Profissionalmente falando

Sempre reclamei dos meus trabalhos. Vocês tão ligados, né? Reclamava do salário, dos plantões de fim de semana, dos coleguinhas babacas e burros, dos chefes loucos ou estúpidos, da rotina em si. Já reclamei de tudo, e juro que não era a toa.

Inclusive tentei novos caminhos. Fiz alguns meses de cursinho, para ver se meu problema com biologia era professores que não me inspiravam no Ensino Médio. De fato, professores que tem didática e são legais fazem toda a diferença na escola, o que não foi o meu caso nessa disciplina especificamente. Só que no fim das contas eu continuei achando biologia meio chato.

Tentei geografia, cheguei a fazer um ano e meio de graduação desse curso na USP. Não rolou também.

E assim fui pulando de trabalho em trabalho; alguns melhores, outros ruins mas com pontos positivos, outros apenas insuportáveis.

Estou no mercado de trabalho há 8 anos, e já trabalhei em 8 lugares diferentes. Já estive desempregada por 7 meses, também já emendei 2 anos de trabalhos diferentes sem férias. Já trabalhei 8h seguidas com postagens no Orkut, já trabalhei com simpósio de saúde, já trabalhei em eleições, já trabalhei em órgão público, já lidei com o mercado de celulose, já escrevi sobre música erudita, já trabalhei 3 meses seguidos sem fim de semana, já falei inglês e traduzi entrevistas no trabalho, conheci famosos, inaugurei resort, fiz amigos para toda a vida, me diverti muito, odiei muito, chorei muito.

Tanta enrolação para dizer o seguinte: nunca estive tão satisfeita, profissionalmente, como estou agora.

Meu trabalho atual é o que mais chega perto do que sempre quis: não tem pentelhação nenhuma, não dependo de ninguém – é um trabalho totalmente individual, em 6 meses nunca precisei telefonar para ninguém, não há plantões de fim de semana em hipótese alguma e, a cereja do bolo: é um salário excelente, para o mundo da Comunicação.

Não é bem um salário, afinal de contas recebo por publicação. Isso é ruim porque muda muito o valor, tem meses fracos e meses lindos. Sou PJ, não tenho direito a nada. Mas no jornalismo 70% das pessoas tão assim, e ganhando muito menos do que eu (eu tava ganhando meros R$ 2 mil PJ ano passado, para terem uma ideia de que a chapa é quente e o bagulho é louco).

Meu trabalho é o seguinte: eu produzo jornais para empreendimentos imobiliários. Por exemplo, lançaram um empreendimento em Perdizes. Encomendam o jornal, que vai falar bem do bairro, dar dicas culturais e tal, e daí rola uma publicidade do empreendimento. Tipo isso. A distribuição é gratuita, em diversos semáforos pela cidade. As tiragens variam entre 10 e 100 mil exemplares.

No começo eu achava do mal isso, mas o jornalismo inteiro é assim: totalmente dependente da publicidade. Daí recebo por cada um que produzo. E eu faço praticamente tudo: o esqueleto da diagramação, escolha das fotos, textos. Só não finalizo e não subo para a gráfica.

Tô satisfeita.

Não tenho amigos aqui, mas também não chega a ser um ambiente hostil. Mas não tem problema, de verdade.

Às vezes rola de trabalhar das 10h até às 22h. Às vezes saio às 17h. Não consigo prever meus horários, isso é meio chato. Mas só de saber que NENHUM fim de semana estará comprometido, nem reclamo.

Achei meu lugar, gente. Espero ficar por aqui um bom tempo.

Desejos e desabafos ♥

(sem senha! hahaha!)

Sabem o que eu pedi quando cortei o bolo do meu aniversário de 28 anos, três dias atrás? Um homem que não fosse casado. Juro. Falei em voz alta para todo mundo ouvir.

Não tá fácil, gente. Tô nessa fase da vida. Contabilizo TRÊS casados em menos de um ano. Pior que eu sabia que os três eram casados. Pelo menos só me envolvi com um.

~Pelo menos~? Eu deveria estar feliz com isso? 

Por um lado, me sinto a gostosona que tenta os caras. Ajuda um pouco a elevar minha autoestima (como todos sabem, é uma das mais cagadas da face da Terra). Por outro… Porra, só sirvo pra isso?
Faz tempo que eu questionava minha aparência física, como sabem. Melhorei MUITO o modo de me ver, mas ainda me acho gorda, feia, com tanta estria que dá pra tocar harpa em mim, com os peitos tortos e caídos etc etc. Mas nunca tinha questionado o interior. Parabéns, homens casados. Agora além de me achar uma escrota fisicamente, vocês me fazem pensar que eu só sirvo para ser comida. Que eu não presto para namorar. Porque eu sou supersincera. Porque eu falo palavrão pra caralho, falo alto, falo de sexo abertamente, não sou nada “feminina” e muito menos “delicada”. Não tô nem aí pra nada. É isso mesmo, então? Eu não sirvo para namorar?

Merda de sociedade machista escrota.

Sei que até pouco tempo atrás eu achava infidelidade um absurdo. Tinha uma visão romântica e monogâmica da vida. Achava que quem amava de verdade não tinha razão para trair. Só que a vida me deu chicotada na cara, e agora compreendo que tem gente que não sabe lidar com a monogamia (isso não justifica ser desonesto com @ companheir@, viu?). Pior: agora acho que TODO MUNDO – eu, você, seus pais, a chefe, a vizinha crente, todo mundo de verdade – está sujeito a trair e/ou ser traído. Se isso não acontecer a vida inteira, não acho que seja prova de amor ou de ética; acho, na verdade, que faltou uma grande tentação. Por tanto, não ter traído/ser traído seria apenas sorte.

É, eu sei, sou muito 8 ou 80. Sempre fui. Mas não coloco a mão no fogo por NENHUM casal, juro. Cuidado: não estou negando o amor. Estou negando a fidelidade eterna.

Mas não era só isso que eu queria escrever.

Uma amiga minha uma vez disse que tinha feito um texto de como seria o homem perfeito para ela. E daí ela casou e jura que o homem dela atende a todos os itens da lista. Tentemos.

- Eu quero um homem que não seja comprometido, é verdade. Não sou eu quem estou traindo ninguém, não me sinto cúmplice do “crime”. Mas sei que estou influenciando mentiras e, a longo prazo, ajudando a formar uma família desequilibrada e toda trabalhada na desonestidade (sim, me refiro ao suíço).

- Eu quero um cara que seja um grande amigo, mais do que tudo. Para quem eu possa contar da minha vida, e que não fique chocado por eu ser bem vivida e já ter feito mil e uma estripulias </sessaodatarde>
Sei que isso é difícil pra caralho. 80% das minhas amigas não contam coisas do passado para os atuais companheiros. Eu não quero isso para mim. Primeiro porque eu não tenho coisas do passado AMOROSO para contar, não tem do que ter ciúme, já que meus maiores relacionamentos foram com um gringo 10 anos mais velho casado e com um hippie que andava com um conhaque na mochila. Mas principalmente porque isso tudo é quem eu sou! Não quero ter de fingir que sou uma virgem delicada. Não quero mudar minha personalidade para agradar alguém (como vejo VÁRIAS pessoas fazendo). Não quero ser julgada e nem reprimida.

- Eu não quero alguém que me aceite como sou (gorda, boca suja, NADA delicada e feminina etc e etc). Eu quero alguém que GOSTE do fato de eu ser assim. Alguém que se divirta comigo. A gente não deve se conformar com uma aceitação. A gente tem que ser amada, porra!!!

- Eu quero alguém que tenha uma visão política e religiosa parecida com a minha. Ficar com um crente que diz que a Ditadura Militar é que era legal NÃO rola, gente.

- Eu quero alguém que compreenda que independência e liberdade são algumas das melhores coisas do mundo. Tenho horror a gente grudenta que pede satisfação a cada instante.

- Eu quero alguém que seja honesto e tenha um bom caráter. Não tô falando em fidelidade. Deixei claro aí em cima que todo mundo está sujeito a chifrar/ser chifrado. Falo em ser uma boa pessoa, tratar os outros bem, ME tratar bem.

- Eu quero um cara que faça alguns sacrifícios por mim. Porque só eu me esforço. Eu atravesso a cidade para ver alguém, mas ouço de um cara “hoje tenho academia, não posso”. Nem como justifica pra faltar na academia eu sirvo?

É sério. Isso é ser tão exigente assim?

Qual é o meu problema? Não me venham falar que eu sou seletiva, porque não sou. Dou chance para quase todo mundo. Já disse a amigas que eu sigo um lema parecido com o do filme “SIM SENHOR” (com o Jim Carrey) – eu evito dizer não. Desde que o cara não seja um homofóbico, racista, babaca pra caralho etc, eu tento. Mesmo quando vejo que “o santo não bateu”. Eu insisto, tentando provar para mim mesma que eu dei uma chance. Mas mesmo assim.

Gente. Eu juro que sei que nenhum relacionamento é perfeito. Sei que a gente que tem engolir muitos sapos (um dos maiores se chama SOGRA, mas nunca cheguei nem perto disso) e que precisa se adaptar a algumas coisas, fazer pequenos ajustes em outras. Mas não quero renunciar a quem eu sou para ter alguém. Claro que em uma missa de 7º dia do avô do meu namorado eu não vou falar palavrão e nem contar que já dei pra dois ao mesmo tempo. Assim como sei me portar no trabalho, sei me portar em todas as circunstâncias. Mas ser reprimida em uma mesa de bar é pra dar um chute na bunda na hora. Sinceramente.

:(

Vou contar rapidamente meus últimos “relacionamentos”, para vocês entenderem porque cada um não foi pra frente (todos os nomes são falsos) e como não foi culpa minha:

maio/2013: Diego, amigo de um amigo. Foi realmente bem legal, me respeitou, me ajudou a ver um lado B de muitas coisas – inclusive sexual (minha autoestima cagada influencia e muito minha capacidade de sentir prazer, e ele foi um dos poucos que soube lidar com isso). Não cheguei a me apegar, mas era bom. Só que um dia ele me disse que não me imaginava namorando com alguém. Que eu era “livre leve e solta”. Sei que era para ser um elogio, mas fiquei puta. Não sirvo para namorar, então?
Depois disso, o chamei para sair umas duas vezes. Em uma, ele deu a desculpa da academia. Na outra, me ignorou.

setembro/2013: amigo de amigo de amigo. Fernando. Me tratou bem até demais. ATÉ DEMAIS. Saímos duas vezes. Na última, fomos a um restaurante japonês e eu disse que ia maneirar, porque estava gorda. Ele disse: “se está gorda, porque não faz regime?”. Gente. Quase dou na cara dele. Respondi MUITO PUTA dizendo que ninguém tinha o direito de falar isso para mim, que eu – e minha família – me cobra magreza desde criança, que faço regime e sofro com isso desde sempre… E o fdp dando risada dizendo que eu ficava bonitinha brava. Gente. Não. Desculpa, mas isso para mim é falta de respeito. Acham que fui intolerante?
Alguns dias depois, ele começou com ataque de grude. Me mandava msg perguntando o que eu tava fazendo, quando sairíamos de novo. Eu tentava responder com gentileza, mas sem dar esperanças. Até um dia que ele me ligou cinco vezes numa mesma noite (não atendi nenhuma). APENAS NÃO.

outubro, novembro e dezembro/2013: Mauro, o suíço. Pensei apenas em me divertir, mas foi o melhor beijo da minha vida, ele era inteligente, vivido, tinha histórias para contar, um papo bom, me divertia e se interessava pelo que eu falava. E me tratava bem na medida certa – sem me sufocar, mas sem me deixar largada. Só que era casado. E assim que ele foi embora, descobri que a mulher dele estava grávida de 6 meses (agora está de 8. Vai parir em março). Hoje em dia ainda nos falamos no whatsapp. Vez por outra ele fala em saudades e eu quero morrer. Porque é fofo e eu ainda sinto falta dele (embora esteja recuperada), mas acima de tudo, porque sei que, como homem, parte desse “I miss you” é uma forma de impedir que eu o esqueça e me manter como backup. Enfim.

janeiro/2013: Adriano, um cara que conheci na rua. Juro.  Esperando um casal de amigos numa esquina da Rua da Consolação com a Alameda Santos. Me chamou para uma cerveja enquanto eu esperava o casal; trocamos telefones e fomos nos falando via whatsapp (dica para a humanidade: N-U-N-C-A me telefone. NUNCA). Daí saímos em janeiro. Fez USP, tem uma visão de mundo parecida com a minha, bom partido, me tratava bem, inteligente, gentil. Só que sempre que o chamo para alguma coisa ele não pode. É só quando você quer, porra?

fevereiro/2013: Gabriel. amigo de amigos. Casado. Conheço a menina. Deixou muito claro que queria apenas me comer, desde o princípio. A primeira vez que o vi babei. Sempre o achei gatíssimo e minha autoestima cagadíssima me incentiva a pegar todo mundo, mesmo sabendo que é cilada… Então… Porque não? porque odiei o beijo. fim. (ainda bem que odiei. Poderia ser uma situação bem pior que a do suíço).

E essa é a minha vida amorosa, gente.

Da série: meus ‘filhos’ não podem saber e muito menos fazer igual

Estava aqui à toa lendo as histórias da Lu e alucinei. Agora quero contar minhas histórias bêbadas e ninguém me seguraaaa ahhhhhhhhhhhh

Cara. Já fiz muita merda. Já bebi muito. Já dei MUITO vexame, muito mesmo. Mas não me arrependo de nada – e olha que, diferentemente da Lu, eu lembro de tudo.

A seguir alguns dos piores:

O primeiro porre a gente nunca esquece (2002)

16 anos, 2º colegial, sou ~popular~ e tenho muitos amigos meninos. Junto os amigos da escola AND os meninos do bairro para beber – só que a grande maioria de nós era um bando de amador no quesito álcool, me included. E esse foi o maior erro, porque escolhemos comprar para beber PINGA 51 e Pepsi Twist (aquela com limão, lembram?). SÓ JESUS NA CAUSA.

Fomos para um dos condomínios do meu bairro e viramos aquela desgraça. Uns 8 meninos e eu. Foi uma noite longa, que incluiu eu caindo no meio da rua, no exato lugar em que o caminhão de lixo carregado tinha acabado de passar; um amigo socando todos os postes do quarteirão porque a moça que ele amava não o amava (no fim eles ficaram, namoraram, noivaram e 7 anos depois ele terminou com ela); e o mundo girando pela primeira vez na minha vida. Fiquei enlouquecida, achei a experiência incrível (e muito enjoativa. Vomitei as tripas). Ainda paguei peitinho para um amigo (que uns 10 anos depois acabou vendo direito).

Outs & o anjo (2004)

Uns amigos tinham uma banda. Eles iam tocar num bar de rock na Rua Augusta. Chegamos muito cedo e fomos beber nos botecos do lado. Pinga com limão, pinga com canela, bombeirinho e todas as bebidas mais mendigo que você consiga imaginar.
Ok.
Teve o show. Durante o show inventei de beber vinho. Depois de toda aquela pinga.
Não lembro ao certo em que momento comecei a passar mal. Sei que subi a augusta (para ir até o metrô) sendo meio que arrastada pelo meu grupo de amigos. Eram umas 10 pessoas que precisavam pegar metrô, depois ônibus e depois andar pra chegar em casa. Morar no Campo Limpo antes da Linha 5-Lilás existir era ainda pior.
Enfim.
Cheguei no metrô e gorfei numa lata de lixo no vômito que ficou conhecido pelos meus amigos como EXORCITA. Um volume absurdo de vômito e numa velocidade sinistra.
Depois disso vomitei dentro do vagão do metrô.
DESCULPA MUNDO. Sério. Desculpa. Gorfar no vagão do metrô é zuado. Sorte que tava vazio – exceto pelos meus amigos.

Sei que meu porre fodeu a vida de todo mundo, porque os atrasei e eles não conseguiram pegar o ônibus, já estava muito tarde. Ficamos todos ao relento num ponto de ônibus da Heitor Penteado – eu deitada no chão me acabando de vomitar, ainda.
Daí surgiu um anjo, como meus amigos dizem. Um estranho – dizem que era jovem e bonito (!) cuidou de mim. Passou parte da noite de sábado dele me dando água… Fofo. OBRIGADA MOÇO.
Só que daí meus amigos acharam uma boa ideia LIGAR PARA OS MEUS PAIS IREM ME BUSCAR.
Apenas sensacional tirar meus pais da cama no meio da madrugada para falar que a filha deles está vomitando horrores no meio da rua.
Meu pai passou muitos dias me dando sermão…
E meus amigos, até hoje, me cobram os 2 táxis que tiveram que pegar para voltarem para casa, do outro lado da cidade.

Los Hermanos em Taubaté (2005)

Minha amiga, os amigos de Taubaté dela e eu fomos ao show, que custou meros R$ 15. Bons tempos. Antes, fizemos um esquenta de Smirnoff Ice (rysos). No show vendia DE TUDO, e eu bebi DE TUDO: virei 2 copos de 200ml cada de vodka; tomei 2 copos de vinho; e 2 doses de tequila.

O resultado? Comecei a ver o mundo girar na segunda música do show. Fui pro banheiro, morri vomitando, acordei com uma faxineira ME ARRASTANDO pra fora do banheiro. Fiquei vomitando deitada quase inerte no meio da pista do show com uma galera me olhando. Dignidade.

2006, um caso a parte

Em 2006 tive mais dias de caos, bebida e vômito do que dias sóbrios. Teve uma semana em que eu dei 3 PTs em questão de 5 dias. Eu saia todas as noites, bebida vinha de graça sabe deus da onde. Uma beleza.
2006 foi um ano em que eu ia a churrascos toda semana; foi o ano em que eu comecei a beber cerveja e fumar maconha com o moço estranho do conhaque na mochila por quem eu era apaixonada. PENSA.

Foram tantos porres HOMÉRICOS nesse ano que é difícil separar um ou dois. O mais forte e mais importante de todos, sem dúvida, foi no dia em que fiquei pela primeira vez com o tal moço da maconha e do conhaque na mochila – amigão da minha prima (ele carregava também pão de mel e um cobertor). A história inteira daquele dia está contada em detalhes aqui, e ainda forte na memória (ele foi o último cara de quem gostei de verdade, antes do suíço, SETE anos depois). Resumo: festa 1, festa 2, enquadro de polícia, festa em casa, bebida bebida bebida, papos sobre dimensões e física, vomitar A ALMA no banheiro, sair do banheiro e descobrir que está tudo apagado e todo mundo foi embora, reparar num colchão no chão na minha frente, deitar nele, ser coberta por um cobertor mágico (junho é frio, gente) e depois por um corpo humano muito desejado me acariciando e chegando de leve. Soa estranho, mas foi lindo, gente.

Como dito antes, foram mil porres esse ano, e confundo um pouco os acontecimentos. Teve um em que gorfei em uma caçamba; um outro, dormi no banheiro e quando acordei (no banheiro) eu estava coberta com edredom e com travesseiro (!!!); numa outra, vomitei pela janela do meu quarto (um prédio) e as paredes do prédio ficaram marcadas… Ai ai. A juventude. Eu não conseguia controlar, bebia demais (e misturava várias bebida e maconha – UM GRANDESSÍSSIMO ERRO). Daí era sempre o mesmo resultado. Numa dessas, me descolaram um balde. Depois disso, nunca mais larguei o balde. Era meu fiel companheiro dos porres. Logo, virei a Ana do baldinho.

Power rangers & a grande decepção chamada cerveja (2006)

Foram poucos meses de amor eterno com a cerveja. A descobri em fevereiro de 2006 e passei a me acabar na cerveja, sem passar mal, sem enjoar e nem nada. Achava que era a bebida perfeita. Esse belo dia começou com um imagem & ação com gente que nunca vi na vida, um amigo que eu não tinha ideia de onde tinha surgido no rolê e com o moço do conhaque na mochila sendo chamado de Los Hermanos por um cara no bar – ao que respondeu que ele e os amigos eram os power rangers (cada um com uma camiseta lisa de uma cor diferente). E eu bebi muita cerveja, como nunca tinha bebido na vida. Estava segura de que estava segura. EPA PERA.

Pois é. Esse dia é importante porque foi uma grande, grande decepção. Fiquei chocada de que cerveja, sem nenhum complemento, pudesse causar um estrago tão grande (e caganeira, ainda por cima). Demorou pra fazer efeito, mas passei a madrugada inteirinha no banheiro, cagando e vomitando e perguntando pra cerveja “por que me traíste?”.

O caso dos dois moreninhos (2007)

Nossa, essa história é foda. Se tem alguma bebedeira que eu quase me arrependo é essa. Foi tenso e FORTE.
Tudo começou com 4 amigas e eu querendo chamar homens para a minha casa para… Hm. You know. Foi difícil achar, viu. Esses homens de hoje em dia… tudo negando fogo. hahaha
Mas conseguimos. Foi um amigo da faculdade de uma delas, um amigo desse amigo e dois caras que eles mal conheciam. Sabe-se lá de onde surgiram, sei que apareceram os 4 na minha casa num sábado a noite. Daí a gente jogou sueca.
Nunca jogou sueca? É um jogo de beber sensacional, mas que 11 em cada 10 vezes, dá merda e alguém gorfa. Informe-se sobre o joguinho aqui.
Sei que eu fiquei trêbada. Em dado momento, uma amiga falou que um dos caras queria me pegar. Eu disse: “eu não quero esse, quero aquele” e apontei outro cara. Ela falou com o cara e ele disse que ia me esperar na cozinha. Fui na cozinha e agarrei o cara. Canibal, mesmo. Mas mal agarrei me subiu aquele revertério. Falei pro cara esperar. Fui ao tanque e gorfei na frente dele. HAHAHAHAH
Ele sumiu. Eu fui pro banheiro vomitar decentemente. Saí do banheiro e fui pro meu quarto me recuperar cochilando. Acordei com alguém me fazendo massagem. Dei trela e peguei – achando que era o moço que me viu gorfar.
Só que não era. E quando eu me dei conta já era tarde demais.
Acordei na manhã seguinte com A MAIOR RESSACA MORAL DA ESTRATOSFERA.

JUCA (2007)

Juca são os Jogos Universitários de Comunicação e Artes. As principais faculdade dos cursos do gênero, em São Paulo, se reúnem em alguma cidade do interior, por 4 dias, para disputar um campeonato e destruir a pobre cidade.
Nos primeiros anos de faculdade eu não fui. Não tinha a menor vontade de dormir em barraca, passar calor, frio, dormir mal, comer mal. Mas em 2007, 3º ano da faculdade, resolvi ir. Foi em Registro, cidade ao sul do estado.
A PUC é conhecida por ser a pior das faculdades, esportisticamente falando. É um bando de maconheiro bêbado. Com muito orgulho. Nas provas de natação, uma menina da PUC nadou cachorrinho de biquini de lacinho. Te juro. Nas raias do lado, gente do Mackenzie, da USP, da Casper se alongam, tomam concentrado energético antes das provas… O lema da PUC no JUCA é: “A PUC VEIO PRA BEBER E SE GANHAR FOI SEM QUERER”.
Enfim. O grande lance do JUCA são as festas no alojamento. Tudo open bar. Sempre. O dia inteiro.
Logo na primeira noite eu bebi bem e não percebi a merda chegando. Mas ela chegou. Forte. Quando vi, o mundo não estava girando ~redondamente~. Eram quadrados. Triângulos. Polígonos. Vocês não tem uma noção, gente. Vomitei as tripas e fui pra barraca dormir. Quando acordei, minha cabeça estava pra fora da barraca, e o corpo pra dentro. E percebi que metade do alojamento estava em situação parecida ou pior que a minha. Ah, o JUCA… ♥

2012, Carnajuju I edição

Sítio sempre dá merda. Simples assim. Cheguei no sítio às 7 da manhã com a aniversariante e comecei a beber desde então. E bebi de tudo. Me acabei na cerveja, na tequila, nas coisas mais bizarras misturadas com vodka, uísque, vodka pura… E rolava uma piscina de lona. Sempre que eu ficava alta ia lá mergulhar.

MERGULHAR MESMO, gente:

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Enfim. Teve samba, teve tombo, teve sangue, teve corredor polonês de homem beijando a mulherada que passava… Teve eu mostrando os peitos pra festa inteira (inclusive pro pai da dona da festa)… E teve eu passando mal. Dizem que eu beijei a minha amiga que cuidou de mim, mas juro que não lembro. Embora eu lembre de ter beijado 3 pessoas naquele dia, mas jamais lembrei claramente quem foi a 3ª pessoa.

Passei a madrugada num quarto com 5 pessoas me ouvindo vomitar. Fim.

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Vocês podem reparar que nos primeiros anos os porres eram frequentes, e depois foram se tornando mais raros. Pois é, amadurecer tem dessas.Tenho tido porres uma, duas vezes por ano, hoje em dia (2014 ainda tá zerado).
Consigo me controlar muito mais. Naquelas, né. Sempre que eu bebo causo horrores. Dou em cima de todo mundo, conto minha vida sexual para estranhos, provoco. Fico assanhada, extrovertida, falante, gritante. Nunca fui uma bêbada briguenta, nem triste, nem amorosa. Sou uma bêbada vadia. Faço amizade com todo mundo, falo merda pra todo mundo, divirto quase todo mundo. Mas aprendi a beber mais devagar e, principalmente, não misturar bebidas.

Mudanças de hábito (ou uma dieta que já deu o que tinha que dar?)

Todo o mundo virtual, físico e espiritual está consciente de que vivo de dieta, e também de que já perdi uns bons quilos. Comecei uma dieta de verdade em 2011. Perdi uns 20 kg e daí recuperei uns 5. E assim ficou. Em 2013 não perdi um grama, mesmo me acabando nas atividades físicas, comendo muita salada, fruta e afins. Minha rotina alimentar mudou muito, e acho completamente injusto que eu coma com tanta qualidade, faça tanto exercício e esteja com o peso estagnado. E aí me vem um fdp falar que é pra evitar doce e não tomar refrigerante. Gente. Sei disso desde que o mundo é mundo. E nunca fui tão fiel à dieta como tenho sido nos últimos tempos.

Pior que eu diminuí MUITO os doces, muito mesmo. E ainda assim, nada.

Algumas coisas que mudaram na minha vida nesses 3 anos:

- Sempre fiz exercício físico, mas desde que me empanhei nessa derradeira dieta, tornei-me super ativa. É raro uma semana em que não faça ao menos 3 dias de academia; além disso, desde janeiro, tenho ido e voltado do trabalho a pé. São 4,5 Km de distância, ou 35 minutos de caminhada num ritmo forte.

- Diminuí muito o consumo de carne vermelha. Antes eu não me importava com isso; agora, só como nos fins de semana.

- Nunca fui muito de frituras, salgadinhos, pão francês, bolacha. E diminuí ainda mais. Para terem uma noção, o último pão francês que comi foi em 2013. Bolacha, no primeiro fim de semana de janeiro. Salgadinho? Não lembro. Fritura? 2013.

- Faz 1 ano e meio que parei com refrigerantes e bebidas gasosas. Sucos industrializados também evito ao máximo (sempre tive para mim que eles fazem tão mal quanto refrigerante – são muito adoçados).

- Até com chocolate melhorou. Se antes meu habitual era comer uma barra de 170g em um dia, nunca mais comprei das barras grandes. Inclusive, tenho comido chocolate bem raramente (tirando a festa de criança domingo passado, faz mais de um mês que não como chocolate).

- Hoje em dia procuro jantar antes de sair de casa, a noite. Isso evita [um pouco] a gana de comer amendoim e afins (nuts: única coisa que comprovadamente me enche de espinhas).

- Aumentei muito o consumo de frutas.

- Meu intestino, que era travadíssimo, hoje está funcionando direitinho. Geralmente 2 vezes por dia.

Minha rotina até 2 ou 3 dias era exatamente essa:

Café da manhã: 2 torradas de pão integral com um pouco de manteiga sem sal (margarina faz mó mal, gente); chá matte gelado sem açúcar e meio mamão papaia.
Vou para o trabalho andando. 35′.
Passo o dia bebendo muita água (me pergunto se exagero na quantidade, mas dizem que não.. enfim.)
Lá pelas 11h, como uma fruta. Goiaba, pêssego, melão são as mais comuns.
Lá pelas 14h eu almoço. Estava comendo uma saladona, com carboidratos, proteínas e tudo o que o corpo precisa. Molho da salada: iogurte e outros sem açúcar e com poucas calorias e gorduras.
Lá pelas 15h: chá verde gelado. Aquele Feel Good de latinha, sabe?
Lá pelas 17h: outra fruta. Maçã ou abacaxi, geralmente. OU se eu estiver com fome: cookies integrais de limão
Volto para casa andando. Mais 35′ de exercício.
Chego em casa e como algum carboidrato integral para ir malhar. Tenho optado por uns palitinhos de fibra que achei pra vender numa lojinha natureba por aqui. São 150 calorias o saquinho inteiro, com 8 palitinhos.
Academia. Musculação moderada (pesos de 4kg pra exercícios de perna/bunda; 300 abdominais ao dia [não sei os nomes dos tipos, mas são 100 de cada]; coisas de braço levantando 2 kg para ombros, 3 para peito, 4 para ‘músculo do tchau’). E mais aeróbico. Como já faço 1h10 de aeróbico para ir e voltar do trabalho, tô cansada, e faço 30 min de corrida (a 8,4 km/h), ou de bike (30 km/h) ou de caminhada (a 6,8 km/h) com inclinação da esteira. E por fim um alongamento de leve.
Volto pra casa, banho, janto: ou uma salada parecida com a do almoço, com proteínas, carboidratos, fibras, legumes, tudo; ou arroz integral (aquele Raris) com frango, peixe e afins; ou um sanduíche de pão de forma integral com peito de peru e cream cheese light.
Sobremesa: gelatina diet ou pudinzinho royal diet ou uma bola de sorvete light.

FIM.

Gente. Me diz. Não tem coisa errada? Eu não deveria estar mais magra do que realmente estou?

Daí se UM DIA eu saio da linha, fodeu. Domingo fui a uma festa de criança. Tomei cerveja (depois de 15 dias sem um pingo de álcool) e comi docinhos (nada ABSURDO, mas comi bem). E o que ganhei com isso? UM QUILO. Que até hoje, 4 dias depois, continua intacto.

Como pode?

Queria muito que um personal trainer, um nutricionista e um endócrino passassem o dia inteirinho comigo e apontassem o que tá errado. Porque NÃO É POSSÍVEL, gente.

Concluí que talvez meu corpo tenha se acostumado com isso. Daí a partir de ontem voltei a comer comida de verdade. Arroz, feijão, salada, bife… Das duas, uma: ou engordo loucamente, ou volto a emagrecer. Rezemos para que o choque metabólico para o bem.

Algumas coisas:

1- no final do ano passado fiz pela milésima vez exames de tireóide e hormônios e essas porras todas. Tá tudo normal.

2- Tenho impressão de que, se eu tomo 3l de água em um dia, só elimino 10% disso. Retenho MUITA água.

3- Por outro lado, transpiro MUITO mais do que uma pessoa normal. Quando eu era mais gorda, não suava tanto. Agora, qualquer coisinha tô pingando. Pingando mesmo. Que nem esportista depois de correr maratona. Rios de suor escorrendo no rosto, nas costas.

4 – Acabo de me exercitar e SEMPRE estou com a pressão baixíssima (nunca posso tomar banho imediatamente, se não é desmaio na certa)

5- minha mãe tem CERTEZA que é a pílula anticoncepcional que sabota o meu regime. Mas eu já fiquei 1 ano sem e não mudou nada (exceto que meus cistos no ovário se multiplicaram).

6- Sim, músculos pesam mais do que gordura, sei disso. E sei que devo ter aumentado bem a massa magra. Mas as calças continuam as mesmas, nem mais largas e nem mais apertadas.

Enfim. Tô desanimadíssima, não aguento mais essa vida de me privar de TUDO e mesmo assim não emagrecer uma porra de um grama.

Câmbio, desligo.

2013: melhor ano

Tá tarde pra fazer balanço de 2013? Tô nem aí.

2013 – melhor ano. É inegável.

Amei [parte da] minha adolescência, amei o Fundão®, amei a Era dos Churrascos®, amei o Caos®, amei muita coisa na vida. Já fui muito feliz, despite it all – e já teve muita, muita, MUITA merda – inclusive os últimos dois dias de 2013, mas isso não apaga de modo algum o fato de ter sido o melhor ano da minha vida.

Enfim: 2013 foi único.
Foi um ano em que eu entrei no mundo da música erudita, por causa do Theatro Municipal. Foi um ano de viagens ótimas (México e Áustria). Um ano de muito aprendizado. Um ano de pegações e descobertas. De novos e velhos amigos.

Comecei o ano saindo de um emprego que não ia mais render muita coisa – a Prefeitura de Osasco. Foi bom enquanto durou, conheci gente bacana (que está distante, infelizmente), mas foi bom ter acabado, também.

Fiquei 2 meses desempregada, curtindo cinemas, cultura, vida saudável.

E daí a Editor surgiu na minha vida, por intermédio de uma grande amiga de um emprego anterior. Passei maus bocados no começo. Atender cliente de saúde, fazendo assessoria de imprensa, foi tenso. Odiei a experiência. Cheguei a ter uma crise e querer largar TUDO. Mas depois ganhei o Theatro Municipal. Ganhei é a palavra certa – porque mesmo tendo trabalhado muuuuuito e ganhado poooouco, o Theatro me trouxe tanta coisa boa…

OBRIGADA THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO.

Me proporcionou ótimos amigos; grandes aprendizados pessoais e profissionais; mudou meu modo de pensar e raciocinar. Revolucionou meu ser.

Sou do samba. O samba me alegra, me completa.
Mas aprendi a entender a calma que a música clássica proporciona. E gostei disso.

Mas tem mais. Eu, que sempre fui rejeitada e pegava as sobras (quando muito), escolhi a dedo o que queria:
como diria @intense_, wishlist está completa.
Peguei caras que sempre foram sonhos de consumo – ou que representavam alguma coisa que eu queria descobrir – e outros que nunca imaginei. Me senti bem tratada, me senti desejada.
E recebi o melhor beijo da minha vida.
Nunca fui de eleger tops, mas esse foi. Ele nunca vai saber, mas eu sei e isso é um pequeno talismã dentro de mim. Mesmo as coisas tendo terminado cagadas no nível mil. Nada disso destrói o fato de 2013 ter sido foda.

É esse o lance de quando a gente está feliz. Mesmo quando merdas muito cagadas acontecem, elas apenas resvalam na gente. Não ficam nos remoendo por meses a fio. 

Me apaixonei depois de 7 anos de frigidez emocional; chorei bastante, ri mais ainda, me diverti muito; conheci gente incrível; soube equilibrar físico e emocional; consegui manter meu peso o ano inteiro.

Trabalhei muito, mas também vadiei (no sentido Zeca Pagodinho mesmo) muito. Extravasei. Me descobri.

Daí infelizmente terminou o contrato do Theatro municipal – não gostava do trabalho cotidiano de assessoria, mas acompanhar entrevistas em inglês, ser babá de artista, conhecer gente foda… Era incrível. Fora que dizer “trabalho no Theatro Municipal” me enchia de orgulho.

Fiquei menos de um mês desempregada. Numa sorte bizarra, consegui trabalho como editora e diagramadora (!!!!!!) de um jornal de uma empresa que lida com o mercado imobiliário. É um trampo puxado, às vezes bem boring, além  da certeza de que ninguém lerá o que você escreveu; mas é um salário bacana – coisa que não vemos com frequência no jornalismo -; não tem plantão de fim de semana e tive 15 dias de recesso de fim de ano \o/

Mas durante a semana é bem puxado. Cheguei a entrar as 10h e sair às 22h dois dias seguidos.

Ainda estou me adaptando às pessoas – são bacanas, mas mais velhas, casadas e tal – e à rotina. Mas tá rolando. Mesmo que eu seja uma diagramadora pífia.

2013 foi um ano com vida social intensíssima. Vi todos os meus círculos de amigos, saí muito. Fiz amigos que já me marcaram profundamente, mesmo conhecendo há poucos meses.
Perdi o medo de ser julgada, passei a gostar mais de mim.
Perdi o medo de sair da rotina – fiz coisas que nem no alto dos 20 anos eu teria feito, como passar noites sem dormir e trabalhar duro no dia seguinte. Parei de me auto-infligir a velhice e o mundo foi legal comigo.

Foi um ano intenso.

E eu só tenho a agradecer.

Terminei 2013 com a certeza de que aquele ano – as experiências, os aprendizados, as pessoas que conheci – me marcaram profundamente. E é por isso que sou tão grata.

2013. Melhor ano.

Europa 2013: Áustria e Eslováquia

2013 foi um ano sensacional. Viagens incríveis, pessoas incríveis, experiências únicas. Mais essa curtíssima viagem entra ao rol que compõe um 2013 ótimo. Vamos à ela.

Eu não sabia que ficaria desempregada em novembro. Por tanto, faltaria 2 dias no trabalho e iria com meu pai para a Áustria (outras opções eram Milão – Itália, ou Interlaken – Suíça [risos], mas acabamos optando pela Áustria).

Quando soube, em outubro, que ficaria desempregada, tentei mudar o voo para ficar uns dias em cidades da Alemanha – país que tá no meu top 3 de “preciso conhecer” – e em Paris, com o primo querido. Mas a multa era ridiculamente cara, o preço de uma passagem nova, e não rolou.

Assim, me contentei com os 4 dias e algumas horas na Europa. Fazer o quê, né.

Sexta-feira, 15 de novembro

Mala pronta, almoçada, malhada, fui com papi de metrô para o aeroporto. Feriadão, chegamos lá em 40 minutos. Uma beleza. Mais uma vez sem me planejar, acabei tendo de comprar minha leitura de viagem na Laselva do aeroporto – comprei o “Cuco’s Calling”, livro policial de um pseudônimo da J.K. Rowling (1 mês depois e ainda não acabei, aliás).

Voo da Lufthansa estava entupido, mas foi tranquilo. Pouca turbulência. Tomei 3 taças de vinho e dormi alguns minutos. Mas não tem jeito: ô coisa desconfortável e indigna que a classe econômica é. Nem Gisele Bündchen fica bonita depois de 12h de classe econômica.

Um pouco antes de chegar a Munique, cruzando os Alpes, o tempo abriu. OLHA QUE MARAVILHA :)

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Sábado, 16 de novembro

Chegamos de manhã em Munique, para uma conexão rápida para Viena. Tempo pavoroso no trajeto. Chuva e frio intenso. Chegamos à Áustria cedo, pegamos o ônibus executivo até o Schwedenplatz, bem próxima ao centro, e fomos andando até o hotel, no coração do centro antigo de Viena. Fiquei besta com a quantidade de indústrias que circundam o aeroporto. Cadê os bosques de Viena? Só tinha fábrica! Complexos enooooormes expelindo uma fumaça branca… Que coisa.

Da Schwedenplatz até nosso hotel foi uma curta caminhada, passando no caminho pela praça principal da cidade, a Stephanplatz – onde fica uma catedral enorme toda trabalhada no gótico. Linda, linda:

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Enfim chegamos ao hotel: Pension Neuermarkt. Boazinha. Três diárias, com café da manhã (bacaninha) para nós dois deu uns €300. Não é caro, pela localização do hotel. Mas é caro para o bolso fodidamente desvalorizado do brasileiro: 1 euro, com taxas IOFs e a porra toda, tava R$ 3,33. Com R$ 1000, não consegui nem 300. Muito triste.

Mas se a gente tá na chuva tem que se molhar. Não dá pra ficar convertendo, se não a gente fica louco. Imagina pensar toda hora que a garrafa de água que te custou  €3 vale tipo 10 conto? Não. Tem que abstrair.

Enfim. Deixamos nossas tralhas no hotel e fomos andar pelas ruas lotadas do centro histórico de Viena. Estava um sábado lindo, com um solzinho discreto, um vento gelado mas suportável, e muita, muita gente nas ruas.

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Na maioria das ruas do centro de Viena carro não passa. São boulevares largos, com lojas de grife chiquérrimas ocupando prédios antigos e históricos.  Tudo começando na Stephanplatz. Aquele sistema arquitetônico em que as ruas convergem a partir da igreja principal.

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Outra coisa bacana de Viena é que em tudo que é canto há menção à alguma personalidade. Não sei quem almoçou aqui. Não sei quem compôs sei lá o quê aqui. Não sei quem morou aqui em 1700 e bolinha… Na foto acima, um lugar onde o compositor Vivaldi morou certa época.

Continuamos andando, nos embrenhando pelos grotões históricos de Viena, sem saber ao certo o que era o quê. Passamos por alguma coisa ligada a cavalos, por uma biblioteca, pelo museu Albertina, pelo lindo parque Burggarten…

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Essa foto aí é do Hofburg, que era o palácio – e centro do império – de Habsburg. Hoje é um museu.

A monarquia da família Habsburg comandou o Império Austro-húngaro por séculos. Era uma família que incentivava as artes. É por isso que da Áustria saíram alguns dos grandes compositores, músicos, artistas, escritores, pensadores da humanidade. Tipo Freud e Mozart.  A foto tá escura porque já estava anoitecendo. Amo Z’oropa, adoro frio. Mas essa história de 16h já ser noite é apenas cruel (ok, é incrível ter sol às 23h no verão, mas mesmo assim).

Voltamos para o hotel.

Ó que graça a fachada externa:

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Anoiteceu de vez e fomos à caça de um lugar para comer.

Na Stephanplatz estava rolando uma feira de natal, com mil barraquinhas vendendo comidas típicas, bebidas, doces, enfeites natalinos, artesanatos, mil coisas fofas.

Foi lá mesmo que ficamos, embora estivesse ENTUPIDO de gente – descobrimos no dia seguinte que participamos da “estreia” do Vienna Christmas Market. Nem sabia que existia isso, mas parece que um mês e pouco antes do Natal as principais cidades europeias (cristãs, é lógico) montam em suas praças principais uma grande feira natalina. Em Viena pudemos conferir, felizmente. Grande parte da decoração ainda estava sendo montada, no entanto. Em Salzburg e em Bratislava, ainda demorariam uns dias para inaugurar.

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Na Catedral de Stephan rolavam umas luzes/projeções natalinas. Lembrei vagamente da Disney.

Tomamos ponche de laranja (fortíssimo, quentinho e delicioso – perfeito para a noite de 3ºC e sensação térmica abaixo de zero); comemos goulash no pão italiano; comemos salsichões “Braumeister” e “Käserkrainer” hotdog. SE LIGA NO TAMANHO DA ENCRENCA:

IMG_0135Dois palmos de salsichão! hahaha

E assim terminou o primeiro dia.

Domingo, 17 de novembro – Salzburg

O dia começou bem cedo, por volta das 5h30 da matina. Noite cerrada. Tomamos café-da-manhã (bem bonzinho, com nutella e tudo ^^) e fomos esperar o guia do day-tour para Salzburg.

Salzburg é na outra ponta da Áustria, quase divisa com a Alemanha. Seriam cerca de 2h de estrada para ir, outras 2h para voltar.

O dia amanheceu frio e chuvoso; nosso grupo era composto por uma família asiática que não falava inglês (ou não se interessava pelo que o guia falava); por um cara grudento do Bahrein; e por um casal gay de Israel. Bem misturado.

O guia falou que o trecho entre Viena e Linz (a metade do caminho) seria bonita, que veríamos bosques e talvez os Alpes. Só que nada disso aconteceu, já que havia uma névoa densa e chuva. Hahaha. Great.

Isso aqui foi o máximo que vimos de bosques:

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Além de Salzburg, passaríamos por diversos vilarejos que foram locações do filme “A Noviça Rebelde”. Sabem aquele meme clássico do “foda-se essa merda toda”? ENTÃO. Aquele tipo de lugar.

Como o guia falou: a conhecida “suíça-austríaca”. De fato.

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Esse primeiro vilarejo chama-se Mondsee e é das coisas mais fofas e cenográficas que já vi na vida. Papai não sabe que apareceu na minha foto. Hahaha.

A foto abaixo já lembra vaaaagamente o cenário do foda-se essa merda toda. Exceto que não aparecem picos nevados (por conta da névoa), nem a relva verde e florida (outono, néam).

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Mas o guia colocou pra tocar a trilha sonora inteira d’”A Noviça Rebelde” enquanto nos aproximávamos do lugar…

O lago em questão é o Wolfgangsee. No verão, essa região lota de banhistas. Claro que a água é limpíssima.

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Abaixo, Saint Gilgen, um dos mil vilarejos ao redor do lago – e aqui começa de verdade a parte Mozart da nossa viagem.

Na época do planejamento dessa viagem, eu estava trabalhando no Theatro Municipal de São Paulo. Já tinha visto óperas de Verdi, Mozart e outros; já tinha visto concertos de Stravinsky, balé de Ravel. Estava imersa na música erudita e tentando aprender mais. Por tanto, a oportunidade de conhecer a região onde Mozart viveu seus poucos anos de vida seria incrível e perfeita – até para me exibir no TMSP. Infelizmente, nosso contrato acabou antes disso. Hahaha

(mas os aprendizados, amigos e bons momentos ficarão para sempre #mimimi)

Saint Gilgen é o vilarejo da família da mãe do Mozart. A praça onde posei para foto, abaixo, era local recorrente de concertos de Mozart quando jovem. Ele vinha visitar os avós, que moravam no vilarejo.

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Essa casa, que hoje é o correio, é uma das mais antigas da cidade. É do século XVI!

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Tirei essa próxima foto porque, mesmo com uma temperatura de 3ºC e sensação térmica bem inferior a zero, tinha UMA MOSCA pousada na placa. Sim, há moscas na Europa.

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Tivemos um tempo para rodar pelo vilarejo. Era domingo de manhã, e onde estava TODA a população? Na igreja. Sim. Esterótipo de vilarejo europeu. Me senti no filme “Chocolate“. Domingo bem frio, de manhã. Cidade vazia, todo mundo dentro da igreja central. População bem idosa, toda vestida com roupas “de missa”.

A casa abaixo é onde a mãe do Mozart nasceu, e onde ele passava o verão. O guia falou que ele costumava compôr nessa paisagem.

NOT BAD, hein.

IMG_0213Papai testando a temperatura a água. Eu não tive coragem. Frio demais.

E então, finalmente, Salzburg.

Até o século XIX, Salzburg não pertencia nem à Alemanha, nem à Áustria. Era independente. Como Mozart nasceu antes de a região ser anexada à Áustria, não é inteiramente correto dizer que ele era austríaco. Ele era, antes de tudo, de Salzburgo.

Dividida em “parte histórica/parte moderna” pelo rio Salzach, começamos pela parte “moderna” (pero no mucho) da cidade, onde está o parque e o palácio de Mirabell - e que também foi cenário da “Noviça Rebelde”.

O palácio foi construído em 1600 e bolinha para abrigar o arcebispo da cidade. Pegou fogo, foi reconstruído e remodelado ao longo dos séculos, e hoje é a sede da prefeitura.

Lugar lindíssimo, cheio de fontes e jardins floridos – ainda que no outono não estejam tão formosos

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E aqui abaixo temos uma visão, ao longe, da fortaleza de Salzburg, um castelo enorme no alto do morro lá no fundo. A fortaleza foi construída em 1077 (!!!) e é, de acordo com o site oficial da cidade, a fortaleza mais antiga e bem preservada da Europa. Nunca saberei. Não deu tempo de ir lá/meu pai não tava afim/era caro pra cacete.

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Dá nada não. O google tá aí, e a gente chupa uma foto de lá de cima da fortaleza:

A próxima etapa foi cruzar a ponte que dá acesso à cidade antiga.

O rio gelaaaado e limpíssimo correndo lá embaixo, mil construções históricas nos rodeando, uma ponte cheia de cadeados simbolizando amores eternos. Coisa mais linda <3

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Ao adentrar a parte histórica da cidade, entendi perfeitamente como raios um palácio de 1700 é considerado moderno. TUDO na parte histórica é medieval. Inclusive as fachadas das lojas de grife são construções históricas, e devem manter tudo exatamente como era.

Olhem que fantástico:

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E tchã-nã-nã-nã…

Mozarts Geburtshaus (ou: o local de nascimento de Mozart, em alemão).

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Nascido em 27 de janeiro de 1756 (beijo grande aos aquarianos!!!), o nome de batismo dele era Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.  

E vou te contar que a família dele não era nada pobre, viu. Puta casa enorme, com jardim interno, lugar para festas…

Desde criança Mozart mostrou-se genial. Começou a compor aos 5 anos de idade, e ainda jovem viajou a Europa inteira se apresentando para a alta realeza. Morreu aos 35 anos. A teoria do nosso guia para a morte dele é muito válida: imagina cruzar a Europa de ponta a ponta no alto inverno, em viagens que duravam meses. Sua saúde não aguentou. Foi adoecendo até… Puff. Mesmo vivendo tão pouco, compôs mais de 600 obras.

Tudo na cidade é ligado a Mozart. Onde nasceu, onde escovou os dentes, onde morou por seis meses, onde casou. Sério. Mas Salzburg tem muito mais. Tem a casa onde viveu Döppler – sabe a série The Big Bang Theory? Sheldon fala bastante do Efeito Doppler.  Tem um centro lindíssimo, mil restaurantes, uma população simpática e… A livraria mais antiga da Áustria <3

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E essa, abaixo, é uma das ruas mais antigas da cidade. Vielas fofas medievais. Amo.

Amo Idade Média, gente.

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Daí o frio pegou de jeito e fomos achar um lugar para comer. Acabamos num pub mandando uma cerveja deliciosa – tomei 3 long necks e fiquei BACANA – e típicas comidas austro-alemãs.

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E esse foi o fim dos nossos serviços em Salzburg.

Andando para encontrar o guia – e nosso transporte de volta à Viena – ainda passei por essa inscrição no chão. Me sentia feliz com o mundo, e essa frase só melhorou meu estado de espírito:

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=)

Chegamos à Vienna umas 19h. Noite cerrada, um frio satanástico.

Optamos por jantar em um restaurante bem famoso na cidade, e que vive lotado: o Figlsmüller, que é famoso por causa do schnitzel, um dos pratos tradicionais austríacos – e que é, nada mais, nada menos, UM BIFE A MILANESA.

Sim. Um bife a milanesa. Que não tem acompanhamento nenhum e que é tão grande que não cabe no prato:

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Comi 1/3, dividi uma garrafa de vinho com papi e foi isso aí.

Olha, sem ser babaca e regionalista… Mas gente. Essa culinária da Europa não-latina é meio decepcionante. No Reino Unido o lance são carnes no molho com batata – você que lê Harry Potter tá ligado. Na Europa germânica, porco e fritura. Na Europa Oriental, uma mistura dos dois e embutidos. Mas nada assim Ó QUE MARAVILHA.

É por isso que (saíndo da mesmice de falar do arroz e feijão, até pq não sou do arroz e feijão) insisto numa tese que a cada viagem fica mais encorpada: de que a comida brasileira é uma das mais diversificadas e incríveis do mundo. Já viu, em um mesmo país, ter pato no tucupi, tutu de feijão, churrasco gaúcho, moqueca, baião de dois, feijoada? Sem falar de pastel, mandioca, caipirinha, brigadeiro e frutas brasileiras. Sério. Culinária mais sensacional. E daí me vem uma Alemanha com joelho de porco. Ah. Vá se foder, apenas.

Mas mudei totalmente de assunto. hahahah.

Assim terminou o segundo dia.

Segunda-feira, 18 de novembro – Bratislava (Eslováquia)

Acordamos cedo, pegamos o metrô – gente, não entendo esse metrô europeu que não sabemos onde e como pagar, e daí quando vemos entramos de graça – e fomos até uma rodoviária num subúrbio pegar ônibus para Bratislava, na Eslováquia. Muito louca a Europa, né? De um país a outro em 1h de ônibus. Em um dia de carro, dá pra cruzar vários países… Muito louco isso pra gente que é brasileiro e está acostumado a dimensões continentais… é mais rápido ir de Viena a Berlim de carro do que de São Paulo ao Rio de carro… Doideira.

Enfim.

Bratislava, Eslováquia.

A ponte da foto abaixo liga a cidade histórica (lado em que estou) à parte moderna. O rio que corta a cidade é o DANÚBIO, que cruza metade da Europa e inspira tantas imagens idílicas na nossa mente =)

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A cidade histórica estava completamente morta. A guia nos explicou que segunda-feira geralmente é assim. Igrejas, museus, tudo fechado, daí os turistas não vem, mesmo.

Bratislava também tem um castelo. Que cidade na Europa não tem um castelo, gente?

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Mas esse foi remodelado inteirinho. Acho que só tem um quartinho mínimo que não mudou ao longo dos séculos. Até o estilo arquitetônico dele foi sendo alterado… A pintura… Tudo.

Mais uma vez, não fomos admirar a vista panorâmica e tive que roubar a foto do google:

Continuemos.

O primeiro lugar onde fomos – na frente, já que estava fechada – foi a Catedral Saint Martin, essa no primeiro plano da foto acima.

Essa é uma das únicas catedrais católicas do mundo que não tem uma cruz no topo, e sim uma coroa. Para simbolizar a importância do reinado para o crescimento da cidade. Que coisa, não?

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Na entrada da parte histórica tem essa estátua de bronze, homenagem a um cara que ficava nos bueiros da cidade espiando as mulheres de saias. HAHAHAHA

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Falei que a cidade estava às moscas?
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Bratislava era uma das principais cidades do império dos Habsburg. Esse símbolo que está na ponta da minha bota está espalhada por todo o chão da cidade histórica, simbolizando o reinado de Maria Thereza, que adorava a cidade e elevou-a a uma das mais importantes do império austro-húngaro, sede de universidades, grandes concertos de Mozart, Beethoven e talz, festejos, cerimônias da realeza e muito mais.

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Acima, um dos portais da cidade.

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Eu na frente do Teatro Municipal de Bratislava.

Essas estruturas no chão são para montar os Christmas Markets de Bratislava.

Nosso almoço eslavo foi uma pizza. Hahaha. Não queríamos comer de novo Schnitzel, e nem aquelas outras coisas de sempre. Pelo menos foi barato.

Minha impressão de Bratislava é a mesma que tive de Bucareste: cidades ex-comunistas fodidas e abandonadas se erguendo aos poucos. E convivendo com mendigos, pobreza e arranha-céus podres de ricos ao mesmo tempo. Sweet desigualdade…

Romênia e Eslováquia, os únicos países ex-URSS que conheço, compõem uma Europa completamente diferente de Itália, Reino Unido, França, Suíça etc e etc.

É tudo diferente. É um clima bucólico e de abandono. Os jovens lutando para serem mais como seus irmãos da Europa ocidental e rechaçando toda e qualquer qualidade que o comunismo tivesse. Vários cantões das cidades com cara de abandono e melancolia.

Antes de irmos embora, passamos numa loja que vendia umas bebidas típicas e compramos isso aqui:

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Hidromel. Foi baratíssimo – acho que 3 euros a garrafa – e me arrependi profundamente de não ter comprado umas 30, porque beber isso foi uma experiência riquíssima e única. É tipo um licor. Ou um vinho. Mas nada a ver com nenhum dos dois. Uma delícia.

Fomos jantar numa cadeia de fast food de frutos do mar que rola por toda a Europa, e que prima por pratos lindos nas vitrines: Nordsee. Olha só:

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E sim. Os preços são ABSURDOS. Papi não resistiu e mandou uma lagosta. Eu maneirei. Mas mesmo assim deixamos quase 70 euros!!!!!! Absurdo completo. Mas faz parte.

Famosa síndrome da família de o último jantar da viagem ser sempre errado: caro demais, ruim, pouco etc. É SEMPRE assim. Culpa também das expectativas, claro.

Terça-feira, 19 de novembro – Viena & voos/aeroportos

Acordei cedo para curtir o restinho da viagem. Ainda tinha uma manhã inteira, e decidi seguir a dica de um amigo – conhecer o Wiener Zentralfriedhof – ou o cemitério central de Viena. É um cemitério E-N-O-R-M-E, bem afastado do centro e com gente importante dentre seus mortos.

Fui até lá de tram (o bondinho), por dica do staff do hotel. Soube onde descer certinho, sem precisar de ajuda.

Estranho que conforme a viagem vai acabando, começamos a nos habituar com a língua do país. Várias coisas escritas em alemão eu já entendia…

Enfim. O cemitério, um dos maiores da Europa, tem 2.4 Km quadrados de área e mais de 300 mil tumbas. É incrível. É tão grande que dentro do cemitério passa um ônibus, que leva a outros pontos do próprio cemitério.

Piro com cemitérios, desde criança.

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A avenida principal do cemitério, acima. Leva até uma capela – uma verdadeira basílica, na verdade.

Não foi difícil achar o que eu queria: o hall dos mortos famosos. Mais especificamente, dos músicos e compositores. Estão enterrados nesse cemitério Beethoven, Mozart (em tumba desconhecida), Strauss, Schubert e Brahms.

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Beethoven à esquerda, memorial a Mozart no centro e Schubert à direita.

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Eu e minhas únicas companhias na andança pelo cemitério: corvos.

Foto bem na pegada de Six Feet Under :)

Andei mais pelo cemitério, explorando aleatoriamente grupos de tumbas, com sobrenomes estranhos, com datas de morte séculos atrás, com sobrenomes como Gaspar. E pensei muito na vida enquanto tomava aquele vento gelado na cara.

Minha ideia era sair do cemitério e ir à casa onde Freud viveu. Mas deu preguicinha. Desisti no meio do caminho e resolvi dar um rolê pelo centro.

Tomei um chocolate quente no Starbucks enquanto pensava no que fazer em seguida.

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E decidi aproveitar minha última hora no Museu Albertina. Porque eu amo museus e não tinha entrado em nenhum até agora.

Entrada do museu:

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E tava rolando exposição do Matisse & friends. Ou sobre o fauvismo, na verdade.

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Fauvismo é um estilo de pintura criado no começo do século XX e que tinha Matisse e Derain como principais líderes. As cores  fortes são muito usadas, e a técnica do pontilhismo também. Leia mais na wikipedia.

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Vi correndo as outras exposições. Tinha o cara viciado em FIMs (acima), tinha a mina viciada em olhos…

E daí #parti para encontrar papi no hotel, pegar nossas malas e ir para o aeroporto.

Assim começou o trajeto de volta: horas de aeroporto, de cochilos em cadeiras de aeroporto e muito, muito avião.

Em Munique, como era uma conexão longa (mas não longa o suficiente para sair do aeroporto e dar uma volta pela cidade), sentei num restaurante, comi um salsichão e mandei 3 pint de Paulaner (Weißbier alemã – esse B bizarro tem som de ‘ss’. A palavra alemã para rua – Straße – se fala ‘strasse’).

E assim terminaram nossos serviços, decolando para o Brasil:

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E ouvindo música clássica:

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Gostaram?

Eu gostei! Mas queria ficar mais tempo :(

Posts com senha: a explicação

A gente amadurece e começa a se dar conta de que nem tudo deve ser exposto aos quatro ventos. Primeiro, porque há situações de intimidade que só devemos compartilhar com amigos próximos; segundo, porque há situações que envolvem terceiros que provavelmente não querem ser expostos; e, finalmente, para evitar stalkers do mal, gente negativa e invejosa… Que há aos montes, como bem sabemos.

Minha vida está ótima. 2013 foi o melhor ano. Acho que estou tão feliz que esse tipo de picuinha alheia não me atinge… Mas para quê dar a cara a tapa, né? Melhor evitar…

Portanto:

Os três posts abaixo (Life’s good / Glücklick / Obrigada!) estão abertos à visitação e comentários de todos os meus amigos queridos… Não se acanhem!!! Me mandem email (anamyself@gmail.com), me escrevam no facebook, no twitter, etc etc, que dou a senha numa boa! 

Essa é só uma maneira de controlar quem anda sabendo da minha vida, torcendo por mim e compartilhando da minha felicidade… =)

Aproveitando: muito, muito obrigada pelo apoio de tod@s que acompanharam a história toda. Os comentários e incentivos de vocês me ajudaram a lidar melhor com isso tudo =)