Minha mãe – a pior história de todas

Alô, você que leu esse post aqui. Você já conhece um pouco sobre a minha relação com a minha família. Mas agora vou me aprofundar nisso. Vou falar da minha mãe.

Tá, você ama sua mãe, ela é a pessoa mais importante da sua vida, você deve tudo a ela.
Super te compreendo, camarada. Mas para mim é bem mais difícil falar isso. Claro que devo minha vida a ela, mas dizer que a amo e que eu devo tudo a ela… Não condiz muito com a realidade.

Minha mãe é louca. Não é autista e nem nada, mas ela tem uma personalidade complicada. Um gênio ruim. Pelos relatos da família e dos amigos antigos dela, ela sempre foi uma pessoa dificílima de lidar. Ela era possuída por surtos inexplicáveis, 99% deles agressivos e destruidores.

Ela sempre foi assim. Só que aí, lá pelos meus 12 anos, ela começou a beber. Tipo, MUITO. Ela sempre foi da cerveja, da caipirinha e tal, e sempre dava trabalho/vexâme. Mas não era alcoólatra. Ainda.

Lembro dela cozinhando e tomando uns goles de conhaque. Nada escondido. Ainda, novamente.

Só que as coisas foram se deteriorando.

Só culpa dela? Óbvio que não. Pessoas não se viciam em drogas só porque querem. Sempre tem um motivo escuso. No caso, os motivos eram vários. Da família complicada dela, o trabalho e o chefe fdp que a mandou embora, irmão mega problemático, meu pai com amizades inadequadas e eu teimosa e respondona e desse jeito que eu sou. Talvez eu tenha mais culpa ainda, mas não saberia indicar em quê.

O fato é que foi piorando, e piorando e piorando. Logo foi pra vodka, depois cachaça e nos últimos estágios antes do fim (isso acaba, se não eu nem contaria), pinga de garrafa de plástico. Daquelas que os mendigos tomam.

Eu falei que era uma história complicada.

O fato de ela se consumir em bebida não era o pior. Eu já disse que ela tem gênio ruim. Imagine uma pessoa com gênio ruim, super agressiva e bêbada.

Olha, eu devo estar na lista VIP do Open Bar do Céu, viu.

Bom, minha mãe passou uns 8 anos ou acordada, bêbada e surtando OU dormindo. Isso poderia ser às 2 da manhã, às 3 da tarde, às 8 da noite, nada a impedia. Escândalos pavorosos. Ela falava que eu era um monstro, uma gorda horrorosa, imatura, que só ia passar por desgraça na vida porque era isso que eu merecia. E daí pra baixo. Aparecia com facas, tentava nos dar garrafada…

NOS dar, porque lógico que eu e meu pai nos unimos contra ela. Ou nos uniamos, ou ela ia nos levar a morte. Sem exagero. Essa parte da minha vida não tem nem como exagerar. NINGUÉM além de mim e do meu pai tem uma noção do que foi essa época. E quando nos mudamos para perto da PUC, perto do centro de São Paulo, piorou o que parecia impiorável. 11º andar de um prédio com 1 apartamento por andar. Ela ameaçava se jogar ou jogar a mim, meu pai ou minha cachorra (!) dia sim, dia não. Por cerca de três anos, não desejei a ela nada que não a morte. Na verdade, ela já estava morta para mim há muito mais tempo.

E aí estava todo mundo dormindo, ela acordava a gente com tapas. Dava medo de dormir. Era stress puro.
A família sabia um pouco do que acontecia, mas ninguém entendia e nem tentava se meter. E aí ela ligava pras pessoas e começava a falar delas, tipo o que ela falava pra mim… Super agradável, vocês podem imaginar.

Nessa época, ela não comia mais. Se alimentava exclusivamente de álcool, e comprava umas ruffles de vez em quando. Tava magra, chupada, parecia morta-viva.

Não sei bem como consegui manter minha vida mais ou menos nos eixos, sendo que ela me acordava aos berros, me xingando, às vésperas do vestibular, sabem.
Mas consegui. Entrei na faculdade e sabia que o fato de voltar pra casa a noite, significava que insônia. Quem dormiria tranquilo com constantes ameaças?

Uma vez bati nela. Bati mesmo, de sair sangue e tudo. Ela tinha falado alguma coisa muito além do que costumava falar, não tenho nem idéia do que seja, mas aquilo me enxeu de ódio. Bati a cabeça dela contra o armário várias vezes, se meu pai não me parasse, não sei o que teria acontecido.

Mas foi só aquela vez. E não me orgulho. Mas assumo.

Então, no final de 2005, o irmão problemático dela morreu. 39 anos. Ele era gay, morava em Lisboa com um amigo, era alcoólatra e curtia umas drogas. E tinha uma vida bem intensa. VIVEU, sabem.
Ela sempre se identificou e tomou as dores do irmão quase 10 anos mais novo.

Só sei que a rápida evolução do quadro dele mexeu com ela. Fora que ela tava indo pelo mesmo caminho: já tinha tido uns desmaios pela rua, de fraqueza. Foi aí que ela procurou ajuda. Psicóloga encaminhou pro psiquiatra logo de cara (óbvio). Ela começou a tomar uns remédios tarja preta. E num intervalo de tempo surpreendentemente mínimo – tipo uma semana! – ela era outra pessoa. A alcoólatra maligna morreu, e apareceu uma mãe calma, abalada, abandonada e deprimida, que eu nunca tinha conhecido. Do álcool, passou para o chocolate – foi a recomendação do psiquiatra, trocar um vício pelo outro.

Meu pai ficou maravilhado e passou a dar todo o apoio. Eu não. Difícil perdoar e esquecer a mãe que ela foi pra mim por tanto tempo. Não que eu quisesse uma mãe-amiga como as que comentaram aquele post que eu citei no começo. Nós não somos disso… Mas. Né.

Ano passado, 2008, ela permanecia tomando vários remédios pesados. Aí, num certo domingo, enfartou. Foi pro hospital. Estado: grave. Poucos botavam uma fé. Meu pai ficou destruido, tinha certeza que ela morreria e que sua vida seria uma desgraça sem fim dali em diante.
Eu? Não chorei. Não cheguei nem perto disso. Primeiro porque sabia que ela não ia morrer. Não era lance de esperança,  nem fé: eu sabia, simplesmente. Me sentia estranha, porque faltava alguém em casa. Faltava a dedicação dela. Faltava alguma coisa…

E aí ela se recuperou. Naquelas. Agora ela toma 50 remédios para depressão/ansiedade e afins e outros 50 para coração, pressão, colesterol… E vive na inércia. Nada na vida dela a interessa suficientemente. Ela está fraca, não tem energia pra nada, e nem tenta.

Um dia desses, ela mandou um e-mail para o meu pai e deu para eu ler também. O e-mail falava que ela não via mais graça na vida, e que tudo que restava nela era amor e gratidão para o meu pai, para mim e para a Maggie.
Chorei.

Dói, sabe.

Chorando agora, também.

Pois é, gente. Vida complicada, a minha.

Do alto dos meus 17 anos

Alguém andou lendo os arquivos antigos do meu blog – posts dos anos de 2003 e 2004. Aí fiquei curiosa e fui ver quais posts estavam sendo lidos.

Fazia tempo que eu não analisava o meu eu de 16, 17, 18 anos. A primeira conclusão que tiro é a de que a quantidade de palavrões ultrapassava em 1000% o que seria o ideal. Todos sabem que defendo palavrões para complementar determinadas emoções – só um PUTA QUE PARIU de boca cheia para aliviar um pouco a dor de bater o cotovelo na quina da mesa. Só um FILHO DE UMA PUTA DO CARALHO para exprimir meus sentimentos acerca de um cidadão que maltrata um cachorro.

Enfim.

Mas, naquela época, era ridículo. 90% de uma frase minha era composta de palavrões. Porque, né. Eu era uma revoltada, gente. O mundo continua injusto e cruel, mas naquela época eu, adolescente, sonhava com o anarquismo e com a justiça feita com as próprias mãos. Ou quase isso.

O fato é que fui lendo e ficando com vergonha. Até que achei um post GENIAL. Bastante redundante com o que sempre falo: “sou gorda” blábláblá, “minha auto-estima é nula“, blábláblá, “ninguém me ama” blábláblá. Não que o blábláblá mostre desmérito pelo meu sofrimento – não é fácil ser eu, se você quer saber – mas mostra que eu conheço bem onde o sapato aperta, e isso me machuca desde sempre.

Enfim. Daí que eu achei um texto que era igual. Mas diferente. Igual porque tem toda essa dose auto-estima nula que me acompanha pela vida, mas diferente porque… Sei lá porque.

Você, que vai ler. Favor ignorar minha linguagem xula, miguxa e adolescente. O post na íntegra (cortei inutilidades) – e os comentários, EXCELENTES – estão aqui.

DESABAFO:

Hj eu tô mal… O dia hj foi uma merda… Um dos piores dos últimos tempos…

Bom, nesses dias passados, não aconteceu porra nenhuma. Ah, a gente decretou SEMANA DO SACO CHEIO semana q vem. 9 dias pra vagabundear! Eu tô mó eskisita, kda vez + d saco cheio d td. Teve prova de kimik (me fudi) e prova de biologia (me fudi). Foda-c. Q c foda a escola. Q c foda o mundo. Cansei de estudar tanta merda inútil. PORRA DO CARALHO! Tô stressada d+! Ou, gente ó a situação: hj é dia 11, dia 31 é o último dia d inscrição da PUC e eu num tenho nem idéia do q prestar! Eu sou uma vagabunda msm! PORRAAA!
Hj é niver do Lê… Parabéns Lê… T adorooooo!

Hj foi assim: Acordei 8:30 da manhã. + é 1 caralho msm. Daí tava uma chuva e um frio do caralho, mó bom pra dormir. Só q eu tinha q ir comprar o ingresso do Metallica. Meu pai me levou. Chegamos lá e tava chovendo mto, mto frio e uma fila gigantescaaaaaaa, q ia até atrás do credicard! BUCETA ARROMBADA! Eu fiquei puta, e desisti. Nem fudendo ia fik numa fila 3 hras pegando chuva e sem porra nenhuma pra fazer. Daí fui com meu pai no shopps morumbi. EU ODEIOOOO SHOPPINGGGGG! E tava cheio pra caralho, e teve q parar na parte descoberta do estacionamento. Porra. Fui na saraiva mega store v c tinha o ingresso do metallica. Tinha. Sabe qnt? 105 conto! VAI TOMÁ NO MEIO DO CUUUU! Fiquei + puta ainda. Meia só no credicard. Meu pai disse “foda-c” e foi comprar uma carteira. Eu fiquei puta com ele, com a chuva, com o ingresso. E claro, com o shopping lotado d criança chata e d menininhas bonitinhas putinhas e d mulheres nojentas. Me deu crise d choro. Eu não chorava há um tempo considerável. + hj tirei a diferença. Fiquei lá, encostada num canto do shopping lotado, mto puta da vida, sozinha, chorando até os 5°. Daí passavam as “barbieszinhas” gostosinhas bonitinhas q usam roupa d marca e ficavam olhando… Vai tomá no cuuuuuuu! Q porra do caralho! Esse merda desse país capitalista consumista shoppinzeiro do caralhoooo! Esse monte de barbies fúteis d merda… E chorei, e chorei + e +. Meu pai ainda gritou comigo bastante. Meu, tô vendo não t mais ingresso qnd eu for comprar. Eu me mato… Sério, eu não sei o q faço. Bostaaaaa!
Depois eu acalmei e tal. A não ser pelo fato d eu andar pelo shopping quieta, sem roupas d marca, e as pattyzinhas ficarem me olhando. Q vontade d mandar tomar no cu. Gente fútil, escrotaaa! Eu odeio esse tipo d gente! O raça desgraçada.
Ainda fui com meu pai no COMPRE BEM, q tava cheio até o cu, e tinha uma muié chata cantando músicas mto escrotas, e akele mto d bebê gritando, e akele cheiro d cc, akelas filas d 1 km… Vai c fudê!
Vim pra casa e fui dormir, pq eu já tava com dor d cabeça. Daí me deu mais uma crise d choro… Mais agora não foi d raiva. Deixa eu tentar explicar: eu me odeio e me amo… como assim? eu explico: Eu amo o meu jeito de ser, d falar, d viver, d pensar… Td… Internamente, estou plenamente satisfeita. Mais externamente… Dizem q “o corpo é o espelho da alma”. + eu não me enquadro nesse “dito”. Eu me odeio fisicamente. Sério. E é fisicamente q as pessoas t olham. E isso me irrita. Eu me odeio fisicamente, mas sei lá, foda-c, isso não importa pq eu tô mto satisfeita com “my mind”. Eu detesto ficar mto perto d qq pessoa, detesto q me olhem diretamente no rosto, ou em qq outro lugar, pq eu não gosto disso. Eu não gosto q fiquem me medindo, me olhando. Só quero q me ouçam, q me dêem atenção. Não gosto d nd desse corpo q “deus me deu” (láááá” dãrrr)… E não é emagrecendo ou melhorando a pele q isso vai adiantar. Q c foda meu, pra mim isso é o q menos importa, aliás, não me importa nem 1 pouco. E daí vem meus “amiguinhos” e ficam falando “pô, eu gosto d mina gata e gostosa e sei lá o q”. E daí eu penso: “Como existe tanta gente fútil no mundo”? Será q só eu no mundo penso assim? Pq pra td mundo o q importa é: “nosso, q cara lindu!” ou “nossa q olhos azuis fantásticos” ou “nossa q mina linda”! Pq ninguém nunca fala: “nossa, q cara engraçado” ou “nossa, q mina inteligente!” ou então “puxa, q conversa agradável”! Vcs querem corpinhos ou cérebros? Puta q pariu! Eu não sou bonita, nunca serei e me orgulho d não ser, pq td mundo bonitinho d+ é fútil, e não tem jeito. Já os feios, conquistam as pessoas pelas suas idéias, pelas suas conversas, pelos seus gostos, pelas suas risadas! E a bonitinha? Vai pra balada, “cata” um monte e pronto… E conversas? E planos? Tsc, tsc, tsc… Tô revoltada com td isso, mas é mto mais fácil fazer uma revolução do q mudar a cabeça das pessoas, ainda mais qnd c trata da maioria esmagadora da população mundial. Eu gosto do q eu sou e não do q o meu corpo diz q eu sou. Eu sou o q eu penso, o q eu falo, o q eu ESCREVO. E não um rosto, um corpo. O sistema tranformou as pessoas e suas emoções em mercadorias e td mundo c deixa levar por isso! Pq agora escolher uma pessoa pra ficar junto, é q nem comprar uma roupa: vc pega a mais bonita e leva! Mais eu não, nunca vou me conformar com esse tipo d coisa. Pq eu tenho cabeça. E sei q eu não sou a única q pensa desse jeito, mas uma das únicas. Admiro do fundo da alma quem pense assim. Quem não pensa assim (aliás, não pensa), desprezo…

E é isso. Esse foi um dos bagulho mais PUNK ROCK q eu já escrevi. Tô com o olho doendo e a cabeça latejando, mais agora eu sei d td, eu enxergo td.
Então chega… Nd d recados, nem música hj. Só quero paz.
Já escrevi td o q eu penso, com td a sinceridade q eu me orgulho em ter. E é isso.
Obrigado por ler…
Um bjão gente.

Tem coisas que eu mudaria hoje, por exemplo: existem bonitinhas legais. E existem pessoas que te admiram pelo que você pensa, e não por quanto você pesa. AMIGOS, são como se chamam. Mas enfim. Boa parte eu manteria.

E aí, aproveitando a deixa… Minha chefe elogiou horrores um texto meu hoje. Disse:

“Ana, tá mto boa sua matéria sobre o colecionador. Parabéns! Está boa mesmo, dá pra ver q vc gostou de falar com ele”.
Claro que isso me deixa feliz. Até porque achei a matéria fraca, mas foi legal mesmo falar com o tiozinho, super simples e humilde que coleciona a revista corporativa do trampo dele há 23 anos. Pra quê? Para ajudar nos trabalhos escolares das filhas! Me diz se não é fofo?
Elogios sempre vão bem. Elogios físicos inexistem e, quando ocorrem, eu desacredito. Tudo bem que ultimamente tenho lembrado que, olha, puxa, nem todo mundo pensa exatamente como eu. Então vai ver que alguém me acha bonita de verdade (porque eu não me acho, como vocês estão cansados de saber). Mas de qualquer maneira, me sinto muito bem em receber elogios que mexem com o meu intelectual. São mais profundos, sabem. Comentários de beleza são vazios. Se falo isso só porque não me elogiam fisicamente? NÃO. Pense a respeito: vaidade é uma expressão de inteligência?
Então é isso, meu caros. That’s all.
Obrigada pela força!

Lá em casa

Minha relação com os meus pais é estranha. Tudo na minha vida é estranho, já me conformei com isso.

Eles são, ao mesmo tempo, liberais e conservadores.

Liberais porque nunca tive restrições quanto a hora de voltar pra casa, eles nunca ficaram me torrando pra saber onde ir, com quem ia, que horas voltava… Quando tinha uns 14, 15 anos, via amigas da minha idade sofrendo ao ter que voltar pra casa às 22h. Eu não. Voltava a hora que quisesse, dormia a hora que quisesse, desde que fosse responsável ao ponto de conseguir ir pra escola no dia seguinte.

Eles acreditam que viajar é uma das melhores formas de se adquirir conhecimento. É genético isso. Meu pai sempre viajou muito, sempre preferiu gastar em passagens aéreas do que em carros ou apartamento. Ele investiu em mim desde sempre. Viajei para muitos lugares, desde pequena.
Eles não me obrigaram a fazer administração, direito ou faculdades que supostamente dão dinheiro.
Não tentaram me enforcar quando eu fiquei de DP em química no colegial, porque sabiam que não era a minha.
Além disso tudo, eles me ensinaram a vida toda que eu precisava me virar. Nada de carona a hora que eu quisesse, nada de ligar pra mamãe pra pedir arrego.

Sou filha única, mas estou longe de ser mimada. Ouvi muito mais NÃO do que SIM na vida.
Meus pais nunca me deram razão quando um professor ia reclamar de mim. Não me davam razão quando eu ia reclamar da escola. Isso por um lado me tornou forte e independente, mas na infância me destruia. Hoje sei que um apoio deles seria fundamental naquela época, mas não houve. Tive que me virar. Por outro lado, se eu não tivesse me fodido do jeito que me fodi, não seria quem sou hoje.

Por outro lado, meus pais são conservadores ao extremo em relação a assuntos íntimos. Morreriam de saber que eu conto minha vida inteira em um blog nada anônimo. Lá em casa nunca rolaram papos sobre sexualidade, sobre primeiras experiências e o que for. A gente conversa – e briga – bastante. Gosto muito de ficar em casa. Mas lá não é lugar para falar de assuntos reservados. Não é lugar para confissões.

Cresci com isso, e nunca senti falta. Talvez, insconscientemente, eu até sinta. Mas bem lá no fundo.

Não me imagino sentando com a minha mãe e falando de que bosta que é viver solteira . Até porque, se eu fizer isso, o mais provável é que ela venha jogar meus defeitos na minha cara, dizendo que é porque eu sou gorda, porque eu sou largada e blábláblá. Então, me digam se não é melhor ficar quieta e desabafar na mesa do bar, na terapia, no blog?

Meu pai, se eu falo que estou enjoada, ele diz para eu me virar. Ele tem horror a doença. Tem nojo de tudo. Tem horror a portas abertas em casa.

Então a gente fica nessas. Senta na sala com a Globo passando novela, fala de comida, programa o fim de semana, reclama do trabalho, planeja novas compras, viagens e afins, comenta as notícias do dia, fofoca sobre a vida de alguém… Super delícia, mas nada íntimo. NADA.

Nunca contei nada pra minha mãe. Ela só soube que eu menstruei, aos 11 anos, porque minha avó contou a ela. Aliás, constrangimento total a minha primeira menstruação, leiam lá no Corporativismo Feminino. Eu nunca contei de rolos, beijos, baseados, sexo, paranóias. Nem pretendo. Primeiro porque não tenho abertura para isso. Depois porque… E o medo de tomar patada?

Não lembro de ter falado “eu te amo” pros meus pais. Minha mãe também não é de demonstrações de afetividade. Mas, meu pai, ultrapassa o suportável. Fala “eu te amo” o raio do tempo inteiro. Se eu fosse minha mãe, surtaria. Opa, minha mãe já é surtada! Mas isso é assunto pra outro post.

Sorte que temos a Maggie, que absorve todo esse amor e carinho dele, porque realmente enche o saco. Já viram, isso? Amor encher o saco? Pois é, lá em casa enche o saco. É é 8 nou 80. Nada da minha parte ou da minha mãe, TUDO da parte dele.

Na real, existem milhões de buracos bem mais embaixo, em relação à vida lá em casa, mas outro dia conto.

Impressionantemente, falar dessas coisas não me incomoda tanto. Não me enche o olho de lágrimas, como o assunto do post anterior.

E como é a relação de vocês com seus pais? Sei um pouco de alguns, mas me contem mais. Sei que muitos se identificam com as minhas desgraças.

Obrigada pela atenção, pelos comentários, por tudo.
Amo muito esse blog, amo meus leitores, amo o apoio que recebo.

Amor: Fase 1, capítulo I

Acordei com vontade de contar a minha vida. Então segura, que aqui vai um “pequeno” trecho.

Minha vida amorosa divide-se em duas partes, basicamente. Tem a fase platônica e a fase não-platônica. Aí coloca dois cidadãos em cada fase e zaz. That’s all, folks.

Então vamos começar pela Fase 1 – Paixão Platônica, capítulo I – Gordo.

Já contei um pouquinho sobre a minha pré-adolescência e descobertas sexuais aqui (os comentários desse post são os melhores!). Resumão: comecei minha vida sexual CEDÍSSIMO, com meu melhor amigo-irmão-alma-gêmea-lindo, o Chris, que alguns anos depois se descobriu gay. Na mesma época, lá pelos 13 anos (tô falando que é cedo, gente) eu pegava um cara sensação do meu condomínio, vamos chamá-lo de B (hoje ele me odeia tipos MUITO, um dia conto o pq). Daí que C e B começaram a se pegar também. E eu observava toda a evolução entre eles, do primeiro selinho até… Bom, vocês entenderam.

No começo, eu achava que gostava do C. Não, era só amigo mesmo. Depois, achei que gostava do B. Também não: achava o máximo o fato de ver a bissexualidade de uma pessoa se aflorando na minha frente, isso sim. Mente deturpada desde cedo? Yes.
No auge dos meus 14 anos, via dois meninos se comendo na minha frente. E achava o máximo.

Aí tudo isso passou, C mudou, B mudou.

Não tive vida sexual/amorosa e nem nada durante toda a minha adolescência. Nem falo quantos anos fiquei sem ao menos beijar alguém, porque dá vergonha, sérião. Mas eu não me importava tanto, assim. Minha vida era preenchida com ótimas experiências e amigos maravilhosos.

E aí tinha esse cara do meu condomínio. Meu vizinho da frente. Nunca tínhamos tido muito contato, mas ele já tinha sido bem amigo do Chris. Amigo o suficiente para ele ser a única pessoa (tirando B, claro) que sabia sobre nossas experiências precoces.

Enfim. Começou uma história de que eu deveria pegar esse meu vizinho. A ponto de ele pedir para ficar comigo, no melhor estilo “Fica Comigo” – MTV. Crianças, sabe. E eu, mais criança ainda, sem saber o que fazer. Uma vontade louca de rir, vontade maior ainda de me enfiar em um buraco e por lá ficar pelo resto da vida, de vergonha.

Daí que não aconteceu nada, só uma enrolação monstra por alguns dias.

Meses depois, quando ele desencanou total, eu surtei. Fiquei obcecada, e tinha que ficar com ele de qualquer jeito. Mas adivinhem só: ele nem queria. Na verdade, ele nunca quis. Só rolou aquele mini climinha por conta de pressão externa.

Me dá contorções no estômago de vergonha de lembrar dessa época. E ó que já se vão quase 10 anos.

Enfim: aí que eu apaixonei. Apaixonei mesmo, só pensava nele a porra do tempo inteiro, mas é lógico que a partir daí ele passou a me esnobar bonito.

Gente. Eu tinha 14 anos.

Daí comecei a mandar cartas pra ele. Cartas com os escritos mais bregas do universo inteiro, pior do que a pior letra de pagode  (Lua Vai feelings) que você consiga imaginar. *Convulsões de vergonha*. In fact, cheguei a mandar a letra de “Olha o que o amor me faz”, de Sandy & Jr., pra ele. Sério, gente. É vexatório.

E eu passava a merda das aulas inteiras na escola escrevendo coisas pra ele, e pensando nele… Uma coisa bem absurda.

Pior. Nós estudávamos em escolas diferentes. Ele estudava na porra do colégio que me humilhou a vida inteira, e eu tava feliz na escola nova, com admiradores e tudo. Mas ainda tinha um amigo ou outro no colégio antigo. O que fiz: convenci meus amigos a enxerem o saco do coitado do menino pra ficar comigo. O que inexperiência não faz, né? Nem me tocava que isso estava piorando cada vez mais a situação.

Eu continuei gamada. Todo dia de manhã, o via pela janela da cozinha indo para a escola. Apaixonadinha way of life. (Aposto que ele nunca soube disso).

Ele me deu altos foras. Em público, inclusive. E eu ficava chorando anos, coisa mais ridícula. E não demorou para ele ficar com alguém – do condomínio, aliás. Durou pouco, mas eu me remoía de ciúmes. Por outro lado, ele passava mais tempo comigo do que com a “namorada”, mais assuntos em comum, sabe. E eu fui me aproximando dos amigos dele (não por interesse, que fique claro), e gostava cada vez mais dele… E tipos… Se não rolou no começo de tudo, nada mais aconteceria.

Aí teve um dia que eu fiquei com um cara no colégio. E me senti malzaça, pq gostava do vizinho. Cheguei em casa, falei com ele do cara da escola, disse que me sentia mal, mega me declarei chorando e ele só ouvindo e se importando o suficiente para não rir na minha cara. Ponto.

E tinha essa menina, a Carol, que por sinal inspirou a criação desse blog nos idos de 2002 (arquivos infelizmente deletados). Mó amiga minha, dormia lá em casa, coisa e tal. Acontece que ela pegou as minhas duas paixões platônicas e super esfregou na minha cara “eu tenho, você não tem”, e ainda conseguiu fazer todo um grupo se voltar contra mim por um bom tempo.

Mas enfim. A Carol e a minha paixão platônica I namoraram. Ele apaixonadaço e eu me corroendo de inveja, pq nunca deixei de gostar dele. Nota: já tinham se passado uns 2 anos desde o começo dessa história.

E aí terminaram, voltaram, terminaram, voltaram e terminaram. No fim, ele não queria mais ouvir falar dela, mas ela amava ele loucamente. Mulher é tudo idiota.

No dia que eles terminaram oficialmente, ela chegou a vomitar de tanto chorar. E ele lá, na dele. Enquanto geral ficou puta com ele e foi consolá-la, eu fiquei lá conversando com ele… Não como se nada tivesse acontecido, mas ué, ele tinha culpa de não gostar mais dela? E, por outro lado, algum vez eu o culpei por não ter interesse em mim? Por mais ridículos que eu tenha passado (e feito ele passar), NUNCA forcei a barra. Talvez esse tenha sido o meu erro, afinal.

E aí o mundo me odiou. Falou que eu fui injusta, que ri da desgraça alheia.

Ok, então.

Tudo bem que me aproveitei da desgraça alheia, mas, poxa. POSSO?

O legal é que quando a Carol foi filha da puta comigo, todo mundo ficou do lado dela, não do meu.

Cara, que post enorme e desinteressante para pessoas não envolvidas na história, I’m sorry. Mas é sempre bom botar pra fora, né?

Até hoje tenho uma pasta com rascunhos das cartas que mandei a ele, várias citações piegas, poemas óbvios e coisas do gênero. Anos mais tarde, com o grupo todo reunido, distribui pra galera rir um pouco.

Bom… O tempo passou, tive obceção por outros, cresci, coisa e tal. Houve épocas em que estivemos muito próximos, em outras nos distanciamos… E agora começamos a nos aproximar de novo.
O que importa é que até hoje tenho um carinho por ele que não cabe em palavras. Nada de amor, paixão, coisa e tal. Mas uma vontade de abraçar e dizer o quanto ele é foda.

E hoje é apresentação do TCC dele.

Parece que foi ontem que eu via o boletim dele da 8ª série atolado de notas vermelhas. *Orgulho* do homem maduro e responsável que ele se tornou.

— Fim do primeiro segmento da minha vida amorosa. Em breve, novos capítulos —

Sobre gostar demais das pessoas

Um dia, eu tive um problema sério: dava muito mais importância aos meus amigos do que eles davam a mim.
Num mundo normal, gostar demais não seria um problema, mas para mim era. Cresci cercada de gente fechada, com a maior dificuldade do mundo em demonstrar o que sente. Daqueles que não rolava abraçar COM GOSTO sem ficar um puta climão, como invasão de um terreno estranho.

Na minha vida reina a não-reciprocidade, desde sempre. Eu amo alguém? Esse alguém não me ama, pelo menos não da mesma forma. (Aí repete essa fórmula 500 vezes = story of my life).

Eu deixava de fazer muitas coisas pelos meus amigos. Sou mão de vaca pra cacete, mas sempre me senti bem pagando coisas para eles. Eu me doava 100%. Me compadecia com as histórias, sofria mais do que os protagonistas. Em suma: amava mais do que era amada.

Mas aí o tempo passou, eu cresci, e a distância e a idade adulta se impuseram, me tornando aquilo que eu temia: alguém com dificuldade de expressar o que sente – pelo menos face to face, pq não há vergonha na internet. Alguém que valoriza bem menos os amigos. Alguém que vai preferir ficar em casa vendo séries sozinha à sair com amigos para um rolê não tão interessante.

Como pode? Em que ponto minha vida ficou tão chata? Eu sempre fui meio anti-social, amante da privacidade e do individualismo, mas eu tinha vida social. Eu tinha AMIGOS. Meus dias poderiam ser um tédio, como o são hoje, mas não eram. Tinha sempre alguém sugerindo de pedir uma pizza, de ficar na frente do condomínio conversando, de ir até a padaria ou de ficar na escadaria do prédio falando merda. Não tinha como sentir esse vazio que eu sinto hoje.

Tenho amigos que eu gosto muito, mas não é a mesma coisa. Nunca me doei aos outros como me doava a esses.

Aí foi aniversário de uma das melhores amigas que tive na vida, segunda-feira. Ela que me aprimorou na arte de dizer “eu te amo” e de abraço de verdade – se bem que ela fala tanto “eu te amo” que até desvaloriza; ela secou minhas lágrimas, ouviu minhas lamúrias, soube enxergar cor no preto e branco. Muitas, muitas vezes. Anos e anos seguidos.
Enfim. Foi aniversário dela. Óbvio que ela não atende celular, essa é uma característica nata dela. Daí lá fui eu no quase falecido Orkut dar parabéns. Na mesma página do scrapbook, recados de dois dos que um dia foram grandes amigos: um era o ex namorado dessa citada, outro… hm, difícil definir o outro. Amor platônico da adolescência, destinatário de dezenas de cartas de amor (sim, já fui dessas… – na real duas pessoas receberam cartas de amor minhas… esse e um outro, também do mesmo grupo de amigos. Eu sou uma completa idiota).

E os parabéns deles eram tão vagos… Como se falassem com uma desconhecida.

Como foi que nos separamos desse jeito? Dói, cara. Dói de saudade de um tempo que já foi. E que não volta, infelizmente. A gente mudou, cresceu…
Um dia eu tive amigos, e amei esses amigos. De uma forma ou outra, eles me amaram também. Me fizeram rir da vida, me animaram com as piadas idiotas deles. O fato de estarmos juntos era o suficiente.

E hoje não nos conhecemos mais.

P.S.: nos viamos todos os dias. O tal amor platônico era meu vizinho de porta. E hoje sabe há quanto tempo não o vejo? 1 ano e meio. Os outros, vi há alguns meses. Mesmo que todos estejam diferentes, foi um dos pontos altos do meu 2009.
Outro fez facebook recentemente e entrou no Mafia Wars e no Farmville (dois dos meus grandes vícios atuais na internet). Aí a gente fica trocando presente e eu fico feliz.

Pergunta de um milhão de reais: QUÃO TRISTE E PATÉTICA EU SOU?

OgAAABffIJgLchBzDEYUwS9XN85Kzk0mp5cfxPjHFIPXn6DeDpgv_94NBblKvXINL8BEdAY7ZenTGoYR5vo057qKN0gAm1T1UMxhzH8pGUcBn9kC4WUBgR3h4yH3Aí meu eu atual volta pra esse dia e grita para todos: SE ABRACEM! DIGAM QUE SE AMAM! ISSO VAI TERMINAR LOGO.

Virei nerd. Beijo.

De alguma forma eu soube mesclar uma infância bem ativa brincando de polícia e ladrão, jogando bola, no parquinho, na piscina etc, com uma vida na frente da tevê. Assisti a todos os sucessos da Cultura que fez minha geração mais capaz do que a geração atual, tipo Glub Glub, Ratimbum, Castelo Ratimbum (oi, a Caipora é a minha tia e eu assisti a gravação de um capitulo!), Doug, Anos Incríveis, Confissões de Adolescente, além de Chaves, Chapolim, Carrossel… Isso sem contar as novelas da Globo. Não sei como eu conseguia dosar vida social com muita televisão, escola e sono, porque NUNCA dispensei uma soneca vespertina. Acho que pq nunca fiz balé, judô, inglês, o que seja. E agradeço aos céus por isso. Minha infância foi tudo.

Só sei que essa vida bem agitada era boa.

Já recentemente, com trabalho ocupando a maioria das horas do meu dia e com faculdade até o ano passado, fui perdendo minha vida social. Não consigo ser irresponsável a ponto de beber até cair se tenho que trabalhar no dia seguinte. Minha única ressaca em dia de semana foi forte o suficiente para provar isso: vomitar no trabalho NÃO é legal. Vomitar em qualquer lugar não é legal, mas como eu sou a rainha-mor dos PTs… Pelo menos evitemos eles durante a semana.

Enrolei para falar que essa vida de trabalhadora me tornou uma nerd. Não assisti nenhuma dessas séries que as pessoas assistiam no auge dos seus 12 a 15 anos – Friends, Dawson’s Creek, Buffy e mil outras. Porque eu gostava de passar a noite na quadra, na piscina, na casa dos amigos.

Só que comecei a trabalhar, a rotina mudou, veio a distância dos amigos que a vida adulta impõe e me joguei no que? NAS SÉRIES!

Comecei com Lost. Daí vi Heroes, que acabei desistindo no meio da 3ª temporada (trash demais). Ano passado, com TCC e trabalho de segunda a segunda, vi séries que nem uma louca como compensação. Vida social? Não rolou. Mas vi Prison Break, Dexter, Six Feet Under (melhor série do mundo) e tirei felicidade da ficção. Triste, não? Não sei. Mas me joguei na vida nerd com gosto. Tem muita série boa por aí. E a Stella me ajudou na escolha de quais séries assistir.

Esse ano piorou. Antes eu até lia bastante, mas agora só sei ver série. Tirei o atraso da adolescência sociável e vi todas as temporadas de Friends em tempo recorde. Agora estou assistindo The Office (para quem trabalha em escritório é ótima pedida), The Big Bang Theory, True Blood, Two and a Half Men (nem curto muito) e pretendo começar House e How I Met Your Mother.

Uma baita duma nerd.

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Se quiser saber o que escrevi sobre True Blood, Heroes e Six Feet Under clique nos links. Opiniões dadas no meu outro blog, o  .txt.

Sooooooooo last season

Daí semana passada saí com o Chris, meu ex-melhor amigo de infância.
Não, esse não é o melhor modo de começar. Talvez eu devesse contar a nossa história. Mas aí eu levaria os próximos 5 dias escrevendo. Talvez se eu resumisse… Enquanto decido, vou escrevendo.

Eu tinha 7 anos. Há 2 morava num condomínio na Zona Sul de São Paulo. Piscina, salão de festas, quadra, tudo que criança quer. 5 prédios cheios de crianças com muita energia. Ok, agora cuidado para não me afastar do tópico central.
Primeiro dia na unidade nova do colégio onde eu estudava, dentro do meu bairro. E aí vi aquele menininho loiro que já tinha reparado várias vezes no condomínio, mas que raramente tinha conversado.
Gente, eu tinha 7 anos, impossível lembrar com precisão o que exatamente aconteceu, porque num piscar de olhos estavamos bestfriends forever

Decidi: é impossível escrever TUDO. É como escrever sobre a minha infância assim, sem mais nem menos. Mas vou tentar resumir maaaaaaaaaaaaaaaaaster.

Bom, o resumo é que ele era meu melhor amigo, a gente vivia juntos, me dava muuuuuito bem com a irmã dele, até com a mãe, que era mais difícil de conviver.

Acontece que com 11 anos resolvemos que, bom. Que era uma boa idéia namorar. E transar.

É, gente. Prontofalei, 11 anos.

E isso durou sei lá, 1 ano? Olha, não tô bêbada pra entrar em detalhes sobre essa relação, então deixa quieto.
Beleza. 2 anos depois, decidimos que, sei lá. Era uma boa idéia a gente se beijar, porque a gente já tinha transado mas não tinha beijado. E ele tava meio namorandinho uma amiga nossa e tava com medo de fazer merda, então pq não se a gente testasse, não é mesmo?

Ok. Passa alguns meses.

Muda um menino novo para o condomínio, sensação do Brasil. Roubamos para o nosso clã. Chris começa a querer pegar, eu também. Aí eu pego. Depois ele pega.

Ok, vocês entenderam onde isso vai parar.

Exceto pela parte em que a irmã dele também começa a pegar esse carinha – sem saber do irmão, lógico.
Aí assisto aquilo tudo, acho legal – os dois caras que eu peguei na vida se pegando loucamente. Eu – 14 anos. Aí a mãe dele descobre tudo, inclusive da gente back to eleven years old. Aí proibe a nossa convivência. Nos afastamos.
Mas nem tanto.
Voltamos a estudar juntos no 1º colegial, de tocar o puteiro e fazer parte da turma do fundão. Cabular aula, tal, tal. E aí ele se mudou de condomínio e o que eu pensei ser uma barreira virou uma distância intransponível por ANOS, quando saí do colégio onde estudavamos juntos.

Ele virou 100% gay, eu virei rockeira do mal uhuu, nunca mais nos falamos. Até 2004, quando nos encontramos na Paulista para dar uma volta.

Aí foi aniversário dele de 23 anos e eu FUI. Foi estranho, mas foi bom.

Então, sexta-passada, combinamos de sair. Balada gay.

Primeiro: eu amo gays. Amo mesmo.
Depois: enchi a cara e me esfreguei com mais gente do que a minha já pequena dignidade permitiria.
Terceiro: tudo muda, mas no fundo ainda nos reconhecemos.

É tudo estranho. TUDO.