Z’Oropa 2010, parte 1 – Lisboa e chegada a Amsterdã

I’m back! Para o Brasil e para o blog, assim espero. Ando sem assunto para escrever no Corporativismo Feminino e sem motivação para escrever no Anamyself.

Bom, perdoem-me pela completa falta de objetividade. Não sei ser suscinta.

Então. Como muitos dos amigos reais e virtuais sabem, fui para a Europa. Uma viagem meio doida, mal programada e com mil modificações no roteiro original, pensado pelo meu pai enquanto eu ainda trabalhava e nem imaginava ser demitida.

Tudo começou quando meu pai decidiu fazer uma grande loucura, segundo ele mesmo definiu: ir ao show do Paul McCartney, seu grande ídolo, em GLASGOW, Escócia. Já que o Paul não vem pro Brasil… Né. Por quê Glasgow? Pela oportunidade de conhecer um lugar diferente.

Amo Beatles, mas não conheço quase nada da carreira solo do Paul. Mesmo assim, meu pai me convidou para acompanhá-lo, já que minha mãe não tem mais pique nem faz questão dessas coisas.

A questão é que meu pai é louco por viagens e desde criança é doente por aviação – mais do que pela viagem e pela parte terrestre em si. E então inventou de ir via Istambul, Turquia. De lá para Londres, só para pegar o avião para Glasgow, onde passariamos 2 dias. Daí voltariamos para Londres, onde ele pegaria o vôo direto pra SP e eu ficaria 5 dias, indo embora via Istambul novamente (e perdendo um dia inteirinho num pula-pula aéreo).

Acontece que deu um rolo com o lance da Turquia. Meu pai começou a mexer nos vôos e acabou que eu iria para Lisboa fazer conexão para Amsterdã, onde passaria 2 dias. De Amsterdã eu iria para Londres  (nesse trajeto eu me viraria) encontrar meu pai e zarpar para a Escócia, onde veriamos o show do Paul. Daí eu voltaria para Londres e o vôo na volta seria via Alemanha (sabe deus pq.), mas sem tempo para conhecer a cidade de Frankfurt. E assim foi.

15 de junho, dia e hora da estréia do Brasil na Copa. Ida para o aeroporto. Trânsito do cão elevado à milésima potência. Demora, filas, vôo lotado e apertado. No avião, bobó de camarão como uma das opções de jantar! Gostei, por mais sem graça que fosse. E tava passando “Alice no País das Maravilhas”, então aproveitei para assistir de novo. Pelo menos uns trechos. 10h de vôo…

16 de junho. Chegada a Lisboa. Durante as 6h de intervalo entre as conexões, fui pesquisar o que poderia fazer na cidade para passar o tempo. Daí conheci um casal jovem de Brasília, que tava no mesmo dilema que eu. A guia de informações nos orientou a pegar um ônibus e ir para o centro. € 3,50 só, ida e volta! E deu tempo de conhecer alguns pontos turísticos, como a Praça do Commercio, as margens do Tejo e o Castelo de São Jorge.

Vista do Castelo de São Jorge. Rio Tejo e Ponte 28 de abril ao fundo.

O centro de Lisboa está cheio de ruelas como essa. Apertadinhas, antigas e charmosas, todas com restaurantes e cafés.

Que surpresa magnífica que foi Lisboa. Juro que não esperava. O dia estava absurdamente lindo, e fiquei impressionada com as paisagens e com a limpeza da cidade. Sem dúvida, a cidade mais limpa que conheci na Europa. Vale a pena voltar.

No aeroporto, ainda demorou a conexão para Amsterdã. Mas enfim foi. Umas 2h depois, estava pousando na Holanda, depois de sobrevoar os campos verdes da primavera européia, os moinhos de vento e os muitos canais.

No aeroporto E-N-O-R-M-E, problemas. Não tinha controle de passaporte, porque já tinha entrado na zona européia por Portugal. Mas no controle de bagagem, o policial federal holandês me perguntou da onde eu tava vindo. Respondi. Então ele perguntou meu país natal. Quando falei Brasil, ele nem pestanejou. Já me mandou prum canto, começou a fazer perguntas e abrir minha bagagem.

Olha, antes de continuar, queria exprimir TODO O ÓDIO DO MUNDO aos imigrantes ilegais brasileiros que queimam nosso filme no exterior e fodem com as viagens alheias.

Daí que o policial NÃO se convencia que eu estava limpa e simplesmente viajando. Brasileira, jovem, sozinha na Europa. Não tinha roupa de prostituta na minha bagagem, não tinha N-A-D-A de errado com nada. Então, achou que eu estivesse COM DROGAS NO CORPO. Sabe? Já assistiram “Maria Cheia de Graça”? Então. Naquele esquema.

Ele disse que eu ficaria retida no aeroporto por três dias para fazer exames (fezes, urina, raio x e o caralho a 4) para ver se eu tava limpa mesmo.

A essa altura, eu já estava desesperada, chorando horrores e morrendo de vontade de mandar ele tomar no olho do cu dele, mas meu inglês felizmente não vai tão longe assim para xingá-lo do modo que eu queria. Melhor. O foda é compreender o porquê disso… BRASILEIRA, JOVEM, SOZINHA NA EUROPA. Claro que coisa boa não era. Ai, QUE ÓDIO dos imigrantes ilegais e das mulas. Sério.

Eis que surgiu outro policial. Na hora, sentiu que eu tava falando a verdade. Foi super gentil e ainda perguntou se eu gostaria que ele desse um chute na bunda do outro policial, que estava desconfiado de mim. Me ajudou a arrumar minhas coisas, me explicou a melhor maneira de chegar ao meu albergue e me desejou boa viagem.

UFA. Demorei uma boa meia hora ainda para me recompor. Tava tremendo.

SORTE que 3/4 dos holandeses falam inglês com perfeição. Só me imagino chegando, sei lá, no Cazaquistão, e enfrentando um problema desses sem nem saber falar “I’m clean” na língua local. E tudo que aprendi de holandês foi que DANK é obrigado.

Ok, o resto continuo depois. Esse post vai ser dividido em algumas centenas de partes.

Anúncios