Eu quero praia

Já tive muito orgulho e paixão por essa cidade. O tamanho e o potencial de São Paulo sempre me encantaram, ainda hoje. Mas alguma coisa mudou.

Antes, quando eu viajava, voltar para São Paulo era prazeroso. Pousar em Congonhas era o máximo: ir reconhecendo os pontos de São Paulo e a imensidão da cidade: não tinha fim.

Para quem não sabe, São Paulo é a 5ª maior metrópole do mundo. São 11 milhões de habitantes. É coisa pra cacete.

Mas chega uma hora em que o amor se esvai, como tudo mais na vida.

Sexta foi feriado, e eu fui para Fortaleza, Ceará. Até porque eu tinha direito a passagens de graça e elas expirariam no final de novembro.

A família do meu avô paterno era toda do Ceará, aquela terra de sol, calor, gente simpática, solícita e paciente. A brisa do mar. É uma vida tão boa que simplesmente não cabe em palavras. O Nordeste se libertando de ACMs e coronelismos do gênero. Dá um orgulho! Rola um patriotismo intenso quando vou para o nordeste. Dá orgulho da cultura, do litoral maravilhoso que esse país tem, da alegria e solidariedade do povo.

Não que o povo paulista seja tudo filho-da-puta, mas tente puxar papo com alguém no busão lotado às 18h. A garantia de receber um olhar desagradável e a frieza monossilábica é de 99 em 100.

Quando passei um mês em Salvador (Bahia) em 2007, voltava da praia esmagada no busão lotado de gente voltando do trabalho. Não sei se o principal fator de não rolar stress é porque, ao contrário da Marginal Tietê e da poluição, os olhos baianos cansados do trabalho captam o mar. Só sei que era todo mundo animado. Estranhos começavam a bater papo com estranhos. Um começava a cantar, outro contava piada. E não por dinheiro, como é em São Paulo. Faziam isso por não ter o que fazer, mesmo.

E aí chego em São Paulo: céu cinzento e abafado, cheiro de Marginal Tietê, gente se xingando no trânsito em pleno domingão. Em São Paulo, reina esse individualismo/egoísmo doentio. Trabalha-se muito por aqui. É fato que em São Paulo a gente encontra tudo o que  quiser, quando quiser. Cinema, gastronomia de qualquer lugar do mundo, boteco vagabundo, balada de R$ 500, bar punk, balada de funk, samba, rock, axé, gospel. O que você quiser, tem aqui.

Mas e se eu quiser mais calor humano? E se eu quiser acordar e fazer uma caminhada a beira-mar?

Daí, decidi.

Meta de médio/longo prazo: me mudar para uma capital com praia. Cidade grande, sim. Mas chega de morar longe do mar.

Meu lance com a água é de uma amor imenso. Mergulho na água salgada e me dá uma paz de espírito, uma sensação de que pertenço àquilo. É isso que quero para o futuro: morar na praia.

Ah, hoje é sexta-feira

Não, eu sei que hoje é quinta, na verdade. Mas para mim é sexta, já que amanhã vou faltar no trabalho e ir para uma das minhas praias preferidas no Brasil.

PICINGUABA (o dia tava feião na foto abaixo, desconsiderem esse fator)

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Fica a 7Km da divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro. É um vilarejo de pescadores com apenas 400 moradores que, quando chega a temporada, alugam suas casas pros turistas, uma vez que É PROIBIDO PELA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL A CONSTRUÇÃO DE QUALQUER COISA POR LÁ.

Ou seja: perfeito. Não entra gente demais nem sujeira de farofeiro </preconceito>, mas não rola esnobismo novo rico, só rola natureza, escadarias (as casinhas ficam todas no morro, nem carro chega) e borrachudos mil.

O mar é plácido. Daqueles em que você entra e pode ficar pra sempre boiando, sem medo de correntezas. E é limpo. Com peixes e tudo. E quando faz sol, o pôr-do-sol é de outro mundo.

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Várias lembranças boas de Picin, minha Picin, nossa Picin.

Vou amanhã (falto no trabalho, como já disse) e volto segunda. Melhor jeito de passar o feriado NO HAY.

Recomendo.