Z’Oropa 2010, parte 4 (final) – Londres

Olá, meu povo bonito!

Antes de mais nada, queria agradecer os comentários fofos do povo aqui, no twitter, no facebook… Não vou citar todo mundo, *medo* de esquecer alguém. Mas sintam-se abraçados 🙂

Agora é hora de finalizar o meu relato de viagem, beeeeeem atrasado, eu sei.

Então. Como devem se lembrar, fui de Glasgow para Londres de trem, numa segunda-feira. 4h de sono ininterrupto depois, chegava à estação de London Euston.

Me perdi um pouco para comprar o passe do metrô, acabei fazendo uma cagada em não comprar o bilhete semanal. O single, que faz apenas um trecho, é caríssimo:  £4. Lembrando que em São Paulo, onde o transporte urbano é falho e caro, o metrô custa R$ 2,65 por trecho (cerca de 1/3 do preço londrino). Enfim.

O metrô estava bombando e não demorei para ouvir brasileiros conversando. Já tinha consciência da quantidade de brasucas em Londres, mas ainda assim fiquei perplexa com a quantidade de compatriotas que trombei por lá, fosse no albergue, no restaurante, nas atrações turística.

Meu albergue ficava em Picadilly Circus, centrão de Londres. Próximo ao bairro boêmio de Soho, próximo ao Green Park e ao Hyde Park, perto de vários museus e da Trafalgar Square – o ponto central de Londres.

O albergue era caótico. Picadilly Backpackers, anotem aí. A localização não poderia ser melhor, mas… É Feio. Sujo. Camas barulhentas. Quarto apertado. Banheiro sujo e desagradável. Isso sem falar que a região inteira estava em obras. Acordava as 7h da manhã já com barulheira de bate-estaca. Um inferno. Ah! E não tinha café-da-manhã – até tinha, mas a £ 1 por 2 torradas SEM manteiga. Preferia sair de estômago vazio e comer uma coisa mais interessante (bagels, donuts e starbucks :D).

Mas voltando: já eram umas 18h. Larguei minhas coisas no quarto – compartilhado com outras 3 pessoas, ausentes no momento – e fui bater perna. Entrei num Starbucks pra tomar meu frapuccino querido na cidade onde o Starbucks nasceu. Lá, o atendente percebeu pelo meu sotaque que eu era brasileira. Ele também era. Me cobrou por um frapuccino pequeno, e me deu o maior deles. Nice. Valeu aí, brasileiro brother bonitinho.

Depois entrei numa loja de quinquilharias. O atendente TAMBÉM era brasileiro. E o ajudante também. ô raios. #melaaaarga.

Andei sem rumo até cair na Trafalgar Square, que é a praça mais importante de Londres. É onde o ano novo é comemorado. Onde as conquistas no esporte são celebradas. É como a nossa Av. Paulista.

Fui andando de volta para o albergue, sem saber bem o que fazer. Resolvi ir no Ripleys: Believe It Or Not, só porque era na esquina do meu albergue e eu estava cansada.

A atendente… brasileira, é claro. Contou que Vesgo, do Pânico, tinha estado lá dias antes e a entrevistado. Não que isso mude a minha vida nem a de vocês. – tô chata hoje –

O Ripleys Believe It Or Not é um museu de estranhisses. Quadros feitos de pennys (moedinhas de 1 centavo), esculturas de chiclete, vacas de três cabeças, uma estátua do cara mais gordo do mundo, e do mais alto. Eram sessões e mais sessões de bizarrices, bem legalzinho se você tem uma grana extra (custa £20 a entrada, pesado). A ala de instrumentos de tortura é bem interessante para quem curte história medieval.

Esqueleto de um ornitorrinco

Quadro feito de chicletes!

Saí de lá e tinham passado 3h! Eram 23h. Nem comi nada. Fui pro albergue, tomei um banho frio – simplesmente porque, descobri dia seguinte, a torneira de sair água quente era a torneira de água fria, e vice-versa. Mas é isso.

Antes de dormir conheci meus parceiros de quarto: uma italiana e um casal de irmãos suiços. Só lembro do nome do cara, era Sebastian. Roncava feito um porco.

Dia seguinte acordei sem planos. Tinha tanta coisa pra ver e fazer que eu não sabia nem por onde começar. Resolvi ser turistona e pegar o Big Bus (que a  Bel recomendou), uma das 300 empresas de ônibus de city tour vermelhinhos e de dois andares que rodam pelas principais cidades do mundo. Custou £ 24. Até ser a hora do primeiro ônibus, às 10h, fiquei conversando com o mocinho que me vendeu o ticket, um espanhol gatchéééénho que falava português super bem. Nem me importei de ser usada pro cara treinar o português dele.

O dia estava liiiiiiindo, e mas perfeito impossível, e o moço espanhol me alertou sobre o tempo: disse que faria 34º C (graus Célsius, thanks god. Mané ficar convertendo fahrenheit! estadunidense gosta de complicar).

Passei o dia no ônibus. Cada trajeto inteiro demorou horas, e fiz dois diferentes. Também fiz o passeio de barco (já incluso no preço). Passei por praticamente toda a Londres e fui marcando o que eu gostaria de ver nos próximos dias.

Umas fotos do passeio de bus:

Dia típico de cartão postal. Londrinos indo trabalhar e eu só admirando a cidade do alto do ônibus de dois andares.

Entrando na London Bridge!

Catedral St. Paul

Essa eu bati do barco \o/

Foi basicamente isso o meu segundo dia em Londres. Às 18h e pouco desci do ônibus perto do Green Park e fui andando pra Picadilly, pertinho. Tava vermelha do sol de quase 40º  o dia todo, desidratada e faminta. Comi no KFC, só pq morro de saudade daquele frango frito gordo e daquelas batatas smile (que, pra minha decepção, nem tinha). Voltei pro albergue eram umas 20h. Tomei banho e dormi. Ainda era dia.

3º dia em Londres. Decidi ir no Madame Tussaud, o museu de cera. £ 28 a entrada, beeeeeeem pesado. Tudo que economizei em Amsterdã tava indo. Mas valeu a pena. Divertidíssimo tirar fotos com os famosos de cera em tamanho natural. O Johnny Deep, aquele gostoso, é baixinho, ó:

#pegavafacil

Perfeito, embora o flash deixe muito aparente o brilho nada natural. Mas ao vivo dá medo.

Marley & eu.

Amy ♥

Shakespeare

Com a família real

Bonequinha de luxo

Enfim. Quando vi, já tinha passado boa parte do dia. Saí de lá e fui andando até o Museu Britânico, meio longinho. Passei num supermercado e comprei um sanduíche de salmão defumado + uma água + um pacote de batata frita por £1! Maravilha.

Os principais museus em Londres são gratuitos. E são obrigatórios por quem se interessa minimamente por arte e história – e eu me interesso muito. Taí o caráter extremamente intelectual da minha primeira vez em Londres.

AMEI o Museu Britânico. Muitos objetos essenciais para entender a história da civilização estão lá. Um deles é a Pedra de Roseta, que ajudou a traduzir os hieróglifos egípcios. Tinham várias alas. A de arte egípcia era incrível! Dezenas de sarcófagos e múmias.

Outra coisa bacana era uma ala para a história do dinheiro. Desde os primeiros objetos usados como moeda – corais, conchas, pedras – até moedas de ouro maciço, e notas de dinheiro grandes como uma folha A4… Incrível. E os instrumentos de tortura da Idade Média?

Cara, amo história.

Fico fascinada por essas coisas.  Me perco no tempo. Gastei 3h lá, mas poderia ter ficado 4 dias seguidos. Em várias alas, como a da Mesopotâmia, passei super rápido.

De lá, também andando, fui até a National Gallery. No caminho, passei por Soho e pela China Town.

Tinha meia hora para visitar a National Gallery. Fui pro essencial: Leonardo DaVinci e impressionistas. Quadros conhecidíssimos do Van Gogh estavam lá; do Monet também. Do Cezanne. De Renoir.

Nem sou muito ligada em quadros, não tenho sensibilidade de ficar analisando o tipo de pincelada e tal. Mas a estética me toca. Valeu muito a pena.

Entrada em estilo neoclássico da National Gallery

Às 18h, tive que sair já que estava fechando. Estava um sol forte e havia uma enorme concentração de gente na Trafalgar Square.  Dezenas de turistas de várias nacionalidades tiravam fotos até do chão. Pessoas de várias idades se sentavam nos degraus da entrada do National Gallery para ler um livro, conversar ou relaxar. E o mais importante: Muitos jovens comemoravam a classificação da Inglaterra para as oitavas de final da Copa do Mundo.

Aliás, fiquei impressionada com o fanatismo deles por futebol. Em todos os prédios havia no mínimo uma bandeira da Inglaterra pendurada. No Brasil, vi até que poucas bandeiras.

Fiquei um tempão admirando a concentração na Trafalgar Square. Daí fui comer alguma coisa. Optei por Mc Donalds (é, eu sei. Trash). Mc Donalds no exterior é um lance muito popular, impressionante. Comi, fui pro hotel, tomei um banho e dormi.

Quinta-feira acordei cedão planejando fazer uma viagem de dia inteiro pra fora de Londres. Fui até a agência, na Victoria Station, pra descobrir que não tinha mais lugar em nenhum passeio interessante. Acabei comprando pro dia seguinte um passeio para Warwick Castle, Stratford upon Avon e Oxford.

Daí tive que planejar na hora o que fazer com o meu último dia inteiro em Londres. Nem pestanejei: fui direto pro Museu de História Natural.

Uma construção LINDÍSSIMA.

E uma fila enorme pra entrar, também. Além de muito turista, VÁRIAS excursões de escola com crianças pequenas.

Queria uma infância com mais cultura no Brasil também!

Logo na entrada, uma estátua de Darwin.

O Museu tinha muita coisa para criança. Sessões com linguagem bem didática, objetos antigos dispostos para que as pessoas pudessem tocar. A pirralhada ficava louca. Ótimo – história atraindo a atenção de crianças é um bom começo.

Museu de História Natural é um barato. Esqueletos de dinossauros, animais empalhados, botânica… O que me chamou muito a atenção foi a ala de minerais e pedras preciosas. Nunca tinha visto coisa parecida. CADA pedra que vocês não tem noção.

Algumas estavam dispostas como um arco-iris. Fantástico. Infelizmente, minha câmera vagabundinha não pegou nem 10% da beleza disso.

A seção dedicada ao espaço também era fodona.

É nítida a importância que o governo e iniciativas privadas dão a museus na Europa. Estão sempre cheios, as instalações são perfeitas e bem cuidadas, o staff é grande e atencioso.

Recorde: entrei às 10h no museu e saí às 16h rumo a mais um museu. O Imperial War, dica do meu primo, o @gustavofsalles.

A entrada era uma graça, dentro de um parque.

Pensei que seria um rolê cultural mais “de menino”. Essa coisa de tanques, e aviões… O hall de entrada também dava essa impressão.

Mas NADA a ver. Só deu tempo de ver rapidamente as alas das 1ª e 2ª Guerras Mundiais.

INCRÍVEL. Desde o uniforme usado pelos soldados, até símbolos da guerra, prataria, cartas e decalarações, material de publicidade da guerra…

Impressionante.

Voltei pra região de Picadilly. Dei uma volta por lá, procurando boas opções pra comer. Pensei em atacar de mexicano, mas nem tava afim de gastar £ 40. Acabei num pub gostosinho. Comi uma carne assada com batata, bem inglês, acompanhado de cerveja. Viajo sozinha mas passo bem.

Estufada, fui pro albergue. Até pensei em sair e ir prum bar ou algo assim, mas desisti. Morrendo de sono e sem pique de socializar.

Sexta-feira acordei cedão e fui pra Victoria Station fazer meu day trip por Warwick, Stratford e Oxford.

A guia era espanhola, e falava tudo em inglês e espanhol. Ótimo, porque assim o que não entendia em inglês entendia em espanhol.

A primeira parada foi Warwick Castle, onde morou Madame Toussand e outros. É um castelo bem medieval mesmo, você se sente nos desenhos da professora de história explicando sobre feudos. Tem um fosso ao redor do castelo, tem jardins, tem uma igrejinha. A cidadezinha cresceu ao redor do castelo.

Foto medonha com o sol na minha cara. Mas é só pra falar “eu fui”. haha (era dia de jogo do Brasil; isso explica a minha camiseta).

Quando estava indo embora, vi uma ave ENORME fazendo rasantes pelo campo do castelo. Estava no finzinho de uma exibição. Uma águia maravilhosa. E gigante. Puta bicho GRANDE.

De lá, fomos até a cidade de Shakespeare, Stratford Upon Avon. Sou uma pessoa sem cultura e nunca li Shakespeare. #medeixa. Mas um dia leio.

Uma graça a cidade. Nada Ó, QUE INCRÍVEL, mas foi bacaninha entrar na casa em que ele nasceu. Era uma família “com posses”, uma das poucas na cidade que tinha cama naquela época.

Fiquei viajando mesmo foi no jardim da casa.

No caminho para Oxford, nossa última parada, a guia fez um desvio para nos mostrar umas casinhas lidinhas típicas da região. Ela disse que esse tipo de teto é caríssimo e demonstra nobreza. Mas não entendi que raio de material que era nem em inglês, nem em espanhol:

Então, rumamos à Oxford, que é cheia de história e cultura, além de conter resquícios harrypotterianos ♥.

E aí a gente lembra do primeiro HP.

E a sala comunal, gente?

Malz pela foto ruim.

That’s it.

Fiquei em dúvida do que fazer na última noite. Acabei não fazendo nada e indo dormir cedo de novo. Raios. Isso é foda de viajar sozinha – alguém pra te chacoalhar e dizer: vamo pra gandaia que é a última noite. Sozinha o meu rolê é outro.

Mas tudo bem, porque madruguei no sabadão para conhecer a Porto Bello Road, feirinha de antiguidades, comidas, tranqueiras e muitas coisas mais. INCRÍVEL. Tem de tudo. É uma Benedito Calixto vezes um milhão. E mais. É um bairro inteiro.

Foi bom porque cheguei cedinho, eram 8 e pouco da matina. Tava vazio e pude bisbilhotar barriquinhas e sentir cheiros em paz. O que mais me impressionou foi a diversidade de barracas de comidas. Da óbvia (e não menos boa) italiana, com seus antepastos:

Até as mais bizarras, como a culinária de Uganda:

Saudável, né?

Ó a “entrada” da Porto Bello Road aí.

Para coroar, comi um belo de um waffle com mel. E rumei para a minha última parada antes de dar tchau. Uma outra pegada cultural, o Covent Garden: cafés, restaurantes, manifestações artísticas, lojinhas de artesanato se misturam. DELÍCIA de lugar. Pra passar um fim de semanas inteiro. Infelizmente, só pude dar uma volta rápida.

Depois, voltei pro albergue pra buscar minhas coisas. Fui pro aeroporto. Cheguei cedo. RÁ. Que merda. Mas beleza. Percorri as milhares de lojas do aeroporto – até uma micro Harrods tinha por lá. O Heathrow Airport é um puta dum shopping center, pra dar a real.

Enfim.

Meu vôo de volta era bizarro. Ia até Frankfurt, Alemanha, pra de lá vir pro Brasil.

Mas valeu a pena a esticada fora da direção. As colinas verdes e os lagos límpidos ao redor de Frankfurt me chaparam. Nunca tive muita vontade de ir à Alemanha até aquele momento. Que puta lugar lindo!

Cheguei atrasadaça. Thanks god que mó galera tava em conexão também.

Foi entrar na sala da espera que mudou o clima. SÓ BRASILERAIADA. Atendentes da TAM falando em português com a gente. No primeiro instante é sempre bom ouvir aquela língua tão sua. Mas passa 1 minuto e já dá saudade do inglês.

Puta zoeira no avião. Sentei do lado de um cara de Goiás, que devia ter uns 3 metros de altura. Delícia sentar do lado de gigantes na classe econômica. Ah! O vôo teria 14h. Mais delícia ainda.

Mas não sei por que cargas d’água consegui dormir bastante – vai ver porque o vôo inteiro foi a noite, e chegou em São Paulo 5 da manhã. Brisa louca ficar 14 horas sem amanhecer.

E assim acaba a minha história.

Até a próxima – que continua semana que vem, com uma viagem à Bogotá. Uma cidade perto, tida como muito bonita, mas que não desperta muito interesse dos brasileiros. Enfim. Quinta que vem tô colando lá e passo 4 dias.

Beijos a todos. Se alguém aí já foi pra Bogotá, entre em contato! 😉

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Z’Oropa 2010, parte 3 – Reino Unido: Londres, Glasgow e Edimburgo

Alô você, guerreiro que tem acompanhado minhas postagens longuíssimas e nem sempre tão interessantes. Vamos continuar com o relato da minha viagem para a Europa.

De Amsterdã para Londres, tinha resolvido ir de ônibus, vocês devem estar lembrados. No fim foi uma cagada, porque o ônibus era desconfortável, sem banheiro, não podia nem beber água e as polícias de fronteira dos países nos faziam perder muito tempo.

Mas enfim cheguei a Londres, na Victoria Station, que é bem central. A missão agora seria encontrar o hotel do meu pai. Enrolei um bom tempo porque ainda estava cedíssimo, meu pai devia estar dormindo (tempo que usei para terminar de ler “O diário de Anne Frank”). Umas 9h saí arrastando minhas bagagens até achar o hotel, com um mapa na mão (sempre!). Foi tranquilo. Subi no micro quartinho dele, me dei uma rápida higienizada e saí com meu pai pra dar uma volta na cidade.

O céu estava cinza, com umas raras faixas de sol. O vento era cortante. Meu pai já esteve em Londres algumas vezes, então foi ele quem pensou o roteirinho. Fomos andando pelas ruas de Winchester e atravessamos uma ponte. Já de cara, reconheci uma fábrica lá no fundo, sinais da Inglaterra da Revolução Industrial e capa do cd Animals do Pink Floyd. Olhe a foto e compare com o cd. Falta só o porquinho voando:

Continuamos andando pelas margens do Tâmisa, até avistarmos um dos principais cartões postais do mundo:

O Big Ben e o Parlamento! Enfim!

Símbolos londrinos.

Continuamos andando. Fomos até o St. James Park e em direção ao Buckingham Palace. Chegamos lá e uma multidão se acotovelava. Acabamos chegando bem na hora da troca de guarda, super sem querer!

Depois de um tempo, resolvemos ir almoçar. Atacamos de vietnamita!
Comi, viu. E tava booooooooooom! Umas carnes de carneiro bem picantes, um macarrãozinho beeem fininho frito com legumes, chá para acompanhar. Uma beleza.

Voltamos para o hotel dele, pegamos nossas coisas e fomos para o aeroporto: rumo a Glasgow!

O vôo foi o melhor da viagem. Não estava cheio, um vôo de menos de 2h e o serviço de bordo incluia bebidas alcoólicas! Mandei um vinhozinho para aquecer.

O pouso em Glasgow foi bem bonito. O dia estava absurdamente maravilhoso e resplandecia nos morros verdes. A cidade mesmo é bem sem graça. Parece esquecida pelo tempo, sem nenhum charme, com muitos prédios e casas abandonados. Até meio suja (pros padrões europeus de até então, BEM suja).

No hotel – da rede Ibis, enfim –  um banho com B maiúsculo. Quarto gostoso, cama ótima, um banheiro só pra mim (e pro meu pai, mas ainda assim…). I was really missing that.

Fomos jantar num indiano bem bom e CARO na rua mais pop de Glasgow, uma tal de Sauchiehall.

Preciso dizer que o sotaque escocês é um caos. Não entendia lhufas do que diziam.

Ali se repetia um troço estranho que já tinha reparado na Holanda. O pessoal acha que 15ºC são 35º. Te juro, mulherada de tomara que caia curtinho, ou bermudinha e top, homens até sem camiseta bebendo cerveja na rua! E eu de casaco fechado! Tipo, não estava nenhum frio absurdo, as noites do inverno paulista chegam fácil a temperaturas inferiores a 10ºC.

Aí a gente pensa que o inverno desse povo não é de 10º positivos. É de -30ºC. Aí a gente começa a compreender o calorão e a oportunidade de usar roupas curtas.

Quando saímos do restaurante, umas 22h30, surpresa: ainda estava claro! Parecia fim de tarde, umas 5h e pouco no Brasil! Amo verão europeu, definitivamente.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até a estação de trem fazer o que eu realmente queria na Escócia. Conhecer Edimburgo, a capital. Já tinha ouvido maravilhas dos castelos de lá.

O trem, SUPER confortável e agradável, chegou lá em cerca de uma hora. Saindo da estação, um baque: QUE CIDADE MARAVILHOSA. Fui ligar a câmera para tirar uma foto do primeiro monumento que vi, bem em frente à estação de trem, e… pipipipipi – desligou. Sem pilha. Troquei a pilha. Pipipipi. Descarregada. ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! Então, é com muita dor que digo que algumas das partes mais lindas da viagem não têm foto. Mas graças a internet, posso mostrar a vocês que maravilha Edimburgo é.

Como nosso tempo era bem curto (cerca de 2h para conhecer a cidade), optamos por um city tour num desses ônibus de dois andares abertos que tem em tudo que é cidade turística do mundo. Além disso, o dia estava MARAVILHOSO, quente, ensolarado.

Se você é uma pessoa fascinada por história e Idade Média como eu, Edimburgo é um lugar essencial para se conhecer. Mal botei os pés na cidade e já tive a certeza de que preciso voltar lá e conhecê-la direito, como merece.

A cidade praticamente inteira exala a Idade Média. Quase todas as construções datam daquele periodo. E hoje em dia abrigam de tudo um pouco: escolas, faculdades, hotéis, albergues, restaurantes, museus… São tantos, mas TANTOS elementos medievais que a gente nem sabe para onde olhar. É tudo um impacto forte, de tão maravilhoso. Era o tipo de cidade medieval que eu sempre quis conhecer.

Encantada. Abismada. Eu não cabia em mim.

E lá no topo da cidade, o grande castelo, com suas muralhas, várias torres, tudo.

Imponente.

Meu pai e eu optamos por dar mais uma volta de ônibus para ver tudo de novo e com mais atenção, a descer em algum lugar onde teriamos menos de 1h para curtir.

Deu nossa hora. Voltamos para Glasgow. Almoçamos pizza hut \o/. Voltamos pro hotel, banho e rumo show do Paul Mccartney – show que motivou a viagem inteira (inclusive a minha).

O estádio onde seria era na PQP, longe pra cacete. O sol estava queimando a pele.

Entramos e fomos descobrir nossos lugares a preço de ouro. Imaginem o palco. Aí não dêem qualquer espaço entre o palco e o começo das cadeiras. Daí contem 4 fileiras. Era esse nosso lugar. Setor A, fileira D, lugares 7 e 8.  Estavamos tão perto do palco que nem dava para ver o telão –  o que foi uma pena, porque durante a espera rolaram vários recortes de memórias beeatlemaníacas – fotos deles, objetos, matérias de jornal…

Teve uma abertura de uma bandinha X, meio folk, com uma menina no vocal.

E aí começou o show do Paul.

NÃO DAVA PARA ACREDITAR A DISTÂNCIA DA GENTE E DELE! E simplesmente não tinha câmera (malditos adaptadores universais que NÃO funcionam). NÃO.TINHA.CÂMERA.

Pensei que iam tocar várias músicas da carreira solo dele, que não conheço praticamente nada. Mas não: foram 3h de show, com um repertório de algo em torno de 70% de músicas dos Beatles!

Um vídeo do show pra galera, de alguém num lugar nem tão bom como o nosso, mas…

Live and let die, uma das minhas músicas preferidas ever, também não faltou, e foi foda.

E o grand finalle? Entrou uma banda escocesa completa, com gaita de fole e tudo! (Vá direto para o 1min40 do vídeo.)

Foi foda. Um PUTA show. Fiquei encantada com o baterista, um puta negão grandão, que toca seu instrumento com uma paixão arrepiante, coisa bem rara de se ver por aí.  Tocaram várias músicas que eu adoro, algumas que nem gosto tanto… Mas a qualidade do show foi indiscutível.

Pra ir embora do estádio, pensamos que ia ser um périplo. Foi nada! Quase em frente ao estádio, ponto final de uma linha de ônibus que ia pro centro. A fila era enorme, mas em menos de 10 minutos já estavamos no ônibus, sentados. Eles não lotam ônibus urbanos por lá. Sério. Lotavam os lugares sentados, não deixavam mais ninguém entrar.

Pegamos um kebak para viagem e fomos para o hotel. Minha última noite numa cama boa 😦

No hotel, um lance bizarro – obrigada, Murphy. Te devo uma (not).

Meu pai ficou no bar do hotel pra comprar um vinho ou algo para levar pro quarto. Eu já fui subindo. No elevador, um cara com seus 20 e muitos. Bem simpático. Cara de alemão ou algo assim. Perguntou meu andar. third. O dele tb. Fomos andando no corredor. Ambos estavamos beeem no finzão do corredor, com diferença de 1 quarto apenas.

Entrei no meu quarto e já estava com a calça do pijama na mão quando batem na porta. Jurando que era meu pai, berrei: “PÉRAEEEEEEEEEE”. hahaha

Abri. Era o cara do elevador.

“Hello. I was wondering… I don’t know if you’d like a company, but… Would you like to drink some tea in my room with me?” (Oi… Estava me perguntando… Não sei se você quer companhia, mas… Você gostaria de tomar um chá no meu quarto, comigo?)

Hahahahaha. Primeiro: CHÁ. Em que tipo de país orientam os moços a convidar as moças para uma xícara de chá? No meu país, cerveja funciona melhor. hahha
Mais foi fofo.

Segundo ponto: porquê, meu deus. Fiquei QUINZE dias na Europa, apenas 2 com o meu pai. Por quê me aparece um cara fofo me convidando para tomar chá BEM quando estou com o meu pai?

Claro que declinei o convite. Primeiro pela surpresa que me fez agir como uma imbecil de 14 anos que foi “pedida para ficar” (meu deus, tô idosa). Gaguejei um pouco enquanto falava:

Oh, thanks, but I can’t. I’m with my father, he’s downstairs. But he will be back soon. I’m sorry. Good night!” (Obrigada, mas não posso. Estou com meu pai. Ele está lá embaixo, mas volta jajá. Desculpe. Boa noite!)

Explico: não tenho absolutamente nenhum diálogo com o meu pai. Mesmo se fosse uma situação normal. Mas como explicaria para ele que vou no quarto de um cara que acabei de conhecer no elevador para tomar chá?
Fora de questão.

Mas te juro que se tivesse sozinha, não pensava duas vezes.

Comi um pouco do kebab e dormi frustrada. Murphy desgraçado.

Na manhã seguinte, comi um puta dum café da manhã reforçado, tomei um banho e fui pra estação de trem, para voltar à Londres, onde passaria 5 dias enfim só.

Meu pai saiu do hotel junto, mas foi para o aeroporto. Pegou um vôo para Londres e de lá, para o Brasil.

A passagem de trem para Londres era absurdamente cara. O moço do guinchê explicou que tinha que comprar antecipado. Mas eu não tinha muita opção. Avião seria mais caro ainda e nem tava afim de passar mais 10h dentro de um ônibus. Encarei o preço de £ 117 (mais de R$ 300, ó deus) e embarquei no trem.

Umas 4h depois, estava em Londres. Trem rápido (embora não  fosse trem bala) é uma beleza.

Por hora, é isso.
Depois continuo com a última parte do meu relato: Londres all by myself.