E a USP? / E a vida?

Acho que todo mundo já sabe disso, até porque faz mais de 6 meses que me decidi e parei de frequentar as aulas.

Não tranquei, simplesmente larguei. Se um dia eu quiser voltar? Sou arrogante o suficiente para achar que, assim como da primeira vez, passo sem grandes dificuldades.

Entrei em uma das melhores universidades públicas do Brasil e larguei. Quem faz loucura semelhante?

Muita gente, meu amigo. Muita gente.

Os motivos variam muito, e, para mim, o que contou foi:

a) não tenho pique de trabalhar o dia inteiro e ainda ir para a faculdade, ficar até 23h por lá e gastar meus poucos fins de semana e feriados livres de plantão para ler textos chatos e fazer trabalhos;

b) algumas aulas eram boas, sim, mas assim como no resto do mundo, há muita mediocridade e picaretagem também na USP, acredite. Sabe-se que ser um professor hiper qualificado não implica automaticamente em ser um bom professor.

c) Tenho 26 anos, trabalho o dia inteiro, trabalho em alguns fins de semana. Muitos estudantes também fazem parte desse perfil. Mas a maioria não. A maioria passa o dia na faculdade bebendo cerveja, jogando futebol e conversa fora. Passei dessa fase – na verdade, nunca fiz parte disso.

d) Em 1 ano e meio, não troquei uma palavra com nenhum dos quase 100 alunos das salas que frequentei. Não é nem questão de fazer amigos, não cheguei a interagir com ninguém. O porquê desconheço. Isso nunca tinha acontecido na minha vida, nem na época em que eu era excluída no colégio – tinha dois ou três amigos, ainda assim. E a merda de não conhecer ninguém é: penar para fazer trabalhos em grupo; não ter um maldito para assinar lista de presença para mim. Nem invoco aqui a questão da solidão, mas sim esses dois pontos mais práticos e problemáticos, que afetavam diretamente meu rendimento.

e) O primeiro semestre levei bem. Fiz os trabalhos direitinho, até tirei um 10, tive poucas faltas e me dediquei. No segundo semestre, veio a greve, a maldita. Meses sem ir à aula. A prova de reposição de um curso inteiro de greve seria no dia do meu aniversário.   Taquei um foda-se e daí em diante a coisa degringolou.

f) No 3º semestre, me matriculei para 3 disciplinas. A primeira era ótima, mas demandava trabalhos em todas as aulas, e em grupo. Outra demandava trabalhos de campo em fins de semana – dois deles seriam no meu período de férias e viagem pelos EUA. Outra era simplesmente insuportável: nem aguentei a primeira aula inteira.

g) convenhamos: o que eu estava fazendo na Geografia? Curto o assunto, ok, mas gastar 5 anos da minha vida com isso, sendo que já sou graduada? A verdade é que eu sabia, e já tinha avisado a todos, que não concluiria o curso – só larguei antes do que imaginava. Entrei na USP, na verdade, pra provar para o mundo que eu podia. Sim, sou arrogante a esse ponto. Também para ter acesso a benefícios estudantis, essenciais para pobretões como eu que ganham mal. E, claro, para ter uma desculpa bem convincente para não ser explorada no trabalho (não sei quem tem filho, não sei quem tem dois trabalhos, não sei quem faz curso – MANDA A ANA CLARA FICAR ATÉ TARDE, JÁ QUE ELA NÃO FAZ NADA A NOITE – porque é bem por aí).

Fato é: preciso estudar. Realidade é: NÃO GOSTO DE ESTUDAR. Não suporto textos acadêmicos – não sou do tipo de gente que só lê best-seller vagabundo, mas também não estou no outro extremo. Sempre tive dificuldade com textos científicos e palavreado acadêmico. Basta ver como escrevo, uma linguagem mega coloquial – não só no blog, mas na vida. Leia um texto sério meu. Não é muito diferente disso aqui. Só não tem gíria e palavrão:

Regularização Fundiária

Continuo sem saber o que fazer da vida. Não quero passar a vida ganhando ~milequinhentos~, mas não tenho o menor saco para fazer um mestrado, minha tentativa com mudança de rumo não deu certo e no fim estou ficando acomodada.

Já pensei em fazer um curso, pós, sei lá, de mídias sociais. Curto muito esse mundo. Mas só ouço opiniões negativas dos cursos, além de saber que esse mundo pertence aos kibelokos da vida: gente que tem 60 visitantes diários no blog nunca terão espaço.

Também pensei em fazer algo ligado a eventos/turismo (fiz 6 meses de faculdade de Turismo mas larguei), porque minha pequena atuação na área – inauguração de um resort de luxo que hoje vive em Peixe Urbano (a vida é engraçada) foi a experiência profissional mais foda que já vivi.

Tem também o lance dos cachorros. Adoraria ter, sei lá, uma creche de cachorro, passar o dia mimando os bichinhos. Há nicho no mercado, mas será que eu aguentaria viver disso? Preciso usar ~um pouco~ a inteligência. Veterinária? JAMAIS, detesto biologia e não gostaria de cortar um cachorro no meio. Ou vocês dizem pra quem gosta de criança ser um cirurgião pediátrico? É a mesma coisa.

Tenho pensado, também, em algo ligado à Nutrição. Adoro ler sobre comida, carboidrato, proteína, gasto calórico, dieta. Só que, again: detesto biologia.

Não tô em crise, mas sei que não posso continuar acomodada como estou.

Fora que preciso conhecer coisas, pessoas. Preciso evoluir. Só não sei por onde começar.

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Virei nerd. Beijo.

De alguma forma eu soube mesclar uma infância bem ativa brincando de polícia e ladrão, jogando bola, no parquinho, na piscina etc, com uma vida na frente da tevê. Assisti a todos os sucessos da Cultura que fez minha geração mais capaz do que a geração atual, tipo Glub Glub, Ratimbum, Castelo Ratimbum (oi, a Caipora é a minha tia e eu assisti a gravação de um capitulo!), Doug, Anos Incríveis, Confissões de Adolescente, além de Chaves, Chapolim, Carrossel… Isso sem contar as novelas da Globo. Não sei como eu conseguia dosar vida social com muita televisão, escola e sono, porque NUNCA dispensei uma soneca vespertina. Acho que pq nunca fiz balé, judô, inglês, o que seja. E agradeço aos céus por isso. Minha infância foi tudo.

Só sei que essa vida bem agitada era boa.

Já recentemente, com trabalho ocupando a maioria das horas do meu dia e com faculdade até o ano passado, fui perdendo minha vida social. Não consigo ser irresponsável a ponto de beber até cair se tenho que trabalhar no dia seguinte. Minha única ressaca em dia de semana foi forte o suficiente para provar isso: vomitar no trabalho NÃO é legal. Vomitar em qualquer lugar não é legal, mas como eu sou a rainha-mor dos PTs… Pelo menos evitemos eles durante a semana.

Enrolei para falar que essa vida de trabalhadora me tornou uma nerd. Não assisti nenhuma dessas séries que as pessoas assistiam no auge dos seus 12 a 15 anos – Friends, Dawson’s Creek, Buffy e mil outras. Porque eu gostava de passar a noite na quadra, na piscina, na casa dos amigos.

Só que comecei a trabalhar, a rotina mudou, veio a distância dos amigos que a vida adulta impõe e me joguei no que? NAS SÉRIES!

Comecei com Lost. Daí vi Heroes, que acabei desistindo no meio da 3ª temporada (trash demais). Ano passado, com TCC e trabalho de segunda a segunda, vi séries que nem uma louca como compensação. Vida social? Não rolou. Mas vi Prison Break, Dexter, Six Feet Under (melhor série do mundo) e tirei felicidade da ficção. Triste, não? Não sei. Mas me joguei na vida nerd com gosto. Tem muita série boa por aí. E a Stella me ajudou na escolha de quais séries assistir.

Esse ano piorou. Antes eu até lia bastante, mas agora só sei ver série. Tirei o atraso da adolescência sociável e vi todas as temporadas de Friends em tempo recorde. Agora estou assistindo The Office (para quem trabalha em escritório é ótima pedida), The Big Bang Theory, True Blood, Two and a Half Men (nem curto muito) e pretendo começar House e How I Met Your Mother.

Uma baita duma nerd.

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Se quiser saber o que escrevi sobre True Blood, Heroes e Six Feet Under clique nos links. Opiniões dadas no meu outro blog, o  .txt.

Reclamando do trabalho

carteira_trabalhoSeguinte: me formei em jornalismo sem gostar do ofício básico da profissão. Já falei sobre isso uns posts atrás, mas é importante repetir, pro povo não vir falando: “Se não gostava, por que não fez outra coisa?”. A resposta é: porque nada me atraia mais do que a oportunidade de ganhar dinheiro escrevendo. Mesmo que fossem textos idiotas e sem sentido para a minha vida.

A parte boa é que nunca trabalhei com jornalismo de verdade. Sempre estive mais ligada à publicidade.

De qualquer maneira, não posso reclamar tanto. Estou há três meses em uma agência de RP, e escrevo textos sobre vinhos para uma publicação de uma importadora de vinhos famosona. São 30 mil exemplares distribuídos por todo o Brasil. É uma boa cifra, vai.Fico orgulhosa de ver o meu nome lá, e é interessante ver a revista nascer.

Além dos textos sobre vinhos – é chique saber sobre Pinot Noirs, Chardonnay, Sauvignon Blanc e outros tipos de uva, mesmo que meu salário não comporte mais do que um Sangue de Boi – escrevo para a publicação de uma multinacional. E aí é BORING. Eu quero MORRER quando ouço falar dessa publicação. Primeiro porque ela lida diretamente com jornalismo: tenho que correr atrás de contatos, tenho que LIGAR pras pessoas (eu odeio com todas as minhas forças o telefone), tenho que fazer entrevistas – oi, quero uma profissão que lide com o menor número de pessoas possível!, escrever texto com formato pré-determinado e escrever coisas BORING tipo a história de uma marca de papel, ou sobre os projetos ambientais da tal companhia. É um saco. UM SACO.

Em junho eu vim trabalhar aqui para que, em julho, substituísse a pessoa originalmente encarregada desses dois projetos – a revista de vinho e a publicação da multinacional. Uma semana depois de eu começar, uma entrevista que eu tinha feito em abril deu certo e me chamaram pra trabalhar na prefeitura de uma cidade aqui de São Paulo. Contratada, com benefícios e tudo. E o lance que eu tava era temporário, mas era a 4 quarteirões de casa. Conversei aqui e eles toparam me contrar em setembro. O trampo na prefeitura seria bacana, mas muito JORNALISTA pro meu gosto. Não dou pra isso, definitivamente. A não ser que seja para escrever colunas e crônicas. Aí belezera.

Então a pessoa das publicações entrou de férias e eu assumi. Ocilei períodos de trabalho fatigante (uns dias sai daqui 22h, 22h30.) e alguns bem tranquilos. Mas nada absurdo, nada em fins de semana… Um trabalho ok para uma pessoa.

Agora essa pessoa voltou.

E nós dividimos o trabalho que era originalmente realizado por uma pessoa só. OU SEJA: estou vagabundeando 90% do tempo.

Não que eu não goste de coçar e ganhar dinheiro pra postar em blogs, twitter e afins para motivos pessoais, mas além de me sentir uma inútil, fico com medo de me ferrar aqui.

Eles se comprometeram a me contratar em setembro, mas como, se estou SOBRANDO?

Sim, vou conversar com meus chefes provavelmente semana que vem. Mas e se me demitirem? Aí fodeu.

A verdade é que eu não gosto de trabalhar. Acho que nunca vou gostar.  O único trabalho que eu amaria ter está MEIO fora de cogitação: ser uma Paulo Coelho da vida (sem textos tão imbecis, diga-se de passagem), ou seja, ganhar dinheiro para escrever um livro a cada dois anos. É, eu quero ser escritora. Comofas?

Porque, olha. Não sirvo pra essa rotina de trabalho. Malz aê, ditado popular (ou é de alguém essa frase?) “o trabalho enaltece o homem”, mas isso não se aplica a mim.

Sabe do que eu morro de saudade? De acordar às 6h da manhã pulandinho e felizaça, porque estava indo pra escola encontrar OS MEUS e com a consciência de que aquele tempo ia durar pouquíssimo. Dava TUDO para ficar eternamente entre os 15 e 20 anos (colégio e faculdade, no máximo).

Não me conformo com a idéia de ter virado adulta. De trabalhar.

Assinado: Peter Pan wannabe.