EUA 2012 – parte 3 – Nova York

E chegamos à parte final desse longo post e dessa deliciosa viagem, iniciada em Miami, continuada em Orlando e terminando em Nova York, meu objetivo primeiro, embora a viagem inteira tenha sido ótima.

Chegamos à Nova York pelo aeroporto JFK. Primeira coisa notada: ROMERO BRITTO. O aeroporto tem ilustrações e esculturas do pernambucano por tudo que é canto. No centro do Desembarque havia uma enorme “big apple” com texturas do artista. Aliás, em Miami, há várias lojas com objetos a la Romero Britto, e até personagens da Disney. Tá com tudo o cara.

Fomos procurar transfer para o hotel (U$ 25 cada, mais ou menos), mas nos indicaram um táxi: como estávamos em 2, seria vantajoso, além de mais confortável e rápido. Na realidade, custou U$ 50. Mas a rapidez compensou. Além de que andar nos famosos  e tradicionais táxis amarelos é uma parte importante da cultura novaiorquina.

NY estava gelada. Coisa de 5ºC, tempo fechado e ameaçando chuva. Ainda assim, apaixonante.

Chegamos ao albergue de tardinha. O HI NY é muito bom. Um dos melhores em que já fiquei. Localizado em UPTOWN, lá pela 103 th street (mas isso não é tão longe como parece). O quarto – premium, para 6 pessoas, misto, com café da manhã incluído – custou U$ 245,00 por pessoa, para 5 noites (NY é muito cara, gente). O banheiro era fora do quarto, mas de ótima qualidade. Assentos de privada descartáveis, secadores nos banheiros, boxes sempre limpos, com sabonete líquido. Aliás, o hotel inteiro era limpo, agradável e aconchegante. Não chegamos a participar de nenhuma atividade promovida por eles (tinha coisas incríveis, incluindo gospel no Harlem, mas a Pri não quis ir =/), mas percebe-se que eles são muito organizados e preocupados com nosso bem estar. Além disso, os funcionários também eram super prestativos.

Largamos nossas coisas e fomos dar uma volta pelos arredores. Pensamos em ir até o Central Park, mas erramos o caminho e acabamos em outro parque, o Riverside Park. Ó que coisa mais novaiorquina gostosa, minha primeira foto por lá:

Andamos um pouco no parque e daí começou a chover. Já estava anoitecendo e resolvemos ir para o albergue, comer alguma coisa e dormir cedo. Uma ótima escolha.

Para nosso tour por Nova York, compramos o City Pass. Já tinha utilizado o livrinho de vouchers em Toronto (Canadá, 2004), e gostei da ideia. Como primeira visita à cidade, e poucos dias disponíveis, o livrinho ajuda a organizar nosso tempo e nossos interesses. Além disso, as filas são menores e, geralmente, o preço vale a pena. Por U$ 72 por pessoa, tínhamos 7 ou 8 atrações, entre museus e passeio a Statue of Liberty. Inauguraríamos o livrinho no dia seguinte.

2 de abril – 

Depois de um café-da-manhã com bagel, chocolate quente e banana, pegamos o metrô e fomos até a famosa Times Square. Nos perdemos um pouco para chegar até a lendária esquina, mas foi bom. Olha só na frente do que tirei foto:

Sede do The New York Times 🙂

Também entramos em lojinhas e grandes lojas, tiramos fotos na entrada do museu de cera Madame Tussaud (não rola gastar U$ 40 pra entrar, gente), e com o cartaz do musical de Mary Poppins:

Até que, eis a Times Square, cheeeia de turistas, moradores, trabalhadores, gente do mundo:

Continuamos passeando até nos depararmos com uma fantástica e enorme loja da MM’s. TRÊS andares de produtos da marca, além de todos os tipos e cores de mm’s possíveis.

Saí de lá com MM’s de coco, de amêndoa, mentolado, de frutas vermelhas… Paraíso dos gordos. Incrível ♥

Rumando ao 30 Rockfeller Center, ainda passamos pela loja da Nintendo World – o sonho dos nerds, viciados em games e tal – que não despertou grandes paixões em mim, ainda que eu entenda o apelo, curti mesmo foi o segundo andar, onde rolava uma exposição da história da Nintendo – a evolução dos consoles, do Mario Bros., do Donkey Kong.

E a famosa pista de patinação no gelo, na frente do Rockfeller Center? Queria ir, mas era caaaro e estava sempre cheio!

Enquanto não dava nosso horário para subirmos ao Top of the Rock (o topo do 30 Rock), almoçamos pizza, tomei um Starbucks e entramos na esplêndida catedral neogótica de St. Patrick’s.

E os seriemaníacos, tão na área? Reconhecem essa imagem? 😉

Finalmente, hora de admirar NY no Top of the Rock!

E não podíamos ter escolhido um dia melhor. Claro, azul e sem névoas. Perfeito! E soltem os cabelos!

Ó o Central Park dominando a cena. E o rio Hudson.

Do outro lado. No cantinho superior direito vemos a ponta do Empire State, nossa próxima parada!

Ok, na verdade, nossa próxima parada foi a loja da Lego World. Depois, mil lojinhas de souvenirs, entre as quais, achei essa preciosidade:

Chegamos ao Empire State no lusco-fusco. Achamos que seria uma boa ideia matar os dois passeios panorâmicos no mesmo dia, e aproveitar que era segunda-feira (e a esperança de menos filas). RIGHT. Saca só a entrada do Empire State pra turistaiada ir no topo:

O INFERNO NA TERRA. Ficamos mais de 2h na fila, anoiteceu, batemos papo com brasileiros, brigamos com adolescentes americanas fura-filas e, horas depois, fomos ao topo do Empire State.

UM FRIO DO CAPETA.

Isso é tudo que consegui com uma câmera nada ideal para fotos panorâmicas noturnas e tremendo de frio.

Cinco minutos depois estávamos de volta ao saguão.

E nisso já eram umas 21h. Pegamos o metrô e, quando vimos, nossa única opção de jantar era Mc Donald’s. E assim foi.

3 de abril – 

Depois do café-da-manhã, fomos andando até o Museu de História Natural de NYC.

1º: indignação. Que porra de mapa sulamericano é esse? Desde quando o Brasil inteiro é dominado pela Amazônia? Hello, geografia, prazer.

Tirando isso, foi muito legal ver um dos maiores acervos de esqueletos de dinossauros do mundo:

Mamute e eu

Saímos do museu e fomos andar no Central Park, aproveitando a tarde linda que fazia.

Também visitamos o cantinho que é uma homenagem a John Lennon, o Strawberry Fields:

E, claro, passamos na frente do The Dakota, onde John Lennon foi assassinado há mais de 30 anos.

Depois de jantar Subway e voltar ao hostel, descobri que tinha perdido meu NY City Pass. Azaaaaaaaaaar. E descobri que não tinha como pegar outro. Me fodi bonito. Mas a gente pensou num esquema para eu não me foder tanto, e deu certo, no fim: iriamos nos museus em dias em que a entrada é mais barata; e uma alemã do nosso albergue me disse que no MOMA ela conseguiu pagar meia só com o boleto da faculdade, provando que é estudante. E todo em alemão. Como eu tinha levado pros EUA comprovante de matrícula da USP (com medo da imigração), pude aproveitá-lo.

4 de abril – 

Acordamos cedinho para ir à Estátua da Liberdade. O dia estava azul, agradável e lindo. Mas a fila para os barcos que vão até a ilha onde está a estátua era assustadora. Algo em torno de 2h. Mas fazer o quê, né…

Na fila, demos uma de americanas e comemos um pretzel bem gooooordo e grande:

O passeio de barco tava incluso no city pass, mas como perdi os vouchers, tive que comprar. Sem drama: custou U$ 13, só. Incluindo ida e volta e parada no museu da imigração da Ellis Island.

Bom, a primeira percepção da estátua da liberdade é a seguinte : QUE PEQUENA.

Nós, acostumados com a imponência do Cristo Redentor, nos impressionamentos com a Estátua da Liberdade, que tem mais nome que tamanho.

A volta pela ilha é bem rápida. Parando para tirar mil fotos, não dá mais de meia hora.

Mas o legal mesmo da ilha é a vista do skyline de Manhattan –

E as frondosas árvores floridas, na própria ilha – 

O museu da imigração é bem interessante. Mostra como a galera se ferrava na chegada aos Estados Unidos – ficavam em quarentena em verdadeiras prisões, eram catalogados como animais, coisas assim.

É bem deprimente, mas é história viva. É o sangue que ajudou a construir os Estados Unidos.

Olha um esquema de como era a inspeção para entrar nos Estados Unidos –

Ao voltar para NYC, já no finalzinho da tarde, resolvemos visitar o Memorial do 11 de setembro. No lugar das torres destruídas pelo atentado, fizeram uma fonte com o nome de todos os 10 mil e tantos mortos. Impactante.

Mas sabe a grande escrotidão? A MEGA RÍGIDA segurança ao redor do memorial. Passamos por raio-x, apalpações, uma fila quilométrica pra ver a porra da fonte.

Uma paranóia fodida. E irritante.

Próxima parada: metrô.

No caminho, nos deparamos com uma lindíssima igreja no melhor estilo história de terror, com cemitério do lado e tudo:

Na igreja estava começando uma missa. E tinha canto gregoriano! Incrível!

Depois fomos bater perna pela Times Square e entrar em lojas. Sephora, Victoria Secrets, H&M e tantas grifes que fazem os consumistas – not us – pirarem.

Impressionante como as coisas são baratas.

Comprei S-E-T-E produtos da Victoria Secrets, entre sabonetes líquidos, hidratantes, gloss e talz, por U$ 35! Coisa linda.

Começo a entender gente que viaja só pra fazer compras, viu.

Jantamos fast food vagabunda em um muquifinho da 6th avenue.

5 de abril – 

No nosso penúltimo dia em NYC, decidimos fazer um mega combo, incluindo zoológico, almoço bom (pra variar), MOMA e Broadway.

Começamos com o zoológico do Central Park. Pequeno, mas muito interessante. Rola um ambiente fechado que simula regiões tropicais – e é simplesmente incrível! Uma mini-floresta super úmida, com várias aves tropicais lindas, sapos venenosos, baratas, cobras… E era quente mesmo! Tiramos nossos casacões – tava uns 5ºC na rua – e até sentimos calor.

Na área externa, uma piscina enorme tinha várias focas felizes e saltitantes. Também tinha o tanque dos ursos polares, e tinha um lince maravilhoso 

A loja do zoológico é incrível, bichos de pelúcia de tudo que é animal. Ó que lindo o povão que a Pri viu (mas não comprou):

Depois fomos para a Times Square tentar comprar ingresso para um musical da Broadway. 1h e pouco de fila e conseguimos: U$ 80 dólares cada para assistir “O Fantasma da Ópera”, na mesma noite.

Daí almoçamos no Planet Hollywood. Sempre incrível, com peças, assessórios e roupas usados nos filmes. Já na entrada tinha o clássico vestuário de Charlie Harper (Two and a Half Men) e um enorme coringa (fase Jack Nicholson). Almoçamos bem e seguimos adiante, rumo ao MOMA – Museu de Arte Moderna de NY, sede de algumas das principais pinturas da humanidade, tipo:

“Starry Night”, meu quadro preferido EVER, do Van Gogh;

Persistência da Memória – o quadro dos relógios vazando, do Salvador Dalí (tão pequeniniiiinho o quadro)

Roy Lichtenstein;

Isso sem falar de uma porrada de arte contemporânea bizarra, tipo Marcel Duchamp:

(não curto essa história de pegar uma privada e falar que é arte)…

Vimos tudo super correndo.

Na volta, passamos numa loja fantástica do Lindt, uma das melhores marcas de chocolate do mundo. De falar em Lindt minha boca saliva. É bom demais. Comprei algumas barras bizarras – tinha uma de pimenta (ok) e outra com um leve toque de sal marinho (!!!) que dei pro meu pai e ele A-M-O-U (de fato, era interessante).

Próxima etapa: O FANTASMA DA ÓPERA.

Olha… Muito bonito, mas SOOOOOOOOOOOOOOOOO FUCKING BOOOOOOOOOOOOOOORING. Puta merda, que troço chato.

Primeira consideração: não entendi metade da peça;

Segunda consideração: B-O-R-I-N-G.

(minha tia atriz me deu bronquinha por ter ido no Fantasma da Ópera. Ela disse que valia mais a pena ver Mary Poppins, Rei Leão, qualquer coisa.)

Terminou tardão. Antes de voltar pro albergue mandamos um MC Donalds (é, eu sei).

6 de abril – 

Última dia de hostel. Último dia da Pri em Nova York. Penúltimo dia meu.

Ainda tava faltando irmos ao Metropolitan Museum of Art, e foi nele que gastamos o dia inteiro – deveriamos ter passado uns 5 dias lá, isso sim. Tantas alas que não deu pra ver!

Pinturas, esculturas e objetos que são marcos da humanidade, que que remetem a séculos de descobertas das civilizações oriental e ocidental. Um dos grandes museus do mundo.

Vang Gogh:

Monet:

Peças árabes:

Sala dos tapetes turcos:

Uma ala ENORME e apaixonante do Egito (só não tinha múmia, pena).

Isso sem falar da enoooorme ala greco-romana, das salas com armas medievais (INCRÍVEL), da arte da Mesopotâmia…

É um puta museu. Vale a pena (se você curte museus – eu amo).

Saímos de lá – com muito ainda para ser visto, infelizmente – e fomos comer Cheesecake em uma bakery recomendada pelas nossas roomates alemãs do hostel, o Magnolia Bakery.

Mandei um “Caramel Pecan” dos deuses. Que delícia (pagando U$ 7 dólares o bolinho devia até ser de ouro).

Já no lusco-fusco, voltamos para o albergue para as mudanças de hoteis. Primeiro levei minhas coisas para o Mayfair New York, no coração da Midtown, em plena 49th. A minha última noite foi outro presente do papai. Bom mesmo, porque custou U$ 190 UMA NOITE, sem café da manhã. Falei que NYC é cara, gente.

Os funcionários eram SUPER prestativos, me ajudaram muito com tudo. Mas o quarto era um cubículo, mal coube minha mala. O que importava mesmo era uma cama e um banheiro só pra mim.

Em seguida voltei ao metrô e fui com a Pri para a Chinatown, onde ficava a espelunquinha em que ela passaria a última noite.

No metrô, uma mulher esnobe nos recriminou por estarmos indo com mala e cuia para Chinatown durante a noite. Ótimo, pq a Pri já estava morrendo de medo de passar a última noite lá, e implorou para ficar comigo – além de eu me recusar, o TAMANHO DO MEU QUARTO também recusou. Mas nem em sonho caberíamos nós duas e todas as bagagens no quarto.

Uma vez na Chinatown, jantamos em um asiático por lá, e vejam que coisa, foi a refeição mais saudável em 6 dias de Nova York.

Suco de frutas N-A-T-U-R-A-L (vcs não sabem a dificuldade de se achar um suco natural nos EUA) e uma espécie de yakisoba, só que mais gostoso.

Depois disso voltei para o meu hotel e dormi feliz e contente na minha cama grande, sem roncos, sem bagunças (além da minha), com banheiro só pra mim.

7 de abril – 

Último dia 😦

Acordei bem cedinho para aproveitar minhas últimas horas. Tomei um bom banho e desci pra recepção, onde o moço recepcionista  super atencioso me explicou como chegar até o limite da ponte que liga Manhattan ao Brooklyn – meu programa do dia seria atravessar seus quase 2 km de extensão.

Estava um dia lindo, e acho que metade da população mundial resolveu fazer o mesmo passeio que eu. Com isso, tirar fotos ficava difícil. Verdadeiras multidões passando por tudo que era lado.

Fora que a Brooklyn Bridge tava em reforma. Vários pedaços com tapume, mó triste. Ainda assim, foi um passeio fantástico, até porque gratuito.

Se liga no ‘visu’, que incrível! E no dia radiante!

NYC é só amor ♥

Brooklyn Bridge acá e Manhattan Bridge acolá.

Daquelas fotos que a gente sente orgulho:

Cheguei no Brooklyn e dei um pequeno rolê pelo parque que fica no fim da ponte.

Voltei pra NY e já tinha passado do meio-dia. Meu plano era ir no Museu do Sexo , mas saber que a entrada era mais de U$ 20 e seu acervo não era tudo isso, me bodiou. Acabei só visitando a lojinha. Incrível. Tinha um vibrador de U$ 250 (POIS É) que funcionava ao toque. Tipo, apertar forte, vibrava forte. Incrível. Fora bavárias invenções bizarras e coisas com formatos esquisitos.

Já no caminho de volta descobri uma feira de rua incrível, não lembro se na 6th ou na 7th avenida, sei que tomava quarteirões e mais quarteirões, e vendia desde comidas estranhas, sucos, bebidas, a vinis raros, roupas de brechó… Dava para gastar um dia inteiro.

Voltei ao hotel, peguei as malas e pontualmente no horário marcado pela internet, o shuttle para o aeroporto de Newark foi me pegar.  Cheguei no aeroporto mega cedo: 17h. Meu vôo era só às 21h e pouco. O jeito: conhecer CADA CENTÍMETRO QUADRADO e CADA LOJA do aeroporto – check, depois comer no restaurante japonês do aeroporto, com direito a drinque, e, por último, cervejas na chopperia, do lado do portão de embarque.

E assim terminou minha viagem incrível. =)

EUA 2012 – parte 1 – Miami

Sei que tá velho.

Como todo mundo que convive comigo física ou virtualmente soube, passei bons 20 dias entre março e abril nos Estados Unidos. Viagem planejada há tempos, tendo como minha prioridade Nova York. Sempre quis conhecer a Big Apple, e achava um grande furo no meu título “viajada” não conhecer os Estados Unidos e, principalmente, Nova York. Um palco de cultura, de consumismo, de jornalismo, sede de grandes multinacionais, exportadora de modas, manifestações e políticas. O centro do mundo ocidental.

Daí que com o lançamento do parque do Harry Potter em Orlando, há uns dois anos, comecei a querer ir pra lá também. E já que estamos em Orlando, porque não passar pela Disney, ao menos pra tirar uma foto do Castelo da Cinderela, não?

E assim começou o roteiro da viagem, lá pela metade de 2011.

Nesse meio tempo, uma amiga de infância começou a fazer também seus planos – ela já tinha ido a Disney, mas queria demais conhecer o parque do Harry Potter – POUCO VICIADA, ELA. Daquelas que tem fan clube, que participa de eventos, de RPGs e nerdices que estão além do meu entendimento (e do meu gosto pela saga – amo HP, mas ler os livros e ver os filmes é o suficiente).

Enfim: decidimos ir juntas.

Pânico total – sou filha única, individualista, egoísta, curto praticidade e rapidez.  E sempre fui uma viajante individual. Com ela, temi perda de privacidade, de liberdade e desorganização da agenda (apertadíssima).

Mas vamo que vamo.

Decidimos pelo final de março – começo de abril. O tempo estaria perfeito: um calor NÃO TÃO ABSURDO na Flórida e um frio agradável em NY. Baixa temporada.  Preços menores, menos gente, menos filas. ESSA ERA A IDEIA.

A passagem aérea estava cara, então meu pai me deu as milhas dele, e pegamos tudo de graça: SP-MIAMI / NY-SP. Só pagamos o trecho Orlando – Nova York (algo em torno de R$ 300 pela American Airlines).

Chegou a véspera da viagem e eu estava morrendo de dor de garganta, que começou por conta da noitada fooooooorte na sexta-feira anterior (16). Mas isso é outra história. O que importa saber é que a partir da sexta dormi maaaaaaaaaaal até o dia da viagem, quando acordei 5 da manhã pra ir pro aeroporto. E ainda tinha trabalhado no dia anterior.

20 de março

Papai, além das milhas, me deu a oportunidade de voar de classe executiva, por algumas milhas a mais. Com isso, tive certo conforto, IMPOSSÍVEL na classe econômica.

Decolei 10 e pouco da manhã. Vôo inteiro diurno. Do meu lado, uma mulher esnobe não ficava quieta: falava dos filhos e das namoradas dos filhos, do marido e, claro, do apartamento dela em Miami, e de como ela viajava o mundo para assistir campeonatos de tênis, sua grande paixão ZzZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Não consegui ver paisagem nenhuma no voo. Tudo nublado. E a janela da executiva fica meio longe da poltrona, não é que nem na Econômica, que é tudo grudado e dá pra se apoiar na janela. Em compensação, faltando meia hora para pousar, Bahamas surgiu diante dos nossos olhos. E eu mal conseguia olhar porque a rica chata do meu lado não parava de me cutucar pra falar alguma inutilidade. Saco.

Mas deu pra ver um pouco daquela água quase transparente do Caribe e seus vários tons de azul. Lindo.

Pousamos umas 17h e pouco. Desacreditei na calma do aeroporto: não tinha viv’alma no controle do passaporte (o tio da imigração só perguntou se eu tava sozinha – respondi que minha amiga chegaria depois de amanhã) e se eu ia festejar um pouco. Minha mala não demorou nem dois minutos pra aparecer na esteira. Uma beleza. Até porque tinham me falado que o aeroporto de Miami era caótico.

O transfer do hotel demorou bastante, uns 40 minutos.

Cheguei no hotel, fiz check-in, me joguei na deliciosa cama de casal do quarto, liguei por skype para meus pais, li um pouco – “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingway – e capotei.

E dormir mal de novo, acreditam? Toda hora acordava, ficava virando na cama, incerta se estava morrendo de calor ou de frio. Uma hora desisti de dormir e continuei a ler.

Nesse meio tempo lembrei de carregar meu celular. Fui lá na tomada e óbvio que eu precisaria de um adaptador. BURRA QUE SOU, toda viagem que faço tenho que comprar um novo carregador. Sempre esqueço.

O hotel: SLEEP INN MIAMI AIRPORT – 2 diárias = U$ 225 (com taxas inclusas)
Optei por conta da proximidade  com o aeroporto, pelo transfer gratuito e pelo café da manhã incluso – sou daquelas que, em viagem, para economizar em comida, come feito porca no café da manhã incluso.
O quarto, com cama de casal e ar condicionado, era bom e espaçoso, mas as paredes eram muito finas. Maior barulheira vinha das vizinhos altas horas da noite.

21 de março – 

6h da manhã já estava banhada e tomando café-da-manhã. Bem bom o café, 3 opções de fruta (aprenderia, nos próximos dias, o quanto fruta era raridade nos EUA), vários tipos de pão, vários tipos de cereais e suco. Deu pro gasto.

Em seguida fui pro aeroporto, porque de lá saía um ônibus para Key West, meu plano de passeio para esse primeiro dia. Li no mochileiros.com e em vários sites que o ônibus saia às 7h40, às 11h40 e às 17h40. Cheguei lá e depois de andar feito um burra de carga pelo aeroporto e de perguntar para trocentas mil pessoas de onde saia o ônibus, achei. E descobri que o ônibus das 7h40 não existia mais. Resultado: teria que esperar QUATRO HORAS. Até mais, porque cheguei super cedo no aeroporto pra mim garantir.

Primeiro fui atrás de um adaptador de tomada. Lá se foram 16 dólares (mais, na verdade, porque tem sempre a merda da taxa que não está inclusa no produto). Achei uma tomada, coloquei o iPhone pra carregar e continuei a ler Hemingway.

Minhas leituras de viagem sempre têm a ver com o destino – Hemingway viveu por um tempo em Key West. Lá tem até museu na casa dele e talz.

Terminei o livro e fui passear pelo aeroporto, um verdadeiro shopping center, com hotel e tudo. E consegui conhecê-lo e decorar cada loja, pra terem uma noção de quanto apodreci lá.

O ônibus para Key West atrasou e acabou sendo bem mais caro do que me informaram as fontes – mochileiros e outros sites de turismo diziam que eu gastaria U$ 50  ida e volta. Gastei U$ 90. Fui pela companhia Greyhound, bem conhecida nos EUA, e acho que a única a fazer esse trajeto.

Key West é a extrema ponta sul dos EUA. Deixa que eu desenho:

Além disso, de Key West a Cuba são apenas 40 milhas (pq lá tudo é milha. 1 milha = 1,6 Km).

O trajeto foi longo, e demorou pra ficar interessante. Eram 4h de bus, e só a partir da segunda hora é que começamos a passar por Everglades, a enorme reserva ambiental que ocupa boa parte do sul da Flórida. E então… MAAAR. A primeira visão foi impactante: todo aquele verde do Everglades e o oceano caribenho, um azul esverdeado que a gente não vê em qualquer lugar.

O trajeto que liga a ponta do continente a Key West passa por pontes atrás de pontes – a maior delas com 7 milhas de extensão. Por quase todo o caminho tem ciclovias, e fiquei viajando ao me imaginar com uma bicicleta lá.

São dezenas de ilhas no trajeto, cada uma mais linda que a outra.

Cheguei a Key West 16h e pouco. 17h30 era o último ônibus para Miami, e eu não tinha escolha. Não sabia que demoraria tanto e que só tinha ônibus às 11 da manhã. Tive que ficar pelas redondezas do aeroporto. Nessa 1h30 deu tempo de andar até a praia, correr uns 20 minutos no calçadão e tirar boas fotos. Mas não cheguei nem perto do centro histórico de Key West.

Tanto na ida como na volta o ônibus parou num Burguer King. Comi uma cebola empanada no almoço e um hambúrguer no jantar.

Na volta pegamos uma tempestade sinistra na estrada.

Cheguei no aeroporto, peguei o transfer pro hotel e morri.

Dessa vez dormi bem.

22 de março – 

Acordei, tomei café, fiz check out no hotel e fui pro aeroporto esperar a Pri, que chegaria às 8h. No dia anterior pude passear bastante pelo aeroporto e achei um bom ponto de encontro, debaixo de uma parede rosa choque.

Cerca de 1h depois ela apareceu – tinha fila na imigração.

Novamente, eu já conhecia o aeroporto de cor, então soube exatamente onde ir para pegar o ônibus para Miami Beach, que super deu certo e foi bem barato, não fosse o fato de descermos um ponto antes.

South Beach é um NOJO.

Não tenho outra palavra para definir. Exibição de corpos, carros, roupas. Esnobismo. Argh.

Por outro lado, as praias são muito bonitas.

Deixamos nossas tralhas no albergue – ainda não era hora do check in – e fomos andar. Fomos até a ponta de South Beach, andamos pela areia, tiramos fotos e fomos almoçar. Comi uma bela salada – me matando para não engordar nos EUA – e uma budweiser ^^

Voltamos para o albergue. Agora sim, check in.

Ficamos no Deco Walk Hostel. O escolhemos pela localização excelente – na frente da praia, no meio do agito (só não sabíamos que o agito não era a nossa, mas…). Foi bem caro. 3 noites U$ 250 cada. Culpa de um festival de música eletrônica badaladíssimo que ia rolar no fim de semana bem pertinho do hotel.

O quarto era misto – tenho uma tese: mulher é mais porca que homem. Quando há mulher no quarto, homem se comporta. Quando só há mulher, não raro entramos no quarto e a mina tá raspando a dita-cuja no meio de todo mundo. ARGH.

A noite combinamos de encontrar a Thais, amiga da Pri que mora nos arredores de Miami, num shopping, que era mega longe do nosso albergue. A encontramos e ficamos batendo papo por um bom tempo.

Agora um porém de Miami, que a rica esnobe tinha me alertado no avião mas não prestei a devida atenção: GALERA ABUSA DO AR CONDICIONADO. Não é um abusar nível hotel de luxo. É botar o bagulho no talo. Em todos os lugares possíveis. No ônibus urbano, por exemplo, a Pri ficou roxa de frio – incautas, não levamos blusas. Eu estava de VESTIDO. Foi tenso demais. Ainda falando do ônibus, tinha wi-fi no transporte público de Miami! Não é incrível?

23 de março – 

Tínhamos fechado, no dia anterior, um rolê de one-day-trip para Bahamas. Não podemos perder uma oportunidade dessas, não é mesmo?

Fechamos o passeio com o hostel que, filho da puta, cobrou um extra fodido pelo transfer até o porto. A passagem do navio era U$ 90, mas pagamos mais de U$ 200 cada, para incluir o transfer.

Com passaporte às mãos (Bahamas é outro país, NÉAM), o transfer nos levou até o porto, em Fort Lauderdale, a 1 hora de Miami. O embarque foi às 9h, e demoramos umas 2h pra chegar à Grand Bahamas, de onde pegamos uma excursãozinha para uma praia que não lembro o nome.

Passamos o dia na vida mansa da praia de poucas ondas e águas transparentes.

Fiquei meio decepcionada com Bahamas. Achei que fosse mais bonito. Mas culpo a praia. Não tivemos muita escolha… Era essa praia ou um cassino ¬¬

Foi um dia bem agradável.

Voltamos para Miami e chegamos ao albergue em tempo de dormir o sono merecido.

24 de março – 

Passar o dia todo passeando com a Thais. Foi uma delícia. Ela nos levou pra conhecer quase toda a costa de Miami, fomos a Outlets – fiquei ENCANTADA. Pela primeira vez na vida entendi porque as pessoas viajam pra comprar. Outlets são um sonho. UM SONHO. Comprei tênis de U$ 20 dólares, comprei óculos escuros de R$ 30 – almoçamos Mc Donalds, fomos à praia no distrito de Aventura e assistimos um casamento na praia. Foi um dia delicioso, cheio de aprendizados sobre os norte-americanos, a língua inglesa e talz.

 Na inauguração de um novo Mc Donalds, pagando de americana obesa – hahahahah

Ó lá o casamento na praia.

Nos enxotaram sem dó da praia que é PÚBLICA, mas beleza, ficamos assistindo. Foi fofo. Quase chorei.

A noite, fomos a um shopping ao ar livre e… tchãnãnã… a um CASSINO!

Perdi meu U$ 1  na velocidade da luz, mas foi divertido.

Depois a Thais nos levou pra tomar o sorvete mais obeso que já tomei, numa tal de COLD ROCK sorveteria. Delícia. Foi nosso jantar.

Mais tarde ela nos deixou no albergue e assim acabaram nossos dias em Miami.