Europa 2013: Áustria e Eslováquia

2013 foi um ano sensacional. Viagens incríveis, pessoas incríveis, experiências únicas. Mais essa curtíssima viagem entra ao rol que compõe um 2013 ótimo. Vamos à ela.

Eu não sabia que ficaria desempregada em novembro. Por tanto, faltaria 2 dias no trabalho e iria com meu pai para a Áustria (outras opções eram Milão – Itália, ou Interlaken – Suíça [risos], mas acabamos optando pela Áustria).

Quando soube, em outubro, que ficaria desempregada, tentei mudar o voo para ficar uns dias em cidades da Alemanha – país que tá no meu top 3 de “preciso conhecer” – e em Paris, com o primo querido. Mas a multa era ridiculamente cara, o preço de uma passagem nova, e não rolou.

Assim, me contentei com os 4 dias e algumas horas na Europa. Fazer o quê, né.

Sexta-feira, 15 de novembro

Mala pronta, almoçada, malhada, fui com papi de metrô para o aeroporto. Feriadão, chegamos lá em 40 minutos. Uma beleza. Mais uma vez sem me planejar, acabei tendo de comprar minha leitura de viagem na Laselva do aeroporto – comprei o “Cuco’s Calling”, livro policial de um pseudônimo da J.K. Rowling (1 mês depois e ainda não acabei, aliás).

Voo da Lufthansa estava entupido, mas foi tranquilo. Pouca turbulência. Tomei 3 taças de vinho e dormi alguns minutos. Mas não tem jeito: ô coisa desconfortável e indigna que a classe econômica é. Nem Gisele Bündchen fica bonita depois de 12h de classe econômica.

Um pouco antes de chegar a Munique, cruzando os Alpes, o tempo abriu. OLHA QUE MARAVILHA 🙂

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Sábado, 16 de novembro

Chegamos de manhã em Munique, para uma conexão rápida para Viena. Tempo pavoroso no trajeto. Chuva e frio intenso. Chegamos à Áustria cedo, pegamos o ônibus executivo até o Schwedenplatz, bem próxima ao centro, e fomos andando até o hotel, no coração do centro antigo de Viena. Fiquei besta com a quantidade de indústrias que circundam o aeroporto. Cadê os bosques de Viena? Só tinha fábrica! Complexos enooooormes expelindo uma fumaça branca… Que coisa.

Da Schwedenplatz até nosso hotel foi uma curta caminhada, passando no caminho pela praça principal da cidade, a Stephanplatz – onde fica uma catedral enorme toda trabalhada no gótico. Linda, linda:

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Enfim chegamos ao hotel: Pension Neuermarkt. Boazinha. Três diárias, com café da manhã (bacaninha) para nós dois deu uns €300. Não é caro, pela localização do hotel. Mas é caro para o bolso fodidamente desvalorizado do brasileiro: 1 euro, com taxas IOFs e a porra toda, tava R$ 3,33. Com R$ 1000, não consegui nem 300. Muito triste.

Mas se a gente tá na chuva tem que se molhar. Não dá pra ficar convertendo, se não a gente fica louco. Imagina pensar toda hora que a garrafa de água que te custou  €3 vale tipo 10 conto? Não. Tem que abstrair.

Enfim. Deixamos nossas tralhas no hotel e fomos andar pelas ruas lotadas do centro histórico de Viena. Estava um sábado lindo, com um solzinho discreto, um vento gelado mas suportável, e muita, muita gente nas ruas.

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Na maioria das ruas do centro de Viena carro não passa. São boulevares largos, com lojas de grife chiquérrimas ocupando prédios antigos e históricos.  Tudo começando na Stephanplatz. Aquele sistema arquitetônico em que as ruas convergem a partir da igreja principal.

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Outra coisa bacana de Viena é que em tudo que é canto há menção à alguma personalidade. Não sei quem almoçou aqui. Não sei quem compôs sei lá o quê aqui. Não sei quem morou aqui em 1700 e bolinha… Na foto acima, um lugar onde o compositor Vivaldi morou certa época.

Continuamos andando, nos embrenhando pelos grotões históricos de Viena, sem saber ao certo o que era o quê. Passamos por alguma coisa ligada a cavalos, por uma biblioteca, pelo museu Albertina, pelo lindo parque Burggarten…

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Essa foto aí é do Hofburg, que era o palácio – e centro do império – de Habsburg. Hoje é um museu.

A monarquia da família Habsburg comandou o Império Austro-húngaro por séculos. Era uma família que incentivava as artes. É por isso que da Áustria saíram alguns dos grandes compositores, músicos, artistas, escritores, pensadores da humanidade. Tipo Freud e Mozart.  A foto tá escura porque já estava anoitecendo. Amo Z’oropa, adoro frio. Mas essa história de 16h já ser noite é apenas cruel (ok, é incrível ter sol às 23h no verão, mas mesmo assim).

Voltamos para o hotel.

Ó que graça a fachada externa:

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Anoiteceu de vez e fomos à caça de um lugar para comer.

Na Stephanplatz estava rolando uma feira de natal, com mil barraquinhas vendendo comidas típicas, bebidas, doces, enfeites natalinos, artesanatos, mil coisas fofas.

Foi lá mesmo que ficamos, embora estivesse ENTUPIDO de gente – descobrimos no dia seguinte que participamos da “estreia” do Vienna Christmas Market. Nem sabia que existia isso, mas parece que um mês e pouco antes do Natal as principais cidades europeias (cristãs, é lógico) montam em suas praças principais uma grande feira natalina. Em Viena pudemos conferir, felizmente. Grande parte da decoração ainda estava sendo montada, no entanto. Em Salzburg e em Bratislava, ainda demorariam uns dias para inaugurar.

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Na Catedral de Stephan rolavam umas luzes/projeções natalinas. Lembrei vagamente da Disney.

Tomamos ponche de laranja (fortíssimo, quentinho e delicioso – perfeito para a noite de 3ºC e sensação térmica abaixo de zero); comemos goulash no pão italiano; comemos salsichões “Braumeister” e “Käserkrainer” hotdog. SE LIGA NO TAMANHO DA ENCRENCA:

IMG_0135Dois palmos de salsichão! hahaha

E assim terminou o primeiro dia.

Domingo, 17 de novembro – Salzburg

O dia começou bem cedo, por volta das 5h30 da matina. Noite cerrada. Tomamos café-da-manhã (bem bonzinho, com nutella e tudo ^^) e fomos esperar o guia do day-tour para Salzburg.

Salzburg é na outra ponta da Áustria, quase divisa com a Alemanha. Seriam cerca de 2h de estrada para ir, outras 2h para voltar.

O dia amanheceu frio e chuvoso; nosso grupo era composto por uma família asiática que não falava inglês (ou não se interessava pelo que o guia falava); por um cara grudento do Bahrein; e por um casal gay de Israel. Bem misturado.

O guia falou que o trecho entre Viena e Linz (a metade do caminho) seria bonita, que veríamos bosques e talvez os Alpes. Só que nada disso aconteceu, já que havia uma névoa densa e chuva. Hahaha. Great.

Isso aqui foi o máximo que vimos de bosques:

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Além de Salzburg, passaríamos por diversos vilarejos que foram locações do filme “A Noviça Rebelde”. Sabem aquele meme clássico do “foda-se essa merda toda”? ENTÃO. Aquele tipo de lugar.

Como o guia falou: a conhecida “suíça-austríaca”. De fato.

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Esse primeiro vilarejo chama-se Mondsee e é das coisas mais fofas e cenográficas que já vi na vida. Papai não sabe que apareceu na minha foto. Hahaha.

A foto abaixo já lembra vaaaagamente o cenário do foda-se essa merda toda. Exceto que não aparecem picos nevados (por conta da névoa), nem a relva verde e florida (outono, néam).

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Mas o guia colocou pra tocar a trilha sonora inteira d'”A Noviça Rebelde” enquanto nos aproximávamos do lugar…

O lago em questão é o Wolfgangsee. No verão, essa região lota de banhistas. Claro que a água é limpíssima.

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Abaixo, Saint Gilgen, um dos mil vilarejos ao redor do lago – e aqui começa de verdade a parte Mozart da nossa viagem.

Na época do planejamento dessa viagem, eu estava trabalhando no Theatro Municipal de São Paulo. Já tinha visto óperas de Verdi, Mozart e outros; já tinha visto concertos de Stravinsky, balé de Ravel. Estava imersa na música erudita e tentando aprender mais. Por tanto, a oportunidade de conhecer a região onde Mozart viveu seus poucos anos de vida seria incrível e perfeita – até para me exibir no TMSP. Infelizmente, nosso contrato acabou antes disso. Hahaha

(mas os aprendizados, amigos e bons momentos ficarão para sempre #mimimi)

Saint Gilgen é o vilarejo da família da mãe do Mozart. A praça onde posei para foto, abaixo, era local recorrente de concertos de Mozart quando jovem. Ele vinha visitar os avós, que moravam no vilarejo.

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Essa casa, que hoje é o correio, é uma das mais antigas da cidade. É do século XVI!

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Tirei essa próxima foto porque, mesmo com uma temperatura de 3ºC e sensação térmica bem inferior a zero, tinha UMA MOSCA pousada na placa. Sim, há moscas na Europa.

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Tivemos um tempo para rodar pelo vilarejo. Era domingo de manhã, e onde estava TODA a população? Na igreja. Sim. Esterótipo de vilarejo europeu. Me senti no filme “Chocolate“. Domingo bem frio, de manhã. Cidade vazia, todo mundo dentro da igreja central. População bem idosa, toda vestida com roupas “de missa”.

A casa abaixo é onde a mãe do Mozart nasceu, e onde ele passava o verão. O guia falou que ele costumava compôr nessa paisagem.

NOT BAD, hein.

IMG_0213Papai testando a temperatura a água. Eu não tive coragem. Frio demais.

E então, finalmente, Salzburg.

Até o século XIX, Salzburg não pertencia nem à Alemanha, nem à Áustria. Era independente. Como Mozart nasceu antes de a região ser anexada à Áustria, não é inteiramente correto dizer que ele era austríaco. Ele era, antes de tudo, de Salzburgo.

Dividida em “parte histórica/parte moderna” pelo rio Salzach, começamos pela parte “moderna” (pero no mucho) da cidade, onde está o parque e o palácio de Mirabell – e que também foi cenário da “Noviça Rebelde”.

O palácio foi construído em 1600 e bolinha para abrigar o arcebispo da cidade. Pegou fogo, foi reconstruído e remodelado ao longo dos séculos, e hoje é a sede da prefeitura.

Lugar lindíssimo, cheio de fontes e jardins floridos – ainda que no outono não estejam tão formosos

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E aqui abaixo temos uma visão, ao longe, da fortaleza de Salzburg, um castelo enorme no alto do morro lá no fundo. A fortaleza foi construída em 1077 (!!!) e é, de acordo com o site oficial da cidade, a fortaleza mais antiga e bem preservada da Europa. Nunca saberei. Não deu tempo de ir lá/meu pai não tava afim/era caro pra cacete.

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Dá nada não. O google tá aí, e a gente chupa uma foto de lá de cima da fortaleza:

A próxima etapa foi cruzar a ponte que dá acesso à cidade antiga.

O rio gelaaaado e limpíssimo correndo lá embaixo, mil construções históricas nos rodeando, uma ponte cheia de cadeados simbolizando amores eternos. Coisa mais linda ❤

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Ao adentrar a parte histórica da cidade, entendi perfeitamente como raios um palácio de 1700 é considerado moderno. TUDO na parte histórica é medieval. Inclusive as fachadas das lojas de grife são construções históricas, e devem manter tudo exatamente como era.

Olhem que fantástico:

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E tchã-nã-nã-nã…

Mozarts Geburtshaus (ou: o local de nascimento de Mozart, em alemão).

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Nascido em 27 de janeiro de 1756 (beijo grande aos aquarianos!!!), o nome de batismo dele era Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.  

E vou te contar que a família dele não era nada pobre, viu. Puta casa enorme, com jardim interno, lugar para festas…

Desde criança Mozart mostrou-se genial. Começou a compor aos 5 anos de idade, e ainda jovem viajou a Europa inteira se apresentando para a alta realeza. Morreu aos 35 anos. A teoria do nosso guia para a morte dele é muito válida: imagina cruzar a Europa de ponta a ponta no alto inverno, em viagens que duravam meses. Sua saúde não aguentou. Foi adoecendo até… Puff. Mesmo vivendo tão pouco, compôs mais de 600 obras.

Tudo na cidade é ligado a Mozart. Onde nasceu, onde escovou os dentes, onde morou por seis meses, onde casou. Sério. Mas Salzburg tem muito mais. Tem a casa onde viveu Döppler – sabe a série The Big Bang Theory? Sheldon fala bastante do Efeito Doppler.  Tem um centro lindíssimo, mil restaurantes, uma população simpática e… A livraria mais antiga da Áustria ❤

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E essa, abaixo, é uma das ruas mais antigas da cidade. Vielas fofas medievais. Amo.

Amo Idade Média, gente.

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Daí o frio pegou de jeito e fomos achar um lugar para comer. Acabamos num pub mandando uma cerveja deliciosa – tomei 3 long necks e fiquei BACANA – e típicas comidas austro-alemãs.

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E esse foi o fim dos nossos serviços em Salzburg.

Andando para encontrar o guia – e nosso transporte de volta à Viena – ainda passei por essa inscrição no chão. Me sentia feliz com o mundo, e essa frase só melhorou meu estado de espírito:

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=)

Chegamos à Vienna umas 19h. Noite cerrada, um frio satanástico.

Optamos por jantar em um restaurante bem famoso na cidade, e que vive lotado: o Figlsmüller, que é famoso por causa do schnitzel, um dos pratos tradicionais austríacos – e que é, nada mais, nada menos, UM BIFE A MILANESA.

Sim. Um bife a milanesa. Que não tem acompanhamento nenhum e que é tão grande que não cabe no prato:

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Comi 1/3, dividi uma garrafa de vinho com papi e foi isso aí.

Olha, sem ser babaca e regionalista… Mas gente. Essa culinária da Europa não-latina é meio decepcionante. No Reino Unido o lance são carnes no molho com batata – você que lê Harry Potter tá ligado. Na Europa germânica, porco e fritura. Na Europa Oriental, uma mistura dos dois e embutidos. Mas nada assim Ó QUE MARAVILHA.

É por isso que (saíndo da mesmice de falar do arroz e feijão, até pq não sou do arroz e feijão) insisto numa tese que a cada viagem fica mais encorpada: de que a comida brasileira é uma das mais diversificadas e incríveis do mundo. Já viu, em um mesmo país, ter pato no tucupi, tutu de feijão, churrasco gaúcho, moqueca, baião de dois, feijoada? Sem falar de pastel, mandioca, caipirinha, brigadeiro e frutas brasileiras. Sério. Culinária mais sensacional. E daí me vem uma Alemanha com joelho de porco. Ah. Vá se foder, apenas.

Mas mudei totalmente de assunto. hahahah.

Assim terminou o segundo dia.

Segunda-feira, 18 de novembro – Bratislava (Eslováquia)

Acordamos cedo, pegamos o metrô – gente, não entendo esse metrô europeu que não sabemos onde e como pagar, e daí quando vemos entramos de graça – e fomos até uma rodoviária num subúrbio pegar ônibus para Bratislava, na Eslováquia. Muito louca a Europa, né? De um país a outro em 1h de ônibus. Em um dia de carro, dá pra cruzar vários países… Muito louco isso pra gente que é brasileiro e está acostumado a dimensões continentais… é mais rápido ir de Viena a Berlim de carro do que de São Paulo ao Rio de carro… Doideira.

Enfim.

Bratislava, Eslováquia.

A ponte da foto abaixo liga a cidade histórica (lado em que estou) à parte moderna. O rio que corta a cidade é o DANÚBIO, que cruza metade da Europa e inspira tantas imagens idílicas na nossa mente =)

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A cidade histórica estava completamente morta. A guia nos explicou que segunda-feira geralmente é assim. Igrejas, museus, tudo fechado, daí os turistas não vem, mesmo.

Bratislava também tem um castelo. Que cidade na Europa não tem um castelo, gente?

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Mas esse foi remodelado inteirinho. Acho que só tem um quartinho mínimo que não mudou ao longo dos séculos. Até o estilo arquitetônico dele foi sendo alterado… A pintura… Tudo.

Mais uma vez, não fomos admirar a vista panorâmica e tive que roubar a foto do google:

Continuemos.

O primeiro lugar onde fomos – na frente, já que estava fechada – foi a Catedral Saint Martin, essa no primeiro plano da foto acima.

Essa é uma das únicas catedrais católicas do mundo que não tem uma cruz no topo, e sim uma coroa. Para simbolizar a importância do reinado para o crescimento da cidade. Que coisa, não?

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Na entrada da parte histórica tem essa estátua de bronze, homenagem a um cara que ficava nos bueiros da cidade espiando as mulheres de saias. HAHAHAHA

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Falei que a cidade estava às moscas?
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Bratislava era uma das principais cidades do império dos Habsburg. Esse símbolo que está na ponta da minha bota está espalhada por todo o chão da cidade histórica, simbolizando o reinado de Maria Thereza, que adorava a cidade e elevou-a a uma das mais importantes do império austro-húngaro, sede de universidades, grandes concertos de Mozart, Beethoven e talz, festejos, cerimônias da realeza e muito mais.

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Acima, um dos portais da cidade.

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Eu na frente do Teatro Municipal de Bratislava.

Essas estruturas no chão são para montar os Christmas Markets de Bratislava.

Nosso almoço eslavo foi uma pizza. Hahaha. Não queríamos comer de novo Schnitzel, e nem aquelas outras coisas de sempre. Pelo menos foi barato.

Minha impressão de Bratislava é a mesma que tive de Bucareste: cidades ex-comunistas fodidas e abandonadas se erguendo aos poucos. E convivendo com mendigos, pobreza e arranha-céus podres de ricos ao mesmo tempo. Sweet desigualdade…

Romênia e Eslováquia, os únicos países ex-URSS que conheço, compõem uma Europa completamente diferente de Itália, Reino Unido, França, Suíça etc e etc.

É tudo diferente. É um clima bucólico e de abandono. Os jovens lutando para serem mais como seus irmãos da Europa ocidental e rechaçando toda e qualquer qualidade que o comunismo tivesse. Vários cantões das cidades com cara de abandono e melancolia.

Antes de irmos embora, passamos numa loja que vendia umas bebidas típicas e compramos isso aqui:

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Hidromel. Foi baratíssimo – acho que 3 euros a garrafa – e me arrependi profundamente de não ter comprado umas 30, porque beber isso foi uma experiência riquíssima e única. É tipo um licor. Ou um vinho. Mas nada a ver com nenhum dos dois. Uma delícia.

Fomos jantar numa cadeia de fast food de frutos do mar que rola por toda a Europa, e que prima por pratos lindos nas vitrines: Nordsee. Olha só:

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E sim. Os preços são ABSURDOS. Papi não resistiu e mandou uma lagosta. Eu maneirei. Mas mesmo assim deixamos quase 70 euros!!!!!! Absurdo completo. Mas faz parte.

Famosa síndrome da família de o último jantar da viagem ser sempre errado: caro demais, ruim, pouco etc. É SEMPRE assim. Culpa também das expectativas, claro.

Terça-feira, 19 de novembro – Viena & voos/aeroportos

Acordei cedo para curtir o restinho da viagem. Ainda tinha uma manhã inteira, e decidi seguir a dica de um amigo – conhecer o Wiener Zentralfriedhof – ou o cemitério central de Viena. É um cemitério E-N-O-R-M-E, bem afastado do centro e com gente importante dentre seus mortos.

Fui até lá de tram (o bondinho), por dica do staff do hotel. Soube onde descer certinho, sem precisar de ajuda.

Estranho que conforme a viagem vai acabando, começamos a nos habituar com a língua do país. Várias coisas escritas em alemão eu já entendia…

Enfim. O cemitério, um dos maiores da Europa, tem 2.4 Km quadrados de área e mais de 300 mil tumbas. É incrível. É tão grande que dentro do cemitério passa um ônibus, que leva a outros pontos do próprio cemitério.

Piro com cemitérios, desde criança.

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A avenida principal do cemitério, acima. Leva até uma capela – uma verdadeira basílica, na verdade.

Não foi difícil achar o que eu queria: o hall dos mortos famosos. Mais especificamente, dos músicos e compositores. Estão enterrados nesse cemitério Beethoven, Mozart (em tumba desconhecida), Strauss, Schubert e Brahms.

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Beethoven à esquerda, memorial a Mozart no centro e Schubert à direita.

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Eu e minhas únicas companhias na andança pelo cemitério: corvos.

Foto bem na pegada de Six Feet Under 🙂

Andei mais pelo cemitério, explorando aleatoriamente grupos de tumbas, com sobrenomes estranhos, com datas de morte séculos atrás, com sobrenomes como Gaspar. E pensei muito na vida enquanto tomava aquele vento gelado na cara.

Minha ideia era sair do cemitério e ir à casa onde Freud viveu. Mas deu preguicinha. Desisti no meio do caminho e resolvi dar um rolê pelo centro.

Tomei um chocolate quente no Starbucks enquanto pensava no que fazer em seguida.

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E decidi aproveitar minha última hora no Museu Albertina. Porque eu amo museus e não tinha entrado em nenhum até agora.

Entrada do museu:

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E tava rolando exposição do Matisse & friends. Ou sobre o fauvismo, na verdade.

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Fauvismo é um estilo de pintura criado no começo do século XX e que tinha Matisse e Derain como principais líderes. As cores  fortes são muito usadas, e a técnica do pontilhismo também. Leia mais na wikipedia.

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Vi correndo as outras exposições. Tinha o cara viciado em FIMs (acima), tinha a mina viciada em olhos…

E daí #parti para encontrar papi no hotel, pegar nossas malas e ir para o aeroporto.

Assim começou o trajeto de volta: horas de aeroporto, de cochilos em cadeiras de aeroporto e muito, muito avião.

Em Munique, como era uma conexão longa (mas não longa o suficiente para sair do aeroporto e dar uma volta pela cidade), sentei num restaurante, comi um salsichão e mandei 3 pint de Paulaner (Weißbier alemã – esse B bizarro tem som de ‘ss’. A palavra alemã para rua – Straße – se fala ‘strasse’).

E assim terminaram nossos serviços, decolando para o Brasil:

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E ouvindo música clássica:

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Gostaram?

Eu gostei! Mas queria ficar mais tempo 😦

México 2013

Mais uma viagem incrível para o meu currículo.

A Cidade do México foi a minha primeira viagem internacional de 2013 (espero que não a única!). Mais uma vez, com despesas aéreas e de hospedagem pagas por papai, lá fui eu conhecer um novo país.

O que motivou meu pai a ir para o México foi sua vontade de conhecer Puebla, uma cidade vizinha à Cidade do México (na capital ele já esteve algumas vezes). Também o fato de as passagens aéreas estarem baratíssimas. UM BEIJO PARA AS PROMOÇÕES DE PASSAGENS AÉREAS 😉

Sei nem quanto custou, mas foi barato. Nível bem @passagensaereas (se você gosta de viajar e ainda não conhece esse twitter/site… I feel sorry for you.)

Enfim. Papai me convidou para mais uma viagem pá-pum, bate-volta. Seria durante o feriado de Corpus Christi. Ida na quarta-feira, volta no domingo. Ao todo, 2 dias inteiros para a Cidade de México.

Mas o que fazer com apenas 2 dias na segunda maior metrópole da América, a 4ª maior metrópole do mundo? Uma das regiões mais ricas e importantes na história da América Latina? Num país com uma cultura singular, com uma gastronomia incrível? Nem incluo na lista paisagens naturais, que obviamente requerem uma viagem à parte (que está nos meus planos futuros).

Foi aí que entrou minha preparação, que incluiu e-mails trocados e um material emprestado pela queridíssima amiga Ayla, que passou muitos dias no México há não tanto tempo e que é apaixonada pelo mundo latino-americano.

Ela fez roteirinho para mim, falou o que era imperdível e deu toques para agilizar o tempo.

Só que as coisas nem sempre saem como planejadas. Às vezes a gente conhece um tiozão mexicano afim de esbanjar 50 anos de estudos latinos, aí a gente não tem muito o que fazer, além de receber de braços abertos tudo o que não descobriria de outra maneira. Mas já chego lá.

Quarta-feira, 29 de maio

Saímos de casa 3 da matina. Nos perdemos na Dutra no meio da madrugada. Pegamos quebradas absurdas no meio de favelas de Guarulhos, mas deu tudo certo, porque já tínhamos feito o check-in eletrônico e viajantes bate-e-volta nunca despacham bagagem, por tanto deu o tempo certinho de chegarmos ao aeroporto e embarcarmos. Mas foi um sufoco.

O voo da TACA foi bacaninha. Serviço de bordo com comida quente e bebida alcoólica a gente não vê em qualquer companhia, hoje em dia. Duro foi conexão na ida e na volta em Lima.

Antes de chegar à Lima, sobrevoamos toda a Cordilheira dos Andes e vimos lá do alto o lindíssimo Lago Titicaca e La Paz. Um verdadeiro buraco (no bom sentido) povoado no meio do nada da Cordilheira

Chegamos na Cidade do México 18h e pouco. Em pleno dia. Beijo pros dias longos do hemisfério norte =*

Fomos até o hotel usando o serviço público de ônibus que vai do aeroporto ao centro histórico. $ 30 pesos cada (10 pesos = U$ 1). Foi rápido. O ônibus tem uma faixa-exclusiva para ele.

O hotel Roble fica bem pertinho do Zócalo (a praça matriz), super bem localizado.  2 noites para 2 pessoas, U$ 120 total. Sem café da manhã. Era um quarto pequeno, sem luxo nenhum. Banheiro idem. Fez calor e o ventilador foi insuficiente. Não recomendo no verão. Além disso, uma baratinha fez uma visita surpresa a certa altura. Só olhou e deu meia volta por baixo da porta.

Cansados de um dia inteiro de avião, só tomamos um banho e fomos jantar num restaurante ryco e phyno no meio do Zócalo. O La Casa de las Sirenas fica num casarão fofo do século XVIII, possui uma vista bacana para a Catedral Metropolitana (que estava toda apagada devido a uma forte tempestade que deu um curto nas luzes, na noite anterior), para o Templo Mayor (as ruínas astecas) e para o Palácio do Governo, único que deu pra ver mais ou menos.

O restaurante é bem carinho e recebe muito estrangeiro. A mesa do lado, meu pai jura, era formada por tipinhos professorais de tudo que era canto do mundo participando de encontros/palestras com motes sociais: de fato havia francês, português, inglês e espanhol sendo falados na tal mesa.

De entrada, tacos com carne de pato. Apenas DIVINO. Só a entrada já seria suficiente, mas ainda tinha prato principal: “la gallinita em mole de mango” para mim. Um peito de frango com um molho de manga, arroz branco e um purê que lembrava muito uma pamonha. Bem bacanudo, mas não aguentei nem 1/3. Para beber, cerveja Corona, a oficial mexicana. A conta passou dos 900 pesos.

Quinta-feira, 30 de maio –

Minha intenção era acordar bem cedo – madrugar – e ir para Teotihuacán na primeira hora. Não rolou, eu estava morta. Acabei indo tomar café da manhã com papi no Starbucks (lá tem em cada esquina, que nem em NY), depois demos um passeio pelo Zócalo, entramos na Catedral Metropolitana (a maior catedral da América Latina), vimos pelas grades as ruínas astecas e o Palácio do Governo.

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Fachada da catedral vizinha à Catedral Metropolitana. Não sei o nome dela, sei que a fachada é linda!

Ali do lado é a entrada do museu do Templo Mayor – as ruínas astecas em pleno Zócalo. A cidade asteca foi soterrada, na época da colonização, e sobre ela foi construída a Cidade do México. Só vislumbrei as ruínas pelas grades, ainda não estava aberto.

De qualquer modo, eu estava indo para Teotihuacán. Muito mais impactante.

Fui de metrô.

O metrô da Cidade do México é velho, cheio e quente, QUENTE DEMAIS. Mas custa o equivalente a R$ 0,50, e te leva pra cidade inteira (lembrando que a Cidade do México é maior que São Paulo): a malha do metrô deles tem 202 Km de extensão, e o nosso mal passa dos 70. O preço, $ 3 pesos, está congelado há anos. Em meio às manifestações do Movimento Passe Livre, deixo aí uma comparação interessante com São Paulo.

Enfim: o metrô de lá tem uma coisa que para alguns pode ser chata. A interligação entre linhas de metrô diferentes é feita por corredores enormes, pior do que a ligação Paulista (linha amarela) – Consolação (linha verde), em São Paulo. São 5, 10 minutos andando de uma plataforma a outra. No mínimo.

Outra coisa interessante do metrô de lá: sabe como nós, no Brasil, reclamamos de gente que ouve música no celular sem fone de ouvido? Lá os caras entram no metrô com uma caixa de som de 1 metro nas costas tocando músicas das mais variadas com o intuito de vender CD. Do nada entra uma caixa de som ambulante no seu vagão, com o som altíssimo fazendo vibrar, involuntariamente, cada músculo do seu corpo. E todo mundo age na maior naturalidade.

Enfim. Cheguei à estação Autobuses del Norte rápido. Entrando no terminal, fui à esquerda. É o penúltimo guichê. Acho que número 8. Achei também rápido o guichê que vendia passagens de ônibus à Ciudad Historica (em nenhum lugar há menção à Teotihuacán).  Custou 40 pesos.

A ida foi sem graça. O dia estava enevoado e os arredores por onde o ônibus passou não tinham qualquer atrativo. Fora que demorou: a estrada estava sendo recapeada. Foram mais de 2h de ida.

Mas cheguei enfim.

Gastei 57 pesos para entrar no sítio arqueológico de Teotihuacán.

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Eu com a placa de “Patrimônio Cultural da Humanidade” em Teotihuacán

Entrei. Muuuuuuuuito vendedor ambulante te persegue tentando vender bugigangas das mais variadas. NO, GRACIAS eternas. Não soube para onde ir e decidi ir em frente, deixando as pirâmides do Sol e da Lua para depois. Cruzei a Calle de los Muertos para conhecer a Ciudadela e a pequena pirâmide de la Serpiente, que tem uns detalhes lindos gravados há séculos.

Depois voltei à Calle de los Muertos, que é tipo a avenida principal da cidade, com mais de 2 Km, e segui à direita, sentido pirâmides.

Um mapa da cidade, para entender meu caminho:

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Conjunto_Teotihuacan_Detallado.JPG

Uma boa caminhada sob um sol forte e com mais de 2 mil metros de altitude até chegar à base da primeira pirâmide, a única que permite que alcancemos o topo.

São 200 e tantos degraus até chegar, mas o visual da enorme cidade pré-hispânica é devastador:

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Desci e continuei pela Calle de los Muertos até a Pirâmide de la Luna.

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As duas pirâmides tem o mesmo tamanho, mas por conta do desnível do terreno, a do Sol parece muito maior.

O sol forte e a luminosidade não colaboraram com as fotos.

Gastei cerca de 3 horas nas caminhadas. Voltei pela Calle de Los Muertos até chegar ao mesmo lugar onde entrei. Comprei uma água caríssima na lojinha (15 pesos – depois vi na vending machine do lado que custava 7) e fui esperar o bus pra voltar pra Cidade do México, continuar minha jornada pré-hispânica.

Apenas morri de cansaço no ônibus, mesmo com um tiozão Mariachi fazendo um showzinho inesperado. O cara tava sentado, de repente levantou, pegou um violão e começou a tocar. Êta povo musical.

A volta demorou menos de 1h. De volta ao terminal, fui de metrô até os arredores do parque Chapultec para conhecer o Museo de Antropologia.

Mas não foi tão fácil achar. Tive que pedir informações pelo caminho. Nisso, lembrei que eu devia comer alguma coisa. Vi uma tia vendendo salada de frutas e comprei. Ela ofereceu para colocar PIMENTA na SALADA DE FRUTAS. Ai, México…

Enfim achei o museu. O espanhol dos mexicanos é facilmente compreensível, felizmente. Eu me virava com um portunhol bem baixo nível, mas entendia perfeitamente o que me falavam.

O museu de Antropologia, também 57 pesos, é enorme. Minhas pernas doíam. Fui percorrendo as salas: história da antropologia, maias, astecas, e tantas outras que não lembro. Artesanatos, réplicas de como viviam, de suas roupas, alimentos, mapas de onde viviam. Muito completo. Fiquei pensando no Brasil, na vida indígena riquíssima que nosso país e nossos políticos matam dia após dia. Na falta de estudos sobre os nossos índios… Sobre a falta de interesse de quase todos por esse tópico fundamental da História do Brasil (manifestação contra o genocídio dos índios só meia dúzia faz, percebeu?).

Na última sala, a principal relíquia do museu: o calendário asteca, ou a Pedra do Sol, que ficava no Templo Mayor (nas ruínas lá do centrão da Cidade do México). Aqui está a história dele, com explicação de cada detalhe. Resumo da ópera: não era na verdade um calendário, mas sim um monumento ao Sol onde se realizavam sacrifícios.

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Outra peça importantíssima que achamos no Museu de Antropologia é a “big head” de um guerreiro Olmec.

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Saí do museu umas 17h e pouco, com o sol ainda a pino, e resolvi ir andando pela avenida Paseo de la Reforma, que tem por toda sua extensão vários monumentos importantes, como o Ángel de la Independencia (abaixo).

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Continuando a caminhada por esta mesma avenida – claramente área nobre da cidade – fui surpreendida por uma incrível descoberta: uma Feira de Nações Amigas do México. Por quase 2 kms de extensão, centenas de tendas de todos os países imagináveis (Sudão, Árabia Saudita, Equador, Mongólia, Chade, tudo, tudo!) traziam objetos, comidas, imagens de suas culturas. Desde as coisas estereotipadas (salsichão e cerveja na Alemanha; sushi, sakê e gatinhos da sorte no Japão; hot dog nos EUA, etc), até espetos de insetos no estande da China, por exemplo, e roupas africanas no estande do Quênia… Incrível!!!

A avenida estava entupida de transeuntes interessados em conhecer tantas culturas, provar o sorvete italiano, a cerveja tcheca, o doce de leite uruguaio, os pratos apimentados da Indonésia e, claro, tomar Guaraná e comer coxinha no estande do Brasil ♥

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Minha próxima meta era o Monumento da Revolução. Para tanto, entrei na avenida Insurgientes. Me deparei primeiro com um monumento esquisito que fazia uma sombra enorme em todo o quarteirão – Monumento a La Madre. Andei mais uns minutos e achei o que procurava: o Monumento a La Revolución.

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Dizem que tem uma vista bacana do alto dos seus 60 e poucos metros de altura. Não fui conferir. Estava com o corpo moído de andar o dia inteiro.

O Monumento à Revolução Mexicana foi inaugurado em 1938 e é um dos símbolos mais veementes do que significa construir uma cidade sobre um lago, o Texcoco. Assim como o Monumento à Independência, eles vão afundando ano após ano.

A Cidade do México foi construída sobre um lago. A pintura abaixo retrata a Cidade alguns séculos atrás (está e exposição no museu da Torre Latinoamericana). Tudo que era água foi aterrado, dando lugar à urbanização desenfreada.

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Andei mais um pouco e entrei no próximo metrô, em direção ao Zócalo.

Cheguei ao hotel exausta. Além de andar MUITO, não esqueçamos que a Cidade do México está a quase 2.500 metros de altitude, ou seja, o ar não chega aos nossos pulmões com tanta facilidade.

Tomei banho e percebi o estrago do dia (não me refiro à espinha):

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Quando te disserem para levar protetor solar às pirâmides de Teotihuacán, acredite.

Papi e yo estávamos exaustos (ele passou o dia em Puebla), e resolvemos jantar no restaurante do hotel. Eu comi quesadillas com guacamole e cerveja Corona. Quebrou o galho.

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Sexta-feira, 31 de maio –

Hotel sem café da manhã é uma droga, né? Umas 8h fui andando até uma enorme padaria que eu tinha visto no primeiro dia. Pastelaria Ideal. Só que não era bem uma padaria: era um self-service de gordices de carboidrato puro, a grande maioria doces. Croissants de chocolate, bolos, donnuts, biscoitos de manteiga, broa, tuuuuuuuuudo. Mas nada de pão, nem coisa pra beber. Comi um croissant e andei até o Zócalo.

Entrei na Catedral Metropolitana esperando ver uma missa, um coro, algo assim, mas estava muito cedo. Fui até o Palácio do Governo, mas estava tendo um protesto na frente dele e fecharam a entrada. Fiquei sem ver os murais do Diego Rivera que lá residem. Saco.

Decidi improvisar. Fui andando pela avenida Francisco Madero, que é um calçadão cheio de lojas de bacaninhas (Zara, Starbucks, Levis…), restaurantes, cafés…

Quando vi estava sob a sombra da Torre Latinoamerica, um arranha-céu de quase 200 metros que possui um mirante com vista de toda a Cidade do México.

Eu piro em mirantes, gente. Nem me importei de pagar 80 pesos. Valeu a pena, até porque o ingresso permite que você entre no prédio várias vezes no mesmo dia, e foi o que eu fiz: de manhã e de tardinha (já que a claridade da manhã ferrou com as minhas fotos). O ingresso dá direito a acessar o museu, que tem umas pinturas da transformação da Cidade do México ao que é hoje e, o mais legal, o efeito devastador de alguns dos maiores terremotos na cidade. Nos anos 80, teve um terremoto que praticamente destruiu tudo.

De lá de cima delineei meu roteiro: ir ao Palácio de Bellas Artes, depois ao Museu Mural Diego Rivera, depois à Casa da Frida, em seguida ao mercado de Coyoacán e depois à Casa do Diego.

O que realmente fiz: desencanei do Palácio de Bellas Artes momentaneamente e fui andando pela bela praça que cerca a Alameda Central até o Museu Mural Diego Rivera. O museu é o mural. O mural é o museu. São 40 pesos para entrar (se quiser tirar foto são mais uns 30 – eu tenho acesso ao google e prefiro pegar de lá).

O mural é aquele do Diego criança de mãos dadas com uma caveira, “Sueño de una tarde dominical”:

Tinha uma placa detalhando quem é cada um nesse mural. Enquanto tentava entender, um tio percebeu minha profunda admiração pelo mural e começou a puxar papo.

Arturo. Mexicano, por volta dos 50 anos.

Estudou Diego Rivera a vida inteira e achou que eu era merecedora de uma verdadeira aula sobre o muralista. Sem cobrar nada.

Esse do Museu Mural traz diversos elementos da história antiga, recente e atual do México. Tem as fogueiras da Inquisição, o colonizador e genocida Hernán Cortez, o heroi da revolução Benito Juarez, a miséria, a ostentação, o vendedor de doces, o abuso dos militares, cidadãos comuns e ela, Frida Kahlo, atrás do menino Diego Rivera.

Arturo me explicou cada detalhe do mural e me convenceu a ir com ele no Palácio de Bellas Artes conhecer “o mural mais incrível de Diego Rivera”. Quem sou eu para discutir!

O Palácio de Bellas Artes – que antes tinha passado batido, apenas tirando fotos da fachada – custa 40 pesos para entrar. Suas paredes internas são forradas de murais dos principais muralistas mexicanos: Diego Rivera, David Siqueiros (comunista que traiu Trostky – chego lá!) e Rufino Tamayo.

O tal incrível mural do Rivera que Arturo queria me mostrar era esse aqui, “El hombre en la encrucijada mirando con incertidumbre pero con esperanza y una visión alta en la elección de un curso que le guíe a un nuevo y mejor futuro”:

O mural tinha sido encomendado pelo grande empresário americano John Rockefeller. A pintura ficaria no saguão de entrada do complexo Rockefeller, em Nova York. Ao ver o mural de Diego, o empresário não gostou nada de ver o comunista Lênin retratado e mandou o artista mexicano apagar o rosto do dito-cujo.

Rivera se negou; Rockefeller pagou o que devia ao artista e destruiu seu mural. Simples assim.

O governo mexicano soube disso e convidou Diego a fazer o mesmo mural no Palácio de Bellas Artes. Diego topou e adicionou alguns detalhes, dentre eles retratado bêbado (com uma taça na mão e olhos enviesados) o empresário americano cercado de prostitutas. Tem mais! Em cima dessa cena tão americana-capitalista, foram retratadas bactérias e vírus de doenças sexualmente transmissíveis, como gonorreia. ACHO que Rivera se vingou =)

O mural retrata o capitalismo à esquerda e o comunismo à direita. O macrocosmo e o microcosmo. Guerra nuclear. Drogas. Poluição. Ciência. Teoria da Evolução. São muitos elementos. De fato, Arturo tem razão: é incrível.

Os outros murais também são bacanas.

Enfim, se estiver passando pela Cidade do México, conheça o Palácio de Bellas Artes e gaste um tempo sentado na frente desse mural fantástico.

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Fachada do Palácio de Bellas Artes

A seguir, já umas 14h (ferrou com minha programação!), peguei o metrô até Coyoacán, bem ao sul da cidade, conhecer o bairro da Frida e do Trostky (Arturo me convenceu de que o museu valia a pena).

Do metrô até a casa onde Trostky viveu e morreu foram uns bons 30 minutos andando por uma avenidona sem qualquer atrativo. Mas estamos na chuva temos de nos molhar, right?

O Museu Casa de Leon Trotsky também tem frescura com fotos; se quiser fotografar, paga mais. Eu optei por não tirar fotos, por tanto paguei 40 pesos. O ingresso dá direito à guia dentro do museu. Foi o que fiz. Em cerca de 40 minutos vi a casa toda, fotografias da família toda (o único neto, que é responsável pelo museu, tem mais de 80 anos e vive no México com sua prole, descendentes de Trostky!), sua biblioteca… Aprendi muito!

Trotsky foi um marxista e bolchevique. Um dos líderes da Revolução Russa. Desempenhou importantes funções políticas no comunismo russo. Após a morte de Lênin, Trostky e Stálin disputaram o poder na Revolução Soviética. Stálin chegou ao poder e perseguiu seu rival em 1001 países, assassinando filhos e quem estivesse pelo caminho. “Stálin jamais sossegaria enquanto Trotsky estivesse vivo”, disse o guia. Trostky se refugiou em meio mundo.

Meanwhile, Diego Rivera e Frida Kahlo, comunistas, souberam que Trotsky procurava por asilo político. Diego tinha relevância junto ao governo, e convenceu o presidente a aceitar o comunista russo e sua esposa no México.

Primeiramente, o casal ficou na casa de Frida e Diego. Só que Trotsky e Frida tiveram um lance. Sacando os córneos, a esposa do russo fez os dois se mudaram para uma casa só deles.

Trotsky continuou trabalhando pro partido.

O primeiro atentado contra sua vida foi orquestrado pelo muralista, também comunista e amigo de Frida e Diego, David Siqueiros. Só que ele contratou um bando de anta. Dezenas de pessoas invadiram a casa de Trotsky e metralharam geral. Só acertaram paredes. Ninguém se feriu.

Diante do atentado, Trotsky, temendo muito pela sua vida, blindou a casa inteira: não adiantou.

Tinha um cara contratado pelo Stálin para matar Trotsky. O desgraçado se aproximou da irmã da secretária do Trotsky, fez a coitada se apaixonar, tal e tal. Conseguiu acesso à casa de Trotsky como amigo da família. Até que um dia apunhalou Trotsky na nuca.

Trotsky não morreu imediatamente. Ainda ficou no hospital consciente por uns dias. Daí morreu.

No final do tour e da História, o acachapante túmulo com os restos mortais de Trotsky no centro do jardim de sua casa. Uma enorme tumba sombreada por uma bandeira vermelha. Na tumba, a inscrição da foice e do martelo.

Arrepiante.

Fachada do museu:

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Próxima parada: Casa Azul, casa de Frida Kahlo. Por 80 pesos (para tirar foto mais uma grana) temos acesso ao museu da Frida e ao Museu do Diego Rivera, em San Angél (não deu tempo =/). Vi a Casa Azul relativamente rápido: o quarto da Frida, o belo jardim no meio da casa com uma pirâmide; aqueles quadros transcendentais da Frida; sua máscara mortuária; a decoração fofa e bizarra da casa.

Na miúda, tirei foto do jardim:

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Coyoacán é um bairro muito fofo. Só casas de classe média, muito verde, muita calma. Me lembra uma Vila Madalena, só que sem o agito e nem a especulação imobiliária. Na época de Frida, Diego e Trotsky, era como que uma cidade do interior, um bairro industrial bem afastado do centro.

No centro do bairro tem um mercado. Nada melhor e mais autêntico para almoçar, né?

Comi dois tacos: um de champignons e um de lula. Estou viva.

Se liga no visual da barraca dos tacos. Nas travessas, os recheios:

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México, seu lindo!

O mercado vendia de TUDO: galinhas vivas, brinquedos, fantasias do Cháves, frutas, doces e, claro recuerdos. Foi lá que comprei as pouquíssimas bugigangas adquiridas na viagem.

Frida caveira ♥

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Andei até a praça principal de Coyoacán e entrei na igrejinha.

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Quando vi, eram 17h30. Em menos de meia hora o museu do Diego Rivera (de acordo com minha programação, a última parada) estaria fechado. Não daria tempo de chegar, muito menos de ver as coisas.

Diante das circunstâncias, desisti. 😦

Andei até o metrô (longe pra cacete da praça de Coyoacán) e fui até o Hidalgo: decidi subir de novo no mirante da Torre Latinoamericano. Foi uma ótima ideia!

Vista das montanhas (duas delas são vulcões!)

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No centro da foto abaixo, uma bandeirinha do México. É o Zócalo! Estonteante a imensidão da cidade. Ah, lembrando que há poucos prédios na cidade por causa dos frequentes terremotos.

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Praça da Alameda Central:

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Fazia uma tarde linda. Sexta-feira. Todo mundo na rua. E quanta gente!!

Fui andando pela calle Francisco Madero até o Zócalo.

Os artistas de rua de lá dão um banhos nos nossos, brasileiros. Olha a caracterização do soldadinho, que legal:

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(Ele escondeu o rosto com a arma porque não dei dinheiro)

Comprei um sorvete numa sorveteria chique e continuei andando até o Zócalo.

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Liiiiinda tarde!

Voltei pro hotel e fui com meu pai jantar num restaurante de frutos do mar, o Fisher’s. Restaurante todo modernoso, com cara de Lanchonete da Cidade, sabem?

Tomamos margaritas, eu de tamarindo.

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Meu prato era composto de duas entradas. Um era um mini taco com frijoles e o outro eram tacos com cheddar e peixe-espada (que estava com um gosto fortíssimo de calabreza, ainda que o restaurante só trabalhe com frutos do mar).

Enfim.

Queria muito ter ido ao show dos Mariachis na Plaza Garibaldi, mas era meio longinho e nosso voo sairia em poucas horas. Mais uma programação cancelada 😦

Sábado, 1º de junho – 

O dia dos vôos eternos: saímos da Cidade do México com o sol raiando. Fizemos conexão, lá pela hora do almoço, em San Jose, Costa Rica e, depois, uma conexão em Lima de 6h. Achamos que seria uma boa ideia ir comer um ceviche, já que estávamos em Lima e a tarde estava linda. Só que tivemos que pagar a taxa aeroportuária. Quase U$ 100 meu pai e eu.

Fomos até a zona portuária de Callau, onde tem um restaurante gracinha à beira do pacífico:

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Olha o nosso ceviche, que lindo:

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Amo taaaaaaaaaaanto ceviche, mas tanto ♥♥♥

Ceviche é feito de peixe cru marinado no molho de limão. Acompanha cebola roxa, batata doce  e milho. E pimenta e coentro.

Voltamos para o aeroporto que estava simplesmente ENTUPIDO de viajantes, em sua maioria mochileiros europeus (extremamente fedidos, diga-se de passagem).

Nosso voo saiu de Lima de noite e chegou em São Paulo ainda de madrugada. Dormi quase o tempo todo.

FIM.

Z’Oropa 2010, parte 3 – Reino Unido: Londres, Glasgow e Edimburgo

Alô você, guerreiro que tem acompanhado minhas postagens longuíssimas e nem sempre tão interessantes. Vamos continuar com o relato da minha viagem para a Europa.

De Amsterdã para Londres, tinha resolvido ir de ônibus, vocês devem estar lembrados. No fim foi uma cagada, porque o ônibus era desconfortável, sem banheiro, não podia nem beber água e as polícias de fronteira dos países nos faziam perder muito tempo.

Mas enfim cheguei a Londres, na Victoria Station, que é bem central. A missão agora seria encontrar o hotel do meu pai. Enrolei um bom tempo porque ainda estava cedíssimo, meu pai devia estar dormindo (tempo que usei para terminar de ler “O diário de Anne Frank”). Umas 9h saí arrastando minhas bagagens até achar o hotel, com um mapa na mão (sempre!). Foi tranquilo. Subi no micro quartinho dele, me dei uma rápida higienizada e saí com meu pai pra dar uma volta na cidade.

O céu estava cinza, com umas raras faixas de sol. O vento era cortante. Meu pai já esteve em Londres algumas vezes, então foi ele quem pensou o roteirinho. Fomos andando pelas ruas de Winchester e atravessamos uma ponte. Já de cara, reconheci uma fábrica lá no fundo, sinais da Inglaterra da Revolução Industrial e capa do cd Animals do Pink Floyd. Olhe a foto e compare com o cd. Falta só o porquinho voando:

Continuamos andando pelas margens do Tâmisa, até avistarmos um dos principais cartões postais do mundo:

O Big Ben e o Parlamento! Enfim!

Símbolos londrinos.

Continuamos andando. Fomos até o St. James Park e em direção ao Buckingham Palace. Chegamos lá e uma multidão se acotovelava. Acabamos chegando bem na hora da troca de guarda, super sem querer!

Depois de um tempo, resolvemos ir almoçar. Atacamos de vietnamita!
Comi, viu. E tava booooooooooom! Umas carnes de carneiro bem picantes, um macarrãozinho beeem fininho frito com legumes, chá para acompanhar. Uma beleza.

Voltamos para o hotel dele, pegamos nossas coisas e fomos para o aeroporto: rumo a Glasgow!

O vôo foi o melhor da viagem. Não estava cheio, um vôo de menos de 2h e o serviço de bordo incluia bebidas alcoólicas! Mandei um vinhozinho para aquecer.

O pouso em Glasgow foi bem bonito. O dia estava absurdamente maravilhoso e resplandecia nos morros verdes. A cidade mesmo é bem sem graça. Parece esquecida pelo tempo, sem nenhum charme, com muitos prédios e casas abandonados. Até meio suja (pros padrões europeus de até então, BEM suja).

No hotel – da rede Ibis, enfim –  um banho com B maiúsculo. Quarto gostoso, cama ótima, um banheiro só pra mim (e pro meu pai, mas ainda assim…). I was really missing that.

Fomos jantar num indiano bem bom e CARO na rua mais pop de Glasgow, uma tal de Sauchiehall.

Preciso dizer que o sotaque escocês é um caos. Não entendia lhufas do que diziam.

Ali se repetia um troço estranho que já tinha reparado na Holanda. O pessoal acha que 15ºC são 35º. Te juro, mulherada de tomara que caia curtinho, ou bermudinha e top, homens até sem camiseta bebendo cerveja na rua! E eu de casaco fechado! Tipo, não estava nenhum frio absurdo, as noites do inverno paulista chegam fácil a temperaturas inferiores a 10ºC.

Aí a gente pensa que o inverno desse povo não é de 10º positivos. É de -30ºC. Aí a gente começa a compreender o calorão e a oportunidade de usar roupas curtas.

Quando saímos do restaurante, umas 22h30, surpresa: ainda estava claro! Parecia fim de tarde, umas 5h e pouco no Brasil! Amo verão europeu, definitivamente.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até a estação de trem fazer o que eu realmente queria na Escócia. Conhecer Edimburgo, a capital. Já tinha ouvido maravilhas dos castelos de lá.

O trem, SUPER confortável e agradável, chegou lá em cerca de uma hora. Saindo da estação, um baque: QUE CIDADE MARAVILHOSA. Fui ligar a câmera para tirar uma foto do primeiro monumento que vi, bem em frente à estação de trem, e… pipipipipi – desligou. Sem pilha. Troquei a pilha. Pipipipi. Descarregada. ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! Então, é com muita dor que digo que algumas das partes mais lindas da viagem não têm foto. Mas graças a internet, posso mostrar a vocês que maravilha Edimburgo é.

Como nosso tempo era bem curto (cerca de 2h para conhecer a cidade), optamos por um city tour num desses ônibus de dois andares abertos que tem em tudo que é cidade turística do mundo. Além disso, o dia estava MARAVILHOSO, quente, ensolarado.

Se você é uma pessoa fascinada por história e Idade Média como eu, Edimburgo é um lugar essencial para se conhecer. Mal botei os pés na cidade e já tive a certeza de que preciso voltar lá e conhecê-la direito, como merece.

A cidade praticamente inteira exala a Idade Média. Quase todas as construções datam daquele periodo. E hoje em dia abrigam de tudo um pouco: escolas, faculdades, hotéis, albergues, restaurantes, museus… São tantos, mas TANTOS elementos medievais que a gente nem sabe para onde olhar. É tudo um impacto forte, de tão maravilhoso. Era o tipo de cidade medieval que eu sempre quis conhecer.

Encantada. Abismada. Eu não cabia em mim.

E lá no topo da cidade, o grande castelo, com suas muralhas, várias torres, tudo.

Imponente.

Meu pai e eu optamos por dar mais uma volta de ônibus para ver tudo de novo e com mais atenção, a descer em algum lugar onde teriamos menos de 1h para curtir.

Deu nossa hora. Voltamos para Glasgow. Almoçamos pizza hut \o/. Voltamos pro hotel, banho e rumo show do Paul Mccartney – show que motivou a viagem inteira (inclusive a minha).

O estádio onde seria era na PQP, longe pra cacete. O sol estava queimando a pele.

Entramos e fomos descobrir nossos lugares a preço de ouro. Imaginem o palco. Aí não dêem qualquer espaço entre o palco e o começo das cadeiras. Daí contem 4 fileiras. Era esse nosso lugar. Setor A, fileira D, lugares 7 e 8.  Estavamos tão perto do palco que nem dava para ver o telão –  o que foi uma pena, porque durante a espera rolaram vários recortes de memórias beeatlemaníacas – fotos deles, objetos, matérias de jornal…

Teve uma abertura de uma bandinha X, meio folk, com uma menina no vocal.

E aí começou o show do Paul.

NÃO DAVA PARA ACREDITAR A DISTÂNCIA DA GENTE E DELE! E simplesmente não tinha câmera (malditos adaptadores universais que NÃO funcionam). NÃO.TINHA.CÂMERA.

Pensei que iam tocar várias músicas da carreira solo dele, que não conheço praticamente nada. Mas não: foram 3h de show, com um repertório de algo em torno de 70% de músicas dos Beatles!

Um vídeo do show pra galera, de alguém num lugar nem tão bom como o nosso, mas…

Live and let die, uma das minhas músicas preferidas ever, também não faltou, e foi foda.

E o grand finalle? Entrou uma banda escocesa completa, com gaita de fole e tudo! (Vá direto para o 1min40 do vídeo.)

Foi foda. Um PUTA show. Fiquei encantada com o baterista, um puta negão grandão, que toca seu instrumento com uma paixão arrepiante, coisa bem rara de se ver por aí.  Tocaram várias músicas que eu adoro, algumas que nem gosto tanto… Mas a qualidade do show foi indiscutível.

Pra ir embora do estádio, pensamos que ia ser um périplo. Foi nada! Quase em frente ao estádio, ponto final de uma linha de ônibus que ia pro centro. A fila era enorme, mas em menos de 10 minutos já estavamos no ônibus, sentados. Eles não lotam ônibus urbanos por lá. Sério. Lotavam os lugares sentados, não deixavam mais ninguém entrar.

Pegamos um kebak para viagem e fomos para o hotel. Minha última noite numa cama boa 😦

No hotel, um lance bizarro – obrigada, Murphy. Te devo uma (not).

Meu pai ficou no bar do hotel pra comprar um vinho ou algo para levar pro quarto. Eu já fui subindo. No elevador, um cara com seus 20 e muitos. Bem simpático. Cara de alemão ou algo assim. Perguntou meu andar. third. O dele tb. Fomos andando no corredor. Ambos estavamos beeem no finzão do corredor, com diferença de 1 quarto apenas.

Entrei no meu quarto e já estava com a calça do pijama na mão quando batem na porta. Jurando que era meu pai, berrei: “PÉRAEEEEEEEEEE”. hahaha

Abri. Era o cara do elevador.

“Hello. I was wondering… I don’t know if you’d like a company, but… Would you like to drink some tea in my room with me?” (Oi… Estava me perguntando… Não sei se você quer companhia, mas… Você gostaria de tomar um chá no meu quarto, comigo?)

Hahahahaha. Primeiro: CHÁ. Em que tipo de país orientam os moços a convidar as moças para uma xícara de chá? No meu país, cerveja funciona melhor. hahha
Mais foi fofo.

Segundo ponto: porquê, meu deus. Fiquei QUINZE dias na Europa, apenas 2 com o meu pai. Por quê me aparece um cara fofo me convidando para tomar chá BEM quando estou com o meu pai?

Claro que declinei o convite. Primeiro pela surpresa que me fez agir como uma imbecil de 14 anos que foi “pedida para ficar” (meu deus, tô idosa). Gaguejei um pouco enquanto falava:

Oh, thanks, but I can’t. I’m with my father, he’s downstairs. But he will be back soon. I’m sorry. Good night!” (Obrigada, mas não posso. Estou com meu pai. Ele está lá embaixo, mas volta jajá. Desculpe. Boa noite!)

Explico: não tenho absolutamente nenhum diálogo com o meu pai. Mesmo se fosse uma situação normal. Mas como explicaria para ele que vou no quarto de um cara que acabei de conhecer no elevador para tomar chá?
Fora de questão.

Mas te juro que se tivesse sozinha, não pensava duas vezes.

Comi um pouco do kebab e dormi frustrada. Murphy desgraçado.

Na manhã seguinte, comi um puta dum café da manhã reforçado, tomei um banho e fui pra estação de trem, para voltar à Londres, onde passaria 5 dias enfim só.

Meu pai saiu do hotel junto, mas foi para o aeroporto. Pegou um vôo para Londres e de lá, para o Brasil.

A passagem de trem para Londres era absurdamente cara. O moço do guinchê explicou que tinha que comprar antecipado. Mas eu não tinha muita opção. Avião seria mais caro ainda e nem tava afim de passar mais 10h dentro de um ônibus. Encarei o preço de £ 117 (mais de R$ 300, ó deus) e embarquei no trem.

Umas 4h depois, estava em Londres. Trem rápido (embora não  fosse trem bala) é uma beleza.

Por hora, é isso.
Depois continuo com a última parte do meu relato: Londres all by myself.

Oi, eu não acredito em Deus.

Eu tinha uns 9 anos e estava me inscrevendo para sei lá o quê. Tinha que preencher “qual é a sua religião”. Nunca tinha parado para pensar nisso. Eu era acostumada à idéia do catolicismo, mas tinha 9 anos, não me importava com religião. Escrevi no papel “católica não-praticante”.

No Natal do mesmo ano, estava passando uma missa do Papa João Paulo II na TV. Eu perguntei ao meu pai de que religião ele era. E qual era a minha. E ele me explicou que não acreditava em Deus. Que foi batizado, fez comunhão e tudo, mas não acreditava em nada. Já eu, poderia ser o que eu quisesse. E me explicou um pouquinho sobre catolicismo, budismo, judaísmo e islamismo.

Então percebi que eu não acreditava em nada daquilo e que sou atéia desde que parei para raciocinar a respeito.  Não acredito em Deus, nem em qualquer força sobrenatural. Sou materialista.

Em filosofia, materialismo é o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações materiais; que a matéria é a única substância.
By Wikipedia.

Às vezes, senti falta de alguma parte espiritual em mim. Já tentei buscar alguma experiência religiosa… Primeiro com o catolicismo. Não dá pra fugir da tradição dos casamentos em igreja, das missas de 7º dia, dos batizados, no país com mais católicos no mundo. Além disso, uma grande amiga é evangélica fervorosa, filha de pastores e tudo (beijo, Thá!). Já a acompanhei a cultos, já deixei que orasse por mim, já acompanhei históricas bíblicas e os ensinamentos que ela repete com prazer o tempo todo. Até já fui numa cerimônia de candomblé, na Bahia, com os Orixás e aquela coisa toda: o povo que tava comigo falou que o culto tinha uma energia pesada. Me explica física quântica, mas não me pede para definir energia e áura. BÓIO.

Mas não adiantou.

Para mim, acompanhar essas coisas religiosas é uma experiência meramente sociológica. Acho incrível ver como os envangélicos sucumbem nos cultos, como aquilo tudo mexe com eles e os fazem acreditar com tamanho fervor que nada mais no mundo importa, além de Deus. Acho incrível aquela linguagem e entonação com toques de psicologia e marketing. É difícil se manter racional, quando o pastor te oferece mundos e fundos. Basta acreditar no Deus dele.

Acho a história do catolicismo facinante. Não que eu GOSTE da idéia de massacrar povos que não acreditam no deus único e onipotente deles, mas é tanta riqueza… Igrejas de arquiteturas majestosas, obras de arte, tudo. É incrível.

Adoro religiões, adoro histórias. Não sou contra a religião; é o modo como o homem consegue respostas às suas perguntas fundamentais: quem sou, da onde vim, para onde vou. A minha resposta é: somos uma fusão de coincidências universais. Eu não era nada, e quando morrer, voltarei a ser nada. Pronto.

Há quem diga que eu não acredito em Deus porque nunca precisei. Talvez. Mas quando minha mãe estava enfartada na UTI, com toda a minha família desacreditando, eu tinha certeza que ela não iria morrer. Mas não era fé em Deus. Era fé na medicina. Era fé na sabedoria científica do ser humano.

Não posso afirmar que serei atéia para sempre. Estou aberta a novas experiências, e pretendo um dia saber o que é esse lance de energia. Sou tão limitada quanto a esse lance espiritual… Mas não me sinto nada tentada a apostar numa vida pós-morte duvidosa. Prefiro aproveitar tudo por aqui, mesmo. É mais garantido, sabe.

* Topo experimentar religiões. Me chamem para cultos budistas, hindus, espíritas, daime e o que for. Acho o máximo. E quem sabe eu não me descubra.