular, sabem.
Mas consegui. Entrei na faculdade e sabia que o fato de voltar pra casa a noite, significava que insônia. Quem dormiria tranquilo com constantes ameaças?

Uma vez bati nela. Bati mesmo, de sair sangue e tudo. Ela tinha falado alguma coisa muito além do que costumava falar, não tenho nem idéia do que seja, mas aquilo me enxeu de ódio. Bati a cabeça dela contra o armário várias vezes, se meu pai não me parasse, não sei o que teria acontecido.

Mas foi só aquela vez. E não me orgulho. Mas assumo.

Então, no final de 2005, o irmão problemático dela morreu. 39 anos. Ele era gay, morava em Lisboa com um amigo, era alcoólatra e curtia umas drogas. E tinha uma vida bem intensa. VIVEU, sabem.
Ela sempre se identificou e tomou as dores do irmão quase 10 anos mais novo.

Só sei que a rápida evolução do quadro dele mexeu com ela. Fora que ela tava indo pelo mesmo caminho: já tinha tido uns desmaios pela rua, de fraqueza. Foi aí que ela procurou ajuda. Psicóloga encaminhou pro psiquiatra logo de cara (óbvio). Ela começou a tomar uns remédios tarja preta. E num intervalo de tempo surpreendentemente mínimo – tipo uma semana! – ela era outra pessoa. A alcoólatra maligna morreu, e apareceu uma mãe calma, abalada, abandonada e deprimida, que eu nunca tinha conhecido. Do álcool, passou para o chocolate – foi a recomendação do psiquiatra, trocar um vício pelo outro.

Meu pai ficou maravilhado e passou a dar todo o apoio. Eu não. Difícil perdoar e esquecer a mãe que ela foi pra mim por tanto tempo. Não que eu quisesse uma mãe-amiga como as que comentaram aquele post que eu citei no começo. Nós não somos disso… Mas. Né.

Ano passado, 2008, ela permanecia tomando vários remédios pesados. Aí, num certo domingo, enfartou. Foi pro hospital. Estado: grave. Poucos botavam uma fé. Meu pai ficou destruido, tinha certeza que ela morreria e que sua vida seria uma desgraça sem fim dali em diante.
Eu? Não chorei. Não cheguei nem perto disso. Primeiro porque sabia que ela não ia morrer. Não era lance de esperança,  nem fé: eu sabia, simplesmente. Me sentia estranha, porque faltava alguém em casa. Faltava a dedicação dela. Faltava alguma coisa…

E aí ela se recuperou. Naquelas. Agora ela toma 50 remédios para depressão/ansiedade e afins e outros 50 para coração, pressão, colesterol… E vive na inércia. Nada na vida dela a interessa suficientemente. Ela está fraca, não tem energia pra nada, e nem tenta.

Um dia desses, ela mandou um e-mail para o meu pai e deu para eu ler também. O e-mail falava que ela não via mais graça na vida, e que tudo que restava nela era amor e gratidão para o meu pai, para mim e para a Maggie.
Chorei.

Dói, sabe.

Chorando agora, também.

Pois é, gente. Vida complicada, a minha.

Do alto dos meus 17 anos

Alguém andou lendo os arquivos antigos do meu blog – posts dos anos de 2003 e 2004. Aí fiquei curiosa e fui ver quais posts estavam sendo lidos.

Fazia tempo que eu não analisava o meu eu de 16, 17, 18 anos. A primeira conclusão que tiro é a de que a quantidade de palavrões ultrapassava em 1000% o que seria o ideal. Todos sabem que defendo palavrões para complementar determinadas emoções – só um PUTA QUE PARIU de boca cheia para aliviar um pouco a dor de bater o cotovelo na quina da mesa. Só um FILHO DE UMA PUTA DO CARALHO para exprimir meus sentimentos acerca de um cidadão que maltrata um cachorro.

Enfim.

Mas, naquela época, era ridículo. 90% de uma frase minha era composta de palavrões. Porque, né. Eu era uma revoltada, gente. O mundo continua injusto e cruel, mas naquela época eu, adolescente, sonhava com o anarquismo e com a justiça feita com as próprias mãos. Ou quase isso.

O fato é que fui lendo e ficando com vergonha. Até que achei um post GENIAL. Bastante redundante com o que sempre falo: “sou gorda” blábláblá, “minha auto-estima é nula“, blábláblá, “ninguém me ama” blábláblá. Não que o blábláblá mostre desmérito pelo meu sofrimento – não é fácil ser eu, se você quer saber – mas mostra que eu conheço bem onde o sapato aperta, e isso me machuca desde sempre.

Enfim. Daí que eu achei um texto que era igual. Mas diferente. Igual porque tem toda essa dose auto-estima nula que me acompanha pela vida, mas diferente porque… Sei lá porque.

Você, que vai ler. Favor ignorar minha linguagem xula, miguxa e adolescente. O post na íntegra (cortei inutilidades) – e os comentários, EXCELENTES – estão aqui.

DESABAFO:

Hj eu tô mal… O dia hj foi uma merda… Um dos piores dos últimos tempos…

Bom, nesses dias passados, não aconteceu porra nenhuma. Ah, a gente decretou SEMANA DO SACO CHEIO semana q vem. 9 dias pra vagabundear! Eu tô mó eskisita, kda vez + d saco cheio d td. Teve prova de kimik (me fudi) e prova de biologia (me fudi). Foda-c. Q c foda a escola. Q c foda o mundo. Cansei de estudar tanta merda inútil. PORRA DO CARALHO! Tô stressada d+! Ou, gente ó a situação: hj é dia 11, dia 31 é o último dia d inscrição da PUC e eu num tenho nem idéia do q prestar! Eu sou uma vagabunda msm! PORRAAA!
Hj é niver do Lê… Parabéns Lê… T adorooooo!

Hj foi assim: Acordei 8:30 da manhã. + é 1 caralho msm. Daí tava uma chuva e um frio do caralho, mó bom pra dormir. Só q eu tinha q ir comprar o ingresso do Metallica. Meu pai me levou. Chegamos lá e tava chovendo mto, mto frio e uma fila gigantescaaaaaaa, q ia até atrás do credicard! BUCETA ARROMBADA! Eu fiquei puta, e desisti. Nem fudendo ia fik numa fila 3 hras pegando chuva e sem porra nenhuma pra fazer. Daí fui com meu pai no shopps morumbi. EU ODEIOOOO SHOPPINGGGGG! E tava cheio pra caralho, e teve q parar na parte descoberta do estacionamento. Porra. Fui na saraiva mega store v c tinha o ingresso do metallica. Tinha. Sabe qnt? 105 conto! VAI TOMÁ NO MEIO DO CUUUU! Fiquei + puta ainda. Meia só no credicard. Meu pai disse “foda-c” e foi comprar uma carteira. Eu fiquei puta com ele, com a chuva, com o ingresso. E claro, com o shopping lotado d criança chata e d menininhas bonitinhas putinhas e d mulheres nojentas. Me deu crise d choro. Eu não chorava há um tempo considerável. + hj tirei a diferença. Fiquei lá, encostada num canto do shopping lotado, mto puta da vida, sozinha, chorando até os 5°. Daí passavam as “barbieszinhas” gostosinhas bonitinhas q usam roupa d marca e ficavam olhando… Vai tomá no cuuuuuuu! Q porra do caralho! Esse merda desse país capitalista consumista shoppinzeiro do caralhoooo! Esse monte de barbies fúteis d merda… E chorei, e chorei + e +. Meu pai ainda gritou comigo bastante. Meu, tô vendo não t mais ingresso qnd eu for comprar. Eu me mato… Sério, eu não sei o q faço. Bostaaaaa!
Depois eu acalmei e tal. A não ser pelo fato d eu andar pelo shopping quieta, sem roupas d marca, e as pattyzinhas ficarem me olhando. Q vontade d mandar tomar no cu. Gente fútil, escrotaaa! Eu odeio esse tipo d gente! O raça desgraçada.
Ainda fui com meu pai no COMPRE BEM, q tava cheio até o cu, e tinha uma muié chata cantando músicas mto escrotas, e akele mto d bebê gritando, e akele cheiro d cc, akelas filas d 1 km… Vai c fudê!
Vim pra casa e fui dormir, pq eu já tava com dor d cabeça. Daí me deu mais uma crise d choro… Mais agora não foi d raiva. Deixa eu tentar explicar: eu me odeio e me amo… como assim? eu explico: Eu amo o meu jeito de ser, d falar, d viver, d pensar… Td… Internamente, estou plenamente satisfeita. Mais externamente… Dizem q “o corpo é o espelho da alma”. + eu não me enquadro nesse “dito”. Eu me odeio fisicamente. Sério. E é fisicamente q as pessoas t olham. E isso me irrita. Eu me odeio fisicamente, mas sei lá, foda-c, isso não importa pq eu tô mto satisfeita com “my mind”. Eu detesto ficar mto perto d qq pessoa, detesto q me olhem diretamente no rosto, ou em qq outro lugar, pq eu não gosto disso. Eu não gosto q fiquem me medindo, me olhando. Só quero q me ouçam, q me dêem atenção. Não gosto d nd desse corpo q “deus me deu” (láááá” dãrrr)… E não é emagrecendo ou melhorando a pele q isso vai adiantar. Q c foda meu, pra mim isso é o q menos importa, aliás, não me importa nem 1 pouco. E daí vem meus “amiguinhos” e ficam falando “pô, eu gosto d mina gata e gostosa e sei lá o q”. E daí eu penso: “Como existe tanta gente fútil no mundo”? Será q só eu no mundo penso assim? Pq pra td mundo o q importa é: “nosso, q cara lindu!” ou “nossa q olhos azuis fantásticos” ou “nossa q mina linda”! Pq ninguém nunca fala: “nossa, q cara engraçado” ou “nossa, q mina inteligente!” ou então “puxa, q conversa agradável”! Vcs querem corpinhos ou cérebros? Puta q pariu! Eu não sou bonita, nunca serei e me orgulho d não ser, pq td mundo bonitinho d+ é fútil, e não tem jeito. Já os feios, conquistam as pessoas pelas suas idéias, pelas suas conversas, pelos seus gostos, pelas suas risadas! E a bonitinha? Vai pra balada, “cata” um monte e pronto… E conversas? E planos? Tsc, tsc, tsc… Tô revoltada com td isso, mas é mto mais fácil fazer uma revolução do q mudar a cabeça das pessoas, ainda mais qnd c trata da maioria esmagadora da população mundial. Eu gosto do q eu sou e não do q o meu corpo diz q eu sou. Eu sou o q eu penso, o q eu falo, o q eu ESCREVO. E não um rosto, um corpo. O sistema tranformou as pessoas e suas emoções em mercadorias e td mundo c deixa levar por isso! Pq agora escolher uma pessoa pra ficar junto, é q nem comprar uma roupa: vc pega a mais bonita e leva! Mais eu não, nunca vou me conformar com esse tipo d coisa. Pq eu tenho cabeça. E sei q eu não sou a única q pensa desse jeito, mas uma das únicas. Admiro do fundo da alma quem pense assim. Quem não pensa assim (aliás, não pensa), desprezo…

E é isso. Esse foi um dos bagulho mais PUNK ROCK q eu já escrevi. Tô com o olho doendo e a cabeça latejando, mais agora eu sei d td, eu enxergo td.
Então chega… Nd d recados, nem música hj. Só quero paz.
Já escrevi td o q eu penso, com td a sinceridade q eu me orgulho em ter. E é isso.
Obrigado por ler…
Um bjão gente.

Tem coisas que eu mudaria hoje, por exemplo: existem bonitinhas legais. E existem pessoas que te admiram pelo que você pensa, e não por quanto você pesa. AMIGOS, são como se chamam. Mas enfim. Boa parte eu manteria.

E aí, aproveitando a deixa… Minha chefe elogiou horrores um texto meu hoje. Disse:

“Ana, tá mto boa sua matéria sobre o colecionador. Parabéns! Está boa mesmo, dá pra ver q vc gostou de falar com ele”.
Claro que isso me deixa feliz. Até porque achei a matéria fraca, mas foi legal mesmo falar com o tiozinho, super simples e humilde que coleciona a revista corporativa do trampo dele há 23 anos. Pra quê? Para ajudar nos trabalhos escolares das filhas! Me diz se não é fofo?
Elogios sempre vão bem. Elogios físicos inexistem e, quando ocorrem, eu desacredito. Tudo bem que ultimamente tenho lembrado que, olha, puxa, nem todo mundo pensa exatamente como eu. Então vai ver que alguém me acha bonita de verdade (porque eu não me acho, como vocês estão cansados de saber). Mas de qualquer maneira, me sinto muito bem em receber elogios que mexem com o meu intelectual. São mais profundos, sabem. Comentários de beleza são vazios. Se falo isso só porque não me elogiam fisicamente? NÃO. Pense a respeito: vaidade é uma expressão de inteligência?
Então é isso, meu caros. That’s all.
Obrigada pela força!