30 horas em Dubai (2015)

Com tantas expedições vapt-vupt mundo a fora (como 2 dias no México, 1 dia na Turquia e 2 dias na Romênia, 3 dias entre Israel e Jordânia…) , a magnânima Dubai, nos Emirados Árabes, não poderia ficar de fora do meu complexo mapa mundi de viagens – que é vergonhosamente ocidentalizado, dá uma olhada:

Screen Shot 06-16-15 at 02.12 PMComo podem ver, Dubai é o pontinho mais oriental do meu mapa. Nunca cheguei tão perto da Índia e da China. Quem sabe um dia.

Essa foi mais uma viagem louca paitrocinada (patrocinada por papai) – que me acompanhou na jornada em Dubai. Em seguida, fui a Paris visitar meu primo, mas essa é história para outro post. Foco no Oriente Médio!

29/30 de abril

Um dia dedicado a aviões. Sem brincadeira. Fomos pela Ethiopian Airlines (MUITO mais barata), só que incluía escala no Togo (!) e conexão em Adis Abeba (capital da Etiópia). GRAZADEUS SANTÍSSIMO a Ethiopian parou de fazer escala no Togo dois ou três dias antes da nossa viagem, nos poupando horas de vida que seriam gastas em aeroportos e aviões. Ainda assim, foi tenso. O voo tava meio vazio, a poltrona entre papi e eu ficou vazia, então foi mais ok. Além disso, a Ethiopian é a única companhia não-asiática que usa o avião Dreamliner. Manjo nada de aeronaves, mas essa é sensacional! Foi projetada para oferecer mais conforto aos passageiros, de modo que o ar condicionado não resseca tanto o ambiente, é preparado para tremer menos durante as turbulências e as janelas são maiores e sem persianas – durante o dia, o passageiro ativa um controle que escurece a janela. Muito louco!!! Se estiver interessado no assunto leia mais aqui.

Saímos de São Paulo 0h e pouco da madrugada do dia 29 para o dia 30 de abril. Só chegamos a Dubai às 4h da manhã do outro dia (1º de maio). Isso porque:

1- Cruzamos a fucking África inteira, de oeste a leste;

2- A conexão em Adis Abeba (cujo aeroporto é SOFRÍVEL) atrasou mais de 1h e foi uma bagunça, ninguém respeitando nada, nego tudo se empurrando para entrar no embarque;

3- O trecho Adis Abeba-Dubai daria umas 3h em condições normais. Mas o Iêmen tá em guerra, sob ataques aéreos e talz, de modo que todas as rotas que passam pelo país são desviadas. Assim, nosso vôo “ganhou” mais 2h. Delícia. Olha só a rota para não passar pelo Iêmen, que doideira:

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O problema é que tínhamos um tour marcado já para às 7h da manhã. A ideia era ir para o hotel dormir um tico, tomar um banho e sair. Só que não contávamos com a fila de quase 2h na imigração em Dubai. O controle de passaporte estava ABARROTADO de gente, e a fila não andava. Um tormento.

Detalhe: para entrar em Dubai é necessário um visto. Quem vai pela Emirates, a companhia oficial dos Emirados (dãr), paga U$ 50 no visto de entrada única; quem vai por outras companhias, morre com quase U$ 200 (nosso caso). Além disso, você pode pagar um “extra” para ir à fila “fast”. Ou seja: a burocracia no controle de passaporte e as longas filas são financeiramente interessantes.

Isso já dá uma dica do que é Dubai: o triunfo do dinheiro. Quem tem se dá bem. Quem não tem…

1º de maio

Fomos de táxi até o hotel, que era na parte mais periferia de Dubai. Uma região onde moram imigrantes, principalmente indianos e paquistaneses, que são as duas nacionalidades mais comuns entre imigrantes nos Emirados Árabes – embora a riqueza e necessidade de mão de obra barata tenha trazido levas de imigrantes de mais de 60 países!!!

O hotel, mesmo na “perifa”, era bem bacana, com banheira e tudo. Gateway Hotel. Duas pessoas, duas noites, café da manhã, transfer para o aeroporto e tinha até piscina (que nem deu tempo de olhar)… 450 AED (o AED, em relação ao dólar, é tipo o real. Algo em torno de 1=3). Isso é um bom preço, juro!

Foi o tempo de fazer check-in, tomar uma ducha e ir para o saguão esperar o guia do primeiro tour do dia: Bedouin Breakfast at the Desert, comprado pelo site Viator por um valor que desconheço – até porque a excursão não existe mais no site.

Fomos meu pai e eu e um casal inglês. 1h de estrada num carro com ar condicionado a pico até a entrada do Dubai Desert Conservation Reserve, um pedaço do Deserto dos Arábias. Eram 8h e pouco da manhã e eu ainda não tinha sentido o tão famoso calor de Dubai.

No caminho até lá, passamos por hordas de cáfilas (Google acaba de me informar que essa é a palavra para coletivo de camelos).

O guia nos explicou que corrida de camelo é o esporte oficial dos Emirados Árabes. Todo mundo que se preza cria camelos e está sempre comprando mais. A preço de ouro, claro. Alguns valem centenas de milhares de dólares.

Chegamos enfim à entrada do deserto e o guia nos vestiu à caráter:

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Além de ficarmos charmosos, os panos são essenciais para nos proteger do sol forte do deserto e evitar desidratação, queimaduras e coisa e tal.

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A primeira parada foi no acampamento beduíno. Por mais realista que seja, vale dizer: não existem mais nômades nos Emirados Árabes. Todo mundo enricou e mora em belíssimos e luxuosos apartamentos com ar condicionado na zona urbana…

Triunfo do capitalismo sobre as culturas primitivas…

À entrada, havia um homem preparando um dos quitutes que seriam nosso café da manhã. Uma espécie de panqueca de zaatar, aquela erva árabe.

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Na foto abaixo, a tal panqueca de zaatar está à direita da cumbuca. No meio, uma espécie de miojo doce (?) e no canto esquerdo, uma panqueca americana, sem qualquer charme.

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Havia um beduíno nos recepcionando. Ele respondeu perguntas do público (nós e vááários outros grupos) sobre a cultura dos beduínos e a vida em um dos lugares mais ricos do planeta.

O beduíno era bem para inglês ver e mais parecia personagem de humor tosco. Mas falou umas coisas interessantes, sobre como o governo paga TUDO – habitação, saúde, educação, lazer…; sobre poligamia; sobre não existirem mais beduínos nos EAU, apenas porque a vida na cidade é muito mais prática e cômoda. Não podemos negar, né…

No final, sessão de fotos. Aproveitei e fui também:

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Depois dessa sessão “entrevista com o árabe”, mais uma atividade bem turística: passeio de camelo.

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Só uma voltinha pelos arredores do acampamento, para tirar fotos e sentir o drama da altura do bicho. Mas valeu a experiência.

Próximo destino era um passeio pelo deserto num jipe sem cobertura. Eram umas 10h e o sol castigava. Calor forte e sol a pico. A burca foi mais importante do que nunca.

Demos uma volta na reserva vendo aquele areal sem fim e os bichos do lugar. Obviamente a maior parte dos animais (cobras, insetos, roedores) passa o dia em tocas e sai para se alimentar a noite. Durante o dia, o deserto é ocupado pelos Órix. Esses bichos fofos aqui:
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Também rolam umas aves de rapina, mas não vi nenhuma 😦

Eram umas 11h quando voltamos ao hotel. Ainda tava rolando café da manhã, e não pensamos duas vezes: nosso almoço seria a rebarba do café da manhã.

Descansamos duas horinhas antes do próximo passeio: Half-day Dubai city tour.

Em um ônibus com ar condicionado no talo, rodamos até Jumeirah Beach, a praia chique de Dubai. Na região estão vários dos hotéis-ostentação de que tanto ouvimos falar: 6 estrelas, com teto de ouro, pedras preciosas e tal.

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Bem bonita a praia. Com aqueles 43ºC a sombra (que sombra?), dava uma vontade louca de entrar… Inveja dos banhistas.

Ah, os banhistas: sim, Emirados Árabes são muçulmanos, mas os frequentadores dessas praias são em sua maioria ocidentais cheios da grana. Não rola fio dental, mas também não tem ninguém de burca na praia…

Do outro lado, o destaque da paisagem é para o Burj Al Arab (burj em árabe = prédio):

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A “abinha” no topo direito do prédio é um restaurante… De lá dá pra ver a “The Palm”, a ilha artificial que forma uma palmeira – vocês sabem…

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Imagem do Google Earth. Não tive o prazer de ver esse engenhosidade humana…

Próxima parada:

uma das maiores mesquitas dos Emirados Árabes, a Jumeirah Mosque:

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Só demos uma volta ao redor dela… Estava fechada 😦

Em seguida, fomos ao incrível Museu de Dubai:

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O museu fica no Forte Al Fahidi – a estrutura mais antiga da região, construída em 1799. O local abriga uma coleção interessante que mostra a estratosférica mudança de Dubai: de uma vila beduína a um centro global de comércio, finanças e turismo.

Há canhões, barcos de pesca, tendas beduínas e representações da vida de antigamente. Há espaços que mostram a vida tradicional em casa, na mesquita, no deserto e no mar. Há vídeos, fotos e documentos mostrando a transformação da área. Vale a pena!

Próximo destino: Deira Spice Souk. Para isso, atravessamos o canal de Dubai de barquinho ❤

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Louco como o horizonte é todo misturado: vários prédios espelhados chiques e várias construções tipicamente árabes.

O Deira Spice Souk é mais um dos famosos mercados que toda cidade árabe possui.

Temperos, incensos, bugigangas, roupas… Tem de tudo ali, e desperta todos os nossos sentidos: é tudo tão colorido! Tão vivo! O povo gritando tentando vender. Os cheiros das pimentas, dos temperos, das plantas. As cores das lanterninhas. Os sabores das coisas que nos dão para experimentar. Incrível.

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Tem de tudo aí: frutas secas, canela, pimenta e zilhões de coisas que não faço ideia.

Em seguida fomos ao Mercado do Ouro de Dubai, ou Gold Souk.

Bizarro.

Várias ruas dedicadas ao comércio de ouro e pedrarias. E as vitrines das lojas, minha gente? Tipo isso:

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TUDO OURO.

Bem assustador pensar que só essa vitrine compra o meu prédio inteiro.

As estimativas são de 10 toneladas de ouro passando diariamente pelo Dubai Gold Market.

E esse foi nosso destino final no city tour. Deu bem pra ver o básico…

Voltamos para o hotel.

A região em que estávamos só tinha restaurantes indianos e, como não curto curry, convenci papi a procurarmos outro restaurante para jantar. Infelizmente nada árabe, mas nos indicaram um com frutos do mar fresquinhos e bem perto: o Golden Fork.

Foi uma sucessão de más escolhas. Meu prato era grande demais e tudo era empanado. Um erro, mas, fazer o quê…

Screen Shot 06-16-15 at 02.00 PM 001Ao menos era tudo fresco, né? Os camarões, as lulas, o caranguejo inteiro (!), o filé de peixe, as ostras…

Voltamos para o hotel destruídos como poucas vezes na vida. Só lembrando: 30h de aviões+aeroportos e 2 city tours, tudo isso com quase zero intervalo para descanso. Pesado.

Pior meu pai: eram umas 21h e o voo dele de volta ao Brasil (via Adis Abeba) era daqui algumas horas. Ele saiu do hotel 1h da manhã, tendo dormido menos de 3h em 2 dias e pronto para encarar mais 20 e tantas horas de avião… De modo que ele não passou nem 24h em Dubai! É, tem gente que é louca, mesmo…

2 de maio

Papi foi embora, mas eu ainda tinha uma manhã inteira sozinha em Dubai antes do meu voo para Paris (via Adis Abeba), às 17h.

Dormi bem, tomei café da manhã tranquila e, seguindo as instruções da moça do guichê de turismo do hotel, foi ao Burj Khalifa, a maior estrutura já construída pelo ser humano.

Fui a pé até o metrô – forma mais fácil e barata de chegar ao prédio. Mas não foi agradável, pois: eram 7h da manhã e o sol já rachava; eu era A ÚNICA MULHER DESACOMPANHADA E SEM BURCA NA RUA. Mesmo estando vestida ~decentemente~ (calça, camisa cobrindo braços, nada de decote) todo mundo me olhava com estranheza. Os homens locais pior ainda: é um misto de luxúria com um olhar acusatório de “mulher desacompanhada sem burca = puta”. É horrível. Desaconselho fortemente mulher viajar sozinha ao mundo árabe.

Minhas experiências do gênero foram na Jordânia e nos Emirados Árabes – países acostumados com ocidentais e tidos como os mais liberais do mundo muçulmano. Em ambos, me senti mal. Não consigo nem imaginar ir para Irã e picos do gênero. Aliás, esse choque cultural + o fato de ser mulher sozinha é uma das milhões de razões pelas quais meu mapa é tão ocidentalizado. Tô de boa de ir pra China ou pra Índia sozinha…

Enfim:

fui no vagão das mulheres no Metrô – todo mundo respeita e segue a risca.

A estação de metrô cai dentro do shopping, o Dubai Mall – o maior do mundo (claro, em Dubai tudo é maior/melhor/mais caro do mundo). Demorei quase meia hora para achar a entrada do Burj Khalifa, afinal, 8h da manhã ainda tava tudo fechado no shopping…

Como fui bem cedinho, comprei fácil e não peguei fila para subir os 147 andares do prédio – que tem mais do que isso, mas, $$$, né.

No entanto, sempre aconselham comprar com antecedência. Até porque é mais barato. Em todo o caso, eis o link.

O Burj Khalifa tem 828 metros de altura e 160 andares. A aventura já começa no elevador… Dá frio na barriga de tão rápido, e é todo tecnológico, cheio das luzinhas…

Chegando lá em cima, esse é o visu:

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Uma cidade enorme e rica construída no meio do deserto. E o mar do Golfo Pérsico.

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#Ostentação

Rola uma área interna e uma área externa. Aguentei poucos minutos na externa: calor do inferno + sol a pico + altura (o que torna ainda mais quente): complicado.

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Na entrada, tem uma exposição de fotos contando a história do prédio, construção, fatos e recordes. Bacaninha.

Paguei um pau para essa foto em particular, de algum ano novo:

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Louco demais! Malz aê a sombra… Foto de foto é uma merda.

Esse é o Burj visto de fora: não cabe na foto! Isso porque tirei praticamente deitada!

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Na lojinha (ona, no caso) de presentes, achei essa bolsinha espetacular – não comprei; nunca compro nada.

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Hahahha. Van Gogh se revira no túmulo!

Meu plano era voltar para o hotel 11h, tomar um bom banho, descansar um pouco e ir para o aeroporto. Mas como ainda eram 9h e pouco e eu estava dentro do maior shopping center do mundo, pensei: porque não?

Eu odeio shoppings. ODEIO. Não sou a turista consumista – nunca compro NADA. Mas, gente, que shopping! O lugar tem uma área externa linda, com fontes de água, bares, restaurantes, hotéis… E dentro mais de mil lojas (dentre as quais uma das Havaianas, claro). Dei uma rodada descompromissadamente, sem entrar em nenhuma loja. Claro que todas as grifes estavam lá. Me espantei com essa loja aqui:

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Que horror de nome, gente! “NÃO DO BRASIL” (?????)

Mas o que me chocou de verdade nesse shopping não foram as mais de mil lojas ou o tamanho, mas o tipo de coisa que tem lá dentro, tipo:

Arena de Hockey:

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Um esqueleto autêntico de um dinossauro na área dedicada às coisas árabes do shopping:

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Um aquário com arraias e tubarões:

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QUE DOIDEIRA!

Voltei para o hotel – novamente a péssima sensação de ser mulher em um lugar mega machista.

Tomei banho e fui pro aeroporto. Tinha uma arte do Romero Britto bem na entrada! hahaha

Tava cedo, então dei uma volta pelo freeshop, comprei um sanduíche para almoçar e fiquei esperando meu voo para Adis Abeba (+5h para Adis Abeba, 2h de conexão e +7h até Paris, argh). Grazadeus o primeiro voo estava vazio – tanto que escolhi uma janela da hora para ver uma decolagem incrível:

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O Burj Khalifa lindão lá no fundo, ao por do sol ❤

Faltou: ver a The Palm (a ilha-palmeira), entrar no mar, ir a um parque aquático. De qualquer forma, acho que minhas 30h em Dubai foram muitíssimo bem aproveitadas, não? 🙂

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Oriente Médio 2012 – Israel e Jordânia

Me meti a fazer uma viagem para o Oriente Médio no meio de [mais] um grande conflito entre Israel e Palestina. Antes que perguntem: não vi nada de estranho, além do grande número de militares fortemente armados em Jerusalém (dizem que é normal) e, no sábado, ouvimos sirenes anunciando possível ataque de bombas. Rolou friozinho na barriga, mas nada afetou a viagem, só deixou a galera no Brasil preocupada.

A verdade é que o povo do Oriente Médio está acostumado a viver sob constante tensão. Conflitos fazem parte da história deles. No Brasil, é o contrário. Não conhecemos guerra.

Enfim.

Essa viagem foi entre 15 e 20 de novembro, parte dela em companhia do meu pai (que, mais uma vez, pagou boa parte, entre passagens aéreas, hotéis e passeios), começou e terminou com voos longuíssimos e quebrei todos os recordes de tempo sem dormir.

Só lembrando: sou ateia, mas fascinada por expressões religiosas. Meu pai também. O intuito da viagem era sociológico e antropológico, por tanto.

Vamos à viagem.

15 de novembro – 

O voo da Turkish para Istanbul (onde faríamos conexão para Tel-aviv) saia às 5 da manhã, o que inviabilizou uma noite de sono. Depois de trabalhar o dia inteiro, cheguei em casa, arrumei “malas”, ou melhor, minha mochila velha de guerra com três camisetas, underwears, calça legging, blusa e coisas de higiene – vocês não imaginam o tempo que ganhamos em uma viagem curta quando não despachamos bagagem! – e 1h fomos pro aeroporto.

Vôo lotado, totalmente diurno. Não foi fácil.

Cruzando o deserto do Saara!

Pousamos na Turquia e fomos atrás de um hotel para passar a noite. Nossa conexão era só no dia seguinte.

Não consegui dormir direito. Meu pai roncava feito porca grávida e minha mãe ficava mandando mensagem falando pra gente não ir pra Israel porque ia ter guerra, daí deu medinho e fiquei caçando matérias na imprensa. A situação era ruim, mas não era pra tanto.

16 de novembro – 

O vôo para Tel-aviv foi rápido. O tal interrogatório tenso na imigração, de que tanto se fala na internet, não foi nada demais. Nos perguntaram para onde íamos, por quanto tempo e como elaboramos o roteiro de viagem (??? INTERNET, ALOU?). Só.

Por 26 shekel cada (a moeda israelense. U$ 1 = 3,8 shekel) pegamos um táxi coletivo para Jerusalém.

Ainda era cedo para check-in no albergue, então deixamos nossas coisas e fomos andando até a cidade velha, cerca de 15 minutos do hotel.

Chegamos lá e encontramos certo caos pelos arredores dos muros que dão acesso à Old City. Maior feira rolando. Era o povo se preparando pro o Shabat, dia sagrado judeu, que começa às 17h de sexta e termina às 17 h do sábado.

Entramos pelo Damascus Gate, que dá direto no quarteirão árabe. A luz estava péssima para tirar foto, então roubei uma imagem do google:

0_Damascus_gate_into_The_Old_City

Ao passarmos os muros, chegamos a túneis CAÓTICOS. Altas vielas que parecem dar em lugar nenhum, encruzilhadas sinistras, apinhadas de comerciantes vendendo de tudo um pouco: tranqueiras pra turistas, coisas falsificadas, roupas (típicas e comuns), brinquedos, comidas, temperos.

Como era véspera de Shabat, tava tudo meio vazio, ou fechando. Não achamos lugar para contratar guia (depois soube que só tem no Jaffa Gate, mas só até 12h, por causa do Shabat), não tínhamos um mapa decente, então fomos andando bestamente pelas vielas escuras.

De quando em quando, passava um grupo grande de turistas e seguíamos, aproveitando para pegar alguma explicação. Foi assim que chegamos às ruínas da Cardo Maximus, a avenida principal de cidades romanas. Um mural atrás de mim representaria a vida à época:

De lá, continuamos andando sem rumo até chegarmos ao Santo Sepulcro. Estava entupido de gente, o que contrastava muito com o resto da cidade antiga, vazia. Centenas de pessoas formavam filas para entrar num mausoléu de madeira, dezenas beijavam, choravam, rezavam sobre uma pedra no chão, outras centenas faziam fila numa escada.

Meu pai e eu boiamos completamente. Por mais que nos interessemos por religião, não soubemos o que significava aquilo, e não havia placas informativas.

Só depois pesquisei o que era o quê. A escadaria dá acesso ao Calvário, lugar onde creem que Jesus e outras duas pessoas foram crucificadas. A Pedra da Unção (local das devoções mais acaloradas que vi, exceto talvez pelo Muro das Lamentações) é onde o corpo de Jesus foi preparado para ser enterrado. O mausoléu tem em seu interior a tumba de Cristo e restos da pedra que acreditam tê-la selado. Também tinham outros trocentos monumentos lá dentro.

De lá continuamos pela parte cristã até cairmos na parte judia – um contraste absurdo com o resto da Old City. Na parte judia há bares e restaurantes chiquezinhos, é tudo limpo, arejado, organizado e sinalizado.

Assim, foi fácil chegarmos ao monumento mais sagrado da fé judia, o Muro das Lamentações.

Mulheres e homens rezam separado, há grades em cada lado.

Acredita-se que o muro seja remanescente da primeira sinagoga.

Sou um ser sem capacidade de sentir lances espirituais quaisquer que sejam, mas a fé dessas pessoas beijando, tocando, rezando na frente do muro é poderosa. Mexe forte com a gente. Fiquei sensibilizada. Tanto que fiquei até meio temerosa de bater foto. Acredito ser muito desrespeitoso fotografar manifestações acaloradas de fé como recordações de viagem. Acho mais válido ficar só na memória.

Só tirei essa foto meio sem graça para mostrar para minha avó, tia e mãe que os papeizinhos com pedidos delas foram devidamente enfiados no muro, junto com outros milhões.

Quanto a mim, me permiti tocar o muro e aliviar minha mente de todo e qualquer pensamento. Não fiz desejos, não agradeci. Só toquei a parede e senti aquela atmosfera densa.

Na parte masculina, pede-se que os homens usem quipá – o chapeuzinho judeu. Para quem não tem, há quipás de papel distribuídos gratuitamente.

Ó papai de quipá:

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Vista do Muro e a cúpula dourada do Domo da Rocha, já na parte árabe. A parte verde alta, ao fundo, é o Monte das Oliveiras (não fomos).

Essa porrada de carros brancos estacionados são militares.

Foto horrível para dizer “EU FUI”.

Voltamos por um caminho que passou pela parte armênia, lotada de lojinhas de vestimentas e comidas típicas. Incrível.

Almocei shawarma de falafel com suco de romã. Shawarma é um sanduíche de pão pita, mais comumente recheado de carne (nosso famoso churrasco grego) ou frango. Falafel é um bolinho de grão de bico delicioso. Para ‘molhar’ o sanduíche, muito iogurte.

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Depois andamos em direção ao Jaffa Gate, até porque tudo estava fechando. Já eram umas 14h e o clima em Jerusalém era de rush, todo mundo apressado para chegar logo em casa. No caminho passamos pela bela Torre de David, mas estava fechada. Uma pena. O visu de lá de cima deve ser único.

Voltamos andando pela Yafo, uma avenidona. Ficamos estarrecidos: tudo fechado! Clima de 1º de janeiro, poucas pessoas perdidas pelas ruas, todas se dirigindo com pressa para algum lugar. Nada de transporte público, nem carros, nem nada. Numa das pouquíssimas lojas abertas, enquanto meu pai comprava um vinho e uma água, eu trocava ideia com o dono: “Que época que vocês escolheram para visitar Jerusalém, hein? Mas não se preocupem, nada acontecerá”, garantiu.

O albergue em que ficamos, Abraham Hostel, é super bem falado pela internet. Inclusive um moço que conheci recentemente me indicou. Só elogios à hospedaria, que tem aquele clima jovem de albergue mas sem ser caótico, que tem um lounge com bar delicioso, que tem uma programação ótima para turistas e que é razoavelmente perto das coisas. Sem dúvida o melhor em que já me hospedei, recomendo do fundo da alma. Meu pai e eu ficamos num quarto privado, com banheiro e uma mina-copa, com frigobar.

Pagamos por 2 noites de hospedagem, com café da manhã, U$ 134.

Melhor: o albergue deu vale-drinque de boas vindas pra mim e pro meu pai.

Umas 19h, já noite cerrada e cerca de 10ºC, saímos em busca de comida. Nada. Há, sim, alguns poucos restaurantes abertos no Shabat, mas ficavam longe. Desistimos e voltamos pro albergue.

Tava rolando jantar de Shabat, mas tinha que ter se inscrito antes. Diante disso, só nos restou apelar pro bar do hostel. Pegamos nossos drinks de boas vindas – cerveja, eu, e vinho, ele, nachos e pita bread com tahine. Misturei nacho com comida árabe, será que é pecado? hahaha

Meu pai vazou e eu fiquei bebendo. Tomei 3 canecas de chopp e ainda me deram de graça um shot de araq, uma bebida do Oriente Médio, a base de anis.

Sei que comecei a trocar ideia com pessoas por perto e logo colaram vários brasileiros. Impressionante, eu os atraio. A menina do bar, inclusive, era brasileira. E colocou pra tocar Claudinho & Buchecha e Los Hermanos. COMO PROCEDER? EM PLENO ORIENTE MÉDIO OUVINDO LOS HERMANOS!

Sei que voltei pro quarto altíssima, mal me importei com os roncos do meu pai e dormi o sono merecido depois de 3 dias inteirinhos só pescando vez por outra.

17 de novembro – 

Acordei revigorada e descemos para o café-da-manhã. O melhor que já tomei em hostel. Simples, mas sem frescura de “1 por pessoa”. Tinha queijo, pepino e tomate (como se come pepino por esses cantos!), suco, geleia, requeijão, nutella, chá, pão…

Umas 9h o guia nos buscou no hostel para o tour por Massada e pelo Mar Morto.

O Mar Morto tem esse nome porque não há vida nele. Recentemente descobriram que, na verdade, há sim um organismo que sobrevive, uma bactéria. Mas o ambiente é inóspito para qualquer outro ser. Isso por causa da alta concentração de minerais. São 29, enquanto, para efeitos de comparação, o Mar Mediterrâneo têm 5.

Os tantos minerais são altamente explorados por Israel, principalmente na produção de produtos de beleza. O Mar Morto tem propriedades medicinais únicas. Ajuda no tratamento de diversas doenças de pele.

Na ida, passamos na fábrica de uma marca de produtos de beleza. Tudo caro.

Um pouco depois chegamos a Massada, uma fortaleza romana construída no século I d.C, e que fica em cima de um morro – chega-se de bondinho, mas os aventureiros e desocupados podem subir pela “Trilha da Serpente” – uma escadaria sem fim.

Vista área de Massada, que roubei do google:

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A fortaleza ocupa todo o planalto do morro. Era uma verdadeira cidade, construída por Heródes, o Grande.

A fortaleza possuia 3 palácios, cisternas com água suficiente para 2 anos, piscinas, saunas… Majestoso define.

Atrás de mim: em cada fileira ficava um tipo de alimento. Era tanto que poderia durar por 5 anos!

Isso sem falar da puta vista incrível do Mar Morto, de um lado, e do desertão da Judeia, de outro:

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A ave preta, que achei que era um corvo, é híbrida – só existe nessa região. O nome é impronunciável. Hebraico é difícil.

O mais legal de Massada, no entanto, é que após a morte de Heródes, o forte foi tomado por um grupo judeu que se estabeleceu por lá com suas famílias. Alguns anos depois, com a iminente invasão romana, o grupo decidiu se matar, para evitar os horrores da guerra (que fossem escravizados, torturas, que suas mulheres e filhas fossem estupradas e afins) e morressem livres e com dignidade. Eram quase 1000 pessoas.

Cada homem matou sua família. Um sorteio definiu 10 homens que matariam a todos os outros. Desses, um foi selecionado para matar os outros nove, incendiar o palácio e depois, suicidar-se. O plano deu certo. Os romanos chegaram à fortaleza, no dia seguinte, e encontraram todos mortos.

Sabe-se da história porque duas mulheres, que não tinham maridos, escaparam, e contaram aos romanos o que havia acontecido. Recentemente, escavações acharam pedras com 10 nomes masculinos. Creem que sejam os 10 remanescentes.

Essa história enche os israelitas de orgulho: dizem que é símbolo de fé e de perseverança.

Depois de almoçar na praça de alimentação que fica na base do morro (tinha até Mc Donalds, que tristeza), fomos para o Mar Morto boiar!

Outra curiosidade do Mar Morto: é o ponto mais baixo da Terra. Está abaixo do nível do mar, a -422 metros de altitude!

Para se banhar no Mar Morto há várias regras. Se desrespeitar, azar o seu. Não devemos molhar a cabeça, muito menos os olho – vai arder. Nada de mergulhar. Um banho com água doce é fundamental logo após sair do mar.

Isso dito, lá fui eu boiar:

Bagulho é louco.

Experiência única na vida. É impossível morrer afogado. Você não boia porque quer, boia porque o mar te obriga. Dá pra ficar sentado. Qualquer movimento é difícil de ser feito, a água é muito densa. E oleosa. Você fica melado.

Se você tiver qualquer pequeno ferimento na pele, vai arder insuportavelmente.

Depois de passar por isso, tem toda a lógica ler na Bíblia que Jesus caminhou sobre as águas.

Além do mar, tem também o lance da lama medicinal.

Há vários baldes com lama. Você vai lá e se enlambuza todo, assim, sem medo. Favor ignorarem as minhas banhas. Sou contra postar foto de biquíni, mas essa é outra pegada. Essa pode.

Depois da lama, uma bela duchada tira tudo. Não imaginei que saísse tão fácil.

Se notei mudanças na pele? A oleosidade sinistra que faz parte do meu ser evaporou. A oleosidade no meu rosto só voltou quando retornei ao Brasil. Também fiquei mais… lisa?

Voltamos ao hotel e tomei uma cervejinha para me preparam para o jantar:

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Delicinha!

Jantamos no Restaurante Arcadia, acho que o jantar mais caro da minha vida. Foram uns bons U$ 250. Foda. Tava ótimo, é claro. Tudo feito com coisa orgânica, entrada, sobremesa, bebidas… Mas nada muito… israelense.

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Umas 21h voltamos pro hotel. Não consegui dormir 1 minuto se quer, até porque meia-noite zarparíamos. Papi de volta ao Brasil, eu rumo à Jordânia.

18 de novembro – 

Cheguei no aeroporto Ben Gurion cedíssimo – a ideia era eu esperar lá, porque o aeroporto doméstico de Tel-aviv provavelmente não tinha uma infra decente. Sentei numa cadeira e tentei dormir. Impossível.

A ideia era passar o dia em Petra, na Jordânia, e voltar a noite, direto para Tel-aviv, e passar o dia seguinte lá. Isso só seria possível indo de avião, então comprei o pacote de day tour em Petra e avião nesse site. U$ 450 a brincadeira. Mas é uma vez na vida. Não achei que houvesse outra oportunidade.

Umas 4h30 da manhã peguei um táxi e fui para o Sde Dov, o aeroporto doméstico, de onde pegaria o voo para Eilat, que faz fronteira com a Jordânia. ESTAVA FECHADO. Rysos eternos. Fiquei 40 minutos num frio absurdo sentada na calçada esperando abrir.

Abriu.

Para entrar no aeroporto – um galpãozinho – teve um questionário foda perguntando minha vida. Equipamentos de segurança que pareciam fazerem tomografia dos nosso pertences.

O avião – um teco-teco a hélice, fofo! – demorou quase 40 minutos para decolar. Chapada de sono, dormi o vôo inteiro, 45 minutos. No aeroportinho de Eilat, um motorista me aguardava com duas alemãs. Ele nos levou até a fronteira, que atravessamos sozinhas.

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Tão fácil entrar, tão difícil sair…

Na Jordânia, o grupo – um casal holandês velho, um casal australiano bem jovem, um americano gordo jovem, dois brasileiros e o guia, jordaniano, nos aguardavam.

O micro-ônibus rodou por pouco mais de 1h, passando por um desertão inóspito, até chegarmos perto.

Atrás de mim, tudo que é marrom faz parte de Petra, a cidade de pedra.

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Petra é uma cidade com arquitetura greco-romana oriental construída inteiramente na pedra, dentro de um grande vale. Foi criada pelos Nabateus (árabes) no século 3 a.C., e foi descoberta por arqueólogos só no século XIX! É porque de longe não dá pra ver, como podemos reparar nessa minha foto acima. Só adentrando o vale e caminhando por lá vamos aos poucos descobrindo os tesouros de várias civilizações que por lá viveram durante séculos – os últimos moradores, no século passado, foram beduínos, até a UNESCO declarar Petra Patrimônio da Humanidade e expulsar a galera de lá.

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Casas, igrejas, tumbas, tem de tudo um pouco aí.

Petra é enorme. Andamos por 4h e não vimos nem metade. Não deu tempo de entrar em nenhum lugar, só ver de longe. Petra continua sendo explorada, é um sítio arqueológico importantíssimo, estudiosos de todos os lugares a visitam. Acredita-se que apenas CINCO PORCENTO da cidade são conhecidos!!!

E tchã-nã-nã-nããããã

O monumento mais conhecido e fotografado de Petra, usado como cenário em Indiana Jones: A Câmara do Tesouro,  Al Khazneh. Não se sabe direito o que ela é: uma tumba, uma igreja, tudo isso?

Mas o mistério maior é como algo construído há milênios – lá pela época de Jesus – é tão perfeito. A simetria, os detalhes helenísticos, é impressionante.

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Não, não andei de camelo. Fiquei com pena. Eles são muito judiados.

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A Cardo Maximus de Petra.

IMG_3876O anfiteatro

Para terminar, uma imagem área que vi num livro:

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Umas 15h30 fomos almoçar num restaurante de comida jordaniana. Estava incluído no pacote. Aquelas coisas de sempre: muito pão pita, tahine, iogurte, pepino, grãos… Ou seja: delicioso!

Daí o guia e o motorista começaram a se desesperar. Ia chover. Muito. A região de Petra inunda com a maior facilidade – é um vale, afinal de contas.

Chegamos a Aqaba, a cidade que faz divisa com Eilat, e nos deram uns minutos para dar um rolê pelo centrinho.

Fiquei assustada. Me perdi do grupo por um instante, e foi atravessar a rua para eu sentir de verdade o clima árabe homem X mulher. A Jordânia é um dos países mais tranquilos em relação a isso, mas ainda assim é chocante.

Já tinha sentido, na trilha de Petra, altos árabes me secando de uma forma nada comum. Já não sou muito de ser olhada, ainda mais daquela forma. Mas até aí, lá tinha muito vendedor e pra vender vale tudo. Mas em Aqaba foi sinistro. Atravessei a rua e TODOS os homens me olharam. E vocês viram a minha roupa: legging preta, blusa preta, tênis. Nada muito absurdo. Sei que você se sente como se estivesse comendo uma banana na frente de uma obra. Não é um lance de admirar mulher bonita. É um misto de estranheza (acho que por estar sozinha) e puríssima luxúria. Fiquei com medo e decidi nunca visitar um país árabe sozinha.

A Jordânia é sunita. As mulheres só cobrem os cabelos, nada de burca. Usam até roupas normais, ocidentais. Então não sei bem o que rola.

Uma curiosidade da Jordânia: 90% dos casamentos são arranjados entre os pais. Oferecem-se camelos e aquela história toda. Nosso guia, Hussein, se casou assim, e diz estar muito feliz.

Tudo lindo, mas queria logo ir pra Tel-aviv dormir.

Ao chegarmos à fronteira, um clima estranho e muitos ônibus de turismo parados. Em pouco tempo vieram nos dizer: Israel fechou a fronteira. Culpam um alagamento. Só abririam na manhã seguinte. Teríamos que passar a noite em um hotel. Com isso, perdi a passagem de volta para Tel-Aviv, gastei U$ 50 na hospedagem no Mina Hotel, sendo que dividi quarto com uma brasileira, a carioca Altaíra, gastei uns U$ 20 no jantar e mais uns U$ 100 no dia seguinte para atravessar a outra fronteira e voltar para Tel-Aviv, mas chegarei lá.

Fudido por um, fudido por mil.

A minha situação, ao menos, não era tão desesperadora. Só perdi dinheiro. E o brasileiro, do Mato Grosso, que ia encontrar os pais (que não falavam nada de inglês) na Turquia no dia seguinte? E as alemãs, que iam voltar pra Alemanha também no dia seguinte? Meu vôo para o Brasil era só às 5 da manhã do outro dia, então não me desesperei.

Fora que eu estava com a minha mochila com tudo, coisas de higiene e roupas limpas, carregador de celular… O povo todo tinha largado as bagagens em Israel. Day tour, quem anda com mala em day tour? Daí lá foi a galera comprar sabonete, escova de dentes, roupa… Que situação!

Fora que a moeda jordaniana, o dinar, vale mais que o dólar. 1 dinar = U$ 1,5 Mais câmbio, mais dinheiro indo pro lixo.

Mas já que estávamos na merda, fomos ao menos curtir a noite em um restaurante agradável quase na esquina. Troço louco: SÓ homens nas mesas e ABSOLUTAMENTE TODOS ELES fumando narguile. Meu grupo (australianos, brasileiros e americano) também quis tentar.

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Amo narguile!

Jantei carne de carneiro com tahine, porque sou a favor de provar as coisas regionais. Tava foda! E para beber, um chá gelado com baunilha MARAVILHOSO.

19 de novembro – 

Acordamos e tomamos o café da manhã do hotel – ótimo. Nos encontramos com o guia, como estava marcado, e soubemos que a fronteira com Eilat continuaria fechada, e que ficaríamos esperando abrir. A cada hora o novo boletim do guia dizia a mesma coisa: vamos esperar até 10h. Depois: até 11h. Depois: até 12h… Daí começou a rolar um desespero.

As alemãs desencanaram da bagagem inteira em Eilat, gastaram U$ 300 cada uma e conseguiram um táxi para levá-las até a fronteira norte, Allenby Bridge, de onde pegariam outro táxi para o aeroporto de Tel-Aviv, tudo para não perderem o voo de volta à Alemanha.

Como nenhum de nós queria nem podia gastar tanto, decidimos esperar.

O guia, vendo nossa frustração, nos levou para dar uma voltinha.

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Triste foi que estive à beira do Mar Vermelho e nem o vi! Se eu soubesse que ia ficar uma manhã inteira em Aqaba, podia ter curtido melhor o dia.

O guia nos pagou um café num lugarzinho bacana e nos apresentou a uma menina palestina linda, ruiva. Não sabia que isso existia. Sempre pensamos em árabes como um povo moreno. A menina, de 16 anos, bem poderia ser, sei lá, escocesa.

Ela não usava véu na cabeça. Nos explicou que era escolha pessoal. E que quando se casasse e tivesse filhos, talvez repensasse. Foda, né?

Às 13h nos arranjaram um ônibus para irmos até a fronteira norte, a mesma que as alemãs cruzaram, já que a fronteira com Eilat permaneceria fechada. Era isso ou cruzar pelo Egito! Imagina.

E daí lá se foram mais 50 dinar (U$ 75) para o ônibus e para a fronteira.

Mas o visual era incrível!

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IMG_3910De volta ao mar Morto, dessa vez do lado jordaniano. Uma linda imagem do sol se pondo.

Chegamos à fronteira e ficamos um século esperando carimbarem nossos passaportes e nos liberarem. E começou a chover. Foi nesse momento, presos no ônibus na fronteira Jordânia X Israel, de noite e chovendo, que o americano falou a frase que marcou a viagem: “Didn’t you all ask for a super hard experience trip? Here you go” hahahaha Morri!

Sei que atravessamos a fronteira e nos separamos do grupo. A outra brasileira e eu pegamos um táxi para Tel-aviv com um casal canadense, porque Tel-aviv era bem perto dessa fronteira. Todo o resto pegou um ônibus até Eilat – SEIS horas de viagem, depois das 5h que já tinhamos feito. hahahaha! Que bacana.

O que me deixou indignada foi a agenciadora dessa viagem, que queria que eu e a brasileira retornássemos a Eilat e pegássemos o avião para Tel-Aviv – para manter o pacote que acertamos. Hahaha, que piada.

Cheguei no Central Hotel às 21h, com apenas um dia inteirinho de atraso! US$ 161.50 por duas noites (sendo que usei por quatro horas! hahahah!)

O hotel na verdade é um albergue, mas com quartos privativos. Quartos? O menor que já entrei na vida, incluindo na conta o de Nova York. Para entrar no banheiro tinha que subir em cima da cama. Mas era limpo e agradável.

Liguei em casa para falar que estava viva e dormi.

Acordei 1h, tomei um belo banho e fui pegar meu táxi na recepção. Nisso, entendi um papo inteiro em hebraico, sinistro. O taxista tava falando que só aceitava shekel (moeda israelense) e o cara do hotel dizia que eu só tinha dólar, daí eles combinaram que eu chegaria no aeroporto e trocaria dinheiro. COMO CARALHOS ENTENDI ESSE PAPO???? Não me perguntem. 

Tava indo embora e o moço do hotel, que era outro do da hora que cheguei, me cobrou minhas diárias, sendo que eu tinha pago na chegada. Pior: eles já tinham cobrado as duas diárias no cartão do meu pai, no ato da reserva, mas o cara da recepção disse que não tinha dinheiro nenhum e que eu tinha que pagar a outra diária. Comecei a ficar irada – até isso dando errado? Daí ele falou NÃO CHORE. Mano, vontade de esmurrar aquele judeu filho da puta.

Sei que com muita discussão ele me deu o cartão do hotel, pra passarmos os comprovantes do cartão de crédito, e eles devolveriam. ATÉ AGORA NÃO DEVOLVERAM NADA, BOOKING DOS INFERNOS.

Fui pro aeroporto pela primeira vez na vida LOUCA de vontade de chegar em casa. Para esse meu Brasil maravilhoso. Patriotismo batendo forte depois de visitar um país mais neurótico que os EUA (ok, entendo o motivo da neura, mas isso não é desculpa), um país que vive em conflito com seus vizinhos, que tem inimigos no mundo.

No aeroporto, passei por 500 revistas e entrevistas para entrar no embarque. Por que Jordânia?, por que entrei por uma fronteira e saí pela outra?, porque Turquia?, o que faço no Brasil?, cadê minha família?, por que sozinha?, quanto ganho?. Revistaram EVERY-FUCKING-SINGLE-ITEM da minha bagagem. Passaram coisinhas nos meus sapatos para identificar sabe deus o quê. Já tava tão fudida, puta, faminta e cansada que nem me importei. Nem me estressei. Atingi um nível de calma estranho, depois da quase explosão com o recepcionista do hotel.

Depois dos trâmites de segurança (meu pai não passou por nada disso. É sempre aquilo: brasileira, jovem, sozinha SÓ SE FODE), dei um rolê pelo incrível free shop do Ben Gurion, que se diz o maior do mundo. É de fato grande. Comprei uns creminhos para dar de presente e chocolate.

Depois fui jantar:

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Falafel com tahine, berinjelas e cerveja. EU MEREÇO nível um milhão.

20 de novembro – 

O voo entre Tel-aviv e Istanbul estava completamente vazio. Me estiquei na poltrona tripla e dormi. Acordei pousando em Istanbul. Tudo nublado, não vi nada da cidade.

Nem deu tempo de passear pelo magnífico aeroporto de Istanbul, que tem uma loja de coisas típicas foda. Já embarquei direto naquele voo entupido de brasileiro classe média descobrindo o mundo. Nada contra. Mas o brasileiro tá de fato viajando, viu. Pelamor.

Interessante dessa viagem é que perdi meu medo de turbulências. Altas turbulências no meio do oceano, e eu nem me importei. Antes eu ficava gelada, apertando a cadeira com força. Mó cagaço. Mas passou.

Pousei em Guarulhos 19h e pouco, estraçalhada de cansaço. A imigração não foi tão demorada. Peguei o ônibus pro Tatuapé, de lá peguei metrô e cheguei em casa 21h e pouco.

Foi isso.

EUA 2012 – parte 3 – Nova York

E chegamos à parte final desse longo post e dessa deliciosa viagem, iniciada em Miami, continuada em Orlando e terminando em Nova York, meu objetivo primeiro, embora a viagem inteira tenha sido ótima.

Chegamos à Nova York pelo aeroporto JFK. Primeira coisa notada: ROMERO BRITTO. O aeroporto tem ilustrações e esculturas do pernambucano por tudo que é canto. No centro do Desembarque havia uma enorme “big apple” com texturas do artista. Aliás, em Miami, há várias lojas com objetos a la Romero Britto, e até personagens da Disney. Tá com tudo o cara.

Fomos procurar transfer para o hotel (U$ 25 cada, mais ou menos), mas nos indicaram um táxi: como estávamos em 2, seria vantajoso, além de mais confortável e rápido. Na realidade, custou U$ 50. Mas a rapidez compensou. Além de que andar nos famosos  e tradicionais táxis amarelos é uma parte importante da cultura novaiorquina.

NY estava gelada. Coisa de 5ºC, tempo fechado e ameaçando chuva. Ainda assim, apaixonante.

Chegamos ao albergue de tardinha. O HI NY é muito bom. Um dos melhores em que já fiquei. Localizado em UPTOWN, lá pela 103 th street (mas isso não é tão longe como parece). O quarto – premium, para 6 pessoas, misto, com café da manhã incluído – custou U$ 245,00 por pessoa, para 5 noites (NY é muito cara, gente). O banheiro era fora do quarto, mas de ótima qualidade. Assentos de privada descartáveis, secadores nos banheiros, boxes sempre limpos, com sabonete líquido. Aliás, o hotel inteiro era limpo, agradável e aconchegante. Não chegamos a participar de nenhuma atividade promovida por eles (tinha coisas incríveis, incluindo gospel no Harlem, mas a Pri não quis ir =/), mas percebe-se que eles são muito organizados e preocupados com nosso bem estar. Além disso, os funcionários também eram super prestativos.

Largamos nossas coisas e fomos dar uma volta pelos arredores. Pensamos em ir até o Central Park, mas erramos o caminho e acabamos em outro parque, o Riverside Park. Ó que coisa mais novaiorquina gostosa, minha primeira foto por lá:

Andamos um pouco no parque e daí começou a chover. Já estava anoitecendo e resolvemos ir para o albergue, comer alguma coisa e dormir cedo. Uma ótima escolha.

Para nosso tour por Nova York, compramos o City Pass. Já tinha utilizado o livrinho de vouchers em Toronto (Canadá, 2004), e gostei da ideia. Como primeira visita à cidade, e poucos dias disponíveis, o livrinho ajuda a organizar nosso tempo e nossos interesses. Além disso, as filas são menores e, geralmente, o preço vale a pena. Por U$ 72 por pessoa, tínhamos 7 ou 8 atrações, entre museus e passeio a Statue of Liberty. Inauguraríamos o livrinho no dia seguinte.

2 de abril – 

Depois de um café-da-manhã com bagel, chocolate quente e banana, pegamos o metrô e fomos até a famosa Times Square. Nos perdemos um pouco para chegar até a lendária esquina, mas foi bom. Olha só na frente do que tirei foto:

Sede do The New York Times 🙂

Também entramos em lojinhas e grandes lojas, tiramos fotos na entrada do museu de cera Madame Tussaud (não rola gastar U$ 40 pra entrar, gente), e com o cartaz do musical de Mary Poppins:

Até que, eis a Times Square, cheeeia de turistas, moradores, trabalhadores, gente do mundo:

Continuamos passeando até nos depararmos com uma fantástica e enorme loja da MM’s. TRÊS andares de produtos da marca, além de todos os tipos e cores de mm’s possíveis.

Saí de lá com MM’s de coco, de amêndoa, mentolado, de frutas vermelhas… Paraíso dos gordos. Incrível ♥

Rumando ao 30 Rockfeller Center, ainda passamos pela loja da Nintendo World – o sonho dos nerds, viciados em games e tal – que não despertou grandes paixões em mim, ainda que eu entenda o apelo, curti mesmo foi o segundo andar, onde rolava uma exposição da história da Nintendo – a evolução dos consoles, do Mario Bros., do Donkey Kong.

E a famosa pista de patinação no gelo, na frente do Rockfeller Center? Queria ir, mas era caaaro e estava sempre cheio!

Enquanto não dava nosso horário para subirmos ao Top of the Rock (o topo do 30 Rock), almoçamos pizza, tomei um Starbucks e entramos na esplêndida catedral neogótica de St. Patrick’s.

E os seriemaníacos, tão na área? Reconhecem essa imagem? 😉

Finalmente, hora de admirar NY no Top of the Rock!

E não podíamos ter escolhido um dia melhor. Claro, azul e sem névoas. Perfeito! E soltem os cabelos!

Ó o Central Park dominando a cena. E o rio Hudson.

Do outro lado. No cantinho superior direito vemos a ponta do Empire State, nossa próxima parada!

Ok, na verdade, nossa próxima parada foi a loja da Lego World. Depois, mil lojinhas de souvenirs, entre as quais, achei essa preciosidade:

Chegamos ao Empire State no lusco-fusco. Achamos que seria uma boa ideia matar os dois passeios panorâmicos no mesmo dia, e aproveitar que era segunda-feira (e a esperança de menos filas). RIGHT. Saca só a entrada do Empire State pra turistaiada ir no topo:

O INFERNO NA TERRA. Ficamos mais de 2h na fila, anoiteceu, batemos papo com brasileiros, brigamos com adolescentes americanas fura-filas e, horas depois, fomos ao topo do Empire State.

UM FRIO DO CAPETA.

Isso é tudo que consegui com uma câmera nada ideal para fotos panorâmicas noturnas e tremendo de frio.

Cinco minutos depois estávamos de volta ao saguão.

E nisso já eram umas 21h. Pegamos o metrô e, quando vimos, nossa única opção de jantar era Mc Donald’s. E assim foi.

3 de abril – 

Depois do café-da-manhã, fomos andando até o Museu de História Natural de NYC.

1º: indignação. Que porra de mapa sulamericano é esse? Desde quando o Brasil inteiro é dominado pela Amazônia? Hello, geografia, prazer.

Tirando isso, foi muito legal ver um dos maiores acervos de esqueletos de dinossauros do mundo:

Mamute e eu

Saímos do museu e fomos andar no Central Park, aproveitando a tarde linda que fazia.

Também visitamos o cantinho que é uma homenagem a John Lennon, o Strawberry Fields:

E, claro, passamos na frente do The Dakota, onde John Lennon foi assassinado há mais de 30 anos.

Depois de jantar Subway e voltar ao hostel, descobri que tinha perdido meu NY City Pass. Azaaaaaaaaaar. E descobri que não tinha como pegar outro. Me fodi bonito. Mas a gente pensou num esquema para eu não me foder tanto, e deu certo, no fim: iriamos nos museus em dias em que a entrada é mais barata; e uma alemã do nosso albergue me disse que no MOMA ela conseguiu pagar meia só com o boleto da faculdade, provando que é estudante. E todo em alemão. Como eu tinha levado pros EUA comprovante de matrícula da USP (com medo da imigração), pude aproveitá-lo.

4 de abril – 

Acordamos cedinho para ir à Estátua da Liberdade. O dia estava azul, agradável e lindo. Mas a fila para os barcos que vão até a ilha onde está a estátua era assustadora. Algo em torno de 2h. Mas fazer o quê, né…

Na fila, demos uma de americanas e comemos um pretzel bem gooooordo e grande:

O passeio de barco tava incluso no city pass, mas como perdi os vouchers, tive que comprar. Sem drama: custou U$ 13, só. Incluindo ida e volta e parada no museu da imigração da Ellis Island.

Bom, a primeira percepção da estátua da liberdade é a seguinte : QUE PEQUENA.

Nós, acostumados com a imponência do Cristo Redentor, nos impressionamentos com a Estátua da Liberdade, que tem mais nome que tamanho.

A volta pela ilha é bem rápida. Parando para tirar mil fotos, não dá mais de meia hora.

Mas o legal mesmo da ilha é a vista do skyline de Manhattan –

E as frondosas árvores floridas, na própria ilha – 

O museu da imigração é bem interessante. Mostra como a galera se ferrava na chegada aos Estados Unidos – ficavam em quarentena em verdadeiras prisões, eram catalogados como animais, coisas assim.

É bem deprimente, mas é história viva. É o sangue que ajudou a construir os Estados Unidos.

Olha um esquema de como era a inspeção para entrar nos Estados Unidos –

Ao voltar para NYC, já no finalzinho da tarde, resolvemos visitar o Memorial do 11 de setembro. No lugar das torres destruídas pelo atentado, fizeram uma fonte com o nome de todos os 10 mil e tantos mortos. Impactante.

Mas sabe a grande escrotidão? A MEGA RÍGIDA segurança ao redor do memorial. Passamos por raio-x, apalpações, uma fila quilométrica pra ver a porra da fonte.

Uma paranóia fodida. E irritante.

Próxima parada: metrô.

No caminho, nos deparamos com uma lindíssima igreja no melhor estilo história de terror, com cemitério do lado e tudo:

Na igreja estava começando uma missa. E tinha canto gregoriano! Incrível!

Depois fomos bater perna pela Times Square e entrar em lojas. Sephora, Victoria Secrets, H&M e tantas grifes que fazem os consumistas – not us – pirarem.

Impressionante como as coisas são baratas.

Comprei S-E-T-E produtos da Victoria Secrets, entre sabonetes líquidos, hidratantes, gloss e talz, por U$ 35! Coisa linda.

Começo a entender gente que viaja só pra fazer compras, viu.

Jantamos fast food vagabunda em um muquifinho da 6th avenue.

5 de abril – 

No nosso penúltimo dia em NYC, decidimos fazer um mega combo, incluindo zoológico, almoço bom (pra variar), MOMA e Broadway.

Começamos com o zoológico do Central Park. Pequeno, mas muito interessante. Rola um ambiente fechado que simula regiões tropicais – e é simplesmente incrível! Uma mini-floresta super úmida, com várias aves tropicais lindas, sapos venenosos, baratas, cobras… E era quente mesmo! Tiramos nossos casacões – tava uns 5ºC na rua – e até sentimos calor.

Na área externa, uma piscina enorme tinha várias focas felizes e saltitantes. Também tinha o tanque dos ursos polares, e tinha um lince maravilhoso 

A loja do zoológico é incrível, bichos de pelúcia de tudo que é animal. Ó que lindo o povão que a Pri viu (mas não comprou):

Depois fomos para a Times Square tentar comprar ingresso para um musical da Broadway. 1h e pouco de fila e conseguimos: U$ 80 dólares cada para assistir “O Fantasma da Ópera”, na mesma noite.

Daí almoçamos no Planet Hollywood. Sempre incrível, com peças, assessórios e roupas usados nos filmes. Já na entrada tinha o clássico vestuário de Charlie Harper (Two and a Half Men) e um enorme coringa (fase Jack Nicholson). Almoçamos bem e seguimos adiante, rumo ao MOMA – Museu de Arte Moderna de NY, sede de algumas das principais pinturas da humanidade, tipo:

“Starry Night”, meu quadro preferido EVER, do Van Gogh;

Persistência da Memória – o quadro dos relógios vazando, do Salvador Dalí (tão pequeniniiiinho o quadro)

Roy Lichtenstein;

Isso sem falar de uma porrada de arte contemporânea bizarra, tipo Marcel Duchamp:

(não curto essa história de pegar uma privada e falar que é arte)…

Vimos tudo super correndo.

Na volta, passamos numa loja fantástica do Lindt, uma das melhores marcas de chocolate do mundo. De falar em Lindt minha boca saliva. É bom demais. Comprei algumas barras bizarras – tinha uma de pimenta (ok) e outra com um leve toque de sal marinho (!!!) que dei pro meu pai e ele A-M-O-U (de fato, era interessante).

Próxima etapa: O FANTASMA DA ÓPERA.

Olha… Muito bonito, mas SOOOOOOOOOOOOOOOOO FUCKING BOOOOOOOOOOOOOOORING. Puta merda, que troço chato.

Primeira consideração: não entendi metade da peça;

Segunda consideração: B-O-R-I-N-G.

(minha tia atriz me deu bronquinha por ter ido no Fantasma da Ópera. Ela disse que valia mais a pena ver Mary Poppins, Rei Leão, qualquer coisa.)

Terminou tardão. Antes de voltar pro albergue mandamos um MC Donalds (é, eu sei).

6 de abril – 

Última dia de hostel. Último dia da Pri em Nova York. Penúltimo dia meu.

Ainda tava faltando irmos ao Metropolitan Museum of Art, e foi nele que gastamos o dia inteiro – deveriamos ter passado uns 5 dias lá, isso sim. Tantas alas que não deu pra ver!

Pinturas, esculturas e objetos que são marcos da humanidade, que que remetem a séculos de descobertas das civilizações oriental e ocidental. Um dos grandes museus do mundo.

Vang Gogh:

Monet:

Peças árabes:

Sala dos tapetes turcos:

Uma ala ENORME e apaixonante do Egito (só não tinha múmia, pena).

Isso sem falar da enoooorme ala greco-romana, das salas com armas medievais (INCRÍVEL), da arte da Mesopotâmia…

É um puta museu. Vale a pena (se você curte museus – eu amo).

Saímos de lá – com muito ainda para ser visto, infelizmente – e fomos comer Cheesecake em uma bakery recomendada pelas nossas roomates alemãs do hostel, o Magnolia Bakery.

Mandei um “Caramel Pecan” dos deuses. Que delícia (pagando U$ 7 dólares o bolinho devia até ser de ouro).

Já no lusco-fusco, voltamos para o albergue para as mudanças de hoteis. Primeiro levei minhas coisas para o Mayfair New York, no coração da Midtown, em plena 49th. A minha última noite foi outro presente do papai. Bom mesmo, porque custou U$ 190 UMA NOITE, sem café da manhã. Falei que NYC é cara, gente.

Os funcionários eram SUPER prestativos, me ajudaram muito com tudo. Mas o quarto era um cubículo, mal coube minha mala. O que importava mesmo era uma cama e um banheiro só pra mim.

Em seguida voltei ao metrô e fui com a Pri para a Chinatown, onde ficava a espelunquinha em que ela passaria a última noite.

No metrô, uma mulher esnobe nos recriminou por estarmos indo com mala e cuia para Chinatown durante a noite. Ótimo, pq a Pri já estava morrendo de medo de passar a última noite lá, e implorou para ficar comigo – além de eu me recusar, o TAMANHO DO MEU QUARTO também recusou. Mas nem em sonho caberíamos nós duas e todas as bagagens no quarto.

Uma vez na Chinatown, jantamos em um asiático por lá, e vejam que coisa, foi a refeição mais saudável em 6 dias de Nova York.

Suco de frutas N-A-T-U-R-A-L (vcs não sabem a dificuldade de se achar um suco natural nos EUA) e uma espécie de yakisoba, só que mais gostoso.

Depois disso voltei para o meu hotel e dormi feliz e contente na minha cama grande, sem roncos, sem bagunças (além da minha), com banheiro só pra mim.

7 de abril – 

Último dia 😦

Acordei bem cedinho para aproveitar minhas últimas horas. Tomei um bom banho e desci pra recepção, onde o moço recepcionista  super atencioso me explicou como chegar até o limite da ponte que liga Manhattan ao Brooklyn – meu programa do dia seria atravessar seus quase 2 km de extensão.

Estava um dia lindo, e acho que metade da população mundial resolveu fazer o mesmo passeio que eu. Com isso, tirar fotos ficava difícil. Verdadeiras multidões passando por tudo que era lado.

Fora que a Brooklyn Bridge tava em reforma. Vários pedaços com tapume, mó triste. Ainda assim, foi um passeio fantástico, até porque gratuito.

Se liga no ‘visu’, que incrível! E no dia radiante!

NYC é só amor ♥

Brooklyn Bridge acá e Manhattan Bridge acolá.

Daquelas fotos que a gente sente orgulho:

Cheguei no Brooklyn e dei um pequeno rolê pelo parque que fica no fim da ponte.

Voltei pra NY e já tinha passado do meio-dia. Meu plano era ir no Museu do Sexo , mas saber que a entrada era mais de U$ 20 e seu acervo não era tudo isso, me bodiou. Acabei só visitando a lojinha. Incrível. Tinha um vibrador de U$ 250 (POIS É) que funcionava ao toque. Tipo, apertar forte, vibrava forte. Incrível. Fora bavárias invenções bizarras e coisas com formatos esquisitos.

Já no caminho de volta descobri uma feira de rua incrível, não lembro se na 6th ou na 7th avenida, sei que tomava quarteirões e mais quarteirões, e vendia desde comidas estranhas, sucos, bebidas, a vinis raros, roupas de brechó… Dava para gastar um dia inteiro.

Voltei ao hotel, peguei as malas e pontualmente no horário marcado pela internet, o shuttle para o aeroporto de Newark foi me pegar.  Cheguei no aeroporto mega cedo: 17h. Meu vôo era só às 21h e pouco. O jeito: conhecer CADA CENTÍMETRO QUADRADO e CADA LOJA do aeroporto – check, depois comer no restaurante japonês do aeroporto, com direito a drinque, e, por último, cervejas na chopperia, do lado do portão de embarque.

E assim terminou minha viagem incrível. =)

Z’Oropa 2010, parte 3 – Reino Unido: Londres, Glasgow e Edimburgo

Alô você, guerreiro que tem acompanhado minhas postagens longuíssimas e nem sempre tão interessantes. Vamos continuar com o relato da minha viagem para a Europa.

De Amsterdã para Londres, tinha resolvido ir de ônibus, vocês devem estar lembrados. No fim foi uma cagada, porque o ônibus era desconfortável, sem banheiro, não podia nem beber água e as polícias de fronteira dos países nos faziam perder muito tempo.

Mas enfim cheguei a Londres, na Victoria Station, que é bem central. A missão agora seria encontrar o hotel do meu pai. Enrolei um bom tempo porque ainda estava cedíssimo, meu pai devia estar dormindo (tempo que usei para terminar de ler “O diário de Anne Frank”). Umas 9h saí arrastando minhas bagagens até achar o hotel, com um mapa na mão (sempre!). Foi tranquilo. Subi no micro quartinho dele, me dei uma rápida higienizada e saí com meu pai pra dar uma volta na cidade.

O céu estava cinza, com umas raras faixas de sol. O vento era cortante. Meu pai já esteve em Londres algumas vezes, então foi ele quem pensou o roteirinho. Fomos andando pelas ruas de Winchester e atravessamos uma ponte. Já de cara, reconheci uma fábrica lá no fundo, sinais da Inglaterra da Revolução Industrial e capa do cd Animals do Pink Floyd. Olhe a foto e compare com o cd. Falta só o porquinho voando:

Continuamos andando pelas margens do Tâmisa, até avistarmos um dos principais cartões postais do mundo:

O Big Ben e o Parlamento! Enfim!

Símbolos londrinos.

Continuamos andando. Fomos até o St. James Park e em direção ao Buckingham Palace. Chegamos lá e uma multidão se acotovelava. Acabamos chegando bem na hora da troca de guarda, super sem querer!

Depois de um tempo, resolvemos ir almoçar. Atacamos de vietnamita!
Comi, viu. E tava booooooooooom! Umas carnes de carneiro bem picantes, um macarrãozinho beeem fininho frito com legumes, chá para acompanhar. Uma beleza.

Voltamos para o hotel dele, pegamos nossas coisas e fomos para o aeroporto: rumo a Glasgow!

O vôo foi o melhor da viagem. Não estava cheio, um vôo de menos de 2h e o serviço de bordo incluia bebidas alcoólicas! Mandei um vinhozinho para aquecer.

O pouso em Glasgow foi bem bonito. O dia estava absurdamente maravilhoso e resplandecia nos morros verdes. A cidade mesmo é bem sem graça. Parece esquecida pelo tempo, sem nenhum charme, com muitos prédios e casas abandonados. Até meio suja (pros padrões europeus de até então, BEM suja).

No hotel – da rede Ibis, enfim –  um banho com B maiúsculo. Quarto gostoso, cama ótima, um banheiro só pra mim (e pro meu pai, mas ainda assim…). I was really missing that.

Fomos jantar num indiano bem bom e CARO na rua mais pop de Glasgow, uma tal de Sauchiehall.

Preciso dizer que o sotaque escocês é um caos. Não entendia lhufas do que diziam.

Ali se repetia um troço estranho que já tinha reparado na Holanda. O pessoal acha que 15ºC são 35º. Te juro, mulherada de tomara que caia curtinho, ou bermudinha e top, homens até sem camiseta bebendo cerveja na rua! E eu de casaco fechado! Tipo, não estava nenhum frio absurdo, as noites do inverno paulista chegam fácil a temperaturas inferiores a 10ºC.

Aí a gente pensa que o inverno desse povo não é de 10º positivos. É de -30ºC. Aí a gente começa a compreender o calorão e a oportunidade de usar roupas curtas.

Quando saímos do restaurante, umas 22h30, surpresa: ainda estava claro! Parecia fim de tarde, umas 5h e pouco no Brasil! Amo verão europeu, definitivamente.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até a estação de trem fazer o que eu realmente queria na Escócia. Conhecer Edimburgo, a capital. Já tinha ouvido maravilhas dos castelos de lá.

O trem, SUPER confortável e agradável, chegou lá em cerca de uma hora. Saindo da estação, um baque: QUE CIDADE MARAVILHOSA. Fui ligar a câmera para tirar uma foto do primeiro monumento que vi, bem em frente à estação de trem, e… pipipipipi – desligou. Sem pilha. Troquei a pilha. Pipipipi. Descarregada. ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! Então, é com muita dor que digo que algumas das partes mais lindas da viagem não têm foto. Mas graças a internet, posso mostrar a vocês que maravilha Edimburgo é.

Como nosso tempo era bem curto (cerca de 2h para conhecer a cidade), optamos por um city tour num desses ônibus de dois andares abertos que tem em tudo que é cidade turística do mundo. Além disso, o dia estava MARAVILHOSO, quente, ensolarado.

Se você é uma pessoa fascinada por história e Idade Média como eu, Edimburgo é um lugar essencial para se conhecer. Mal botei os pés na cidade e já tive a certeza de que preciso voltar lá e conhecê-la direito, como merece.

A cidade praticamente inteira exala a Idade Média. Quase todas as construções datam daquele periodo. E hoje em dia abrigam de tudo um pouco: escolas, faculdades, hotéis, albergues, restaurantes, museus… São tantos, mas TANTOS elementos medievais que a gente nem sabe para onde olhar. É tudo um impacto forte, de tão maravilhoso. Era o tipo de cidade medieval que eu sempre quis conhecer.

Encantada. Abismada. Eu não cabia em mim.

E lá no topo da cidade, o grande castelo, com suas muralhas, várias torres, tudo.

Imponente.

Meu pai e eu optamos por dar mais uma volta de ônibus para ver tudo de novo e com mais atenção, a descer em algum lugar onde teriamos menos de 1h para curtir.

Deu nossa hora. Voltamos para Glasgow. Almoçamos pizza hut \o/. Voltamos pro hotel, banho e rumo show do Paul Mccartney – show que motivou a viagem inteira (inclusive a minha).

O estádio onde seria era na PQP, longe pra cacete. O sol estava queimando a pele.

Entramos e fomos descobrir nossos lugares a preço de ouro. Imaginem o palco. Aí não dêem qualquer espaço entre o palco e o começo das cadeiras. Daí contem 4 fileiras. Era esse nosso lugar. Setor A, fileira D, lugares 7 e 8.  Estavamos tão perto do palco que nem dava para ver o telão –  o que foi uma pena, porque durante a espera rolaram vários recortes de memórias beeatlemaníacas – fotos deles, objetos, matérias de jornal…

Teve uma abertura de uma bandinha X, meio folk, com uma menina no vocal.

E aí começou o show do Paul.

NÃO DAVA PARA ACREDITAR A DISTÂNCIA DA GENTE E DELE! E simplesmente não tinha câmera (malditos adaptadores universais que NÃO funcionam). NÃO.TINHA.CÂMERA.

Pensei que iam tocar várias músicas da carreira solo dele, que não conheço praticamente nada. Mas não: foram 3h de show, com um repertório de algo em torno de 70% de músicas dos Beatles!

Um vídeo do show pra galera, de alguém num lugar nem tão bom como o nosso, mas…

Live and let die, uma das minhas músicas preferidas ever, também não faltou, e foi foda.

E o grand finalle? Entrou uma banda escocesa completa, com gaita de fole e tudo! (Vá direto para o 1min40 do vídeo.)

Foi foda. Um PUTA show. Fiquei encantada com o baterista, um puta negão grandão, que toca seu instrumento com uma paixão arrepiante, coisa bem rara de se ver por aí.  Tocaram várias músicas que eu adoro, algumas que nem gosto tanto… Mas a qualidade do show foi indiscutível.

Pra ir embora do estádio, pensamos que ia ser um périplo. Foi nada! Quase em frente ao estádio, ponto final de uma linha de ônibus que ia pro centro. A fila era enorme, mas em menos de 10 minutos já estavamos no ônibus, sentados. Eles não lotam ônibus urbanos por lá. Sério. Lotavam os lugares sentados, não deixavam mais ninguém entrar.

Pegamos um kebak para viagem e fomos para o hotel. Minha última noite numa cama boa 😦

No hotel, um lance bizarro – obrigada, Murphy. Te devo uma (not).

Meu pai ficou no bar do hotel pra comprar um vinho ou algo para levar pro quarto. Eu já fui subindo. No elevador, um cara com seus 20 e muitos. Bem simpático. Cara de alemão ou algo assim. Perguntou meu andar. third. O dele tb. Fomos andando no corredor. Ambos estavamos beeem no finzão do corredor, com diferença de 1 quarto apenas.

Entrei no meu quarto e já estava com a calça do pijama na mão quando batem na porta. Jurando que era meu pai, berrei: “PÉRAEEEEEEEEEE”. hahaha

Abri. Era o cara do elevador.

“Hello. I was wondering… I don’t know if you’d like a company, but… Would you like to drink some tea in my room with me?” (Oi… Estava me perguntando… Não sei se você quer companhia, mas… Você gostaria de tomar um chá no meu quarto, comigo?)

Hahahahaha. Primeiro: CHÁ. Em que tipo de país orientam os moços a convidar as moças para uma xícara de chá? No meu país, cerveja funciona melhor. hahha
Mais foi fofo.

Segundo ponto: porquê, meu deus. Fiquei QUINZE dias na Europa, apenas 2 com o meu pai. Por quê me aparece um cara fofo me convidando para tomar chá BEM quando estou com o meu pai?

Claro que declinei o convite. Primeiro pela surpresa que me fez agir como uma imbecil de 14 anos que foi “pedida para ficar” (meu deus, tô idosa). Gaguejei um pouco enquanto falava:

Oh, thanks, but I can’t. I’m with my father, he’s downstairs. But he will be back soon. I’m sorry. Good night!” (Obrigada, mas não posso. Estou com meu pai. Ele está lá embaixo, mas volta jajá. Desculpe. Boa noite!)

Explico: não tenho absolutamente nenhum diálogo com o meu pai. Mesmo se fosse uma situação normal. Mas como explicaria para ele que vou no quarto de um cara que acabei de conhecer no elevador para tomar chá?
Fora de questão.

Mas te juro que se tivesse sozinha, não pensava duas vezes.

Comi um pouco do kebab e dormi frustrada. Murphy desgraçado.

Na manhã seguinte, comi um puta dum café da manhã reforçado, tomei um banho e fui pra estação de trem, para voltar à Londres, onde passaria 5 dias enfim só.

Meu pai saiu do hotel junto, mas foi para o aeroporto. Pegou um vôo para Londres e de lá, para o Brasil.

A passagem de trem para Londres era absurdamente cara. O moço do guinchê explicou que tinha que comprar antecipado. Mas eu não tinha muita opção. Avião seria mais caro ainda e nem tava afim de passar mais 10h dentro de um ônibus. Encarei o preço de £ 117 (mais de R$ 300, ó deus) e embarquei no trem.

Umas 4h depois, estava em Londres. Trem rápido (embora não  fosse trem bala) é uma beleza.

Por hora, é isso.
Depois continuo com a última parte do meu relato: Londres all by myself.