A (maldita) castidade

Seguinte: a vida sem sexo é complicada.

Não que eu transasse todos os dias da minha vida quando “estava” com alguém (nunca estive com alguém de fato, sem as aspas). Mas rolava uma certa regularidade. Intimidade. Dormir junto, papos na madrugada, chuva caindo lá fora…

Tudo isso ficou num passado distante. Uma época em que minha vida tinha mais sentido, mais alegria e era [quase] imprevisível.

O problema é que desde aquele 2006 único e cheio das paixões, minha vida é pular de galho em galho, pegadas de carnaval, pegadas em balada, bêbados, lixos desprezados pelas amigas e coisas sem dignidade do gênero. Até no sexo, claro. Porque se eu fosse esperar por intimidade, ia ficar uma vida inteira na castidade.

Acontece que sexo sem compromisso nem é tão legal. Não que eu seja promíscua e tenha dado para 100 caras. Nãããããooooo, looonge disso, gente. Mas o fato é que estou na seca há mais de um ano. E aí que um mero fone que desprende do ouvido e desliza pelo pescoço, ombro, costas; um colega que cochicha no meu ouvido; um abraço apertado; tudo isso me lembra que a sensibilidade está a flor da pele e que A CHAPA TÁ QUENTE. (hahahaha)

FODA, povo. Não sei mais o que fazer.

USP e mais do mesmo

Bom, hora de atualizar.

A grande novidade da vez é que passei na USP.

Nem sei se cheguei a falar aqui no blog que prestei geografia. Comecei a fazer cursinho no segundo semestre do ano passado pretendendo fazer alguma coisa ligada a biologia, veterinária… Mas biologia realmente não é a minha. Não suporto biologia celular, não consigo decorar nome de nada e tenho a maior dificuldade do mundo até com as coisas fáceis da biologia.

Mas aí fui vendo que gosto muito de geografia… Até mais do que história. E a concorrência em geografia na USP era ligeiramente baixa. Coisa de 5 e pouco por vaga. Mesma coisa que jornalismo na PUC à época que prestei e passei.

Depois de 2 meses larguei o cursinho e me inscrevi para prestar geografia.

A primeira fase foi triste: fiz 34 pontos de 89 possíveis (cancelaram uma questão – que eu tinha acertado, by the way). A segunda fase, então… Só sentando e chorando. Meu resultado foi pífio. Depois das três provas da segunda fase, estava convencida de que não passaria.

Uns amigos que fazem geografia na USP me garantiam que em alguma lista eu haveria de passar. Mas até disso eu duvidava.

Até o dia 8 de fevereiro, quando cheguei para trabalhar e a @fer4 tinha anunciado no twitter que viu meu nome na lista de convocados da primeira fase da USP. Nem acreditei, mas tava lá:

Ahhhh malandro!!!

Se fiquei feliz? Não tanto assim. Fiquei é surpresa de mesmo tendo ido super mal ter passado. Mas fiquei orgulhosa de poder falar para o mundo: PASSEI NA USP 🙂

No dia seguinte liberaram o boletim de desempenho:

Nice. Orgulhinho.

Ah, o resultado pífio no segundo dia é culpa das exatas, obviamente. Deixei TODAS as questões de física e química em branco. Em branco MESMO. E de matemática só fiz (e acertei) os itens A e B (tinha A, B e C) de uma questão. O resto também deixei em branco. Mesma coisa em biologia: tuuudo em branco.

E ainda assim fui melhor do que a grande maioria e passei na USP!

É, a educação brasileira tem muito arroz com feijão pra comer.

Bom… O meu trabalho novo vai bem.  Sempre no começo é tudo lindo, então acho que só lá pelo 5º ou 6º mês poderei avaliar de verdade se gosto de lá.

Mas alguns fatos já adianto: apanho muuuuito da burocracia de um emprego público. Foi uma treta para ser enfim registrada. Tirando isso, gosto de trabalho externo. Semana passada acompanhei vice-prefeito em formatura de cursos de graduação cujas bolsas foram pagas pela prefeitura; acompanhei entrega de reforma de escola e uma entrevista do prefeito à TV Assembleia. E foi legal pra caramba. É um trampo cansativo, corrido, mas não é difícil. Basta acompanhar os eventos e depois escrever sobre eles. E também cuidar da imprensa, organizar pedidos de entrevistas e reclamações que envolvam a imprensa…

Acho que pela primeira vez na vida não vou ser uma profissional tão medíocre – no sentido literal da palavra, médio, regular, comum – como costumava ser em outros trabalhos. Mas é esperar pra ver.

Com isso vou aprendendo sobre administração pública e conhecendo bastante gente, mas o salário, ó.

As pessoas também são bem legais… Me dou melhor com dois caras, um fotógrafo bem gente boa e um outro jornalista que senta na minha frente. Tão atencioso e gentil que às vezes acho que é falsidade. mas não, acho que é só bonzinho mesmo.

Mas ainda sinto falta da Natália e da Camila 😦

O foda mesmo é o fato de GERAL ser noivo/casado. Sou a única solteira do ambiente da comunicação, que engloba umas 20 pessoas. So sad.

Aliás, minha solteirice está me incomodando de novo. De repente, para tudo que é lugar que eu olho, só tem casais. E só rolê de casal. Ontem fui num karaokê com amigas da faculdade e seus respectivos namorados: 3 casais e eu. Gosto muito delas, e dos namorados delas. E me diverti muito. Mas às vezes sentava e olhava ao redor: casais abraçados e eu sobrando.

Semana passada fiz um churrasco de aniversário. Churrascos de aniversário nunca me decepcionaram até então. Mesmo com situações adversas e às vezes irritantes, sempre acordava no dia seguinte feliz de reunir amigos.

Mas agora mudou.

Primeiro churrasco na minah vida que me fez repensar o ato de comemorar meus aniversários, coisa que eu sempre adorei.

Aquele monte de casal, cada um isolado num canto. E dois ou três solteiros perdidos.

Por mais que eu goste muito da maioria dos casais e sinceramente deseje um futuro próspero para eles, me incomoda pra caralho ver TODO mundo namorando e a vida me deixando para trás de novo… E cada vez mais gritando na minha cara: “VOCÊ FOI FEITA PARA FICAR SOZINHA: ONTEM, HOJE E SEMPRE”. Acabo de completar 25 anos sem qualquer relação. O máximo que tive até hoje foi uma situação em que eu era step, e durou dois meses, e outra situação em que eu era um… uma marmita, e durou 6 meses.

O chato é não ter como fugir dessa situação. E não estou solteira porque “antes só do que mal acompanhada”: posso baixar o nível até o esgoto, e ainda assim fico sozinha. É impressionante.

É só casal, é só namorado por tudo que é lado. E essa agonia e solidão que pelo visto, por mais que uma esperança idiota insista em dizer que não, sei que irá me acompanhar pela vida.

Sempre triste as pessoas me perguntando: “e os rolos?” e eu respondendo: “absolutamente nada”, não por naõ querer falar da minha vida, mas por não ter nada a contar, mesmo.

Hoje, sábado a noite, uma caixa de bombons pela metade e um convite para uma balada ruim em que eu posso pegar uns 20, mas que em NADA altera a solidão…

Amanhã (sim, domingo), eu trabalho. Aniversário de Osasco. Segunda começa a USP: e se renovam as esperanças de conhecer novas pessoas…

Maldita esperança. Odeio muito ficar cheia de espectativas e sempre… SEMPRE quebrar a cara. E SEMPRE continuar sozinha.

E só queria mandar tomar no cu com fervor as pessoas que disserem para eu ter uma atitude mais positiva, ou que disserem que isso é falta de deus no coração. Tanta gente negativa pra caralho que tá sempre namorando… Tanto ateu por aí casado e feliz… Então persisto com a pergunta: O QUE EU TENHO DE ERRADO?

Anônimos, conto com vocês para me dizer o que eu tenho de tão errado que faz com que ninguém no universo cogite qualquer coisa além de uma one night stand comigo.

Enfim.

Os anos passam e os desabafos continuam os mesmos.

Ô vida dura

Já diria o meu personagem preferido de todos os tempos
Snape
:  Well, it may have escaped your notice, but life isn’t fair.
(Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Pois é, a vida é injusta. Tudo bem que nem sempre eu sou a pessoa mais legal do mundo. Longe disso. Sou egoísta pra cacete, sou interesseira e meu caráter varia de acordo com a necessidade. Mas sou sincera, isso sou.

Mas tem gente que realmente não vale nada e sempre consegue as coisas. É pedir muito alguém que goste de mim? Eu não sou diva, estou longe disso. Mas sou inteligente, sei manter um diálogo – na real converso sobre qualquer merda -, sou bem humorada… Qualidades que atraem as pessoas, sabe. Tanto que tenho bastante amigo, até. Mesmo sendo relapsa e raramente correndo atrás das pessoas.

Mas ninguém nunca tem uma porra de um interesse sexual por mim. Não, sexual até tem, minto! É esse o problema. Além de dar, que tal conversar, sabe. E que tal dar não apenas uma vez?

Ninguém nunca me liga depois, ninguém se IMPORTA comigo, sabe. Já passei da fase “ninguém me quer”, porque dar é fácil. Só não posso ser exigente, porque, né. Eu tenho espelho em casa.

Mas tem tanta gente pior do que eu… Burra… Sem personalidade… Feia mesmo. Chata. Cricri. Fresca. E eu sou tão legal, meu. Tenho tantos amigos que realmente gostam de mim, sabe. Foda essa eterna crise.

Só queria que alguém legal gostasse de mim. Só.