O que aprendi sendo pedestre em São Paulo

Sempre gostei de caminhar. Experimentamos a cidade de uma forma muito diferente quando fazemos trajetos a pé. Reparo nas pessoas, nos estabelecimentos, na energia vibrante de São Paulo. Me sinto mais livre e relaxada.

São quase três anos fazendo a grande parte dos meus caminhos diários a pé. Trabalho, estudo, médicos, lazer.

Nesse período, aprendi bastante sobre a mobilidade em São Paulo. Compreendi, basicamente, que TODO MUNDO MERECE UM BELO PUXÃO DE ORELHAS.

O pedestre é o elo mais fraco da cadeia. Só perde para pedestres com mobilidade reduzida, claro (deficientes, crianças e idosos). Como pedestre, tenho uma visão singular do que acontece no tráfego urbano da minha cidade. Segundo esse ponto de vista, resumi MUITO BREVEMENTE três comportamentos que me enervam:

Ciclistas se acham os superpoderosos. Sou a favor de bicicleta, por mim coloca ciclovia até no meio do meu prédio. Mas os ciclistas precisam compreender que se o farol está aberto para PEDESTRES, ele NÃO É UM PEDESTRE, por tanto, deve aguardar o farol abrir. Cruzo diariamente várias das mais movimentadas ciclovias da cidade, dentre elas a da avenida Faria Lima, e afirmo: a grande maioria dos ciclistas NÃO RESPEITA SINALIZAÇÃO PARA PEDESTRES.
Sabemos que uma cidade como São Paulo necessita de todo esforço possível no sentido de incentivar o uso do transporte coletivo e da bicicleta. Só que quem anda de bicicleta esquece-se de que não é o elo mais fraco da cadeia: respeitar limites de velocidade e sinalização não são dever apenas dos motoristas, mas dos ciclistas também, ok?

2-  Melhorou muito a consciência de motoristas de carros quanto aos pedestres e aos ciclistas, com duas exceções: taxistas e motoristas de carros de luxo. Eles realmente pensam que a rua os pertence. Acham que tudo bem cruzar sinal vermelho. Pensam que a prioridade é sempre deles. Afinal, provavelmente estão indo a uma reunião com o Obama, buscar o Papa no Aeroporto, o tempo deles é muito importante e eles não ligam a mínima para o que se passa fora de seus carros insulfilmados.

3- PEDESTRES SÃO FOLGADOS E INDISCIPLINADOS. Claro, não vou limpar a barra da minha categoria: ninguém em São Paulo merece mais bronca do que o pedestre. Atravessam correndo quando o sinal está verde para carros; andam nas ciclovias e reclamam se ciclistas quase esbarram; caminham digitando no celular atrapalhando todo o fluxo de pedestres da via. Fico particularmente indignada com o comportamento dos pedestres na região da Avenida Paulista. Não respeitam faróis, não respeitam faixa de pedestre, não ligam a mínima para nada! Será que uma força oculta determina que todo o pedestre na Paulista seja um babaca irresponsável?

Mais sobre a vida a pé

Sempre gostei muito de andar. Quando vim morar em Pinheiros, tornei meus próprios pés o meu principal meio de transporte: quando trabalhei em Higienópolis/Centro, diversas vezes voltei para casa andando (7km). Quando trabalhei em Osasco, fazia parte do trajeto (5Km) andando e o resto de ônibus. Quando vim trabalhar no Itaim Bibi, um bairro sem transporte sobre trilhos e com ruas 95% do tempo congestionadas, desencanei totalmente do transporte público e fiz minha opção definitiva: daqui em diante, farei tudo a pé.

Considero “andáveis” trajetos de até 7km e que não exijam cruzar as marginais. É notável a falta de segurança nas passarelas de pedestres que cruzam as marginais Pinheiros e Tietê.

De acordo com esse critério, excluo boa parte da população paulistana: é óbvio que pouquíssimos têm o privilégio de ter opções de moradia, trabalho, educação e lazer a um raio “andável”. É impossível trocar o transporte público ou o automóvel pelos próprios pés. Calçadas em péssimo estado, má sinalização, iluminação pública falha, diversos trechos inóspitos ou até impossíveis de se fazer andando e insegurança são as principais razões pelas quais a maioria de vocês vai continuar evitando grandes trajetos a pé. E com razão.

Acontece que todos são pedestres para pequenos trajetos: seja para ir comprar pão na padaria perto de casa, para passear com o cachorro ou para ir almoçar durante o dia. São nesses momentos que as pessoas precisam se ligar que são pedestres e agir como tal, sem colocar a própria vida em risco. Respeitar farol e prestar atenção no que acontece ao seu redor não vai afetar sua rotina, juro pra você! Desgrudar os olhos do whatsapp por 5 minutos não vai causar uma hecatombe, esteja certo disso.

Aproveitando o tema

Uma coisa que me incentiva ainda mais a fazer meus trajetos a pé é um aplicativo que transforma as atividades ao ar livre em milhas. Ok, você precisa MUITO para acumular meia dúzia de pontos, mas para quem está frequentemente batendo perna pela cidade, acho que vale muito a pena. Chama Mova Mais. Tô a disposição para dúvidas sobre o assunto e para auxiliar no uso do app 🙂

Meus dias de paz

Amanhã faz um mês que estou desempregada. E vou confessar que estou numa paz de espírito absoluta. Tô leve e feliz. Só me faz falta o salário, mas por enquanto a grana do fundo de garantia e do seguro-desemprego estão suprindo bem minhas poucas necessidades. Ser mão-de-vaca tem lá suas compensações!

Mas então. Por conta dos meus direitos trabalhistas, tenho batido ponto no centro. Fui 3 vezes no PoupaTempo Sé em menos de 24h. Fui na Paulista várias vezes, fui em várias agências da Caixa, fui na Polícia Federal buscar passaporte… E preciso confessar que ADORO passear de ônibus. Adoro observar as ruas, as pessoas nas ruas, os caminhos, as nuvens no céu. Sem pressa, sem compromissos.

Sei que ir/voltar do trabalho de busão na hora do rush NEM é legal. Mas andar de ônibus naqueles horários X em que o povo trabalha ou estuda, e o ônibus e as ruas tem bem menos gente que o normal… É tão bom! Naquelas tardes de outono maravilhosas, com um vento gelado e um céu de um azul eterno. Adoro o centro de São Paulo. Claro que o cheiro de xixi e os mendigos pedindo esmola não são coisas agradáveis, mas simplesmente pertencem àquilo. Em qualquer grande metrópole do mundo vai ter cheiro de xixi (mais ou menos) e mendigos (mais ou menos) no centro.  Políticas de assistência social pífias (principalmente em São Paulo) são responsáveis por isso, e são um problema crônico.

Mas o que me encanta são as construções clássicas. O prédio do Fórum da Justiça e a Catedral da Sé dourados, refletindo a luz do sol, constituem uma visão esplendorosa para quem tem olhos para enxergá-la. Alguém que não está estressado, com um mundo de problemas no trabalho, com prazos e chefes chatos. A vida chata de adulto que levamos nos impede de admirar a beleza por aí. Nos impede de prestar atenção nos sons da cidade, no grito de um camelô para os outros camelôs, assim que o rapa acabou de passar: “isso, corre mesmo! Quem mandou a gente não estudar?” e todos riem. E eu também.

Nos impede de prestar atenção na vida ao entorno. O individualismo impera. É uma multidão de pessoas que não se dá conta de quanta vida e quanta beleza tem ao redor. Porque não dá tempo. Porque é muito stress. É medo da violência. É ansiedade.

E a simplicidade da vida vai pro saco.

Impressionante que só estando desempregada consigo voltar minha atenção ao que realmente importa.

Sou uma eterna turista na minha própria cidade. Sou uma Flâneur. Claro que Baudelaire, quando dizia que um flâneur era “uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la” se referia à Paris, não a São Paulo. Mas consigo curtir muito a minha cidade. Com todos os seus defeitos. Com toda sua sujeira.

Mas eu amo.

Analândia

Como disse no post anterior, fui passar o carnaval em Analândia, ou Ana’s Land, como a apelidei. Cidadezinha mínima no interior de São Paulo, com 3 mil habitantes, cachoeiras mil e tal. A casa era bem boa, com um tanquinho que talvez alguém poderia chamar de piscina, um gramadão delícia, varandona delícia, uns R$ 300 reais em cerveja comprada em mercado atacadista e DEZESSETE pessoas. Conhecia apenas três: duas amigas da faculdade e o namorado de uma delas. A galera era do tal namorado.

O bom de viajar sem conhecer ninguém é que não rola expectativas. E quando não rolam expectativas, a chance de uma surpresa boa é grande.

E foi o que aconteceu.

Gente legal pra caralho! Rolou uma sintonia muito boa entre todos… O único problema é que das 17 pessoas, 12 eram casais (um deles formado e terminado durante o carnaval).  Então, no putaria this time.

Até porque o carnaval de rua em Analândia foi VETADO pelo prefeito evangélico fervoroso, que considera o feriado um sacrilégio. Até tinha um movimento na pracinha, mas só música da pior qualidade imaginável saindo de um carro com som potente – “Rebolation” foi a melhor coisa a tocar, juro – e um povo meio bizarro.

Na noite da segunda, o ponto alto do carnaval: a escola de samba vencedora do carnaval de Rio Claro, a maior cidade da região e, de acordo com o namorado da minha amiga, sede do 3º maior carnaval do estado de SP, se apresentou em Analândia. Escola de samba entre aspas, na real… Eram umas 6 ou 7  pessoas de cada ala, que leva de verdade dezenas. Mas foi muito legal. Tô numa pegada escola de samba, que, gente! Nunca imaginei, viu.

Eu estou me tornando cada vez mais eclética e contrariando antigos preceitos da minha juventude “revoltadinha de 5ª categoria”.  Houve um tempo em que meus pais iam aos desfiles de escola de samba em São Paulo, e eu chamava uns amigos pra ir em casa, jogar WAR e ver MTV.
Mas fui mudando, me entregando à MPB e ao samba bom, de raiz.
Um pouco antes do carnaval, fui chamada pelas mesmas companheiras de faculdade que viajaram comigo para Analândia para ir ao ensaio da Pérola Negra, uma escola de samba nova e pequena de São Paulo, mas que já faz parte do grupo especial há um certo tempo. Vou te contar que me senti em casa, viu. Rolou um aperto no peito tão bom, um orgulho de ser brasileira, uma sintonia com o povo… Sempre tive horror à escolas de samba, desfiles, Sampucaí e o caralho a quatro, mas foi entrar na quadra da Pérola Negra que tudo mudou. No instante em que pisei lá dentro e a bateria contagiante me alcançou, passei a ter vontade de sair numa escola de samba. Um dia eu vou, anotem essa promessa. Mas, desta vez, me limitei a sambar (pular e rebolar, na verdade) com aquelas mulheronas que são destaque.

Me desviei do assunto, mas tudo bem. Analândia foi ótima, mas não tem tanta história a contar. Resumo algumas:

* Teve uma noite em que uma boa parte do grupo ficou tentando adivinhar mímicas de nomes de filmes que dois meninos estavam fazendo. Não ria daquele jeito há tempos, estou rouca até hoje por causa daquela noite, que terminou com 4 gatos pingados bêbados falando de cinema nacional. AMO GRANDE.

* Fomos a uma cachoeira cuja queda era bem aproveitada se descida de bóia. Fui lá testar a brincadeira e achei lindo. Fui repetir. E não é que a bóia me desce de costas? Eu me caguei de medo e me encolhi na bóia: minha bunda ficou desprotegida lá embaixo. Lógico que bateu numa pedra enorme. Na hora não consegui me mexer direito de susto e dor. Daí passou completamente. No dia seguinte, vi um roxo-preto de um palmo (ou mais) na minha bunda. ASSUSTADOR, gente.
Como eu me machuco fácil!
Mas prefiro. Não nasci pra ser mulherzinha e não curtir uma cachoeira por medo de se esfolar, não.

* Na meia-noite do dia 16 (a.k.a. meu aniversário), estávamos na praça e fui esmagada num abraço coletivo. Durante o dia, teve bolo e brigadeiro. E churrasco.

E cerveja eterna.

Piriri eterno.

FIM.

Eu quero praia

Já tive muito orgulho e paixão por essa cidade. O tamanho e o potencial de São Paulo sempre me encantaram, ainda hoje. Mas alguma coisa mudou.

Antes, quando eu viajava, voltar para São Paulo era prazeroso. Pousar em Congonhas era o máximo: ir reconhecendo os pontos de São Paulo e a imensidão da cidade: não tinha fim.

Para quem não sabe, São Paulo é a 5ª maior metrópole do mundo. São 11 milhões de habitantes. É coisa pra cacete.

Mas chega uma hora em que o amor se esvai, como tudo mais na vida.

Sexta foi feriado, e eu fui para Fortaleza, Ceará. Até porque eu tinha direito a passagens de graça e elas expirariam no final de novembro.

A família do meu avô paterno era toda do Ceará, aquela terra de sol, calor, gente simpática, solícita e paciente. A brisa do mar. É uma vida tão boa que simplesmente não cabe em palavras. O Nordeste se libertando de ACMs e coronelismos do gênero. Dá um orgulho! Rola um patriotismo intenso quando vou para o nordeste. Dá orgulho da cultura, do litoral maravilhoso que esse país tem, da alegria e solidariedade do povo.

Não que o povo paulista seja tudo filho-da-puta, mas tente puxar papo com alguém no busão lotado às 18h. A garantia de receber um olhar desagradável e a frieza monossilábica é de 99 em 100.

Quando passei um mês em Salvador (Bahia) em 2007, voltava da praia esmagada no busão lotado de gente voltando do trabalho. Não sei se o principal fator de não rolar stress é porque, ao contrário da Marginal Tietê e da poluição, os olhos baianos cansados do trabalho captam o mar. Só sei que era todo mundo animado. Estranhos começavam a bater papo com estranhos. Um começava a cantar, outro contava piada. E não por dinheiro, como é em São Paulo. Faziam isso por não ter o que fazer, mesmo.

E aí chego em São Paulo: céu cinzento e abafado, cheiro de Marginal Tietê, gente se xingando no trânsito em pleno domingão. Em São Paulo, reina esse individualismo/egoísmo doentio. Trabalha-se muito por aqui. É fato que em São Paulo a gente encontra tudo o que  quiser, quando quiser. Cinema, gastronomia de qualquer lugar do mundo, boteco vagabundo, balada de R$ 500, bar punk, balada de funk, samba, rock, axé, gospel. O que você quiser, tem aqui.

Mas e se eu quiser mais calor humano? E se eu quiser acordar e fazer uma caminhada a beira-mar?

Daí, decidi.

Meta de médio/longo prazo: me mudar para uma capital com praia. Cidade grande, sim. Mas chega de morar longe do mar.

Meu lance com a água é de uma amor imenso. Mergulho na água salgada e me dá uma paz de espírito, uma sensação de que pertenço àquilo. É isso que quero para o futuro: morar na praia.

Ah, hoje é sexta-feira

Não, eu sei que hoje é quinta, na verdade. Mas para mim é sexta, já que amanhã vou faltar no trabalho e ir para uma das minhas praias preferidas no Brasil.

PICINGUABA (o dia tava feião na foto abaixo, desconsiderem esse fator)

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Fica a 7Km da divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro. É um vilarejo de pescadores com apenas 400 moradores que, quando chega a temporada, alugam suas casas pros turistas, uma vez que É PROIBIDO PELA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL A CONSTRUÇÃO DE QUALQUER COISA POR LÁ.

Ou seja: perfeito. Não entra gente demais nem sujeira de farofeiro </preconceito>, mas não rola esnobismo novo rico, só rola natureza, escadarias (as casinhas ficam todas no morro, nem carro chega) e borrachudos mil.

O mar é plácido. Daqueles em que você entra e pode ficar pra sempre boiando, sem medo de correntezas. E é limpo. Com peixes e tudo. E quando faz sol, o pôr-do-sol é de outro mundo.

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Várias lembranças boas de Picin, minha Picin, nossa Picin.

Vou amanhã (falto no trabalho, como já disse) e volto segunda. Melhor jeito de passar o feriado NO HAY.

Recomendo.

Sooooooooo last season

Daí semana passada saí com o Chris, meu ex-melhor amigo de infância.
Não, esse não é o melhor modo de começar. Talvez eu devesse contar a nossa história. Mas aí eu levaria os próximos 5 dias escrevendo. Talvez se eu resumisse… Enquanto decido, vou escrevendo.

Eu tinha 7 anos. Há 2 morava num condomínio na Zona Sul de São Paulo. Piscina, salão de festas, quadra, tudo que criança quer. 5 prédios cheios de crianças com muita energia. Ok, agora cuidado para não me afastar do tópico central.
Primeiro dia na unidade nova do colégio onde eu estudava, dentro do meu bairro. E aí vi aquele menininho loiro que já tinha reparado várias vezes no condomínio, mas que raramente tinha conversado.
Gente, eu tinha 7 anos, impossível lembrar com precisão o que exatamente aconteceu, porque num piscar de olhos estavamos bestfriends forever

Decidi: é impossível escrever TUDO. É como escrever sobre a minha infância assim, sem mais nem menos. Mas vou tentar resumir maaaaaaaaaaaaaaaaaster.

Bom, o resumo é que ele era meu melhor amigo, a gente vivia juntos, me dava muuuuuito bem com a irmã dele, até com a mãe, que era mais difícil de conviver.

Acontece que com 11 anos resolvemos que, bom. Que era uma boa idéia namorar. E transar.

É, gente. Prontofalei, 11 anos.

E isso durou sei lá, 1 ano? Olha, não tô bêbada pra entrar em detalhes sobre essa relação, então deixa quieto.
Beleza. 2 anos depois, decidimos que, sei lá. Era uma boa idéia a gente se beijar, porque a gente já tinha transado mas não tinha beijado. E ele tava meio namorandinho uma amiga nossa e tava com medo de fazer merda, então pq não se a gente testasse, não é mesmo?

Ok. Passa alguns meses.

Muda um menino novo para o condomínio, sensação do Brasil. Roubamos para o nosso clã. Chris começa a querer pegar, eu também. Aí eu pego. Depois ele pega.

Ok, vocês entenderam onde isso vai parar.

Exceto pela parte em que a irmã dele também começa a pegar esse carinha – sem saber do irmão, lógico.
Aí assisto aquilo tudo, acho legal – os dois caras que eu peguei na vida se pegando loucamente. Eu – 14 anos. Aí a mãe dele descobre tudo, inclusive da gente back to eleven years old. Aí proibe a nossa convivência. Nos afastamos.
Mas nem tanto.
Voltamos a estudar juntos no 1º colegial, de tocar o puteiro e fazer parte da turma do fundão. Cabular aula, tal, tal. E aí ele se mudou de condomínio e o que eu pensei ser uma barreira virou uma distância intransponível por ANOS, quando saí do colégio onde estudavamos juntos.

Ele virou 100% gay, eu virei rockeira do mal uhuu, nunca mais nos falamos. Até 2004, quando nos encontramos na Paulista para dar uma volta.

Aí foi aniversário dele de 23 anos e eu FUI. Foi estranho, mas foi bom.

Então, sexta-passada, combinamos de sair. Balada gay.

Primeiro: eu amo gays. Amo mesmo.
Depois: enchi a cara e me esfreguei com mais gente do que a minha já pequena dignidade permitiria.
Terceiro: tudo muda, mas no fundo ainda nos reconhecemos.

É tudo estranho. TUDO.