2 dias em Bariloche (2017)

Sabem aquelas viagens paitrocinadas que meu pai sempre diz ser a última, mas acaba não sendo? Pois bem: mais uma viagem paitrocinada rolou no feriado de Corpus Christi, em junho. O destino da vez: Bariloche, na Argentina.

Volto ao destino 23 anos depois. Tenho grande carinho por Bariloche: foi a primeira vez que saí do Brasil, primeira vez que vi a neve. Foi uma viagem deliciosa com meus pais no começo dos anos 90.

70Au8bljEra dezembro, verão. Mesmo assim tinha bastante neve eterna. Hoje em dia quase já não há neve eterna nos picos de Bariloche 😦

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Minha primeira experiência na neve. Roupa de neve alugada e posando no jet-ski (?) de neve que alguém tinha largado lá ahahha

A razão para voltarmos a Bariloche: desde quando fomos para Ushuaia, em abril de 2016, e um argentino disse para o meu pai que San Martín de Los Andes (uma cidade a 100km de Bariloche) era imperdível, meu pai obcecou. Minha mãe não quis ir, então lá fui eu acompanhá-lo 🙂

16 de junho, sexta-feira

Saímos de São Paulo com destino a Buenos Aires no amanhecer da sexta-feira. Voamos pela Aerolíneas Argentinas.

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Voo sem altos ou baixos.

Fizemos conexão em Buenos Aires e partimos para Bariloche.

Todos as previsões indicavam neve, mas não imaginávamos que seria naquele grau. O inverno ainda nem tinha começado!

Percebemos que a coisa tava feia no pouso. Branco branco branco branco branco. Pra cima, pra baixo, pros lados, tudo branco.

pouso

Pousamos e mal se via ao redor. Os termômetros marcavam -2ºC.

Se liga na quantidade de neve acumulada nos carros, na frente do aeroporto:

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Só dava brasileiro maravilhado com a neve, inclusive nós ♥

Tava friiiiio.

O táxi para o centro era caro, então esperamos no aeroporto para pegar o ônibus. Meros 25 pesos (uns R$ 4) para ir ao centro. O único problema: só pode pagar com o cartão próprio do transporte público argentino, um tipo de bilhete único.

Não há exceções.

A treta é que só nos avisam isso dentro do ônibus. E é super difícil achar a desgraça do bilhete para comprar.

A nossa sorte foi que um cara se oferecer pra pagar as nossas passagens. Argentinos são solícitos, juro pra vocês.

Chegamos à região central, onde fica o Centro Cívico no fim da tarde. Nevava bastante.

Bariloche (3)

Tiramos fotos e ficamos pensando na roubada que seria o passeio do dia seguinte, caso o tempo permanecesse assim: visibilidade zero e branco, branco, branco (o passeio do dia seguinte se baseava em paisagens; um dia bonito seria importante).

Ficamos no Hotel Flamingo, uma pensão simples praticamente embaixo do Centro Cívico. Lá chegando, as recepcionistas/donas do hotel ajudaram meu pai a achar o contato da agência, para ver se o passeio do dia seguinte estava de pé, até por questões de segurança. Confirmaram.

Feito isso, demos uma relaxada. Já era noite.

Pouco depois saímos para jantar um esplêndido churrasco argentino no El Boliche del Alberto. Para repetir a excelente experiência de 23 anos atrás.

Meu pai dizia que era o melhor churrasco que tinha comido na vida… Íamos ver se continuava assim.

A caminhada até lá foi curta, mas penosa na neve incessante.

Mas valeu a pena. E era sim o melhor churrasco. Certamente o melhor que comi na vida.

Provoleta de entrada, asado de tira e uma pequena porção de fritas. E vinho.

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Nunca comi tão bem na vida. Que carne DELICIOSA, meu pai do céu.

Voltamos pro hotel e dormimos.

17 de junho, sábado

Tomamos café da manhã (medialuna con dulce de leche – croissant com doce de leite, TE DEDICO, ARGENTINOS ♥) e ficamos na recepção esperando o guia.

Só no caminho, por volta das 9h da manhã, é que começou a amanhecer. E que belo dia! Já se via o horizonte e o sol nascendo…

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Seguimos até perder Bariloche de vista, entrando no Parque Nacional Nahuel Huapi e pegamos a Ruta 40, que se conecta à Ruta 3 mais pra frente – a estrada de mais de 3 mil quilômetros que liga Buenos Aires a Ushuaia.

Conforme fomos seguindo, percebemos que a neve tinha sido realmente intensa. E ESSE SOL NASCENDO, MEU DEUS???

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Que coisa mais MARAVILHOSA. A sensação de pisar na neve, aquele frio de graus negativos, sentir o ar puro e geladinho entrando no corpo, observar a natureza assim, tão linda… É bom demais ♥

Seguimos por um caminho lindo – o passeio se chamava “Rota dos 7 lagos”, e não a toa. Passamos por vários. Aquelas paisagens magníficas de cartão postal!

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Um pouco depois, uma parada em Villa La Angostura, uma cidadezinha fofa, pico dos ricaços argentinos (inclusive do Macri, atual presidente).

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Estava bem frio. O que é bom fazer no frio?

CHOCOLATE QUENTE!

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No pico mais fofinho, a cafeteria Cucu Schulz, um chalezinho suíço todo nevado:

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ME DIZ SE NÃO É UM AMOR!

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Pirei nessa árvore, que tem em toda a região. Os passarinhos comem as frutinhas vermelhas. E fica tão lindo tudo nevado!

Seguimos rumo a San Martín dos Los Andes.

O tempo fechou de novo e a neve caiu incessante.

Paramos em mais alguns lugares lindos:

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Não é minha primeira, nem segunda, nem terceira experiência com a neve. Mas é sempre encantadora 🙂

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Papi e eu NO AUGE na nevasca. Delícia demais.

Já perto de San Martín de Los Andes, o tempo abriu de novo e revelou mais paisagens lindíssimas:

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Chegando a San Martín de Los Andes, parece que mudamos de país. Nem resquício de neve, temperatura acima de zero… Um vilarejo fofo.

Fomos direto almoçar, pois estávamos famintos. Ficamos no restaurante que o guia indicou, Posta Criolla, e pedimos coisas típicas da região.

O meu prato, de cima, era truta com molho de gorgonzola e batatas.

O do meu pai, prato debaixo, lombo de cervo (veado) com risoto e molho de vinho com framboesas.

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Vinho para acompanhar, é claro.

O meu prato estava ótimo, mas o do meu pai era um soco no estômago. Gostoso, mas carne de caça tem um sabor MUITO forte. Não sou chegada, não.

Bom, não fizemos mais nada em San Martín de Los Andes e a única foto da cidade ficou horrível:

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Voltamos para Bariloche. Mais neve no caminho, nada pra ver, dormi.

Chegamos e já era noite.

Fizemos uma hora no hotel e depois saímos para jantar.

O plano era comer carne de novo, mas em um lugar diferente. Fomos e chegamos a entrar no Alto El Fuego, mas achamos um ambiente zoado, abafadíssimo, barulhento.

Resolvemos ir no certo. Fomos de novo no Boliche del Alberto, mas em outra unidade. A original, a mesma que fomos nos anos 90.

Bom, a experiência foi bem diferente. Ainda que fosse a mesma rede, o serviço foi fraco, a carne estava esquisita, o ambiente era meio desajeitado. Nada a ver com a experiência do dia anterior 😦

E fica aí a sina eterna das viagens em família: o jantar da última noite é sempre uma merda.

(E como nossas viagens são curtas, não raro A ÚNICA refeição é o jantar, que é uma merda, tipo como foi em Dubai, rs).

De barriga cheia mas com o paladar insatisfeito, voltamos para o hotel. A neve tinha parado. A neve só se forma quando a temperatura está entre 2 e -2°C, e estava MENOS QUINZE. Zero neve, muuuuito frio.

18 de junho, domingo

Acordamos com esse BELÍSSIMO amanhecer no nosso último dia.Bariloche (14)

Tomamos café da manhã e fomos procurar pontos de venda da desgraça do bilhete único argentino, pois precisaríamos dele para ir a Llao Llao, nosso plano para o último dia.

Não foi NADA fácil achar o bilhete. A maioria dos lugares não tinha ou ainda estava fechada. Lá pelo oitavo estabelecimento, quase 1h depois, conseguimos comprar.

Ufa.

Coincidentemente, a lojinha e o ponto de ônibus eram quase em frente ao hotel em que nos hospedamos da outra vez. Olha que graça 🙂

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O trajeto de ônibus até Llao llao, a ponta de Bariloche, durava uma hora. A paisagem estava linda e o tempo simplesmente perfeito.

Chegamos ao ponto final e entramos no chiquetésimo Hotel Lllao Llao, que dá acesso as partes externas:

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Tá ruim?

Só quero isso pra minha vida. hahaha.

E assim?

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Daquelas paisagens para arrepiar a alma, tá louco ♥♥♥

Andamos um pouco por lá, curtindo aquele visual maravilhoso. Como diz meu pai, PRA QUÊ ALPES?

Mas logo era hora de irmos embora.

Pegamos o ônibus e voltamos pro centro. Chegando lá, tirei a foto clássica de Bariloche, repetindo a experiência de quando era criança: foto com o cachorros de neve (mais especificamente, o São Bernardo com o mitológico barril de chocolate quente, para os perdidos na neve).

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Nota 10 pro fotógrafo da foto antiga, hein? Um cachorro olhando pro lado e outro de olhos fechados (e é um HUSKY, o olho mais foda do reino animal. hahahah)

A foto foi feita próxima a Llao Llao. Aquela construção ao fundo, atrás de mim, é o hotel de onde tirei a foto com a piscina de fundo infinito (que não existia na época) 🙂

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Foto atual. No Centro Civico.

Importante dizer: a temperatura já tinha subido bem. Devia estar uns 2 graus ACIMA de zero.

Daí passei numa lojinha para comprar uns chocolates. Argentina tem uma parada que é uma das melhores coisas dessa vida: CHOCOLATE EM RAMA

Comprei um pouco, fui pro hotel, arrumamos as coisas e partimos pro aeroporto.

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O voo atrasou. Mal teríamos tempo em Buenos Aires (isso pq meu pai esquematizou um upgrade, com sala vip em Buenos Aires e tal).

OLHA ESSA DECOLAGEM, BICHO

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Saca um X no meio da foto, mais pro lado direito? É o aeroporto, são as pistas 🙂

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Bariloche toda linda.

Foi lindo. 2 dias ótimos. Bariloche continua nota 10 ♥♥♥

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Europa 2014/2015 (parte 3: Munique)

Esse post faz parte de um texto divididos em 5 partes sobre a minha viagem à Europa. As partes 1 e 2 podem ser lidas aqui: Berlim e Praga.

29 de dezembro, Munique

Depois de uma longuíssima viagem de trem, que incluiu mil vezes a mudança de todos os meus companheiros de compartimento, cheguei a Munique. Noite cerrada, bastante neve e muito frio. Acho que eram umas 20h. O albergue felizmente era muito perto da estação de trem. Bastava atravessar a rua e andar uns míseros metros, uma beleza.

Foi nesse dia em Munique que comecei a ver o lado nada glamouroso da neve. Sim, floquinhos de neve são lindos, uma perfeição da natureza. Só que quando a neve acumula nas ruas, fica imunda. Preta. Mistura com poeira, terra e fica uma meleca. E o chão congela, tornando o simples caminhar uma tarefa complicada. Escorregar é lei. Um saco. e imagine arrastar uma mala grande nessa situação… Péssimo.

O albergue foi o Wombats Munich. Dessa vez mandei o conforto às favas. Fiquei 5 noites em um quarto misto com 8 camas e apenas um banheiro (QUE BELÍSSIMO INFERNO é um banheiro para OITO filhosdaputa). Paguei €137 pelas 5 noites, meio carinho. Mas Munique é meio cara, mesmo. E meio esnobe. E 5 noites foi demais.

Tirando o problema da falta de banheiros, era um bom hostel. Staff bacana, um bar gostoso e espaçoso no térreo, quarto grandão, excelente localização (pertinho da estação e a distância andável do centro)… Ok, arrumei rapidamente minhas tralhas e desci para o bar. Obviamente eu não sairia mais naquele dia. No bar, encontrei meus roomates italianos, que me convidaram a sentar com eles numa mesa cheeeia de gente. Cheguei lá e era tudo brasileiro. Aos poucos percebi que o bar estava tomado por diferentes grupos de jovens compatriotas. Só que não do tipo de brasileiro legal que encontrei em Berlim. 😦

Minha noite terminou com alguma socialização, algumas cervejas de primeiríssima por meros €3 e uma pizza ruim do próprio hostel.

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30 de dezembro, Dachau

Acordei e olhei a previsão do tempo no celular: alerta amarelo de neve. O aviso dizia ainda que somente naquele dia iria nevar cerca de 30 cm. Dá pra afundar a canela inteira… Desagradável.

No entanto, aprendi que quando neva a sensação térmica é maior do que quando está ensolarado. Não sei  explicar o porquê e nem tô afim de pesquisar.

Enfim.

Meu intuito era fazer [mais um] Free Walking Tour, só que a neve incessante desanimava. Optei pelo plano B, outra coisa que eu pretendia fazer estando em Munique: visitar o campo de concentração de Dachau. E foi o que eu fiz.

O hostel tinha um tour próprio para esse rolê. Custou €25, o que é muito caro, já que pra ir a Dachau é só pegar trem e depois ônibus (são 18km de distância de Munique), a entrada é gratuita e eles tem tours lá dentro por €5 . Ou seja: dava pra ter economizado no mínimo a metade… Mas beleza. Ao menos era um grupo pequeno: um canadense com dois filhos (um deles L-I-N-D-O), um filipino morando nos EUA e duas finlandesas. O guia, mais uma vez, não era local: era irlandês. Tinha sotaque forte e falava baixo. Odeio gente que fala baixo. Sou surda e não ouço.

Bom, Dachau foi o primeiro e um dos maiores campos de concentração abertos na Alemanha. Ele se distinguia de outros, como Auschwitz, por abrigar presos políticos. Desde padres com discursos libertadores até congressistas opositores dos nazistas, além de feministas, comunistas, anarquistas e tal. Inclusive, no uniforme deles, no lugar onde estaria a estrela de Davi, tinha um símbolo específico para marcar o “crime” do cara, ou seja, sua ideologia política responsável por tirá-lo da sociedade e obrigá-lo a fazer trabalho forçado em um campo de concentração. Mais tarde, no auge da segunda guerra, também teve sua cota de judeus, é claro.

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Acima, exemplo da vestimenta dos presos de Dachau. O triângulo vermelho no braço simbolizava o “crime” do condenado. O dono dessa roupa era um padre polonês.

Agora imagine usar apenas essa camada de roupa de flanela e uma pantufa e trabalhar forçado o dia inteiro sob essas condições climáticas:

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O campo também recebeu os rejeitados da sociedade alemã: gays, mulheres que não queriam casar e nem ter filhos (!), mendigos…

Dachau têm mais diferenças em relação a outros campos de concentração, e uma das mais importantes diz respeito às terríveis câmaras de gás. As câmaras em Dachau eram usadas apenas para pequenos grupos. 3 ou 4 pessoas por vez. Não era um assassinato em massa, como ocorria em Auschwitz…

Entre 1933 e 1945, Dachau registrou mais de 200 mil presos de 30 países. Estima-se que 40 mil não tenham sobrevivido às torturas e humilhações, às câmaras de gás, ao trabalho forçado e ao frio intenso.

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Memorial aos mortos de Dachau. Horrível, né? É para ser, mesmo.

Esse tipo de tour não é pra ficar tirando foto, obviamente. É para aprender. Para pensar. Para sofrer. Para nos darmos conta do quanto o ser humano é podre e que não há limites para a maldade.

De volta a Munique, precisava aquecer o corpo e o espírito – até porque eram 15h e eu estava em jejum absoluto desde a pizza vagabunda da noite anterior. Entrei em uma cervejaria quase na frente da estação de trem e mandei isso aqui:

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“Regensburger vom Grill mit Sauerkraut”, o famoso salsichão com chucrute. E cerveja, é claro. Consumi baldes de cerveja nessa viagem: no dia em que tomei só 500 ml fiquei orgulhosa da minha abstinência…

Devo dizer que não curto comida alemã. Não gosto de mostarda (só dijon, só que daí é francesa e não conta), não gosto de salsichão, não gosto de carne de porco, não gosto de repolho… Mas se estou na Alemanha não vou ficar comendo Mc Donald’s, né? O intuito é se aprofundar na cultura do país, e a comida é parte essencial disso…

Terminei de comer e pensei: quero beber mais.

Aproveitei o anoitecer (16h30, risos) e resolvi andar até uma cervejaria cultuadíssima, que um peguete me recomendou, dizendo que era mais agradável, mais barata e menos turística do que a famosérrima Hofbräuhaus (que um outro amigo praticamente me ameaçou de morte caso eu não fosse).

A caminhada foi curta, mas sofrida. Frio intenso e neve incessante. Carrinhos da prefeitura passavam a cada 5 minutos arrastando o excesso de neve das ruas e calçadas… Mas, mesmo assim, olha a situação:

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Pois bem: a tal cervejaria mais gostosa e barata que a Hobräuhaus é a Augustine-Keller. A cervejaria tem mais de 600 anos. Sua história começa em 1328!!! A bebida é produzida ali mesmo e segue os rígidos padrões bávaros de qualidade. Não é pouca porcaria, não! E olha a entrada, que coisa mais fofa:

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Provei a pilsen e a de trigo. Muito amor ❤

Para acompanhar, pretzel.

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Cerveja espetacular (daria a alma por um gole, agora) e um ambiente bem bacana. Lotado de fregueses locais – uma grande diferença da Hofbräuhaus, onde só tem turista. A experiência em ambos foi interessante, mas na Augustine dá pra curtir muito mais a comida e as cervejas. Depois falo da Hofbräuhaus…

Bem bêbada, voltei pro hostel e fui direto pro bar beber um pouco mais. hahaha. Fiz amizade com brasileiros e acabei a noite jogando sinuca com eles.

31 de dezembro, tour by my own & ano novo

Meu intuito, ao acordar, era o raio do walking tour. Mas nos dias 31 e 1º não tinha. Hahaha.

Beleza, faria o tour por minha conta, mesmo.

A neve finalmente tinha parado, o que tornou o passeio bem mais agradável. Fui andando até a Kaufingerstrasse, a principal rua de comércio de Munique, onde estão todas as lojas imagináveis (que obviamente não me interessam. Odeio fazer compras em viagens, puta costume de brasileiro babaca frequentador de Miami. Desculpa aê quem ofendi, era essa a intenção, mesmo).

A rua começa (ou termina? depende do ponto de vista) na Karlsplatz, onde tava rolando o quê, o quê? isso mesmo! uma feira de natal. Mais uma vez, arreguei e não tive coragem de patinar no rinque de gelo 😦

Um pouco mais adiante fica a lindíssima Marienplatz, a principal praça da cidade (onde eu voltaria mais tarde para a comemoração do ano novo). Nessa praça fica o fantástico prédio neogótico da prefeitura, ou Neues Rathaus. Na torre central fica o Glockenspiel, um daqueles tantos relógios europeus com showzinho em determinadas horas do dia – e eu dei a sorte de estar lá bem no momento de uma dessas apresentações. Bobinha, é claro. Pra turista ver… Mas já que estávamos lá, né?

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Dá para subir na torre, mas estava fechada durante os feriados de natal/ano novo.

Continuei andando. Passei Odeonplatz e entrei no Hofgarten, um parque bem bacana. Deve ser lindo e bombar no verão… Entrada dele:

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Atravessei e dei de cara com o Englischen Garten, o maior parque da cidade. Li em algum lugar que é maior do que o Central Park! De fato, o bagulho parece gigantesco no mapa… Mas segui sem entrar. Ia me perder naquela imensidão branca…

Atravessei o rio Isar para ver o Angel of Peace, que fica bem no meio de outro parque enorme que toma toda a margem do rio, o Maximiliansanlagen.

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Tava tudo tããão lindo branquinho. As águas do rio tão limpas, mostrando as pedrinhas do fundo… E aquela paz típica de feriados. Quase ninguém em lugar nenhum. Delícia de rolê.

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Voltei pela Maximilianstrasse, uma avenida enorme com um monumento x no meio. Deve ser o tal Maximilian. hahaha

Minha intenção era comer uma pizza recomendada por um amigo, mas não tinha pizza individual. Segui meu caminho. Novo plano: Hofbräuhaus. Entrei no pico e tava um caos. Não dava para circular de tanta gente (tudo turista com saco de compras nas mãos). Nas milhares de mesas espalhadas naquele enorme edifício, o povo tomava cerveja naquelas canecas que requerem as duas mãos para segurar. Uma banda tocava ao vivo músicas típicas com roupas também típicas. Divertido, mas bem estereotipado.

Mas deu preguiça de permanecer lá. New plan: comer alguma besteira na rua e ir pro hostel descansar antes do reveillón. Foi exatamente o que fiz.

Umas 21h30, já “pronta” desci pro bar e comecei a minha festa. Foram surgindo cervejas e shots sabe deus de onde.

Às 22h e pouco essa era a minha situação:

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É de se imaginar que não existe tradição de se vestir de branco por lá, né? Primeiro porque é temperatura negativa e poucos casacões são brancos; segundo porque a gente usa branco por causa de Iemanjá. Nossa linda cultura que bagunça as religiões todas <3. Obviamente não tem Iemanjá na Alemanha. hahaha

Não tem tradição de cores de roupas no ano novo europeu, mas um amarelinho vai sempre bem, né? Afinal, só com dinheiro no bolso pra fazer uma viagem dessas e ser feliz 🙂

Ia perguntando às pessoas ao redor sobre os planos de ano novo. A maioria iria para festas fechadas. Argh, nem fodendo. Ninguém iria à Marienplatz. Dá nada não: se estava viajando sozinha no natal e no ano novo, era de se esperar que eu passasse essas datas também sozinha. né?

23h e pouco saí. Minha ceia foi um falafel no tiozinho de kebab na esquina do albergue. hahaha.

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Pagando de gatinha no Kebab da esquina, só que não.

O caminho para a Marienplatz tava um caos, mó galera. Fora que a Alemanha têm uma legislação específica sobre fogos de artifício e rojões (me pergunto se o fanatismo no futebol tem a ver…): só é permitido comercializar e soltar fogos de artifício e rojões nos dias 30, 31 de dezembro e 1 de janeiro. Só que aí libera geral. Galera perde as estribeiras e até criança solta rojão na cara de amiguinhos. Bem perigoso, por sinal…

Graças à ajuda de um argeliano (!), consegui um bom lugar na praça e pude ver os fogos ~oficiais~ sem sofrimento. Fogos bem sem graça, aliás. Só barulho, fumaça, uns verdinhos e vermelhinhos no céu e nada mais.

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Nada de fogos de artifício formando palavras. Nada de champanhe voando no ar (quem quer se molhar quando está -5ºC, não é mesmo?). Nada da galera torta de bêbada cantando “adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize…”. Nada de contagem regressiva!!!

Mais uma vez entra o lance cultural: Europa é OUTRO rolê. Para verem como a cultura de celebração do ano novo é distinta, só nesse ano Paris oficializou a comemoração de ano novo na cidade (e foi um caos, pelo que me falaram. Organização no Rio dá de 10).

Voltei para o hostel. Bebi mais. Uns colombianos me pagaram tequila. A barwoman (?) me deu um shot de uma bebida cor de rosa. Pessoas me davam goles de bebidas bizarras. E assim acabou meu 2014 e começou meu 2015: bastante bêbada num albergue em Munique, socializando com ingleses, suíços, brasileiros e tantos outros que nunca mais veria na vida… Melhor ano novo. Sério.

1º de janeiro de 2015, hangover day + Hofbräuhaus

Depois de beber quantidades industriais de todas as bebidas imagináveis, obviamente não acordei bem. Aliás, mal dormi. Ressaca day se fez presente no meu começo de 2015. Só tive condições de sair da cama no começo da noite.

E essa é a merda de Munique: perdi um dia de ressaca na cama, mas esse dia não fez falta. Minha to-do list já estava quase completa.

Assim que me recuperei, pensei: beber.

hahahaha. juro.

Fiz o quê? Andei até o Hofbräuhaus.

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Tava bem mais decente do que o dia anterior, mas ainda assim impossível de conseguir lugar para sentar, ainda mais sozinha.

Bom, a Hofbräuhaus é uma das cervejarias mais antigas e tradicionais da Alemanha. Abre todos os dias do ano e chega a receber 30 mil pessoas em um único dia!!!

São 3 andares de um prédio enorme. Na parte de cima rola um pequeno museu com a história do lugar e o culto à cerveja. No meio, um biergarten, os jardim de cerveja ao ar livre famosos nas Oktoberfests (obviamente fechados no inverno).

Quase uma hora observando as pessoas, descobri o segredo: ou você ficava de pé esperando alguém em alguma mesa sair ou simplesmente pedia para a pessoa se apertar pq vc queria sentar. Olhei as mesas e optei por uma bem de frente ao palco dos músicos. Pelos menus cálculos, estavam sentados na mesa 4 grupos diferentes. 2 jovens amigos cabeludos, dois casais amigos e uma família. Do lado dos cabeludos tinha bastante espaço. Cheguei lá morrendo de vergonha e: “Can I join this table? Is there room for one more person…?”. Fui aceita numa boa.

Tomei um chopp escuro e uma cerveja de trigo. Não queria abusar depois de horas de ressaca, né? Ainda assim: a caneca do chopp tinha 500 ml. Um desbunde.

Observei que o prato mais pedido do lugar era um ossão cheio de molho. Eu sabia o que era: o joelho de porco, ou einsbein.  Só que em Munique não tem esse nome. Simplesmente pedi ao garçom “isso que todo mundo tá comendo”.

Ei-lo:

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Joelho de porco com dumpling. Não curto carne de porco, não gosto de comida alemã. Mas tava bem gostoso. A casquinha bem crocante e a carne bem molinha. Mas não aguentei comer nem a metade… Alemão é tudo ogro.

Enquanto isso, a banda cantava parabéns a você para a mesa ao lado, a maior festa. O povo batendo as canecas com força na mesa, gritando, brindando com estranhos. Clima bem Oktoberfest mesmo. Super legal.

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Vocês sabem que eu viajo sozinha, curto minha companhia, faço tudo sozinha numa boa. Ainda que eu tenha curtido o lugar, contra-indico a pessoas sozinhas. A Hofbräuhaus definitivamente é um rolê para grupos. amigos. casais. Sozinho não dá pra curtir nem 10%. “Faça amigos”, você diz? Não é um ambiente muito propício para isso, já que é, na verdade, um restaurante. As pessoas estão comendo e bebendo, e não dançando na pista, sabe?

A Hofbräuhaus é incrível e vale a pena conhecer, mas é basicamente um restaurante enorme, extremamente bagunçado, lotado e barulhento.

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Voltei pro hostel e capotei.

2 de janeiro de 2015, Füssen (Neuschwanstein Castle)

Na primeira noite em Munique conheci uma brasileira nojentíssima, daquele tipo de gente que repete “só no Brasil acontecem essas coisas, Europa é civilizada e maravilhosa”. Argh. Detestável. Mas ela foi útil porque me disse como chegar ao Neuschwanstein Castle numa tranquila, sozinha mesmo. Se ela, com um inglês porco e toda cheia de frescura foi com facilidade, que dirá eu, né?

De fato, facílimo:

€ 20 o percurso ida e volta de trem até Füssen, uma cidade a 2h30 de Munique; de lá, um dos 3 ônibus  que levam até os castelos. Coisa bem simples. E tem TANTO turista que nem dá pra errar.

O percurso Munique-Füssen foi extraordinário. Meu primeiro contato nessa viagem com o Alpes. E tava um dia meio azul. Foi lindo.

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Exceto pelo fato de os meus companheiros de cabine serem uma família com um filho de um ano. A certa altura o pai pediu para baixar a persiana por causa do pirralho. Eu falei que não. Que estava na janela porque queria ver as paisagens, sinto muito. Por que pessoas viajam com crianças pequenas? Certeza que é só pra infernizar outras pessoas. Eles falavam em espanhol entre eles, mas nem dei sinal de que estava entendendo. Nos comunicamos só em inglês. De qualquer modo, não falaram mal de mim. Acho bom, mesmo. Viajar com criança a lazer é uma escolha. Então se adaptem, porra.

Enfim. Ainda bem que venci a ~guerra~, porque a paisagem foi a mais linda que vi na viagem até então (Suíça obviamente deixaria isso no chinelo, mas eu ainda não sabia disso. Fiz uma EXCELENTE escolha deixando a Suíça por último).

O trem estava lotado e era tudo turista indo pro castelo. Dito e feito: chegando lá, a fila para comprar ingresso para entrar nos castelos demorava horas. Nem pensei duas vezes: vou andar até eles, curtir os visuais, mas não há necessidade de entrar.

São dois castelos: o Hohenschwangau

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e o Neuschwanstein.

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O primeiro, amarelinho e menor (mas muito bonito!) foi reconstruído das ruínas no século XIX. O segundo foi construído do zero pelo rei da Bavária, Ludwig II (filho do cara que reconstruiu o primeiro). A ideia era ser um castelo maior, mais bonito e num lugar ainda mais alto, “o estilo dos antigos cavaleiros germânicos”. Com as montanhas de Tirol ao redor, devo dizer que de fato é impactante. Pobre “castelo amarelo”.

Fui até a entrada do castelo. Uma bela subidinha… Mas UAU. Que lugar. Que paisagem! Que puta castelo lindo – que inclusive inspirou o Castelo da Cinderela, da Disney.

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Depois fui ao Hohenschwangau. Também lindo. Ele tem uma viela bem no meio, o que foi bem bacana para ter uma ideia melhor do castelo, já que não pude entrar. Várias bandeiras e pinturas com cenas medievais decoravam o lugar.

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Continuei andando e fui parar em um bosque. Tinham várias placas indicando trilhas. Peguei uma delas.

Só ouvia o som dos meus passos e o gotejar da neve derretendo do topo das árvores. E toda aquela neve intocada. Com uns 5 minutos de caminhada tive uma boa panorâmica do belíssimo lago turquesa.

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Difícil colocar em palavras a beleza daquilo tudo. A paz de espírito. Aquela sensação de que se eu morresse naquele momento, estaria plenamente feliz (tive essa mesma sensação outras vezes na viagem). De que a vida é linda. E que lugar maravilhoso.

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Andei um pouco mais. A cada passo, mais beleza.

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Tinha uma trilha que levava às montanhas, mas eram 2h30 de caminhada. Marquei mentalmente: um dia eu volto e faço isso.

Mas precisava ir embora, só tinha ônibus para Füssen até às 17h, já eram 15h e pouco.

No caminho de volta pensei: se eu tivesse conseguido entrar nos castelos, jamais teria como percorrer esses caminhos tão maravilhosos. Ainda bem que não entrei nos castelos!!!

Na estação de trem comprei um salgadinho trash e extremamente gordo e esse foi meu almoço.

Já era noite quando o trem partiu em direção a Munique. Chovia. Nada para ver, dormi o caminho inteiro.

No albergue, comecei a arrumar minhas tralhas. Quando cansei, saí para a Kaufingerstrasse com a ideia de, uma única vez, fazer um rolê consumista, já que tinha bastante dinheiro sobrando – não tinha gasto nem 1/3 do que pensava gastar até esse ponto da viagem!

Entrei em 400 lojas, aquelas grifes que brasileiro ama. Odiei tudo. Desisti.

Essa desistência foi linda para as minhas finanças, ainda mais com o real desvalorizadíssimo. No fim da viagem, pós-Suíça, sobraram mais de €500 que já tem destino . E para breve! 😉

Comprei um yakisoba e uma cerveja, levei para o hostel, comi e encerrei minha última noite em Munique.

3 de janeiro, pinacoteca e fim

Acordei, tomei café da manhã, terminei de arrumar minhas coisas, dei check out, deixei minha bagagem num quartinho do hostel e fui fazer um rolê cultural: fui à Nova Pinacoteca, ou Neue Pinakothek. Não que eu seja A entendida de arte. A maioria das obras era de artistas alemães, mas tinham quadros do Van Gogh, do Monet e do Cézanne também.

Em menos de 1h vi a pinacoteca inteira.

Voltei pro hostel, peguei minhas tralhas e fui pra estação do trem. Lá comprei uma salada para almoçar. Fiquei orgulhosa de mim, minha primeira refeição saudável desde o primeiro jantar em Berlim!

No trem, consegui sem ajuda colocar minha mala grande de 17 kg no compartimento acima de nossas cabeças. Duas velhinhas comentaram para mim, em alemão, “nossa, você é forte!” e a outra “é porque é jovem”. E eu entendi tudo. hahaha.

Mal sabia eu que seriam umas das últimas frases completas em alemão que eu entenderia. Crianças, o alemão da Suíça não é um pouco diferente. É totalmente diferente. Não é como comparar sotaque. Não dá nem pra comparar alemão suíço e alemão tradicional com português e espanhol. Eles não se entendem! Mas isso é assunto para o próximo post, sobre a Suíça. Ah, a Suíça…………….

Europa 2014/2015 (parte 2: Praga)

Atenção: esse post é uma continuação desse.

27 de dezembro, Praga (República Checa)

Acordei totalmente destruída. Ainda era noite em Berlim quando peguei o ônibus para a estação central de trem. Cheguei cedíssimo. Aprendizado: para viagens de trem, não há a menor necessidade de chegar com antecedência maior do que 30 minutos. De modo que fiquei sentada num banquinho gelado que nem o demônio por quase 1h esperando o meu trem para Praga.

Estava lotado. Eu não sabia onde era o meu lugar. Não sabia onde enfiar minha mala – acabou ficando no corredor.

Bagulho louco de trem é a galera circulando pelos corredores procurando seu lugar horas depois do trem estar em movimento.

Um cara me ajudou a achar meu vagão. Outro cara me ajudou a achar meu compartimento. Outro, meu lugar. Foi complexo. A informação do lugar não está tão clara no bilhete…

Mas só tive problemas nesse trecho. Todas as outras viagens de trem que fiz (foram MUITAS) foram numa boa.

Viagem foi longa, mais de 6h. A paisagem? Neve neve neve neve neve neve depois mais neve, neve neve. Dormi boa parte do trajeto. Ah. Custou 78 euros porque eu fui burra e não sabia que poderia escolher a opção mais barata, que era 50 e pouco (achei que era restrito a alemães o desconto). Depois, quando fui comprar o trecho Munique-Zurique entendi: o desconto vale para todos, mas com o bilhete mais barato não há reembolso e otras cositas que eu não lembro.

Cheguei em Praga e já comprei a passagem de trem Praga-Munique para dali a 2 dias. Não dava para comprar pela internet. O site de trens alemães só permite imprimir os bilhetes que tem como origem cidades alemãs. Quando a origem é outro país, só se entregar pelo correio, o que acarreta uma puta taxa.

Descobri só em Praga que lá a moeda não é euro, é a coroa. 1 euro = 27 coroa checa. Troquei 350 euros, mas foi demais. Sobraram quase 200 coroas checas, que eu troquei de novo para euro depois. O hotel eu ia pagar com cartão de crédito. Só precisaria pagar alimentação e passeios.

Peguei informações na própria estação de como chegar ao meu hotel. Metrô-tram-caminhada. A parte sobre trilhos correu bem.

Meu primeiro contato de verdade com Praga foi ao sair da estação do metrô. Se liga:

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Sim, a famosa Charles Bridge e o Castelo de Praga ao fundo. Lindo!

Só que na parte de caminhada foi osso. O centro de Praga é bem medieval, com aquele monte de viela e galeria sem nome que garantem que você se perca mil vezes. Em geral, eu sou ótima com localização, mas em Praga, mesmo com o mapa na mão, me perdi centenas de vezes. Em 3 dias na cidade eu não consegui acertar o caminho de TREZENTOS METROS entre a Old Town Square e meu hotel NEM UMA ÚNICA VEZ. Bagulho é tenso.

E lá tava eu num frio da porra arrastando minha mala (mesmo que leve, era uma mala grande) por ruas de paralelepípedo totalmente desertas. Ninguém pra perguntar. Dei muitas voltas até achar uma lojinha onde alguém pudesse me ajudar. A instrução: “primeira à esquerda, depois primeira à esquerda de novo”. Fantástico.

Cheguei na pousada meio puta de ter rodado tanto a toa.

Me hospedei no Pension U Lilie. Foram €125 por 2 noites com café da manhã incluso. Quarto e banheiro só para mim, finalmente.

Quarto bem pequeno, banheiro idem, mas era um hotel bem honesto. E por um bom preço – se bem que eu Praga geralmente as coisas são baratas.

Comecei a organizar minhas coisas e me bateu preguiça de sair. Dediquei meu tempo à planejar meus próximos movimentos. Eu faria um tour de cerveja naquele mesmo dia às 18h; no dia seguinte, um free walking tour de manhã e um tour no Castelo a tarde. Perfeito.

Saí para o tour da cerveja e, guess what: não achei o ponto de encontro. Em poucas horas em Praga eu já tinha me perdido duas vezes.

Na verdade, o ponto de encontro era em um dos cantos da magnífica Old Town Square, ou Staroměstské náměstí, em checo. Só que eu não sabia identificar os monumentos históricos, era noite cerrada, um frio do cacete e a praça estava entupida por conta de mais uma Feira de Natal. De modo que eu desisti do tour e fui andar pela magnífica praça, que tem uma iluminação linda, principalmente na igreja Church of Our Lady before Týn:

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Tomei chocolate quente e comi um troço frito esquisito que todo mundo também estava comendo:

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Era uma massa frita enorme (precisava das duas mãos para segurar), com uma pasta de alho, ketchup e bastante queijo ralado por cima. Não tive coragem de comer inteiro, muito gordo. E também não era grandes coisas.

Circulei por toda a praça, ouvi um coro natalino e achei, tarde demais, o ponto de encontro. No harm done: era o mesmo local onde eu deveria estar às 10h da manhã do dia seguinte para o free walking tour. Pelo menos agora eu sabia.

Fui andando sem rumo definido.

Entrei em uma rua linda que lembrava Paris, cheia de lojas de grife e um traçado que lembra muito a cidade francesa (não a toa, a rua chamava Pařížská).

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Continuei andando até chegar à beira do rio. Fazia o maior frio que eu já havia sentido na Europa até então, razão pelo qual as fotos estão péssimas (tirar as mãos do bolso e bater foto sem tremer: não dá). Mas UAU, viu.

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Voltei às vielas. Cada casa, igreja, monumento mais lindo que o outro, e eu sei ideia do que era o quê:

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As ruas estavam apinhadas de turistas e, para a minha grande surpresa, muitos, muitos, MUITOS brasileiros.

Fui entrando em lojinhas aleatórias. Várias lojas de cristais. Centenas de lojas de souvenirs. Eu não tinha a menor noção de que Praga é tão turística assim. Isso porque estamos em pleno inverno, temperaturas negativas. Dizem que no verão Praga é insuportável de tanto turista…

Eram umas 21h quando voltei para o hotel, pronta para um merecido sono antes de um dia seguinte que prometia ser bem cansativo.

28 de dezembro, 3 tours em Praga

No meu único dia inteiro em Praga, tive que me virar nos 30 para fazer tudo o que eu queria: das 10h às 13h Free Walking Tour; das 14h às 18h Castelo de Praga e das 19h às 22h Beer Tour. Prometia ser um dia longo e extremamente cansativo. Mais: um milagre se tudo desse certo. Spoiler: deu tudo certo.

Acordei 8h e pouco e chequei a temperatura: -8ºC. hahaha. Da hora. Além de cansativo, seria um dia extremamente gelado: o pior na Europa até então (na verdade o pior de todos. À noite a temperatura alcançou -15ºC).

Tomei café da manhã, coloquei meu combo de roupas mais quentes e encarei as ruas geladas e apinhadas. Milhares de turistas, muitos deles brasileiros. GENTE. Chocada.

Para terem uma ideia, meu walking tour em Berlim tinha 10 pessoas. Em Praga, eram 5 agências de walking tours. Cada uma oferecia 4 horários de tours por dia. Às 10h, a agência do meu tour tinha 4  guias com grupos com 44 pessoas CADA. Gente pra caralho.

Uma parte do grupo que se dispôs a sair na foto. Eu sou um pontinho de gorro vinho lááá no fundo.

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O guia era mais uma vez irlandês. Dessa vez, com um sotaque forte. Muitas coisas do que ele dizia eu não entendia. Ou não ouvia (44 pessoas…).

Começamos o tour pela Old Town Square, lógico.

Que praça lindíssima, gente do céu!!! Tombada pela Unesco.

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Foto do Shutterstock.

Essa praça é muito louca. Fundada no século XIV, assistiu a importantes acontecimentos da história europeia e mundial ao longo dos séculos. Além disso, mescla prédios dos mais diferentes estilos arquitetônicos. Os mais fotografados são dois:

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O relógio astronômico.

Algumas curiosidades sobre um dos monumentos mais fotografados da Europa (pq vocês não tem NOÇÃO da quantidade de gente apinhada a -10ºC para tirar foto do relógio):

– foi considerada uma das maravilhas do mundo durante a Idade Média

– eis uma das famosas obras que ficaram tão maravilhosas e perfeitas que quem pagou para ela ser feita mandou cegar o artista, para que fosse para sempre única.

– Há quatro esculturas nas laterais do relógio. Elas representam as grandes ansiedades da população de Praga durante o século XV:  Vaidade (figura com espelho), Ganância (com um saco de dinheiro), Morte (esqueleto) e Invasão Pagã (representada por um turco – risos).

– No relógio debaixo, não dá pra ver na foto ruim (sorry), há zilhões de nomes marcando todo o interior do círculo. São os nomes que os checos podiam batizar os filhos. Antes, era proibir fugir desses nomes. Agora, precisa pedir autorização se quiser dar um nome diferente para a criança.

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E a belíssima Igreja de Nossa Senhora Antes de Týn

As torres claramente góticas podem ser vistas de longe, muito longe. Uma curiosidade: vêem que a torre da esquerda é menor e mais fina que a da direita? É de propósito. A maior simboliza Adão. A menor, Eva. O grandão protegendo a frágil. Ai ai.

Outra coisa: essas torres não lembram um outro castelo beeem famoso? Pois.

Estava REALMENTE frio. Não rolava tirar as mãos com luvas de dentro dos bolsos. Por tanto, esse dia carece e muito de fotografias.

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Durante o tour ouvi uma menina canadense toda coberta de casacos falando para o namorado: “I don’t care how bad I look when is freezing”. É esse o espírito: não existe vaidade quando está um frio que faz até irlandeses reclamarem.

Praga também é conhecida como uma das capitais da música clássica na Europa. Mozart era habituê da cidade, adorava, e o amor era mútuo. Inclusive, fica em Praga o único teatro ainda em pleno funcionamento onde Mozart se apresentou!

Em Praga, tudo que é canto têm menções a Kafka. O autor dos clássicos “Metamorfose” e “O Processo” viveu em Praga boa parte de sua vida. O escritor dizia que Praga era como uma mãe: impossível se livrar das garras. hehe.

Outra parte visitada foi o quarteirão judeu, um dos bairros judeus mais bem preservados da Europa. Na região há seis sinagogas, uma prefeitura judia e um cemitério. E sabem porque isso tudo resistiu ao Holocausto? Não, Hitler não poupou os judeus checos. O que ocorreu de verdade: ele queria transformar aquela região em um “Museu da Raça Extinta”…

O mais chocante no lugar é o cemitério, que fica acima do nível da rua. Um dos maiores  e mais antigos cemitérios judeus do mundo, logo não havia mais espaço para enterrar os mortos. O que fizeram? Cobriram o cemitério inúmeras vezes e construíram novas camadas. Hoje, são mais de VINTE camadas de mortos sobre mortos!!!

Depois dessa loucura, hora de se aquecer. Tem jeito melhor de esquentar o corpo do que com comida? Não.

Almocei um prato típico da Europa Oriental: goulash. E vinho quente (sim, que nem da festa junina – eles tomam adoidado isso no inverno europeu!) para acompanhar.

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Saí do restaurante e… me perdi de novo nas vielas do centro de Praga. Hahaha. Quando cheguei ao ponto de encontro para o tour ao Castelo não tinha mais ninguém lá. Fui ao centro de informações turísticas de Praga e o cara, muuuuito bonzinho, me falou que o grupo andaria até outro ponto, para cruzar a ponte a pé, e falou que se eu corresse, chegava. Deu certo!

Ah. É absurdamente impressionante como no inverno europeu a palavra CALORIA faz sentido. Me senti uns 15ºC mais quentinha depois de almoçar…

Nesse tour, o guia era local. Phillip, nascido e criado em Praga. Foi para ele que perguntei coisas como “por que vocês não usam euro” (pq não é economicamente interessante), “por que todos os guias são estrangeiros” (pq as agências preferem  pessoas com bom inglês e divertidas do que apenhas conhecedores, e “está muito frio?” (sim, demais, odeio trabalhar nessas condições – mostrou o celular, marcava -15ºC). hahaha

Tinha gente pra caralho subindo as escadas para o castelo. Notávamos no guia certa apreensão pela quantidade de gente. MUITA gente, juro. Parecia Disney em julho. Só que era Praga e tava -15ºC. Turismo é um bagulho muito louco.

Enfim.

QUE LUGAR MARAVILHOSO MERMÃO.

Primeira coisa a ser notada: tem uma vista incrível da cidade, claramente um paraíso arquitetônico.

Novamente, desculpe pelas fotos ruins.

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Ok, mais uma foto do Shutterstock, para vocês compreenderem O QUANTO PRAGA É LINDA:

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O castelo é cercado por muralhas. Óbvio. Na frente delas há guardas. No melhor estilo guarda real inglês.

Mas é que a sede do poder checo fica dentro dessas muralhas… O presidente mora dentro do Castelo de Praga. Que loucura, não?

O Castelo de Praga foi fundado no século IX (!!!) e abrigou gerações e gerações de monarcas e presidentes, além de uma verdadeira cidade dentro. Mesmo. Há trocentos palácios, igrejas, museus, vielas e tudo o mais dentro daquelas muralhas.

O Castelo está no Guinness Book como o maior e mais antigo castelo do mundo.

Bom, diante do frio satanástico, fomos direto para a principal igreja do lugar. Em estilo neogótico, a liiiiiiiiiiinda Saint Vitus Cathedral. Demorou quase 6 séculos para ficar pronta!!!

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Mas valeu a pena, não? 😉

O interior (mais uma vez completamente apinhado de turistas. muuuuuitos brasileiros).

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Bem gótico: tudo muito alto, fazendo a gente se sentir um nada diante da magnificência da Igreja e de Deus.

Toda a área do castelo é fantástica. Vale uma visita mais longa. E talvez num dia não tão frio…

Voltando para a cidade, encontrei o grupo para o meu último tour do dia: Beer Tour.

É República Checa, né.

O guia – americano – falou que a República Checa é o país que mais consome cerveja no mundo. São, por ano, 143 litros por habitante. Incluindo quem não bebe. Para efeitos comparativos, no Brasil são 62 litros por habitante por ano (também é uma quantidade significativa).

Achei o Beer Tour meio dispensável. Queria saber mais sobre a cerveja e tal, mas na verdade o rolê era algo como um pub crawl. O pior é que meu grupo era velho e um bando de casal. Mas valeu, até porque eu não iria sair sozinha descobrindo cervejarias no centro histórico de Praga…

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O grupo.

Das coisas interessantes que o guia explicou: a tradição do brindar checo: as pessoas se encaram por uns segundos, brindam (ainda olhando nos olhos) com a expressão “na zdraví“, batem a caneca de cerveja na mesa e bebem um bom gole.

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Não lembro do nome das cervejarias. Só a segunda delas, a melhor e mais lotada, “Lokál”. É enorme, ocupa um quarteirão inteiro, mas está sempre cheia, principalmente de checos. Dizem que servem boas comidas da região. As cervejas são produzidas lá mesmo por um processo todo elaborado. Até para servir é meticuloso. A cerveja da “Lokál” é essa logo acima, com bastante colarinho.

E assim terminou o dia.

29 de dezembro, Charles Bridge

Já com passagem comprada mas sem horário marcado, eu poderia ir para Munique de manhã ou na hora do almoço. Pensei: poxa, falta muita coisa para ver em Praga. Assim, decidi ir embora um pouco mais tarde.

Levantei e olhei a temperatura: -8ºC. Olhei pela janela. Neve. Muita neve. MUITA NEVE.

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Minha intenção era ir à famosa Karluv Most (Charles Bridge) e andar pela Karlovo náměstí (Charles Square). Metade de Praga é chamada Charles alguma coisa.

O cara – Charles IV – foi rei na Era de Ouro do mundo checo, no século XIV. Ele foi responsável  por tornar Praga a capital cultural da Europa Central e a tornou uma das cidades mais prósperas de todos os tempos. Também foi em seu reinado que alguns dos mais importantes monumentos da cidade começaram a ser construídos, como a Charles University (a primeira na Europa Central), a Charles Bridge e a Saint Vitus Cathedral.

Voltando:

A Charles Bridge é uma ponte gótica que liga a cidade antiga ao outro lado do rio. É lindíssima e adornada dos dois lados por 17 estátuas barrocas do século XVII. Nos dois extremos há torres, que ficam abertas na alta temporada e que oferecem uma vista bacana (dizem – estava fechado). Durante o verão, dizem² ser totalmente impraticável andar pela ponte, de tão lotada de turistas, músicos, vendedores de quinquilharias.

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A torre

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A ponte levemente coberta com uma camada da primeira neve do inverno checo ♥

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A ponte com uma camada de neve, alguns turistas corajosos, as estátuas barrocas nas laterais e o castelo, lá no fundo, à direita.

Sim, com um belo dia ensolarado deve ser ainda melhor. Mas a neve tem um charme único, né?

Só que estava nevando cada vez mais, de modo que desisti de prosseguir o rolê. Fui até o fim da ponte e voltei para o hotel. Arrumei as coisas e parti em direção à estação central de Praga (antes me perdendo DE NOVO nas ruas do centro histórico até achar o metrô. Risos. Malditas cidades medievais).

A estação central de Praga parecia o Terminal Tietê dia 31 de dezembro. Entupido e com gente falando português por todos os lados.

O trem para Munique saiu na hora certinha. Dessa vez, encontrei fácil um lugar para mim e outro para deixar minha bagagem. Nada como a experiência…

Ainda estava aprendendo sobre o trem ser o melhor e mais seguro meio de transporte (a certeza veio na Suíça. Chego lá).

Só que o rolê Praga – Munique levou APENAS 6h30. A viagem deve ser bonita em um dia ensolarado, as paisagens da Bavária e talz. Mas nevava muito (a cântaros é só pra chuva, né?). A paisagem era: branco branco branco. depois preto preto preto (anoiteceu.)

Europa 2014/2015 (parte 1: Berlim)

Todo o mundo real e virtual está careca de saber que passei maravilhosos, fantásticos, esplêndidos 19 dias na Europa agora entre o final de dezembro e começo de janeiro.

Posso resumir a viagem inteira em palavra: perfeição. A viagem foi tão perfeita e mágica que achei que meu avião da volta iria cair. ALGUMA COISA tinha que dar errado. (Não deu).

Melhor viagem que fiz na vida, e olha que só planejei as cidades-base e fui decidindo o que fazer assim que acordava.

Vou dividir a viagem em 5 posts: os 4 destinos “cidades-base” (Berlim, Praga, Munique e Zurique) e um post dedicado, let’s say, à alta socialização durante a viagem (esse último post será com senha. Interessados, entrem em contato).

Hoje começamos com Berlim.

Saí de casa – São Paulo, Brasil – com uma temperatura de 32°C. Mal podia esperar pelo inverno europeu de neve e temperaturas negativas. Minha mala, no entanto, foi enxuta: meros 13kg para 20 dias. Algumas leggings e blusas para usar como segunda pele; 4 blusas mais grossas para segunda camada, duas calças jeans, uma bota de neve, underwears e meias, cachecol, luvas e uma blusa de frio intenso, impermeável, comprada por meros R$ 150 na Decathlon. A bota e as blusas segunda-camada também comprei lá. Só queria dizer que eu não teria sobrevivido à sensação térmica de -15°C em Praga se não fosse esse excelente casaco e as botas de neve.

Aliás, me perdoem, mas preciso dar umas dicas sobre inverno na Europa.

Se você vai para a Europa, não seja imbecil como as brasileiras que conheci por lá, que iam andar pela cidade com a mesma bota que usam no inverno paulistano. E nem com o mesmo casaco que você usa em Campos do Jordão.

Antes de viajar eu tinha ido à outra loja de esportes procurar o casaco. Na Mundo Terra, a que eu queria custava APENAS R$ 1999, quase o que paguei de passagem aérea. Risos. Não comprei, obviamente. A vendedora queria me entuchar meias especiais, casaco corta-vento, primeira, segunda, terceira, quinta camada…

Também não é pra tanto, galera. Eu tava indo pra Berlim, não pra Antártida. -5°C não são -40°, né. HÁ LIMITES.

Foi meu segundo inverno na Europa e em nenhuma dessas vezes peguei hipotermia. Nem resfriado. Nem nada. Sinal de que deu certo, né?

Enfim. Mala leve, porque desfile de moda não é comigo, nunca foi. Despachei a mala no aeroporto e fui encontrar Chris (o amigo suíço), que tinha voo para Zurique quase no mesmo horário que eu, e a namorada, que estava lá para se despedir. Combinamos de nos encontrar em Zurique dia 3/1. Tomamos uma cerveja juntos e zarpei para o meu périplo São Paulo – Paris – Berlim (a volta seria Zurique – Paris – São Paulo. Tudo Air France. Paguei R$ 2800 pelas passagens, já com todas as taxas inclusas).

O voo até Paris foi demoníaco. Uma turbulência safada desde a saída de São Paulo até chegar à Europa. 10h tremendo tremendo tremendo. Nada surreal, não achei que ia morrer, mas foi muito incômodo. Tanto que passei os próximos 3 dias em Berlim com uma vertigem fortíssima, que só posso atribuir à turbulência.

Papi fez meu check-in online e fez uma trapalhada: um upgrade no voo Berlim – Paris. Acabei indo de executiva nesse trecho de menos de 2h. hehe. Mas consegui fazer valer um pouquinho, pois usei a sala VIP da Air France no Charles de Gaulle, tomei chocolate quente, usei a tomada, usei wifi. No voo, um café da manhã bacaninha:

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Além disso fui a primeira a desembarcar e a primeira a pegar a mala. A parte ruim é que essa burrice custou a papi R$ 300.

BERLIM, Alemanha. 22 a 27 de dezembro.

Cheguei a Berlim com um tempo desolador: super cinzento, chovendo. 3 ou 4°C, não lembro.

Segui as instruções do site do hostel para ir de transporte público do aeroporto até lá, e fui super tranquilo.

Cheguei ao hostel umas 13h30, antes do horário de check-in. Mas eles me deixaram já ir pro quarto.

Fiquei no The Circus Hostel, no Mitte (Mitte significa meio. O bairro Mitte é assim chamado porque fica no meio da cidade de Berlim, dãããr). Peguei um quarto privativo com banheiro compartilhado que me custou € 284,10 por 5 noites. O quarto era super espaçoso, se pensarmos no padrão-hostel. Hostel limpinho, staff sempre atencioso, uma puta localização – fiz praticamente tudo andando -, um ótimo e muito barato bar downstairs, hóspedes bacanas e amigáveis… Estou segura em afirmar: melhor hostel que já fiquei. (Dica do primo Gustavo. Valeu!!!!)

A vista do meu quarto:

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O bondinho amarelo – tram – é hiper silencioso.

Larguei as coisas no quarto e fui passear pela cidade (eram 15h e pouco e já começava a anoitecer).

Fui andando às vezes olhando o mapa, às vezes ignorando-o. Berlim é uma cidade bem fácil de andar. Em alguns dias em já fazia todos os caminhos sem consultar sequer uma vez o mapa.

Mas no primeiro dia tudo era novo. Andei por umas ruas com lojas estranhas. Dezenas de lojas dedicadas a fetiches sexuais, como roupas bem antigas, ou só de couro… Também uma loja de sapatos chamada “Atheist”, cuja vitrine ostentava a frase: “For those who live on their feet, not on their knees”. Achei totalmente maravilhoso e instantaneamente me apaixonei pela cidade.

Também me deparei com várias vielas que a princípio pareciam degradadas e abandonadas (temos várias dessas no Brasil, vcs sabem), mas que eram uma verdadeira cidade dentro. Restaurantes, cinemas, lojas alternativas. Sensacional. E tudo cheio de grafite, é claro. Arte urbana em Berlim é um caso a parte.

Segui meu trajeto até chegar à beira do rio Spree. Ali, vi a Museumsinsel, a ilha dos museus, onde estão os principais museus da cidade. Tirei selfie com o belíssimo Berliner Dom atrás de mim.

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A frente do Altesmuseum (Alt = old. Velho.) e os jardins do Lustgarten.

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Um problema das datas que escolhi para visitar Berlim é que a grande maioria dos museus fecha no período entre natal e ano novo. A Alemanha leva MUITO a sério feriados, quase nada abre… Se eu soubesse disso, teria aproveitado esse primeiro dia para visitar um dos museus da Ilha. Não fui, e nos próximos dias só os encontraria fechados. Ok, no harm done. Já tenho motivo para voltar. Hehe.

Acabei indo a outro museu, indicado por uma amiga, e também para fugir do frio e da chuva. O DDR. Trata-se de um museu 100% interativo dedicado à Berlim Oriental. O mote é “experimente como era a vida na Alemanha socialista”. Tem tudo lá: carros, uniformes de escola, livros, roupas, instrumentos de trabalho, entretenimento e tudo imaginável sobre a Alemanha oriental. É bem bacana.  E não achei tão parcial quanto tinha imaginado. Você entende bem os prós e contras do regime no qual os caras estavam inseridos.
Só que o museu estava entupido. A parte “interação” ficou bastante prejudicada.

Fui embora totalmente destruída e faminta. Na frente do hostel comprei uma garrafinha de vinho, para garantir um sono de pedra, uma garrafa de água (a única que comprei em 20 dias de Europa – a água da torneira deles é potável), e um sanduíche bizarro, que foi meu almoço and jantar. Comi no quarto e apaguei em poucos minutos, antes das 20h. Amo muito o fuso deles: para mim já eram 23h…

23 de dezembro, walking tour e chuva

Tomei café-da-manhã no hostel. Esquema all-you-can-eat por €5. Meio carinho, mas eu tava com fome, mal tinha comido no dia anterior, então valeu a pena.

Segui a sugestão da moça da recepção: primeira vez em Berlim, um walking tour é uma boa pedida. Walking tours são super comuns nas grandes cidades turísticas do mundo. Até São Paulo e Rio têm. Optei pela modalidade “tour completo, 6h, €15”. Perguntei se mesmo com aquele tempo tenebroso – bastante chuva – rolava. Me disseram que sim. Encarei a chuva e fui até o ponto de encontro. No caminho, não uma, mas DUAS pessoas me pediram direções. Em alemão. Como assim tenho cara de alemã, gente? hahaha

Enfim. No ponto de encontro, a guia nos encontrou e nos levou até outro ponto, para termos um grupo maior. Também trocamos de guia. Agora era um homem, irlandês, LINDO DE MORRER (mas acho que gay). Irlandês explicando sobre Berlim? Como assim? Muitos walking tours depois, aprendi que as empresas dos tours contratam gente que fale inglês bem, com boa oratória e com um quê de humor. Quanto aos conhecimentos do lugar, é de menos. Ok, isso é meio triste, concordo. A chance de ouvir informação errada é grande. Mas de qualquer forma vale a pena.

Começamos o tour na frente da maior Sinagoga da Europa, a “Nova Sinagoga”. No interior, há uma réplica do muro das lamentações com pedras trazidas de Israel. Não, não entramos.

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De lá fomos seguindo pelas ruas da região, parando vez ou outra para ver uma escola de judeus quando, certa vez, militares entraram, pegar as crianças e mandar para campos de concentração, assim, sem mais nem menos; símbolos no chão dizendo “aqui morou a família XXX, morta pelos nazistas em 19XX” e coisas assim. Ou: esse prédio foi bombardeado pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial; esse quarteirão foi destruído pelos americanos na 2ª Guerra…

É tão surreal. Mesmo com todas as marcas da história, é tão difícil conceber que algo tão sinistro tenha mesmo acontecido nessa cidade…

Berlim é impressionante. Em menos de 100 anos, a cidade viu a ascensão e a queda do nazismo e a ascensão e a queda do socialismo. Arrepiante.

Falando em socialismo, as marcas do Muro de Berlim estão por toda a parte. Em alguns lugares, resquícios do muro.

Em outros, placas no chão para marcar onde ficava o muro que separava Alemanha socialista e Alemanha capitalista.

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Pedaço do muro, próximo ao Checkpoint Charlie, um dos principais pontos de entrada e saída das duas Alemanhas. Nesse trecho, uma cerca (!) protege o que sobrou do muro de predadores, AKA turistas que querem um pedaço da História para si.

Próxima parada: Parlamento Alemão

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Dizem que tem uma vista bem legal desse domo de vidro, no centro do prédio…

O Parlamento guarda histórias tanto da época do nazismo quanto do socialismo: um memorial aos parlamentares de oposição mortos a mando de Hitler fica bem do lado do prédio. Em cada placa de aço tem um nome, um partido político, uma data (da morte) e o local de morte. A maioria é campo de concentração, como Dachau e Auschwitz.

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O Parlamento também foi um ponto crucial da tomada da Alemanha Oriental pelos soviéticos. De lá essa foto clássica foi tirada, logo após o fim da segunda guerra:

Next stop: Brandenburger Tor, o principal cartão postal de Berlim. A antiga porta de entrada da cidade.

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Em seguida, como não poderia deixar de ser, mais história:

Screen Shot 01-16-15 at 03.49 PMUm bizarro Memorial aos Judeus Mortos na Europa simula, em mais de 2 mil blocos de concreto alinhados, os mais de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Pesadíssimo. Arrepiante. Necessário.

Enquanto isso, turistas babacas tiravam selfies sorrindo. Como pode tamanha imbecilidade e falta de respeito? Tsc, tsc, tsc.
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Esse estacionamento nada mais é do que o local onde ficava o Bunker do Hitler. Onde ele foi (?) encontrado morto. Até hoje há teorias de que o cadáver não era dele, e que ele viveu seus últimos anos de vida sossegado na América do Sul, como de fato ocorreu com outros grandes nomes do regime nazista.

Enfim.

O Bunker era enorme e o que ainda resta dele está abaixo do solo. O governo alemão não quer tornar o lugar um ponto turístico. As razões são compreensíveis, né? Por isso, o lugar hoje é um mero estacionamento.

De lá seguimos até o Checkpoint Charlie, já citado anteriormente.

Na região, achei interessante uma agência de turismo que aluga os antigos carros fabricados pela Alemanha Oriental, os “Trabi”, para um passeio pela cidade. Não, não fiz o passeio. Acho que é um pouco demais, não?
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Ainda passamos pela bela praça Gendarmenmarkt, onde é realizada uma das mais tradicionais Feiras de Natal da Alemanha (fui lá no último dia), e pela frente da Universidade Humboldt e a Praça da Ópera, onde ocorreu aquela famosa queima de livros promovida por Hitler em 1933:

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Aliás, o gesto nazista (a mão esticada) é um gesto proibido por lei. Dá multa e cadeia. O guia falou o valor da multa para quem desrespeitar. É um valor altíssimo, mas eu não lembro e tô com preguiça de pesquisar.

O tour terminou e já era noite cerrada. Pernas doíam, frio por todo o corpo. Mas foi nesse dia que agradeci ter comprado a bota de neve e o casacão. Ambos se mostraram realmente impermeáveis. Obrigada, Decathlon.

Voltei para o hostel, jantei um pedaço de torta com Kartoffelsalad (salada de batata – aparentemente eles colocam salada de batata até quando é coisa doce), tomei umas cervejas e fim dos nossos serviços.

24 de dezembro, Alexandreplatz, Nikolaiviertel, Eastside Gallery e véspera de Natal

Dia de rolê by my own. Tava um frio da desgrama, temperatura negativa, e continuava chovendo. Mas comigo não tem tempo ruim. Minha programação era ir à Alexanderplatz, à Nikolaiviertel e à Eastside Gallery, tudo a pé. Concluída satisfatoriamente.

A Alexanderplatz é uma praça enorme, cheia de lojas, shopping e mil coisas, bem perto do hostel. Obviamente o local sediava uma Feira de Natal, com centenas de barraquinhas vendendo de tudo um pouco: brinquedos, roupas, doces, comidas típicas… E no centro rolava uma pista de patinação. Eu não tive coragem: só tinha pró patinando. Até as criancinhas pequenininhas eram pró. Eu ia ser a grande atração (mico) do lugar…

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Vi por ali uma loja com cara de coisa barata e me dei conta de que não tinha um gorro. Precisava de um gorro. Entrei na loja. Foi meio ÚNICO ímpeto consumista em toda a viagem. Saí com o gorro (€3), e também com cachecol, três (!) calças jeans, cada uma a € 6,50, top de ginástica, uma blusa (a amarela, que vocês me verão usando no Ano Novo e na minha última noite na Suíça) e meias. Gastei menos de € 40. Amo muito.

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Já passava do meio-dia e eu ainda tava de jejum. Mandei uma porção dessa aí de cogumelo, na foto acima. Com molho de alho e pão.  Bagulho oleoso até dizer chega. Não caiu nada bem, maior revertério intestinal… Sorry a too much information. Mas ainda tinha muita coisa o que fazer naquele dia, aguentei à duas penas o máximo que pude.

Andei até o Nikolaiviertel, que sediava mais uma Feira de Natal. O que não era Feira de Natal eram obras. obras, obras e mais obras. Guindastes, lama, tapumes. Nenhuma foto aproveitável, exceto essa, que traz o novo e o velho:

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A igreja mais antiga de Berlim e a modernidade da Torre de Tv, atrás.

O Nikolaiviertel tem várias vielas com cafés, lojas, restaurantes, tudo com um jeitinho de cidade medieval. Fofo. Mas as obras e a chuva forte que caía no momento não colaboraram.

Andei então até a Eastside Gallery, uma boa caminhada por um lugar totalmente sem graça. Fica o aprendizado: melhor ir de tram (o bondinho).

A Eastside Gallery é uma área ao ar livre que preserva parte do Muro de Berlim e traz em suas duas faces obras de artistas de rua (achei os grafites meio sem graça. Sou muito mais um Kobra ou OsGêmeos, desculpa aê). Mas valeu a experiência.

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Não satisfeita com as pernas doendo, o intestino em frangalhos devido aos cogumelos com alho, a chuva que insistia em cair e a distância de 5 km que teria de percorrer, voltei ao hostel andando por mais uma rua totalmente sem graça. Fica o aprendizado².

É véspera de Natal, todo mundo com a família bláblá. Abdiquei faz tempo dessas coisas. Depois de um bom banho, desci ao bar do hostel. Encontrei um brasileiro que eu tinha conhecido no walking tour do dia anterior e, quando vi, estava ensinando o melhor drinking game do mundo (SUECA!) para um grupo de australianas, chineses, americanos e outro brasileiro; bebendo litros de cerveja; tomando shots de bebidas desconhecidas e me divertindo muito, muuuuuito.

Minha ceia de natal:

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Era tipo uma pizza, mas muito mais leve. Dizem que é especialidade suíça. Sei lá. Tava gostoso e segurou a barra.
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Até gorro de Papai Noel apareceu na minha cabeça, sabe-se lá de onde.

25 de dezembro, Berliner Fernsehturm

Saí na rua e tinha céu azul! Sol! Uhuuuuu!

Só que cada centímetro do meu corpo doía e a vertigem, que tinha diminuído nos dias anteriores, voltou com tudo (pq bebi horrores, eu sei). De modo que o dia teria de ser light, muito muito light.

Aproveitei o dia bonito para um rolê de vista panorâmica: a Berliner Fernsehturm. Até porque era Natal e 10 entre 10 estabelecimentos (de farmácias a lojas, passando por museus, restaurantes etc etc) estavam fechados. Mas a torre estava aberta, então bora lá.

€17 para subir no lugar. Bem caro. Mas acho imprescindível uma vista panorâmica. E minhas contas estavam muitíssimo em ordem: in fact, estava gastando muito menos do que imaginava.

Só que tinha uma fila de quase 2h. Só que era por senha, o que permitiu que eu fosse dar um rolê, comer alguma besteira, tomar um chocolate quente, curtir um maravilhoso sol gelado e voltar a tempo de chamarem o meu número.

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E olha… Valeu a pena.

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Na foto dá pra ver um pedaço da Feira de Natal da Nikolaiviertel, o Berliner Dom, o Portão de Brandemburgo e o Tiergarten lá atrás…

Mas eu mal conseguia ficar em pé de vertigem. Não chegava a dar enjoo, mas parecia que tinha um terremoto eterno sob meus pés. Sensação horrível.

Voltei para o hostel e dormi para ver se melhorava.

3h de sono e quando acordei não havia mais sinal de vertigem.

Nessa noite, o hostel promoveu um jantar de Natal €10 por pessoa. De entrada uma sopa, frango com legumes de prato principal e um musse de sobremesa. Com vinho branco. E uma cerveja mais tarde. Meio fracote, mas por 10 tá valendo.

Ao descer para o jantar não reconheci ninguém da noite anterior. Me sentei numa mesa com duas americanas, um inglês, três australianos, um canadense e mais tarde se juntou a nós um mexicano. Aparentemente era uma mesa com roommates de 2 quartos e eu, a burguesa do quarto privativo. hahaha. TÔ NEM AÍ, quero conforto nessa vida.

Long story short: noite DIVERTIDÍSSIMA. O mexicano descolou shots de Agave para nós (uma bebida feita com a mesma planta que a tequila, só que num processo mais lento e elaborado, algo assim), tomamos muita cerveja, descemos para o bar, bebemos mais, mais gente foi se juntando ao nosso grupo… Uma coisa louca.

Mas não me demorei tanto quanto gostaria. Tava com medo da vertigem voltar.

26 de dezembro, último dia em Berlim

Primeiramente, acordei e olhei a janela:

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Nevando ♥

Não é a primeira vez que vejo neve (minha primeira vez experiência com neve foi em 1994, em Bariloche, Argentina); não é a primeira vez que vejo nevar (a primeira vez foi em Lucerne, Suíça, em 1997). Mas é sempre um espetáculo lindo, ainda mais para nós, nada acostumados a isso. Os floquinhos de neve são de uma beleza e perfeição indescritíveis. A neve é linda, gente.

Estava sossegada tomando café da manhã e planejando o meu dia (rolê pela Strasse des 17 Juni, Tiergarten, Postdamerplatz, Gerdamenmarkt e museu da história alemã) quando uma das pessoas que conheci anteriormente sentou na minha mesa e perguntou se poderia fazer o rolê comigo. Lutei contra meu espírito individualista ao extremo e topei a companhia da Cathy, uma chinesa que mora há anos na Austrália (e para quem ensinei sueca dois dias antes).

Cathy e eu fomos de metrô até o Portão de Brandemburgo, nosso ponto de partida para o tour do dia. Geral se divertindo com a primeira neve da temporada. Tive essa sorte. E também alguém para tirar fotos para mim 🙂

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Só que como podem ver pelo tapume branco, algo estava rolando: metade da região estava interditada, até para pedestres, por conta dos preparativos para a festa de ano novo (a Strasse des 17 Juni é tipo a Avenida Paulista de Berlim – os grandes eventos são todos lá). Assim, o meu primeiro plano, de andar pela rua, foi pro saco.

No harm done. Entramos no Tiergarten, o Central Park de Berlim, onde, no verão, a galera toma sol pelada. Obviamente no inverno são outros 500. A paisagem é bem diferente. De qualquer modo, lindíssima: as árvores nevadas são de tirar o fôlego.

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Seguimos então até a Postdamer Platz. Passamos pelo Memorial do Holocausto, pelo Bunker do Hitler e por outros lugares, e eu fui explicando à Cathy o que era o quê, sendo eu a guia, dessa vez – ela não tinha feito o walking tour.

Na Postdamer Platz… Adivinhem:

Sim, Feira de Natal. Hahha

Só que em vez de pista de patinação, tinha uma ladeira de gelo para descer com boia inflável – opa, isso eu encaro!

Cathy e eu de fato encaramos. € 1,50 a brincadeira.

Screen Shot 01-16-15 at 05.46 PMFoi divertido =D

Andamos até o Sony Center, que tem uma caralhada de coisas, restaurantes, museus, Legoland, lojas… Sério, é um mundo. Mas não ficamos muito lá. Continuamos a jornada.

Logo estávamos na Fassbender & Rausch, a maior loja de chocolates do mundo.

Na fachada estão expostos importantes monumentos de Berlim, tipo o Parlamento e o Portão de Brandemburgo, feitos de CHOCOLATE. Tinha placas para não tocar, mas obviamente uma galera metia a mão para ver se era mesmo chocolate. Pela reação delas, era.

Resolvemos almoçar na feira de Natal da Gendarmenmarkt – falei à Cathy que era a mais tradicional da Alemanha e talz. De fato, era bem diferente das outras. Mais típica, digamos. Poucos turistas, muitos locais.

Provei pela primeira vez na vida um Eggnog (é estranho) e Cathy foi na minha onda:

2014-12-26 22.13.14Comemos um negócio que todo mundo tava comendo, parecia uma pizza, com um queijo esquisito e bacon. Muito bom.
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Französischer Dom, linda igreja na Gendarmemarkt.

Próxima parada: Deutsches Historisches Museum, o museu de história alemã – único museu aberto no período entre natal e ano novo. Bagulho é ENORME, gasta-se um século para vê-lo inteiro e com atenção. Só dispúnhamos de 2h, por tanto vimos bem rapidamente a história antiga alemã e um pouco mais atentamente o século XX, muito mais interessante (nazismo e ruptura entre as duas Alemanhas).

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Há um vasto material sobre as guerras. Propaganda política, documentos, fotos… Bem interessante.

Saímos de lá e já era noite cerrada. Passamos na frente do Berliner Dom e me deu vontade de entrar.

Eis o altar da bela Catedral:

Screen Shot 01-16-15 at 05.47 PM 001🙂

Berlim é incrível.

Voltei ao hostel, tomei banho e lá fui eu para o bar de novo haha. Encontrei o brasileiro do walking tour e fomos jantar kebab ali pertinho. Voltei para o hostel e para o bar, obviamente. Conversei com brasileiros, com o inglês e o canadense do dia anterior, depois um grupo de australianos jovens me convidou para a mesa deles – mas não suportei por muito tempo as poop stories deles – depois encontrei o mexicano da noite anterior e, finalmente, fui dormir. Precisava acordar em poucas horas – meu trem para Praga saía às 7h e pouco da manhã!

CONTINUA.

EUA 2014: NY, Boston, Miami em 4 dias

Breve (não tão breve) histórico. Se quiser role direto para o relato de viagem, lá embaixo.

Tô meio que de saco cheio de pessoas me perguntando “mas como você gosta de fazer viagens tão curtas?”. Olha, não é questão de gosto. É questão de oportunidade. Por mil razões, dentre as quais: viajar durante temporada é caríssimo e tenho horror a lugar entupido de gente; meus trabalhos são instáveis e não consigo planejar férias; viajar muito tempo = caro. viajar pouco tempo = menos caro.

Enfim. Fato é que fiz mais uma dessas viagens curtíssimas agora no começo de abril.

Tudo começou em setembro do ano passado. Minhas milhas da TAM expirariam em 1 mês e daí surgiu uma linda promoção de milhas reduzidas para ir para NY. Nem hesitei.

Meu pai se animou e me deu as milhas dele que estavam vencendo para um voo NY-São Francisco. Ok.

Daí o tempo foi passando, arranjei um trabalho do qual não pretendo sair, a viagem foi chegando e tudo indicava que não conseguiria folgar muitos dias e emendar com o feriado da páscoa – o que eu planejava fazer, a princípio.

Entre cancela daqui, pondera de lá, decidi em janeiro cancelar a parte São Francisco e só faltar 3 dias no trabalho. O problema é que passagem só um trecho é MUITO mais caro que comprar ida e volta. Daí me fodi.

A passagem mais barata para o Brasil que achei era MIA-GRU via Gol (coisa de R$ 1100 – ida e volta custava uns R$ 1500). Mas não tinha escolha: comprei.

Então eu tinha a ida: 10/4 – GRU – NY pela TAM, e a volta, 14/4 MIA-GRU pela Gol. Faltava o resto.

New York – Miami era um valor absurdo, quase R$ 1000 a passagem. Tentei cidades próximas: Washington, Philadelphia, Boston. Consegui passagem Boston-MIA por R$ 440 já com taxas. Ok.

E foi assim, totalmente pensando no dinheiro, que elaborei a viagem. No fim das contas foi excelente, fiz quase tudo do que planejei e passei bem.

10 de abril, quinta-feira

Saí de casa 4 da manhã. Fui de táxi para Guarulhos, usando a liiiinda promoção da Easy Táxi e do Santander, que das 22h às 6h, usando o aplicativo e pagando com cartão de crédito Santander, você paga só 50% do valor do taxímetro. Decolou 8h e pouco. Voo ok. Assisti “Doze Anos de Escravidão” no voo e achei meio blé.

Pousamos em NY 17h e pouco. No controle de passaporte, uma surpresa: o moço não me pediu passagem de volta, não me perguntou o que eu fazia da vida, nada. Carimbou meu passaporte e chamou o próximo. Lindo.

Peguei o Super Shuttle para ir até o albergue. U$ 18 e te deixam na porta do hotel, acho digno. Só que tava um trânsito insano – quinta-feira, 18h e pouco, uma das maiores metrópoles do mundo. Pensa. Mas tudo bem, porque estava uma tarde LINDA e fui abençoada com isso aqui:

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Apenas o skyline de Manhattan com um pôr-do-sol maravilhoso. Só isso.

É brega, sei que é, mas me caiu uma lágrima. Foi tipo NY demonstrando seu amor por mim. I♥NY. De verdade.

Só que o trânsito me ferrou, só cheguei no albergue 20h e pouco e várias coisas que eu pretendia fazer ainda na quinta foram pro saco. Paciência.

Da outra vez que fui pra NY, fiquei no HI Hostel. Bem bom, só que em Uptown, dependia de metrô para absolutamente tudo. Então dessa vez optei por outro.

Como uma das minhas metas em NY era conhecer o Highline Park, o local foi meu ponto de partida. Acabei optando por ficar no bairro de Chelsea, no albergue Chelsea Highline Hostel.

U$ 50 a noite, com café-da-manhã (podrão, mas…) incluso. A melhor parte: quarto com só duas pessoas. Você e mais um.

Só que era um albergue velhão, a beliche zuada, rangia a qualquer movimento e jurei que ela cederia ao meu peso (ao subir as escadinhas, de fato quase tombou em cima de mim. tô gorda mas calma lá, né).

Pior: quando cheguei, a recepcionista gritou: “I’m on my break!” e eu respondi “I need to ckeck in”. Ela veio com a cara mais emburrada do mundo. Tipo, desculpa, passei 10h em avião e outras 2h no trânsito. Vá se foder e respeite os hóspedes.

Isso feito, tomei um banho e saí.

Andei até o metrô. Outro ponto negativo do hostel é que a estação mais próxima ficava a quase 15 minutos de caminhada.

Parei na Christopher Square para ir ao Jazz que me recomendaram. Antes comi um autêntico hot dog americano. Sem purê, nem ervilhas, nem nada dessas bichices que brasileiro inventa. Só pão, salsicha, mostarda e catchup.

De lá fui ao Smalls Jazz, o tal recomendado. U$ 20 a entrada (pros padrões locais, dizem que é honesto).

Descia uma escadinha e lá estavam algumas dezenas de novaiorquinos – certamente nenhum turista – sentados em bancos ouvindo um jazz e tomando cerveja no pós-expediente.

Fiquei um tempo em pé, até a moça garçonete fofa me arranjar um lugar divino na frente da banda:

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Pedi uma Guiness (U$ 8) e fiquei lá de buenas curtindo música de qualidade e tocada com paixão.

Não aguentei ficar muito, porque sou do tipo de pessoa para quem a música é um complemento da atividade, e não a atividade em si. Assim, 2h depois peguei um táxi (pois é, nível financeiro subiu, nível de conforto subiu junto) e fui pro hostel, que era bem pertinho. Não deu nem U$ 10 o táxi.

11 de abril, sexta-feira, NY 

Meu único dia inteiro em NY. Acordei 7h e pouco, comi um bagel com geleia no hostel e andei até a entrada de cima no Highline, isso é: na 10th Ave com a W 30th St.

O Highline Park é um projeto arquitetônico foda. Saca o minhocão, em São Paulo? Então. Trata-se de um elevado enorme para o transporte sobre trilhos, que passa por meia Manhattan, criado na década de 1930. Nos anos de 1980, os trens pararam de circular por lá. A comunidade, pensando no quê fazer, se uniu com o poder público e, em 2009, o parque foi aberto. Dizem que logo, logo inauguram uma segunda parte do parque, que vai da 30th em direção a Uptown (atualmente só funciona o trecho da 30 até Downtown).

Ele tem diversas entradas, é totalmente acessível a deficientes físicos e possui espaços para eventos culturais, como um pequeno anfiteatro, banquinhos e locais para exibição de filmes ao ar livre e tal.

NY é tão cultural ♥

Fiquei um pouco decepcionada porque em todas as fotos eu via o parque Highline realmente como um parque, isso é, com área verde. Só que o inverno norte-americano foi muito rigoroso esse ano, então a primavera está sofrendo: nada de vegetação vigorosa, nada de cerejeiras floridas no Central Park. Uma primavera que mais parece um Outono 😦

Eu num dos únicos pontos do Highline com um pouquinho de vegetação:

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Terminei o percurso no elevado mais rápido do que imaginei. De lá, segui andando até Washington Square, só porque queria tirar foto do arco do triunfo que aparece sempre em Friends (pretendia ir ver o prédio dos Friends também, mas desisti):

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De lá, peguei o metrô para a 66th, para ver o Lincoln Center, um complexo cultural GIGANTESCO que ocupa muitos quarteirões e onde fica o Ballet de NY, o Teatro Municipal e várias outras coisas.

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Segui pela 66th até o Central Park. Queria ver as cerejeiras, tava rolando festival primaveril. Ou pelo menos dizia o site. No caminho achei uma pequena orquestra de crianças executando uma performance. Parei e fiquei olhando. Tocaram, dentre outros, a música do Rei Leão e “New York, New York” (Frank Sinatra) – chorei, te juro:

http://www.youtube.com/watch?v=Ak2MdVfTf34 Toda emotiva besta apaixonada por NY, confesso ♥♥♥

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Central Park liiiindo

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Strawberry Fields de novo. Da outra vez tinha uma decoração mais-MAIS, só que dessa vez tinha morangos. Achei fofo.

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Acima, Sheep Meadow, ainda no Central Park. Trata-se um um extenso gramado onde a galera fica deitada a toa tomando sol no verão.

Minha intensão no Central Park era ver o Carrossel e as cerejeiras. Não achei o carrossel (nem sei se existe) e as cerejeiras não deram flores porque o inverno foi muito rigoroso.

Pior: Central Park é um labirinto verde. No matter what, sempre ando em círculos e nunca acho o que quero. Mas sempre vale a pena.

De repente me deparei com uma estátua do Christopher Columbus (as in Cristóvão Colombo kkkk). E, olha que impressionante: minha intensão era atravessar o parque. Acabei saindo pelo mesmo lugar por onde entrei HAHAHAHHA

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Next stop: fui andando bestamente pela 5ª avenida. Entrei no Bloomindale’s, na H&M, na GAP e em uma outra loja. Não gostei de nada. Definitivamente, não sou esse tipo de turista.

Continuei andando até me deparar com o Rockefeller Center.

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Lá dei um rolê pela incrível loja da NBC, que vende desde um ímã do sofá dos Friends e a caneca do Central Perk até camisetas Dunder Mifflin, e mil objetos úteis e outros nem tanto de tudo que é série que você ama.

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Ainda no Rockefeller Center, tava rolando uma Egg Parade. Lembram da Cow Parade e da Monica Parade, aqui em Sampa? Então. Só que de ovos. Só que é uma caça aos ovos, tipo Páscoa mesmo.

Se liga no site.

Enfim. Mais de 250 ovos Fabergé estilizados por pessoinhas como Ralph Lauren, Carolina Herrera e ROMERO BRITTO estão espalhadas pela cidade. Veja alguns nesse link.

Vários estão no Rockefeller:

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Nisso já eram umas 15h e eu estava desde às 7h só com um bagel na barriga. Fui andando e um T.G. I. Friday’s me pareceu tentador. A garçonete foi uma foooooooooooofa, linda, daquelas que merecem U$ 100 de gorjeta. Me deu bebida de graça (não, não era refil) e tudo. Comi um steak com batatas. Divino.

Na mesa do lado um grupo de brasileiros. Nunca estive tão cercada por brasileiros como dessa vez. Impossível andar um quarteirão sequer sem me deparar com brasileiros em NY. As exceções foram o Smalls Jazz e o Burger Joint (descrição mais abaixo). De resto… BRASILEIROS EVERY-FUCKING-WHERE.

De lá segui para o Museu do Sexo.

Da outra vez já queria ter ido, mas acho que tava tendo alguma mostra fodástica, que o ingresso tava uma fortuna. Dessa vez custou U$ 17. Caro, já que é um museu pequeno e nada demais, mas foi uma experiência interessante.

Primeiro porque é sexo é interessante, e ver gente de todas as idades e jeitos vendo fotos de putaria é interessante.

Segundo porque tava tendo exposição da Linda Lovelace, as in A MINA DO GARGANTA PROFUNDA.

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Uma sala branca. Várias fotos dela pelada. No fundo da sala, uma projeção ENORME do garganta profunda (não postarei a foto se não o wordpress me bloqueia).

Ainda na sala, várias frases dela espalhadas, dizendo que tinha levado o corpo a fazer coisas sexuais que a grande maioria dos seres humanos nem sonha. Hahaha. Diva.

Em outra sala rolava uma exposição sobre internet & sexo. Tinha fotos de todas as taras bizarras que a galera procura na internet, e um quadro no fim perguntando o que você nunca procuraria:

IMG_2847Alguns me fizeram rir (tipo YOU), outros concordei (tipo animals, pedophilia). Eu incluí “blood+torture”.

Na última parte do museu, uma exposição sobre sexo animal. Fotos como o pinto do pato chileno (tá escrito na imagem que é argentino, mas é chileno), uma foto de uma macaca batendo uma siririca, uma foto de leões gays trepando… Coisas phynas hahaha

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No fim, uma puta loja de coisas sexuais, que vendia desde macarrão em forma de pinto, até MIL tipos de vibradores (tinha um de U$ 500!!!), gel pra tudo, coisas para S&M, livros, mil coisas! Muito divertido!

Saí de lá e fui andando até o metrô. Parei para tirar fotinho nesse LOVE fofo:

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Next step: hambúrguer no Burger Joint at Le Parker Meridien. Dentro de um hotel chiquérrimo, ATRÁS DE UMA CORTINA, fica a hamburgueria. Apertada, abafada, com uma fila kilométrica de novaiorquinos – mais um lugar sem brasileiros.

Avisos na parede diziam: “se quando chegar sua vez você hesitar ao pedir, volta pro fim da fila” ou “se não tem no cardápio é porque não tem, não adianta perguntar” hahaha. Newyorkers mal humorados ♥

Comi rapidinho e continuei andando. Passei pela Times Square F-E-R-V-I-L-H-A-N-D-O de gente, coisa mais insuportável.

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De lá direto para a Broadway, assistir Mamma Mia. AMEI PRA CARALHO. Desculpa aê, mas não tem outra expressão. Foi incrível, incrível!!!

E olha que manjo NADA de Abba.

Mas gostei muito. 2h30 e U$ 75 muito bem gastos!

Mil vezes melhor do que o maçante “Fantasma da Ópera”. Dessa vez, entendi 100% (meu inglês melhorou um pouco, mas o fato de não ser ópera foi o mais importante) e realmente curti. Musical bom é isso: aquele que dá vontade de ficar de pé, cantar e dançar junto. O elenco todo cantando “Dancing Queen” no final, como BIS, foi tipo… Delírio.

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Terminou o espetáculo 23h e pouco. Peguei metrô e voltei para o hostel.

Arrumei malas, deixei tudo pronto e dormi um tico.

12 de abril, sábado – Boston

2h30 da manhã acordei. Com tudo pronto, só me troquei e peguei um táxi para Port Authority. Já tinha comprado pela internet uma passagem para Boston, via PeterPan. Meras 27 doletas.

Às 4h saiu o ônibus para Boston. Dormi por 4h, ou o trajeto inteiro.

Acordei com a motorista falando “We are arriving at Boston South Station”. De lá, foi facílimo seguir para o hostel. Um metrô, troca de linha, outro metrô, dobrar esquina, cheguei. Larguei a mala e saí. Eram 8h, a cidade estava vazia, gelada e com um CÉU AZUL MARAVILHOSO.

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As in: meu clima perfeito. 15 ou 16ºC, céu azul, friozinho, mas calorzinho no sol. ♥

Com esse clima perfeito, foi fácil achar Boston linda.

Eu tinha em mãos um day tour escrito pelo cunhado bostoniano de uma grande amiga (valeu Tom, valeu Dê!). Segui quase que a risca.

Ele sugeriu uma parada na Pizza Regina, perto do hostel. De manhã estava fechado e a tarde tinha uma fila de 2h de espera; ele sugeriu o restaurante mais antigo da cidade, mas tinha fila de 1h40 de espera (americano = povo que gosta mais de pegar fila que paulistano, tá louco!!!). De resto, fiz tudo o que ele indicou:

Freedom Trail, um trajeto de alguns Km que passa por importantes marcos históricos da cidade – a grande parte coisa extremamente americana e que não interessa realmente a nós. Mas mesmo assim, são belas arquiteturas, lugares bonitos e com um clima gostoso.

O melhor é que a trilha toda é fácil de ser seguida, porque tem tijolinhos vermelhos no chão. Basta segui-los!

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Viu?

O primeiro lugar onde parei foi o Copp’s Hill Burying Ground. Trata-se de um cemitério no alto de um morro. A VISTA MAIS LINDA. Not a bad place to rest in peace 🙂IMG_2882

Aliás, Boston tá bombando de cemitério.

Nesse, tem uma galera de artistas, mercadores, blabláblá enterrados. Datado do século XVII, era o maior cemitério de Boston.

Continuei seguindo a Freedom trail, passando pela Old North Church, por uma bela praça homenageando vários cidadãos ilustres mortos há muito tempo.

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Continuei a trilha até o fim. Feio falar, mas a maioria do caminho era composto por coisas meio bairristas, não me interessei o suficiente para parar e ficar lendo tudo. Mas é tudo lindo, sim. Valeu a caminhada.

No caminho entrei em um Dunkin’ Donuts. Não é a toa que americano é gordo: uma rosquinha custa U$ 0,89. Uma dúzia (sim, DOZE) sai por 6 e pouco. É ridículo de barato.

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O fim do trajeto é no Boston Common, o parque público mais antigo dos Estados Unidos: data de 1634. Acho louco demais pensar que enquanto aqui na América do Sul branco matava índio, trazia condenado da Europa pra viver aqui e explorava a matéria prima para exportação, lá eles criavam cidades e parques.

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Enfim. É um lugar lindo, embora, assim como o Central Park em NY, a vegetação não esteja tão exuberante quanto estaria se o inverno não tivesse sido tão punk.

De qualquer maneira, era um sábado de um céu azul límpido, temperatura agradável e consequentemente muuuuita gente curtindo o parque com os filhos, os cachorros, a namorada, a bicicleta.

Em frente ao parque está a State House, que é um prédio lindíssimo.

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Oposto à State House, cruzando o Boston Common inteiro está o lugar mais lindo que vi nos últimos tempos. Lhes apresento o Public Garden:

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Mais uma vez, as flores que esperamos ver em um jardim vão ficar para a próxima. Mas não importa. Que lugar lindo, que energia boa esse lugar tem!

Curti uns minutos de sol olhando o lago, sentindo a atmosfera do lugar e tirando várias selfies. hahaha

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Em seguida continuei meu trajeto.

O cunhado da minha amiga escreveu o seguinte: Newbury Street é a rua mais chique para compras na cidade… tem lojas dos designers mais famosos do mundo (Burberry, Chanel, Armani, etc.) e arquitetura e igrejas bonitas. Ou se ela não tem interesse nessa rua, pode andar na avenida paralela, Commonwealth Avenue. Essa avenida também é muita chique e tem arquitetura e igrejas bonitas. 

Não, eu definitivamente não faço o perfil de turista-consumista. Muito menos de grife, argh. O que eu fiz então? Um zig-zag. Comecei andando na Commonwealth, daí fui para a Newbury, daí voltei para a Commonwealth e novamente para a Newbury (dessa forma, conheci as duas) até parar na Copley Square, que tem a Biblioteca e a Trinity Church:

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Do outro lado da rua tinha outra igreja, a Old South Church. E na frente dessa última, já na  Boylston Street, algo que se assemelhava muito, no tamanho e na forma, a um sambódromo, estava sendo montado e causava certo transtorno aos pedestres e automóveis.

Até então nem passava pela minha cabeça o que aconteceria ali. Era sábado, dia 10.

Já no Brasil descobri que dia 15 o atentado na Maratona de Boston completaria um ano, e teria toda uma homenagem. Eis o porquê de todo o aparato que estava sendo montado.

O cunhado da minha amiga me sugeriu dali pegar o metrô e já ir para Harvard. Acontece que estava bem cedo, e Harvard já era praticamente a última coisa do roteiro. Além disso, eu queria almoçar. E bem. Boston é o paraíso dos frutos do mar. Das lagostas, dos mexilhões. Muito amor.

Portanto, continuei nessa rua, que era uma maravilha: restaurantes, cafés, lojas tchã-nã-nã (Apple, Samsung, Sephora, Lindt, etc etc) e muito mais.

Eu tava com fome, já eram quase 14h, mas todos os lugares estavam abarrotados de gente. Mas beleza: foquei em um restaurante chique, porém não tão ostentação, e que tinha um nome bem convidativo – Atlantic Fish  – e entrei.

Lotado. Mas tinha lugar no balcão, o que não era nada mal, já que comer sozinha numa mesa de 4, num restaurante lotado, é meio desagradável.

Não hesitei: pedi um vinho branco. Olha bem minha cara de enóloga, néam. Já que manjo tanto (só que não), pedi ajuda pro garçom. Ele me indicou um: 2008 Pinot Gris, Reserve, Trimbach, Alsace. Demorou mas chegou. Delicioso e fresco. E apenas uma taça – que custou U$ 14!!! –  me deixou alegre. Perfeito.

O vinho foi para harmonizar com o meu prato, um ravioli recheado de lagosta. O molho era branco, com cogumelos e shitakes, creme de manjericão e pedaços de lagosta fresca. Eis:

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Gastei U$ 50, mas valeu muito a pena. Aliás, minha alimentação bostoniana foi perfeita.

Próxima parada: Prudencial Center, um shoppinzão enorme. Mas o que eu queria lá era a vista panorâmica. Fui na entrada do lugar e tinha uma placa: hoje a torre estará fechada para evento. FUÉN. Triste. Adoro vistas panorâmicas, e aquele dia azul magnífico seria o ideal. Mas fazer o quê.

De lá tomei meu rumo à Harvard. A mais antiga universidade americana, que data do século XVII. É uma das melhores e mais prestigiadas do mundo.

Foi facílimo chegar, usando o metrozão.

Comecei o rolê bem perdida. O lugar é enorme e o mapa não me dizia muita coisa.

Daí resolvi andar sem rumo, observando o povo feliz tomando sol na grama, tocando violão, curtindo o sabadão.

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Andei pela Law School, passei pelo Museu de História Natural (adoraria entrar, mas não daria tempo), atravessei tudo e fui até a Harvard Yard. Lá, fiz o que tantos estavam fazendo. Deitei ao sol e fiquei lá, estirada no solzinho pensando como a vida é boa, apesar de tudo.

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Já eram umas 17h e pouco. Dei uma volta por Harvard Square, que estava entupida de gente tomando café, sorvete e papeando contente e feliz.

Peguei o metrô e voltei pro hostel, fiz check-in e talz. Fiquei no Friends Street Hostel. Super bem localizado, a uma esquina do metrô e a curta caminhada do centro. As coisas boas param por aí: reservei uma cama em um quarto misto com 8 camas. Uma noite, U$ 48. Tinha café da manhã inclusivo, mas fui embora antes.

Nota: NUNCA fiquem em um quarto de um só sexo. Ninguém se respeita e é capaz de você encontrar uma moça se depilando no meio do quarto e absorventes sujos, caso seja mulher, e cuecas sujas largadas pelo quarto inteiro, se for homem. Quando é quarto misto, geralmente os sexos se respeitam. Dica de quem já viajou por uns 20 países e ficou em uns 10 hostels.

Quando o recepcionista subiu para mostrar o quarto, qual não é minha surpresa ao entrar em um quarto não com 8, mas DEZESSEIS camas? Pior: estavam montando uma cama de acampamento para uma 17ª pessoa. PIOR²: tudo mulher. Quis morrer. Mas antes reclamei com o cara, que falou em overbooking (caguei, problema deles). Eu disse que ao menos queria a diferença do dinheiro de volta, já que obviamente um quarto com 17 pessoas é mais barato que um com 8. Daí o moço foi bem grosso: disse que eu reservei faz tempo, e agora o quarto com 16 é o valor que eu paguei, então tava tudo certo. E que se eu não estivesse satisfeita teria todo meu dinheiro de volta. As in: pode ir dormir na rua.

Não criei caso, afinal de contas era só uma noite. Mais: algumas horas de sono e uma chuveirada. Mas ainda pretendo mandar um e-mail pro gerente reclamando. Só que de pensar em bolar o e-mail todo em inglês me dá uma preguiiiiça… Meu inglês escrito é sofrível.

Enfim. Me calei, larguei minhas coisas e fui tomar banho num chuveiro vagabundo, em que a água caia quase que em gotas, e mais pra fria do que pra quente. Meu consolo era pensar: HILTON AMANHÃ. AMANHÃ, HILTON.

Voltei pro quarto e tinha uma menina muçulmana fazendo as orações da tarde num canto do quarto, virada para Meca, com tapetinho e tudo. Interessante, nunca tinha visto. Já estive com muçulmanos em Israel e Jordânia e também na Turquia. Mas no primeiro caso não tive contato com momentos religiosos e, no segundo, fui a mesquitas, mas só tinha turista fotografando.

Enfim.

A última coisa da lista do cunhado da minha amiga era um restaurante chamado Union Oyster House. Aspas do moço:  É um restaurante bem velho (abriu em 1826) e com muita história. O rei da França morava lá em exílio! Também era o restaurante favorito dos Kennedys.

Andei até lá: 1h40 de fila. Até entrei no salão – eu não tinha mais nada pra fazer e ainda eram 20h. Mas daí vi um tanque enorme cheio de lagostas vivas. Os caras tiravam as lagostas do tanque direto pro seu prato, praticamente. Ok, garantia de frescor. Mas meu minúsculo e quase inexistente lado vegetariano disse NÃO. Saí de lá e andei até Quincy Market. Tinha passado lá durante o dia: é um mercadão lindinho, cheio de restaurantes.

Dei uma volta e me decidi por um bar/restaurante chamado Salty Dog. Durante o dia vi um monte de gente comendo ostras e outras coisas do mar lá, e ficou gravado na minha mente.

Além disso, o Tom (o cunhado da minha amiga), tinha escrito: “Algumas comidas que eu recomendo: steamed clams com manteiga, clam chowder , mussels com alho”. 

Ou seja: era pra fechar o roteiro com chave de ouro.

Sentei numa cadeira ao ar livre. A noite estava serena – provavelmente quente para os padrões locais. Pedi uma cerveja e bolei meu plano: um jantar de entradas.

Clam chowder primeiro. Trata-se de uma espécie de uma sopa bem grossa com um tipo de fruto do mar de concha, talvez marisco. Deliciosa:

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Depois comi uma ostra: a mais fresca que comi na vida.

Por último, mussels with garlic and bread:

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Ok, não sei o que sei direito de que frutos do mar se tratam, mas devem ser variações de mariscos. Sei que tava tudo ótimo, sem ranço de areia e fresquinho.

Voltei pro hostel. Dormi quase que imediatamente.

13 de abril, domingo – Miami

Acordei às 6h. De metrô cheguei com a maior tranquilidade e facilidade ao aeroporto.

Eu tava morrendo de medo do check-in da American Airlines. Isso porque fui obrigada a despachar minha mala no voo da TAM, e tava com medo de que isso acontecesse de novo. Problem is: a American cobra U$ 40 para despachar. Eu tinha medido a mala e talz, dava certinho como mala pra levar a bordo. Mas sei lá né.

Mas deu. Coube DIREITINHO, sem tirar nem por, no testador de bagagem deles.

Voo tranquilo, 100% litorâneo. Eta litoralzinho feio o leste americano, hein? Tá louco.  Só chegando na Florida é que melhora, obviamente.

O pouso em Miami foi lindo. Primeiro aquele mar caribenho. Depois, altas ilhas, lagos, casas chiquérrimas, lanchas e iates.

Eram 12h40 quando saí do avião. Meu check-in no hotel era só às 15h. Comi um baggel no aeroporto (fui muitíssimo mal tratada) e peguei um super shuttle por U$ 18 até o Hilton, já que no hay transporte público até lá. Uma pena, mas ok.

Cheguei no hotel 13h30. Mas é Hilton. Eles tinham um quarto já pronto pra mim ♥

Hilton Downtown Miami. U$ 150 a diária, sem café da manhã. Mas valeu. Eu precisa disso.

Subi, olhei aquele quarto enorme, aquela cama king size, aquela banheira, tudo só pra mim, e gritei: EU MEREÇO.

#POBREDETECTED

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MEU.QUARTO.

O que eu fiz?

Tomei um banho de banheira. EUA não tá com falta d’água e tô pagando caro. Fim.

Que vida boa, cara.

Depois peguei o metromover, um metrô de superfície gratuito recém-instalado no centro de Miami. Sim, gratuito. Uma maravilha. Fui até o Bayside Market, um shopping ao ar livre que fica em frente ao mar. Olha que chato:

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Queria comprar um monte de coisa, mas nada me atraiu. Coisas feias, caras, de mal gosto. Daí encontrei a Thaís, uma amiga que mora em Miami, que em 2012 fez comigo e com outra amiga um tour bem bacana pela cidade. Passamos a tarde passeando pelo lugar. Saí de lá com um tênis novo e uma blusinha da GAP. Só. Consumismo fail.

Tomei um sorvete enorme da Häagen-Dazs e ficamos sentados, Thais, namorado e eu, conversando sobre a vida.

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Quando o lugar fechou, umas 20h, eles me deixaram no hotel. Eu fiquei lendo um tempo e tal e resolvi ir jantar. Descobri uma pizzaria meio perto do hotel e fui. Chamava Pizza Pazza. Era uma mistura de cantina com pizzaria. Não vendia pizza em pedaço.

Pizzas americanas: nunca serão. Essa era diferentona, tinha queijo de cabra, cebola caramelizada, presunto de parma e talz. Mas a massa… NUNCA SERÃO.

Para acompanhar, cerveja. O que sobrou foi meu café da manhã do dia seguinte.

Voltei pro hotel e curti no lobby minha última noite, tomando uma cervejinha e papeando no whatsapp.

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Minha intenção era acordar meio cedo e ir na piscina do hotel. Mas 3 dias dormindo pouco e mal não permitiram, de modo que acordei e já eram quase 11h (a diária do hotel terminava 12h; meu voo era às 17h).

Mas ok. Valeu cada centavo dos U$ 150 pagos na diária.

Tomei um bom banho, deixei minha mala numa saleta deles, fiz checkout e fui a um outlet de roupas que a Thaís havia recomendado: Ross Dress For Less. Eu não tinha muito tempo, e acho UM SACO ficar experimentando roupa. Pior ainda numerações que não entendo. De forma que peguei uns vestidos que curti, experimentei, gostei de 3, comprei. Tudo na faixa dos U$ 15 até U$ 25. Tinha calvin klein e várias grifes (que pra mim MEANS SHIT).

Olha que chata a vista de dentro do vagão do Metromover…

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Minha última parada, indispensável, era num supermercado. Para comprar Mac & Cheese.

Sou doente por essa merda calórica e gorda que nunca vi pra vender no Brasil:

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É tipo um miojo. Mas ainda mais gordo e do mal. E muito melhor.

Enfim. Comprei 4 caixas (U$ 1,99 cada – o preço da foto é de uma caixa tamanho família), um saquinho de mini-rolos (chocolate recheado com caramelo) e outro saquinho de Kiss, aquele chocolate mínimo em forma de gota da Hersheys. Tudo não deu nem U$ 10. Por isso americano é gordo…

Tava um calor do cão e eu já pingava de suor. Ok, Miami é linda. Mas puta merda, taí uma cidade no mundo que eu não gosto.

Voltei pro Hilton, soquei tudo na mala e peguei um táxi até o aeroporto.

Taxista brasileira. Chata. Preconceituosa. Errou o terminal em que eu deveria ser deixada. UÓ.

Mas ok.

Foi um suplício achar o terminal da GOL. O aeroporto de Miami é enorme, tá em reforma, e a Gol não está onde deveria estar.

Despachei a mala, fui pro embarque e já eram 16h. Meu voo da Gol MIA-GRU, com conexão em Santo Domingo (República Dominicana) estava marcado para às 17h e pouco.

Tava faminta. Vi as opções de alimentação: fracas e desinteressantes. Comi o quê? Isso. Pizza. Hahaha. Meaning: minha última refeição de verdade foi o almoço em Boston, mais de 2 dias atrás. HAHAHA.

Pra completar a gordice, uma bola de sorvete Häagen-Dazs.

O voo Miami-Santo Domingo foi LINDO. Sobrevoamos toda a South Miami:

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Depois as Bahamas, até o sol se por sobre Nassau, capital das Bahamas. A foto não condiz nem em 10% com o que eu vi, então nem vou postar.

Até que a GOL não é tão ruim. Mas não é realmente boa, né.

A conexão em Santo Domingo foi mega rápida. Entrei no avião para São Paulo quase por último. Qual não é minha surpresa quando vejo que tinha UM CASAL COM BEBÊ nas poltronas B e C (eu era a A, janela S-E-M-P-R-E). Mal sentei e eles perguntaram se eu me importava de ficar na janela. Sim, respondi. Só viajo em janela, reservei faz tempo e trabalho amanhã de manhã, então a janela pelo menos me garante um apoio para dormir um pouco.

Primeiro: PRA QUÊ viajar com bebê? Só pra trolar os passageiros, tenho certeza. Inferno.

Segundo: já que TEM que viajar, POR QUÊ não reservar um lugar? Inferno, inferno.

Acordei muitas vezes na madrugada, com o bebê gritando duas vezes, e uma com um cheiro de bosta na minha cara: eles tavam trocando a fralda da menina. Inferno, inferno, inferno.

O jantar da Gol foi um macarrãozinho com legumes e um cheesecake totalmente fake.

Pousei em São Paulo quase 1h antes do previsto. Eram 4h da manhã. Aeroporto às moscas (grande parte dos voos que chegam/saem de Guarulhos são de manhã ou de noite). Passei reto pelo freeshop. Vi a fila de táxi brilhando e não hesitei: saquei o cartão e lá se foram R$ 150 conto (de metrô+bus gastaria R$ 8), mas cheguei em casa em 40 minutos. Às 5h eu tava na minha cama dormindo. Consegui dormir 4h antes de ir trabalhar! Sucesso!

Mais uma viagem ótima e muito bem aproveitada concluída com sucesso.

Europa 2013: Áustria e Eslováquia

2013 foi um ano sensacional. Viagens incríveis, pessoas incríveis, experiências únicas. Mais essa curtíssima viagem entra ao rol que compõe um 2013 ótimo. Vamos à ela.

Eu não sabia que ficaria desempregada em novembro. Por tanto, faltaria 2 dias no trabalho e iria com meu pai para a Áustria (outras opções eram Milão – Itália, ou Interlaken – Suíça [risos], mas acabamos optando pela Áustria).

Quando soube, em outubro, que ficaria desempregada, tentei mudar o voo para ficar uns dias em cidades da Alemanha – país que tá no meu top 3 de “preciso conhecer” – e em Paris, com o primo querido. Mas a multa era ridiculamente cara, o preço de uma passagem nova, e não rolou.

Assim, me contentei com os 4 dias e algumas horas na Europa. Fazer o quê, né.

Sexta-feira, 15 de novembro

Mala pronta, almoçada, malhada, fui com papi de metrô para o aeroporto. Feriadão, chegamos lá em 40 minutos. Uma beleza. Mais uma vez sem me planejar, acabei tendo de comprar minha leitura de viagem na Laselva do aeroporto – comprei o “Cuco’s Calling”, livro policial de um pseudônimo da J.K. Rowling (1 mês depois e ainda não acabei, aliás).

Voo da Lufthansa estava entupido, mas foi tranquilo. Pouca turbulência. Tomei 3 taças de vinho e dormi alguns minutos. Mas não tem jeito: ô coisa desconfortável e indigna que a classe econômica é. Nem Gisele Bündchen fica bonita depois de 12h de classe econômica.

Um pouco antes de chegar a Munique, cruzando os Alpes, o tempo abriu. OLHA QUE MARAVILHA 🙂

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Sábado, 16 de novembro

Chegamos de manhã em Munique, para uma conexão rápida para Viena. Tempo pavoroso no trajeto. Chuva e frio intenso. Chegamos à Áustria cedo, pegamos o ônibus executivo até o Schwedenplatz, bem próxima ao centro, e fomos andando até o hotel, no coração do centro antigo de Viena. Fiquei besta com a quantidade de indústrias que circundam o aeroporto. Cadê os bosques de Viena? Só tinha fábrica! Complexos enooooormes expelindo uma fumaça branca… Que coisa.

Da Schwedenplatz até nosso hotel foi uma curta caminhada, passando no caminho pela praça principal da cidade, a Stephanplatz – onde fica uma catedral enorme toda trabalhada no gótico. Linda, linda:

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Enfim chegamos ao hotel: Pension Neuermarkt. Boazinha. Três diárias, com café da manhã (bacaninha) para nós dois deu uns €300. Não é caro, pela localização do hotel. Mas é caro para o bolso fodidamente desvalorizado do brasileiro: 1 euro, com taxas IOFs e a porra toda, tava R$ 3,33. Com R$ 1000, não consegui nem 300. Muito triste.

Mas se a gente tá na chuva tem que se molhar. Não dá pra ficar convertendo, se não a gente fica louco. Imagina pensar toda hora que a garrafa de água que te custou  €3 vale tipo 10 conto? Não. Tem que abstrair.

Enfim. Deixamos nossas tralhas no hotel e fomos andar pelas ruas lotadas do centro histórico de Viena. Estava um sábado lindo, com um solzinho discreto, um vento gelado mas suportável, e muita, muita gente nas ruas.

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Na maioria das ruas do centro de Viena carro não passa. São boulevares largos, com lojas de grife chiquérrimas ocupando prédios antigos e históricos.  Tudo começando na Stephanplatz. Aquele sistema arquitetônico em que as ruas convergem a partir da igreja principal.

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Outra coisa bacana de Viena é que em tudo que é canto há menção à alguma personalidade. Não sei quem almoçou aqui. Não sei quem compôs sei lá o quê aqui. Não sei quem morou aqui em 1700 e bolinha… Na foto acima, um lugar onde o compositor Vivaldi morou certa época.

Continuamos andando, nos embrenhando pelos grotões históricos de Viena, sem saber ao certo o que era o quê. Passamos por alguma coisa ligada a cavalos, por uma biblioteca, pelo museu Albertina, pelo lindo parque Burggarten…

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Essa foto aí é do Hofburg, que era o palácio – e centro do império – de Habsburg. Hoje é um museu.

A monarquia da família Habsburg comandou o Império Austro-húngaro por séculos. Era uma família que incentivava as artes. É por isso que da Áustria saíram alguns dos grandes compositores, músicos, artistas, escritores, pensadores da humanidade. Tipo Freud e Mozart.  A foto tá escura porque já estava anoitecendo. Amo Z’oropa, adoro frio. Mas essa história de 16h já ser noite é apenas cruel (ok, é incrível ter sol às 23h no verão, mas mesmo assim).

Voltamos para o hotel.

Ó que graça a fachada externa:

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Anoiteceu de vez e fomos à caça de um lugar para comer.

Na Stephanplatz estava rolando uma feira de natal, com mil barraquinhas vendendo comidas típicas, bebidas, doces, enfeites natalinos, artesanatos, mil coisas fofas.

Foi lá mesmo que ficamos, embora estivesse ENTUPIDO de gente – descobrimos no dia seguinte que participamos da “estreia” do Vienna Christmas Market. Nem sabia que existia isso, mas parece que um mês e pouco antes do Natal as principais cidades europeias (cristãs, é lógico) montam em suas praças principais uma grande feira natalina. Em Viena pudemos conferir, felizmente. Grande parte da decoração ainda estava sendo montada, no entanto. Em Salzburg e em Bratislava, ainda demorariam uns dias para inaugurar.

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Na Catedral de Stephan rolavam umas luzes/projeções natalinas. Lembrei vagamente da Disney.

Tomamos ponche de laranja (fortíssimo, quentinho e delicioso – perfeito para a noite de 3ºC e sensação térmica abaixo de zero); comemos goulash no pão italiano; comemos salsichões “Braumeister” e “Käserkrainer” hotdog. SE LIGA NO TAMANHO DA ENCRENCA:

IMG_0135Dois palmos de salsichão! hahaha

E assim terminou o primeiro dia.

Domingo, 17 de novembro – Salzburg

O dia começou bem cedo, por volta das 5h30 da matina. Noite cerrada. Tomamos café-da-manhã (bem bonzinho, com nutella e tudo ^^) e fomos esperar o guia do day-tour para Salzburg.

Salzburg é na outra ponta da Áustria, quase divisa com a Alemanha. Seriam cerca de 2h de estrada para ir, outras 2h para voltar.

O dia amanheceu frio e chuvoso; nosso grupo era composto por uma família asiática que não falava inglês (ou não se interessava pelo que o guia falava); por um cara grudento do Bahrein; e por um casal gay de Israel. Bem misturado.

O guia falou que o trecho entre Viena e Linz (a metade do caminho) seria bonita, que veríamos bosques e talvez os Alpes. Só que nada disso aconteceu, já que havia uma névoa densa e chuva. Hahaha. Great.

Isso aqui foi o máximo que vimos de bosques:

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Além de Salzburg, passaríamos por diversos vilarejos que foram locações do filme “A Noviça Rebelde”. Sabem aquele meme clássico do “foda-se essa merda toda”? ENTÃO. Aquele tipo de lugar.

Como o guia falou: a conhecida “suíça-austríaca”. De fato.

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Esse primeiro vilarejo chama-se Mondsee e é das coisas mais fofas e cenográficas que já vi na vida. Papai não sabe que apareceu na minha foto. Hahaha.

A foto abaixo já lembra vaaaagamente o cenário do foda-se essa merda toda. Exceto que não aparecem picos nevados (por conta da névoa), nem a relva verde e florida (outono, néam).

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Mas o guia colocou pra tocar a trilha sonora inteira d'”A Noviça Rebelde” enquanto nos aproximávamos do lugar…

O lago em questão é o Wolfgangsee. No verão, essa região lota de banhistas. Claro que a água é limpíssima.

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Abaixo, Saint Gilgen, um dos mil vilarejos ao redor do lago – e aqui começa de verdade a parte Mozart da nossa viagem.

Na época do planejamento dessa viagem, eu estava trabalhando no Theatro Municipal de São Paulo. Já tinha visto óperas de Verdi, Mozart e outros; já tinha visto concertos de Stravinsky, balé de Ravel. Estava imersa na música erudita e tentando aprender mais. Por tanto, a oportunidade de conhecer a região onde Mozart viveu seus poucos anos de vida seria incrível e perfeita – até para me exibir no TMSP. Infelizmente, nosso contrato acabou antes disso. Hahaha

(mas os aprendizados, amigos e bons momentos ficarão para sempre #mimimi)

Saint Gilgen é o vilarejo da família da mãe do Mozart. A praça onde posei para foto, abaixo, era local recorrente de concertos de Mozart quando jovem. Ele vinha visitar os avós, que moravam no vilarejo.

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Essa casa, que hoje é o correio, é uma das mais antigas da cidade. É do século XVI!

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Tirei essa próxima foto porque, mesmo com uma temperatura de 3ºC e sensação térmica bem inferior a zero, tinha UMA MOSCA pousada na placa. Sim, há moscas na Europa.

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Tivemos um tempo para rodar pelo vilarejo. Era domingo de manhã, e onde estava TODA a população? Na igreja. Sim. Esterótipo de vilarejo europeu. Me senti no filme “Chocolate“. Domingo bem frio, de manhã. Cidade vazia, todo mundo dentro da igreja central. População bem idosa, toda vestida com roupas “de missa”.

A casa abaixo é onde a mãe do Mozart nasceu, e onde ele passava o verão. O guia falou que ele costumava compôr nessa paisagem.

NOT BAD, hein.

IMG_0213Papai testando a temperatura a água. Eu não tive coragem. Frio demais.

E então, finalmente, Salzburg.

Até o século XIX, Salzburg não pertencia nem à Alemanha, nem à Áustria. Era independente. Como Mozart nasceu antes de a região ser anexada à Áustria, não é inteiramente correto dizer que ele era austríaco. Ele era, antes de tudo, de Salzburgo.

Dividida em “parte histórica/parte moderna” pelo rio Salzach, começamos pela parte “moderna” (pero no mucho) da cidade, onde está o parque e o palácio de Mirabell – e que também foi cenário da “Noviça Rebelde”.

O palácio foi construído em 1600 e bolinha para abrigar o arcebispo da cidade. Pegou fogo, foi reconstruído e remodelado ao longo dos séculos, e hoje é a sede da prefeitura.

Lugar lindíssimo, cheio de fontes e jardins floridos – ainda que no outono não estejam tão formosos

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E aqui abaixo temos uma visão, ao longe, da fortaleza de Salzburg, um castelo enorme no alto do morro lá no fundo. A fortaleza foi construída em 1077 (!!!) e é, de acordo com o site oficial da cidade, a fortaleza mais antiga e bem preservada da Europa. Nunca saberei. Não deu tempo de ir lá/meu pai não tava afim/era caro pra cacete.

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Dá nada não. O google tá aí, e a gente chupa uma foto de lá de cima da fortaleza:

A próxima etapa foi cruzar a ponte que dá acesso à cidade antiga.

O rio gelaaaado e limpíssimo correndo lá embaixo, mil construções históricas nos rodeando, uma ponte cheia de cadeados simbolizando amores eternos. Coisa mais linda ❤

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Ao adentrar a parte histórica da cidade, entendi perfeitamente como raios um palácio de 1700 é considerado moderno. TUDO na parte histórica é medieval. Inclusive as fachadas das lojas de grife são construções históricas, e devem manter tudo exatamente como era.

Olhem que fantástico:

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E tchã-nã-nã-nã…

Mozarts Geburtshaus (ou: o local de nascimento de Mozart, em alemão).

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Nascido em 27 de janeiro de 1756 (beijo grande aos aquarianos!!!), o nome de batismo dele era Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.  

E vou te contar que a família dele não era nada pobre, viu. Puta casa enorme, com jardim interno, lugar para festas…

Desde criança Mozart mostrou-se genial. Começou a compor aos 5 anos de idade, e ainda jovem viajou a Europa inteira se apresentando para a alta realeza. Morreu aos 35 anos. A teoria do nosso guia para a morte dele é muito válida: imagina cruzar a Europa de ponta a ponta no alto inverno, em viagens que duravam meses. Sua saúde não aguentou. Foi adoecendo até… Puff. Mesmo vivendo tão pouco, compôs mais de 600 obras.

Tudo na cidade é ligado a Mozart. Onde nasceu, onde escovou os dentes, onde morou por seis meses, onde casou. Sério. Mas Salzburg tem muito mais. Tem a casa onde viveu Döppler – sabe a série The Big Bang Theory? Sheldon fala bastante do Efeito Doppler.  Tem um centro lindíssimo, mil restaurantes, uma população simpática e… A livraria mais antiga da Áustria ❤

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E essa, abaixo, é uma das ruas mais antigas da cidade. Vielas fofas medievais. Amo.

Amo Idade Média, gente.

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Daí o frio pegou de jeito e fomos achar um lugar para comer. Acabamos num pub mandando uma cerveja deliciosa – tomei 3 long necks e fiquei BACANA – e típicas comidas austro-alemãs.

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E esse foi o fim dos nossos serviços em Salzburg.

Andando para encontrar o guia – e nosso transporte de volta à Viena – ainda passei por essa inscrição no chão. Me sentia feliz com o mundo, e essa frase só melhorou meu estado de espírito:

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=)

Chegamos à Vienna umas 19h. Noite cerrada, um frio satanástico.

Optamos por jantar em um restaurante bem famoso na cidade, e que vive lotado: o Figlsmüller, que é famoso por causa do schnitzel, um dos pratos tradicionais austríacos – e que é, nada mais, nada menos, UM BIFE A MILANESA.

Sim. Um bife a milanesa. Que não tem acompanhamento nenhum e que é tão grande que não cabe no prato:

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Comi 1/3, dividi uma garrafa de vinho com papi e foi isso aí.

Olha, sem ser babaca e regionalista… Mas gente. Essa culinária da Europa não-latina é meio decepcionante. No Reino Unido o lance são carnes no molho com batata – você que lê Harry Potter tá ligado. Na Europa germânica, porco e fritura. Na Europa Oriental, uma mistura dos dois e embutidos. Mas nada assim Ó QUE MARAVILHA.

É por isso que (saíndo da mesmice de falar do arroz e feijão, até pq não sou do arroz e feijão) insisto numa tese que a cada viagem fica mais encorpada: de que a comida brasileira é uma das mais diversificadas e incríveis do mundo. Já viu, em um mesmo país, ter pato no tucupi, tutu de feijão, churrasco gaúcho, moqueca, baião de dois, feijoada? Sem falar de pastel, mandioca, caipirinha, brigadeiro e frutas brasileiras. Sério. Culinária mais sensacional. E daí me vem uma Alemanha com joelho de porco. Ah. Vá se foder, apenas.

Mas mudei totalmente de assunto. hahahah.

Assim terminou o segundo dia.

Segunda-feira, 18 de novembro – Bratislava (Eslováquia)

Acordamos cedo, pegamos o metrô – gente, não entendo esse metrô europeu que não sabemos onde e como pagar, e daí quando vemos entramos de graça – e fomos até uma rodoviária num subúrbio pegar ônibus para Bratislava, na Eslováquia. Muito louca a Europa, né? De um país a outro em 1h de ônibus. Em um dia de carro, dá pra cruzar vários países… Muito louco isso pra gente que é brasileiro e está acostumado a dimensões continentais… é mais rápido ir de Viena a Berlim de carro do que de São Paulo ao Rio de carro… Doideira.

Enfim.

Bratislava, Eslováquia.

A ponte da foto abaixo liga a cidade histórica (lado em que estou) à parte moderna. O rio que corta a cidade é o DANÚBIO, que cruza metade da Europa e inspira tantas imagens idílicas na nossa mente =)

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A cidade histórica estava completamente morta. A guia nos explicou que segunda-feira geralmente é assim. Igrejas, museus, tudo fechado, daí os turistas não vem, mesmo.

Bratislava também tem um castelo. Que cidade na Europa não tem um castelo, gente?

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Mas esse foi remodelado inteirinho. Acho que só tem um quartinho mínimo que não mudou ao longo dos séculos. Até o estilo arquitetônico dele foi sendo alterado… A pintura… Tudo.

Mais uma vez, não fomos admirar a vista panorâmica e tive que roubar a foto do google:

Continuemos.

O primeiro lugar onde fomos – na frente, já que estava fechada – foi a Catedral Saint Martin, essa no primeiro plano da foto acima.

Essa é uma das únicas catedrais católicas do mundo que não tem uma cruz no topo, e sim uma coroa. Para simbolizar a importância do reinado para o crescimento da cidade. Que coisa, não?

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Na entrada da parte histórica tem essa estátua de bronze, homenagem a um cara que ficava nos bueiros da cidade espiando as mulheres de saias. HAHAHAHA

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Falei que a cidade estava às moscas?
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Bratislava era uma das principais cidades do império dos Habsburg. Esse símbolo que está na ponta da minha bota está espalhada por todo o chão da cidade histórica, simbolizando o reinado de Maria Thereza, que adorava a cidade e elevou-a a uma das mais importantes do império austro-húngaro, sede de universidades, grandes concertos de Mozart, Beethoven e talz, festejos, cerimônias da realeza e muito mais.

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Acima, um dos portais da cidade.

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Eu na frente do Teatro Municipal de Bratislava.

Essas estruturas no chão são para montar os Christmas Markets de Bratislava.

Nosso almoço eslavo foi uma pizza. Hahaha. Não queríamos comer de novo Schnitzel, e nem aquelas outras coisas de sempre. Pelo menos foi barato.

Minha impressão de Bratislava é a mesma que tive de Bucareste: cidades ex-comunistas fodidas e abandonadas se erguendo aos poucos. E convivendo com mendigos, pobreza e arranha-céus podres de ricos ao mesmo tempo. Sweet desigualdade…

Romênia e Eslováquia, os únicos países ex-URSS que conheço, compõem uma Europa completamente diferente de Itália, Reino Unido, França, Suíça etc e etc.

É tudo diferente. É um clima bucólico e de abandono. Os jovens lutando para serem mais como seus irmãos da Europa ocidental e rechaçando toda e qualquer qualidade que o comunismo tivesse. Vários cantões das cidades com cara de abandono e melancolia.

Antes de irmos embora, passamos numa loja que vendia umas bebidas típicas e compramos isso aqui:

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Hidromel. Foi baratíssimo – acho que 3 euros a garrafa – e me arrependi profundamente de não ter comprado umas 30, porque beber isso foi uma experiência riquíssima e única. É tipo um licor. Ou um vinho. Mas nada a ver com nenhum dos dois. Uma delícia.

Fomos jantar numa cadeia de fast food de frutos do mar que rola por toda a Europa, e que prima por pratos lindos nas vitrines: Nordsee. Olha só:

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E sim. Os preços são ABSURDOS. Papi não resistiu e mandou uma lagosta. Eu maneirei. Mas mesmo assim deixamos quase 70 euros!!!!!! Absurdo completo. Mas faz parte.

Famosa síndrome da família de o último jantar da viagem ser sempre errado: caro demais, ruim, pouco etc. É SEMPRE assim. Culpa também das expectativas, claro.

Terça-feira, 19 de novembro – Viena & voos/aeroportos

Acordei cedo para curtir o restinho da viagem. Ainda tinha uma manhã inteira, e decidi seguir a dica de um amigo – conhecer o Wiener Zentralfriedhof – ou o cemitério central de Viena. É um cemitério E-N-O-R-M-E, bem afastado do centro e com gente importante dentre seus mortos.

Fui até lá de tram (o bondinho), por dica do staff do hotel. Soube onde descer certinho, sem precisar de ajuda.

Estranho que conforme a viagem vai acabando, começamos a nos habituar com a língua do país. Várias coisas escritas em alemão eu já entendia…

Enfim. O cemitério, um dos maiores da Europa, tem 2.4 Km quadrados de área e mais de 300 mil tumbas. É incrível. É tão grande que dentro do cemitério passa um ônibus, que leva a outros pontos do próprio cemitério.

Piro com cemitérios, desde criança.

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A avenida principal do cemitério, acima. Leva até uma capela – uma verdadeira basílica, na verdade.

Não foi difícil achar o que eu queria: o hall dos mortos famosos. Mais especificamente, dos músicos e compositores. Estão enterrados nesse cemitério Beethoven, Mozart (em tumba desconhecida), Strauss, Schubert e Brahms.

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Beethoven à esquerda, memorial a Mozart no centro e Schubert à direita.

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Eu e minhas únicas companhias na andança pelo cemitério: corvos.

Foto bem na pegada de Six Feet Under 🙂

Andei mais pelo cemitério, explorando aleatoriamente grupos de tumbas, com sobrenomes estranhos, com datas de morte séculos atrás, com sobrenomes como Gaspar. E pensei muito na vida enquanto tomava aquele vento gelado na cara.

Minha ideia era sair do cemitério e ir à casa onde Freud viveu. Mas deu preguicinha. Desisti no meio do caminho e resolvi dar um rolê pelo centro.

Tomei um chocolate quente no Starbucks enquanto pensava no que fazer em seguida.

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E decidi aproveitar minha última hora no Museu Albertina. Porque eu amo museus e não tinha entrado em nenhum até agora.

Entrada do museu:

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E tava rolando exposição do Matisse & friends. Ou sobre o fauvismo, na verdade.

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Fauvismo é um estilo de pintura criado no começo do século XX e que tinha Matisse e Derain como principais líderes. As cores  fortes são muito usadas, e a técnica do pontilhismo também. Leia mais na wikipedia.

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Vi correndo as outras exposições. Tinha o cara viciado em FIMs (acima), tinha a mina viciada em olhos…

E daí #parti para encontrar papi no hotel, pegar nossas malas e ir para o aeroporto.

Assim começou o trajeto de volta: horas de aeroporto, de cochilos em cadeiras de aeroporto e muito, muito avião.

Em Munique, como era uma conexão longa (mas não longa o suficiente para sair do aeroporto e dar uma volta pela cidade), sentei num restaurante, comi um salsichão e mandei 3 pint de Paulaner (Weißbier alemã – esse B bizarro tem som de ‘ss’. A palavra alemã para rua – Straße – se fala ‘strasse’).

E assim terminaram nossos serviços, decolando para o Brasil:

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E ouvindo música clássica:

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Gostaram?

Eu gostei! Mas queria ficar mais tempo 😦

EUA 2012 – parte 1 – Miami

Sei que tá velho.

Como todo mundo que convive comigo física ou virtualmente soube, passei bons 20 dias entre março e abril nos Estados Unidos. Viagem planejada há tempos, tendo como minha prioridade Nova York. Sempre quis conhecer a Big Apple, e achava um grande furo no meu título “viajada” não conhecer os Estados Unidos e, principalmente, Nova York. Um palco de cultura, de consumismo, de jornalismo, sede de grandes multinacionais, exportadora de modas, manifestações e políticas. O centro do mundo ocidental.

Daí que com o lançamento do parque do Harry Potter em Orlando, há uns dois anos, comecei a querer ir pra lá também. E já que estamos em Orlando, porque não passar pela Disney, ao menos pra tirar uma foto do Castelo da Cinderela, não?

E assim começou o roteiro da viagem, lá pela metade de 2011.

Nesse meio tempo, uma amiga de infância começou a fazer também seus planos – ela já tinha ido a Disney, mas queria demais conhecer o parque do Harry Potter – POUCO VICIADA, ELA. Daquelas que tem fan clube, que participa de eventos, de RPGs e nerdices que estão além do meu entendimento (e do meu gosto pela saga – amo HP, mas ler os livros e ver os filmes é o suficiente).

Enfim: decidimos ir juntas.

Pânico total – sou filha única, individualista, egoísta, curto praticidade e rapidez.  E sempre fui uma viajante individual. Com ela, temi perda de privacidade, de liberdade e desorganização da agenda (apertadíssima).

Mas vamo que vamo.

Decidimos pelo final de março – começo de abril. O tempo estaria perfeito: um calor NÃO TÃO ABSURDO na Flórida e um frio agradável em NY. Baixa temporada.  Preços menores, menos gente, menos filas. ESSA ERA A IDEIA.

A passagem aérea estava cara, então meu pai me deu as milhas dele, e pegamos tudo de graça: SP-MIAMI / NY-SP. Só pagamos o trecho Orlando – Nova York (algo em torno de R$ 300 pela American Airlines).

Chegou a véspera da viagem e eu estava morrendo de dor de garganta, que começou por conta da noitada fooooooorte na sexta-feira anterior (16). Mas isso é outra história. O que importa saber é que a partir da sexta dormi maaaaaaaaaaal até o dia da viagem, quando acordei 5 da manhã pra ir pro aeroporto. E ainda tinha trabalhado no dia anterior.

20 de março

Papai, além das milhas, me deu a oportunidade de voar de classe executiva, por algumas milhas a mais. Com isso, tive certo conforto, IMPOSSÍVEL na classe econômica.

Decolei 10 e pouco da manhã. Vôo inteiro diurno. Do meu lado, uma mulher esnobe não ficava quieta: falava dos filhos e das namoradas dos filhos, do marido e, claro, do apartamento dela em Miami, e de como ela viajava o mundo para assistir campeonatos de tênis, sua grande paixão ZzZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Não consegui ver paisagem nenhuma no voo. Tudo nublado. E a janela da executiva fica meio longe da poltrona, não é que nem na Econômica, que é tudo grudado e dá pra se apoiar na janela. Em compensação, faltando meia hora para pousar, Bahamas surgiu diante dos nossos olhos. E eu mal conseguia olhar porque a rica chata do meu lado não parava de me cutucar pra falar alguma inutilidade. Saco.

Mas deu pra ver um pouco daquela água quase transparente do Caribe e seus vários tons de azul. Lindo.

Pousamos umas 17h e pouco. Desacreditei na calma do aeroporto: não tinha viv’alma no controle do passaporte (o tio da imigração só perguntou se eu tava sozinha – respondi que minha amiga chegaria depois de amanhã) e se eu ia festejar um pouco. Minha mala não demorou nem dois minutos pra aparecer na esteira. Uma beleza. Até porque tinham me falado que o aeroporto de Miami era caótico.

O transfer do hotel demorou bastante, uns 40 minutos.

Cheguei no hotel, fiz check-in, me joguei na deliciosa cama de casal do quarto, liguei por skype para meus pais, li um pouco – “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingway – e capotei.

E dormir mal de novo, acreditam? Toda hora acordava, ficava virando na cama, incerta se estava morrendo de calor ou de frio. Uma hora desisti de dormir e continuei a ler.

Nesse meio tempo lembrei de carregar meu celular. Fui lá na tomada e óbvio que eu precisaria de um adaptador. BURRA QUE SOU, toda viagem que faço tenho que comprar um novo carregador. Sempre esqueço.

O hotel: SLEEP INN MIAMI AIRPORT – 2 diárias = U$ 225 (com taxas inclusas)
Optei por conta da proximidade  com o aeroporto, pelo transfer gratuito e pelo café da manhã incluso – sou daquelas que, em viagem, para economizar em comida, come feito porca no café da manhã incluso.
O quarto, com cama de casal e ar condicionado, era bom e espaçoso, mas as paredes eram muito finas. Maior barulheira vinha das vizinhos altas horas da noite.

21 de março – 

6h da manhã já estava banhada e tomando café-da-manhã. Bem bom o café, 3 opções de fruta (aprenderia, nos próximos dias, o quanto fruta era raridade nos EUA), vários tipos de pão, vários tipos de cereais e suco. Deu pro gasto.

Em seguida fui pro aeroporto, porque de lá saía um ônibus para Key West, meu plano de passeio para esse primeiro dia. Li no mochileiros.com e em vários sites que o ônibus saia às 7h40, às 11h40 e às 17h40. Cheguei lá e depois de andar feito um burra de carga pelo aeroporto e de perguntar para trocentas mil pessoas de onde saia o ônibus, achei. E descobri que o ônibus das 7h40 não existia mais. Resultado: teria que esperar QUATRO HORAS. Até mais, porque cheguei super cedo no aeroporto pra mim garantir.

Primeiro fui atrás de um adaptador de tomada. Lá se foram 16 dólares (mais, na verdade, porque tem sempre a merda da taxa que não está inclusa no produto). Achei uma tomada, coloquei o iPhone pra carregar e continuei a ler Hemingway.

Minhas leituras de viagem sempre têm a ver com o destino – Hemingway viveu por um tempo em Key West. Lá tem até museu na casa dele e talz.

Terminei o livro e fui passear pelo aeroporto, um verdadeiro shopping center, com hotel e tudo. E consegui conhecê-lo e decorar cada loja, pra terem uma noção de quanto apodreci lá.

O ônibus para Key West atrasou e acabou sendo bem mais caro do que me informaram as fontes – mochileiros e outros sites de turismo diziam que eu gastaria U$ 50  ida e volta. Gastei U$ 90. Fui pela companhia Greyhound, bem conhecida nos EUA, e acho que a única a fazer esse trajeto.

Key West é a extrema ponta sul dos EUA. Deixa que eu desenho:

Além disso, de Key West a Cuba são apenas 40 milhas (pq lá tudo é milha. 1 milha = 1,6 Km).

O trajeto foi longo, e demorou pra ficar interessante. Eram 4h de bus, e só a partir da segunda hora é que começamos a passar por Everglades, a enorme reserva ambiental que ocupa boa parte do sul da Flórida. E então… MAAAR. A primeira visão foi impactante: todo aquele verde do Everglades e o oceano caribenho, um azul esverdeado que a gente não vê em qualquer lugar.

O trajeto que liga a ponta do continente a Key West passa por pontes atrás de pontes – a maior delas com 7 milhas de extensão. Por quase todo o caminho tem ciclovias, e fiquei viajando ao me imaginar com uma bicicleta lá.

São dezenas de ilhas no trajeto, cada uma mais linda que a outra.

Cheguei a Key West 16h e pouco. 17h30 era o último ônibus para Miami, e eu não tinha escolha. Não sabia que demoraria tanto e que só tinha ônibus às 11 da manhã. Tive que ficar pelas redondezas do aeroporto. Nessa 1h30 deu tempo de andar até a praia, correr uns 20 minutos no calçadão e tirar boas fotos. Mas não cheguei nem perto do centro histórico de Key West.

Tanto na ida como na volta o ônibus parou num Burguer King. Comi uma cebola empanada no almoço e um hambúrguer no jantar.

Na volta pegamos uma tempestade sinistra na estrada.

Cheguei no aeroporto, peguei o transfer pro hotel e morri.

Dessa vez dormi bem.

22 de março – 

Acordei, tomei café, fiz check out no hotel e fui pro aeroporto esperar a Pri, que chegaria às 8h. No dia anterior pude passear bastante pelo aeroporto e achei um bom ponto de encontro, debaixo de uma parede rosa choque.

Cerca de 1h depois ela apareceu – tinha fila na imigração.

Novamente, eu já conhecia o aeroporto de cor, então soube exatamente onde ir para pegar o ônibus para Miami Beach, que super deu certo e foi bem barato, não fosse o fato de descermos um ponto antes.

South Beach é um NOJO.

Não tenho outra palavra para definir. Exibição de corpos, carros, roupas. Esnobismo. Argh.

Por outro lado, as praias são muito bonitas.

Deixamos nossas tralhas no albergue – ainda não era hora do check in – e fomos andar. Fomos até a ponta de South Beach, andamos pela areia, tiramos fotos e fomos almoçar. Comi uma bela salada – me matando para não engordar nos EUA – e uma budweiser ^^

Voltamos para o albergue. Agora sim, check in.

Ficamos no Deco Walk Hostel. O escolhemos pela localização excelente – na frente da praia, no meio do agito (só não sabíamos que o agito não era a nossa, mas…). Foi bem caro. 3 noites U$ 250 cada. Culpa de um festival de música eletrônica badaladíssimo que ia rolar no fim de semana bem pertinho do hotel.

O quarto era misto – tenho uma tese: mulher é mais porca que homem. Quando há mulher no quarto, homem se comporta. Quando só há mulher, não raro entramos no quarto e a mina tá raspando a dita-cuja no meio de todo mundo. ARGH.

A noite combinamos de encontrar a Thais, amiga da Pri que mora nos arredores de Miami, num shopping, que era mega longe do nosso albergue. A encontramos e ficamos batendo papo por um bom tempo.

Agora um porém de Miami, que a rica esnobe tinha me alertado no avião mas não prestei a devida atenção: GALERA ABUSA DO AR CONDICIONADO. Não é um abusar nível hotel de luxo. É botar o bagulho no talo. Em todos os lugares possíveis. No ônibus urbano, por exemplo, a Pri ficou roxa de frio – incautas, não levamos blusas. Eu estava de VESTIDO. Foi tenso demais. Ainda falando do ônibus, tinha wi-fi no transporte público de Miami! Não é incrível?

23 de março – 

Tínhamos fechado, no dia anterior, um rolê de one-day-trip para Bahamas. Não podemos perder uma oportunidade dessas, não é mesmo?

Fechamos o passeio com o hostel que, filho da puta, cobrou um extra fodido pelo transfer até o porto. A passagem do navio era U$ 90, mas pagamos mais de U$ 200 cada, para incluir o transfer.

Com passaporte às mãos (Bahamas é outro país, NÉAM), o transfer nos levou até o porto, em Fort Lauderdale, a 1 hora de Miami. O embarque foi às 9h, e demoramos umas 2h pra chegar à Grand Bahamas, de onde pegamos uma excursãozinha para uma praia que não lembro o nome.

Passamos o dia na vida mansa da praia de poucas ondas e águas transparentes.

Fiquei meio decepcionada com Bahamas. Achei que fosse mais bonito. Mas culpo a praia. Não tivemos muita escolha… Era essa praia ou um cassino ¬¬

Foi um dia bem agradável.

Voltamos para Miami e chegamos ao albergue em tempo de dormir o sono merecido.

24 de março – 

Passar o dia todo passeando com a Thais. Foi uma delícia. Ela nos levou pra conhecer quase toda a costa de Miami, fomos a Outlets – fiquei ENCANTADA. Pela primeira vez na vida entendi porque as pessoas viajam pra comprar. Outlets são um sonho. UM SONHO. Comprei tênis de U$ 20 dólares, comprei óculos escuros de R$ 30 – almoçamos Mc Donalds, fomos à praia no distrito de Aventura e assistimos um casamento na praia. Foi um dia delicioso, cheio de aprendizados sobre os norte-americanos, a língua inglesa e talz.

 Na inauguração de um novo Mc Donalds, pagando de americana obesa – hahahahah

Ó lá o casamento na praia.

Nos enxotaram sem dó da praia que é PÚBLICA, mas beleza, ficamos assistindo. Foi fofo. Quase chorei.

A noite, fomos a um shopping ao ar livre e… tchãnãnã… a um CASSINO!

Perdi meu U$ 1  na velocidade da luz, mas foi divertido.

Depois a Thais nos levou pra tomar o sorvete mais obeso que já tomei, numa tal de COLD ROCK sorveteria. Delícia. Foi nosso jantar.

Mais tarde ela nos deixou no albergue e assim acabaram nossos dias em Miami.