A vida não tá fácil

Não tá.

Desde que voltei de viagem, em 9 de janeiro, conto nos dedos de uma mão os momentos realmente felizes do ano (na real, só lembro de dois: Casamento de um amigão; Carnaval/Sambódromo; bar semana passada com os brothers. [não, meu aniversário não consta nessa lista pq, mesmo que muita gente que amo tenha ido, muita gente que amo NÃO foi e nem deu justificativa. fiquei mal).

Tenho impressão que gastei a cota de felicidade do quinquênio na minha viagem…

De resto, um misto de melancolia, desânimo e desgosto marcam meu primeiro trimestre de 2015.

O Trabalho.

O trabalho está uma merda. Graças à economia brasileira toda fodida e à crise da água em São Paulo, a construção civil foi reduzida em um volume assombroso. Como meu trabalho está diretamente ligado ao mercado imobiliário, que é um dos que mais sentem essa crise, tenho passado longos períodos de ócio não-remunerado (só ganho pelo que produzo). Em fevereiro, tive o pior salário até agora nesse trabalho. Até menos do que costumava ganhar quando era estagiária, juro. Tudo indica que abril será parecido. A coisa tá feia. Meus colegas de trabalho estão tensos. A chefe está mais tensa ainda.

O Brasil. 

Me deprime. Me dá vontade de gritar, de chorar. Essa onda de conservadorismo está me dando um desgosto sem precedentes com o fato de ser brasileira e morar no Brasil. Manifestação pedindo impeachment, pedindo golpe militar. Não consigo olhar a bandeira do Brasil ou ouvir o hino sem sentir repulsa.

Gente boicotando novela porque gays se beijam. Gente pedindo a morte de uma presidente eleita pela maioria (não esmagadora, ok, mas ainda assim) da população. Gente que grita “Abaixo Maria do Rosário, Viva Bolsonaro”. Enfim. Vocês lêem jornal, sabem do que eu tô falando.

Nunca tive vontade de sair do Brasil. Até 2015.

Se acho que outros países são melhores? Depende. Há lugares e lugares. O que eu não aguento é gente com boa educação pedindo ditadura e apoiando feminicídio.

O que me impede de vazar? Um trabalho mais ou menos decente. Nem fodendo que saio daqui pra limpar bunda de bebê – até porque não curto criança. Seja finlandesa, ugandense ou canadense. Não gosto. São folgadas, são mimadas, são inconvenientes. Tô fora.

A Vida.

Minha vida social está em coma na UTI. Ninguém tem grana pra nada, ninguém quer fazer nada, quem sai só sai com cônjuge/namorad@, chega fim de semana e todo mundo só quer dormir. Eu inclusive.

Meus pais não param de jogar na minha cara o fato de eu estar sozinha e sem amigos. Sempre pra cima a opinião dos meus pais.

Vida está chatíssima e desmotivadora.

O Amor.

Rysos altos do mais puro sarcasmo. Em resumo: sou uma completa imbecil sem amor próprio e que não canso de me humilhar. Mas não sigo em frente porque a vida está tão chata, tão desmotivadora, que me apegar a três ou quatro frases agradáveis por semana é o que me resta para não sucumbir de desgosto.

Ok, é uma maré que vai passar.

#Oremos para que passe logo.

—-

Mas nem tudo é desgraça. Em exatos 15 dias vou fazer uma viagem bacana com o meu pai. Tô pobre pra caralho e não teria condição de ir nem até a Praia Grande, mas como meu pai está pagando a parte aérea e eu tinha dinheiro vivo sobrando da última viagem… Vou pra Dubai passar meros 2 dias, com meu pai, e daí ele volta pro Brasil. Eu sigo para Paris, onde ficarei com meu primo e a namorada, que moram lá.

***

Se você estiver à toa na região central/oeste de São Paulo, faizfavô de me chamar pra uma cerveja. Sério. Por favor. anamyself@gmail.com

😉

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Profissionalmente falando

Sempre reclamei dos meus trabalhos. Vocês tão ligados, né? Reclamava do salário, dos plantões de fim de semana, dos coleguinhas babacas e burros, dos chefes loucos ou estúpidos, da rotina em si. Já reclamei de tudo, e juro que não era a toa.

Inclusive tentei novos caminhos. Fiz alguns meses de cursinho, para ver se meu problema com biologia era professores que não me inspiravam no Ensino Médio. De fato, professores que tem didática e são legais fazem toda a diferença na escola, o que não foi o meu caso nessa disciplina especificamente. Só que no fim das contas eu continuei achando biologia meio chato.

Tentei geografia, cheguei a fazer um ano e meio de graduação desse curso na USP. Não rolou também.

E assim fui pulando de trabalho em trabalho; alguns melhores, outros ruins mas com pontos positivos, outros apenas insuportáveis.

Estou no mercado de trabalho há 8 anos, e já trabalhei em 8 lugares diferentes. Já estive desempregada por 7 meses, também já emendei 2 anos de trabalhos diferentes sem férias. Já trabalhei 8h seguidas com postagens no Orkut, já trabalhei com simpósio de saúde, já trabalhei em eleições, já trabalhei em órgão público, já lidei com o mercado de celulose, já escrevi sobre música erudita, já trabalhei 3 meses seguidos sem fim de semana, já falei inglês e traduzi entrevistas no trabalho, conheci famosos, inaugurei resort, fiz amigos para toda a vida, me diverti muito, odiei muito, chorei muito.

Tanta enrolação para dizer o seguinte: nunca estive tão satisfeita, profissionalmente, como estou agora.

Meu trabalho atual é o que mais chega perto do que sempre quis: não tem pentelhação nenhuma, não dependo de ninguém – é um trabalho totalmente individual, em 6 meses nunca precisei telefonar para ninguém, não há plantões de fim de semana em hipótese alguma e, a cereja do bolo: é um salário excelente, para o mundo da Comunicação.

Não é bem um salário, afinal de contas recebo por publicação. Isso é ruim porque muda muito o valor, tem meses fracos e meses lindos. Sou PJ, não tenho direito a nada. Mas no jornalismo 70% das pessoas tão assim, e ganhando muito menos do que eu (eu tava ganhando meros R$ 2 mil PJ ano passado, para terem uma ideia de que a chapa é quente e o bagulho é louco).

Meu trabalho é o seguinte: eu produzo jornais para empreendimentos imobiliários. Por exemplo, lançaram um empreendimento em Perdizes. Encomendam o jornal, que vai falar bem do bairro, dar dicas culturais e tal, e daí rola uma publicidade do empreendimento. Tipo isso. A distribuição é gratuita, em diversos semáforos pela cidade. As tiragens variam entre 10 e 100 mil exemplares.

No começo eu achava do mal isso, mas o jornalismo inteiro é assim: totalmente dependente da publicidade. Daí recebo por cada um que produzo. E eu faço praticamente tudo: o esqueleto da diagramação, escolha das fotos, textos. Só não finalizo e não subo para a gráfica.

Tô satisfeita.

Não tenho amigos aqui, mas também não chega a ser um ambiente hostil. Mas não tem problema, de verdade.

Às vezes rola de trabalhar das 10h até às 22h. Às vezes saio às 17h. Não consigo prever meus horários, isso é meio chato. Mas só de saber que NENHUM fim de semana estará comprometido, nem reclamo.

Achei meu lugar, gente. Espero ficar por aqui um bom tempo.

USP e mais do mesmo

Bom, hora de atualizar.

A grande novidade da vez é que passei na USP.

Nem sei se cheguei a falar aqui no blog que prestei geografia. Comecei a fazer cursinho no segundo semestre do ano passado pretendendo fazer alguma coisa ligada a biologia, veterinária… Mas biologia realmente não é a minha. Não suporto biologia celular, não consigo decorar nome de nada e tenho a maior dificuldade do mundo até com as coisas fáceis da biologia.

Mas aí fui vendo que gosto muito de geografia… Até mais do que história. E a concorrência em geografia na USP era ligeiramente baixa. Coisa de 5 e pouco por vaga. Mesma coisa que jornalismo na PUC à época que prestei e passei.

Depois de 2 meses larguei o cursinho e me inscrevi para prestar geografia.

A primeira fase foi triste: fiz 34 pontos de 89 possíveis (cancelaram uma questão – que eu tinha acertado, by the way). A segunda fase, então… Só sentando e chorando. Meu resultado foi pífio. Depois das três provas da segunda fase, estava convencida de que não passaria.

Uns amigos que fazem geografia na USP me garantiam que em alguma lista eu haveria de passar. Mas até disso eu duvidava.

Até o dia 8 de fevereiro, quando cheguei para trabalhar e a @fer4 tinha anunciado no twitter que viu meu nome na lista de convocados da primeira fase da USP. Nem acreditei, mas tava lá:

Ahhhh malandro!!!

Se fiquei feliz? Não tanto assim. Fiquei é surpresa de mesmo tendo ido super mal ter passado. Mas fiquei orgulhosa de poder falar para o mundo: PASSEI NA USP 🙂

No dia seguinte liberaram o boletim de desempenho:

Nice. Orgulhinho.

Ah, o resultado pífio no segundo dia é culpa das exatas, obviamente. Deixei TODAS as questões de física e química em branco. Em branco MESMO. E de matemática só fiz (e acertei) os itens A e B (tinha A, B e C) de uma questão. O resto também deixei em branco. Mesma coisa em biologia: tuuudo em branco.

E ainda assim fui melhor do que a grande maioria e passei na USP!

É, a educação brasileira tem muito arroz com feijão pra comer.

Bom… O meu trabalho novo vai bem.  Sempre no começo é tudo lindo, então acho que só lá pelo 5º ou 6º mês poderei avaliar de verdade se gosto de lá.

Mas alguns fatos já adianto: apanho muuuuito da burocracia de um emprego público. Foi uma treta para ser enfim registrada. Tirando isso, gosto de trabalho externo. Semana passada acompanhei vice-prefeito em formatura de cursos de graduação cujas bolsas foram pagas pela prefeitura; acompanhei entrega de reforma de escola e uma entrevista do prefeito à TV Assembleia. E foi legal pra caramba. É um trampo cansativo, corrido, mas não é difícil. Basta acompanhar os eventos e depois escrever sobre eles. E também cuidar da imprensa, organizar pedidos de entrevistas e reclamações que envolvam a imprensa…

Acho que pela primeira vez na vida não vou ser uma profissional tão medíocre – no sentido literal da palavra, médio, regular, comum – como costumava ser em outros trabalhos. Mas é esperar pra ver.

Com isso vou aprendendo sobre administração pública e conhecendo bastante gente, mas o salário, ó.

As pessoas também são bem legais… Me dou melhor com dois caras, um fotógrafo bem gente boa e um outro jornalista que senta na minha frente. Tão atencioso e gentil que às vezes acho que é falsidade. mas não, acho que é só bonzinho mesmo.

Mas ainda sinto falta da Natália e da Camila 😦

O foda mesmo é o fato de GERAL ser noivo/casado. Sou a única solteira do ambiente da comunicação, que engloba umas 20 pessoas. So sad.

Aliás, minha solteirice está me incomodando de novo. De repente, para tudo que é lugar que eu olho, só tem casais. E só rolê de casal. Ontem fui num karaokê com amigas da faculdade e seus respectivos namorados: 3 casais e eu. Gosto muito delas, e dos namorados delas. E me diverti muito. Mas às vezes sentava e olhava ao redor: casais abraçados e eu sobrando.

Semana passada fiz um churrasco de aniversário. Churrascos de aniversário nunca me decepcionaram até então. Mesmo com situações adversas e às vezes irritantes, sempre acordava no dia seguinte feliz de reunir amigos.

Mas agora mudou.

Primeiro churrasco na minah vida que me fez repensar o ato de comemorar meus aniversários, coisa que eu sempre adorei.

Aquele monte de casal, cada um isolado num canto. E dois ou três solteiros perdidos.

Por mais que eu goste muito da maioria dos casais e sinceramente deseje um futuro próspero para eles, me incomoda pra caralho ver TODO mundo namorando e a vida me deixando para trás de novo… E cada vez mais gritando na minha cara: “VOCÊ FOI FEITA PARA FICAR SOZINHA: ONTEM, HOJE E SEMPRE”. Acabo de completar 25 anos sem qualquer relação. O máximo que tive até hoje foi uma situação em que eu era step, e durou dois meses, e outra situação em que eu era um… uma marmita, e durou 6 meses.

O chato é não ter como fugir dessa situação. E não estou solteira porque “antes só do que mal acompanhada”: posso baixar o nível até o esgoto, e ainda assim fico sozinha. É impressionante.

É só casal, é só namorado por tudo que é lado. E essa agonia e solidão que pelo visto, por mais que uma esperança idiota insista em dizer que não, sei que irá me acompanhar pela vida.

Sempre triste as pessoas me perguntando: “e os rolos?” e eu respondendo: “absolutamente nada”, não por naõ querer falar da minha vida, mas por não ter nada a contar, mesmo.

Hoje, sábado a noite, uma caixa de bombons pela metade e um convite para uma balada ruim em que eu posso pegar uns 20, mas que em NADA altera a solidão…

Amanhã (sim, domingo), eu trabalho. Aniversário de Osasco. Segunda começa a USP: e se renovam as esperanças de conhecer novas pessoas…

Maldita esperança. Odeio muito ficar cheia de espectativas e sempre… SEMPRE quebrar a cara. E SEMPRE continuar sozinha.

E só queria mandar tomar no cu com fervor as pessoas que disserem para eu ter uma atitude mais positiva, ou que disserem que isso é falta de deus no coração. Tanta gente negativa pra caralho que tá sempre namorando… Tanto ateu por aí casado e feliz… Então persisto com a pergunta: O QUE EU TENHO DE ERRADO?

Anônimos, conto com vocês para me dizer o que eu tenho de tão errado que faz com que ninguém no universo cogite qualquer coisa além de uma one night stand comigo.

Enfim.

Os anos passam e os desabafos continuam os mesmos.

2011: Vida nova, trabalho novo

Gente. Faz décadas que eu não posto, eu sei. Simplesmente não estava rolando.

Sei nem por onde começar. Tanta coisa.

A maioria boa.

Vejamos.

Vou falar nesse post só sobre o âmbito profissional. Se não vai ficar grande demais.

Eu realmente quase gostava do meu trabalho, a assessoria de imprensa (CSK) do hotel (Grand Palladium Imbassaí). Tava me sentindo bem trabalhando com turismo, um troço que eu curto muito. Também me apeguei demais às meninas que trabalhavam comigo. A Natália e a Camila. (beijo! Miss u2!)

Daí que entre os dias 4 e 7 de novembro aconteceu a festa de inauguração do resort, que foi em grande parte organizada por mim.  Convidei jornalistas, celebridades (sem cachê – só teve celebridade D, mas enfim), até agentes de turismo. Organizei quartos, organizei vôos. Treta, minha gente.

Depois de meses de correria e stress, rolou.  Não sem antes uma onda de stress me fazer chorar uma semana inteira.

Mas rolou.

O hotel estava hiper lotado, confuso e tive que dormir num condomínio nas proximidades do resort. Mas, tirando isso tudo, foi FODA. A experiência profissional mais foda da minha vida, com certeza. Curti tanto que pensei (e ainda penso) em fazer algo na área de eventos.

Ó que lindo o hotel, nessa foto, feita pelo assessor do secretário de Turismo da Bahia (que esteve presente!). Chique. Outras fotos bem bacanas e uma matéria de uma jornalista fofa que estava na inauguração aqui.

A sensação de poder que me acometia quando 10 pessoas me rodeavam para perguntar cada uma delas uma coisa era inenarrável. E os jornalistas/celebridades me aplaudindo no jantar em que reunimos toda a galera? Quase chorei. Juro.

Era uma correria insana. O top foi o segundo dia, que teve jornalistas correndo atrás de mim o dia todo e show da Margareth Menezes a noite. Trabalhei das 8h às 4h ININTERRUPTAMENTE. Não almocei, é claro. O jantar foi com jornalistas, então nem rolou relaxar muito – o que não significa que eu não aproveitasse cada respiro para beber alguma coisa alcoólica (não é toda hora que a gente acompanha um evento ALL INCLUSIVE, néam).

Nessas, eu e a Natália, do meu trampo e que foi pra inauguração ajudar (e foi essencial!), demos uma grudada. Pegada bem parecida a nossa. Idéias e revoltas. All the same.

Resumindo: experiência foda.

Depois disso, o trampo ficou um marasmo e começou a parte de assessoria de imprensa propriamente dita. Meu trabalho decaiu de qualidade, até porque comecei a notar que aquela pegada não era a minha. Achava simplesmente o fim aquele serviço que mais parecia (ou deveria parecer) telemarketing. Divulgar notícias sem qualquer relevância… Puta que pariu. Ficava louca.

Ainda mais, meus chefes estavam se separando. Meu trampo era uma empresa familiar, com os cônjuges sócios. Daí que a mulher estava fazendo 40 anos e surtando. O homem a traiu. E começou a merda. Ela chorando e passando dias sem entrar em contato com as funcionárias. Ele fingindo que não era com ele.

Depois da inauguração do hotel, ele não apareceu mais. E ela começou a batalha judicial pelo divórcio. Até aí beleza. O problema é que ela não sabia separar pessoal do profissional. Falava para seus 700 e poucos amigos do facebook (inclui-se aí clientes e jornalistas) que o marido a deixou com um rombo de R$ 60 mil, e que a tinha traído. Isso deixava a nós, funcionárias, simplesmente pasmas. Era um misto de dó, raiva e indignação.

Mas ainda é pior.

Ela chegou ao ponto de mandar e-mail para mim e para a outra assessora pedindo uma carta registrada nossa favorável a ela, no processo de divórcio.

JURO.

Depois meus pais dizem que reclamo de barriga cheia… Tsc, tsc, tsc.

Com isso tudo, não é surpresa que no fim do ano um dos clientes cancelou a conta. A coisa tava ficando feia e começamos todas a mandar CVs e ir a entrevistas, já que o futuro lá era turvo.
Depois do cliente sair, ela me chamou dizendo que se não rolasse outro cliente teria que me dispensar.

Nesse meio tempo, fui em algumas entrevistas e recomecei um contato com a secretária de comunicação de Osasco, que já havia me oferecido um trampo anteriormente, mas que eu recusei para ficar no trampo que ocupei entre junho de 2009 e maio de 2010, aquele infernal NADA IDEAL. Só porque era do lado de casa e a preguiça falou mais alto.

Daí que indiquei uma amigona para o cargo em Osasco, a Lu, brother da PUC. Ela entrou, ficou mais de 1 ano e amava a rotina. Me escrevia às vezes dizendo que curtia muito aquilo. Me dava um orgulhinho de a ter indicado. E vontade de também fazer parte.

Recentemente, soube que ela foi para Londres. Aí a comunicação de Osasco me chamou e…

Well. Here we are. Comecei hoje.

Essa vida louca que a gente leva

Ando sumida, eu sei. Morro de saudade da blogosfera. De todos que me liam e que eu lia também.

Mas esse é um prejuízo da vida louca que dói um pouco, mas é menos prejudicial do que estar completamente infeliz e sozinha, como eu era até pouco tempo atrás.

A grande novidade é: eu não odeio o meu trabalho. Não posso dizer que amo, porque trabalho é trabalho. Não acordo feliz, jamais. Tem mil pontos contra: ganho mal e sem nenhum tipo de vínculo ou benefício, é instável, é meio longe de casa, é assessoria de imprensa.

Still.

Eu não odeio.

Primeiro porque eu amo as meninas que trabalham comigo. Amo como a gente se dá bem, como a gente partilha de tantos gostos e opiniões – três filhas únicas, vejam só!

Gosto dos chefes também. Me incomoda um pouco o ambiente extremamente “lá em casa”. E a falta de planejamento e de organização – eu tenho que adivinhar o que fazer, muitas vezes. Mas prefiro isso àquele ambiente hostil de antigamente. (Sim, continuo cheia de rancor da minha ex-chefe).

Do meio de setembro até agora, estou completamente entupida de trabalho, como nunca antes na história desse País. Vivo preocupada e estressada. Nos últimos quinze dias, apenas em 2 consegui fazer 1h de almoço completa. Na maioria dos dias comia enquanto dava informações no telefone e organizava tabelas de excel.

Isso porque assessoro um resort que está sendo inaugurado na Bahia por esses dias. Sem citar nomes pra não me rastrearem, sabem como é. Mas não é difícil descobrir, se você me tem no facebook, no twitter, no linked-in. (Não tem? Adicione-me agora mesmo! Os links estão na barra aí do lado direito!)

Enfim. Corri atrás de tudo dessa inauguração. De celebridades que topassem ir sem cobrar cachê, operadores de turismo, jornalistas. Pode parecer fácil fazer um jornalista ou uma celebridade topar ir pra um resort na Bahia com tudo pago – avião, hospedagem all inclusive e todo o luxo. Mas nem é, viu. Ainda mais para alguém que está de fraldas no mundo da assessoria de imprensa.

Descobrir quem assessora celebridade X. Ouvir um milhão de nãos da grande imprensa. Explicar trezentas vezes as mesmas coisas. Convidar prefeito, governador, ministro, secretário. E alguns deles toparem!

Enfim. Tá foda. E como se não bastasse, ainda me deram um outro cliente. Uma rede de restaurantes de alimentação saudável – que eu já curtia antes da assessoria. Todo dia chego pra trabalhar tensa com a quantidade de e-mails na minha caixa. 30 só quando abro. Se for depois de um fim de semana, uns 50.

Dei umas surtadas. Fiz DR com a chefe pelo MSN.

Mas a vida vai indo.

Engordei mais um pouco – rumo aos 90 Kg (tenho 1,61 m). Minha pele está uma bosta. Meu intestino (que andava controlado) não funciona há 4 dias – simplesmente porque não me sobra tempo de fazer cocô. Não menstruo há 2 meses – e não estou grávida. Fiz teste hoje e tô limpa.

STRESS, mano. Do mais puro e estereotipado.

Ah! E ainda tem o cursinho. Óbvio que das 10 aulas da semana, mato 7. Desencanei das de exatas – só assisto a aula quando for alguma coisa que eu saiba rolar um potencial em mim (assisti aulas sobre matriz, probabilidade, geometria, Newton…). Mas vou te contar que as aulas de história – mesmo que um dos professores seja uma anta conservadora e tapada – e de geografia são o que me mantém. Puta felicidade estudar duas matérias que eu amo.

Aliás, dia 28 de novembro tamos aí prestando geografia na USP. Pra quê? Pra continuar estudando algo que eu goste. Nem pretendo me formar nem nada. Só quero continuar estudando – e de graça.

Enquanto isso…

Nos fins de semana, sou uma outra pessoa. Mais devassa e errada do que jamais imaginei.

Meus amigos dizem que eu tenho o melhor aproveitamento da galera.

Juro.

Tô bebendo, tô pegando, tô curtindo, tô rindo. Tô conhecendo e experimentando (nada homossexual, que fique entendido. Mas nada contra: se rolar vontade e oportunidade, estamos aí).

Nisso, sábado um dos caras que peguei nos últimos tempos me ligou. PRIMEIRA VEZ QUE UM CARA ME LIGA NA VIDA. Te juro. Acho que essa semana ligo de volta pra combinar alguma coisa. É que como a gente ficou foi bizarro demais até pras mentes mais sórdidas – era um chá de bebê. Já começa bem. Aí tenho medo que ele só queira putaria.

E ó.

Mó legal pegar geral e se sentir minimamente desejada.

Mas o vazio é o mesmo – nem uma suruba com 20 nêgos resolvem a falta de amor.

Enfim.

Estou saindo com vários grupos diferentes. Tenho ido a baladas mil. Outro dia dancei “onda onda olha a onda”. Dias depois, fui no “Coração Sertanejo”. No fim de semana anterior, “Stones Rock Bar”.

E pra completar, ganhei um par de ingressos para o show do Green Day, semana passada, escrevendo uma frase para o site da Rolling Stone. Puta orgulho. Mandei bem.

É isso, meus queridos.

Beijo para todo mundo. Meninas do twitter, meninas blogueiras e do twitter, meninos e meninas stalkers. Todo mundo aê merece aquele abraço.

♪ Numa tranquila, numa nice, numa boa ♪

Queria começar dizendo que meu blog teve mais de 300 visitas nos últimos dois dias, muuuuito mais do que as habituais 50 por dia. Devo isso primeiro à felicidade de alguns de ver a desgraça dos outros (não vocês, blogueiras queridas, que estão sempre aqui me apoiando!) e em segundo lugar, à curiosidade de ex-colegas de trabalho (vários acessos do linked in). Não xinguei ninguém, não contei nenhuma mentira, tô aí, com a cara à tapa, na sinceridade e inconveniência que me caracterizam.

E preciso dizer. Estou leve como não sentia há tempos (e não é apenas o meu bolso haha).

Bom, foi assim. Sexta-feira, 18h30 a minha superiora me chama pra conversar. Tava demorando para me darem a dura que eu merecia por não ficar esperando a porra da prova (leia esse post para mais detalhes). Entro na sala de reunião e lá estão os chefes e o menino da contabilidade me encarando. Sento.

Sem vacilos, um dos chefes solta: Ana, decidimos pelo seu desligamento da agência.

Só surpresa de minha parte. Esperava uma dura das grandes, mas nunca demissão – NUNCA dei nenhuma mancada, sempre fui responsável com prazos, faltei apenas 2 vezes em 10 meses, fazia meu trabalho direitinho (sem brilhantismo, mas…).

Daí o chefe continua e diz que foi por causa do incidente ocorrido a duas semanas, quando eu me recusei a ficar esperando a porra da prova da revista. Disse que eles encararam aquilo como quebra de confiança e que, por tanto, não posso continuar.

Nem tentei implorar. O nervosismo me fez chorar (é claro), mas consegui dizer que tava insatisfeita com o salário, disse que estava surpresa com a demissão e perguntei se era tão grave assim a ponto de não merecer uma segunda chance. A resposta foi não e que eles não voltariam atrás da decisão (oi, eu pedi???)

Não consegui nem olhar pra cara da minha superiora. Era ódio puro. Me deu funções piores do que as normais, já sabendo o meu destino, sempre seca e às vezes até grossa. Acho que ela nunca foi boazinha, na verdade. Combina muito mais com ela esse jeitão de SOU PODEROSA, SOU SUA CHEFE do que a boazinha risonha que mostrava ser anteriormente. Nada como um caô para as pessoas mostrarem suas caras.

Mas enfim.

Arrumei minhas coisas, joguei tudo numa sacola e fui embora sem falar com ninguém – não ter amigos no ambiente profissional SUPER foi positivo nessa hora.

De lá, fui encontrar meus amigos num bar. E assim começou uma vida mais leve, mais feliz e mais pobre.

Porque vocês sabem que eu não estava feliz. Não estava satisfeita. Vivia estressada, cansada, desmotivada. Tive uns poucos momentos bacanas, sim, mas só. Não compensa.

O que me irrita acima de tudo é saber que fui demitida por causa DE UM ÚNICO EPISÓDIO ISOLADO. Disseram que me utrabalho é ok – não ruim, mas nada espetacular (no que eu concordo). Mas esse incidente acabou com tudo. Se eu tivesse mentido, dizendo que tinha viagem marcada ou coisa do gênero, nada disso teria acontecido.

É, gente. Grande aprendizado: HONESTIDADE NÃO COMPENSA.

Sim, estou numa boa. Thanks pela preocupação de todos.

Vamos ver se agora acordo pra vida e descubro algo que eu realmente goste de fazer – o que cada vez mais parece ser algo loooonge do jornalismo.

EU NÃO AGUENTO MAIS

Aviso: ALTA dose de palavrões e de reclamações.

Sim. EU NÃO AGUENTO MAIS. Em caps lock, negrito e vermelho. O que eu não aguento mais? Muita coisa. A principal delas é o meu trabalho.

Por vezes, fingi gostar. Fingi, sim, para ver se me acomodava com a idéia.

Mas nas últimas semanas está insuportável. A única pessoal com quem tenho um mínimo de diálogo aqui está mudando de emprego semana que vem. O meu salário é ridículo,bem abaixo do piso salarial para jornalistas no estado de São Paulo (que é R$ 1800 e pouco, de acordo com a tabela do sindicato – isso para CINCO horas trabalhadas por dia! Meu horário é das 9h às 19h, mas é LÓGICO que me nego a cumprir). Pensei e cheguei à conclusão que eu tenho salário de estagiária, funções de estagiária e sou tratada como estagiária. Daí que eu não consigo reclamar.

A primeira vez que tentei fazer algo a respeito, emudeci e concentrei todas as minhas forças no ato do não-chorar, que foi o assunto do último post. Daí era quinta-feira, faltavam 15 minutos para as 18h e para o início do feriado de páscoa. Eu não ia viajar, não ia sair, não ia fazer nada. Só queria ir pra casa e relaxar.

Eis que minha chefe vem toda-toda perguntando que horas eu ia embora. Eu disse que jajá. Ela: “ah, então deixa, é que eu precisava que você ficasse esperando a prova da revista”. Eu não aguentei. Disse que estava cansada, louca pra ir embora, tinha chegado cedo e não aguentava mais. E que não queria ficar até sabe-se lá que horas esperando a prova – se é que viria hoje. Passam 2 minutos e ela entra no gtalk, me chamando pelo nome inteiro e dizendo que não tinha gostado da minha atitude. Disse que nunca me pede nada, mas que agora ela precisava e eu tinha me negado. Nem esperou eu responder: veio até a minha mesa e disse que já tinha me liberado várias vezes para viajar (????) – o chefão liberou UMA vez que eu pedi, ano passado. A outra vez faltei porque FIQUEI PRESA NO LITORAL NORTE NO COMEÇO DO ANO, QUANDO AS ESTRADAS ESTAVAM FECHADAS. Eis T-O-D-A-S as minhas faltas em 10 meses. Ah, VAI TOMAR NO CU COM FORÇA.

Aí eu surtei. Disse que não era paga pra ficar até 9 da noite sem fazer nada esperando um documento que nem saberia se viria. Lógico queeu já estava chorando e com a voz embargada há 5 minutos, mas fui em frente. Disse que isso estava preso na minha garganta, mas eu não consigo dizer. Que não consegui dizer no raio do feedback porque o ambiente era hostil. Simples assim. Ela saiu batendo as tamancas dizendo para eu ir para casa que ela ficaria esperando a porra da revista. Fiquei uns 10 minutos ainda tentando parar de chorar. Em vão. Aí quando estava desligando as coisas, 18h15, ela vem e esfrega na minha cara a revista que tinha acabado de chegar. PUTA QUE PARI, MURPHY! Se eu tivesse ficado esperando, certeza que antes das 21h não chegaria.

Se eu tava certa em agir como agi?

NÃO – surtei e perdi a razão (e uma chance de aumento, é claro). Mas não me arrependo.

Minha prima, online no MSN no momento, me deu uma força. Pedi pra ir pra casa dela quando saisse daqui, porque nem tava afim de ir toda chorosa pra casa, onde eu NÃO tenho liberdade de reclamar do trabalho – minha mãe começa a falar que ela trabalhou desde os 14 anos pra sustentar a casa e os dois irmãos, e meu pai vai falar que eu reclamo de barriga cheia.

Enfim.

Passei a páscoa inteira semi-enlouquecida e sem ter com quem conversar. Pensei em pedir desculpas, baseadas no fato de que desde o carnaval até abril eu trabalhei pra caramba, e não teve nenhum feriado. E estava louca, cega por um feriado. O que é 100% verossímil, aliás. Mas, não. Não vale a humilhação.

Passou segunda, hoje está terminando. O climo está seco. Não faço a menor questão de fingir ser legal, ela menos. Agora é esperar ela contar pros chefões que eu não quis ficar até mais tarde mas que pedi aumento. RÁ.

Enquanto isso, a parte boa é que isso me tirou do modo comodista de viver a vida que eu estava levando. Já mandei mais CVs esses dia que nos últimos 10 meses inteiros. Respostas? Duas: ambas dizendo que as vagas tinham sido preenchidas. RÁ.

Sim, falei isso tudo pra terapeuta. Se achei uma solução? É claro que não.

Mas a idéia de mudar de área de atuação COMPLETAMENTE não é de todo mal. Afinal de contas, eu ODEIO (sim, odeio) escrever matérias jornalísticas, odeio fazer entrevistas, odeio escrever sobre a hipocrisia de algumas mega corporações. Só gosto de escrever sobre a minha vida. E enquanto não me pagarem para manter um blog, não sei como ganhar dinheiro e ser feliz ao mesmo tempo.

Sempre disse que fui fanática por animais. Amo muito. Mas não queria ser veterinária. Não é nem por horror a sangue, tô de boa com isso, mas não quero cortar um bicho no meio. Quero cuidar. Um lance mais babá/enfermeira, sabem? Se alguém souber de algum curso, qualquer coisa relacionada a isso (que não seja faculdade integral de 5 anos de veterinária), super tô dentro, não penso duas vezes. Mesmo que seja pra reduzir meu salário pela metade.

Tudo que eu não quero é continuar completamente infeliz. O trabalho é chato e paga mal, meus pais não me deixam reclamar em paz, meus amigos moram na putaquepariu e os vejo com uma frequência bem menor do que gostaria, não tenho qualquer tipo de relacionamento há tempos, não consigo me motivar para emagrecer… Puta infinidade de problemas.

Mas tô jogando sinuca e truco tão bem!

😛

Não, sério. Nunca passei por um período em que tudo estivesse bem. Mas sempre em alguma área da vida, as coisas iam bem. Agora, não mais.

Agora paro de reclamar. Ou não.

Ah, me deixa reclamar em paz, caralho.

#revolta