Europa 2014/2015 (parte 1: Berlim)

Todo o mundo real e virtual está careca de saber que passei maravilhosos, fantásticos, esplêndidos 19 dias na Europa agora entre o final de dezembro e começo de janeiro.

Posso resumir a viagem inteira em palavra: perfeição. A viagem foi tão perfeita e mágica que achei que meu avião da volta iria cair. ALGUMA COISA tinha que dar errado. (Não deu).

Melhor viagem que fiz na vida, e olha que só planejei as cidades-base e fui decidindo o que fazer assim que acordava.

Vou dividir a viagem em 5 posts: os 4 destinos “cidades-base” (Berlim, Praga, Munique e Zurique) e um post dedicado, let’s say, à alta socialização durante a viagem (esse último post será com senha. Interessados, entrem em contato).

Hoje começamos com Berlim.

Saí de casa – São Paulo, Brasil – com uma temperatura de 32°C. Mal podia esperar pelo inverno europeu de neve e temperaturas negativas. Minha mala, no entanto, foi enxuta: meros 13kg para 20 dias. Algumas leggings e blusas para usar como segunda pele; 4 blusas mais grossas para segunda camada, duas calças jeans, uma bota de neve, underwears e meias, cachecol, luvas e uma blusa de frio intenso, impermeável, comprada por meros R$ 150 na Decathlon. A bota e as blusas segunda-camada também comprei lá. Só queria dizer que eu não teria sobrevivido à sensação térmica de -15°C em Praga se não fosse esse excelente casaco e as botas de neve.

Aliás, me perdoem, mas preciso dar umas dicas sobre inverno na Europa.

Se você vai para a Europa, não seja imbecil como as brasileiras que conheci por lá, que iam andar pela cidade com a mesma bota que usam no inverno paulistano. E nem com o mesmo casaco que você usa em Campos do Jordão.

Antes de viajar eu tinha ido à outra loja de esportes procurar o casaco. Na Mundo Terra, a que eu queria custava APENAS R$ 1999, quase o que paguei de passagem aérea. Risos. Não comprei, obviamente. A vendedora queria me entuchar meias especiais, casaco corta-vento, primeira, segunda, terceira, quinta camada…

Também não é pra tanto, galera. Eu tava indo pra Berlim, não pra Antártida. -5°C não são -40°, né. HÁ LIMITES.

Foi meu segundo inverno na Europa e em nenhuma dessas vezes peguei hipotermia. Nem resfriado. Nem nada. Sinal de que deu certo, né?

Enfim. Mala leve, porque desfile de moda não é comigo, nunca foi. Despachei a mala no aeroporto e fui encontrar Chris (o amigo suíço), que tinha voo para Zurique quase no mesmo horário que eu, e a namorada, que estava lá para se despedir. Combinamos de nos encontrar em Zurique dia 3/1. Tomamos uma cerveja juntos e zarpei para o meu périplo São Paulo – Paris – Berlim (a volta seria Zurique – Paris – São Paulo. Tudo Air France. Paguei R$ 2800 pelas passagens, já com todas as taxas inclusas).

O voo até Paris foi demoníaco. Uma turbulência safada desde a saída de São Paulo até chegar à Europa. 10h tremendo tremendo tremendo. Nada surreal, não achei que ia morrer, mas foi muito incômodo. Tanto que passei os próximos 3 dias em Berlim com uma vertigem fortíssima, que só posso atribuir à turbulência.

Papi fez meu check-in online e fez uma trapalhada: um upgrade no voo Berlim – Paris. Acabei indo de executiva nesse trecho de menos de 2h. hehe. Mas consegui fazer valer um pouquinho, pois usei a sala VIP da Air France no Charles de Gaulle, tomei chocolate quente, usei a tomada, usei wifi. No voo, um café da manhã bacaninha:

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Além disso fui a primeira a desembarcar e a primeira a pegar a mala. A parte ruim é que essa burrice custou a papi R$ 300.

BERLIM, Alemanha. 22 a 27 de dezembro.

Cheguei a Berlim com um tempo desolador: super cinzento, chovendo. 3 ou 4°C, não lembro.

Segui as instruções do site do hostel para ir de transporte público do aeroporto até lá, e fui super tranquilo.

Cheguei ao hostel umas 13h30, antes do horário de check-in. Mas eles me deixaram já ir pro quarto.

Fiquei no The Circus Hostel, no Mitte (Mitte significa meio. O bairro Mitte é assim chamado porque fica no meio da cidade de Berlim, dãããr). Peguei um quarto privativo com banheiro compartilhado que me custou € 284,10 por 5 noites. O quarto era super espaçoso, se pensarmos no padrão-hostel. Hostel limpinho, staff sempre atencioso, uma puta localização – fiz praticamente tudo andando -, um ótimo e muito barato bar downstairs, hóspedes bacanas e amigáveis… Estou segura em afirmar: melhor hostel que já fiquei. (Dica do primo Gustavo. Valeu!!!!)

A vista do meu quarto:

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O bondinho amarelo – tram – é hiper silencioso.

Larguei as coisas no quarto e fui passear pela cidade (eram 15h e pouco e já começava a anoitecer).

Fui andando às vezes olhando o mapa, às vezes ignorando-o. Berlim é uma cidade bem fácil de andar. Em alguns dias em já fazia todos os caminhos sem consultar sequer uma vez o mapa.

Mas no primeiro dia tudo era novo. Andei por umas ruas com lojas estranhas. Dezenas de lojas dedicadas a fetiches sexuais, como roupas bem antigas, ou só de couro… Também uma loja de sapatos chamada “Atheist”, cuja vitrine ostentava a frase: “For those who live on their feet, not on their knees”. Achei totalmente maravilhoso e instantaneamente me apaixonei pela cidade.

Também me deparei com várias vielas que a princípio pareciam degradadas e abandonadas (temos várias dessas no Brasil, vcs sabem), mas que eram uma verdadeira cidade dentro. Restaurantes, cinemas, lojas alternativas. Sensacional. E tudo cheio de grafite, é claro. Arte urbana em Berlim é um caso a parte.

Segui meu trajeto até chegar à beira do rio Spree. Ali, vi a Museumsinsel, a ilha dos museus, onde estão os principais museus da cidade. Tirei selfie com o belíssimo Berliner Dom atrás de mim.

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A frente do Altesmuseum (Alt = old. Velho.) e os jardins do Lustgarten.

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Um problema das datas que escolhi para visitar Berlim é que a grande maioria dos museus fecha no período entre natal e ano novo. A Alemanha leva MUITO a sério feriados, quase nada abre… Se eu soubesse disso, teria aproveitado esse primeiro dia para visitar um dos museus da Ilha. Não fui, e nos próximos dias só os encontraria fechados. Ok, no harm done. Já tenho motivo para voltar. Hehe.

Acabei indo a outro museu, indicado por uma amiga, e também para fugir do frio e da chuva. O DDR. Trata-se de um museu 100% interativo dedicado à Berlim Oriental. O mote é “experimente como era a vida na Alemanha socialista”. Tem tudo lá: carros, uniformes de escola, livros, roupas, instrumentos de trabalho, entretenimento e tudo imaginável sobre a Alemanha oriental. É bem bacana.  E não achei tão parcial quanto tinha imaginado. Você entende bem os prós e contras do regime no qual os caras estavam inseridos.
Só que o museu estava entupido. A parte “interação” ficou bastante prejudicada.

Fui embora totalmente destruída e faminta. Na frente do hostel comprei uma garrafinha de vinho, para garantir um sono de pedra, uma garrafa de água (a única que comprei em 20 dias de Europa – a água da torneira deles é potável), e um sanduíche bizarro, que foi meu almoço and jantar. Comi no quarto e apaguei em poucos minutos, antes das 20h. Amo muito o fuso deles: para mim já eram 23h…

23 de dezembro, walking tour e chuva

Tomei café-da-manhã no hostel. Esquema all-you-can-eat por €5. Meio carinho, mas eu tava com fome, mal tinha comido no dia anterior, então valeu a pena.

Segui a sugestão da moça da recepção: primeira vez em Berlim, um walking tour é uma boa pedida. Walking tours são super comuns nas grandes cidades turísticas do mundo. Até São Paulo e Rio têm. Optei pela modalidade “tour completo, 6h, €15”. Perguntei se mesmo com aquele tempo tenebroso – bastante chuva – rolava. Me disseram que sim. Encarei a chuva e fui até o ponto de encontro. No caminho, não uma, mas DUAS pessoas me pediram direções. Em alemão. Como assim tenho cara de alemã, gente? hahaha

Enfim. No ponto de encontro, a guia nos encontrou e nos levou até outro ponto, para termos um grupo maior. Também trocamos de guia. Agora era um homem, irlandês, LINDO DE MORRER (mas acho que gay). Irlandês explicando sobre Berlim? Como assim? Muitos walking tours depois, aprendi que as empresas dos tours contratam gente que fale inglês bem, com boa oratória e com um quê de humor. Quanto aos conhecimentos do lugar, é de menos. Ok, isso é meio triste, concordo. A chance de ouvir informação errada é grande. Mas de qualquer forma vale a pena.

Começamos o tour na frente da maior Sinagoga da Europa, a “Nova Sinagoga”. No interior, há uma réplica do muro das lamentações com pedras trazidas de Israel. Não, não entramos.

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De lá fomos seguindo pelas ruas da região, parando vez ou outra para ver uma escola de judeus quando, certa vez, militares entraram, pegar as crianças e mandar para campos de concentração, assim, sem mais nem menos; símbolos no chão dizendo “aqui morou a família XXX, morta pelos nazistas em 19XX” e coisas assim. Ou: esse prédio foi bombardeado pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial; esse quarteirão foi destruído pelos americanos na 2ª Guerra…

É tão surreal. Mesmo com todas as marcas da história, é tão difícil conceber que algo tão sinistro tenha mesmo acontecido nessa cidade…

Berlim é impressionante. Em menos de 100 anos, a cidade viu a ascensão e a queda do nazismo e a ascensão e a queda do socialismo. Arrepiante.

Falando em socialismo, as marcas do Muro de Berlim estão por toda a parte. Em alguns lugares, resquícios do muro.

Em outros, placas no chão para marcar onde ficava o muro que separava Alemanha socialista e Alemanha capitalista.

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Pedaço do muro, próximo ao Checkpoint Charlie, um dos principais pontos de entrada e saída das duas Alemanhas. Nesse trecho, uma cerca (!) protege o que sobrou do muro de predadores, AKA turistas que querem um pedaço da História para si.

Próxima parada: Parlamento Alemão

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Dizem que tem uma vista bem legal desse domo de vidro, no centro do prédio…

O Parlamento guarda histórias tanto da época do nazismo quanto do socialismo: um memorial aos parlamentares de oposição mortos a mando de Hitler fica bem do lado do prédio. Em cada placa de aço tem um nome, um partido político, uma data (da morte) e o local de morte. A maioria é campo de concentração, como Dachau e Auschwitz.

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O Parlamento também foi um ponto crucial da tomada da Alemanha Oriental pelos soviéticos. De lá essa foto clássica foi tirada, logo após o fim da segunda guerra:

Next stop: Brandenburger Tor, o principal cartão postal de Berlim. A antiga porta de entrada da cidade.

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Em seguida, como não poderia deixar de ser, mais história:

Screen Shot 01-16-15 at 03.49 PMUm bizarro Memorial aos Judeus Mortos na Europa simula, em mais de 2 mil blocos de concreto alinhados, os mais de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Pesadíssimo. Arrepiante. Necessário.

Enquanto isso, turistas babacas tiravam selfies sorrindo. Como pode tamanha imbecilidade e falta de respeito? Tsc, tsc, tsc.
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Esse estacionamento nada mais é do que o local onde ficava o Bunker do Hitler. Onde ele foi (?) encontrado morto. Até hoje há teorias de que o cadáver não era dele, e que ele viveu seus últimos anos de vida sossegado na América do Sul, como de fato ocorreu com outros grandes nomes do regime nazista.

Enfim.

O Bunker era enorme e o que ainda resta dele está abaixo do solo. O governo alemão não quer tornar o lugar um ponto turístico. As razões são compreensíveis, né? Por isso, o lugar hoje é um mero estacionamento.

De lá seguimos até o Checkpoint Charlie, já citado anteriormente.

Na região, achei interessante uma agência de turismo que aluga os antigos carros fabricados pela Alemanha Oriental, os “Trabi”, para um passeio pela cidade. Não, não fiz o passeio. Acho que é um pouco demais, não?
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Ainda passamos pela bela praça Gendarmenmarkt, onde é realizada uma das mais tradicionais Feiras de Natal da Alemanha (fui lá no último dia), e pela frente da Universidade Humboldt e a Praça da Ópera, onde ocorreu aquela famosa queima de livros promovida por Hitler em 1933:

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Aliás, o gesto nazista (a mão esticada) é um gesto proibido por lei. Dá multa e cadeia. O guia falou o valor da multa para quem desrespeitar. É um valor altíssimo, mas eu não lembro e tô com preguiça de pesquisar.

O tour terminou e já era noite cerrada. Pernas doíam, frio por todo o corpo. Mas foi nesse dia que agradeci ter comprado a bota de neve e o casacão. Ambos se mostraram realmente impermeáveis. Obrigada, Decathlon.

Voltei para o hostel, jantei um pedaço de torta com Kartoffelsalad (salada de batata – aparentemente eles colocam salada de batata até quando é coisa doce), tomei umas cervejas e fim dos nossos serviços.

24 de dezembro, Alexandreplatz, Nikolaiviertel, Eastside Gallery e véspera de Natal

Dia de rolê by my own. Tava um frio da desgrama, temperatura negativa, e continuava chovendo. Mas comigo não tem tempo ruim. Minha programação era ir à Alexanderplatz, à Nikolaiviertel e à Eastside Gallery, tudo a pé. Concluída satisfatoriamente.

A Alexanderplatz é uma praça enorme, cheia de lojas, shopping e mil coisas, bem perto do hostel. Obviamente o local sediava uma Feira de Natal, com centenas de barraquinhas vendendo de tudo um pouco: brinquedos, roupas, doces, comidas típicas… E no centro rolava uma pista de patinação. Eu não tive coragem: só tinha pró patinando. Até as criancinhas pequenininhas eram pró. Eu ia ser a grande atração (mico) do lugar…

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Vi por ali uma loja com cara de coisa barata e me dei conta de que não tinha um gorro. Precisava de um gorro. Entrei na loja. Foi meio ÚNICO ímpeto consumista em toda a viagem. Saí com o gorro (€3), e também com cachecol, três (!) calças jeans, cada uma a € 6,50, top de ginástica, uma blusa (a amarela, que vocês me verão usando no Ano Novo e na minha última noite na Suíça) e meias. Gastei menos de € 40. Amo muito.

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Já passava do meio-dia e eu ainda tava de jejum. Mandei uma porção dessa aí de cogumelo, na foto acima. Com molho de alho e pão.  Bagulho oleoso até dizer chega. Não caiu nada bem, maior revertério intestinal… Sorry a too much information. Mas ainda tinha muita coisa o que fazer naquele dia, aguentei à duas penas o máximo que pude.

Andei até o Nikolaiviertel, que sediava mais uma Feira de Natal. O que não era Feira de Natal eram obras. obras, obras e mais obras. Guindastes, lama, tapumes. Nenhuma foto aproveitável, exceto essa, que traz o novo e o velho:

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A igreja mais antiga de Berlim e a modernidade da Torre de Tv, atrás.

O Nikolaiviertel tem várias vielas com cafés, lojas, restaurantes, tudo com um jeitinho de cidade medieval. Fofo. Mas as obras e a chuva forte que caía no momento não colaboraram.

Andei então até a Eastside Gallery, uma boa caminhada por um lugar totalmente sem graça. Fica o aprendizado: melhor ir de tram (o bondinho).

A Eastside Gallery é uma área ao ar livre que preserva parte do Muro de Berlim e traz em suas duas faces obras de artistas de rua (achei os grafites meio sem graça. Sou muito mais um Kobra ou OsGêmeos, desculpa aê). Mas valeu a experiência.

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Não satisfeita com as pernas doendo, o intestino em frangalhos devido aos cogumelos com alho, a chuva que insistia em cair e a distância de 5 km que teria de percorrer, voltei ao hostel andando por mais uma rua totalmente sem graça. Fica o aprendizado².

É véspera de Natal, todo mundo com a família bláblá. Abdiquei faz tempo dessas coisas. Depois de um bom banho, desci ao bar do hostel. Encontrei um brasileiro que eu tinha conhecido no walking tour do dia anterior e, quando vi, estava ensinando o melhor drinking game do mundo (SUECA!) para um grupo de australianas, chineses, americanos e outro brasileiro; bebendo litros de cerveja; tomando shots de bebidas desconhecidas e me divertindo muito, muuuuuito.

Minha ceia de natal:

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Era tipo uma pizza, mas muito mais leve. Dizem que é especialidade suíça. Sei lá. Tava gostoso e segurou a barra.
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Até gorro de Papai Noel apareceu na minha cabeça, sabe-se lá de onde.

25 de dezembro, Berliner Fernsehturm

Saí na rua e tinha céu azul! Sol! Uhuuuuu!

Só que cada centímetro do meu corpo doía e a vertigem, que tinha diminuído nos dias anteriores, voltou com tudo (pq bebi horrores, eu sei). De modo que o dia teria de ser light, muito muito light.

Aproveitei o dia bonito para um rolê de vista panorâmica: a Berliner Fernsehturm. Até porque era Natal e 10 entre 10 estabelecimentos (de farmácias a lojas, passando por museus, restaurantes etc etc) estavam fechados. Mas a torre estava aberta, então bora lá.

€17 para subir no lugar. Bem caro. Mas acho imprescindível uma vista panorâmica. E minhas contas estavam muitíssimo em ordem: in fact, estava gastando muito menos do que imaginava.

Só que tinha uma fila de quase 2h. Só que era por senha, o que permitiu que eu fosse dar um rolê, comer alguma besteira, tomar um chocolate quente, curtir um maravilhoso sol gelado e voltar a tempo de chamarem o meu número.

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E olha… Valeu a pena.

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Na foto dá pra ver um pedaço da Feira de Natal da Nikolaiviertel, o Berliner Dom, o Portão de Brandemburgo e o Tiergarten lá atrás…

Mas eu mal conseguia ficar em pé de vertigem. Não chegava a dar enjoo, mas parecia que tinha um terremoto eterno sob meus pés. Sensação horrível.

Voltei para o hostel e dormi para ver se melhorava.

3h de sono e quando acordei não havia mais sinal de vertigem.

Nessa noite, o hostel promoveu um jantar de Natal €10 por pessoa. De entrada uma sopa, frango com legumes de prato principal e um musse de sobremesa. Com vinho branco. E uma cerveja mais tarde. Meio fracote, mas por 10 tá valendo.

Ao descer para o jantar não reconheci ninguém da noite anterior. Me sentei numa mesa com duas americanas, um inglês, três australianos, um canadense e mais tarde se juntou a nós um mexicano. Aparentemente era uma mesa com roommates de 2 quartos e eu, a burguesa do quarto privativo. hahaha. TÔ NEM AÍ, quero conforto nessa vida.

Long story short: noite DIVERTIDÍSSIMA. O mexicano descolou shots de Agave para nós (uma bebida feita com a mesma planta que a tequila, só que num processo mais lento e elaborado, algo assim), tomamos muita cerveja, descemos para o bar, bebemos mais, mais gente foi se juntando ao nosso grupo… Uma coisa louca.

Mas não me demorei tanto quanto gostaria. Tava com medo da vertigem voltar.

26 de dezembro, último dia em Berlim

Primeiramente, acordei e olhei a janela:

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Nevando ♥

Não é a primeira vez que vejo neve (minha primeira vez experiência com neve foi em 1994, em Bariloche, Argentina); não é a primeira vez que vejo nevar (a primeira vez foi em Lucerne, Suíça, em 1997). Mas é sempre um espetáculo lindo, ainda mais para nós, nada acostumados a isso. Os floquinhos de neve são de uma beleza e perfeição indescritíveis. A neve é linda, gente.

Estava sossegada tomando café da manhã e planejando o meu dia (rolê pela Strasse des 17 Juni, Tiergarten, Postdamerplatz, Gerdamenmarkt e museu da história alemã) quando uma das pessoas que conheci anteriormente sentou na minha mesa e perguntou se poderia fazer o rolê comigo. Lutei contra meu espírito individualista ao extremo e topei a companhia da Cathy, uma chinesa que mora há anos na Austrália (e para quem ensinei sueca dois dias antes).

Cathy e eu fomos de metrô até o Portão de Brandemburgo, nosso ponto de partida para o tour do dia. Geral se divertindo com a primeira neve da temporada. Tive essa sorte. E também alguém para tirar fotos para mim 🙂

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Só que como podem ver pelo tapume branco, algo estava rolando: metade da região estava interditada, até para pedestres, por conta dos preparativos para a festa de ano novo (a Strasse des 17 Juni é tipo a Avenida Paulista de Berlim – os grandes eventos são todos lá). Assim, o meu primeiro plano, de andar pela rua, foi pro saco.

No harm done. Entramos no Tiergarten, o Central Park de Berlim, onde, no verão, a galera toma sol pelada. Obviamente no inverno são outros 500. A paisagem é bem diferente. De qualquer modo, lindíssima: as árvores nevadas são de tirar o fôlego.

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Seguimos então até a Postdamer Platz. Passamos pelo Memorial do Holocausto, pelo Bunker do Hitler e por outros lugares, e eu fui explicando à Cathy o que era o quê, sendo eu a guia, dessa vez – ela não tinha feito o walking tour.

Na Postdamer Platz… Adivinhem:

Sim, Feira de Natal. Hahha

Só que em vez de pista de patinação, tinha uma ladeira de gelo para descer com boia inflável – opa, isso eu encaro!

Cathy e eu de fato encaramos. € 1,50 a brincadeira.

Screen Shot 01-16-15 at 05.46 PMFoi divertido =D

Andamos até o Sony Center, que tem uma caralhada de coisas, restaurantes, museus, Legoland, lojas… Sério, é um mundo. Mas não ficamos muito lá. Continuamos a jornada.

Logo estávamos na Fassbender & Rausch, a maior loja de chocolates do mundo.

Na fachada estão expostos importantes monumentos de Berlim, tipo o Parlamento e o Portão de Brandemburgo, feitos de CHOCOLATE. Tinha placas para não tocar, mas obviamente uma galera metia a mão para ver se era mesmo chocolate. Pela reação delas, era.

Resolvemos almoçar na feira de Natal da Gendarmenmarkt – falei à Cathy que era a mais tradicional da Alemanha e talz. De fato, era bem diferente das outras. Mais típica, digamos. Poucos turistas, muitos locais.

Provei pela primeira vez na vida um Eggnog (é estranho) e Cathy foi na minha onda:

2014-12-26 22.13.14Comemos um negócio que todo mundo tava comendo, parecia uma pizza, com um queijo esquisito e bacon. Muito bom.
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Französischer Dom, linda igreja na Gendarmemarkt.

Próxima parada: Deutsches Historisches Museum, o museu de história alemã – único museu aberto no período entre natal e ano novo. Bagulho é ENORME, gasta-se um século para vê-lo inteiro e com atenção. Só dispúnhamos de 2h, por tanto vimos bem rapidamente a história antiga alemã e um pouco mais atentamente o século XX, muito mais interessante (nazismo e ruptura entre as duas Alemanhas).

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Há um vasto material sobre as guerras. Propaganda política, documentos, fotos… Bem interessante.

Saímos de lá e já era noite cerrada. Passamos na frente do Berliner Dom e me deu vontade de entrar.

Eis o altar da bela Catedral:

Screen Shot 01-16-15 at 05.47 PM 001🙂

Berlim é incrível.

Voltei ao hostel, tomei banho e lá fui eu para o bar de novo haha. Encontrei o brasileiro do walking tour e fomos jantar kebab ali pertinho. Voltei para o hostel e para o bar, obviamente. Conversei com brasileiros, com o inglês e o canadense do dia anterior, depois um grupo de australianos jovens me convidou para a mesa deles – mas não suportei por muito tempo as poop stories deles – depois encontrei o mexicano da noite anterior e, finalmente, fui dormir. Precisava acordar em poucas horas – meu trem para Praga saía às 7h e pouco da manhã!

CONTINUA.

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EUA 2014: NY, Boston, Miami em 4 dias

Breve (não tão breve) histórico. Se quiser role direto para o relato de viagem, lá embaixo.

Tô meio que de saco cheio de pessoas me perguntando “mas como você gosta de fazer viagens tão curtas?”. Olha, não é questão de gosto. É questão de oportunidade. Por mil razões, dentre as quais: viajar durante temporada é caríssimo e tenho horror a lugar entupido de gente; meus trabalhos são instáveis e não consigo planejar férias; viajar muito tempo = caro. viajar pouco tempo = menos caro.

Enfim. Fato é que fiz mais uma dessas viagens curtíssimas agora no começo de abril.

Tudo começou em setembro do ano passado. Minhas milhas da TAM expirariam em 1 mês e daí surgiu uma linda promoção de milhas reduzidas para ir para NY. Nem hesitei.

Meu pai se animou e me deu as milhas dele que estavam vencendo para um voo NY-São Francisco. Ok.

Daí o tempo foi passando, arranjei um trabalho do qual não pretendo sair, a viagem foi chegando e tudo indicava que não conseguiria folgar muitos dias e emendar com o feriado da páscoa – o que eu planejava fazer, a princípio.

Entre cancela daqui, pondera de lá, decidi em janeiro cancelar a parte São Francisco e só faltar 3 dias no trabalho. O problema é que passagem só um trecho é MUITO mais caro que comprar ida e volta. Daí me fodi.

A passagem mais barata para o Brasil que achei era MIA-GRU via Gol (coisa de R$ 1100 – ida e volta custava uns R$ 1500). Mas não tinha escolha: comprei.

Então eu tinha a ida: 10/4 – GRU – NY pela TAM, e a volta, 14/4 MIA-GRU pela Gol. Faltava o resto.

New York – Miami era um valor absurdo, quase R$ 1000 a passagem. Tentei cidades próximas: Washington, Philadelphia, Boston. Consegui passagem Boston-MIA por R$ 440 já com taxas. Ok.

E foi assim, totalmente pensando no dinheiro, que elaborei a viagem. No fim das contas foi excelente, fiz quase tudo do que planejei e passei bem.

10 de abril, quinta-feira

Saí de casa 4 da manhã. Fui de táxi para Guarulhos, usando a liiiinda promoção da Easy Táxi e do Santander, que das 22h às 6h, usando o aplicativo e pagando com cartão de crédito Santander, você paga só 50% do valor do taxímetro. Decolou 8h e pouco. Voo ok. Assisti “Doze Anos de Escravidão” no voo e achei meio blé.

Pousamos em NY 17h e pouco. No controle de passaporte, uma surpresa: o moço não me pediu passagem de volta, não me perguntou o que eu fazia da vida, nada. Carimbou meu passaporte e chamou o próximo. Lindo.

Peguei o Super Shuttle para ir até o albergue. U$ 18 e te deixam na porta do hotel, acho digno. Só que tava um trânsito insano – quinta-feira, 18h e pouco, uma das maiores metrópoles do mundo. Pensa. Mas tudo bem, porque estava uma tarde LINDA e fui abençoada com isso aqui:

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Apenas o skyline de Manhattan com um pôr-do-sol maravilhoso. Só isso.

É brega, sei que é, mas me caiu uma lágrima. Foi tipo NY demonstrando seu amor por mim. I♥NY. De verdade.

Só que o trânsito me ferrou, só cheguei no albergue 20h e pouco e várias coisas que eu pretendia fazer ainda na quinta foram pro saco. Paciência.

Da outra vez que fui pra NY, fiquei no HI Hostel. Bem bom, só que em Uptown, dependia de metrô para absolutamente tudo. Então dessa vez optei por outro.

Como uma das minhas metas em NY era conhecer o Highline Park, o local foi meu ponto de partida. Acabei optando por ficar no bairro de Chelsea, no albergue Chelsea Highline Hostel.

U$ 50 a noite, com café-da-manhã (podrão, mas…) incluso. A melhor parte: quarto com só duas pessoas. Você e mais um.

Só que era um albergue velhão, a beliche zuada, rangia a qualquer movimento e jurei que ela cederia ao meu peso (ao subir as escadinhas, de fato quase tombou em cima de mim. tô gorda mas calma lá, né).

Pior: quando cheguei, a recepcionista gritou: “I’m on my break!” e eu respondi “I need to ckeck in”. Ela veio com a cara mais emburrada do mundo. Tipo, desculpa, passei 10h em avião e outras 2h no trânsito. Vá se foder e respeite os hóspedes.

Isso feito, tomei um banho e saí.

Andei até o metrô. Outro ponto negativo do hostel é que a estação mais próxima ficava a quase 15 minutos de caminhada.

Parei na Christopher Square para ir ao Jazz que me recomendaram. Antes comi um autêntico hot dog americano. Sem purê, nem ervilhas, nem nada dessas bichices que brasileiro inventa. Só pão, salsicha, mostarda e catchup.

De lá fui ao Smalls Jazz, o tal recomendado. U$ 20 a entrada (pros padrões locais, dizem que é honesto).

Descia uma escadinha e lá estavam algumas dezenas de novaiorquinos – certamente nenhum turista – sentados em bancos ouvindo um jazz e tomando cerveja no pós-expediente.

Fiquei um tempo em pé, até a moça garçonete fofa me arranjar um lugar divino na frente da banda:

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Pedi uma Guiness (U$ 8) e fiquei lá de buenas curtindo música de qualidade e tocada com paixão.

Não aguentei ficar muito, porque sou do tipo de pessoa para quem a música é um complemento da atividade, e não a atividade em si. Assim, 2h depois peguei um táxi (pois é, nível financeiro subiu, nível de conforto subiu junto) e fui pro hostel, que era bem pertinho. Não deu nem U$ 10 o táxi.

11 de abril, sexta-feira, NY 

Meu único dia inteiro em NY. Acordei 7h e pouco, comi um bagel com geleia no hostel e andei até a entrada de cima no Highline, isso é: na 10th Ave com a W 30th St.

O Highline Park é um projeto arquitetônico foda. Saca o minhocão, em São Paulo? Então. Trata-se de um elevado enorme para o transporte sobre trilhos, que passa por meia Manhattan, criado na década de 1930. Nos anos de 1980, os trens pararam de circular por lá. A comunidade, pensando no quê fazer, se uniu com o poder público e, em 2009, o parque foi aberto. Dizem que logo, logo inauguram uma segunda parte do parque, que vai da 30th em direção a Uptown (atualmente só funciona o trecho da 30 até Downtown).

Ele tem diversas entradas, é totalmente acessível a deficientes físicos e possui espaços para eventos culturais, como um pequeno anfiteatro, banquinhos e locais para exibição de filmes ao ar livre e tal.

NY é tão cultural ♥

Fiquei um pouco decepcionada porque em todas as fotos eu via o parque Highline realmente como um parque, isso é, com área verde. Só que o inverno norte-americano foi muito rigoroso esse ano, então a primavera está sofrendo: nada de vegetação vigorosa, nada de cerejeiras floridas no Central Park. Uma primavera que mais parece um Outono 😦

Eu num dos únicos pontos do Highline com um pouquinho de vegetação:

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Terminei o percurso no elevado mais rápido do que imaginei. De lá, segui andando até Washington Square, só porque queria tirar foto do arco do triunfo que aparece sempre em Friends (pretendia ir ver o prédio dos Friends também, mas desisti):

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De lá, peguei o metrô para a 66th, para ver o Lincoln Center, um complexo cultural GIGANTESCO que ocupa muitos quarteirões e onde fica o Ballet de NY, o Teatro Municipal e várias outras coisas.

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Segui pela 66th até o Central Park. Queria ver as cerejeiras, tava rolando festival primaveril. Ou pelo menos dizia o site. No caminho achei uma pequena orquestra de crianças executando uma performance. Parei e fiquei olhando. Tocaram, dentre outros, a música do Rei Leão e “New York, New York” (Frank Sinatra) – chorei, te juro:

http://www.youtube.com/watch?v=Ak2MdVfTf34 Toda emotiva besta apaixonada por NY, confesso ♥♥♥

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Central Park liiiindo

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Strawberry Fields de novo. Da outra vez tinha uma decoração mais-MAIS, só que dessa vez tinha morangos. Achei fofo.

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Acima, Sheep Meadow, ainda no Central Park. Trata-se um um extenso gramado onde a galera fica deitada a toa tomando sol no verão.

Minha intensão no Central Park era ver o Carrossel e as cerejeiras. Não achei o carrossel (nem sei se existe) e as cerejeiras não deram flores porque o inverno foi muito rigoroso.

Pior: Central Park é um labirinto verde. No matter what, sempre ando em círculos e nunca acho o que quero. Mas sempre vale a pena.

De repente me deparei com uma estátua do Christopher Columbus (as in Cristóvão Colombo kkkk). E, olha que impressionante: minha intensão era atravessar o parque. Acabei saindo pelo mesmo lugar por onde entrei HAHAHAHHA

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Next stop: fui andando bestamente pela 5ª avenida. Entrei no Bloomindale’s, na H&M, na GAP e em uma outra loja. Não gostei de nada. Definitivamente, não sou esse tipo de turista.

Continuei andando até me deparar com o Rockefeller Center.

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Lá dei um rolê pela incrível loja da NBC, que vende desde um ímã do sofá dos Friends e a caneca do Central Perk até camisetas Dunder Mifflin, e mil objetos úteis e outros nem tanto de tudo que é série que você ama.

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Ainda no Rockefeller Center, tava rolando uma Egg Parade. Lembram da Cow Parade e da Monica Parade, aqui em Sampa? Então. Só que de ovos. Só que é uma caça aos ovos, tipo Páscoa mesmo.

Se liga no site.

Enfim. Mais de 250 ovos Fabergé estilizados por pessoinhas como Ralph Lauren, Carolina Herrera e ROMERO BRITTO estão espalhadas pela cidade. Veja alguns nesse link.

Vários estão no Rockefeller:

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Nisso já eram umas 15h e eu estava desde às 7h só com um bagel na barriga. Fui andando e um T.G. I. Friday’s me pareceu tentador. A garçonete foi uma foooooooooooofa, linda, daquelas que merecem U$ 100 de gorjeta. Me deu bebida de graça (não, não era refil) e tudo. Comi um steak com batatas. Divino.

Na mesa do lado um grupo de brasileiros. Nunca estive tão cercada por brasileiros como dessa vez. Impossível andar um quarteirão sequer sem me deparar com brasileiros em NY. As exceções foram o Smalls Jazz e o Burger Joint (descrição mais abaixo). De resto… BRASILEIROS EVERY-FUCKING-WHERE.

De lá segui para o Museu do Sexo.

Da outra vez já queria ter ido, mas acho que tava tendo alguma mostra fodástica, que o ingresso tava uma fortuna. Dessa vez custou U$ 17. Caro, já que é um museu pequeno e nada demais, mas foi uma experiência interessante.

Primeiro porque é sexo é interessante, e ver gente de todas as idades e jeitos vendo fotos de putaria é interessante.

Segundo porque tava tendo exposição da Linda Lovelace, as in A MINA DO GARGANTA PROFUNDA.

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Uma sala branca. Várias fotos dela pelada. No fundo da sala, uma projeção ENORME do garganta profunda (não postarei a foto se não o wordpress me bloqueia).

Ainda na sala, várias frases dela espalhadas, dizendo que tinha levado o corpo a fazer coisas sexuais que a grande maioria dos seres humanos nem sonha. Hahaha. Diva.

Em outra sala rolava uma exposição sobre internet & sexo. Tinha fotos de todas as taras bizarras que a galera procura na internet, e um quadro no fim perguntando o que você nunca procuraria:

IMG_2847Alguns me fizeram rir (tipo YOU), outros concordei (tipo animals, pedophilia). Eu incluí “blood+torture”.

Na última parte do museu, uma exposição sobre sexo animal. Fotos como o pinto do pato chileno (tá escrito na imagem que é argentino, mas é chileno), uma foto de uma macaca batendo uma siririca, uma foto de leões gays trepando… Coisas phynas hahaha

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No fim, uma puta loja de coisas sexuais, que vendia desde macarrão em forma de pinto, até MIL tipos de vibradores (tinha um de U$ 500!!!), gel pra tudo, coisas para S&M, livros, mil coisas! Muito divertido!

Saí de lá e fui andando até o metrô. Parei para tirar fotinho nesse LOVE fofo:

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Next step: hambúrguer no Burger Joint at Le Parker Meridien. Dentro de um hotel chiquérrimo, ATRÁS DE UMA CORTINA, fica a hamburgueria. Apertada, abafada, com uma fila kilométrica de novaiorquinos – mais um lugar sem brasileiros.

Avisos na parede diziam: “se quando chegar sua vez você hesitar ao pedir, volta pro fim da fila” ou “se não tem no cardápio é porque não tem, não adianta perguntar” hahaha. Newyorkers mal humorados ♥

Comi rapidinho e continuei andando. Passei pela Times Square F-E-R-V-I-L-H-A-N-D-O de gente, coisa mais insuportável.

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De lá direto para a Broadway, assistir Mamma Mia. AMEI PRA CARALHO. Desculpa aê, mas não tem outra expressão. Foi incrível, incrível!!!

E olha que manjo NADA de Abba.

Mas gostei muito. 2h30 e U$ 75 muito bem gastos!

Mil vezes melhor do que o maçante “Fantasma da Ópera”. Dessa vez, entendi 100% (meu inglês melhorou um pouco, mas o fato de não ser ópera foi o mais importante) e realmente curti. Musical bom é isso: aquele que dá vontade de ficar de pé, cantar e dançar junto. O elenco todo cantando “Dancing Queen” no final, como BIS, foi tipo… Delírio.

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Terminou o espetáculo 23h e pouco. Peguei metrô e voltei para o hostel.

Arrumei malas, deixei tudo pronto e dormi um tico.

12 de abril, sábado – Boston

2h30 da manhã acordei. Com tudo pronto, só me troquei e peguei um táxi para Port Authority. Já tinha comprado pela internet uma passagem para Boston, via PeterPan. Meras 27 doletas.

Às 4h saiu o ônibus para Boston. Dormi por 4h, ou o trajeto inteiro.

Acordei com a motorista falando “We are arriving at Boston South Station”. De lá, foi facílimo seguir para o hostel. Um metrô, troca de linha, outro metrô, dobrar esquina, cheguei. Larguei a mala e saí. Eram 8h, a cidade estava vazia, gelada e com um CÉU AZUL MARAVILHOSO.

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As in: meu clima perfeito. 15 ou 16ºC, céu azul, friozinho, mas calorzinho no sol. ♥

Com esse clima perfeito, foi fácil achar Boston linda.

Eu tinha em mãos um day tour escrito pelo cunhado bostoniano de uma grande amiga (valeu Tom, valeu Dê!). Segui quase que a risca.

Ele sugeriu uma parada na Pizza Regina, perto do hostel. De manhã estava fechado e a tarde tinha uma fila de 2h de espera; ele sugeriu o restaurante mais antigo da cidade, mas tinha fila de 1h40 de espera (americano = povo que gosta mais de pegar fila que paulistano, tá louco!!!). De resto, fiz tudo o que ele indicou:

Freedom Trail, um trajeto de alguns Km que passa por importantes marcos históricos da cidade – a grande parte coisa extremamente americana e que não interessa realmente a nós. Mas mesmo assim, são belas arquiteturas, lugares bonitos e com um clima gostoso.

O melhor é que a trilha toda é fácil de ser seguida, porque tem tijolinhos vermelhos no chão. Basta segui-los!

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Viu?

O primeiro lugar onde parei foi o Copp’s Hill Burying Ground. Trata-se de um cemitério no alto de um morro. A VISTA MAIS LINDA. Not a bad place to rest in peace 🙂IMG_2882

Aliás, Boston tá bombando de cemitério.

Nesse, tem uma galera de artistas, mercadores, blabláblá enterrados. Datado do século XVII, era o maior cemitério de Boston.

Continuei seguindo a Freedom trail, passando pela Old North Church, por uma bela praça homenageando vários cidadãos ilustres mortos há muito tempo.

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Continuei a trilha até o fim. Feio falar, mas a maioria do caminho era composto por coisas meio bairristas, não me interessei o suficiente para parar e ficar lendo tudo. Mas é tudo lindo, sim. Valeu a caminhada.

No caminho entrei em um Dunkin’ Donuts. Não é a toa que americano é gordo: uma rosquinha custa U$ 0,89. Uma dúzia (sim, DOZE) sai por 6 e pouco. É ridículo de barato.

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O fim do trajeto é no Boston Common, o parque público mais antigo dos Estados Unidos: data de 1634. Acho louco demais pensar que enquanto aqui na América do Sul branco matava índio, trazia condenado da Europa pra viver aqui e explorava a matéria prima para exportação, lá eles criavam cidades e parques.

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Enfim. É um lugar lindo, embora, assim como o Central Park em NY, a vegetação não esteja tão exuberante quanto estaria se o inverno não tivesse sido tão punk.

De qualquer maneira, era um sábado de um céu azul límpido, temperatura agradável e consequentemente muuuuita gente curtindo o parque com os filhos, os cachorros, a namorada, a bicicleta.

Em frente ao parque está a State House, que é um prédio lindíssimo.

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Oposto à State House, cruzando o Boston Common inteiro está o lugar mais lindo que vi nos últimos tempos. Lhes apresento o Public Garden:

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Mais uma vez, as flores que esperamos ver em um jardim vão ficar para a próxima. Mas não importa. Que lugar lindo, que energia boa esse lugar tem!

Curti uns minutos de sol olhando o lago, sentindo a atmosfera do lugar e tirando várias selfies. hahaha

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Em seguida continuei meu trajeto.

O cunhado da minha amiga escreveu o seguinte: Newbury Street é a rua mais chique para compras na cidade… tem lojas dos designers mais famosos do mundo (Burberry, Chanel, Armani, etc.) e arquitetura e igrejas bonitas. Ou se ela não tem interesse nessa rua, pode andar na avenida paralela, Commonwealth Avenue. Essa avenida também é muita chique e tem arquitetura e igrejas bonitas. 

Não, eu definitivamente não faço o perfil de turista-consumista. Muito menos de grife, argh. O que eu fiz então? Um zig-zag. Comecei andando na Commonwealth, daí fui para a Newbury, daí voltei para a Commonwealth e novamente para a Newbury (dessa forma, conheci as duas) até parar na Copley Square, que tem a Biblioteca e a Trinity Church:

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Do outro lado da rua tinha outra igreja, a Old South Church. E na frente dessa última, já na  Boylston Street, algo que se assemelhava muito, no tamanho e na forma, a um sambódromo, estava sendo montado e causava certo transtorno aos pedestres e automóveis.

Até então nem passava pela minha cabeça o que aconteceria ali. Era sábado, dia 10.

Já no Brasil descobri que dia 15 o atentado na Maratona de Boston completaria um ano, e teria toda uma homenagem. Eis o porquê de todo o aparato que estava sendo montado.

O cunhado da minha amiga me sugeriu dali pegar o metrô e já ir para Harvard. Acontece que estava bem cedo, e Harvard já era praticamente a última coisa do roteiro. Além disso, eu queria almoçar. E bem. Boston é o paraíso dos frutos do mar. Das lagostas, dos mexilhões. Muito amor.

Portanto, continuei nessa rua, que era uma maravilha: restaurantes, cafés, lojas tchã-nã-nã (Apple, Samsung, Sephora, Lindt, etc etc) e muito mais.

Eu tava com fome, já eram quase 14h, mas todos os lugares estavam abarrotados de gente. Mas beleza: foquei em um restaurante chique, porém não tão ostentação, e que tinha um nome bem convidativo – Atlantic Fish  – e entrei.

Lotado. Mas tinha lugar no balcão, o que não era nada mal, já que comer sozinha numa mesa de 4, num restaurante lotado, é meio desagradável.

Não hesitei: pedi um vinho branco. Olha bem minha cara de enóloga, néam. Já que manjo tanto (só que não), pedi ajuda pro garçom. Ele me indicou um: 2008 Pinot Gris, Reserve, Trimbach, Alsace. Demorou mas chegou. Delicioso e fresco. E apenas uma taça – que custou U$ 14!!! –  me deixou alegre. Perfeito.

O vinho foi para harmonizar com o meu prato, um ravioli recheado de lagosta. O molho era branco, com cogumelos e shitakes, creme de manjericão e pedaços de lagosta fresca. Eis:

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Gastei U$ 50, mas valeu muito a pena. Aliás, minha alimentação bostoniana foi perfeita.

Próxima parada: Prudencial Center, um shoppinzão enorme. Mas o que eu queria lá era a vista panorâmica. Fui na entrada do lugar e tinha uma placa: hoje a torre estará fechada para evento. FUÉN. Triste. Adoro vistas panorâmicas, e aquele dia azul magnífico seria o ideal. Mas fazer o quê.

De lá tomei meu rumo à Harvard. A mais antiga universidade americana, que data do século XVII. É uma das melhores e mais prestigiadas do mundo.

Foi facílimo chegar, usando o metrozão.

Comecei o rolê bem perdida. O lugar é enorme e o mapa não me dizia muita coisa.

Daí resolvi andar sem rumo, observando o povo feliz tomando sol na grama, tocando violão, curtindo o sabadão.

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Andei pela Law School, passei pelo Museu de História Natural (adoraria entrar, mas não daria tempo), atravessei tudo e fui até a Harvard Yard. Lá, fiz o que tantos estavam fazendo. Deitei ao sol e fiquei lá, estirada no solzinho pensando como a vida é boa, apesar de tudo.

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Já eram umas 17h e pouco. Dei uma volta por Harvard Square, que estava entupida de gente tomando café, sorvete e papeando contente e feliz.

Peguei o metrô e voltei pro hostel, fiz check-in e talz. Fiquei no Friends Street Hostel. Super bem localizado, a uma esquina do metrô e a curta caminhada do centro. As coisas boas param por aí: reservei uma cama em um quarto misto com 8 camas. Uma noite, U$ 48. Tinha café da manhã inclusivo, mas fui embora antes.

Nota: NUNCA fiquem em um quarto de um só sexo. Ninguém se respeita e é capaz de você encontrar uma moça se depilando no meio do quarto e absorventes sujos, caso seja mulher, e cuecas sujas largadas pelo quarto inteiro, se for homem. Quando é quarto misto, geralmente os sexos se respeitam. Dica de quem já viajou por uns 20 países e ficou em uns 10 hostels.

Quando o recepcionista subiu para mostrar o quarto, qual não é minha surpresa ao entrar em um quarto não com 8, mas DEZESSEIS camas? Pior: estavam montando uma cama de acampamento para uma 17ª pessoa. PIOR²: tudo mulher. Quis morrer. Mas antes reclamei com o cara, que falou em overbooking (caguei, problema deles). Eu disse que ao menos queria a diferença do dinheiro de volta, já que obviamente um quarto com 17 pessoas é mais barato que um com 8. Daí o moço foi bem grosso: disse que eu reservei faz tempo, e agora o quarto com 16 é o valor que eu paguei, então tava tudo certo. E que se eu não estivesse satisfeita teria todo meu dinheiro de volta. As in: pode ir dormir na rua.

Não criei caso, afinal de contas era só uma noite. Mais: algumas horas de sono e uma chuveirada. Mas ainda pretendo mandar um e-mail pro gerente reclamando. Só que de pensar em bolar o e-mail todo em inglês me dá uma preguiiiiça… Meu inglês escrito é sofrível.

Enfim. Me calei, larguei minhas coisas e fui tomar banho num chuveiro vagabundo, em que a água caia quase que em gotas, e mais pra fria do que pra quente. Meu consolo era pensar: HILTON AMANHÃ. AMANHÃ, HILTON.

Voltei pro quarto e tinha uma menina muçulmana fazendo as orações da tarde num canto do quarto, virada para Meca, com tapetinho e tudo. Interessante, nunca tinha visto. Já estive com muçulmanos em Israel e Jordânia e também na Turquia. Mas no primeiro caso não tive contato com momentos religiosos e, no segundo, fui a mesquitas, mas só tinha turista fotografando.

Enfim.

A última coisa da lista do cunhado da minha amiga era um restaurante chamado Union Oyster House. Aspas do moço:  É um restaurante bem velho (abriu em 1826) e com muita história. O rei da França morava lá em exílio! Também era o restaurante favorito dos Kennedys.

Andei até lá: 1h40 de fila. Até entrei no salão – eu não tinha mais nada pra fazer e ainda eram 20h. Mas daí vi um tanque enorme cheio de lagostas vivas. Os caras tiravam as lagostas do tanque direto pro seu prato, praticamente. Ok, garantia de frescor. Mas meu minúsculo e quase inexistente lado vegetariano disse NÃO. Saí de lá e andei até Quincy Market. Tinha passado lá durante o dia: é um mercadão lindinho, cheio de restaurantes.

Dei uma volta e me decidi por um bar/restaurante chamado Salty Dog. Durante o dia vi um monte de gente comendo ostras e outras coisas do mar lá, e ficou gravado na minha mente.

Além disso, o Tom (o cunhado da minha amiga), tinha escrito: “Algumas comidas que eu recomendo: steamed clams com manteiga, clam chowder , mussels com alho”. 

Ou seja: era pra fechar o roteiro com chave de ouro.

Sentei numa cadeira ao ar livre. A noite estava serena – provavelmente quente para os padrões locais. Pedi uma cerveja e bolei meu plano: um jantar de entradas.

Clam chowder primeiro. Trata-se de uma espécie de uma sopa bem grossa com um tipo de fruto do mar de concha, talvez marisco. Deliciosa:

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Depois comi uma ostra: a mais fresca que comi na vida.

Por último, mussels with garlic and bread:

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Ok, não sei o que sei direito de que frutos do mar se tratam, mas devem ser variações de mariscos. Sei que tava tudo ótimo, sem ranço de areia e fresquinho.

Voltei pro hostel. Dormi quase que imediatamente.

13 de abril, domingo – Miami

Acordei às 6h. De metrô cheguei com a maior tranquilidade e facilidade ao aeroporto.

Eu tava morrendo de medo do check-in da American Airlines. Isso porque fui obrigada a despachar minha mala no voo da TAM, e tava com medo de que isso acontecesse de novo. Problem is: a American cobra U$ 40 para despachar. Eu tinha medido a mala e talz, dava certinho como mala pra levar a bordo. Mas sei lá né.

Mas deu. Coube DIREITINHO, sem tirar nem por, no testador de bagagem deles.

Voo tranquilo, 100% litorâneo. Eta litoralzinho feio o leste americano, hein? Tá louco.  Só chegando na Florida é que melhora, obviamente.

O pouso em Miami foi lindo. Primeiro aquele mar caribenho. Depois, altas ilhas, lagos, casas chiquérrimas, lanchas e iates.

Eram 12h40 quando saí do avião. Meu check-in no hotel era só às 15h. Comi um baggel no aeroporto (fui muitíssimo mal tratada) e peguei um super shuttle por U$ 18 até o Hilton, já que no hay transporte público até lá. Uma pena, mas ok.

Cheguei no hotel 13h30. Mas é Hilton. Eles tinham um quarto já pronto pra mim ♥

Hilton Downtown Miami. U$ 150 a diária, sem café da manhã. Mas valeu. Eu precisa disso.

Subi, olhei aquele quarto enorme, aquela cama king size, aquela banheira, tudo só pra mim, e gritei: EU MEREÇO.

#POBREDETECTED

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MEU.QUARTO.

O que eu fiz?

Tomei um banho de banheira. EUA não tá com falta d’água e tô pagando caro. Fim.

Que vida boa, cara.

Depois peguei o metromover, um metrô de superfície gratuito recém-instalado no centro de Miami. Sim, gratuito. Uma maravilha. Fui até o Bayside Market, um shopping ao ar livre que fica em frente ao mar. Olha que chato:

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Queria comprar um monte de coisa, mas nada me atraiu. Coisas feias, caras, de mal gosto. Daí encontrei a Thaís, uma amiga que mora em Miami, que em 2012 fez comigo e com outra amiga um tour bem bacana pela cidade. Passamos a tarde passeando pelo lugar. Saí de lá com um tênis novo e uma blusinha da GAP. Só. Consumismo fail.

Tomei um sorvete enorme da Häagen-Dazs e ficamos sentados, Thais, namorado e eu, conversando sobre a vida.

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Quando o lugar fechou, umas 20h, eles me deixaram no hotel. Eu fiquei lendo um tempo e tal e resolvi ir jantar. Descobri uma pizzaria meio perto do hotel e fui. Chamava Pizza Pazza. Era uma mistura de cantina com pizzaria. Não vendia pizza em pedaço.

Pizzas americanas: nunca serão. Essa era diferentona, tinha queijo de cabra, cebola caramelizada, presunto de parma e talz. Mas a massa… NUNCA SERÃO.

Para acompanhar, cerveja. O que sobrou foi meu café da manhã do dia seguinte.

Voltei pro hotel e curti no lobby minha última noite, tomando uma cervejinha e papeando no whatsapp.

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Minha intenção era acordar meio cedo e ir na piscina do hotel. Mas 3 dias dormindo pouco e mal não permitiram, de modo que acordei e já eram quase 11h (a diária do hotel terminava 12h; meu voo era às 17h).

Mas ok. Valeu cada centavo dos U$ 150 pagos na diária.

Tomei um bom banho, deixei minha mala numa saleta deles, fiz checkout e fui a um outlet de roupas que a Thaís havia recomendado: Ross Dress For Less. Eu não tinha muito tempo, e acho UM SACO ficar experimentando roupa. Pior ainda numerações que não entendo. De forma que peguei uns vestidos que curti, experimentei, gostei de 3, comprei. Tudo na faixa dos U$ 15 até U$ 25. Tinha calvin klein e várias grifes (que pra mim MEANS SHIT).

Olha que chata a vista de dentro do vagão do Metromover…

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Minha última parada, indispensável, era num supermercado. Para comprar Mac & Cheese.

Sou doente por essa merda calórica e gorda que nunca vi pra vender no Brasil:

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É tipo um miojo. Mas ainda mais gordo e do mal. E muito melhor.

Enfim. Comprei 4 caixas (U$ 1,99 cada – o preço da foto é de uma caixa tamanho família), um saquinho de mini-rolos (chocolate recheado com caramelo) e outro saquinho de Kiss, aquele chocolate mínimo em forma de gota da Hersheys. Tudo não deu nem U$ 10. Por isso americano é gordo…

Tava um calor do cão e eu já pingava de suor. Ok, Miami é linda. Mas puta merda, taí uma cidade no mundo que eu não gosto.

Voltei pro Hilton, soquei tudo na mala e peguei um táxi até o aeroporto.

Taxista brasileira. Chata. Preconceituosa. Errou o terminal em que eu deveria ser deixada. UÓ.

Mas ok.

Foi um suplício achar o terminal da GOL. O aeroporto de Miami é enorme, tá em reforma, e a Gol não está onde deveria estar.

Despachei a mala, fui pro embarque e já eram 16h. Meu voo da Gol MIA-GRU, com conexão em Santo Domingo (República Dominicana) estava marcado para às 17h e pouco.

Tava faminta. Vi as opções de alimentação: fracas e desinteressantes. Comi o quê? Isso. Pizza. Hahaha. Meaning: minha última refeição de verdade foi o almoço em Boston, mais de 2 dias atrás. HAHAHA.

Pra completar a gordice, uma bola de sorvete Häagen-Dazs.

O voo Miami-Santo Domingo foi LINDO. Sobrevoamos toda a South Miami:

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Depois as Bahamas, até o sol se por sobre Nassau, capital das Bahamas. A foto não condiz nem em 10% com o que eu vi, então nem vou postar.

Até que a GOL não é tão ruim. Mas não é realmente boa, né.

A conexão em Santo Domingo foi mega rápida. Entrei no avião para São Paulo quase por último. Qual não é minha surpresa quando vejo que tinha UM CASAL COM BEBÊ nas poltronas B e C (eu era a A, janela S-E-M-P-R-E). Mal sentei e eles perguntaram se eu me importava de ficar na janela. Sim, respondi. Só viajo em janela, reservei faz tempo e trabalho amanhã de manhã, então a janela pelo menos me garante um apoio para dormir um pouco.

Primeiro: PRA QUÊ viajar com bebê? Só pra trolar os passageiros, tenho certeza. Inferno.

Segundo: já que TEM que viajar, POR QUÊ não reservar um lugar? Inferno, inferno.

Acordei muitas vezes na madrugada, com o bebê gritando duas vezes, e uma com um cheiro de bosta na minha cara: eles tavam trocando a fralda da menina. Inferno, inferno, inferno.

O jantar da Gol foi um macarrãozinho com legumes e um cheesecake totalmente fake.

Pousei em São Paulo quase 1h antes do previsto. Eram 4h da manhã. Aeroporto às moscas (grande parte dos voos que chegam/saem de Guarulhos são de manhã ou de noite). Passei reto pelo freeshop. Vi a fila de táxi brilhando e não hesitei: saquei o cartão e lá se foram R$ 150 conto (de metrô+bus gastaria R$ 8), mas cheguei em casa em 40 minutos. Às 5h eu tava na minha cama dormindo. Consegui dormir 4h antes de ir trabalhar! Sucesso!

Mais uma viagem ótima e muito bem aproveitada concluída com sucesso.

Europa 2013: Áustria e Eslováquia

2013 foi um ano sensacional. Viagens incríveis, pessoas incríveis, experiências únicas. Mais essa curtíssima viagem entra ao rol que compõe um 2013 ótimo. Vamos à ela.

Eu não sabia que ficaria desempregada em novembro. Por tanto, faltaria 2 dias no trabalho e iria com meu pai para a Áustria (outras opções eram Milão – Itália, ou Interlaken – Suíça [risos], mas acabamos optando pela Áustria).

Quando soube, em outubro, que ficaria desempregada, tentei mudar o voo para ficar uns dias em cidades da Alemanha – país que tá no meu top 3 de “preciso conhecer” – e em Paris, com o primo querido. Mas a multa era ridiculamente cara, o preço de uma passagem nova, e não rolou.

Assim, me contentei com os 4 dias e algumas horas na Europa. Fazer o quê, né.

Sexta-feira, 15 de novembro

Mala pronta, almoçada, malhada, fui com papi de metrô para o aeroporto. Feriadão, chegamos lá em 40 minutos. Uma beleza. Mais uma vez sem me planejar, acabei tendo de comprar minha leitura de viagem na Laselva do aeroporto – comprei o “Cuco’s Calling”, livro policial de um pseudônimo da J.K. Rowling (1 mês depois e ainda não acabei, aliás).

Voo da Lufthansa estava entupido, mas foi tranquilo. Pouca turbulência. Tomei 3 taças de vinho e dormi alguns minutos. Mas não tem jeito: ô coisa desconfortável e indigna que a classe econômica é. Nem Gisele Bündchen fica bonita depois de 12h de classe econômica.

Um pouco antes de chegar a Munique, cruzando os Alpes, o tempo abriu. OLHA QUE MARAVILHA 🙂

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Sábado, 16 de novembro

Chegamos de manhã em Munique, para uma conexão rápida para Viena. Tempo pavoroso no trajeto. Chuva e frio intenso. Chegamos à Áustria cedo, pegamos o ônibus executivo até o Schwedenplatz, bem próxima ao centro, e fomos andando até o hotel, no coração do centro antigo de Viena. Fiquei besta com a quantidade de indústrias que circundam o aeroporto. Cadê os bosques de Viena? Só tinha fábrica! Complexos enooooormes expelindo uma fumaça branca… Que coisa.

Da Schwedenplatz até nosso hotel foi uma curta caminhada, passando no caminho pela praça principal da cidade, a Stephanplatz – onde fica uma catedral enorme toda trabalhada no gótico. Linda, linda:

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Enfim chegamos ao hotel: Pension Neuermarkt. Boazinha. Três diárias, com café da manhã (bacaninha) para nós dois deu uns €300. Não é caro, pela localização do hotel. Mas é caro para o bolso fodidamente desvalorizado do brasileiro: 1 euro, com taxas IOFs e a porra toda, tava R$ 3,33. Com R$ 1000, não consegui nem 300. Muito triste.

Mas se a gente tá na chuva tem que se molhar. Não dá pra ficar convertendo, se não a gente fica louco. Imagina pensar toda hora que a garrafa de água que te custou  €3 vale tipo 10 conto? Não. Tem que abstrair.

Enfim. Deixamos nossas tralhas no hotel e fomos andar pelas ruas lotadas do centro histórico de Viena. Estava um sábado lindo, com um solzinho discreto, um vento gelado mas suportável, e muita, muita gente nas ruas.

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Na maioria das ruas do centro de Viena carro não passa. São boulevares largos, com lojas de grife chiquérrimas ocupando prédios antigos e históricos.  Tudo começando na Stephanplatz. Aquele sistema arquitetônico em que as ruas convergem a partir da igreja principal.

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Outra coisa bacana de Viena é que em tudo que é canto há menção à alguma personalidade. Não sei quem almoçou aqui. Não sei quem compôs sei lá o quê aqui. Não sei quem morou aqui em 1700 e bolinha… Na foto acima, um lugar onde o compositor Vivaldi morou certa época.

Continuamos andando, nos embrenhando pelos grotões históricos de Viena, sem saber ao certo o que era o quê. Passamos por alguma coisa ligada a cavalos, por uma biblioteca, pelo museu Albertina, pelo lindo parque Burggarten…

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Essa foto aí é do Hofburg, que era o palácio – e centro do império – de Habsburg. Hoje é um museu.

A monarquia da família Habsburg comandou o Império Austro-húngaro por séculos. Era uma família que incentivava as artes. É por isso que da Áustria saíram alguns dos grandes compositores, músicos, artistas, escritores, pensadores da humanidade. Tipo Freud e Mozart.  A foto tá escura porque já estava anoitecendo. Amo Z’oropa, adoro frio. Mas essa história de 16h já ser noite é apenas cruel (ok, é incrível ter sol às 23h no verão, mas mesmo assim).

Voltamos para o hotel.

Ó que graça a fachada externa:

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Anoiteceu de vez e fomos à caça de um lugar para comer.

Na Stephanplatz estava rolando uma feira de natal, com mil barraquinhas vendendo comidas típicas, bebidas, doces, enfeites natalinos, artesanatos, mil coisas fofas.

Foi lá mesmo que ficamos, embora estivesse ENTUPIDO de gente – descobrimos no dia seguinte que participamos da “estreia” do Vienna Christmas Market. Nem sabia que existia isso, mas parece que um mês e pouco antes do Natal as principais cidades europeias (cristãs, é lógico) montam em suas praças principais uma grande feira natalina. Em Viena pudemos conferir, felizmente. Grande parte da decoração ainda estava sendo montada, no entanto. Em Salzburg e em Bratislava, ainda demorariam uns dias para inaugurar.

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Na Catedral de Stephan rolavam umas luzes/projeções natalinas. Lembrei vagamente da Disney.

Tomamos ponche de laranja (fortíssimo, quentinho e delicioso – perfeito para a noite de 3ºC e sensação térmica abaixo de zero); comemos goulash no pão italiano; comemos salsichões “Braumeister” e “Käserkrainer” hotdog. SE LIGA NO TAMANHO DA ENCRENCA:

IMG_0135Dois palmos de salsichão! hahaha

E assim terminou o primeiro dia.

Domingo, 17 de novembro – Salzburg

O dia começou bem cedo, por volta das 5h30 da matina. Noite cerrada. Tomamos café-da-manhã (bem bonzinho, com nutella e tudo ^^) e fomos esperar o guia do day-tour para Salzburg.

Salzburg é na outra ponta da Áustria, quase divisa com a Alemanha. Seriam cerca de 2h de estrada para ir, outras 2h para voltar.

O dia amanheceu frio e chuvoso; nosso grupo era composto por uma família asiática que não falava inglês (ou não se interessava pelo que o guia falava); por um cara grudento do Bahrein; e por um casal gay de Israel. Bem misturado.

O guia falou que o trecho entre Viena e Linz (a metade do caminho) seria bonita, que veríamos bosques e talvez os Alpes. Só que nada disso aconteceu, já que havia uma névoa densa e chuva. Hahaha. Great.

Isso aqui foi o máximo que vimos de bosques:

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Além de Salzburg, passaríamos por diversos vilarejos que foram locações do filme “A Noviça Rebelde”. Sabem aquele meme clássico do “foda-se essa merda toda”? ENTÃO. Aquele tipo de lugar.

Como o guia falou: a conhecida “suíça-austríaca”. De fato.

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Esse primeiro vilarejo chama-se Mondsee e é das coisas mais fofas e cenográficas que já vi na vida. Papai não sabe que apareceu na minha foto. Hahaha.

A foto abaixo já lembra vaaaagamente o cenário do foda-se essa merda toda. Exceto que não aparecem picos nevados (por conta da névoa), nem a relva verde e florida (outono, néam).

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Mas o guia colocou pra tocar a trilha sonora inteira d'”A Noviça Rebelde” enquanto nos aproximávamos do lugar…

O lago em questão é o Wolfgangsee. No verão, essa região lota de banhistas. Claro que a água é limpíssima.

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Abaixo, Saint Gilgen, um dos mil vilarejos ao redor do lago – e aqui começa de verdade a parte Mozart da nossa viagem.

Na época do planejamento dessa viagem, eu estava trabalhando no Theatro Municipal de São Paulo. Já tinha visto óperas de Verdi, Mozart e outros; já tinha visto concertos de Stravinsky, balé de Ravel. Estava imersa na música erudita e tentando aprender mais. Por tanto, a oportunidade de conhecer a região onde Mozart viveu seus poucos anos de vida seria incrível e perfeita – até para me exibir no TMSP. Infelizmente, nosso contrato acabou antes disso. Hahaha

(mas os aprendizados, amigos e bons momentos ficarão para sempre #mimimi)

Saint Gilgen é o vilarejo da família da mãe do Mozart. A praça onde posei para foto, abaixo, era local recorrente de concertos de Mozart quando jovem. Ele vinha visitar os avós, que moravam no vilarejo.

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Essa casa, que hoje é o correio, é uma das mais antigas da cidade. É do século XVI!

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Tirei essa próxima foto porque, mesmo com uma temperatura de 3ºC e sensação térmica bem inferior a zero, tinha UMA MOSCA pousada na placa. Sim, há moscas na Europa.

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Tivemos um tempo para rodar pelo vilarejo. Era domingo de manhã, e onde estava TODA a população? Na igreja. Sim. Esterótipo de vilarejo europeu. Me senti no filme “Chocolate“. Domingo bem frio, de manhã. Cidade vazia, todo mundo dentro da igreja central. População bem idosa, toda vestida com roupas “de missa”.

A casa abaixo é onde a mãe do Mozart nasceu, e onde ele passava o verão. O guia falou que ele costumava compôr nessa paisagem.

NOT BAD, hein.

IMG_0213Papai testando a temperatura a água. Eu não tive coragem. Frio demais.

E então, finalmente, Salzburg.

Até o século XIX, Salzburg não pertencia nem à Alemanha, nem à Áustria. Era independente. Como Mozart nasceu antes de a região ser anexada à Áustria, não é inteiramente correto dizer que ele era austríaco. Ele era, antes de tudo, de Salzburgo.

Dividida em “parte histórica/parte moderna” pelo rio Salzach, começamos pela parte “moderna” (pero no mucho) da cidade, onde está o parque e o palácio de Mirabell – e que também foi cenário da “Noviça Rebelde”.

O palácio foi construído em 1600 e bolinha para abrigar o arcebispo da cidade. Pegou fogo, foi reconstruído e remodelado ao longo dos séculos, e hoje é a sede da prefeitura.

Lugar lindíssimo, cheio de fontes e jardins floridos – ainda que no outono não estejam tão formosos

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E aqui abaixo temos uma visão, ao longe, da fortaleza de Salzburg, um castelo enorme no alto do morro lá no fundo. A fortaleza foi construída em 1077 (!!!) e é, de acordo com o site oficial da cidade, a fortaleza mais antiga e bem preservada da Europa. Nunca saberei. Não deu tempo de ir lá/meu pai não tava afim/era caro pra cacete.

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Dá nada não. O google tá aí, e a gente chupa uma foto de lá de cima da fortaleza:

A próxima etapa foi cruzar a ponte que dá acesso à cidade antiga.

O rio gelaaaado e limpíssimo correndo lá embaixo, mil construções históricas nos rodeando, uma ponte cheia de cadeados simbolizando amores eternos. Coisa mais linda ❤

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Ao adentrar a parte histórica da cidade, entendi perfeitamente como raios um palácio de 1700 é considerado moderno. TUDO na parte histórica é medieval. Inclusive as fachadas das lojas de grife são construções históricas, e devem manter tudo exatamente como era.

Olhem que fantástico:

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E tchã-nã-nã-nã…

Mozarts Geburtshaus (ou: o local de nascimento de Mozart, em alemão).

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Nascido em 27 de janeiro de 1756 (beijo grande aos aquarianos!!!), o nome de batismo dele era Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.  

E vou te contar que a família dele não era nada pobre, viu. Puta casa enorme, com jardim interno, lugar para festas…

Desde criança Mozart mostrou-se genial. Começou a compor aos 5 anos de idade, e ainda jovem viajou a Europa inteira se apresentando para a alta realeza. Morreu aos 35 anos. A teoria do nosso guia para a morte dele é muito válida: imagina cruzar a Europa de ponta a ponta no alto inverno, em viagens que duravam meses. Sua saúde não aguentou. Foi adoecendo até… Puff. Mesmo vivendo tão pouco, compôs mais de 600 obras.

Tudo na cidade é ligado a Mozart. Onde nasceu, onde escovou os dentes, onde morou por seis meses, onde casou. Sério. Mas Salzburg tem muito mais. Tem a casa onde viveu Döppler – sabe a série The Big Bang Theory? Sheldon fala bastante do Efeito Doppler.  Tem um centro lindíssimo, mil restaurantes, uma população simpática e… A livraria mais antiga da Áustria ❤

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E essa, abaixo, é uma das ruas mais antigas da cidade. Vielas fofas medievais. Amo.

Amo Idade Média, gente.

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Daí o frio pegou de jeito e fomos achar um lugar para comer. Acabamos num pub mandando uma cerveja deliciosa – tomei 3 long necks e fiquei BACANA – e típicas comidas austro-alemãs.

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E esse foi o fim dos nossos serviços em Salzburg.

Andando para encontrar o guia – e nosso transporte de volta à Viena – ainda passei por essa inscrição no chão. Me sentia feliz com o mundo, e essa frase só melhorou meu estado de espírito:

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=)

Chegamos à Vienna umas 19h. Noite cerrada, um frio satanástico.

Optamos por jantar em um restaurante bem famoso na cidade, e que vive lotado: o Figlsmüller, que é famoso por causa do schnitzel, um dos pratos tradicionais austríacos – e que é, nada mais, nada menos, UM BIFE A MILANESA.

Sim. Um bife a milanesa. Que não tem acompanhamento nenhum e que é tão grande que não cabe no prato:

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Comi 1/3, dividi uma garrafa de vinho com papi e foi isso aí.

Olha, sem ser babaca e regionalista… Mas gente. Essa culinária da Europa não-latina é meio decepcionante. No Reino Unido o lance são carnes no molho com batata – você que lê Harry Potter tá ligado. Na Europa germânica, porco e fritura. Na Europa Oriental, uma mistura dos dois e embutidos. Mas nada assim Ó QUE MARAVILHA.

É por isso que (saíndo da mesmice de falar do arroz e feijão, até pq não sou do arroz e feijão) insisto numa tese que a cada viagem fica mais encorpada: de que a comida brasileira é uma das mais diversificadas e incríveis do mundo. Já viu, em um mesmo país, ter pato no tucupi, tutu de feijão, churrasco gaúcho, moqueca, baião de dois, feijoada? Sem falar de pastel, mandioca, caipirinha, brigadeiro e frutas brasileiras. Sério. Culinária mais sensacional. E daí me vem uma Alemanha com joelho de porco. Ah. Vá se foder, apenas.

Mas mudei totalmente de assunto. hahahah.

Assim terminou o segundo dia.

Segunda-feira, 18 de novembro – Bratislava (Eslováquia)

Acordamos cedo, pegamos o metrô – gente, não entendo esse metrô europeu que não sabemos onde e como pagar, e daí quando vemos entramos de graça – e fomos até uma rodoviária num subúrbio pegar ônibus para Bratislava, na Eslováquia. Muito louca a Europa, né? De um país a outro em 1h de ônibus. Em um dia de carro, dá pra cruzar vários países… Muito louco isso pra gente que é brasileiro e está acostumado a dimensões continentais… é mais rápido ir de Viena a Berlim de carro do que de São Paulo ao Rio de carro… Doideira.

Enfim.

Bratislava, Eslováquia.

A ponte da foto abaixo liga a cidade histórica (lado em que estou) à parte moderna. O rio que corta a cidade é o DANÚBIO, que cruza metade da Europa e inspira tantas imagens idílicas na nossa mente =)

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A cidade histórica estava completamente morta. A guia nos explicou que segunda-feira geralmente é assim. Igrejas, museus, tudo fechado, daí os turistas não vem, mesmo.

Bratislava também tem um castelo. Que cidade na Europa não tem um castelo, gente?

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Mas esse foi remodelado inteirinho. Acho que só tem um quartinho mínimo que não mudou ao longo dos séculos. Até o estilo arquitetônico dele foi sendo alterado… A pintura… Tudo.

Mais uma vez, não fomos admirar a vista panorâmica e tive que roubar a foto do google:

Continuemos.

O primeiro lugar onde fomos – na frente, já que estava fechada – foi a Catedral Saint Martin, essa no primeiro plano da foto acima.

Essa é uma das únicas catedrais católicas do mundo que não tem uma cruz no topo, e sim uma coroa. Para simbolizar a importância do reinado para o crescimento da cidade. Que coisa, não?

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Na entrada da parte histórica tem essa estátua de bronze, homenagem a um cara que ficava nos bueiros da cidade espiando as mulheres de saias. HAHAHAHA

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Falei que a cidade estava às moscas?
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Bratislava era uma das principais cidades do império dos Habsburg. Esse símbolo que está na ponta da minha bota está espalhada por todo o chão da cidade histórica, simbolizando o reinado de Maria Thereza, que adorava a cidade e elevou-a a uma das mais importantes do império austro-húngaro, sede de universidades, grandes concertos de Mozart, Beethoven e talz, festejos, cerimônias da realeza e muito mais.

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Acima, um dos portais da cidade.

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Eu na frente do Teatro Municipal de Bratislava.

Essas estruturas no chão são para montar os Christmas Markets de Bratislava.

Nosso almoço eslavo foi uma pizza. Hahaha. Não queríamos comer de novo Schnitzel, e nem aquelas outras coisas de sempre. Pelo menos foi barato.

Minha impressão de Bratislava é a mesma que tive de Bucareste: cidades ex-comunistas fodidas e abandonadas se erguendo aos poucos. E convivendo com mendigos, pobreza e arranha-céus podres de ricos ao mesmo tempo. Sweet desigualdade…

Romênia e Eslováquia, os únicos países ex-URSS que conheço, compõem uma Europa completamente diferente de Itália, Reino Unido, França, Suíça etc e etc.

É tudo diferente. É um clima bucólico e de abandono. Os jovens lutando para serem mais como seus irmãos da Europa ocidental e rechaçando toda e qualquer qualidade que o comunismo tivesse. Vários cantões das cidades com cara de abandono e melancolia.

Antes de irmos embora, passamos numa loja que vendia umas bebidas típicas e compramos isso aqui:

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Hidromel. Foi baratíssimo – acho que 3 euros a garrafa – e me arrependi profundamente de não ter comprado umas 30, porque beber isso foi uma experiência riquíssima e única. É tipo um licor. Ou um vinho. Mas nada a ver com nenhum dos dois. Uma delícia.

Fomos jantar numa cadeia de fast food de frutos do mar que rola por toda a Europa, e que prima por pratos lindos nas vitrines: Nordsee. Olha só:

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E sim. Os preços são ABSURDOS. Papi não resistiu e mandou uma lagosta. Eu maneirei. Mas mesmo assim deixamos quase 70 euros!!!!!! Absurdo completo. Mas faz parte.

Famosa síndrome da família de o último jantar da viagem ser sempre errado: caro demais, ruim, pouco etc. É SEMPRE assim. Culpa também das expectativas, claro.

Terça-feira, 19 de novembro – Viena & voos/aeroportos

Acordei cedo para curtir o restinho da viagem. Ainda tinha uma manhã inteira, e decidi seguir a dica de um amigo – conhecer o Wiener Zentralfriedhof – ou o cemitério central de Viena. É um cemitério E-N-O-R-M-E, bem afastado do centro e com gente importante dentre seus mortos.

Fui até lá de tram (o bondinho), por dica do staff do hotel. Soube onde descer certinho, sem precisar de ajuda.

Estranho que conforme a viagem vai acabando, começamos a nos habituar com a língua do país. Várias coisas escritas em alemão eu já entendia…

Enfim. O cemitério, um dos maiores da Europa, tem 2.4 Km quadrados de área e mais de 300 mil tumbas. É incrível. É tão grande que dentro do cemitério passa um ônibus, que leva a outros pontos do próprio cemitério.

Piro com cemitérios, desde criança.

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A avenida principal do cemitério, acima. Leva até uma capela – uma verdadeira basílica, na verdade.

Não foi difícil achar o que eu queria: o hall dos mortos famosos. Mais especificamente, dos músicos e compositores. Estão enterrados nesse cemitério Beethoven, Mozart (em tumba desconhecida), Strauss, Schubert e Brahms.

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Beethoven à esquerda, memorial a Mozart no centro e Schubert à direita.

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Eu e minhas únicas companhias na andança pelo cemitério: corvos.

Foto bem na pegada de Six Feet Under 🙂

Andei mais pelo cemitério, explorando aleatoriamente grupos de tumbas, com sobrenomes estranhos, com datas de morte séculos atrás, com sobrenomes como Gaspar. E pensei muito na vida enquanto tomava aquele vento gelado na cara.

Minha ideia era sair do cemitério e ir à casa onde Freud viveu. Mas deu preguicinha. Desisti no meio do caminho e resolvi dar um rolê pelo centro.

Tomei um chocolate quente no Starbucks enquanto pensava no que fazer em seguida.

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E decidi aproveitar minha última hora no Museu Albertina. Porque eu amo museus e não tinha entrado em nenhum até agora.

Entrada do museu:

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E tava rolando exposição do Matisse & friends. Ou sobre o fauvismo, na verdade.

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Fauvismo é um estilo de pintura criado no começo do século XX e que tinha Matisse e Derain como principais líderes. As cores  fortes são muito usadas, e a técnica do pontilhismo também. Leia mais na wikipedia.

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Vi correndo as outras exposições. Tinha o cara viciado em FIMs (acima), tinha a mina viciada em olhos…

E daí #parti para encontrar papi no hotel, pegar nossas malas e ir para o aeroporto.

Assim começou o trajeto de volta: horas de aeroporto, de cochilos em cadeiras de aeroporto e muito, muito avião.

Em Munique, como era uma conexão longa (mas não longa o suficiente para sair do aeroporto e dar uma volta pela cidade), sentei num restaurante, comi um salsichão e mandei 3 pint de Paulaner (Weißbier alemã – esse B bizarro tem som de ‘ss’. A palavra alemã para rua – Straße – se fala ‘strasse’).

E assim terminaram nossos serviços, decolando para o Brasil:

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E ouvindo música clássica:

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Gostaram?

Eu gostei! Mas queria ficar mais tempo 😦

Oriente Médio 2012 – Israel e Jordânia

Me meti a fazer uma viagem para o Oriente Médio no meio de [mais] um grande conflito entre Israel e Palestina. Antes que perguntem: não vi nada de estranho, além do grande número de militares fortemente armados em Jerusalém (dizem que é normal) e, no sábado, ouvimos sirenes anunciando possível ataque de bombas. Rolou friozinho na barriga, mas nada afetou a viagem, só deixou a galera no Brasil preocupada.

A verdade é que o povo do Oriente Médio está acostumado a viver sob constante tensão. Conflitos fazem parte da história deles. No Brasil, é o contrário. Não conhecemos guerra.

Enfim.

Essa viagem foi entre 15 e 20 de novembro, parte dela em companhia do meu pai (que, mais uma vez, pagou boa parte, entre passagens aéreas, hotéis e passeios), começou e terminou com voos longuíssimos e quebrei todos os recordes de tempo sem dormir.

Só lembrando: sou ateia, mas fascinada por expressões religiosas. Meu pai também. O intuito da viagem era sociológico e antropológico, por tanto.

Vamos à viagem.

15 de novembro – 

O voo da Turkish para Istanbul (onde faríamos conexão para Tel-aviv) saia às 5 da manhã, o que inviabilizou uma noite de sono. Depois de trabalhar o dia inteiro, cheguei em casa, arrumei “malas”, ou melhor, minha mochila velha de guerra com três camisetas, underwears, calça legging, blusa e coisas de higiene – vocês não imaginam o tempo que ganhamos em uma viagem curta quando não despachamos bagagem! – e 1h fomos pro aeroporto.

Vôo lotado, totalmente diurno. Não foi fácil.

Cruzando o deserto do Saara!

Pousamos na Turquia e fomos atrás de um hotel para passar a noite. Nossa conexão era só no dia seguinte.

Não consegui dormir direito. Meu pai roncava feito porca grávida e minha mãe ficava mandando mensagem falando pra gente não ir pra Israel porque ia ter guerra, daí deu medinho e fiquei caçando matérias na imprensa. A situação era ruim, mas não era pra tanto.

16 de novembro – 

O vôo para Tel-aviv foi rápido. O tal interrogatório tenso na imigração, de que tanto se fala na internet, não foi nada demais. Nos perguntaram para onde íamos, por quanto tempo e como elaboramos o roteiro de viagem (??? INTERNET, ALOU?). Só.

Por 26 shekel cada (a moeda israelense. U$ 1 = 3,8 shekel) pegamos um táxi coletivo para Jerusalém.

Ainda era cedo para check-in no albergue, então deixamos nossas coisas e fomos andando até a cidade velha, cerca de 15 minutos do hotel.

Chegamos lá e encontramos certo caos pelos arredores dos muros que dão acesso à Old City. Maior feira rolando. Era o povo se preparando pro o Shabat, dia sagrado judeu, que começa às 17h de sexta e termina às 17 h do sábado.

Entramos pelo Damascus Gate, que dá direto no quarteirão árabe. A luz estava péssima para tirar foto, então roubei uma imagem do google:

0_Damascus_gate_into_The_Old_City

Ao passarmos os muros, chegamos a túneis CAÓTICOS. Altas vielas que parecem dar em lugar nenhum, encruzilhadas sinistras, apinhadas de comerciantes vendendo de tudo um pouco: tranqueiras pra turistas, coisas falsificadas, roupas (típicas e comuns), brinquedos, comidas, temperos.

Como era véspera de Shabat, tava tudo meio vazio, ou fechando. Não achamos lugar para contratar guia (depois soube que só tem no Jaffa Gate, mas só até 12h, por causa do Shabat), não tínhamos um mapa decente, então fomos andando bestamente pelas vielas escuras.

De quando em quando, passava um grupo grande de turistas e seguíamos, aproveitando para pegar alguma explicação. Foi assim que chegamos às ruínas da Cardo Maximus, a avenida principal de cidades romanas. Um mural atrás de mim representaria a vida à época:

De lá, continuamos andando sem rumo até chegarmos ao Santo Sepulcro. Estava entupido de gente, o que contrastava muito com o resto da cidade antiga, vazia. Centenas de pessoas formavam filas para entrar num mausoléu de madeira, dezenas beijavam, choravam, rezavam sobre uma pedra no chão, outras centenas faziam fila numa escada.

Meu pai e eu boiamos completamente. Por mais que nos interessemos por religião, não soubemos o que significava aquilo, e não havia placas informativas.

Só depois pesquisei o que era o quê. A escadaria dá acesso ao Calvário, lugar onde creem que Jesus e outras duas pessoas foram crucificadas. A Pedra da Unção (local das devoções mais acaloradas que vi, exceto talvez pelo Muro das Lamentações) é onde o corpo de Jesus foi preparado para ser enterrado. O mausoléu tem em seu interior a tumba de Cristo e restos da pedra que acreditam tê-la selado. Também tinham outros trocentos monumentos lá dentro.

De lá continuamos pela parte cristã até cairmos na parte judia – um contraste absurdo com o resto da Old City. Na parte judia há bares e restaurantes chiquezinhos, é tudo limpo, arejado, organizado e sinalizado.

Assim, foi fácil chegarmos ao monumento mais sagrado da fé judia, o Muro das Lamentações.

Mulheres e homens rezam separado, há grades em cada lado.

Acredita-se que o muro seja remanescente da primeira sinagoga.

Sou um ser sem capacidade de sentir lances espirituais quaisquer que sejam, mas a fé dessas pessoas beijando, tocando, rezando na frente do muro é poderosa. Mexe forte com a gente. Fiquei sensibilizada. Tanto que fiquei até meio temerosa de bater foto. Acredito ser muito desrespeitoso fotografar manifestações acaloradas de fé como recordações de viagem. Acho mais válido ficar só na memória.

Só tirei essa foto meio sem graça para mostrar para minha avó, tia e mãe que os papeizinhos com pedidos delas foram devidamente enfiados no muro, junto com outros milhões.

Quanto a mim, me permiti tocar o muro e aliviar minha mente de todo e qualquer pensamento. Não fiz desejos, não agradeci. Só toquei a parede e senti aquela atmosfera densa.

Na parte masculina, pede-se que os homens usem quipá – o chapeuzinho judeu. Para quem não tem, há quipás de papel distribuídos gratuitamente.

Ó papai de quipá:

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Vista do Muro e a cúpula dourada do Domo da Rocha, já na parte árabe. A parte verde alta, ao fundo, é o Monte das Oliveiras (não fomos).

Essa porrada de carros brancos estacionados são militares.

Foto horrível para dizer “EU FUI”.

Voltamos por um caminho que passou pela parte armênia, lotada de lojinhas de vestimentas e comidas típicas. Incrível.

Almocei shawarma de falafel com suco de romã. Shawarma é um sanduíche de pão pita, mais comumente recheado de carne (nosso famoso churrasco grego) ou frango. Falafel é um bolinho de grão de bico delicioso. Para ‘molhar’ o sanduíche, muito iogurte.

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Depois andamos em direção ao Jaffa Gate, até porque tudo estava fechando. Já eram umas 14h e o clima em Jerusalém era de rush, todo mundo apressado para chegar logo em casa. No caminho passamos pela bela Torre de David, mas estava fechada. Uma pena. O visu de lá de cima deve ser único.

Voltamos andando pela Yafo, uma avenidona. Ficamos estarrecidos: tudo fechado! Clima de 1º de janeiro, poucas pessoas perdidas pelas ruas, todas se dirigindo com pressa para algum lugar. Nada de transporte público, nem carros, nem nada. Numa das pouquíssimas lojas abertas, enquanto meu pai comprava um vinho e uma água, eu trocava ideia com o dono: “Que época que vocês escolheram para visitar Jerusalém, hein? Mas não se preocupem, nada acontecerá”, garantiu.

O albergue em que ficamos, Abraham Hostel, é super bem falado pela internet. Inclusive um moço que conheci recentemente me indicou. Só elogios à hospedaria, que tem aquele clima jovem de albergue mas sem ser caótico, que tem um lounge com bar delicioso, que tem uma programação ótima para turistas e que é razoavelmente perto das coisas. Sem dúvida o melhor em que já me hospedei, recomendo do fundo da alma. Meu pai e eu ficamos num quarto privado, com banheiro e uma mina-copa, com frigobar.

Pagamos por 2 noites de hospedagem, com café da manhã, U$ 134.

Melhor: o albergue deu vale-drinque de boas vindas pra mim e pro meu pai.

Umas 19h, já noite cerrada e cerca de 10ºC, saímos em busca de comida. Nada. Há, sim, alguns poucos restaurantes abertos no Shabat, mas ficavam longe. Desistimos e voltamos pro albergue.

Tava rolando jantar de Shabat, mas tinha que ter se inscrito antes. Diante disso, só nos restou apelar pro bar do hostel. Pegamos nossos drinks de boas vindas – cerveja, eu, e vinho, ele, nachos e pita bread com tahine. Misturei nacho com comida árabe, será que é pecado? hahaha

Meu pai vazou e eu fiquei bebendo. Tomei 3 canecas de chopp e ainda me deram de graça um shot de araq, uma bebida do Oriente Médio, a base de anis.

Sei que comecei a trocar ideia com pessoas por perto e logo colaram vários brasileiros. Impressionante, eu os atraio. A menina do bar, inclusive, era brasileira. E colocou pra tocar Claudinho & Buchecha e Los Hermanos. COMO PROCEDER? EM PLENO ORIENTE MÉDIO OUVINDO LOS HERMANOS!

Sei que voltei pro quarto altíssima, mal me importei com os roncos do meu pai e dormi o sono merecido depois de 3 dias inteirinhos só pescando vez por outra.

17 de novembro – 

Acordei revigorada e descemos para o café-da-manhã. O melhor que já tomei em hostel. Simples, mas sem frescura de “1 por pessoa”. Tinha queijo, pepino e tomate (como se come pepino por esses cantos!), suco, geleia, requeijão, nutella, chá, pão…

Umas 9h o guia nos buscou no hostel para o tour por Massada e pelo Mar Morto.

O Mar Morto tem esse nome porque não há vida nele. Recentemente descobriram que, na verdade, há sim um organismo que sobrevive, uma bactéria. Mas o ambiente é inóspito para qualquer outro ser. Isso por causa da alta concentração de minerais. São 29, enquanto, para efeitos de comparação, o Mar Mediterrâneo têm 5.

Os tantos minerais são altamente explorados por Israel, principalmente na produção de produtos de beleza. O Mar Morto tem propriedades medicinais únicas. Ajuda no tratamento de diversas doenças de pele.

Na ida, passamos na fábrica de uma marca de produtos de beleza. Tudo caro.

Um pouco depois chegamos a Massada, uma fortaleza romana construída no século I d.C, e que fica em cima de um morro – chega-se de bondinho, mas os aventureiros e desocupados podem subir pela “Trilha da Serpente” – uma escadaria sem fim.

Vista área de Massada, que roubei do google:

https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-g8-hGu-Zv24/UJGjI3pZiDI/AAAAAAAABOc/INvbxJI9iSY/s1600/23+-+national+geografic.jpg

A fortaleza ocupa todo o planalto do morro. Era uma verdadeira cidade, construída por Heródes, o Grande.

A fortaleza possuia 3 palácios, cisternas com água suficiente para 2 anos, piscinas, saunas… Majestoso define.

Atrás de mim: em cada fileira ficava um tipo de alimento. Era tanto que poderia durar por 5 anos!

Isso sem falar da puta vista incrível do Mar Morto, de um lado, e do desertão da Judeia, de outro:

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A ave preta, que achei que era um corvo, é híbrida – só existe nessa região. O nome é impronunciável. Hebraico é difícil.

O mais legal de Massada, no entanto, é que após a morte de Heródes, o forte foi tomado por um grupo judeu que se estabeleceu por lá com suas famílias. Alguns anos depois, com a iminente invasão romana, o grupo decidiu se matar, para evitar os horrores da guerra (que fossem escravizados, torturas, que suas mulheres e filhas fossem estupradas e afins) e morressem livres e com dignidade. Eram quase 1000 pessoas.

Cada homem matou sua família. Um sorteio definiu 10 homens que matariam a todos os outros. Desses, um foi selecionado para matar os outros nove, incendiar o palácio e depois, suicidar-se. O plano deu certo. Os romanos chegaram à fortaleza, no dia seguinte, e encontraram todos mortos.

Sabe-se da história porque duas mulheres, que não tinham maridos, escaparam, e contaram aos romanos o que havia acontecido. Recentemente, escavações acharam pedras com 10 nomes masculinos. Creem que sejam os 10 remanescentes.

Essa história enche os israelitas de orgulho: dizem que é símbolo de fé e de perseverança.

Depois de almoçar na praça de alimentação que fica na base do morro (tinha até Mc Donalds, que tristeza), fomos para o Mar Morto boiar!

Outra curiosidade do Mar Morto: é o ponto mais baixo da Terra. Está abaixo do nível do mar, a -422 metros de altitude!

Para se banhar no Mar Morto há várias regras. Se desrespeitar, azar o seu. Não devemos molhar a cabeça, muito menos os olho – vai arder. Nada de mergulhar. Um banho com água doce é fundamental logo após sair do mar.

Isso dito, lá fui eu boiar:

Bagulho é louco.

Experiência única na vida. É impossível morrer afogado. Você não boia porque quer, boia porque o mar te obriga. Dá pra ficar sentado. Qualquer movimento é difícil de ser feito, a água é muito densa. E oleosa. Você fica melado.

Se você tiver qualquer pequeno ferimento na pele, vai arder insuportavelmente.

Depois de passar por isso, tem toda a lógica ler na Bíblia que Jesus caminhou sobre as águas.

Além do mar, tem também o lance da lama medicinal.

Há vários baldes com lama. Você vai lá e se enlambuza todo, assim, sem medo. Favor ignorarem as minhas banhas. Sou contra postar foto de biquíni, mas essa é outra pegada. Essa pode.

Depois da lama, uma bela duchada tira tudo. Não imaginei que saísse tão fácil.

Se notei mudanças na pele? A oleosidade sinistra que faz parte do meu ser evaporou. A oleosidade no meu rosto só voltou quando retornei ao Brasil. Também fiquei mais… lisa?

Voltamos ao hotel e tomei uma cervejinha para me preparam para o jantar:

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Delicinha!

Jantamos no Restaurante Arcadia, acho que o jantar mais caro da minha vida. Foram uns bons U$ 250. Foda. Tava ótimo, é claro. Tudo feito com coisa orgânica, entrada, sobremesa, bebidas… Mas nada muito… israelense.

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Umas 21h voltamos pro hotel. Não consegui dormir 1 minuto se quer, até porque meia-noite zarparíamos. Papi de volta ao Brasil, eu rumo à Jordânia.

18 de novembro – 

Cheguei no aeroporto Ben Gurion cedíssimo – a ideia era eu esperar lá, porque o aeroporto doméstico de Tel-aviv provavelmente não tinha uma infra decente. Sentei numa cadeira e tentei dormir. Impossível.

A ideia era passar o dia em Petra, na Jordânia, e voltar a noite, direto para Tel-aviv, e passar o dia seguinte lá. Isso só seria possível indo de avião, então comprei o pacote de day tour em Petra e avião nesse site. U$ 450 a brincadeira. Mas é uma vez na vida. Não achei que houvesse outra oportunidade.

Umas 4h30 da manhã peguei um táxi e fui para o Sde Dov, o aeroporto doméstico, de onde pegaria o voo para Eilat, que faz fronteira com a Jordânia. ESTAVA FECHADO. Rysos eternos. Fiquei 40 minutos num frio absurdo sentada na calçada esperando abrir.

Abriu.

Para entrar no aeroporto – um galpãozinho – teve um questionário foda perguntando minha vida. Equipamentos de segurança que pareciam fazerem tomografia dos nosso pertences.

O avião – um teco-teco a hélice, fofo! – demorou quase 40 minutos para decolar. Chapada de sono, dormi o vôo inteiro, 45 minutos. No aeroportinho de Eilat, um motorista me aguardava com duas alemãs. Ele nos levou até a fronteira, que atravessamos sozinhas.

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Tão fácil entrar, tão difícil sair…

Na Jordânia, o grupo – um casal holandês velho, um casal australiano bem jovem, um americano gordo jovem, dois brasileiros e o guia, jordaniano, nos aguardavam.

O micro-ônibus rodou por pouco mais de 1h, passando por um desertão inóspito, até chegarmos perto.

Atrás de mim, tudo que é marrom faz parte de Petra, a cidade de pedra.

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Petra é uma cidade com arquitetura greco-romana oriental construída inteiramente na pedra, dentro de um grande vale. Foi criada pelos Nabateus (árabes) no século 3 a.C., e foi descoberta por arqueólogos só no século XIX! É porque de longe não dá pra ver, como podemos reparar nessa minha foto acima. Só adentrando o vale e caminhando por lá vamos aos poucos descobrindo os tesouros de várias civilizações que por lá viveram durante séculos – os últimos moradores, no século passado, foram beduínos, até a UNESCO declarar Petra Patrimônio da Humanidade e expulsar a galera de lá.

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Casas, igrejas, tumbas, tem de tudo um pouco aí.

Petra é enorme. Andamos por 4h e não vimos nem metade. Não deu tempo de entrar em nenhum lugar, só ver de longe. Petra continua sendo explorada, é um sítio arqueológico importantíssimo, estudiosos de todos os lugares a visitam. Acredita-se que apenas CINCO PORCENTO da cidade são conhecidos!!!

E tchã-nã-nã-nããããã

O monumento mais conhecido e fotografado de Petra, usado como cenário em Indiana Jones: A Câmara do Tesouro,  Al Khazneh. Não se sabe direito o que ela é: uma tumba, uma igreja, tudo isso?

Mas o mistério maior é como algo construído há milênios – lá pela época de Jesus – é tão perfeito. A simetria, os detalhes helenísticos, é impressionante.

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Não, não andei de camelo. Fiquei com pena. Eles são muito judiados.

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A Cardo Maximus de Petra.

IMG_3876O anfiteatro

Para terminar, uma imagem área que vi num livro:

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Umas 15h30 fomos almoçar num restaurante de comida jordaniana. Estava incluído no pacote. Aquelas coisas de sempre: muito pão pita, tahine, iogurte, pepino, grãos… Ou seja: delicioso!

Daí o guia e o motorista começaram a se desesperar. Ia chover. Muito. A região de Petra inunda com a maior facilidade – é um vale, afinal de contas.

Chegamos a Aqaba, a cidade que faz divisa com Eilat, e nos deram uns minutos para dar um rolê pelo centrinho.

Fiquei assustada. Me perdi do grupo por um instante, e foi atravessar a rua para eu sentir de verdade o clima árabe homem X mulher. A Jordânia é um dos países mais tranquilos em relação a isso, mas ainda assim é chocante.

Já tinha sentido, na trilha de Petra, altos árabes me secando de uma forma nada comum. Já não sou muito de ser olhada, ainda mais daquela forma. Mas até aí, lá tinha muito vendedor e pra vender vale tudo. Mas em Aqaba foi sinistro. Atravessei a rua e TODOS os homens me olharam. E vocês viram a minha roupa: legging preta, blusa preta, tênis. Nada muito absurdo. Sei que você se sente como se estivesse comendo uma banana na frente de uma obra. Não é um lance de admirar mulher bonita. É um misto de estranheza (acho que por estar sozinha) e puríssima luxúria. Fiquei com medo e decidi nunca visitar um país árabe sozinha.

A Jordânia é sunita. As mulheres só cobrem os cabelos, nada de burca. Usam até roupas normais, ocidentais. Então não sei bem o que rola.

Uma curiosidade da Jordânia: 90% dos casamentos são arranjados entre os pais. Oferecem-se camelos e aquela história toda. Nosso guia, Hussein, se casou assim, e diz estar muito feliz.

Tudo lindo, mas queria logo ir pra Tel-aviv dormir.

Ao chegarmos à fronteira, um clima estranho e muitos ônibus de turismo parados. Em pouco tempo vieram nos dizer: Israel fechou a fronteira. Culpam um alagamento. Só abririam na manhã seguinte. Teríamos que passar a noite em um hotel. Com isso, perdi a passagem de volta para Tel-Aviv, gastei U$ 50 na hospedagem no Mina Hotel, sendo que dividi quarto com uma brasileira, a carioca Altaíra, gastei uns U$ 20 no jantar e mais uns U$ 100 no dia seguinte para atravessar a outra fronteira e voltar para Tel-Aviv, mas chegarei lá.

Fudido por um, fudido por mil.

A minha situação, ao menos, não era tão desesperadora. Só perdi dinheiro. E o brasileiro, do Mato Grosso, que ia encontrar os pais (que não falavam nada de inglês) na Turquia no dia seguinte? E as alemãs, que iam voltar pra Alemanha também no dia seguinte? Meu vôo para o Brasil era só às 5 da manhã do outro dia, então não me desesperei.

Fora que eu estava com a minha mochila com tudo, coisas de higiene e roupas limpas, carregador de celular… O povo todo tinha largado as bagagens em Israel. Day tour, quem anda com mala em day tour? Daí lá foi a galera comprar sabonete, escova de dentes, roupa… Que situação!

Fora que a moeda jordaniana, o dinar, vale mais que o dólar. 1 dinar = U$ 1,5 Mais câmbio, mais dinheiro indo pro lixo.

Mas já que estávamos na merda, fomos ao menos curtir a noite em um restaurante agradável quase na esquina. Troço louco: SÓ homens nas mesas e ABSOLUTAMENTE TODOS ELES fumando narguile. Meu grupo (australianos, brasileiros e americano) também quis tentar.

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Amo narguile!

Jantei carne de carneiro com tahine, porque sou a favor de provar as coisas regionais. Tava foda! E para beber, um chá gelado com baunilha MARAVILHOSO.

19 de novembro – 

Acordamos e tomamos o café da manhã do hotel – ótimo. Nos encontramos com o guia, como estava marcado, e soubemos que a fronteira com Eilat continuaria fechada, e que ficaríamos esperando abrir. A cada hora o novo boletim do guia dizia a mesma coisa: vamos esperar até 10h. Depois: até 11h. Depois: até 12h… Daí começou a rolar um desespero.

As alemãs desencanaram da bagagem inteira em Eilat, gastaram U$ 300 cada uma e conseguiram um táxi para levá-las até a fronteira norte, Allenby Bridge, de onde pegariam outro táxi para o aeroporto de Tel-Aviv, tudo para não perderem o voo de volta à Alemanha.

Como nenhum de nós queria nem podia gastar tanto, decidimos esperar.

O guia, vendo nossa frustração, nos levou para dar uma voltinha.

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Triste foi que estive à beira do Mar Vermelho e nem o vi! Se eu soubesse que ia ficar uma manhã inteira em Aqaba, podia ter curtido melhor o dia.

O guia nos pagou um café num lugarzinho bacana e nos apresentou a uma menina palestina linda, ruiva. Não sabia que isso existia. Sempre pensamos em árabes como um povo moreno. A menina, de 16 anos, bem poderia ser, sei lá, escocesa.

Ela não usava véu na cabeça. Nos explicou que era escolha pessoal. E que quando se casasse e tivesse filhos, talvez repensasse. Foda, né?

Às 13h nos arranjaram um ônibus para irmos até a fronteira norte, a mesma que as alemãs cruzaram, já que a fronteira com Eilat permaneceria fechada. Era isso ou cruzar pelo Egito! Imagina.

E daí lá se foram mais 50 dinar (U$ 75) para o ônibus e para a fronteira.

Mas o visual era incrível!

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IMG_3910De volta ao mar Morto, dessa vez do lado jordaniano. Uma linda imagem do sol se pondo.

Chegamos à fronteira e ficamos um século esperando carimbarem nossos passaportes e nos liberarem. E começou a chover. Foi nesse momento, presos no ônibus na fronteira Jordânia X Israel, de noite e chovendo, que o americano falou a frase que marcou a viagem: “Didn’t you all ask for a super hard experience trip? Here you go” hahahaha Morri!

Sei que atravessamos a fronteira e nos separamos do grupo. A outra brasileira e eu pegamos um táxi para Tel-aviv com um casal canadense, porque Tel-aviv era bem perto dessa fronteira. Todo o resto pegou um ônibus até Eilat – SEIS horas de viagem, depois das 5h que já tinhamos feito. hahahaha! Que bacana.

O que me deixou indignada foi a agenciadora dessa viagem, que queria que eu e a brasileira retornássemos a Eilat e pegássemos o avião para Tel-Aviv – para manter o pacote que acertamos. Hahaha, que piada.

Cheguei no Central Hotel às 21h, com apenas um dia inteirinho de atraso! US$ 161.50 por duas noites (sendo que usei por quatro horas! hahahah!)

O hotel na verdade é um albergue, mas com quartos privativos. Quartos? O menor que já entrei na vida, incluindo na conta o de Nova York. Para entrar no banheiro tinha que subir em cima da cama. Mas era limpo e agradável.

Liguei em casa para falar que estava viva e dormi.

Acordei 1h, tomei um belo banho e fui pegar meu táxi na recepção. Nisso, entendi um papo inteiro em hebraico, sinistro. O taxista tava falando que só aceitava shekel (moeda israelense) e o cara do hotel dizia que eu só tinha dólar, daí eles combinaram que eu chegaria no aeroporto e trocaria dinheiro. COMO CARALHOS ENTENDI ESSE PAPO???? Não me perguntem. 

Tava indo embora e o moço do hotel, que era outro do da hora que cheguei, me cobrou minhas diárias, sendo que eu tinha pago na chegada. Pior: eles já tinham cobrado as duas diárias no cartão do meu pai, no ato da reserva, mas o cara da recepção disse que não tinha dinheiro nenhum e que eu tinha que pagar a outra diária. Comecei a ficar irada – até isso dando errado? Daí ele falou NÃO CHORE. Mano, vontade de esmurrar aquele judeu filho da puta.

Sei que com muita discussão ele me deu o cartão do hotel, pra passarmos os comprovantes do cartão de crédito, e eles devolveriam. ATÉ AGORA NÃO DEVOLVERAM NADA, BOOKING DOS INFERNOS.

Fui pro aeroporto pela primeira vez na vida LOUCA de vontade de chegar em casa. Para esse meu Brasil maravilhoso. Patriotismo batendo forte depois de visitar um país mais neurótico que os EUA (ok, entendo o motivo da neura, mas isso não é desculpa), um país que vive em conflito com seus vizinhos, que tem inimigos no mundo.

No aeroporto, passei por 500 revistas e entrevistas para entrar no embarque. Por que Jordânia?, por que entrei por uma fronteira e saí pela outra?, porque Turquia?, o que faço no Brasil?, cadê minha família?, por que sozinha?, quanto ganho?. Revistaram EVERY-FUCKING-SINGLE-ITEM da minha bagagem. Passaram coisinhas nos meus sapatos para identificar sabe deus o quê. Já tava tão fudida, puta, faminta e cansada que nem me importei. Nem me estressei. Atingi um nível de calma estranho, depois da quase explosão com o recepcionista do hotel.

Depois dos trâmites de segurança (meu pai não passou por nada disso. É sempre aquilo: brasileira, jovem, sozinha SÓ SE FODE), dei um rolê pelo incrível free shop do Ben Gurion, que se diz o maior do mundo. É de fato grande. Comprei uns creminhos para dar de presente e chocolate.

Depois fui jantar:

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Falafel com tahine, berinjelas e cerveja. EU MEREÇO nível um milhão.

20 de novembro – 

O voo entre Tel-aviv e Istanbul estava completamente vazio. Me estiquei na poltrona tripla e dormi. Acordei pousando em Istanbul. Tudo nublado, não vi nada da cidade.

Nem deu tempo de passear pelo magnífico aeroporto de Istanbul, que tem uma loja de coisas típicas foda. Já embarquei direto naquele voo entupido de brasileiro classe média descobrindo o mundo. Nada contra. Mas o brasileiro tá de fato viajando, viu. Pelamor.

Interessante dessa viagem é que perdi meu medo de turbulências. Altas turbulências no meio do oceano, e eu nem me importei. Antes eu ficava gelada, apertando a cadeira com força. Mó cagaço. Mas passou.

Pousei em Guarulhos 19h e pouco, estraçalhada de cansaço. A imigração não foi tão demorada. Peguei o ônibus pro Tatuapé, de lá peguei metrô e cheguei em casa 21h e pouco.

Foi isso.

EUA 2012 – parte 3 – Nova York

E chegamos à parte final desse longo post e dessa deliciosa viagem, iniciada em Miami, continuada em Orlando e terminando em Nova York, meu objetivo primeiro, embora a viagem inteira tenha sido ótima.

Chegamos à Nova York pelo aeroporto JFK. Primeira coisa notada: ROMERO BRITTO. O aeroporto tem ilustrações e esculturas do pernambucano por tudo que é canto. No centro do Desembarque havia uma enorme “big apple” com texturas do artista. Aliás, em Miami, há várias lojas com objetos a la Romero Britto, e até personagens da Disney. Tá com tudo o cara.

Fomos procurar transfer para o hotel (U$ 25 cada, mais ou menos), mas nos indicaram um táxi: como estávamos em 2, seria vantajoso, além de mais confortável e rápido. Na realidade, custou U$ 50. Mas a rapidez compensou. Além de que andar nos famosos  e tradicionais táxis amarelos é uma parte importante da cultura novaiorquina.

NY estava gelada. Coisa de 5ºC, tempo fechado e ameaçando chuva. Ainda assim, apaixonante.

Chegamos ao albergue de tardinha. O HI NY é muito bom. Um dos melhores em que já fiquei. Localizado em UPTOWN, lá pela 103 th street (mas isso não é tão longe como parece). O quarto – premium, para 6 pessoas, misto, com café da manhã incluído – custou U$ 245,00 por pessoa, para 5 noites (NY é muito cara, gente). O banheiro era fora do quarto, mas de ótima qualidade. Assentos de privada descartáveis, secadores nos banheiros, boxes sempre limpos, com sabonete líquido. Aliás, o hotel inteiro era limpo, agradável e aconchegante. Não chegamos a participar de nenhuma atividade promovida por eles (tinha coisas incríveis, incluindo gospel no Harlem, mas a Pri não quis ir =/), mas percebe-se que eles são muito organizados e preocupados com nosso bem estar. Além disso, os funcionários também eram super prestativos.

Largamos nossas coisas e fomos dar uma volta pelos arredores. Pensamos em ir até o Central Park, mas erramos o caminho e acabamos em outro parque, o Riverside Park. Ó que coisa mais novaiorquina gostosa, minha primeira foto por lá:

Andamos um pouco no parque e daí começou a chover. Já estava anoitecendo e resolvemos ir para o albergue, comer alguma coisa e dormir cedo. Uma ótima escolha.

Para nosso tour por Nova York, compramos o City Pass. Já tinha utilizado o livrinho de vouchers em Toronto (Canadá, 2004), e gostei da ideia. Como primeira visita à cidade, e poucos dias disponíveis, o livrinho ajuda a organizar nosso tempo e nossos interesses. Além disso, as filas são menores e, geralmente, o preço vale a pena. Por U$ 72 por pessoa, tínhamos 7 ou 8 atrações, entre museus e passeio a Statue of Liberty. Inauguraríamos o livrinho no dia seguinte.

2 de abril – 

Depois de um café-da-manhã com bagel, chocolate quente e banana, pegamos o metrô e fomos até a famosa Times Square. Nos perdemos um pouco para chegar até a lendária esquina, mas foi bom. Olha só na frente do que tirei foto:

Sede do The New York Times 🙂

Também entramos em lojinhas e grandes lojas, tiramos fotos na entrada do museu de cera Madame Tussaud (não rola gastar U$ 40 pra entrar, gente), e com o cartaz do musical de Mary Poppins:

Até que, eis a Times Square, cheeeia de turistas, moradores, trabalhadores, gente do mundo:

Continuamos passeando até nos depararmos com uma fantástica e enorme loja da MM’s. TRÊS andares de produtos da marca, além de todos os tipos e cores de mm’s possíveis.

Saí de lá com MM’s de coco, de amêndoa, mentolado, de frutas vermelhas… Paraíso dos gordos. Incrível ♥

Rumando ao 30 Rockfeller Center, ainda passamos pela loja da Nintendo World – o sonho dos nerds, viciados em games e tal – que não despertou grandes paixões em mim, ainda que eu entenda o apelo, curti mesmo foi o segundo andar, onde rolava uma exposição da história da Nintendo – a evolução dos consoles, do Mario Bros., do Donkey Kong.

E a famosa pista de patinação no gelo, na frente do Rockfeller Center? Queria ir, mas era caaaro e estava sempre cheio!

Enquanto não dava nosso horário para subirmos ao Top of the Rock (o topo do 30 Rock), almoçamos pizza, tomei um Starbucks e entramos na esplêndida catedral neogótica de St. Patrick’s.

E os seriemaníacos, tão na área? Reconhecem essa imagem? 😉

Finalmente, hora de admirar NY no Top of the Rock!

E não podíamos ter escolhido um dia melhor. Claro, azul e sem névoas. Perfeito! E soltem os cabelos!

Ó o Central Park dominando a cena. E o rio Hudson.

Do outro lado. No cantinho superior direito vemos a ponta do Empire State, nossa próxima parada!

Ok, na verdade, nossa próxima parada foi a loja da Lego World. Depois, mil lojinhas de souvenirs, entre as quais, achei essa preciosidade:

Chegamos ao Empire State no lusco-fusco. Achamos que seria uma boa ideia matar os dois passeios panorâmicos no mesmo dia, e aproveitar que era segunda-feira (e a esperança de menos filas). RIGHT. Saca só a entrada do Empire State pra turistaiada ir no topo:

O INFERNO NA TERRA. Ficamos mais de 2h na fila, anoiteceu, batemos papo com brasileiros, brigamos com adolescentes americanas fura-filas e, horas depois, fomos ao topo do Empire State.

UM FRIO DO CAPETA.

Isso é tudo que consegui com uma câmera nada ideal para fotos panorâmicas noturnas e tremendo de frio.

Cinco minutos depois estávamos de volta ao saguão.

E nisso já eram umas 21h. Pegamos o metrô e, quando vimos, nossa única opção de jantar era Mc Donald’s. E assim foi.

3 de abril – 

Depois do café-da-manhã, fomos andando até o Museu de História Natural de NYC.

1º: indignação. Que porra de mapa sulamericano é esse? Desde quando o Brasil inteiro é dominado pela Amazônia? Hello, geografia, prazer.

Tirando isso, foi muito legal ver um dos maiores acervos de esqueletos de dinossauros do mundo:

Mamute e eu

Saímos do museu e fomos andar no Central Park, aproveitando a tarde linda que fazia.

Também visitamos o cantinho que é uma homenagem a John Lennon, o Strawberry Fields:

E, claro, passamos na frente do The Dakota, onde John Lennon foi assassinado há mais de 30 anos.

Depois de jantar Subway e voltar ao hostel, descobri que tinha perdido meu NY City Pass. Azaaaaaaaaaar. E descobri que não tinha como pegar outro. Me fodi bonito. Mas a gente pensou num esquema para eu não me foder tanto, e deu certo, no fim: iriamos nos museus em dias em que a entrada é mais barata; e uma alemã do nosso albergue me disse que no MOMA ela conseguiu pagar meia só com o boleto da faculdade, provando que é estudante. E todo em alemão. Como eu tinha levado pros EUA comprovante de matrícula da USP (com medo da imigração), pude aproveitá-lo.

4 de abril – 

Acordamos cedinho para ir à Estátua da Liberdade. O dia estava azul, agradável e lindo. Mas a fila para os barcos que vão até a ilha onde está a estátua era assustadora. Algo em torno de 2h. Mas fazer o quê, né…

Na fila, demos uma de americanas e comemos um pretzel bem gooooordo e grande:

O passeio de barco tava incluso no city pass, mas como perdi os vouchers, tive que comprar. Sem drama: custou U$ 13, só. Incluindo ida e volta e parada no museu da imigração da Ellis Island.

Bom, a primeira percepção da estátua da liberdade é a seguinte : QUE PEQUENA.

Nós, acostumados com a imponência do Cristo Redentor, nos impressionamentos com a Estátua da Liberdade, que tem mais nome que tamanho.

A volta pela ilha é bem rápida. Parando para tirar mil fotos, não dá mais de meia hora.

Mas o legal mesmo da ilha é a vista do skyline de Manhattan –

E as frondosas árvores floridas, na própria ilha – 

O museu da imigração é bem interessante. Mostra como a galera se ferrava na chegada aos Estados Unidos – ficavam em quarentena em verdadeiras prisões, eram catalogados como animais, coisas assim.

É bem deprimente, mas é história viva. É o sangue que ajudou a construir os Estados Unidos.

Olha um esquema de como era a inspeção para entrar nos Estados Unidos –

Ao voltar para NYC, já no finalzinho da tarde, resolvemos visitar o Memorial do 11 de setembro. No lugar das torres destruídas pelo atentado, fizeram uma fonte com o nome de todos os 10 mil e tantos mortos. Impactante.

Mas sabe a grande escrotidão? A MEGA RÍGIDA segurança ao redor do memorial. Passamos por raio-x, apalpações, uma fila quilométrica pra ver a porra da fonte.

Uma paranóia fodida. E irritante.

Próxima parada: metrô.

No caminho, nos deparamos com uma lindíssima igreja no melhor estilo história de terror, com cemitério do lado e tudo:

Na igreja estava começando uma missa. E tinha canto gregoriano! Incrível!

Depois fomos bater perna pela Times Square e entrar em lojas. Sephora, Victoria Secrets, H&M e tantas grifes que fazem os consumistas – not us – pirarem.

Impressionante como as coisas são baratas.

Comprei S-E-T-E produtos da Victoria Secrets, entre sabonetes líquidos, hidratantes, gloss e talz, por U$ 35! Coisa linda.

Começo a entender gente que viaja só pra fazer compras, viu.

Jantamos fast food vagabunda em um muquifinho da 6th avenue.

5 de abril – 

No nosso penúltimo dia em NYC, decidimos fazer um mega combo, incluindo zoológico, almoço bom (pra variar), MOMA e Broadway.

Começamos com o zoológico do Central Park. Pequeno, mas muito interessante. Rola um ambiente fechado que simula regiões tropicais – e é simplesmente incrível! Uma mini-floresta super úmida, com várias aves tropicais lindas, sapos venenosos, baratas, cobras… E era quente mesmo! Tiramos nossos casacões – tava uns 5ºC na rua – e até sentimos calor.

Na área externa, uma piscina enorme tinha várias focas felizes e saltitantes. Também tinha o tanque dos ursos polares, e tinha um lince maravilhoso 

A loja do zoológico é incrível, bichos de pelúcia de tudo que é animal. Ó que lindo o povão que a Pri viu (mas não comprou):

Depois fomos para a Times Square tentar comprar ingresso para um musical da Broadway. 1h e pouco de fila e conseguimos: U$ 80 dólares cada para assistir “O Fantasma da Ópera”, na mesma noite.

Daí almoçamos no Planet Hollywood. Sempre incrível, com peças, assessórios e roupas usados nos filmes. Já na entrada tinha o clássico vestuário de Charlie Harper (Two and a Half Men) e um enorme coringa (fase Jack Nicholson). Almoçamos bem e seguimos adiante, rumo ao MOMA – Museu de Arte Moderna de NY, sede de algumas das principais pinturas da humanidade, tipo:

“Starry Night”, meu quadro preferido EVER, do Van Gogh;

Persistência da Memória – o quadro dos relógios vazando, do Salvador Dalí (tão pequeniniiiinho o quadro)

Roy Lichtenstein;

Isso sem falar de uma porrada de arte contemporânea bizarra, tipo Marcel Duchamp:

(não curto essa história de pegar uma privada e falar que é arte)…

Vimos tudo super correndo.

Na volta, passamos numa loja fantástica do Lindt, uma das melhores marcas de chocolate do mundo. De falar em Lindt minha boca saliva. É bom demais. Comprei algumas barras bizarras – tinha uma de pimenta (ok) e outra com um leve toque de sal marinho (!!!) que dei pro meu pai e ele A-M-O-U (de fato, era interessante).

Próxima etapa: O FANTASMA DA ÓPERA.

Olha… Muito bonito, mas SOOOOOOOOOOOOOOOOO FUCKING BOOOOOOOOOOOOOOORING. Puta merda, que troço chato.

Primeira consideração: não entendi metade da peça;

Segunda consideração: B-O-R-I-N-G.

(minha tia atriz me deu bronquinha por ter ido no Fantasma da Ópera. Ela disse que valia mais a pena ver Mary Poppins, Rei Leão, qualquer coisa.)

Terminou tardão. Antes de voltar pro albergue mandamos um MC Donalds (é, eu sei).

6 de abril – 

Última dia de hostel. Último dia da Pri em Nova York. Penúltimo dia meu.

Ainda tava faltando irmos ao Metropolitan Museum of Art, e foi nele que gastamos o dia inteiro – deveriamos ter passado uns 5 dias lá, isso sim. Tantas alas que não deu pra ver!

Pinturas, esculturas e objetos que são marcos da humanidade, que que remetem a séculos de descobertas das civilizações oriental e ocidental. Um dos grandes museus do mundo.

Vang Gogh:

Monet:

Peças árabes:

Sala dos tapetes turcos:

Uma ala ENORME e apaixonante do Egito (só não tinha múmia, pena).

Isso sem falar da enoooorme ala greco-romana, das salas com armas medievais (INCRÍVEL), da arte da Mesopotâmia…

É um puta museu. Vale a pena (se você curte museus – eu amo).

Saímos de lá – com muito ainda para ser visto, infelizmente – e fomos comer Cheesecake em uma bakery recomendada pelas nossas roomates alemãs do hostel, o Magnolia Bakery.

Mandei um “Caramel Pecan” dos deuses. Que delícia (pagando U$ 7 dólares o bolinho devia até ser de ouro).

Já no lusco-fusco, voltamos para o albergue para as mudanças de hoteis. Primeiro levei minhas coisas para o Mayfair New York, no coração da Midtown, em plena 49th. A minha última noite foi outro presente do papai. Bom mesmo, porque custou U$ 190 UMA NOITE, sem café da manhã. Falei que NYC é cara, gente.

Os funcionários eram SUPER prestativos, me ajudaram muito com tudo. Mas o quarto era um cubículo, mal coube minha mala. O que importava mesmo era uma cama e um banheiro só pra mim.

Em seguida voltei ao metrô e fui com a Pri para a Chinatown, onde ficava a espelunquinha em que ela passaria a última noite.

No metrô, uma mulher esnobe nos recriminou por estarmos indo com mala e cuia para Chinatown durante a noite. Ótimo, pq a Pri já estava morrendo de medo de passar a última noite lá, e implorou para ficar comigo – além de eu me recusar, o TAMANHO DO MEU QUARTO também recusou. Mas nem em sonho caberíamos nós duas e todas as bagagens no quarto.

Uma vez na Chinatown, jantamos em um asiático por lá, e vejam que coisa, foi a refeição mais saudável em 6 dias de Nova York.

Suco de frutas N-A-T-U-R-A-L (vcs não sabem a dificuldade de se achar um suco natural nos EUA) e uma espécie de yakisoba, só que mais gostoso.

Depois disso voltei para o meu hotel e dormi feliz e contente na minha cama grande, sem roncos, sem bagunças (além da minha), com banheiro só pra mim.

7 de abril – 

Último dia 😦

Acordei bem cedinho para aproveitar minhas últimas horas. Tomei um bom banho e desci pra recepção, onde o moço recepcionista  super atencioso me explicou como chegar até o limite da ponte que liga Manhattan ao Brooklyn – meu programa do dia seria atravessar seus quase 2 km de extensão.

Estava um dia lindo, e acho que metade da população mundial resolveu fazer o mesmo passeio que eu. Com isso, tirar fotos ficava difícil. Verdadeiras multidões passando por tudo que era lado.

Fora que a Brooklyn Bridge tava em reforma. Vários pedaços com tapume, mó triste. Ainda assim, foi um passeio fantástico, até porque gratuito.

Se liga no ‘visu’, que incrível! E no dia radiante!

NYC é só amor ♥

Brooklyn Bridge acá e Manhattan Bridge acolá.

Daquelas fotos que a gente sente orgulho:

Cheguei no Brooklyn e dei um pequeno rolê pelo parque que fica no fim da ponte.

Voltei pra NY e já tinha passado do meio-dia. Meu plano era ir no Museu do Sexo , mas saber que a entrada era mais de U$ 20 e seu acervo não era tudo isso, me bodiou. Acabei só visitando a lojinha. Incrível. Tinha um vibrador de U$ 250 (POIS É) que funcionava ao toque. Tipo, apertar forte, vibrava forte. Incrível. Fora bavárias invenções bizarras e coisas com formatos esquisitos.

Já no caminho de volta descobri uma feira de rua incrível, não lembro se na 6th ou na 7th avenida, sei que tomava quarteirões e mais quarteirões, e vendia desde comidas estranhas, sucos, bebidas, a vinis raros, roupas de brechó… Dava para gastar um dia inteiro.

Voltei ao hotel, peguei as malas e pontualmente no horário marcado pela internet, o shuttle para o aeroporto de Newark foi me pegar.  Cheguei no aeroporto mega cedo: 17h. Meu vôo era só às 21h e pouco. O jeito: conhecer CADA CENTÍMETRO QUADRADO e CADA LOJA do aeroporto – check, depois comer no restaurante japonês do aeroporto, com direito a drinque, e, por último, cervejas na chopperia, do lado do portão de embarque.

E assim terminou minha viagem incrível. =)

EUA 2012 – parte 1 – Miami

Sei que tá velho.

Como todo mundo que convive comigo física ou virtualmente soube, passei bons 20 dias entre março e abril nos Estados Unidos. Viagem planejada há tempos, tendo como minha prioridade Nova York. Sempre quis conhecer a Big Apple, e achava um grande furo no meu título “viajada” não conhecer os Estados Unidos e, principalmente, Nova York. Um palco de cultura, de consumismo, de jornalismo, sede de grandes multinacionais, exportadora de modas, manifestações e políticas. O centro do mundo ocidental.

Daí que com o lançamento do parque do Harry Potter em Orlando, há uns dois anos, comecei a querer ir pra lá também. E já que estamos em Orlando, porque não passar pela Disney, ao menos pra tirar uma foto do Castelo da Cinderela, não?

E assim começou o roteiro da viagem, lá pela metade de 2011.

Nesse meio tempo, uma amiga de infância começou a fazer também seus planos – ela já tinha ido a Disney, mas queria demais conhecer o parque do Harry Potter – POUCO VICIADA, ELA. Daquelas que tem fan clube, que participa de eventos, de RPGs e nerdices que estão além do meu entendimento (e do meu gosto pela saga – amo HP, mas ler os livros e ver os filmes é o suficiente).

Enfim: decidimos ir juntas.

Pânico total – sou filha única, individualista, egoísta, curto praticidade e rapidez.  E sempre fui uma viajante individual. Com ela, temi perda de privacidade, de liberdade e desorganização da agenda (apertadíssima).

Mas vamo que vamo.

Decidimos pelo final de março – começo de abril. O tempo estaria perfeito: um calor NÃO TÃO ABSURDO na Flórida e um frio agradável em NY. Baixa temporada.  Preços menores, menos gente, menos filas. ESSA ERA A IDEIA.

A passagem aérea estava cara, então meu pai me deu as milhas dele, e pegamos tudo de graça: SP-MIAMI / NY-SP. Só pagamos o trecho Orlando – Nova York (algo em torno de R$ 300 pela American Airlines).

Chegou a véspera da viagem e eu estava morrendo de dor de garganta, que começou por conta da noitada fooooooorte na sexta-feira anterior (16). Mas isso é outra história. O que importa saber é que a partir da sexta dormi maaaaaaaaaaal até o dia da viagem, quando acordei 5 da manhã pra ir pro aeroporto. E ainda tinha trabalhado no dia anterior.

20 de março

Papai, além das milhas, me deu a oportunidade de voar de classe executiva, por algumas milhas a mais. Com isso, tive certo conforto, IMPOSSÍVEL na classe econômica.

Decolei 10 e pouco da manhã. Vôo inteiro diurno. Do meu lado, uma mulher esnobe não ficava quieta: falava dos filhos e das namoradas dos filhos, do marido e, claro, do apartamento dela em Miami, e de como ela viajava o mundo para assistir campeonatos de tênis, sua grande paixão ZzZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Não consegui ver paisagem nenhuma no voo. Tudo nublado. E a janela da executiva fica meio longe da poltrona, não é que nem na Econômica, que é tudo grudado e dá pra se apoiar na janela. Em compensação, faltando meia hora para pousar, Bahamas surgiu diante dos nossos olhos. E eu mal conseguia olhar porque a rica chata do meu lado não parava de me cutucar pra falar alguma inutilidade. Saco.

Mas deu pra ver um pouco daquela água quase transparente do Caribe e seus vários tons de azul. Lindo.

Pousamos umas 17h e pouco. Desacreditei na calma do aeroporto: não tinha viv’alma no controle do passaporte (o tio da imigração só perguntou se eu tava sozinha – respondi que minha amiga chegaria depois de amanhã) e se eu ia festejar um pouco. Minha mala não demorou nem dois minutos pra aparecer na esteira. Uma beleza. Até porque tinham me falado que o aeroporto de Miami era caótico.

O transfer do hotel demorou bastante, uns 40 minutos.

Cheguei no hotel, fiz check-in, me joguei na deliciosa cama de casal do quarto, liguei por skype para meus pais, li um pouco – “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingway – e capotei.

E dormir mal de novo, acreditam? Toda hora acordava, ficava virando na cama, incerta se estava morrendo de calor ou de frio. Uma hora desisti de dormir e continuei a ler.

Nesse meio tempo lembrei de carregar meu celular. Fui lá na tomada e óbvio que eu precisaria de um adaptador. BURRA QUE SOU, toda viagem que faço tenho que comprar um novo carregador. Sempre esqueço.

O hotel: SLEEP INN MIAMI AIRPORT – 2 diárias = U$ 225 (com taxas inclusas)
Optei por conta da proximidade  com o aeroporto, pelo transfer gratuito e pelo café da manhã incluso – sou daquelas que, em viagem, para economizar em comida, come feito porca no café da manhã incluso.
O quarto, com cama de casal e ar condicionado, era bom e espaçoso, mas as paredes eram muito finas. Maior barulheira vinha das vizinhos altas horas da noite.

21 de março – 

6h da manhã já estava banhada e tomando café-da-manhã. Bem bom o café, 3 opções de fruta (aprenderia, nos próximos dias, o quanto fruta era raridade nos EUA), vários tipos de pão, vários tipos de cereais e suco. Deu pro gasto.

Em seguida fui pro aeroporto, porque de lá saía um ônibus para Key West, meu plano de passeio para esse primeiro dia. Li no mochileiros.com e em vários sites que o ônibus saia às 7h40, às 11h40 e às 17h40. Cheguei lá e depois de andar feito um burra de carga pelo aeroporto e de perguntar para trocentas mil pessoas de onde saia o ônibus, achei. E descobri que o ônibus das 7h40 não existia mais. Resultado: teria que esperar QUATRO HORAS. Até mais, porque cheguei super cedo no aeroporto pra mim garantir.

Primeiro fui atrás de um adaptador de tomada. Lá se foram 16 dólares (mais, na verdade, porque tem sempre a merda da taxa que não está inclusa no produto). Achei uma tomada, coloquei o iPhone pra carregar e continuei a ler Hemingway.

Minhas leituras de viagem sempre têm a ver com o destino – Hemingway viveu por um tempo em Key West. Lá tem até museu na casa dele e talz.

Terminei o livro e fui passear pelo aeroporto, um verdadeiro shopping center, com hotel e tudo. E consegui conhecê-lo e decorar cada loja, pra terem uma noção de quanto apodreci lá.

O ônibus para Key West atrasou e acabou sendo bem mais caro do que me informaram as fontes – mochileiros e outros sites de turismo diziam que eu gastaria U$ 50  ida e volta. Gastei U$ 90. Fui pela companhia Greyhound, bem conhecida nos EUA, e acho que a única a fazer esse trajeto.

Key West é a extrema ponta sul dos EUA. Deixa que eu desenho:

Além disso, de Key West a Cuba são apenas 40 milhas (pq lá tudo é milha. 1 milha = 1,6 Km).

O trajeto foi longo, e demorou pra ficar interessante. Eram 4h de bus, e só a partir da segunda hora é que começamos a passar por Everglades, a enorme reserva ambiental que ocupa boa parte do sul da Flórida. E então… MAAAR. A primeira visão foi impactante: todo aquele verde do Everglades e o oceano caribenho, um azul esverdeado que a gente não vê em qualquer lugar.

O trajeto que liga a ponta do continente a Key West passa por pontes atrás de pontes – a maior delas com 7 milhas de extensão. Por quase todo o caminho tem ciclovias, e fiquei viajando ao me imaginar com uma bicicleta lá.

São dezenas de ilhas no trajeto, cada uma mais linda que a outra.

Cheguei a Key West 16h e pouco. 17h30 era o último ônibus para Miami, e eu não tinha escolha. Não sabia que demoraria tanto e que só tinha ônibus às 11 da manhã. Tive que ficar pelas redondezas do aeroporto. Nessa 1h30 deu tempo de andar até a praia, correr uns 20 minutos no calçadão e tirar boas fotos. Mas não cheguei nem perto do centro histórico de Key West.

Tanto na ida como na volta o ônibus parou num Burguer King. Comi uma cebola empanada no almoço e um hambúrguer no jantar.

Na volta pegamos uma tempestade sinistra na estrada.

Cheguei no aeroporto, peguei o transfer pro hotel e morri.

Dessa vez dormi bem.

22 de março – 

Acordei, tomei café, fiz check out no hotel e fui pro aeroporto esperar a Pri, que chegaria às 8h. No dia anterior pude passear bastante pelo aeroporto e achei um bom ponto de encontro, debaixo de uma parede rosa choque.

Cerca de 1h depois ela apareceu – tinha fila na imigração.

Novamente, eu já conhecia o aeroporto de cor, então soube exatamente onde ir para pegar o ônibus para Miami Beach, que super deu certo e foi bem barato, não fosse o fato de descermos um ponto antes.

South Beach é um NOJO.

Não tenho outra palavra para definir. Exibição de corpos, carros, roupas. Esnobismo. Argh.

Por outro lado, as praias são muito bonitas.

Deixamos nossas tralhas no albergue – ainda não era hora do check in – e fomos andar. Fomos até a ponta de South Beach, andamos pela areia, tiramos fotos e fomos almoçar. Comi uma bela salada – me matando para não engordar nos EUA – e uma budweiser ^^

Voltamos para o albergue. Agora sim, check in.

Ficamos no Deco Walk Hostel. O escolhemos pela localização excelente – na frente da praia, no meio do agito (só não sabíamos que o agito não era a nossa, mas…). Foi bem caro. 3 noites U$ 250 cada. Culpa de um festival de música eletrônica badaladíssimo que ia rolar no fim de semana bem pertinho do hotel.

O quarto era misto – tenho uma tese: mulher é mais porca que homem. Quando há mulher no quarto, homem se comporta. Quando só há mulher, não raro entramos no quarto e a mina tá raspando a dita-cuja no meio de todo mundo. ARGH.

A noite combinamos de encontrar a Thais, amiga da Pri que mora nos arredores de Miami, num shopping, que era mega longe do nosso albergue. A encontramos e ficamos batendo papo por um bom tempo.

Agora um porém de Miami, que a rica esnobe tinha me alertado no avião mas não prestei a devida atenção: GALERA ABUSA DO AR CONDICIONADO. Não é um abusar nível hotel de luxo. É botar o bagulho no talo. Em todos os lugares possíveis. No ônibus urbano, por exemplo, a Pri ficou roxa de frio – incautas, não levamos blusas. Eu estava de VESTIDO. Foi tenso demais. Ainda falando do ônibus, tinha wi-fi no transporte público de Miami! Não é incrível?

23 de março – 

Tínhamos fechado, no dia anterior, um rolê de one-day-trip para Bahamas. Não podemos perder uma oportunidade dessas, não é mesmo?

Fechamos o passeio com o hostel que, filho da puta, cobrou um extra fodido pelo transfer até o porto. A passagem do navio era U$ 90, mas pagamos mais de U$ 200 cada, para incluir o transfer.

Com passaporte às mãos (Bahamas é outro país, NÉAM), o transfer nos levou até o porto, em Fort Lauderdale, a 1 hora de Miami. O embarque foi às 9h, e demoramos umas 2h pra chegar à Grand Bahamas, de onde pegamos uma excursãozinha para uma praia que não lembro o nome.

Passamos o dia na vida mansa da praia de poucas ondas e águas transparentes.

Fiquei meio decepcionada com Bahamas. Achei que fosse mais bonito. Mas culpo a praia. Não tivemos muita escolha… Era essa praia ou um cassino ¬¬

Foi um dia bem agradável.

Voltamos para Miami e chegamos ao albergue em tempo de dormir o sono merecido.

24 de março – 

Passar o dia todo passeando com a Thais. Foi uma delícia. Ela nos levou pra conhecer quase toda a costa de Miami, fomos a Outlets – fiquei ENCANTADA. Pela primeira vez na vida entendi porque as pessoas viajam pra comprar. Outlets são um sonho. UM SONHO. Comprei tênis de U$ 20 dólares, comprei óculos escuros de R$ 30 – almoçamos Mc Donalds, fomos à praia no distrito de Aventura e assistimos um casamento na praia. Foi um dia delicioso, cheio de aprendizados sobre os norte-americanos, a língua inglesa e talz.

 Na inauguração de um novo Mc Donalds, pagando de americana obesa – hahahahah

Ó lá o casamento na praia.

Nos enxotaram sem dó da praia que é PÚBLICA, mas beleza, ficamos assistindo. Foi fofo. Quase chorei.

A noite, fomos a um shopping ao ar livre e… tchãnãnã… a um CASSINO!

Perdi meu U$ 1  na velocidade da luz, mas foi divertido.

Depois a Thais nos levou pra tomar o sorvete mais obeso que já tomei, numa tal de COLD ROCK sorveteria. Delícia. Foi nosso jantar.

Mais tarde ela nos deixou no albergue e assim acabaram nossos dias em Miami.

2011: Vida nova, trabalho novo

Gente. Faz décadas que eu não posto, eu sei. Simplesmente não estava rolando.

Sei nem por onde começar. Tanta coisa.

A maioria boa.

Vejamos.

Vou falar nesse post só sobre o âmbito profissional. Se não vai ficar grande demais.

Eu realmente quase gostava do meu trabalho, a assessoria de imprensa (CSK) do hotel (Grand Palladium Imbassaí). Tava me sentindo bem trabalhando com turismo, um troço que eu curto muito. Também me apeguei demais às meninas que trabalhavam comigo. A Natália e a Camila. (beijo! Miss u2!)

Daí que entre os dias 4 e 7 de novembro aconteceu a festa de inauguração do resort, que foi em grande parte organizada por mim.  Convidei jornalistas, celebridades (sem cachê – só teve celebridade D, mas enfim), até agentes de turismo. Organizei quartos, organizei vôos. Treta, minha gente.

Depois de meses de correria e stress, rolou.  Não sem antes uma onda de stress me fazer chorar uma semana inteira.

Mas rolou.

O hotel estava hiper lotado, confuso e tive que dormir num condomínio nas proximidades do resort. Mas, tirando isso tudo, foi FODA. A experiência profissional mais foda da minha vida, com certeza. Curti tanto que pensei (e ainda penso) em fazer algo na área de eventos.

Ó que lindo o hotel, nessa foto, feita pelo assessor do secretário de Turismo da Bahia (que esteve presente!). Chique. Outras fotos bem bacanas e uma matéria de uma jornalista fofa que estava na inauguração aqui.

A sensação de poder que me acometia quando 10 pessoas me rodeavam para perguntar cada uma delas uma coisa era inenarrável. E os jornalistas/celebridades me aplaudindo no jantar em que reunimos toda a galera? Quase chorei. Juro.

Era uma correria insana. O top foi o segundo dia, que teve jornalistas correndo atrás de mim o dia todo e show da Margareth Menezes a noite. Trabalhei das 8h às 4h ININTERRUPTAMENTE. Não almocei, é claro. O jantar foi com jornalistas, então nem rolou relaxar muito – o que não significa que eu não aproveitasse cada respiro para beber alguma coisa alcoólica (não é toda hora que a gente acompanha um evento ALL INCLUSIVE, néam).

Nessas, eu e a Natália, do meu trampo e que foi pra inauguração ajudar (e foi essencial!), demos uma grudada. Pegada bem parecida a nossa. Idéias e revoltas. All the same.

Resumindo: experiência foda.

Depois disso, o trampo ficou um marasmo e começou a parte de assessoria de imprensa propriamente dita. Meu trabalho decaiu de qualidade, até porque comecei a notar que aquela pegada não era a minha. Achava simplesmente o fim aquele serviço que mais parecia (ou deveria parecer) telemarketing. Divulgar notícias sem qualquer relevância… Puta que pariu. Ficava louca.

Ainda mais, meus chefes estavam se separando. Meu trampo era uma empresa familiar, com os cônjuges sócios. Daí que a mulher estava fazendo 40 anos e surtando. O homem a traiu. E começou a merda. Ela chorando e passando dias sem entrar em contato com as funcionárias. Ele fingindo que não era com ele.

Depois da inauguração do hotel, ele não apareceu mais. E ela começou a batalha judicial pelo divórcio. Até aí beleza. O problema é que ela não sabia separar pessoal do profissional. Falava para seus 700 e poucos amigos do facebook (inclui-se aí clientes e jornalistas) que o marido a deixou com um rombo de R$ 60 mil, e que a tinha traído. Isso deixava a nós, funcionárias, simplesmente pasmas. Era um misto de dó, raiva e indignação.

Mas ainda é pior.

Ela chegou ao ponto de mandar e-mail para mim e para a outra assessora pedindo uma carta registrada nossa favorável a ela, no processo de divórcio.

JURO.

Depois meus pais dizem que reclamo de barriga cheia… Tsc, tsc, tsc.

Com isso tudo, não é surpresa que no fim do ano um dos clientes cancelou a conta. A coisa tava ficando feia e começamos todas a mandar CVs e ir a entrevistas, já que o futuro lá era turvo.
Depois do cliente sair, ela me chamou dizendo que se não rolasse outro cliente teria que me dispensar.

Nesse meio tempo, fui em algumas entrevistas e recomecei um contato com a secretária de comunicação de Osasco, que já havia me oferecido um trampo anteriormente, mas que eu recusei para ficar no trampo que ocupei entre junho de 2009 e maio de 2010, aquele infernal NADA IDEAL. Só porque era do lado de casa e a preguiça falou mais alto.

Daí que indiquei uma amigona para o cargo em Osasco, a Lu, brother da PUC. Ela entrou, ficou mais de 1 ano e amava a rotina. Me escrevia às vezes dizendo que curtia muito aquilo. Me dava um orgulhinho de a ter indicado. E vontade de também fazer parte.

Recentemente, soube que ela foi para Londres. Aí a comunicação de Osasco me chamou e…

Well. Here we are. Comecei hoje.