Lembram quando eu falei do quanto sentia falta de um pessoal que um dia fora importantíssimo para mim, aqui?
Então. Sexta-feira 13 (aniversário do meu pai, aliás), um componente daquele grupo me ligou, chamando para tomar uma cerveja lá onde eles ainda moram. Nem pensei duas vezes: saí do trabalho, andei uns 20 min até a estação de trem, mais uns 40 min até fazer a baldeação para o metrô – lotado e fedido – , e quase 1h30 depois cheguei lá, no bairro da minha ex-escola, dos melhores amigos que tive na vida, de tanta história e tanta coisa…
Nunca medi esforços pelas pessoas que eu amo. NUNCA.
Fui a terceira a chegar, mas logo foi juntando todo mundo… Um chamou o outro, que chamou o outro… E finalmente, com 3 ou 4 exceções, lá estava o mesmo grupo de sempre, como se tivéssemos todos 15 anos de novo. Olhando eles todos, me deu uma felicidade tão grande… Tirava fotos mentais daquela mesa com todos nós juntos, diferentes de como éramos, mas iguais na essência. Vontade de abraçar todo mundo, de sei lá, de explodir de felicidade. É “amo tanto que até dói” literalmente.
E até expressei bastante o quanto estava feliz de todos estarem ali, aparentemente quase tão satisfeitos como eu. Era quase mágico.
Ok.
O lugar esvaziou, muitos dos nossos foram embora e os remanescentes foram para uma sinuca, meio longe de lá.
Eu amo sinuca. Mas jogo mal pra caralho. Geralmente acerto a bola, mas é só isso, também. Encaçapar é raridade. Uma vez ganhei o jogo, mas foi UMA vez. Na vida. Geralmente irrito meus parceiros, de tão ruim que sou. Até aviso antes de começar que eu sou “café-com-leite”.
Adoro sinuca, mas a maioria das vezes fico deprimida ao jogar, ainda mais com gente competitiva.
Enfim. Joguei pessimamente, foi ridículo. Me senti mal, até porque eles desencanaram do jogo no meio e resolveram começar de novo. Sem mim, lógico.
Enquanto isso, o cidadão que desencadeou aquilo tudo me chamando pro rolê (que, por sinal, foi minha obsessão da juventude) e que foi para a sinuca com a gente, desapareceu do mapa com uma amiga nossa. Ainda enquanto isso, toda a humanidade desejava minha outra amiga (amo ela, mas sair com ela implica em deixar sua auto-estima no chão). E eu lá, praticamente expulsa do jogo de sinuca, sozinha num canto. Não deu outra: me deu uma bad absurda, comecei a chorar por horas e horas a fio até que alguém percebesse. E formou-se a roda de piedade ao meu redor.
Uns achando que era por ciúme do outro que desapareceu com a menina (e só reapareceram para ir embora): CHECK
Uns achando que era uma bad nada a ver: CHECK
Uns achando que eu tava cansada e bêbada demais: CHECK (eram 5 e pouco da manhã)
Juntem mais uns mil motivos bestas, baixa auto-estima, solidão, carência, etc e a receita está pronta.
Eu sou RIDÍCULA. Primeiro: como posso ainda ter ciúme de um cidadão que nunca foi NADA meu, passados quase 8 anos da minha fase de obsessão por ele?
Segundo: POR QUE CARALHOS não fui embora depois do bar? Essas coisas nunca dão certo.
Gastei minha terapia de segunda-feira inteira falando sobre isso. Falei coisas impronunciáveis, mas uma até confesso:
minha vida inteira vi os meus amigos homens, que eu sempre admirei e idolatrei bem mais do que mereciam, dando a maior atenção para as minhas amigas (peitos/bundas/rosto bonito etc), e me tratando como uma X.
Isso cansa.
Queria UMA VEZ NA VIDA que me dessem mais importância, sabe. Até por não vê-los há tanto tempo. Queria UMA VEZ NA VIDA ter mais importância do que um rosto bonito ali, um peitão acolá.
O que vou falar é feio, mas é sincero: Não quero mais dividir meus amigos com elas. Ciúme mórbido, possessão doentia, não me importa. Me recuso a sair com eles de novo para formarem-se panelinhas ao redor das meninas bonitas, e eu sobrar.
Ridículo como tudo me afeta tanto, ainda. E dói. Ainda está tudo fresco. As mesmas crises de ciúme e possessão de coisas que nunca nem chegaram perto de serem minhas.
A noite começou maravilhosa. Um dos melhores momentos do ano aquele bar. Assim como esse outro em que, aliás, eu era a única mulher.
E aí a maldita sinuca estragou tudo.
No dia seguinte entro no Orkut e vejo um depoimento de um amigo falando de como a outra amiga estava linda, e como ela é um doce.
VONTADE DE MANDAR TOMAR NO CU, SABE.
Queria ser anônima, nessas horas.
Eu sei que todos os envolvidos neste post vão acabar lendo, mas isso é bom, porque eu jamais teria coragem de falar na cara deles. E no fundo eles sabem como essas coisas sempre me afetaram e afetarão.
Escrito por anamyself
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