1 saudade: #CopaMaravilhosa

Já se passaram 2 anos e meio e a certeza é cada vez mais forte: a Copa do Mundo no Brasil foi um dos melhores períodos da minha vida. Um mês inteiro de felicidade ilimitada.

Se tem uma coisa que me dói é conversar com alguém que diz, com orgulho, que não ligou a mínima para a Copa. “Foi bom para dormir” e coisas do gênero. Me dói, de verdade. Além da dor, é pena: essa pessoa não saboreou a alegria ímpar que só uma Copa no Mundo no país do futebol é capaz de proporcionar. Mais: uma Copa do Mundo no país que é conhecido por sua espontaneidade, por sua forma informal de tratar a tudo e a todos, de rir da própria desgraça.

Um dos lemas dos manifestantes anti-copa era “Copa Pra Quem?”. A Copa passou e podemos responder com segurança: COPA PARA TODOS NÓS. FOI LINDO.

Antes de mais nada, recomendo fortemente a leitura desse texto. Ia destacar um trecho, mas o artigo é todo maravilhoso. Leiam. Aliás, leiam todos os textos relacionados à Copa postados nesse site. Dá vontade de abraçar o computador, de tanta saudade ❤


Voltemos no tempo. Em 2007, quando foi decidido que o Brasil sediaria a Copa, eu fiquei genuinamente emocionada. Tal como Lula, Pelé e afins. Sim, depois caiu a ficha: corrupção, mandos e desmandos da Fifa, toda aquela podridão que estamos cansados de saber.

Aí o tempo passou, ~o gigante acordou~, veio toda a indignação. De todas as partes. Direita, esquerda, petralhas, coxinhas, corintianos, palmeirenses, flamenguistas, família, todos. Como um país cheio de gente pobre e carente de infraestrutura até em suas cidades mais ricas sediaria um grande evento como esses?

Não vou me alongar. Todos sabemos disso tudo e estou longe de ser uma boa pessoa para falar a respeito.

Só que eu nunca duvidei de que aconteceria e de que seria incrível.

Esse sentimento esteve guardado lá no fundo. Tão fundo que cheguei a esquecer. Até porque, imagine alguém dizendo, em junho de 2013, que a Copa seria incrível?

E aí chegou a Copa.


12 de junho de 2014

Acordei no feriado de 12 de junho, o dia dos namorados mais Dia dos Solteiros de todos os tempos, me sentindo diferente. (Ok, não só pela Copa, mas…)

No caminho para casa, senti a atmosfera de São Paulo totalmente diferente do que conheci até então, naqueles meus 28 anos de existência nessa cidade que a cada dia me surpreende.

Mas aquele clima me surpreendeu MAIS.

Todo mundo na rua. Vestindo amarelo (numa época em que usar a camiseta da seleção não tinha conotação política). Feliz. Genuinamente feliz.

Eu não sou a maior fã de futebol. Já tive fases de gostar, fui a estádios algumas vezes, mas nunca torci para ninguém e tampouco tive grandes emoções por conta do esporte.

Também não me lembro de estar tão eufórica com uma Copa do Mundo. As Olimpíadas sempre me motivaram, mas não a Copa do Mundo.

Em 2002, na Copa no Japão/Coreia do Sul, muitas vezes eu não me dava ao trabalho de acordar para assistir aos jogos no meio da madrugada. Em 2006, assisti a grande parte dos jogos sozinha em casa e a única coisa realmente interessante era ir para a aula na faculdade depois do jogo e ver todo mundo bêbado, até os professores. Em 2010, eu estava na Europa. No primeiro jogo do Brasil eu estava no trânsito para ir ao aeroporto. No segundo, estava em um passeio na Holanda e nem me importei. No terceiro, estava no show do Paul McCartney na Escócia com papai.

Diante desse cenário de total descomprometimento com o futebol, qual não foi minha surpresa em me pegar, logo na abertura da Copa, TOTALMENTE APAIXONADA E ARREBATADA? Pela Copa, é claro.

Agora que o evento passou faz tempo, sou só amor para falar a respeito. Assisti a grande parte dos jogos, sabia tudo o que estava acontecendo, conhecia os jogadores, torcia, sofria, pensava nisso o tempo inteiro.

Mas o grande lance não estava apenas dentro dos estádios. E é aí que o bicho pega. O clima das ruas nas cidades-sede era a coisa mais linda, impressionante, misturada, heterogênea e tantas outras palavras indescritíveis (de novo, leiam as matérias do site Trivela). Me dá um nó na garganta de tanta emoção. E tenho a mais absoluta certeza que foi a melhor Copa de todas.

Porque o povo brasileiro, apesar de todos os pesares e de todo o viralatismo das elites, é um povo maravilhoso, que faz o possível e o impossível para receber bem o turista – as Olimpíadas mostraram isso novamente.

Não sabíamos quem estava mais feliz com tudo: o gringo deslumbrado que descobriu as maravilhas e bizarrices da cultura brasileira ou os brasileiros descobrindo os gringos que queriam descobri-los etc etc etc ad infinitum.

Sabe qual é a merda de falar de algo que nos apaixona? É que as palavras não são suficientes. Acho que não estou fazendo jus ao que essa Copa proporcionou à minha vida. E à de outros. Cansei de ver amigos e conhecidos clamando aos quatro ventos o quanto a nossa copa foi sensacional, única.

Logo no 4º dia de Copa a imprensa internacional divulgou o primeiro texto falando bem – muito bem! – da Copa. Foi esse aqui, do Yahoo (o link original não existe mais)

Uma Copa de surpresas dentro do campo. Goleadas, grandes craques, hinos à Capela. América Latina viva e forte. Torcedores encantadores e encantados. Gringos de todas as partes invadindo todos os cantos de nossas cidades. Holandeses na Guarapiranga, Ingleses em Manaus, Argentinos em tudo que é canto, torcidas apaixonadas por suas seleções e curtindo TUDO que tem direito no Brasil.

Isso sem falar nas piadas incríveis, os memes, nas torcidas, na vibração.

O que tanta gente que diz que a Copa nem foi tudo isso jamais entenderá: o evento não se resumiu a futebol. Ainda que as partidas tenham sido, em grande parte, surpreendentes e maravilhosas, a Copa foi um momento ÚNICO na história do Brasil e de cada um de nós. Se você não viveu isso, APENAS SINTO. Sério.

Isso porque eu nem tive a oportunidade de ir ao estádio, assistir uma partida in loco! Imagina se tivesse ido!

A Copa foi maravilhosa. Obrigada por tudo. Nunca vou te esquecer, te amo eternamente ♥

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Foto tirada logo após o 7×1

Posts com senha: a explicação

A gente amadurece e começa a se dar conta de que nem tudo deve ser exposto aos quatro ventos. Primeiro, porque há situações de intimidade que só devemos compartilhar com amigos próximos; segundo, porque há situações que envolvem terceiros que provavelmente não querem ser expostos; e, finalmente, para evitar stalkers do mal, gente negativa e invejosa… Que há aos montes, como bem sabemos.

Minha vida está ótima. 2013 foi o melhor ano. Acho que estou tão feliz que esse tipo de picuinha alheia não me atinge… Mas para quê dar a cara a tapa, né? Melhor evitar…

Portanto:

Os três posts abaixo (Life’s good / Glücklick / Obrigada!) estão abertos à visitação e comentários de todos os meus amigos queridos… Não se acanhem!!! Me mandem email (anamyself@gmail.com), me escrevam no facebook, no twitter, etc etc, que dou a senha numa boa! 

Essa é só uma maneira de controlar quem anda sabendo da minha vida, torcendo por mim e compartilhando da minha felicidade… =)

Aproveitando: muito, muito obrigada pelo apoio de tod@s que acompanharam a história toda. Os comentários e incentivos de vocês me ajudaram a lidar melhor com isso tudo =) 

♪Ela só pensa em beijar / beijar / beijar / beijar♪

♪Ela só pensa em beijar / beijar / beijar / beijar♪

Ressuscito um funk (limpinho) antigo para iniciar esse post que é um completo e inesperado novo eu.

Uma mulher desprendida, segura, que se sente bem. Que sabe que está acima do peso, mas nem tanto assim, e sabe que esbanja charme apesar dos pesares.

Tô me sentindo gostosa. Todo dia me olho no espelho e mesmo enxergando enormes defeitos, pança, estrias, celulite, tudo, tudo, lembro que ando fazendo sucesso em nichos que eu jamais imaginei e daí só fica a ideia: TÔ GOSTOSA. TÔ ARRASANDO. E que puta sensação boa, cara!

Não sei bem o que aconteceu que agora estou fazendo o maior sucesso nas mais variadas rodas. Sempre me lamentei de nenhum amigo meu querer nada comigo… Bem, isso mudou. Acho, inclusive, que não há um círculo social meu que não tenha sido explorado… NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS, galére.

Acho que tô ficando narcisista. Tenho medo de não saber quando parar…

Até 2 anos atrás eu não pegava ninguém, ninguém me olhava (com raras exceções – até hoje inexplicadas, atribuo à apostas). Eu pesava 95 kg. Minha pele era toda cagada. Eu usava camiseta GG preta de banda de rock. Carros buzinavam para mim berrando EMAGRECE, SUA GORDA. Juro. Estranhos faziam bullying comigo. E não era impressão minha, viu.

Só quem passou por uma transformação corporal e mental – sem qualquer ajuda externa, nada de remédios, terapia, nada – sabe o que isso significa.

Hoje estranhos me olham enquanto me aproximo, no momento que passo e depois ainda olham para trás. Tenho chamado atenção. Em vez de achar porco, machista e os caralhos, me sinto lisonjeada. Como se sentiria alguém que NUNCA teve isso na vida.

Me julguem, não tô nem aí. Tô curtindo fazer sucesso. Tô curtindo passar o rodo.

Aprendi a provocar. Aprendi a ser notada. Aprendi a me destacar – e tem dado muito certo.

Tô com uma sensação de que o mundo é o limite, e, claro, isso faz com que eu me sinta bem pra caralho. Meio como se agora eu estivesse descobrindo as possibilidades da vida…

Sei que esse outono tá me proporcionando cada coisa incrível… Estou consumindo sonhos de consumo.  Estou enfim percebendo que, sim, eu posso escolher. Sempre escolhi a calça que me servia, não o modelo que eu gostava. Sempre beijava o cara que vinha pra cima de mim, não o que eu gostaria. ISSO MUDOU. Hoje vejo o modelo de calça que gosto, experimento (manequim 42!) e compro. Mesma coisa com homem.

Ainda estou trabalhando para melhorar a seletividade. Até muuuuito recentemente meu lema era “foda-se, não tem nada melhor para fazer”. Mas descobri a duras penas que, sim, no fim das contas, muitas vezes há coisas BEM melhores para fazer.

É muito complexo explicar o funcionamento de uma mente que recém-descobriu a autoestima…

Sempre pensei lá no fundo que se eu perdesse aquela oportunidade, ficaria muuuuito tempo sem. Já era raro, eu sendo seletiva então… Entendem?

Não. Desculpa. Você tem que ter uma autoestima FODIDA para entender o meu pensamento. E poucas pessoas souberam se colocar tão pra baixo como eu…

Enfim, esse, mais do que qualquer outro post até hoje, é um post para mim. Para externalizar tudo de bom dentro de mim. E foda-se inveja, olho gordo, julgamentos. Não tô me importando com nada disso, porque estou feliz, estou satisfeita.

Tô magra, tô diva, tô feliz

Não sei se é dezembro. Não sei se é o fato de eu estar cabendo satisfatoriamente em roupas 42/44/M e já não me sentir tão obesa perante a massa. Não sei se é porque tenho socializado mais. Não sei se é porque estou me cuidando, comendo muita salada e muita fruta, malhando todo dia. Não sei se é porque até que posso ser seletiva. O fato é que estou me sentindo bem.

Dezembro me faz bem. Socializar me faz bem. Emagrecer de verdade faz bem.

Foi importante no início da dieta, em maio de 2011, fazer um tempo da dieta sem carboidratos. A balança registrou um peso muito menor em pouco tempo. Ainda que eu tenha plena consciência de que aquilo tudo era ÁGUA, sair dos 93 para os 87 Kg em duas semanas dá um belo incentivo para continuar.

Daí eu emagrecia mais um pouco, engordava mais um pouco. Passei a ficar bem em calças 46 e roupas G lá por setembro de 2011. Terminei aquele ano pesando 85 Kg. Esse ano fui para os EUA, tive períodos de muita compulsão alimentar, outros de dieta total. Mas foi às vésperas do casamento da minha querida amiga Marília (fui madrinha) que resolvi sair da zona do conforto (tava com 81 Kg) e perder mais.

Assim, comecei a fazer 1h30 de esteira todo dia  – antes eu ia duas vezes por semana, quando muito. Em um mês, foi 1 Kg e pouco. Mas foi 1 Kg e pouco que pareceu mais do que a redução de 6 Kg da dieta sem carboidratos. Foi um kg de pura gordura, um kg que fez diferença.

Depois do casamento, em setembro, continuei com a dieta a todo vapor. Muita academia, salada no almoço e no jantar, frutas 4 ou 5 vezes por dia e cortei completamente refrigerantes. Assim, cheguei aos atuais 75 (saí do IMC obeso II, estou no sobrepeso). Saí das calças 48 e roupas GG para calça 44 (folgada) e roupas M. E, mais importante, sou elogiada sempre que encontro alguém que não vejo há tempos.

A verdade é que regime que funciona é comer menos merda e fazer mais exercício. Nada além disso. Dieta milagrosa funciona, mas só para perder água – se o intuito é apenas peso, e não medidas, vale tudo.

Uma foto comparativa minha de 2008, uma de fevereiro de 2011 e uma atual, de sábado (8/12). Reparem no ‘afinamento’ do meu rosto:

ScreenShot054 2008

ScreenShot051

2011

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Sábado

Abaixo, outra foto do mesmo sábado. Das primeiras vezes na vida que olho uma fotografia minha e penso: TÔ GOSTOSA. Tenho cintura!!!

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Dezembro me trouxe vários eventos sociais para eu estrear meus kilos a menos e minhas roupas mais justas, e muitos elogios. De homens e mulheres. De estranhos e de familiares. Tô diva, tô linda, tô gostosa. Ainda há um bom caminho a percorrer, mas estou no rumo certo. Quero perder mais uns 10 kg. Não quero ser magrinha. Eu gosto de ter coxão, bundão, peitão. De ser “apertada” if you know what I mean ^^

E de repente a felicidade bateu, e a necessidade de encher o cu de chocolate diminuiu. Continuo com meus chocolatezinhos quase diários, mas a obrigação de comer 1 Kg diminuiu. Estranhamente, consigo me segurar. Por enquanto. Ou seja: minha compulsão é causada pela ausência de carinho na minha vida. Pela falta de sexo e pela solidão. Pela distância dos meus amigos e de todas as pessoas que me são queridas.

Sobre emagrecer & o papel do chocolate na minha vida

Basta ler um mísero post desse blog para saber que eu sofro de falta de auto-estima crônica, muito em parte por causa do excesso de gordura corporal. Se liga no tamanho da minha barriga/braços/bunda em fotos recentes tiradas quando da visita da querida Intense a São Paulo:

Que terror. Não surpreende que tanta gente no busão me ofereça o lugar.

Faço dieta desde que nasci. Sempre sofri MUITA pressão dos meus pais pra emagrecer. Fora o bullying contínuo em todo o ensino fundamental, padrão de beleza “loiro, magro, de olhos azuis” que sempre me rondou (literalmente)… Daí que passei GRANDE parte da minha vida até pouco tempo atrás achando que a razão de todos os meus problemas era pura e simplesmente a gordura. O mundo nos faz achar que a estética é tudo, e que se você emagrecer, automaticamente anula todos os problemas que tem na vida.

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Uma grande amiga me aconselhou esses dias a guardar dinheiro para fazer uma cirurgia – redução do estômago “light” (aquela que não tira parte do estômago, só põe um anelzinho) – já que não sou obesa mórbida, não tenho problemas de saúde por causa da gordura, o plano de saúde não paga.

Uma cirurgia dessas custa de R$ 10 a R$ 15 mil. E uma vida de possíveis refluxos, além dos sempre presentes riscos que uma cirurgia oferece.

Uno a seguir parte do argumento que dei à minha amiga, e pensamentos meus conforme vou escrevendo.

Nunca me passou pela cabeça fazer qualquer tipo de cirurgia. Até porque ser magra é paliativo: vou continuar com os mesmos problemas que sempre tive, as mesmas crises. Gorda ou magra.

Eu tenho uma vida saudável: como muita salada, não abuso de sal, raramente como fritura. Faço exercício de vez em quando – ando muito por aí. O que me estraga é o chocolate. Ele é o responsável por corromper minhas dietas. Ele, o remédio ineficaz mas necessário para as minhas crises de baixa auto-estima, de solidão, de decepções e frustrações. Ele, que não completa, mas preenche um pequeníssimo espaço dentro de mim – espaço este repleto de crises BRABAS na família durante toda a infância e adolescência, bullying e isolamento, recusas de amigos a convites meus, ser constantemente preterida pelos meus amigos, quando sempre estive disposta a tudo e mais um pouco por eles, repleto por críticas, por perguntas constantes se estou grávida, por alguma tia-avó alheia dizendo que eu seria bonita se fosse magra, por meu salário continuar sendo o menor dentre a maioria das pessoas que conheço, por ver amigos namorando e eu sempre sozinha…. e mais, muito mais, muito muito mais.

Sei que muda a vida de muita gente essa cirurgia. Já ouvi relatos muito positivos. Mas isso não é pra mim. Até porque cada um sabe onde o calo aperta, né? Meu lance tem muito drama envolvido. Não é só a gordura. A gordura é a aparência externa do que há por dentro, se é que me entende.

Já emagreci muito na vida. Já corri 2h seguidas diariamente por meses a fio, já perdi 20 Kg. Daí nada mudava na minha vida, ia deslizando da dieta e, quando via, lá estava eu na casa dos 80 Kg de novo. Sempre assim. Nunca tive problema de perder peso. Só não acho motivação para seguir em diante com o regime pelo resto da vida – não vejo compensação duradoura na minha alma – o fato de ser magra não ocupa um espaço semelhante ao que ocupa em mim o ato de comer um chocolate.

É bom entrar numa calça 2 números menor. Mas não é suficiente para se sentir COMPLETA, eternamente completa.

Muitos dos gordos que fazem essa cirurgia são justamente o meu oposto: se sentem mal por dentro porque – e somente porquê – são gordos. Eles se sentem mal por dentro porque estão mal por fora. E eu estou e me sinto mal por fora porque estou mal por dentro.

Desde o ano passado, quando comecei minha dieta da proteína, perdi peso. Antes da dieta estava com 93,2, recorde máximo na vida. Perdi mais de 10 Kg.  Cheguei aos 80,8 Kg.

Lá por setembro comecei a desandar – comer mais, beber mais, ter orgias alimentares esparsas. Engordei 2, 3 Kg, mas nas semanas seguintes me controlava de novo para não voltar a engordar – e, se possível, emagrecer.

Comecei 2012 com 85 Kg – depois de beber muuuuita cerveja no fim do ano, panetones, muito carboidrato e pouco exercício.

Mas desde então estou super controlada. Como de tudo, exceto chocolate (em estado bruto – o que é minha perdição). Já comi pizza, bebi cerveja, tomei sorvete, comi pastel. Mas, enquanto resisto, passo longe do chocolate.

Também tenho andado muito mais. Agora pego o ônibus pra ir do trabalho pra casa uns 4 ou 5 pontos pra frente. Isso quando não ando metade do caminho até em casa – 1h de caminhada – ou simplesmente ando os 11,5 Km que separam meu trabalho da minha casa – fiz isso duas vezes em janeiro. Passei de uma atividade física “semi-ativa” para uma ativa.

Continuo controlando bem o carboidrato – aprendi muito bem que o carboidrato no corpo vira açúcar, e se aloja nos piores lugares – barriga, bunda, braços – além de colaborar no aumento da glicemia – causando mais pra frente diabetes & afins.

Não sei se já comentei, mas sabiam que se você nunca botar na boca um chocolate na vida, mas se entupir de carboidrato em todas as refeições  – abusando de macarrão, arroz branco, pão francês e afins – você TAMBÉM tem grandes chances de virar diabético? Interessante, né?

Com isso, chego ao fim de janeiro 3 Kg mais magra. Pelo simples expediente de diminuir o chocolate e reduzir um pouco o quanto como, e aumentando meus minutos diários de caminhadas.

Sem pressa, sem métodos revolucionários nem métodos excessivamente CAROS.

Alguns exemplos de como a gordura/magreza não são fenômenos decisivos na minha felicidade:

Na época do colegial, melhor época escolar da minha vida. Eu estava completa, porque estava diariamente com os meus amigos que eu amava – e que me amavam.

Meu peso: 80 e poucos.

2006, melhor época da minha vida – amigos por todas as partes, diversões, encontros, diversões e amores, não estive propriamente magra. Pesava uns 70 e muitos. Já que tinha com que preencher o espaço – amigos, amores e afins – o chocolate foi relegado a um segundo plano. Emagreci um pouco naturalmente – e ó que naquela época eu bebia que nem uma esponja!

Tô quase cabendo nessa calça aí de novo, 6 anos depois.

2008 foi um ano zuado. Trabalhei pra cacete, TCC, amigos distantes, cada vez mais adultos… Mas foi o ano em que cheguei aos 68 Kg, meu menor peso desde… sempre?

Isso foi em junho. Em setembro esta era a minha situação:

Quase todos os kilos perdidos no ano ganhos em 3 ou 4 meses. Felicidade? Só em foto, mesmo. Vivia irritada, comia Mc Donalds dia sim, dia também. Voltei aos 80 e com juros.

Então é isso, gente.

MAGREZA NÃO É SINÔNIMO DE FELICIDADE.

EU NÃO AGUENTO MAIS

Aviso: ALTA dose de palavrões e de reclamações.

Sim. EU NÃO AGUENTO MAIS. Em caps lock, negrito e vermelho. O que eu não aguento mais? Muita coisa. A principal delas é o meu trabalho.

Por vezes, fingi gostar. Fingi, sim, para ver se me acomodava com a idéia.

Mas nas últimas semanas está insuportável. A única pessoal com quem tenho um mínimo de diálogo aqui está mudando de emprego semana que vem. O meu salário é ridículo,bem abaixo do piso salarial para jornalistas no estado de São Paulo (que é R$ 1800 e pouco, de acordo com a tabela do sindicato – isso para CINCO horas trabalhadas por dia! Meu horário é das 9h às 19h, mas é LÓGICO que me nego a cumprir). Pensei e cheguei à conclusão que eu tenho salário de estagiária, funções de estagiária e sou tratada como estagiária. Daí que eu não consigo reclamar.

A primeira vez que tentei fazer algo a respeito, emudeci e concentrei todas as minhas forças no ato do não-chorar, que foi o assunto do último post. Daí era quinta-feira, faltavam 15 minutos para as 18h e para o início do feriado de páscoa. Eu não ia viajar, não ia sair, não ia fazer nada. Só queria ir pra casa e relaxar.

Eis que minha chefe vem toda-toda perguntando que horas eu ia embora. Eu disse que jajá. Ela: “ah, então deixa, é que eu precisava que você ficasse esperando a prova da revista”. Eu não aguentei. Disse que estava cansada, louca pra ir embora, tinha chegado cedo e não aguentava mais. E que não queria ficar até sabe-se lá que horas esperando a prova – se é que viria hoje. Passam 2 minutos e ela entra no gtalk, me chamando pelo nome inteiro e dizendo que não tinha gostado da minha atitude. Disse que nunca me pede nada, mas que agora ela precisava e eu tinha me negado. Nem esperou eu responder: veio até a minha mesa e disse que já tinha me liberado várias vezes para viajar (????) – o chefão liberou UMA vez que eu pedi, ano passado. A outra vez faltei porque FIQUEI PRESA NO LITORAL NORTE NO COMEÇO DO ANO, QUANDO AS ESTRADAS ESTAVAM FECHADAS. Eis T-O-D-A-S as minhas faltas em 10 meses. Ah, VAI TOMAR NO CU COM FORÇA.

Aí eu surtei. Disse que não era paga pra ficar até 9 da noite sem fazer nada esperando um documento que nem saberia se viria. Lógico queeu já estava chorando e com a voz embargada há 5 minutos, mas fui em frente. Disse que isso estava preso na minha garganta, mas eu não consigo dizer. Que não consegui dizer no raio do feedback porque o ambiente era hostil. Simples assim. Ela saiu batendo as tamancas dizendo para eu ir para casa que ela ficaria esperando a porra da revista. Fiquei uns 10 minutos ainda tentando parar de chorar. Em vão. Aí quando estava desligando as coisas, 18h15, ela vem e esfrega na minha cara a revista que tinha acabado de chegar. PUTA QUE PARI, MURPHY! Se eu tivesse ficado esperando, certeza que antes das 21h não chegaria.

Se eu tava certa em agir como agi?

NÃO – surtei e perdi a razão (e uma chance de aumento, é claro). Mas não me arrependo.

Minha prima, online no MSN no momento, me deu uma força. Pedi pra ir pra casa dela quando saisse daqui, porque nem tava afim de ir toda chorosa pra casa, onde eu NÃO tenho liberdade de reclamar do trabalho – minha mãe começa a falar que ela trabalhou desde os 14 anos pra sustentar a casa e os dois irmãos, e meu pai vai falar que eu reclamo de barriga cheia.

Enfim.

Passei a páscoa inteira semi-enlouquecida e sem ter com quem conversar. Pensei em pedir desculpas, baseadas no fato de que desde o carnaval até abril eu trabalhei pra caramba, e não teve nenhum feriado. E estava louca, cega por um feriado. O que é 100% verossímil, aliás. Mas, não. Não vale a humilhação.

Passou segunda, hoje está terminando. O climo está seco. Não faço a menor questão de fingir ser legal, ela menos. Agora é esperar ela contar pros chefões que eu não quis ficar até mais tarde mas que pedi aumento. RÁ.

Enquanto isso, a parte boa é que isso me tirou do modo comodista de viver a vida que eu estava levando. Já mandei mais CVs esses dia que nos últimos 10 meses inteiros. Respostas? Duas: ambas dizendo que as vagas tinham sido preenchidas. RÁ.

Sim, falei isso tudo pra terapeuta. Se achei uma solução? É claro que não.

Mas a idéia de mudar de área de atuação COMPLETAMENTE não é de todo mal. Afinal de contas, eu ODEIO (sim, odeio) escrever matérias jornalísticas, odeio fazer entrevistas, odeio escrever sobre a hipocrisia de algumas mega corporações. Só gosto de escrever sobre a minha vida. E enquanto não me pagarem para manter um blog, não sei como ganhar dinheiro e ser feliz ao mesmo tempo.

Sempre disse que fui fanática por animais. Amo muito. Mas não queria ser veterinária. Não é nem por horror a sangue, tô de boa com isso, mas não quero cortar um bicho no meio. Quero cuidar. Um lance mais babá/enfermeira, sabem? Se alguém souber de algum curso, qualquer coisa relacionada a isso (que não seja faculdade integral de 5 anos de veterinária), super tô dentro, não penso duas vezes. Mesmo que seja pra reduzir meu salário pela metade.

Tudo que eu não quero é continuar completamente infeliz. O trabalho é chato e paga mal, meus pais não me deixam reclamar em paz, meus amigos moram na putaquepariu e os vejo com uma frequência bem menor do que gostaria, não tenho qualquer tipo de relacionamento há tempos, não consigo me motivar para emagrecer… Puta infinidade de problemas.

Mas tô jogando sinuca e truco tão bem!

😛

Não, sério. Nunca passei por um período em que tudo estivesse bem. Mas sempre em alguma área da vida, as coisas iam bem. Agora, não mais.

Agora paro de reclamar. Ou não.

Ah, me deixa reclamar em paz, caralho.

#revolta

Nada é tão ruim quanto parece

Leitores assíduos (ou nem tanto) do meu blog devem estar percebendo uma das minhas grandes e piores características. Ainda mais depois do último post, sobre a minha mãe. Aliás, um milhão de agradecimentos a todos que comentaram no blog, me mandaram e-mail, me twittaram alguma coisa. Sério, gente. Terapia em grupo, é o que é esse blog 🙂 ♥

Mas então. A tal característica: sou sempre vítima. Como assim? Não sou agente ativa da minha vida, sou agente passiva. Sempre tomando no cu, e não enfiando no cu dos outros, num português claro – e condizente com a minha vida. Pior do que isso: tenho uma certa necessidade – e mania-  de fazer os outros sentirem pena de mim. Daí a quantidade de desgraça que eu conto aqui.

Nenhuma dessas histórias é mentirosa. Todas me afetaram e ainda afetam. Não é e nunca será fácil ser eu.

Mas essa minha mania de despertar dó nos outros é a coisa mais deprimente que alguém pode fazer consigo mesmo. Não me orgulho. Por outro lado, PRECISO escrever e desabafar. E não vejo muito sentido em desabafar sobre coisas boas que acontecem.

No fundo, sei que consigo despertar outros sentimentos nas pessoas além da piedade. Vocês, por exemplo, caros leitores (a maioria, nem conheço pessoalmente): sei que vocês me lêem não só por pena, ou pela minha vida tragicômica, ou por curiosidade, mas porque simplesmente gostam de mim/do que escrevo.

Né não?

#DizQueMeAma

Mas sei lá… Eu só conto desgraça. São raros os posts em que falo de coisas boas. E, pode não parecer, mas não sou tão infeliz e miserável quanto pode parecer.

Na verdade, há um bom tempo, vivo na inércia. Alguns dias são legais, alguns dias são ruins e a maioria dos dias é simplesmente boring.

Mas já vivi MUITOS momentos bons, mesmo com mãe louca, mesmo com a auto-estima fudida, mesmo sempre sentindo falta de uma cara metade. Já viajei pra cacete, já conheci gente maravilhosa, já aprendi muito, já ri muito, já me entreguei de corpo e alma. Tenho MUITA coisa boa para lembrar.

Enfim. Esse post é só para saberem que nem tudo é tão ruim quanto parece. Consigo levar as coisas e sei ver a beleza da vida. Num pôr-do-sol, num bate papo gostoso com os amigos, num cachorrinho fazendo graça na rua.