♪Ela só pensa em beijar / beijar / beijar / beijar♪

♪Ela só pensa em beijar / beijar / beijar / beijar♪

Ressuscito um funk (limpinho) antigo para iniciar esse post que é um completo e inesperado novo eu.

Uma mulher desprendida, segura, que se sente bem. Que sabe que está acima do peso, mas nem tanto assim, e sabe que esbanja charme apesar dos pesares.

Tô me sentindo gostosa. Todo dia me olho no espelho e mesmo enxergando enormes defeitos, pança, estrias, celulite, tudo, tudo, lembro que ando fazendo sucesso em nichos que eu jamais imaginei e daí só fica a ideia: TÔ GOSTOSA. TÔ ARRASANDO. E que puta sensação boa, cara!

Não sei bem o que aconteceu que agora estou fazendo o maior sucesso nas mais variadas rodas. Sempre me lamentei de nenhum amigo meu querer nada comigo… Bem, isso mudou. Acho, inclusive, que não há um círculo social meu que não tenha sido explorado… NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS, galére.

Acho que tô ficando narcisista. Tenho medo de não saber quando parar…

Até 2 anos atrás eu não pegava ninguém, ninguém me olhava (com raras exceções – até hoje inexplicadas, atribuo à apostas). Eu pesava 95 kg. Minha pele era toda cagada. Eu usava camiseta GG preta de banda de rock. Carros buzinavam para mim berrando EMAGRECE, SUA GORDA. Juro. Estranhos faziam bullying comigo. E não era impressão minha, viu.

Só quem passou por uma transformação corporal e mental – sem qualquer ajuda externa, nada de remédios, terapia, nada – sabe o que isso significa.

Hoje estranhos me olham enquanto me aproximo, no momento que passo e depois ainda olham para trás. Tenho chamado atenção. Em vez de achar porco, machista e os caralhos, me sinto lisonjeada. Como se sentiria alguém que NUNCA teve isso na vida.

Me julguem, não tô nem aí. Tô curtindo fazer sucesso. Tô curtindo passar o rodo.

Aprendi a provocar. Aprendi a ser notada. Aprendi a me destacar – e tem dado muito certo.

Tô com uma sensação de que o mundo é o limite, e, claro, isso faz com que eu me sinta bem pra caralho. Meio como se agora eu estivesse descobrindo as possibilidades da vida…

Sei que esse outono tá me proporcionando cada coisa incrível… Estou consumindo sonhos de consumo.  Estou enfim percebendo que, sim, eu posso escolher. Sempre escolhi a calça que me servia, não o modelo que eu gostava. Sempre beijava o cara que vinha pra cima de mim, não o que eu gostaria. ISSO MUDOU. Hoje vejo o modelo de calça que gosto, experimento (manequim 42!) e compro. Mesma coisa com homem.

Ainda estou trabalhando para melhorar a seletividade. Até muuuuito recentemente meu lema era “foda-se, não tem nada melhor para fazer”. Mas descobri a duras penas que, sim, no fim das contas, muitas vezes há coisas BEM melhores para fazer.

É muito complexo explicar o funcionamento de uma mente que recém-descobriu a autoestima…

Sempre pensei lá no fundo que se eu perdesse aquela oportunidade, ficaria muuuuito tempo sem. Já era raro, eu sendo seletiva então… Entendem?

Não. Desculpa. Você tem que ter uma autoestima FODIDA para entender o meu pensamento. E poucas pessoas souberam se colocar tão pra baixo como eu…

Enfim, esse, mais do que qualquer outro post até hoje, é um post para mim. Para externalizar tudo de bom dentro de mim. E foda-se inveja, olho gordo, julgamentos. Não tô me importando com nada disso, porque estou feliz, estou satisfeita.

Metamorfose ambulante (título clichê, oi?)

Passei metade da adolescência xingando pessoas ecléticas, mas. Hm.
Reflitamos:

Enquanto criança, ouvia o que meus pais ouviam: Beatles, Eric Clapton, James Taylor, MPB. E Xuxas da vida, porque eu era criança, né! As roupas? Qualquer coisa. Ou pelada. Como eu adorava ficar pelada por aí.

Aos 11, 12 anos, comecei a gostar de Lulu Santos e Rita Lee.
A convivência com o Chris me aproximou ainda mais do Pop-Rock nacional. Paralamas, Mutantes, Titãs, Skank. Roupas: uniforme. Passava o dia com o uniforme da escola, ou calça jeans e camiseta.
Uns 2 anos mais tarde, a gente entrou numa vibe CLUBBER, sem a parte de música eletrônica, que eu sempre odiei do fundo da alma. As roupas laranjas com escritas em rosa choque eram para festas e para usar no shopping (ugh, como eu era escrota, meu deus!). Ai Ai.

Adolescente = ROCK. Começou com Raimundos, e descambou para uma coisa mais pesada e internacionalizada: System of a Down, Korn, Limp Bizkit, Linkin Park, Metallica, Green Day, Offspring, Ozzy Osbourne, etc… A roupa sempre preta. Camisetas largonas de banda, blusa mesmo no maior calor, aversão a sol.

Uns 20 anos = voltei ao MPB. Comecei a andar com vários grupos de pessoas diferentes, entre eles um muito ligado à MPB (oi, prima?). Percebi que ESSA era a minha vibe. Nada melhor do que um sambinha de raiz. Chico Buarque. Elis. Paulinho da Viola. Gilberto Gil. E quando vi, já gostava até de Luiz Gonzaga. As roupas? Mudaram drasticamente. Vestidinhos floridos e curtos, sempre bronzeada, sandálias rasteiras e havaianas…

Pensando bem, tuuudo o que citei continuo ouvindo. Os gostos não foram se anulando, foram se somando.

Oi, eclética, eu? Imagiiiiiiiiiiiiiiina!