Profissionalmente falando

Sempre reclamei dos meus trabalhos. Vocês tão ligados, né? Reclamava do salário, dos plantões de fim de semana, dos coleguinhas babacas e burros, dos chefes loucos ou estúpidos, da rotina em si. Já reclamei de tudo, e juro que não era a toa.

Inclusive tentei novos caminhos. Fiz alguns meses de cursinho, para ver se meu problema com biologia era professores que não me inspiravam no Ensino Médio. De fato, professores que tem didática e são legais fazem toda a diferença na escola, o que não foi o meu caso nessa disciplina especificamente. Só que no fim das contas eu continuei achando biologia meio chato.

Tentei geografia, cheguei a fazer um ano e meio de graduação desse curso na USP. Não rolou também.

E assim fui pulando de trabalho em trabalho; alguns melhores, outros ruins mas com pontos positivos, outros apenas insuportáveis.

Estou no mercado de trabalho há 8 anos, e já trabalhei em 8 lugares diferentes. Já estive desempregada por 7 meses, também já emendei 2 anos de trabalhos diferentes sem férias. Já trabalhei 8h seguidas com postagens no Orkut, já trabalhei com simpósio de saúde, já trabalhei em eleições, já trabalhei em órgão público, já lidei com o mercado de celulose, já escrevi sobre música erudita, já trabalhei 3 meses seguidos sem fim de semana, já falei inglês e traduzi entrevistas no trabalho, conheci famosos, inaugurei resort, fiz amigos para toda a vida, me diverti muito, odiei muito, chorei muito.

Tanta enrolação para dizer o seguinte: nunca estive tão satisfeita, profissionalmente, como estou agora.

Meu trabalho atual é o que mais chega perto do que sempre quis: não tem pentelhação nenhuma, não dependo de ninguém – é um trabalho totalmente individual, em 6 meses nunca precisei telefonar para ninguém, não há plantões de fim de semana em hipótese alguma e, a cereja do bolo: é um salário excelente, para o mundo da Comunicação.

Não é bem um salário, afinal de contas recebo por publicação. Isso é ruim porque muda muito o valor, tem meses fracos e meses lindos. Sou PJ, não tenho direito a nada. Mas no jornalismo 70% das pessoas tão assim, e ganhando muito menos do que eu (eu tava ganhando meros R$ 2 mil PJ ano passado, para terem uma ideia de que a chapa é quente e o bagulho é louco).

Meu trabalho é o seguinte: eu produzo jornais para empreendimentos imobiliários. Por exemplo, lançaram um empreendimento em Perdizes. Encomendam o jornal, que vai falar bem do bairro, dar dicas culturais e tal, e daí rola uma publicidade do empreendimento. Tipo isso. A distribuição é gratuita, em diversos semáforos pela cidade. As tiragens variam entre 10 e 100 mil exemplares.

No começo eu achava do mal isso, mas o jornalismo inteiro é assim: totalmente dependente da publicidade. Daí recebo por cada um que produzo. E eu faço praticamente tudo: o esqueleto da diagramação, escolha das fotos, textos. Só não finalizo e não subo para a gráfica.

Tô satisfeita.

Não tenho amigos aqui, mas também não chega a ser um ambiente hostil. Mas não tem problema, de verdade.

Às vezes rola de trabalhar das 10h até às 22h. Às vezes saio às 17h. Não consigo prever meus horários, isso é meio chato. Mas só de saber que NENHUM fim de semana estará comprometido, nem reclamo.

Achei meu lugar, gente. Espero ficar por aqui um bom tempo.

2011: Vida nova, trabalho novo

Gente. Faz décadas que eu não posto, eu sei. Simplesmente não estava rolando.

Sei nem por onde começar. Tanta coisa.

A maioria boa.

Vejamos.

Vou falar nesse post só sobre o âmbito profissional. Se não vai ficar grande demais.

Eu realmente quase gostava do meu trabalho, a assessoria de imprensa (CSK) do hotel (Grand Palladium Imbassaí). Tava me sentindo bem trabalhando com turismo, um troço que eu curto muito. Também me apeguei demais às meninas que trabalhavam comigo. A Natália e a Camila. (beijo! Miss u2!)

Daí que entre os dias 4 e 7 de novembro aconteceu a festa de inauguração do resort, que foi em grande parte organizada por mim.  Convidei jornalistas, celebridades (sem cachê – só teve celebridade D, mas enfim), até agentes de turismo. Organizei quartos, organizei vôos. Treta, minha gente.

Depois de meses de correria e stress, rolou.  Não sem antes uma onda de stress me fazer chorar uma semana inteira.

Mas rolou.

O hotel estava hiper lotado, confuso e tive que dormir num condomínio nas proximidades do resort. Mas, tirando isso tudo, foi FODA. A experiência profissional mais foda da minha vida, com certeza. Curti tanto que pensei (e ainda penso) em fazer algo na área de eventos.

Ó que lindo o hotel, nessa foto, feita pelo assessor do secretário de Turismo da Bahia (que esteve presente!). Chique. Outras fotos bem bacanas e uma matéria de uma jornalista fofa que estava na inauguração aqui.

A sensação de poder que me acometia quando 10 pessoas me rodeavam para perguntar cada uma delas uma coisa era inenarrável. E os jornalistas/celebridades me aplaudindo no jantar em que reunimos toda a galera? Quase chorei. Juro.

Era uma correria insana. O top foi o segundo dia, que teve jornalistas correndo atrás de mim o dia todo e show da Margareth Menezes a noite. Trabalhei das 8h às 4h ININTERRUPTAMENTE. Não almocei, é claro. O jantar foi com jornalistas, então nem rolou relaxar muito – o que não significa que eu não aproveitasse cada respiro para beber alguma coisa alcoólica (não é toda hora que a gente acompanha um evento ALL INCLUSIVE, néam).

Nessas, eu e a Natália, do meu trampo e que foi pra inauguração ajudar (e foi essencial!), demos uma grudada. Pegada bem parecida a nossa. Idéias e revoltas. All the same.

Resumindo: experiência foda.

Depois disso, o trampo ficou um marasmo e começou a parte de assessoria de imprensa propriamente dita. Meu trabalho decaiu de qualidade, até porque comecei a notar que aquela pegada não era a minha. Achava simplesmente o fim aquele serviço que mais parecia (ou deveria parecer) telemarketing. Divulgar notícias sem qualquer relevância… Puta que pariu. Ficava louca.

Ainda mais, meus chefes estavam se separando. Meu trampo era uma empresa familiar, com os cônjuges sócios. Daí que a mulher estava fazendo 40 anos e surtando. O homem a traiu. E começou a merda. Ela chorando e passando dias sem entrar em contato com as funcionárias. Ele fingindo que não era com ele.

Depois da inauguração do hotel, ele não apareceu mais. E ela começou a batalha judicial pelo divórcio. Até aí beleza. O problema é que ela não sabia separar pessoal do profissional. Falava para seus 700 e poucos amigos do facebook (inclui-se aí clientes e jornalistas) que o marido a deixou com um rombo de R$ 60 mil, e que a tinha traído. Isso deixava a nós, funcionárias, simplesmente pasmas. Era um misto de dó, raiva e indignação.

Mas ainda é pior.

Ela chegou ao ponto de mandar e-mail para mim e para a outra assessora pedindo uma carta registrada nossa favorável a ela, no processo de divórcio.

JURO.

Depois meus pais dizem que reclamo de barriga cheia… Tsc, tsc, tsc.

Com isso tudo, não é surpresa que no fim do ano um dos clientes cancelou a conta. A coisa tava ficando feia e começamos todas a mandar CVs e ir a entrevistas, já que o futuro lá era turvo.
Depois do cliente sair, ela me chamou dizendo que se não rolasse outro cliente teria que me dispensar.

Nesse meio tempo, fui em algumas entrevistas e recomecei um contato com a secretária de comunicação de Osasco, que já havia me oferecido um trampo anteriormente, mas que eu recusei para ficar no trampo que ocupei entre junho de 2009 e maio de 2010, aquele infernal NADA IDEAL. Só porque era do lado de casa e a preguiça falou mais alto.

Daí que indiquei uma amigona para o cargo em Osasco, a Lu, brother da PUC. Ela entrou, ficou mais de 1 ano e amava a rotina. Me escrevia às vezes dizendo que curtia muito aquilo. Me dava um orgulhinho de a ter indicado. E vontade de também fazer parte.

Recentemente, soube que ela foi para Londres. Aí a comunicação de Osasco me chamou e…

Well. Here we are. Comecei hoje.

Reclamando do trabalho

carteira_trabalhoSeguinte: me formei em jornalismo sem gostar do ofício básico da profissão. Já falei sobre isso uns posts atrás, mas é importante repetir, pro povo não vir falando: “Se não gostava, por que não fez outra coisa?”. A resposta é: porque nada me atraia mais do que a oportunidade de ganhar dinheiro escrevendo. Mesmo que fossem textos idiotas e sem sentido para a minha vida.

A parte boa é que nunca trabalhei com jornalismo de verdade. Sempre estive mais ligada à publicidade.

De qualquer maneira, não posso reclamar tanto. Estou há três meses em uma agência de RP, e escrevo textos sobre vinhos para uma publicação de uma importadora de vinhos famosona. São 30 mil exemplares distribuídos por todo o Brasil. É uma boa cifra, vai.Fico orgulhosa de ver o meu nome lá, e é interessante ver a revista nascer.

Além dos textos sobre vinhos – é chique saber sobre Pinot Noirs, Chardonnay, Sauvignon Blanc e outros tipos de uva, mesmo que meu salário não comporte mais do que um Sangue de Boi – escrevo para a publicação de uma multinacional. E aí é BORING. Eu quero MORRER quando ouço falar dessa publicação. Primeiro porque ela lida diretamente com jornalismo: tenho que correr atrás de contatos, tenho que LIGAR pras pessoas (eu odeio com todas as minhas forças o telefone), tenho que fazer entrevistas – oi, quero uma profissão que lide com o menor número de pessoas possível!, escrever texto com formato pré-determinado e escrever coisas BORING tipo a história de uma marca de papel, ou sobre os projetos ambientais da tal companhia. É um saco. UM SACO.

Em junho eu vim trabalhar aqui para que, em julho, substituísse a pessoa originalmente encarregada desses dois projetos – a revista de vinho e a publicação da multinacional. Uma semana depois de eu começar, uma entrevista que eu tinha feito em abril deu certo e me chamaram pra trabalhar na prefeitura de uma cidade aqui de São Paulo. Contratada, com benefícios e tudo. E o lance que eu tava era temporário, mas era a 4 quarteirões de casa. Conversei aqui e eles toparam me contrar em setembro. O trampo na prefeitura seria bacana, mas muito JORNALISTA pro meu gosto. Não dou pra isso, definitivamente. A não ser que seja para escrever colunas e crônicas. Aí belezera.

Então a pessoa das publicações entrou de férias e eu assumi. Ocilei períodos de trabalho fatigante (uns dias sai daqui 22h, 22h30.) e alguns bem tranquilos. Mas nada absurdo, nada em fins de semana… Um trabalho ok para uma pessoa.

Agora essa pessoa voltou.

E nós dividimos o trabalho que era originalmente realizado por uma pessoa só. OU SEJA: estou vagabundeando 90% do tempo.

Não que eu não goste de coçar e ganhar dinheiro pra postar em blogs, twitter e afins para motivos pessoais, mas além de me sentir uma inútil, fico com medo de me ferrar aqui.

Eles se comprometeram a me contratar em setembro, mas como, se estou SOBRANDO?

Sim, vou conversar com meus chefes provavelmente semana que vem. Mas e se me demitirem? Aí fodeu.

A verdade é que eu não gosto de trabalhar. Acho que nunca vou gostar.  O único trabalho que eu amaria ter está MEIO fora de cogitação: ser uma Paulo Coelho da vida (sem textos tão imbecis, diga-se de passagem), ou seja, ganhar dinheiro para escrever um livro a cada dois anos. É, eu quero ser escritora. Comofas?

Porque, olha. Não sirvo pra essa rotina de trabalho. Malz aê, ditado popular (ou é de alguém essa frase?) “o trabalho enaltece o homem”, mas isso não se aplica a mim.

Sabe do que eu morro de saudade? De acordar às 6h da manhã pulandinho e felizaça, porque estava indo pra escola encontrar OS MEUS e com a consciência de que aquele tempo ia durar pouquíssimo. Dava TUDO para ficar eternamente entre os 15 e 20 anos (colégio e faculdade, no máximo).

Não me conformo com a idéia de ter virado adulta. De trabalhar.

Assinado: Peter Pan wannabe.

Escrever e falar

Acho que eu escrevo bem. É a única coisa no mundo que eu acho que faço certo. Mas isso não significa que eu possa escrever artigos científicos. E nem matérias jornalístas. A idéia de sair entrevistando gente e transformar isso em uma matéria BORING sobre, sei lá, meio ambiente, é absurdamente brochante. Mas escrever pra blog, descompromissadamente, é o maior tesão. Talvez por isso eu me alivie escrevendo em 500 lugares diferentes. E agora também no Corporativismo Feminino.

Falando nisso, escrevi esse post para lá e foi bacana. Fui linkada no Gordonerd, teve um montão de comentário e… uma senhora discussão. Começou a chover gente criticando o que eu tinha escrito. Povo que acha que eu quero destruir o mundo publicitário, revolucionar as campanhas, queimar sutiãs e coisas do gênero. Aff.

Depois eu que sou exagerada.

Mas tudo bem: respondi a cada um dos comentários me criticando numa boa (aproveitando uma semana de relativo ócio no trabalho). Argumentação legal, sem baixar o nível, sabe.

E aí parei MAIS UMA VEZ para pensar: eu não sei me comunicar oralmente. Se eu tivesse falado sobre esse post pra alguém e esse alguém começasse a me criticar, eu nem ousaria tentar defender o post. Não sei argumentar oralmente, não consigo organizar as idéias. Me expresso infinitamente melhor escrevendo.

Isso é muito bizarro?