EUA 2014: NY, Boston, Miami em 4 dias

Breve (não tão breve) histórico. Se quiser role direto para o relato de viagem, lá embaixo.

Tô meio que de saco cheio de pessoas me perguntando “mas como você gosta de fazer viagens tão curtas?”. Olha, não é questão de gosto. É questão de oportunidade. Por mil razões, dentre as quais: viajar durante temporada é caríssimo e tenho horror a lugar entupido de gente; meus trabalhos são instáveis e não consigo planejar férias; viajar muito tempo = caro. viajar pouco tempo = menos caro.

Enfim. Fato é que fiz mais uma dessas viagens curtíssimas agora no começo de abril.

Tudo começou em setembro do ano passado. Minhas milhas da TAM expirariam em 1 mês e daí surgiu uma linda promoção de milhas reduzidas para ir para NY. Nem hesitei.

Meu pai se animou e me deu as milhas dele que estavam vencendo para um voo NY-São Francisco. Ok.

Daí o tempo foi passando, arranjei um trabalho do qual não pretendo sair, a viagem foi chegando e tudo indicava que não conseguiria folgar muitos dias e emendar com o feriado da páscoa – o que eu planejava fazer, a princípio.

Entre cancela daqui, pondera de lá, decidi em janeiro cancelar a parte São Francisco e só faltar 3 dias no trabalho. O problema é que passagem só um trecho é MUITO mais caro que comprar ida e volta. Daí me fodi.

A passagem mais barata para o Brasil que achei era MIA-GRU via Gol (coisa de R$ 1100 – ida e volta custava uns R$ 1500). Mas não tinha escolha: comprei.

Então eu tinha a ida: 10/4 – GRU – NY pela TAM, e a volta, 14/4 MIA-GRU pela Gol. Faltava o resto.

New York – Miami era um valor absurdo, quase R$ 1000 a passagem. Tentei cidades próximas: Washington, Philadelphia, Boston. Consegui passagem Boston-MIA por R$ 440 já com taxas. Ok.

E foi assim, totalmente pensando no dinheiro, que elaborei a viagem. No fim das contas foi excelente, fiz quase tudo do que planejei e passei bem.

10 de abril, quinta-feira

Saí de casa 4 da manhã. Fui de táxi para Guarulhos, usando a liiiinda promoção da Easy Táxi e do Santander, que das 22h às 6h, usando o aplicativo e pagando com cartão de crédito Santander, você paga só 50% do valor do taxímetro. Decolou 8h e pouco. Voo ok. Assisti “Doze Anos de Escravidão” no voo e achei meio blé.

Pousamos em NY 17h e pouco. No controle de passaporte, uma surpresa: o moço não me pediu passagem de volta, não me perguntou o que eu fazia da vida, nada. Carimbou meu passaporte e chamou o próximo. Lindo.

Peguei o Super Shuttle para ir até o albergue. U$ 18 e te deixam na porta do hotel, acho digno. Só que tava um trânsito insano – quinta-feira, 18h e pouco, uma das maiores metrópoles do mundo. Pensa. Mas tudo bem, porque estava uma tarde LINDA e fui abençoada com isso aqui:

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Apenas o skyline de Manhattan com um pôr-do-sol maravilhoso. Só isso.

É brega, sei que é, mas me caiu uma lágrima. Foi tipo NY demonstrando seu amor por mim. I♥NY. De verdade.

Só que o trânsito me ferrou, só cheguei no albergue 20h e pouco e várias coisas que eu pretendia fazer ainda na quinta foram pro saco. Paciência.

Da outra vez que fui pra NY, fiquei no HI Hostel. Bem bom, só que em Uptown, dependia de metrô para absolutamente tudo. Então dessa vez optei por outro.

Como uma das minhas metas em NY era conhecer o Highline Park, o local foi meu ponto de partida. Acabei optando por ficar no bairro de Chelsea, no albergue Chelsea Highline Hostel.

U$ 50 a noite, com café-da-manhã (podrão, mas…) incluso. A melhor parte: quarto com só duas pessoas. Você e mais um.

Só que era um albergue velhão, a beliche zuada, rangia a qualquer movimento e jurei que ela cederia ao meu peso (ao subir as escadinhas, de fato quase tombou em cima de mim. tô gorda mas calma lá, né).

Pior: quando cheguei, a recepcionista gritou: “I’m on my break!” e eu respondi “I need to ckeck in”. Ela veio com a cara mais emburrada do mundo. Tipo, desculpa, passei 10h em avião e outras 2h no trânsito. Vá se foder e respeite os hóspedes.

Isso feito, tomei um banho e saí.

Andei até o metrô. Outro ponto negativo do hostel é que a estação mais próxima ficava a quase 15 minutos de caminhada.

Parei na Christopher Square para ir ao Jazz que me recomendaram. Antes comi um autêntico hot dog americano. Sem purê, nem ervilhas, nem nada dessas bichices que brasileiro inventa. Só pão, salsicha, mostarda e catchup.

De lá fui ao Smalls Jazz, o tal recomendado. U$ 20 a entrada (pros padrões locais, dizem que é honesto).

Descia uma escadinha e lá estavam algumas dezenas de novaiorquinos – certamente nenhum turista – sentados em bancos ouvindo um jazz e tomando cerveja no pós-expediente.

Fiquei um tempo em pé, até a moça garçonete fofa me arranjar um lugar divino na frente da banda:

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Pedi uma Guiness (U$ 8) e fiquei lá de buenas curtindo música de qualidade e tocada com paixão.

Não aguentei ficar muito, porque sou do tipo de pessoa para quem a música é um complemento da atividade, e não a atividade em si. Assim, 2h depois peguei um táxi (pois é, nível financeiro subiu, nível de conforto subiu junto) e fui pro hostel, que era bem pertinho. Não deu nem U$ 10 o táxi.

11 de abril, sexta-feira, NY 

Meu único dia inteiro em NY. Acordei 7h e pouco, comi um bagel com geleia no hostel e andei até a entrada de cima no Highline, isso é: na 10th Ave com a W 30th St.

O Highline Park é um projeto arquitetônico foda. Saca o minhocão, em São Paulo? Então. Trata-se de um elevado enorme para o transporte sobre trilhos, que passa por meia Manhattan, criado na década de 1930. Nos anos de 1980, os trens pararam de circular por lá. A comunidade, pensando no quê fazer, se uniu com o poder público e, em 2009, o parque foi aberto. Dizem que logo, logo inauguram uma segunda parte do parque, que vai da 30th em direção a Uptown (atualmente só funciona o trecho da 30 até Downtown).

Ele tem diversas entradas, é totalmente acessível a deficientes físicos e possui espaços para eventos culturais, como um pequeno anfiteatro, banquinhos e locais para exibição de filmes ao ar livre e tal.

NY é tão cultural ♥

Fiquei um pouco decepcionada porque em todas as fotos eu via o parque Highline realmente como um parque, isso é, com área verde. Só que o inverno norte-americano foi muito rigoroso esse ano, então a primavera está sofrendo: nada de vegetação vigorosa, nada de cerejeiras floridas no Central Park. Uma primavera que mais parece um Outono 😦

Eu num dos únicos pontos do Highline com um pouquinho de vegetação:

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Terminei o percurso no elevado mais rápido do que imaginei. De lá, segui andando até Washington Square, só porque queria tirar foto do arco do triunfo que aparece sempre em Friends (pretendia ir ver o prédio dos Friends também, mas desisti):

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De lá, peguei o metrô para a 66th, para ver o Lincoln Center, um complexo cultural GIGANTESCO que ocupa muitos quarteirões e onde fica o Ballet de NY, o Teatro Municipal e várias outras coisas.

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Segui pela 66th até o Central Park. Queria ver as cerejeiras, tava rolando festival primaveril. Ou pelo menos dizia o site. No caminho achei uma pequena orquestra de crianças executando uma performance. Parei e fiquei olhando. Tocaram, dentre outros, a música do Rei Leão e “New York, New York” (Frank Sinatra) – chorei, te juro:

http://www.youtube.com/watch?v=Ak2MdVfTf34 Toda emotiva besta apaixonada por NY, confesso ♥♥♥

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Central Park liiiindo

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Strawberry Fields de novo. Da outra vez tinha uma decoração mais-MAIS, só que dessa vez tinha morangos. Achei fofo.

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Acima, Sheep Meadow, ainda no Central Park. Trata-se um um extenso gramado onde a galera fica deitada a toa tomando sol no verão.

Minha intensão no Central Park era ver o Carrossel e as cerejeiras. Não achei o carrossel (nem sei se existe) e as cerejeiras não deram flores porque o inverno foi muito rigoroso.

Pior: Central Park é um labirinto verde. No matter what, sempre ando em círculos e nunca acho o que quero. Mas sempre vale a pena.

De repente me deparei com uma estátua do Christopher Columbus (as in Cristóvão Colombo kkkk). E, olha que impressionante: minha intensão era atravessar o parque. Acabei saindo pelo mesmo lugar por onde entrei HAHAHAHHA

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Next stop: fui andando bestamente pela 5ª avenida. Entrei no Bloomindale’s, na H&M, na GAP e em uma outra loja. Não gostei de nada. Definitivamente, não sou esse tipo de turista.

Continuei andando até me deparar com o Rockefeller Center.

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Lá dei um rolê pela incrível loja da NBC, que vende desde um ímã do sofá dos Friends e a caneca do Central Perk até camisetas Dunder Mifflin, e mil objetos úteis e outros nem tanto de tudo que é série que você ama.

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Ainda no Rockefeller Center, tava rolando uma Egg Parade. Lembram da Cow Parade e da Monica Parade, aqui em Sampa? Então. Só que de ovos. Só que é uma caça aos ovos, tipo Páscoa mesmo.

Se liga no site.

Enfim. Mais de 250 ovos Fabergé estilizados por pessoinhas como Ralph Lauren, Carolina Herrera e ROMERO BRITTO estão espalhadas pela cidade. Veja alguns nesse link.

Vários estão no Rockefeller:

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Nisso já eram umas 15h e eu estava desde às 7h só com um bagel na barriga. Fui andando e um T.G. I. Friday’s me pareceu tentador. A garçonete foi uma foooooooooooofa, linda, daquelas que merecem U$ 100 de gorjeta. Me deu bebida de graça (não, não era refil) e tudo. Comi um steak com batatas. Divino.

Na mesa do lado um grupo de brasileiros. Nunca estive tão cercada por brasileiros como dessa vez. Impossível andar um quarteirão sequer sem me deparar com brasileiros em NY. As exceções foram o Smalls Jazz e o Burger Joint (descrição mais abaixo). De resto… BRASILEIROS EVERY-FUCKING-WHERE.

De lá segui para o Museu do Sexo.

Da outra vez já queria ter ido, mas acho que tava tendo alguma mostra fodástica, que o ingresso tava uma fortuna. Dessa vez custou U$ 17. Caro, já que é um museu pequeno e nada demais, mas foi uma experiência interessante.

Primeiro porque é sexo é interessante, e ver gente de todas as idades e jeitos vendo fotos de putaria é interessante.

Segundo porque tava tendo exposição da Linda Lovelace, as in A MINA DO GARGANTA PROFUNDA.

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Uma sala branca. Várias fotos dela pelada. No fundo da sala, uma projeção ENORME do garganta profunda (não postarei a foto se não o wordpress me bloqueia).

Ainda na sala, várias frases dela espalhadas, dizendo que tinha levado o corpo a fazer coisas sexuais que a grande maioria dos seres humanos nem sonha. Hahaha. Diva.

Em outra sala rolava uma exposição sobre internet & sexo. Tinha fotos de todas as taras bizarras que a galera procura na internet, e um quadro no fim perguntando o que você nunca procuraria:

IMG_2847Alguns me fizeram rir (tipo YOU), outros concordei (tipo animals, pedophilia). Eu incluí “blood+torture”.

Na última parte do museu, uma exposição sobre sexo animal. Fotos como o pinto do pato chileno (tá escrito na imagem que é argentino, mas é chileno), uma foto de uma macaca batendo uma siririca, uma foto de leões gays trepando… Coisas phynas hahaha

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No fim, uma puta loja de coisas sexuais, que vendia desde macarrão em forma de pinto, até MIL tipos de vibradores (tinha um de U$ 500!!!), gel pra tudo, coisas para S&M, livros, mil coisas! Muito divertido!

Saí de lá e fui andando até o metrô. Parei para tirar fotinho nesse LOVE fofo:

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Next step: hambúrguer no Burger Joint at Le Parker Meridien. Dentro de um hotel chiquérrimo, ATRÁS DE UMA CORTINA, fica a hamburgueria. Apertada, abafada, com uma fila kilométrica de novaiorquinos – mais um lugar sem brasileiros.

Avisos na parede diziam: “se quando chegar sua vez você hesitar ao pedir, volta pro fim da fila” ou “se não tem no cardápio é porque não tem, não adianta perguntar” hahaha. Newyorkers mal humorados ♥

Comi rapidinho e continuei andando. Passei pela Times Square F-E-R-V-I-L-H-A-N-D-O de gente, coisa mais insuportável.

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De lá direto para a Broadway, assistir Mamma Mia. AMEI PRA CARALHO. Desculpa aê, mas não tem outra expressão. Foi incrível, incrível!!!

E olha que manjo NADA de Abba.

Mas gostei muito. 2h30 e U$ 75 muito bem gastos!

Mil vezes melhor do que o maçante “Fantasma da Ópera”. Dessa vez, entendi 100% (meu inglês melhorou um pouco, mas o fato de não ser ópera foi o mais importante) e realmente curti. Musical bom é isso: aquele que dá vontade de ficar de pé, cantar e dançar junto. O elenco todo cantando “Dancing Queen” no final, como BIS, foi tipo… Delírio.

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Terminou o espetáculo 23h e pouco. Peguei metrô e voltei para o hostel.

Arrumei malas, deixei tudo pronto e dormi um tico.

12 de abril, sábado – Boston

2h30 da manhã acordei. Com tudo pronto, só me troquei e peguei um táxi para Port Authority. Já tinha comprado pela internet uma passagem para Boston, via PeterPan. Meras 27 doletas.

Às 4h saiu o ônibus para Boston. Dormi por 4h, ou o trajeto inteiro.

Acordei com a motorista falando “We are arriving at Boston South Station”. De lá, foi facílimo seguir para o hostel. Um metrô, troca de linha, outro metrô, dobrar esquina, cheguei. Larguei a mala e saí. Eram 8h, a cidade estava vazia, gelada e com um CÉU AZUL MARAVILHOSO.

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As in: meu clima perfeito. 15 ou 16ºC, céu azul, friozinho, mas calorzinho no sol. ♥

Com esse clima perfeito, foi fácil achar Boston linda.

Eu tinha em mãos um day tour escrito pelo cunhado bostoniano de uma grande amiga (valeu Tom, valeu Dê!). Segui quase que a risca.

Ele sugeriu uma parada na Pizza Regina, perto do hostel. De manhã estava fechado e a tarde tinha uma fila de 2h de espera; ele sugeriu o restaurante mais antigo da cidade, mas tinha fila de 1h40 de espera (americano = povo que gosta mais de pegar fila que paulistano, tá louco!!!). De resto, fiz tudo o que ele indicou:

Freedom Trail, um trajeto de alguns Km que passa por importantes marcos históricos da cidade – a grande parte coisa extremamente americana e que não interessa realmente a nós. Mas mesmo assim, são belas arquiteturas, lugares bonitos e com um clima gostoso.

O melhor é que a trilha toda é fácil de ser seguida, porque tem tijolinhos vermelhos no chão. Basta segui-los!

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Viu?

O primeiro lugar onde parei foi o Copp’s Hill Burying Ground. Trata-se de um cemitério no alto de um morro. A VISTA MAIS LINDA. Not a bad place to rest in peace 🙂IMG_2882

Aliás, Boston tá bombando de cemitério.

Nesse, tem uma galera de artistas, mercadores, blabláblá enterrados. Datado do século XVII, era o maior cemitério de Boston.

Continuei seguindo a Freedom trail, passando pela Old North Church, por uma bela praça homenageando vários cidadãos ilustres mortos há muito tempo.

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Continuei a trilha até o fim. Feio falar, mas a maioria do caminho era composto por coisas meio bairristas, não me interessei o suficiente para parar e ficar lendo tudo. Mas é tudo lindo, sim. Valeu a caminhada.

No caminho entrei em um Dunkin’ Donuts. Não é a toa que americano é gordo: uma rosquinha custa U$ 0,89. Uma dúzia (sim, DOZE) sai por 6 e pouco. É ridículo de barato.

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O fim do trajeto é no Boston Common, o parque público mais antigo dos Estados Unidos: data de 1634. Acho louco demais pensar que enquanto aqui na América do Sul branco matava índio, trazia condenado da Europa pra viver aqui e explorava a matéria prima para exportação, lá eles criavam cidades e parques.

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Enfim. É um lugar lindo, embora, assim como o Central Park em NY, a vegetação não esteja tão exuberante quanto estaria se o inverno não tivesse sido tão punk.

De qualquer maneira, era um sábado de um céu azul límpido, temperatura agradável e consequentemente muuuuita gente curtindo o parque com os filhos, os cachorros, a namorada, a bicicleta.

Em frente ao parque está a State House, que é um prédio lindíssimo.

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Oposto à State House, cruzando o Boston Common inteiro está o lugar mais lindo que vi nos últimos tempos. Lhes apresento o Public Garden:

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Mais uma vez, as flores que esperamos ver em um jardim vão ficar para a próxima. Mas não importa. Que lugar lindo, que energia boa esse lugar tem!

Curti uns minutos de sol olhando o lago, sentindo a atmosfera do lugar e tirando várias selfies. hahaha

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Em seguida continuei meu trajeto.

O cunhado da minha amiga escreveu o seguinte: Newbury Street é a rua mais chique para compras na cidade… tem lojas dos designers mais famosos do mundo (Burberry, Chanel, Armani, etc.) e arquitetura e igrejas bonitas. Ou se ela não tem interesse nessa rua, pode andar na avenida paralela, Commonwealth Avenue. Essa avenida também é muita chique e tem arquitetura e igrejas bonitas. 

Não, eu definitivamente não faço o perfil de turista-consumista. Muito menos de grife, argh. O que eu fiz então? Um zig-zag. Comecei andando na Commonwealth, daí fui para a Newbury, daí voltei para a Commonwealth e novamente para a Newbury (dessa forma, conheci as duas) até parar na Copley Square, que tem a Biblioteca e a Trinity Church:

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Do outro lado da rua tinha outra igreja, a Old South Church. E na frente dessa última, já na  Boylston Street, algo que se assemelhava muito, no tamanho e na forma, a um sambódromo, estava sendo montado e causava certo transtorno aos pedestres e automóveis.

Até então nem passava pela minha cabeça o que aconteceria ali. Era sábado, dia 10.

Já no Brasil descobri que dia 15 o atentado na Maratona de Boston completaria um ano, e teria toda uma homenagem. Eis o porquê de todo o aparato que estava sendo montado.

O cunhado da minha amiga me sugeriu dali pegar o metrô e já ir para Harvard. Acontece que estava bem cedo, e Harvard já era praticamente a última coisa do roteiro. Além disso, eu queria almoçar. E bem. Boston é o paraíso dos frutos do mar. Das lagostas, dos mexilhões. Muito amor.

Portanto, continuei nessa rua, que era uma maravilha: restaurantes, cafés, lojas tchã-nã-nã (Apple, Samsung, Sephora, Lindt, etc etc) e muito mais.

Eu tava com fome, já eram quase 14h, mas todos os lugares estavam abarrotados de gente. Mas beleza: foquei em um restaurante chique, porém não tão ostentação, e que tinha um nome bem convidativo – Atlantic Fish  – e entrei.

Lotado. Mas tinha lugar no balcão, o que não era nada mal, já que comer sozinha numa mesa de 4, num restaurante lotado, é meio desagradável.

Não hesitei: pedi um vinho branco. Olha bem minha cara de enóloga, néam. Já que manjo tanto (só que não), pedi ajuda pro garçom. Ele me indicou um: 2008 Pinot Gris, Reserve, Trimbach, Alsace. Demorou mas chegou. Delicioso e fresco. E apenas uma taça – que custou U$ 14!!! –  me deixou alegre. Perfeito.

O vinho foi para harmonizar com o meu prato, um ravioli recheado de lagosta. O molho era branco, com cogumelos e shitakes, creme de manjericão e pedaços de lagosta fresca. Eis:

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Gastei U$ 50, mas valeu muito a pena. Aliás, minha alimentação bostoniana foi perfeita.

Próxima parada: Prudencial Center, um shoppinzão enorme. Mas o que eu queria lá era a vista panorâmica. Fui na entrada do lugar e tinha uma placa: hoje a torre estará fechada para evento. FUÉN. Triste. Adoro vistas panorâmicas, e aquele dia azul magnífico seria o ideal. Mas fazer o quê.

De lá tomei meu rumo à Harvard. A mais antiga universidade americana, que data do século XVII. É uma das melhores e mais prestigiadas do mundo.

Foi facílimo chegar, usando o metrozão.

Comecei o rolê bem perdida. O lugar é enorme e o mapa não me dizia muita coisa.

Daí resolvi andar sem rumo, observando o povo feliz tomando sol na grama, tocando violão, curtindo o sabadão.

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Andei pela Law School, passei pelo Museu de História Natural (adoraria entrar, mas não daria tempo), atravessei tudo e fui até a Harvard Yard. Lá, fiz o que tantos estavam fazendo. Deitei ao sol e fiquei lá, estirada no solzinho pensando como a vida é boa, apesar de tudo.

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Já eram umas 17h e pouco. Dei uma volta por Harvard Square, que estava entupida de gente tomando café, sorvete e papeando contente e feliz.

Peguei o metrô e voltei pro hostel, fiz check-in e talz. Fiquei no Friends Street Hostel. Super bem localizado, a uma esquina do metrô e a curta caminhada do centro. As coisas boas param por aí: reservei uma cama em um quarto misto com 8 camas. Uma noite, U$ 48. Tinha café da manhã inclusivo, mas fui embora antes.

Nota: NUNCA fiquem em um quarto de um só sexo. Ninguém se respeita e é capaz de você encontrar uma moça se depilando no meio do quarto e absorventes sujos, caso seja mulher, e cuecas sujas largadas pelo quarto inteiro, se for homem. Quando é quarto misto, geralmente os sexos se respeitam. Dica de quem já viajou por uns 20 países e ficou em uns 10 hostels.

Quando o recepcionista subiu para mostrar o quarto, qual não é minha surpresa ao entrar em um quarto não com 8, mas DEZESSEIS camas? Pior: estavam montando uma cama de acampamento para uma 17ª pessoa. PIOR²: tudo mulher. Quis morrer. Mas antes reclamei com o cara, que falou em overbooking (caguei, problema deles). Eu disse que ao menos queria a diferença do dinheiro de volta, já que obviamente um quarto com 17 pessoas é mais barato que um com 8. Daí o moço foi bem grosso: disse que eu reservei faz tempo, e agora o quarto com 16 é o valor que eu paguei, então tava tudo certo. E que se eu não estivesse satisfeita teria todo meu dinheiro de volta. As in: pode ir dormir na rua.

Não criei caso, afinal de contas era só uma noite. Mais: algumas horas de sono e uma chuveirada. Mas ainda pretendo mandar um e-mail pro gerente reclamando. Só que de pensar em bolar o e-mail todo em inglês me dá uma preguiiiiça… Meu inglês escrito é sofrível.

Enfim. Me calei, larguei minhas coisas e fui tomar banho num chuveiro vagabundo, em que a água caia quase que em gotas, e mais pra fria do que pra quente. Meu consolo era pensar: HILTON AMANHÃ. AMANHÃ, HILTON.

Voltei pro quarto e tinha uma menina muçulmana fazendo as orações da tarde num canto do quarto, virada para Meca, com tapetinho e tudo. Interessante, nunca tinha visto. Já estive com muçulmanos em Israel e Jordânia e também na Turquia. Mas no primeiro caso não tive contato com momentos religiosos e, no segundo, fui a mesquitas, mas só tinha turista fotografando.

Enfim.

A última coisa da lista do cunhado da minha amiga era um restaurante chamado Union Oyster House. Aspas do moço:  É um restaurante bem velho (abriu em 1826) e com muita história. O rei da França morava lá em exílio! Também era o restaurante favorito dos Kennedys.

Andei até lá: 1h40 de fila. Até entrei no salão – eu não tinha mais nada pra fazer e ainda eram 20h. Mas daí vi um tanque enorme cheio de lagostas vivas. Os caras tiravam as lagostas do tanque direto pro seu prato, praticamente. Ok, garantia de frescor. Mas meu minúsculo e quase inexistente lado vegetariano disse NÃO. Saí de lá e andei até Quincy Market. Tinha passado lá durante o dia: é um mercadão lindinho, cheio de restaurantes.

Dei uma volta e me decidi por um bar/restaurante chamado Salty Dog. Durante o dia vi um monte de gente comendo ostras e outras coisas do mar lá, e ficou gravado na minha mente.

Além disso, o Tom (o cunhado da minha amiga), tinha escrito: “Algumas comidas que eu recomendo: steamed clams com manteiga, clam chowder , mussels com alho”. 

Ou seja: era pra fechar o roteiro com chave de ouro.

Sentei numa cadeira ao ar livre. A noite estava serena – provavelmente quente para os padrões locais. Pedi uma cerveja e bolei meu plano: um jantar de entradas.

Clam chowder primeiro. Trata-se de uma espécie de uma sopa bem grossa com um tipo de fruto do mar de concha, talvez marisco. Deliciosa:

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Depois comi uma ostra: a mais fresca que comi na vida.

Por último, mussels with garlic and bread:

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Ok, não sei o que sei direito de que frutos do mar se tratam, mas devem ser variações de mariscos. Sei que tava tudo ótimo, sem ranço de areia e fresquinho.

Voltei pro hostel. Dormi quase que imediatamente.

13 de abril, domingo – Miami

Acordei às 6h. De metrô cheguei com a maior tranquilidade e facilidade ao aeroporto.

Eu tava morrendo de medo do check-in da American Airlines. Isso porque fui obrigada a despachar minha mala no voo da TAM, e tava com medo de que isso acontecesse de novo. Problem is: a American cobra U$ 40 para despachar. Eu tinha medido a mala e talz, dava certinho como mala pra levar a bordo. Mas sei lá né.

Mas deu. Coube DIREITINHO, sem tirar nem por, no testador de bagagem deles.

Voo tranquilo, 100% litorâneo. Eta litoralzinho feio o leste americano, hein? Tá louco.  Só chegando na Florida é que melhora, obviamente.

O pouso em Miami foi lindo. Primeiro aquele mar caribenho. Depois, altas ilhas, lagos, casas chiquérrimas, lanchas e iates.

Eram 12h40 quando saí do avião. Meu check-in no hotel era só às 15h. Comi um baggel no aeroporto (fui muitíssimo mal tratada) e peguei um super shuttle por U$ 18 até o Hilton, já que no hay transporte público até lá. Uma pena, mas ok.

Cheguei no hotel 13h30. Mas é Hilton. Eles tinham um quarto já pronto pra mim ♥

Hilton Downtown Miami. U$ 150 a diária, sem café da manhã. Mas valeu. Eu precisa disso.

Subi, olhei aquele quarto enorme, aquela cama king size, aquela banheira, tudo só pra mim, e gritei: EU MEREÇO.

#POBREDETECTED

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MEU.QUARTO.

O que eu fiz?

Tomei um banho de banheira. EUA não tá com falta d’água e tô pagando caro. Fim.

Que vida boa, cara.

Depois peguei o metromover, um metrô de superfície gratuito recém-instalado no centro de Miami. Sim, gratuito. Uma maravilha. Fui até o Bayside Market, um shopping ao ar livre que fica em frente ao mar. Olha que chato:

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Queria comprar um monte de coisa, mas nada me atraiu. Coisas feias, caras, de mal gosto. Daí encontrei a Thaís, uma amiga que mora em Miami, que em 2012 fez comigo e com outra amiga um tour bem bacana pela cidade. Passamos a tarde passeando pelo lugar. Saí de lá com um tênis novo e uma blusinha da GAP. Só. Consumismo fail.

Tomei um sorvete enorme da Häagen-Dazs e ficamos sentados, Thais, namorado e eu, conversando sobre a vida.

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Quando o lugar fechou, umas 20h, eles me deixaram no hotel. Eu fiquei lendo um tempo e tal e resolvi ir jantar. Descobri uma pizzaria meio perto do hotel e fui. Chamava Pizza Pazza. Era uma mistura de cantina com pizzaria. Não vendia pizza em pedaço.

Pizzas americanas: nunca serão. Essa era diferentona, tinha queijo de cabra, cebola caramelizada, presunto de parma e talz. Mas a massa… NUNCA SERÃO.

Para acompanhar, cerveja. O que sobrou foi meu café da manhã do dia seguinte.

Voltei pro hotel e curti no lobby minha última noite, tomando uma cervejinha e papeando no whatsapp.

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Minha intenção era acordar meio cedo e ir na piscina do hotel. Mas 3 dias dormindo pouco e mal não permitiram, de modo que acordei e já eram quase 11h (a diária do hotel terminava 12h; meu voo era às 17h).

Mas ok. Valeu cada centavo dos U$ 150 pagos na diária.

Tomei um bom banho, deixei minha mala numa saleta deles, fiz checkout e fui a um outlet de roupas que a Thaís havia recomendado: Ross Dress For Less. Eu não tinha muito tempo, e acho UM SACO ficar experimentando roupa. Pior ainda numerações que não entendo. De forma que peguei uns vestidos que curti, experimentei, gostei de 3, comprei. Tudo na faixa dos U$ 15 até U$ 25. Tinha calvin klein e várias grifes (que pra mim MEANS SHIT).

Olha que chata a vista de dentro do vagão do Metromover…

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Minha última parada, indispensável, era num supermercado. Para comprar Mac & Cheese.

Sou doente por essa merda calórica e gorda que nunca vi pra vender no Brasil:

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É tipo um miojo. Mas ainda mais gordo e do mal. E muito melhor.

Enfim. Comprei 4 caixas (U$ 1,99 cada – o preço da foto é de uma caixa tamanho família), um saquinho de mini-rolos (chocolate recheado com caramelo) e outro saquinho de Kiss, aquele chocolate mínimo em forma de gota da Hersheys. Tudo não deu nem U$ 10. Por isso americano é gordo…

Tava um calor do cão e eu já pingava de suor. Ok, Miami é linda. Mas puta merda, taí uma cidade no mundo que eu não gosto.

Voltei pro Hilton, soquei tudo na mala e peguei um táxi até o aeroporto.

Taxista brasileira. Chata. Preconceituosa. Errou o terminal em que eu deveria ser deixada. UÓ.

Mas ok.

Foi um suplício achar o terminal da GOL. O aeroporto de Miami é enorme, tá em reforma, e a Gol não está onde deveria estar.

Despachei a mala, fui pro embarque e já eram 16h. Meu voo da Gol MIA-GRU, com conexão em Santo Domingo (República Dominicana) estava marcado para às 17h e pouco.

Tava faminta. Vi as opções de alimentação: fracas e desinteressantes. Comi o quê? Isso. Pizza. Hahaha. Meaning: minha última refeição de verdade foi o almoço em Boston, mais de 2 dias atrás. HAHAHA.

Pra completar a gordice, uma bola de sorvete Häagen-Dazs.

O voo Miami-Santo Domingo foi LINDO. Sobrevoamos toda a South Miami:

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Depois as Bahamas, até o sol se por sobre Nassau, capital das Bahamas. A foto não condiz nem em 10% com o que eu vi, então nem vou postar.

Até que a GOL não é tão ruim. Mas não é realmente boa, né.

A conexão em Santo Domingo foi mega rápida. Entrei no avião para São Paulo quase por último. Qual não é minha surpresa quando vejo que tinha UM CASAL COM BEBÊ nas poltronas B e C (eu era a A, janela S-E-M-P-R-E). Mal sentei e eles perguntaram se eu me importava de ficar na janela. Sim, respondi. Só viajo em janela, reservei faz tempo e trabalho amanhã de manhã, então a janela pelo menos me garante um apoio para dormir um pouco.

Primeiro: PRA QUÊ viajar com bebê? Só pra trolar os passageiros, tenho certeza. Inferno.

Segundo: já que TEM que viajar, POR QUÊ não reservar um lugar? Inferno, inferno.

Acordei muitas vezes na madrugada, com o bebê gritando duas vezes, e uma com um cheiro de bosta na minha cara: eles tavam trocando a fralda da menina. Inferno, inferno, inferno.

O jantar da Gol foi um macarrãozinho com legumes e um cheesecake totalmente fake.

Pousei em São Paulo quase 1h antes do previsto. Eram 4h da manhã. Aeroporto às moscas (grande parte dos voos que chegam/saem de Guarulhos são de manhã ou de noite). Passei reto pelo freeshop. Vi a fila de táxi brilhando e não hesitei: saquei o cartão e lá se foram R$ 150 conto (de metrô+bus gastaria R$ 8), mas cheguei em casa em 40 minutos. Às 5h eu tava na minha cama dormindo. Consegui dormir 4h antes de ir trabalhar! Sucesso!

Mais uma viagem ótima e muito bem aproveitada concluída com sucesso.

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EUA 2012 – parte 2 – Orlando (Disney/Universal)

Continuando minha viagem pelos EUA (leia aqui a 1ª parte)

25 de março – 

Nosso trajeto entre Miami e Orlando foi feito de ônibus. Foi SUPER barato. Ele nos pegaria na esquina do albergue e nos deixaria perto   do aeroporto de Orlando – onde alugaríamos um carro. Perfeito. Compramos via GoToBus e pagamos meros U$ 23 cada! Por um trajeto de 4h!

E guess what? O motorista era brasileiro. Soubemos na hora. Ao colocarmos a mala no bus, ele gritou um belo PUTAQUEPARIU (ele estava meio atrasado).

Chegamos em Orlando 11h. A Pri se desesperou pq a bolsinha em que ela guardava a carteira de motorista, bijuterias e uns trocos tinha sumido. Paramos num MC e ela revirou a mala dela. Acabou achando a bolsinha. E eu perdi uma nota de 20 dólares que estava no meu bolso e caiu. Coisas da vida.

Até o aeroporto foi tranquilo. O problema é que havia 30 locadoras de carro, e todas eram MUITO mais caras que a internet dissera. Deixamos mais de U$ 500 por 7 dias de carro, com todos os seguros inclusos.

Isso porque, descobrimos naquele momento, estávamos no meio da Spring Break. Nem sabia que essa merda existia. É uma semana de férias escolares entre o fim de março e o começo de abril, em TODO O HEMISFÉRIO NORTE. Ou seja: tudo caro e lotado.

Sei que demoramos pra fechar o carro,  nos perdemos pra chegar ao hotel, o GPS tava doidão…

Gente, e o nosso carro, aquele lindo? Todo automático, só faltava falar. E era o modelo mais simples e popular! Sente só:

O hotel: optamos por ficar num HOTELmesmo em Orlando. Ficaríamos destruídas com os parques, precisaríamos dormir bem. Sorte que a oferta de hospedaria por lá é imensa, daí tudo é barato. Ficamos em um cerca de 5 Km da Disney, com piscina e café da manhã (não deu tempo nem de olhar a piscina). Destiny Palms Hotel. Um bom hotel. R$ 650 (sim, REAIS) 7 dias para duas pessoas! Baratíssimo! Compramos via Submarino, e deu tudo certo.

Bom, teríamos ao todo 7 dias em Orlando, e nos viramos para conseguir ver tudo. Os parques da vizinha Tampa (com montanhas-russas maiores e mais emocionantes e parques como um da NASA e um da LEGO) ficaram de fora da lista, por falta de tempo.

Decidimos comprar um pacote de 5 dias de Disney + parque aquático (1 dia para Hollywood, 1 Magic, 1 Epcot, 1 parque aquático e 1/2 Animal) = U$ 340; um dia (meio, na real) de Sea World = U$ 72; e dois dias de Universal = U$ 146. Compramos tudo pela internet, nos sites oficiais dos parques, com cartão de crédito internacional. O dólar ainda estava na casa do R$ 1,76. O IOF pesou um pouco, mas ainda assim é melhor do que deixar para comprar na bilheteria, na hora.

Sei que só às 18h no livramos de tudo e saímos rumo ao primeiro dia noite na Disney.

Optamos pelo Hollywood Disney Studios, por ser menor. Só teríamos 4h pra curtir o parque e nada de espaço na agenda para voltar.

O clássico chapéu de “Fantasia” domina o parque 🙂

Nos focamos na lista de atrações escrita por um amigo da minha tia, que já foi guia turístico.

Não lembro em qual brinquedo fomos primeiro – talvez o ride de Toy Story?

Sei que a Disney É tudo aquilo. É tudo lindo, bem feito, caprichado, perfeito. É tudo meio que… um sonho. Sei que é brega, mas é verdade.

Os brinquedos mais legais do Hollywood Studios foram o Rock’n Roller Coaster, que é super rápida e inteira no escuro e a The Tower of Terror, o famoso elevador que despenca – brinquedo que tava tão vazio que pudemos ir duas vezes seguidas!

Gente, e as lojas? Saídas diretamente dos seus sonhos consumistas mais ousados. Tem tudo. Tem loja de Starwars, de Toy Story, de TUDO MESMO. E os preços não são tão salgados. Bichinhos de pelúcia de ótima qualidade por U$ 15! Vontade de comprar mil e revender aqui… hehehe

E as roupas? Assessórios? Tudo incrível!

Olha essa bolsa que vimos, não é fantástica? Custava U$ 40.

E essas orelhas estilizadas?

A Pri perdeu as estribeiras nas compras. Já eu só ficava encantada, sem comprar nada. Minha pegada é com roupa, sapato, perfume. Coisas que ficam na estante tomando espaço e fazendo poeira não são a minha pegada. Mas entendo o fascínio.

A noite teve um show de água e luzes. Liiiiiiiiiiiiindo. Todos os principais personagens da Disney num espetáculo cheio de… glamour. Me falta outra palavra.

E assim descobrimos que na Disney faz MUITO calor durante o dia e bastante frio durante a noite.

That awkward moment em que sua câmera (na verdade, celular – só levei meu iPhone nessa viagem) não capta bem esse tipo de imagem. É o Mickey (vestido a la Fantasia) ali em cima da pedra, controlando as águas com magia. Lindo!

Na volta, tudo que era restaurante no caminho estava fechado, exceto Mc Donald’s (que estávamos tentando evitar) e um tal de Denny’s, que a Thais, amiga da Pri de Miami, tinha falado bem.

Mandei um saladão lindo e belo. Que saudade de quando eu tinha pique pra manter dieta…

Voltamos pro hotel e morremos.

26 de março – 

O café da manhã do hotel era bem meia boca. Nada de frutas. Tinha cereais, sucos industrializados, baggels e muffins. Mas dava pra quebrar um galho.

Decidimos ir ao Magic Kingdom, o parque-símbolo da Disney. Aquele do Castelo da Cinderela.

Ó ele lá no fundo, que belo:

Se vê na foto, e na realidade era pior: o parque estava CHEIÃO. Definitivamente, SPRING BREAK IN ORDER.

Mas a Disney tem um sistema incrível para que evitemos [um pouco] as filas: o grande, amado e idolatrado FAST PASS. É o próprio ingresso de entrada à Disney (um cartão que você mantém pelos dias que comprou e que lhe dá acesso a todos os parques). Você insere o cartão na máquina referente à atração que deseja visitar, e a máquina cospe de volta um papelzinho indicando um horário para voltar. De posse do papelzinho, você pode passar na frente da fila toda! Uma MARAVILHA!

O Magic Kingdom tem um lance muito bacana: toda hora o parque pára porque vai começar um desfile. E daí tudo pára MESMO.

É tudo lindo. As crianças piram. Olha o Aladdin aí!

O Magic Kingdom se destaca principalmente pelas coisas pra ver. Os desfiles, o castelo, a mansão assombrada, a ride dos Piratas do Caribe, o teatrinho  da evolução da Disney e da família americana. Uma atração, em particular, me emocionou: Mickey’s PhilharMagic, que é um filminho 4D com grandes cenas da Disney. Rei Leão, Branca de Neve, Bela Adormecida, Fantasia: estão todos lá. Até arrepiei.

Se bem que o Space Mountain, uma montanha russa no escuro, só com pontinhos distantes que simbolizam estrelas, é demais.

Passamos um perrengue para comer. Ou era caro, ou era obeso. As frutas eram caríssimas e tão NHÉ, se liga:

Muita gente comia umas tais de TURKEY LEGS. Pareciam ogros. Flagrei uma moça mandando dois desses, ó que coisa mais HAGAR O BÁRBARO:

Antes do parque fechar, tudo pára de novo para o grande desfile final, o Electrical Parade. Antes, porém, há um show de projeções no Castelo da Cinderela. Magnífico. O castelo vai mudando de cor, vai ganhando texturas… É um show de cliques fotográficos ao seu redor, e é difícil estabelecer qual das projeções é a mais bela. No centro do castelo eram mostradas fotos tiradas pelos funcionários da Disney durante o dia. Casais em lua de mel, crianças, amigos…

O desfile “elétrico”, propriamente dito, também vale a pena.

Dizem que debaixo da Disney há uma outra Disney, e ainda maior, para fazer a Disney de cima funcionar. Que é uma loucura o tamanho e a quantidade de gente trabalhando pros DREAMS COME TRUE – lema do lugar.

O show acabou depois da meia-noite, foi tenso. Novamente, só MC e Denny’s estavam abertos. Repetimos a noite anterior no Denny’s. Chegamos no hotel e caímos mortas. Poucas coisas no mundo cansam tanto como passar o dia na Disney.

27 de março – 

Podres que estávamos, perdemos a hora. Sem condições. Nem a cabeça nem o corpo funcionavam. Daí decidimos fazer um programa mais light nesse dia e ir ao parque aquático. A Disney tem dois parques aquáticos. Optamos pelo Blizzard Beach.

O parque imita uma Flórida nevada. Diz a lenda que uma nevasca atingiu a Flórida sabe deus quando, daí as pessoas ficaram se divertindo brincando com tobogãs. Bom, vocês entenderam o espírito da coisa.

A real é que o parque é pequeno, não há tantas atrações e, as que tem, não são lá essas coisas. Conhecedora e admiradora do Beach Park (em Fortaleza), digo que ISSO o Brasil faz melhor. O Beach Park é mais bonito, às margens do oceano, mais seguro, mais prático – é um saco ter de ir ao armário pegar dinheiro pra comer (no Beach Park a gente carrega um cartãozinho pré-pago e é só passá-lo nas lojas); e até os brinquedos são melhores. A queda do INSANO, do Beach Park, é a maior do mundo – e a do Blizzard Beach me ralou toda, aliás.

Eu adoro parques aquáticos e achei a experiência bem agradável. Mas digo e repito: sou MIL vezes Beach Park.

Parque aquático fecha cedo. Ainda passamos num mercado, onde compramos um jantar (nosso quarto tinha microondas! – mandei um Mac & cheese, puta troço que sinto falta), frutas – bananas vendidas por unidade, coisa de 2 dólares a banana!!! – e passamos numa lojinha de tranqueiras com motivos da Disney.

Voltamos ao hotel cedo e ficamos de papo pro ar, tentando descansar para mais uma maratona no dia seguinte.

28 de março – 

Taí um parque que cansa as pernas mais do que qualquer outro: o Epcot. É lá que fica o pavilhão dos países (é clichezão, mas é bonitinho).

Não sabiamos e só descobrimos na hora, mas o pavilhão dos países só abria ao meio dia. Por tanto fizemos um esquema para ver metade da Epcot primeiro, depois ir pros países e descolar uns FastPass enquanto isso, e depois terminar os brinquedos do Epcot. Um dos primeiros que fomos foi o Mission Space: experiência única (de ruim) na vida. Nunca tinha ficado mal num brinquedo, mas esse foi tenso. Ele simula um lançamento espacial.
Numa câmara escura e muito apertada, você senta numa cadeira e fica completamente preso pelo tórax. Uma tela muito próxima do seu rosto piora a situação de desconforto. Daí sei lá o que o bagulho faz, que seu corpo vira 90º e sua cabeça quase explode pela pressão.

Nenhum outro brinquedo deixava TÃO claro que pessoas com problemas de claustrofobia, cardiacos, pressão e talz NÃO devem entrar. Dava até medo.

E foi justificado.

Credo, nunca mais chego perto.

Sabem quando tudo fica preto e você está prestes a desmaiar? Acho que mais 1 segundo no brinquedo e eu realmente desmaiaria.

Por outro lado, o Soarin’, que simula um passeio de asa-delta, é libertador. Tem também o test-track, que é como um simulador de como os carros reagem em altas temperaturas, curvas muito fechadas ou muito abertas, planos inclinados, batidas e acelerações extremas. MARAVILHOSO. Nunca achei que ia gostar, e me surpreendi. A fila de espera chegava a 2 horas – sinal de que o bagulho é bom.

O Epcot estava com um especial primavera. Tudo florido, tinha até um borboletário. Olha que lindo:

Na parte dos países, vimos tudo meio correndo. É tudo muito grande, e a lojas… MEU DEUS, AS LOJAS. De tequila, no México; de cristais, na Alemanha; de tranqueiras japonesas, no Japão… E as comidas? Margueritas e nachos, sushis, chop-suey, macarronadas, chocolates…

Almoçamos no Japão:

(meio fracote, por sinal. O shoyu é mega aguado e o peixe não é das coisas mais frescas)

Acabei aprendendo a que país pertence cada desenho da Disney. “Carros” é EUA; “A Bela e a Fera” é França; “Branca de Neve” é Alemanha (nem imaginava!); “Dama e o Vagabundo” é Itália. Ó que lindo:

Outra atração interessante é o famoso globo, na entrada. Nem sabia que era uma atração.

Você viaja num carrinho pelas grandes descobertas do século XIX. E no final fazem uma brincadeirinha com as pessoas:

Para encerrar, teve o espetáculo Reflections of Earth no lago, um show de laser e fogos incrível!

29 de março – 

Dia de SEA WORLD & ANIMAL KINGDOM. Optamos começar pelo Sea, que era longe do hotel. Chegamos na hora da abertura do parque, e estava tudo super vazio. Começamos primeiro pela fantástica montanha russa Manta – uma das melhores que fui nesses 7 dias em Orlando. Loopings sensacionais, com direito aos pés raspando na água. Maior legal!

A montanha russa Kraken e o splash Journey to Atlatis – que despenca do nada numa queda com boa inclinação, e molha pra valer – também valem a pena. Daí têm os incríveis shows – só assistimos ao das Orcas e dos Golfinhos, que fazem malabarismos que encantam, e têm uma relação fantástica com seus treinadores – , um enorme galpão que simula o pólo norte, com paredes de gelo, ursos polares e talz, e tanques com arraias e tubarões.

Sei que valeu a experiência da Pri para nos fazer passar apenas metade do dia no Sea World. É um parque incrível, que vale a pena, mas deu pra ver quase tudo em algumas horas.

Lá pelas 13h rumamos para a Disney, dessa vez para o Animal Kingdom.

LOTADO.

Almoçamos e começamos a correr contra o relógio. Conseguimos ir nas principais atrações graças ao FAST PASS, aquela bênção. Isso porque o parque estava super cheio e as filas passavam de 1h. Todas. Na entrada de cada atração tem um relógio marcando o tempo estimado de demora nas filas.

Os mais legais foram a montanha russa Everest, que tem até Yeti e bagagens de escaladores hehehe, o Safari foi bacaninha, embora bem quadradão e óbvio, e o mais legais MESMO foi o Kali River, um splash PORRETA. Sai molhada até os ossos –

Foi ainda mais legal porque no barquinho tinha uma menininha de uns 6 anos curtindo MUITO a molhadeira. Riamos com ela.

Ficou faltando um monte de atração – o parque fecha cedo, e não deu tempo. Não vimos nada do caráter “zoologico” do lugar. Há várias exposições de animais incríveis, dizem. A árvore da vida, uma belíssima árvore esculpida – também doeu não visitar:

30 de março – 

E chegou o grande dia de conhecermos o parque o Harry Potter, na Universal.

Já na entrada percebe-se que a Disney está a mili-anos a frente em termos de organização. Não que a Universal seja ruim, mas não é a Disney. Inclusive as lojas,que são muito bacanas, mas caras, e porque rola uma ausência acentuada de banheiros e bebedouros (o que não acontecia na Disney).

Enfim: chegamos e fomos correndo ao parque do Harry Potter, que já estava entupido. Milhares de crianças com roupas de bruxo. Nerdaiada da porra! ahahahaha

Sei que o lugar é uma graça. Uma ótima simulação de como Hogsmeade seria (baseado nos filmes, não nos livros).

Fomos logo à montanha-russa, que estava absolutamente sem filas. Coisa linda.

Depois entramos numa fila ABSURDA para tomar a famosa cerveja amantega – HORRÍVEL. Pri e eu dividimos um copo, e ainda assim 3/4 foi pro lixo. É absurdamente doce, NÃO desce. O primeiro gole até vai, o segundo é detestável, o terceiro dá ânsia.

Também comprei suco de abóbora:

Também doce e enjoativo, mas dá pra encarar num momento de sede.

Daí fomos pras lojas: a Zonko’s, com várias quinquilharias de zoação relacionadas aos gêmeos Weasley; a Honeydukes (comprei feijõeszinhos de todos os sabores – U$ 10 a caixa!; um sapo de chocolate também U$ 10! e só); enfrentamos uma fila de mais de 1h para ver a apresentação das varinhas – era aniversário da menina que foi escolhida para o show – 11 anos! isn’t it cute?; na loja de varinhas a Pri perdeu as estribeiras. Comprou varinha, comprou objetos de colecionador, enfeites, bichos de pelúlia (uma Hedwig; um cachorro de 3 cabeças) e mais mil coisas. Ela deixou mais de U$ 200 *-*

Como já disse, curto ver essas coisas, mas só gosto de coisas úteis, que uso ou que como. Por isso gastei pouco. Uns U$ 40 no máximo.

Chegamos a entrar no Bar Três Vassouras para almoçar, mas estava cheio e o cardápio nem apetecia muito. A real é que comida britânica é sem graça. Só carnes ao molho, batatas e legumes.

Então fomos para a atração principal – o castelo de Hogwarts, onde rola uma espécie de montanha-russa-simulação.

Descobrimos que assim como a Disney tem o FAST PASS, a Universal também tem – mas é pago. Mas nem tudo está perdido: para economizar tempo em filas, uma ótima ideia é se desvencilhar dos amiguinhos e ir nas atrações sozinho. A fila do HP era superior a 1h. Entrando como “single ride” (sozinho), eles te encaixam no primeiro lugar que aparece. Não demorou nem 10 minutos!

O problema é que a merda do brinquedo quebrou no meio do “ride”. O som pifou e a montanha russa chegou a travar por uns instantes. Fuck.

O castelo inteiro é uma atração foda. Cada detalhe feito com esmero, para os fãs se deslumbrarem. A loja do castelo também era incrível. A Pri deixou mais uma grana, e até eu comprei lá minhas coisinhas.

Daí nos aventuramos a ir de novo no ride – dessa vez funcionou, mas a surpresa já tinha ido pro saco. Triste isso.

Ainda fomos na montanha russa levinha, que passa pela casa do Hagrid. Novamente: tudo lindo, feito com esmero. Tem até um bicuço amarrado no fundo da cabana 🙂

Almoçamos e continuamos vendo os parques do Island of Adventure: a parte da Marvel – o elevador que despenca é fraquinho; o filme 4D do homem aranha levou todos os meninos/homens à loucura; e a montanha russa do Hulk foi o brinquedo mais foda que fui em Orlando – suuuuuuuuuper rápida, enlouquecedora!

Depois a parte dos desenhos animados, que incluía um splash que nos molhou até os ossos.

Depois fomos até o Jurassic Park, que infelizmente é restrito aos pequenos. Mas é um ótimo lugar para tirar fotos!

É realista demais! Fantástico!

Já de noite nos demos conta que tinhamos acabado de ver o parque inteiro e ainda tinhamos umas 2h. Voltamos ao parque do Harry Potter para tirar mais fotos e andar de novo na montanha russa.

Ó o Ford Anglia selvagem, que demais:

Ainda vimos um showzinho de ilusionismo antes de o parque fechar e a rua principal do lugar virar uma baladona (?). Sinistro.

Jantamos no Denny’s de novo – faltou 1 dia pra eu virar mayor no Foursquare. hahahaha

31 de março – 

Último dia e último parque – UNIVERSAL STUDIOS. Ufa!

Mas antes de começarmos a Universal, demos mais uma passada no Island – no fim, ficaram faltando dois ou três brinquedos, incluindo um show do deus “Poseidon”, ou quase isso.

Também fomos no splash do Jurassic Park – parecia que seria estrondoso, e no fim só fiquei com uns chuviscos na cara.

Depois almoçamos num restaurante gracinha na rua principal do parque. Comi um paad thai, um macarrão tailandês que eu amo. Achei chique ^^

E o garçom que nos atendeu falava português!

Nisso, começou um temporal. Avassalador. De fechar brinquedos e nos impedir de sair do lugar. E não passava nunca.

Resolvemos arriscar. Mas não rolou: só corremos até uma loja próxima, onde compramos capas de chuva por absurdos U$ 10 dólares (mas tinham logos do Harry Potter heheh). Daí fomos pro Universal – e uns instantes depois parou de chover. SEM GRAÇA.

Estreamos o parque com o Shrek 4D – bonitinho.

Também passamos pelo Twister – uma atração bem velha, mas é divertido ver a destruição de um tornado.

O ride dos Simpsons era BIZARRO. Era uma projeção de montanha russa. como a Pri bem definiu: “a montanha russa do futuro”.

Sei que o parque dos Simpsons rendeu muita foto!

O brinquedo de Men In Black era incrível: uma competição para matar ETs com arminhas de laser.

Infelizmente não deu pra irmos na montanha russa da Universal, que parecia ter uma queda alucinante: estava fechado por conta da chuva, sem previsão para abrir.

Pri e eu, podres, resolvemos abdicar do resto, e do show final, e fomos embora, arrumar mala.

1º de abril – 

Acordamos não tão cedo, acabamos de arrumar nossas coisas e fomos pro aeroporto. Depois de devolvermos e pagarmos o aluguel do carro, começou a aventura do check-in do vôo para Nova York. Daí que a passagem não incluía despache de bagagem – custou U$ 40 e tinha um limite (acho que 30 Kg – minha mala tava com uns 27). A Pri, carregada de compras na Disney e no parque do Harry Potter, teve que abrir a mala e refazer inteira, de modo que o peso fosse diminuido. Algumas coisas ela passou pra minha mala, outras ela colocou na bagagem de mão.

Sei que com isso QUASE perdemos o vôo pra Nova York. Entramos no avião e a aeromoça disse “que bom que conseguiram”. Foi TENSO, brother.

A decolagem foi liiiiinda. O dia estava sem nuvens, o que permitiu uma visão perfeita do Cabo Canaveral – onde tem lançamento de foguetes! – Ó que incrível:

Assim que entramos no oceano dormi e só acordei quando estávamos pousando no JFK.

EUA 2012 – parte 1 – Miami

Sei que tá velho.

Como todo mundo que convive comigo física ou virtualmente soube, passei bons 20 dias entre março e abril nos Estados Unidos. Viagem planejada há tempos, tendo como minha prioridade Nova York. Sempre quis conhecer a Big Apple, e achava um grande furo no meu título “viajada” não conhecer os Estados Unidos e, principalmente, Nova York. Um palco de cultura, de consumismo, de jornalismo, sede de grandes multinacionais, exportadora de modas, manifestações e políticas. O centro do mundo ocidental.

Daí que com o lançamento do parque do Harry Potter em Orlando, há uns dois anos, comecei a querer ir pra lá também. E já que estamos em Orlando, porque não passar pela Disney, ao menos pra tirar uma foto do Castelo da Cinderela, não?

E assim começou o roteiro da viagem, lá pela metade de 2011.

Nesse meio tempo, uma amiga de infância começou a fazer também seus planos – ela já tinha ido a Disney, mas queria demais conhecer o parque do Harry Potter – POUCO VICIADA, ELA. Daquelas que tem fan clube, que participa de eventos, de RPGs e nerdices que estão além do meu entendimento (e do meu gosto pela saga – amo HP, mas ler os livros e ver os filmes é o suficiente).

Enfim: decidimos ir juntas.

Pânico total – sou filha única, individualista, egoísta, curto praticidade e rapidez.  E sempre fui uma viajante individual. Com ela, temi perda de privacidade, de liberdade e desorganização da agenda (apertadíssima).

Mas vamo que vamo.

Decidimos pelo final de março – começo de abril. O tempo estaria perfeito: um calor NÃO TÃO ABSURDO na Flórida e um frio agradável em NY. Baixa temporada.  Preços menores, menos gente, menos filas. ESSA ERA A IDEIA.

A passagem aérea estava cara, então meu pai me deu as milhas dele, e pegamos tudo de graça: SP-MIAMI / NY-SP. Só pagamos o trecho Orlando – Nova York (algo em torno de R$ 300 pela American Airlines).

Chegou a véspera da viagem e eu estava morrendo de dor de garganta, que começou por conta da noitada fooooooorte na sexta-feira anterior (16). Mas isso é outra história. O que importa saber é que a partir da sexta dormi maaaaaaaaaaal até o dia da viagem, quando acordei 5 da manhã pra ir pro aeroporto. E ainda tinha trabalhado no dia anterior.

20 de março

Papai, além das milhas, me deu a oportunidade de voar de classe executiva, por algumas milhas a mais. Com isso, tive certo conforto, IMPOSSÍVEL na classe econômica.

Decolei 10 e pouco da manhã. Vôo inteiro diurno. Do meu lado, uma mulher esnobe não ficava quieta: falava dos filhos e das namoradas dos filhos, do marido e, claro, do apartamento dela em Miami, e de como ela viajava o mundo para assistir campeonatos de tênis, sua grande paixão ZzZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Não consegui ver paisagem nenhuma no voo. Tudo nublado. E a janela da executiva fica meio longe da poltrona, não é que nem na Econômica, que é tudo grudado e dá pra se apoiar na janela. Em compensação, faltando meia hora para pousar, Bahamas surgiu diante dos nossos olhos. E eu mal conseguia olhar porque a rica chata do meu lado não parava de me cutucar pra falar alguma inutilidade. Saco.

Mas deu pra ver um pouco daquela água quase transparente do Caribe e seus vários tons de azul. Lindo.

Pousamos umas 17h e pouco. Desacreditei na calma do aeroporto: não tinha viv’alma no controle do passaporte (o tio da imigração só perguntou se eu tava sozinha – respondi que minha amiga chegaria depois de amanhã) e se eu ia festejar um pouco. Minha mala não demorou nem dois minutos pra aparecer na esteira. Uma beleza. Até porque tinham me falado que o aeroporto de Miami era caótico.

O transfer do hotel demorou bastante, uns 40 minutos.

Cheguei no hotel, fiz check-in, me joguei na deliciosa cama de casal do quarto, liguei por skype para meus pais, li um pouco – “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingway – e capotei.

E dormir mal de novo, acreditam? Toda hora acordava, ficava virando na cama, incerta se estava morrendo de calor ou de frio. Uma hora desisti de dormir e continuei a ler.

Nesse meio tempo lembrei de carregar meu celular. Fui lá na tomada e óbvio que eu precisaria de um adaptador. BURRA QUE SOU, toda viagem que faço tenho que comprar um novo carregador. Sempre esqueço.

O hotel: SLEEP INN MIAMI AIRPORT – 2 diárias = U$ 225 (com taxas inclusas)
Optei por conta da proximidade  com o aeroporto, pelo transfer gratuito e pelo café da manhã incluso – sou daquelas que, em viagem, para economizar em comida, come feito porca no café da manhã incluso.
O quarto, com cama de casal e ar condicionado, era bom e espaçoso, mas as paredes eram muito finas. Maior barulheira vinha das vizinhos altas horas da noite.

21 de março – 

6h da manhã já estava banhada e tomando café-da-manhã. Bem bom o café, 3 opções de fruta (aprenderia, nos próximos dias, o quanto fruta era raridade nos EUA), vários tipos de pão, vários tipos de cereais e suco. Deu pro gasto.

Em seguida fui pro aeroporto, porque de lá saía um ônibus para Key West, meu plano de passeio para esse primeiro dia. Li no mochileiros.com e em vários sites que o ônibus saia às 7h40, às 11h40 e às 17h40. Cheguei lá e depois de andar feito um burra de carga pelo aeroporto e de perguntar para trocentas mil pessoas de onde saia o ônibus, achei. E descobri que o ônibus das 7h40 não existia mais. Resultado: teria que esperar QUATRO HORAS. Até mais, porque cheguei super cedo no aeroporto pra mim garantir.

Primeiro fui atrás de um adaptador de tomada. Lá se foram 16 dólares (mais, na verdade, porque tem sempre a merda da taxa que não está inclusa no produto). Achei uma tomada, coloquei o iPhone pra carregar e continuei a ler Hemingway.

Minhas leituras de viagem sempre têm a ver com o destino – Hemingway viveu por um tempo em Key West. Lá tem até museu na casa dele e talz.

Terminei o livro e fui passear pelo aeroporto, um verdadeiro shopping center, com hotel e tudo. E consegui conhecê-lo e decorar cada loja, pra terem uma noção de quanto apodreci lá.

O ônibus para Key West atrasou e acabou sendo bem mais caro do que me informaram as fontes – mochileiros e outros sites de turismo diziam que eu gastaria U$ 50  ida e volta. Gastei U$ 90. Fui pela companhia Greyhound, bem conhecida nos EUA, e acho que a única a fazer esse trajeto.

Key West é a extrema ponta sul dos EUA. Deixa que eu desenho:

Além disso, de Key West a Cuba são apenas 40 milhas (pq lá tudo é milha. 1 milha = 1,6 Km).

O trajeto foi longo, e demorou pra ficar interessante. Eram 4h de bus, e só a partir da segunda hora é que começamos a passar por Everglades, a enorme reserva ambiental que ocupa boa parte do sul da Flórida. E então… MAAAR. A primeira visão foi impactante: todo aquele verde do Everglades e o oceano caribenho, um azul esverdeado que a gente não vê em qualquer lugar.

O trajeto que liga a ponta do continente a Key West passa por pontes atrás de pontes – a maior delas com 7 milhas de extensão. Por quase todo o caminho tem ciclovias, e fiquei viajando ao me imaginar com uma bicicleta lá.

São dezenas de ilhas no trajeto, cada uma mais linda que a outra.

Cheguei a Key West 16h e pouco. 17h30 era o último ônibus para Miami, e eu não tinha escolha. Não sabia que demoraria tanto e que só tinha ônibus às 11 da manhã. Tive que ficar pelas redondezas do aeroporto. Nessa 1h30 deu tempo de andar até a praia, correr uns 20 minutos no calçadão e tirar boas fotos. Mas não cheguei nem perto do centro histórico de Key West.

Tanto na ida como na volta o ônibus parou num Burguer King. Comi uma cebola empanada no almoço e um hambúrguer no jantar.

Na volta pegamos uma tempestade sinistra na estrada.

Cheguei no aeroporto, peguei o transfer pro hotel e morri.

Dessa vez dormi bem.

22 de março – 

Acordei, tomei café, fiz check out no hotel e fui pro aeroporto esperar a Pri, que chegaria às 8h. No dia anterior pude passear bastante pelo aeroporto e achei um bom ponto de encontro, debaixo de uma parede rosa choque.

Cerca de 1h depois ela apareceu – tinha fila na imigração.

Novamente, eu já conhecia o aeroporto de cor, então soube exatamente onde ir para pegar o ônibus para Miami Beach, que super deu certo e foi bem barato, não fosse o fato de descermos um ponto antes.

South Beach é um NOJO.

Não tenho outra palavra para definir. Exibição de corpos, carros, roupas. Esnobismo. Argh.

Por outro lado, as praias são muito bonitas.

Deixamos nossas tralhas no albergue – ainda não era hora do check in – e fomos andar. Fomos até a ponta de South Beach, andamos pela areia, tiramos fotos e fomos almoçar. Comi uma bela salada – me matando para não engordar nos EUA – e uma budweiser ^^

Voltamos para o albergue. Agora sim, check in.

Ficamos no Deco Walk Hostel. O escolhemos pela localização excelente – na frente da praia, no meio do agito (só não sabíamos que o agito não era a nossa, mas…). Foi bem caro. 3 noites U$ 250 cada. Culpa de um festival de música eletrônica badaladíssimo que ia rolar no fim de semana bem pertinho do hotel.

O quarto era misto – tenho uma tese: mulher é mais porca que homem. Quando há mulher no quarto, homem se comporta. Quando só há mulher, não raro entramos no quarto e a mina tá raspando a dita-cuja no meio de todo mundo. ARGH.

A noite combinamos de encontrar a Thais, amiga da Pri que mora nos arredores de Miami, num shopping, que era mega longe do nosso albergue. A encontramos e ficamos batendo papo por um bom tempo.

Agora um porém de Miami, que a rica esnobe tinha me alertado no avião mas não prestei a devida atenção: GALERA ABUSA DO AR CONDICIONADO. Não é um abusar nível hotel de luxo. É botar o bagulho no talo. Em todos os lugares possíveis. No ônibus urbano, por exemplo, a Pri ficou roxa de frio – incautas, não levamos blusas. Eu estava de VESTIDO. Foi tenso demais. Ainda falando do ônibus, tinha wi-fi no transporte público de Miami! Não é incrível?

23 de março – 

Tínhamos fechado, no dia anterior, um rolê de one-day-trip para Bahamas. Não podemos perder uma oportunidade dessas, não é mesmo?

Fechamos o passeio com o hostel que, filho da puta, cobrou um extra fodido pelo transfer até o porto. A passagem do navio era U$ 90, mas pagamos mais de U$ 200 cada, para incluir o transfer.

Com passaporte às mãos (Bahamas é outro país, NÉAM), o transfer nos levou até o porto, em Fort Lauderdale, a 1 hora de Miami. O embarque foi às 9h, e demoramos umas 2h pra chegar à Grand Bahamas, de onde pegamos uma excursãozinha para uma praia que não lembro o nome.

Passamos o dia na vida mansa da praia de poucas ondas e águas transparentes.

Fiquei meio decepcionada com Bahamas. Achei que fosse mais bonito. Mas culpo a praia. Não tivemos muita escolha… Era essa praia ou um cassino ¬¬

Foi um dia bem agradável.

Voltamos para Miami e chegamos ao albergue em tempo de dormir o sono merecido.

24 de março – 

Passar o dia todo passeando com a Thais. Foi uma delícia. Ela nos levou pra conhecer quase toda a costa de Miami, fomos a Outlets – fiquei ENCANTADA. Pela primeira vez na vida entendi porque as pessoas viajam pra comprar. Outlets são um sonho. UM SONHO. Comprei tênis de U$ 20 dólares, comprei óculos escuros de R$ 30 – almoçamos Mc Donalds, fomos à praia no distrito de Aventura e assistimos um casamento na praia. Foi um dia delicioso, cheio de aprendizados sobre os norte-americanos, a língua inglesa e talz.

 Na inauguração de um novo Mc Donalds, pagando de americana obesa – hahahahah

Ó lá o casamento na praia.

Nos enxotaram sem dó da praia que é PÚBLICA, mas beleza, ficamos assistindo. Foi fofo. Quase chorei.

A noite, fomos a um shopping ao ar livre e… tchãnãnã… a um CASSINO!

Perdi meu U$ 1  na velocidade da luz, mas foi divertido.

Depois a Thais nos levou pra tomar o sorvete mais obeso que já tomei, numa tal de COLD ROCK sorveteria. Delícia. Foi nosso jantar.

Mais tarde ela nos deixou no albergue e assim acabaram nossos dias em Miami.