30 horas em Dubai (2015)

Com tantas expedições vapt-vupt mundo a fora (como 2 dias no México, 1 dia na Turquia e 2 dias na Romênia, 3 dias entre Israel e Jordânia…) , a magnânima Dubai, nos Emirados Árabes, não poderia ficar de fora do meu complexo mapa mundi de viagens – que é vergonhosamente ocidentalizado, dá uma olhada:

Screen Shot 06-16-15 at 02.12 PMComo podem ver, Dubai é o pontinho mais oriental do meu mapa. Nunca cheguei tão perto da Índia e da China. Quem sabe um dia.

Essa foi mais uma viagem louca paitrocinada (patrocinada por papai) – que me acompanhou na jornada em Dubai. Em seguida, fui a Paris visitar meu primo, mas essa é história para outro post. Foco no Oriente Médio!

29/30 de abril

Um dia dedicado a aviões. Sem brincadeira. Fomos pela Ethiopian Airlines (MUITO mais barata), só que incluía escala no Togo (!) e conexão em Adis Abeba (capital da Etiópia). GRAZADEUS SANTÍSSIMO a Ethiopian parou de fazer escala no Togo dois ou três dias antes da nossa viagem, nos poupando horas de vida que seriam gastas em aeroportos e aviões. Ainda assim, foi tenso. O voo tava meio vazio, a poltrona entre papi e eu ficou vazia, então foi mais ok. Além disso, a Ethiopian é a única companhia não-asiática que usa o avião Dreamliner. Manjo nada de aeronaves, mas essa é sensacional! Foi projetada para oferecer mais conforto aos passageiros, de modo que o ar condicionado não resseca tanto o ambiente, é preparado para tremer menos durante as turbulências e as janelas são maiores e sem persianas – durante o dia, o passageiro ativa um controle que escurece a janela. Muito louco!!! Se estiver interessado no assunto leia mais aqui.

Saímos de São Paulo 0h e pouco da madrugada do dia 29 para o dia 30 de abril. Só chegamos a Dubai às 4h da manhã do outro dia (1º de maio). Isso porque:

1- Cruzamos a fucking África inteira, de oeste a leste;

2- A conexão em Adis Abeba (cujo aeroporto é SOFRÍVEL) atrasou mais de 1h e foi uma bagunça, ninguém respeitando nada, nego tudo se empurrando para entrar no embarque;

3- O trecho Adis Abeba-Dubai daria umas 3h em condições normais. Mas o Iêmen tá em guerra, sob ataques aéreos e talz, de modo que todas as rotas que passam pelo país são desviadas. Assim, nosso vôo “ganhou” mais 2h. Delícia. Olha só a rota para não passar pelo Iêmen, que doideira:

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O problema é que tínhamos um tour marcado já para às 7h da manhã. A ideia era ir para o hotel dormir um tico, tomar um banho e sair. Só que não contávamos com a fila de quase 2h na imigração em Dubai. O controle de passaporte estava ABARROTADO de gente, e a fila não andava. Um tormento.

Detalhe: para entrar em Dubai é necessário um visto. Quem vai pela Emirates, a companhia oficial dos Emirados (dãr), paga U$ 50 no visto de entrada única; quem vai por outras companhias, morre com quase U$ 200 (nosso caso). Além disso, você pode pagar um “extra” para ir à fila “fast”. Ou seja: a burocracia no controle de passaporte e as longas filas são financeiramente interessantes.

Isso já dá uma dica do que é Dubai: o triunfo do dinheiro. Quem tem se dá bem. Quem não tem…

1º de maio

Fomos de táxi até o hotel, que era na parte mais periferia de Dubai. Uma região onde moram imigrantes, principalmente indianos e paquistaneses, que são as duas nacionalidades mais comuns entre imigrantes nos Emirados Árabes – embora a riqueza e necessidade de mão de obra barata tenha trazido levas de imigrantes de mais de 60 países!!!

O hotel, mesmo na “perifa”, era bem bacana, com banheira e tudo. Gateway Hotel. Duas pessoas, duas noites, café da manhã, transfer para o aeroporto e tinha até piscina (que nem deu tempo de olhar)… 450 AED (o AED, em relação ao dólar, é tipo o real. Algo em torno de 1=3). Isso é um bom preço, juro!

Foi o tempo de fazer check-in, tomar uma ducha e ir para o saguão esperar o guia do primeiro tour do dia: Bedouin Breakfast at the Desert, comprado pelo site Viator por um valor que desconheço – até porque a excursão não existe mais no site.

Fomos meu pai e eu e um casal inglês. 1h de estrada num carro com ar condicionado a pico até a entrada do Dubai Desert Conservation Reserve, um pedaço do Deserto dos Arábias. Eram 8h e pouco da manhã e eu ainda não tinha sentido o tão famoso calor de Dubai.

No caminho até lá, passamos por hordas de cáfilas (Google acaba de me informar que essa é a palavra para coletivo de camelos).

O guia nos explicou que corrida de camelo é o esporte oficial dos Emirados Árabes. Todo mundo que se preza cria camelos e está sempre comprando mais. A preço de ouro, claro. Alguns valem centenas de milhares de dólares.

Chegamos enfim à entrada do deserto e o guia nos vestiu à caráter:

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Além de ficarmos charmosos, os panos são essenciais para nos proteger do sol forte do deserto e evitar desidratação, queimaduras e coisa e tal.

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A primeira parada foi no acampamento beduíno. Por mais realista que seja, vale dizer: não existem mais nômades nos Emirados Árabes. Todo mundo enricou e mora em belíssimos e luxuosos apartamentos com ar condicionado na zona urbana…

Triunfo do capitalismo sobre as culturas primitivas…

À entrada, havia um homem preparando um dos quitutes que seriam nosso café da manhã. Uma espécie de panqueca de zaatar, aquela erva árabe.

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Na foto abaixo, a tal panqueca de zaatar está à direita da cumbuca. No meio, uma espécie de miojo doce (?) e no canto esquerdo, uma panqueca americana, sem qualquer charme.

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Havia um beduíno nos recepcionando. Ele respondeu perguntas do público (nós e vááários outros grupos) sobre a cultura dos beduínos e a vida em um dos lugares mais ricos do planeta.

O beduíno era bem para inglês ver e mais parecia personagem de humor tosco. Mas falou umas coisas interessantes, sobre como o governo paga TUDO – habitação, saúde, educação, lazer…; sobre poligamia; sobre não existirem mais beduínos nos EAU, apenas porque a vida na cidade é muito mais prática e cômoda. Não podemos negar, né…

No final, sessão de fotos. Aproveitei e fui também:

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Depois dessa sessão “entrevista com o árabe”, mais uma atividade bem turística: passeio de camelo.

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Só uma voltinha pelos arredores do acampamento, para tirar fotos e sentir o drama da altura do bicho. Mas valeu a experiência.

Próximo destino era um passeio pelo deserto num jipe sem cobertura. Eram umas 10h e o sol castigava. Calor forte e sol a pico. A burca foi mais importante do que nunca.

Demos uma volta na reserva vendo aquele areal sem fim e os bichos do lugar. Obviamente a maior parte dos animais (cobras, insetos, roedores) passa o dia em tocas e sai para se alimentar a noite. Durante o dia, o deserto é ocupado pelos Órix. Esses bichos fofos aqui:
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Também rolam umas aves de rapina, mas não vi nenhuma 😦

Eram umas 11h quando voltamos ao hotel. Ainda tava rolando café da manhã, e não pensamos duas vezes: nosso almoço seria a rebarba do café da manhã.

Descansamos duas horinhas antes do próximo passeio: Half-day Dubai city tour.

Em um ônibus com ar condicionado no talo, rodamos até Jumeirah Beach, a praia chique de Dubai. Na região estão vários dos hotéis-ostentação de que tanto ouvimos falar: 6 estrelas, com teto de ouro, pedras preciosas e tal.

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Bem bonita a praia. Com aqueles 43ºC a sombra (que sombra?), dava uma vontade louca de entrar… Inveja dos banhistas.

Ah, os banhistas: sim, Emirados Árabes são muçulmanos, mas os frequentadores dessas praias são em sua maioria ocidentais cheios da grana. Não rola fio dental, mas também não tem ninguém de burca na praia…

Do outro lado, o destaque da paisagem é para o Burj Al Arab (burj em árabe = prédio):

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A “abinha” no topo direito do prédio é um restaurante… De lá dá pra ver a “The Palm”, a ilha artificial que forma uma palmeira – vocês sabem…

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Imagem do Google Earth. Não tive o prazer de ver esse engenhosidade humana…

Próxima parada:

uma das maiores mesquitas dos Emirados Árabes, a Jumeirah Mosque:

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Só demos uma volta ao redor dela… Estava fechada 😦

Em seguida, fomos ao incrível Museu de Dubai:

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O museu fica no Forte Al Fahidi – a estrutura mais antiga da região, construída em 1799. O local abriga uma coleção interessante que mostra a estratosférica mudança de Dubai: de uma vila beduína a um centro global de comércio, finanças e turismo.

Há canhões, barcos de pesca, tendas beduínas e representações da vida de antigamente. Há espaços que mostram a vida tradicional em casa, na mesquita, no deserto e no mar. Há vídeos, fotos e documentos mostrando a transformação da área. Vale a pena!

Próximo destino: Deira Spice Souk. Para isso, atravessamos o canal de Dubai de barquinho ❤

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Louco como o horizonte é todo misturado: vários prédios espelhados chiques e várias construções tipicamente árabes.

O Deira Spice Souk é mais um dos famosos mercados que toda cidade árabe possui.

Temperos, incensos, bugigangas, roupas… Tem de tudo ali, e desperta todos os nossos sentidos: é tudo tão colorido! Tão vivo! O povo gritando tentando vender. Os cheiros das pimentas, dos temperos, das plantas. As cores das lanterninhas. Os sabores das coisas que nos dão para experimentar. Incrível.

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Tem de tudo aí: frutas secas, canela, pimenta e zilhões de coisas que não faço ideia.

Em seguida fomos ao Mercado do Ouro de Dubai, ou Gold Souk.

Bizarro.

Várias ruas dedicadas ao comércio de ouro e pedrarias. E as vitrines das lojas, minha gente? Tipo isso:

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TUDO OURO.

Bem assustador pensar que só essa vitrine compra o meu prédio inteiro.

As estimativas são de 10 toneladas de ouro passando diariamente pelo Dubai Gold Market.

E esse foi nosso destino final no city tour. Deu bem pra ver o básico…

Voltamos para o hotel.

A região em que estávamos só tinha restaurantes indianos e, como não curto curry, convenci papi a procurarmos outro restaurante para jantar. Infelizmente nada árabe, mas nos indicaram um com frutos do mar fresquinhos e bem perto: o Golden Fork.

Foi uma sucessão de más escolhas. Meu prato era grande demais e tudo era empanado. Um erro, mas, fazer o quê…

Screen Shot 06-16-15 at 02.00 PM 001Ao menos era tudo fresco, né? Os camarões, as lulas, o caranguejo inteiro (!), o filé de peixe, as ostras…

Voltamos para o hotel destruídos como poucas vezes na vida. Só lembrando: 30h de aviões+aeroportos e 2 city tours, tudo isso com quase zero intervalo para descanso. Pesado.

Pior meu pai: eram umas 21h e o voo dele de volta ao Brasil (via Adis Abeba) era daqui algumas horas. Ele saiu do hotel 1h da manhã, tendo dormido menos de 3h em 2 dias e pronto para encarar mais 20 e tantas horas de avião… De modo que ele não passou nem 24h em Dubai! É, tem gente que é louca, mesmo…

2 de maio

Papi foi embora, mas eu ainda tinha uma manhã inteira sozinha em Dubai antes do meu voo para Paris (via Adis Abeba), às 17h.

Dormi bem, tomei café da manhã tranquila e, seguindo as instruções da moça do guichê de turismo do hotel, foi ao Burj Khalifa, a maior estrutura já construída pelo ser humano.

Fui a pé até o metrô – forma mais fácil e barata de chegar ao prédio. Mas não foi agradável, pois: eram 7h da manhã e o sol já rachava; eu era A ÚNICA MULHER DESACOMPANHADA E SEM BURCA NA RUA. Mesmo estando vestida ~decentemente~ (calça, camisa cobrindo braços, nada de decote) todo mundo me olhava com estranheza. Os homens locais pior ainda: é um misto de luxúria com um olhar acusatório de “mulher desacompanhada sem burca = puta”. É horrível. Desaconselho fortemente mulher viajar sozinha ao mundo árabe.

Minhas experiências do gênero foram na Jordânia e nos Emirados Árabes – países acostumados com ocidentais e tidos como os mais liberais do mundo muçulmano. Em ambos, me senti mal. Não consigo nem imaginar ir para Irã e picos do gênero. Aliás, esse choque cultural + o fato de ser mulher sozinha é uma das milhões de razões pelas quais meu mapa é tão ocidentalizado. Tô de boa de ir pra China ou pra Índia sozinha…

Enfim:

fui no vagão das mulheres no Metrô – todo mundo respeita e segue a risca.

A estação de metrô cai dentro do shopping, o Dubai Mall – o maior do mundo (claro, em Dubai tudo é maior/melhor/mais caro do mundo). Demorei quase meia hora para achar a entrada do Burj Khalifa, afinal, 8h da manhã ainda tava tudo fechado no shopping…

Como fui bem cedinho, comprei fácil e não peguei fila para subir os 147 andares do prédio – que tem mais do que isso, mas, $$$, né.

No entanto, sempre aconselham comprar com antecedência. Até porque é mais barato. Em todo o caso, eis o link.

O Burj Khalifa tem 828 metros de altura e 160 andares. A aventura já começa no elevador… Dá frio na barriga de tão rápido, e é todo tecnológico, cheio das luzinhas…

Chegando lá em cima, esse é o visu:

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Uma cidade enorme e rica construída no meio do deserto. E o mar do Golfo Pérsico.

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#Ostentação

Rola uma área interna e uma área externa. Aguentei poucos minutos na externa: calor do inferno + sol a pico + altura (o que torna ainda mais quente): complicado.

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Na entrada, tem uma exposição de fotos contando a história do prédio, construção, fatos e recordes. Bacaninha.

Paguei um pau para essa foto em particular, de algum ano novo:

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Louco demais! Malz aê a sombra… Foto de foto é uma merda.

Esse é o Burj visto de fora: não cabe na foto! Isso porque tirei praticamente deitada!

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Na lojinha (ona, no caso) de presentes, achei essa bolsinha espetacular – não comprei; nunca compro nada.

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Hahahha. Van Gogh se revira no túmulo!

Meu plano era voltar para o hotel 11h, tomar um bom banho, descansar um pouco e ir para o aeroporto. Mas como ainda eram 9h e pouco e eu estava dentro do maior shopping center do mundo, pensei: porque não?

Eu odeio shoppings. ODEIO. Não sou a turista consumista – nunca compro NADA. Mas, gente, que shopping! O lugar tem uma área externa linda, com fontes de água, bares, restaurantes, hotéis… E dentro mais de mil lojas (dentre as quais uma das Havaianas, claro). Dei uma rodada descompromissadamente, sem entrar em nenhuma loja. Claro que todas as grifes estavam lá. Me espantei com essa loja aqui:

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Que horror de nome, gente! “NÃO DO BRASIL” (?????)

Mas o que me chocou de verdade nesse shopping não foram as mais de mil lojas ou o tamanho, mas o tipo de coisa que tem lá dentro, tipo:

Arena de Hockey:

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Um esqueleto autêntico de um dinossauro na área dedicada às coisas árabes do shopping:

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Um aquário com arraias e tubarões:

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QUE DOIDEIRA!

Voltei para o hotel – novamente a péssima sensação de ser mulher em um lugar mega machista.

Tomei banho e fui pro aeroporto. Tinha uma arte do Romero Britto bem na entrada! hahaha

Tava cedo, então dei uma volta pelo freeshop, comprei um sanduíche para almoçar e fiquei esperando meu voo para Adis Abeba (+5h para Adis Abeba, 2h de conexão e +7h até Paris, argh). Grazadeus o primeiro voo estava vazio – tanto que escolhi uma janela da hora para ver uma decolagem incrível:

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O Burj Khalifa lindão lá no fundo, ao por do sol ❤

Faltou: ver a The Palm (a ilha-palmeira), entrar no mar, ir a um parque aquático. De qualquer forma, acho que minhas 30h em Dubai foram muitíssimo bem aproveitadas, não? 🙂

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Europa 2014/2015 (parte 1: Berlim)

Todo o mundo real e virtual está careca de saber que passei maravilhosos, fantásticos, esplêndidos 19 dias na Europa agora entre o final de dezembro e começo de janeiro.

Posso resumir a viagem inteira em palavra: perfeição. A viagem foi tão perfeita e mágica que achei que meu avião da volta iria cair. ALGUMA COISA tinha que dar errado. (Não deu).

Melhor viagem que fiz na vida, e olha que só planejei as cidades-base e fui decidindo o que fazer assim que acordava.

Vou dividir a viagem em 5 posts: os 4 destinos “cidades-base” (Berlim, Praga, Munique e Zurique) e um post dedicado, let’s say, à alta socialização durante a viagem (esse último post será com senha. Interessados, entrem em contato).

Hoje começamos com Berlim.

Saí de casa – São Paulo, Brasil – com uma temperatura de 32°C. Mal podia esperar pelo inverno europeu de neve e temperaturas negativas. Minha mala, no entanto, foi enxuta: meros 13kg para 20 dias. Algumas leggings e blusas para usar como segunda pele; 4 blusas mais grossas para segunda camada, duas calças jeans, uma bota de neve, underwears e meias, cachecol, luvas e uma blusa de frio intenso, impermeável, comprada por meros R$ 150 na Decathlon. A bota e as blusas segunda-camada também comprei lá. Só queria dizer que eu não teria sobrevivido à sensação térmica de -15°C em Praga se não fosse esse excelente casaco e as botas de neve.

Aliás, me perdoem, mas preciso dar umas dicas sobre inverno na Europa.

Se você vai para a Europa, não seja imbecil como as brasileiras que conheci por lá, que iam andar pela cidade com a mesma bota que usam no inverno paulistano. E nem com o mesmo casaco que você usa em Campos do Jordão.

Antes de viajar eu tinha ido à outra loja de esportes procurar o casaco. Na Mundo Terra, a que eu queria custava APENAS R$ 1999, quase o que paguei de passagem aérea. Risos. Não comprei, obviamente. A vendedora queria me entuchar meias especiais, casaco corta-vento, primeira, segunda, terceira, quinta camada…

Também não é pra tanto, galera. Eu tava indo pra Berlim, não pra Antártida. -5°C não são -40°, né. HÁ LIMITES.

Foi meu segundo inverno na Europa e em nenhuma dessas vezes peguei hipotermia. Nem resfriado. Nem nada. Sinal de que deu certo, né?

Enfim. Mala leve, porque desfile de moda não é comigo, nunca foi. Despachei a mala no aeroporto e fui encontrar Chris (o amigo suíço), que tinha voo para Zurique quase no mesmo horário que eu, e a namorada, que estava lá para se despedir. Combinamos de nos encontrar em Zurique dia 3/1. Tomamos uma cerveja juntos e zarpei para o meu périplo São Paulo – Paris – Berlim (a volta seria Zurique – Paris – São Paulo. Tudo Air France. Paguei R$ 2800 pelas passagens, já com todas as taxas inclusas).

O voo até Paris foi demoníaco. Uma turbulência safada desde a saída de São Paulo até chegar à Europa. 10h tremendo tremendo tremendo. Nada surreal, não achei que ia morrer, mas foi muito incômodo. Tanto que passei os próximos 3 dias em Berlim com uma vertigem fortíssima, que só posso atribuir à turbulência.

Papi fez meu check-in online e fez uma trapalhada: um upgrade no voo Berlim – Paris. Acabei indo de executiva nesse trecho de menos de 2h. hehe. Mas consegui fazer valer um pouquinho, pois usei a sala VIP da Air France no Charles de Gaulle, tomei chocolate quente, usei a tomada, usei wifi. No voo, um café da manhã bacaninha:

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Além disso fui a primeira a desembarcar e a primeira a pegar a mala. A parte ruim é que essa burrice custou a papi R$ 300.

BERLIM, Alemanha. 22 a 27 de dezembro.

Cheguei a Berlim com um tempo desolador: super cinzento, chovendo. 3 ou 4°C, não lembro.

Segui as instruções do site do hostel para ir de transporte público do aeroporto até lá, e fui super tranquilo.

Cheguei ao hostel umas 13h30, antes do horário de check-in. Mas eles me deixaram já ir pro quarto.

Fiquei no The Circus Hostel, no Mitte (Mitte significa meio. O bairro Mitte é assim chamado porque fica no meio da cidade de Berlim, dãããr). Peguei um quarto privativo com banheiro compartilhado que me custou € 284,10 por 5 noites. O quarto era super espaçoso, se pensarmos no padrão-hostel. Hostel limpinho, staff sempre atencioso, uma puta localização – fiz praticamente tudo andando -, um ótimo e muito barato bar downstairs, hóspedes bacanas e amigáveis… Estou segura em afirmar: melhor hostel que já fiquei. (Dica do primo Gustavo. Valeu!!!!)

A vista do meu quarto:

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O bondinho amarelo – tram – é hiper silencioso.

Larguei as coisas no quarto e fui passear pela cidade (eram 15h e pouco e já começava a anoitecer).

Fui andando às vezes olhando o mapa, às vezes ignorando-o. Berlim é uma cidade bem fácil de andar. Em alguns dias em já fazia todos os caminhos sem consultar sequer uma vez o mapa.

Mas no primeiro dia tudo era novo. Andei por umas ruas com lojas estranhas. Dezenas de lojas dedicadas a fetiches sexuais, como roupas bem antigas, ou só de couro… Também uma loja de sapatos chamada “Atheist”, cuja vitrine ostentava a frase: “For those who live on their feet, not on their knees”. Achei totalmente maravilhoso e instantaneamente me apaixonei pela cidade.

Também me deparei com várias vielas que a princípio pareciam degradadas e abandonadas (temos várias dessas no Brasil, vcs sabem), mas que eram uma verdadeira cidade dentro. Restaurantes, cinemas, lojas alternativas. Sensacional. E tudo cheio de grafite, é claro. Arte urbana em Berlim é um caso a parte.

Segui meu trajeto até chegar à beira do rio Spree. Ali, vi a Museumsinsel, a ilha dos museus, onde estão os principais museus da cidade. Tirei selfie com o belíssimo Berliner Dom atrás de mim.

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A frente do Altesmuseum (Alt = old. Velho.) e os jardins do Lustgarten.

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Um problema das datas que escolhi para visitar Berlim é que a grande maioria dos museus fecha no período entre natal e ano novo. A Alemanha leva MUITO a sério feriados, quase nada abre… Se eu soubesse disso, teria aproveitado esse primeiro dia para visitar um dos museus da Ilha. Não fui, e nos próximos dias só os encontraria fechados. Ok, no harm done. Já tenho motivo para voltar. Hehe.

Acabei indo a outro museu, indicado por uma amiga, e também para fugir do frio e da chuva. O DDR. Trata-se de um museu 100% interativo dedicado à Berlim Oriental. O mote é “experimente como era a vida na Alemanha socialista”. Tem tudo lá: carros, uniformes de escola, livros, roupas, instrumentos de trabalho, entretenimento e tudo imaginável sobre a Alemanha oriental. É bem bacana.  E não achei tão parcial quanto tinha imaginado. Você entende bem os prós e contras do regime no qual os caras estavam inseridos.
Só que o museu estava entupido. A parte “interação” ficou bastante prejudicada.

Fui embora totalmente destruída e faminta. Na frente do hostel comprei uma garrafinha de vinho, para garantir um sono de pedra, uma garrafa de água (a única que comprei em 20 dias de Europa – a água da torneira deles é potável), e um sanduíche bizarro, que foi meu almoço and jantar. Comi no quarto e apaguei em poucos minutos, antes das 20h. Amo muito o fuso deles: para mim já eram 23h…

23 de dezembro, walking tour e chuva

Tomei café-da-manhã no hostel. Esquema all-you-can-eat por €5. Meio carinho, mas eu tava com fome, mal tinha comido no dia anterior, então valeu a pena.

Segui a sugestão da moça da recepção: primeira vez em Berlim, um walking tour é uma boa pedida. Walking tours são super comuns nas grandes cidades turísticas do mundo. Até São Paulo e Rio têm. Optei pela modalidade “tour completo, 6h, €15”. Perguntei se mesmo com aquele tempo tenebroso – bastante chuva – rolava. Me disseram que sim. Encarei a chuva e fui até o ponto de encontro. No caminho, não uma, mas DUAS pessoas me pediram direções. Em alemão. Como assim tenho cara de alemã, gente? hahaha

Enfim. No ponto de encontro, a guia nos encontrou e nos levou até outro ponto, para termos um grupo maior. Também trocamos de guia. Agora era um homem, irlandês, LINDO DE MORRER (mas acho que gay). Irlandês explicando sobre Berlim? Como assim? Muitos walking tours depois, aprendi que as empresas dos tours contratam gente que fale inglês bem, com boa oratória e com um quê de humor. Quanto aos conhecimentos do lugar, é de menos. Ok, isso é meio triste, concordo. A chance de ouvir informação errada é grande. Mas de qualquer forma vale a pena.

Começamos o tour na frente da maior Sinagoga da Europa, a “Nova Sinagoga”. No interior, há uma réplica do muro das lamentações com pedras trazidas de Israel. Não, não entramos.

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De lá fomos seguindo pelas ruas da região, parando vez ou outra para ver uma escola de judeus quando, certa vez, militares entraram, pegar as crianças e mandar para campos de concentração, assim, sem mais nem menos; símbolos no chão dizendo “aqui morou a família XXX, morta pelos nazistas em 19XX” e coisas assim. Ou: esse prédio foi bombardeado pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial; esse quarteirão foi destruído pelos americanos na 2ª Guerra…

É tão surreal. Mesmo com todas as marcas da história, é tão difícil conceber que algo tão sinistro tenha mesmo acontecido nessa cidade…

Berlim é impressionante. Em menos de 100 anos, a cidade viu a ascensão e a queda do nazismo e a ascensão e a queda do socialismo. Arrepiante.

Falando em socialismo, as marcas do Muro de Berlim estão por toda a parte. Em alguns lugares, resquícios do muro.

Em outros, placas no chão para marcar onde ficava o muro que separava Alemanha socialista e Alemanha capitalista.

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Pedaço do muro, próximo ao Checkpoint Charlie, um dos principais pontos de entrada e saída das duas Alemanhas. Nesse trecho, uma cerca (!) protege o que sobrou do muro de predadores, AKA turistas que querem um pedaço da História para si.

Próxima parada: Parlamento Alemão

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Dizem que tem uma vista bem legal desse domo de vidro, no centro do prédio…

O Parlamento guarda histórias tanto da época do nazismo quanto do socialismo: um memorial aos parlamentares de oposição mortos a mando de Hitler fica bem do lado do prédio. Em cada placa de aço tem um nome, um partido político, uma data (da morte) e o local de morte. A maioria é campo de concentração, como Dachau e Auschwitz.

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O Parlamento também foi um ponto crucial da tomada da Alemanha Oriental pelos soviéticos. De lá essa foto clássica foi tirada, logo após o fim da segunda guerra:

Next stop: Brandenburger Tor, o principal cartão postal de Berlim. A antiga porta de entrada da cidade.

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Em seguida, como não poderia deixar de ser, mais história:

Screen Shot 01-16-15 at 03.49 PMUm bizarro Memorial aos Judeus Mortos na Europa simula, em mais de 2 mil blocos de concreto alinhados, os mais de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Pesadíssimo. Arrepiante. Necessário.

Enquanto isso, turistas babacas tiravam selfies sorrindo. Como pode tamanha imbecilidade e falta de respeito? Tsc, tsc, tsc.
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Esse estacionamento nada mais é do que o local onde ficava o Bunker do Hitler. Onde ele foi (?) encontrado morto. Até hoje há teorias de que o cadáver não era dele, e que ele viveu seus últimos anos de vida sossegado na América do Sul, como de fato ocorreu com outros grandes nomes do regime nazista.

Enfim.

O Bunker era enorme e o que ainda resta dele está abaixo do solo. O governo alemão não quer tornar o lugar um ponto turístico. As razões são compreensíveis, né? Por isso, o lugar hoje é um mero estacionamento.

De lá seguimos até o Checkpoint Charlie, já citado anteriormente.

Na região, achei interessante uma agência de turismo que aluga os antigos carros fabricados pela Alemanha Oriental, os “Trabi”, para um passeio pela cidade. Não, não fiz o passeio. Acho que é um pouco demais, não?
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Ainda passamos pela bela praça Gendarmenmarkt, onde é realizada uma das mais tradicionais Feiras de Natal da Alemanha (fui lá no último dia), e pela frente da Universidade Humboldt e a Praça da Ópera, onde ocorreu aquela famosa queima de livros promovida por Hitler em 1933:

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Aliás, o gesto nazista (a mão esticada) é um gesto proibido por lei. Dá multa e cadeia. O guia falou o valor da multa para quem desrespeitar. É um valor altíssimo, mas eu não lembro e tô com preguiça de pesquisar.

O tour terminou e já era noite cerrada. Pernas doíam, frio por todo o corpo. Mas foi nesse dia que agradeci ter comprado a bota de neve e o casacão. Ambos se mostraram realmente impermeáveis. Obrigada, Decathlon.

Voltei para o hostel, jantei um pedaço de torta com Kartoffelsalad (salada de batata – aparentemente eles colocam salada de batata até quando é coisa doce), tomei umas cervejas e fim dos nossos serviços.

24 de dezembro, Alexandreplatz, Nikolaiviertel, Eastside Gallery e véspera de Natal

Dia de rolê by my own. Tava um frio da desgrama, temperatura negativa, e continuava chovendo. Mas comigo não tem tempo ruim. Minha programação era ir à Alexanderplatz, à Nikolaiviertel e à Eastside Gallery, tudo a pé. Concluída satisfatoriamente.

A Alexanderplatz é uma praça enorme, cheia de lojas, shopping e mil coisas, bem perto do hostel. Obviamente o local sediava uma Feira de Natal, com centenas de barraquinhas vendendo de tudo um pouco: brinquedos, roupas, doces, comidas típicas… E no centro rolava uma pista de patinação. Eu não tive coragem: só tinha pró patinando. Até as criancinhas pequenininhas eram pró. Eu ia ser a grande atração (mico) do lugar…

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Vi por ali uma loja com cara de coisa barata e me dei conta de que não tinha um gorro. Precisava de um gorro. Entrei na loja. Foi meio ÚNICO ímpeto consumista em toda a viagem. Saí com o gorro (€3), e também com cachecol, três (!) calças jeans, cada uma a € 6,50, top de ginástica, uma blusa (a amarela, que vocês me verão usando no Ano Novo e na minha última noite na Suíça) e meias. Gastei menos de € 40. Amo muito.

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Já passava do meio-dia e eu ainda tava de jejum. Mandei uma porção dessa aí de cogumelo, na foto acima. Com molho de alho e pão.  Bagulho oleoso até dizer chega. Não caiu nada bem, maior revertério intestinal… Sorry a too much information. Mas ainda tinha muita coisa o que fazer naquele dia, aguentei à duas penas o máximo que pude.

Andei até o Nikolaiviertel, que sediava mais uma Feira de Natal. O que não era Feira de Natal eram obras. obras, obras e mais obras. Guindastes, lama, tapumes. Nenhuma foto aproveitável, exceto essa, que traz o novo e o velho:

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A igreja mais antiga de Berlim e a modernidade da Torre de Tv, atrás.

O Nikolaiviertel tem várias vielas com cafés, lojas, restaurantes, tudo com um jeitinho de cidade medieval. Fofo. Mas as obras e a chuva forte que caía no momento não colaboraram.

Andei então até a Eastside Gallery, uma boa caminhada por um lugar totalmente sem graça. Fica o aprendizado: melhor ir de tram (o bondinho).

A Eastside Gallery é uma área ao ar livre que preserva parte do Muro de Berlim e traz em suas duas faces obras de artistas de rua (achei os grafites meio sem graça. Sou muito mais um Kobra ou OsGêmeos, desculpa aê). Mas valeu a experiência.

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Não satisfeita com as pernas doendo, o intestino em frangalhos devido aos cogumelos com alho, a chuva que insistia em cair e a distância de 5 km que teria de percorrer, voltei ao hostel andando por mais uma rua totalmente sem graça. Fica o aprendizado².

É véspera de Natal, todo mundo com a família bláblá. Abdiquei faz tempo dessas coisas. Depois de um bom banho, desci ao bar do hostel. Encontrei um brasileiro que eu tinha conhecido no walking tour do dia anterior e, quando vi, estava ensinando o melhor drinking game do mundo (SUECA!) para um grupo de australianas, chineses, americanos e outro brasileiro; bebendo litros de cerveja; tomando shots de bebidas desconhecidas e me divertindo muito, muuuuuito.

Minha ceia de natal:

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Era tipo uma pizza, mas muito mais leve. Dizem que é especialidade suíça. Sei lá. Tava gostoso e segurou a barra.
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Até gorro de Papai Noel apareceu na minha cabeça, sabe-se lá de onde.

25 de dezembro, Berliner Fernsehturm

Saí na rua e tinha céu azul! Sol! Uhuuuuu!

Só que cada centímetro do meu corpo doía e a vertigem, que tinha diminuído nos dias anteriores, voltou com tudo (pq bebi horrores, eu sei). De modo que o dia teria de ser light, muito muito light.

Aproveitei o dia bonito para um rolê de vista panorâmica: a Berliner Fernsehturm. Até porque era Natal e 10 entre 10 estabelecimentos (de farmácias a lojas, passando por museus, restaurantes etc etc) estavam fechados. Mas a torre estava aberta, então bora lá.

€17 para subir no lugar. Bem caro. Mas acho imprescindível uma vista panorâmica. E minhas contas estavam muitíssimo em ordem: in fact, estava gastando muito menos do que imaginava.

Só que tinha uma fila de quase 2h. Só que era por senha, o que permitiu que eu fosse dar um rolê, comer alguma besteira, tomar um chocolate quente, curtir um maravilhoso sol gelado e voltar a tempo de chamarem o meu número.

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E olha… Valeu a pena.

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Na foto dá pra ver um pedaço da Feira de Natal da Nikolaiviertel, o Berliner Dom, o Portão de Brandemburgo e o Tiergarten lá atrás…

Mas eu mal conseguia ficar em pé de vertigem. Não chegava a dar enjoo, mas parecia que tinha um terremoto eterno sob meus pés. Sensação horrível.

Voltei para o hostel e dormi para ver se melhorava.

3h de sono e quando acordei não havia mais sinal de vertigem.

Nessa noite, o hostel promoveu um jantar de Natal €10 por pessoa. De entrada uma sopa, frango com legumes de prato principal e um musse de sobremesa. Com vinho branco. E uma cerveja mais tarde. Meio fracote, mas por 10 tá valendo.

Ao descer para o jantar não reconheci ninguém da noite anterior. Me sentei numa mesa com duas americanas, um inglês, três australianos, um canadense e mais tarde se juntou a nós um mexicano. Aparentemente era uma mesa com roommates de 2 quartos e eu, a burguesa do quarto privativo. hahaha. TÔ NEM AÍ, quero conforto nessa vida.

Long story short: noite DIVERTIDÍSSIMA. O mexicano descolou shots de Agave para nós (uma bebida feita com a mesma planta que a tequila, só que num processo mais lento e elaborado, algo assim), tomamos muita cerveja, descemos para o bar, bebemos mais, mais gente foi se juntando ao nosso grupo… Uma coisa louca.

Mas não me demorei tanto quanto gostaria. Tava com medo da vertigem voltar.

26 de dezembro, último dia em Berlim

Primeiramente, acordei e olhei a janela:

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Nevando ♥

Não é a primeira vez que vejo neve (minha primeira vez experiência com neve foi em 1994, em Bariloche, Argentina); não é a primeira vez que vejo nevar (a primeira vez foi em Lucerne, Suíça, em 1997). Mas é sempre um espetáculo lindo, ainda mais para nós, nada acostumados a isso. Os floquinhos de neve são de uma beleza e perfeição indescritíveis. A neve é linda, gente.

Estava sossegada tomando café da manhã e planejando o meu dia (rolê pela Strasse des 17 Juni, Tiergarten, Postdamerplatz, Gerdamenmarkt e museu da história alemã) quando uma das pessoas que conheci anteriormente sentou na minha mesa e perguntou se poderia fazer o rolê comigo. Lutei contra meu espírito individualista ao extremo e topei a companhia da Cathy, uma chinesa que mora há anos na Austrália (e para quem ensinei sueca dois dias antes).

Cathy e eu fomos de metrô até o Portão de Brandemburgo, nosso ponto de partida para o tour do dia. Geral se divertindo com a primeira neve da temporada. Tive essa sorte. E também alguém para tirar fotos para mim 🙂

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Só que como podem ver pelo tapume branco, algo estava rolando: metade da região estava interditada, até para pedestres, por conta dos preparativos para a festa de ano novo (a Strasse des 17 Juni é tipo a Avenida Paulista de Berlim – os grandes eventos são todos lá). Assim, o meu primeiro plano, de andar pela rua, foi pro saco.

No harm done. Entramos no Tiergarten, o Central Park de Berlim, onde, no verão, a galera toma sol pelada. Obviamente no inverno são outros 500. A paisagem é bem diferente. De qualquer modo, lindíssima: as árvores nevadas são de tirar o fôlego.

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Seguimos então até a Postdamer Platz. Passamos pelo Memorial do Holocausto, pelo Bunker do Hitler e por outros lugares, e eu fui explicando à Cathy o que era o quê, sendo eu a guia, dessa vez – ela não tinha feito o walking tour.

Na Postdamer Platz… Adivinhem:

Sim, Feira de Natal. Hahha

Só que em vez de pista de patinação, tinha uma ladeira de gelo para descer com boia inflável – opa, isso eu encaro!

Cathy e eu de fato encaramos. € 1,50 a brincadeira.

Screen Shot 01-16-15 at 05.46 PMFoi divertido =D

Andamos até o Sony Center, que tem uma caralhada de coisas, restaurantes, museus, Legoland, lojas… Sério, é um mundo. Mas não ficamos muito lá. Continuamos a jornada.

Logo estávamos na Fassbender & Rausch, a maior loja de chocolates do mundo.

Na fachada estão expostos importantes monumentos de Berlim, tipo o Parlamento e o Portão de Brandemburgo, feitos de CHOCOLATE. Tinha placas para não tocar, mas obviamente uma galera metia a mão para ver se era mesmo chocolate. Pela reação delas, era.

Resolvemos almoçar na feira de Natal da Gendarmenmarkt – falei à Cathy que era a mais tradicional da Alemanha e talz. De fato, era bem diferente das outras. Mais típica, digamos. Poucos turistas, muitos locais.

Provei pela primeira vez na vida um Eggnog (é estranho) e Cathy foi na minha onda:

2014-12-26 22.13.14Comemos um negócio que todo mundo tava comendo, parecia uma pizza, com um queijo esquisito e bacon. Muito bom.
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Französischer Dom, linda igreja na Gendarmemarkt.

Próxima parada: Deutsches Historisches Museum, o museu de história alemã – único museu aberto no período entre natal e ano novo. Bagulho é ENORME, gasta-se um século para vê-lo inteiro e com atenção. Só dispúnhamos de 2h, por tanto vimos bem rapidamente a história antiga alemã e um pouco mais atentamente o século XX, muito mais interessante (nazismo e ruptura entre as duas Alemanhas).

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Há um vasto material sobre as guerras. Propaganda política, documentos, fotos… Bem interessante.

Saímos de lá e já era noite cerrada. Passamos na frente do Berliner Dom e me deu vontade de entrar.

Eis o altar da bela Catedral:

Screen Shot 01-16-15 at 05.47 PM 001🙂

Berlim é incrível.

Voltei ao hostel, tomei banho e lá fui eu para o bar de novo haha. Encontrei o brasileiro do walking tour e fomos jantar kebab ali pertinho. Voltei para o hostel e para o bar, obviamente. Conversei com brasileiros, com o inglês e o canadense do dia anterior, depois um grupo de australianos jovens me convidou para a mesa deles – mas não suportei por muito tempo as poop stories deles – depois encontrei o mexicano da noite anterior e, finalmente, fui dormir. Precisava acordar em poucas horas – meu trem para Praga saía às 7h e pouco da manhã!

CONTINUA.

México 2013

Mais uma viagem incrível para o meu currículo.

A Cidade do México foi a minha primeira viagem internacional de 2013 (espero que não a única!). Mais uma vez, com despesas aéreas e de hospedagem pagas por papai, lá fui eu conhecer um novo país.

O que motivou meu pai a ir para o México foi sua vontade de conhecer Puebla, uma cidade vizinha à Cidade do México (na capital ele já esteve algumas vezes). Também o fato de as passagens aéreas estarem baratíssimas. UM BEIJO PARA AS PROMOÇÕES DE PASSAGENS AÉREAS 😉

Sei nem quanto custou, mas foi barato. Nível bem @passagensaereas (se você gosta de viajar e ainda não conhece esse twitter/site… I feel sorry for you.)

Enfim. Papai me convidou para mais uma viagem pá-pum, bate-volta. Seria durante o feriado de Corpus Christi. Ida na quarta-feira, volta no domingo. Ao todo, 2 dias inteiros para a Cidade de México.

Mas o que fazer com apenas 2 dias na segunda maior metrópole da América, a 4ª maior metrópole do mundo? Uma das regiões mais ricas e importantes na história da América Latina? Num país com uma cultura singular, com uma gastronomia incrível? Nem incluo na lista paisagens naturais, que obviamente requerem uma viagem à parte (que está nos meus planos futuros).

Foi aí que entrou minha preparação, que incluiu e-mails trocados e um material emprestado pela queridíssima amiga Ayla, que passou muitos dias no México há não tanto tempo e que é apaixonada pelo mundo latino-americano.

Ela fez roteirinho para mim, falou o que era imperdível e deu toques para agilizar o tempo.

Só que as coisas nem sempre saem como planejadas. Às vezes a gente conhece um tiozão mexicano afim de esbanjar 50 anos de estudos latinos, aí a gente não tem muito o que fazer, além de receber de braços abertos tudo o que não descobriria de outra maneira. Mas já chego lá.

Quarta-feira, 29 de maio

Saímos de casa 3 da matina. Nos perdemos na Dutra no meio da madrugada. Pegamos quebradas absurdas no meio de favelas de Guarulhos, mas deu tudo certo, porque já tínhamos feito o check-in eletrônico e viajantes bate-e-volta nunca despacham bagagem, por tanto deu o tempo certinho de chegarmos ao aeroporto e embarcarmos. Mas foi um sufoco.

O voo da TACA foi bacaninha. Serviço de bordo com comida quente e bebida alcoólica a gente não vê em qualquer companhia, hoje em dia. Duro foi conexão na ida e na volta em Lima.

Antes de chegar à Lima, sobrevoamos toda a Cordilheira dos Andes e vimos lá do alto o lindíssimo Lago Titicaca e La Paz. Um verdadeiro buraco (no bom sentido) povoado no meio do nada da Cordilheira

Chegamos na Cidade do México 18h e pouco. Em pleno dia. Beijo pros dias longos do hemisfério norte =*

Fomos até o hotel usando o serviço público de ônibus que vai do aeroporto ao centro histórico. $ 30 pesos cada (10 pesos = U$ 1). Foi rápido. O ônibus tem uma faixa-exclusiva para ele.

O hotel Roble fica bem pertinho do Zócalo (a praça matriz), super bem localizado.  2 noites para 2 pessoas, U$ 120 total. Sem café da manhã. Era um quarto pequeno, sem luxo nenhum. Banheiro idem. Fez calor e o ventilador foi insuficiente. Não recomendo no verão. Além disso, uma baratinha fez uma visita surpresa a certa altura. Só olhou e deu meia volta por baixo da porta.

Cansados de um dia inteiro de avião, só tomamos um banho e fomos jantar num restaurante ryco e phyno no meio do Zócalo. O La Casa de las Sirenas fica num casarão fofo do século XVIII, possui uma vista bacana para a Catedral Metropolitana (que estava toda apagada devido a uma forte tempestade que deu um curto nas luzes, na noite anterior), para o Templo Mayor (as ruínas astecas) e para o Palácio do Governo, único que deu pra ver mais ou menos.

O restaurante é bem carinho e recebe muito estrangeiro. A mesa do lado, meu pai jura, era formada por tipinhos professorais de tudo que era canto do mundo participando de encontros/palestras com motes sociais: de fato havia francês, português, inglês e espanhol sendo falados na tal mesa.

De entrada, tacos com carne de pato. Apenas DIVINO. Só a entrada já seria suficiente, mas ainda tinha prato principal: “la gallinita em mole de mango” para mim. Um peito de frango com um molho de manga, arroz branco e um purê que lembrava muito uma pamonha. Bem bacanudo, mas não aguentei nem 1/3. Para beber, cerveja Corona, a oficial mexicana. A conta passou dos 900 pesos.

Quinta-feira, 30 de maio –

Minha intenção era acordar bem cedo – madrugar – e ir para Teotihuacán na primeira hora. Não rolou, eu estava morta. Acabei indo tomar café da manhã com papi no Starbucks (lá tem em cada esquina, que nem em NY), depois demos um passeio pelo Zócalo, entramos na Catedral Metropolitana (a maior catedral da América Latina), vimos pelas grades as ruínas astecas e o Palácio do Governo.

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Fachada da catedral vizinha à Catedral Metropolitana. Não sei o nome dela, sei que a fachada é linda!

Ali do lado é a entrada do museu do Templo Mayor – as ruínas astecas em pleno Zócalo. A cidade asteca foi soterrada, na época da colonização, e sobre ela foi construída a Cidade do México. Só vislumbrei as ruínas pelas grades, ainda não estava aberto.

De qualquer modo, eu estava indo para Teotihuacán. Muito mais impactante.

Fui de metrô.

O metrô da Cidade do México é velho, cheio e quente, QUENTE DEMAIS. Mas custa o equivalente a R$ 0,50, e te leva pra cidade inteira (lembrando que a Cidade do México é maior que São Paulo): a malha do metrô deles tem 202 Km de extensão, e o nosso mal passa dos 70. O preço, $ 3 pesos, está congelado há anos. Em meio às manifestações do Movimento Passe Livre, deixo aí uma comparação interessante com São Paulo.

Enfim: o metrô de lá tem uma coisa que para alguns pode ser chata. A interligação entre linhas de metrô diferentes é feita por corredores enormes, pior do que a ligação Paulista (linha amarela) – Consolação (linha verde), em São Paulo. São 5, 10 minutos andando de uma plataforma a outra. No mínimo.

Outra coisa interessante do metrô de lá: sabe como nós, no Brasil, reclamamos de gente que ouve música no celular sem fone de ouvido? Lá os caras entram no metrô com uma caixa de som de 1 metro nas costas tocando músicas das mais variadas com o intuito de vender CD. Do nada entra uma caixa de som ambulante no seu vagão, com o som altíssimo fazendo vibrar, involuntariamente, cada músculo do seu corpo. E todo mundo age na maior naturalidade.

Enfim. Cheguei à estação Autobuses del Norte rápido. Entrando no terminal, fui à esquerda. É o penúltimo guichê. Acho que número 8. Achei também rápido o guichê que vendia passagens de ônibus à Ciudad Historica (em nenhum lugar há menção à Teotihuacán).  Custou 40 pesos.

A ida foi sem graça. O dia estava enevoado e os arredores por onde o ônibus passou não tinham qualquer atrativo. Fora que demorou: a estrada estava sendo recapeada. Foram mais de 2h de ida.

Mas cheguei enfim.

Gastei 57 pesos para entrar no sítio arqueológico de Teotihuacán.

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Eu com a placa de “Patrimônio Cultural da Humanidade” em Teotihuacán

Entrei. Muuuuuuuuito vendedor ambulante te persegue tentando vender bugigangas das mais variadas. NO, GRACIAS eternas. Não soube para onde ir e decidi ir em frente, deixando as pirâmides do Sol e da Lua para depois. Cruzei a Calle de los Muertos para conhecer a Ciudadela e a pequena pirâmide de la Serpiente, que tem uns detalhes lindos gravados há séculos.

Depois voltei à Calle de los Muertos, que é tipo a avenida principal da cidade, com mais de 2 Km, e segui à direita, sentido pirâmides.

Um mapa da cidade, para entender meu caminho:

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Conjunto_Teotihuacan_Detallado.JPG

Uma boa caminhada sob um sol forte e com mais de 2 mil metros de altitude até chegar à base da primeira pirâmide, a única que permite que alcancemos o topo.

São 200 e tantos degraus até chegar, mas o visual da enorme cidade pré-hispânica é devastador:

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Desci e continuei pela Calle de los Muertos até a Pirâmide de la Luna.

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As duas pirâmides tem o mesmo tamanho, mas por conta do desnível do terreno, a do Sol parece muito maior.

O sol forte e a luminosidade não colaboraram com as fotos.

Gastei cerca de 3 horas nas caminhadas. Voltei pela Calle de Los Muertos até chegar ao mesmo lugar onde entrei. Comprei uma água caríssima na lojinha (15 pesos – depois vi na vending machine do lado que custava 7) e fui esperar o bus pra voltar pra Cidade do México, continuar minha jornada pré-hispânica.

Apenas morri de cansaço no ônibus, mesmo com um tiozão Mariachi fazendo um showzinho inesperado. O cara tava sentado, de repente levantou, pegou um violão e começou a tocar. Êta povo musical.

A volta demorou menos de 1h. De volta ao terminal, fui de metrô até os arredores do parque Chapultec para conhecer o Museo de Antropologia.

Mas não foi tão fácil achar. Tive que pedir informações pelo caminho. Nisso, lembrei que eu devia comer alguma coisa. Vi uma tia vendendo salada de frutas e comprei. Ela ofereceu para colocar PIMENTA na SALADA DE FRUTAS. Ai, México…

Enfim achei o museu. O espanhol dos mexicanos é facilmente compreensível, felizmente. Eu me virava com um portunhol bem baixo nível, mas entendia perfeitamente o que me falavam.

O museu de Antropologia, também 57 pesos, é enorme. Minhas pernas doíam. Fui percorrendo as salas: história da antropologia, maias, astecas, e tantas outras que não lembro. Artesanatos, réplicas de como viviam, de suas roupas, alimentos, mapas de onde viviam. Muito completo. Fiquei pensando no Brasil, na vida indígena riquíssima que nosso país e nossos políticos matam dia após dia. Na falta de estudos sobre os nossos índios… Sobre a falta de interesse de quase todos por esse tópico fundamental da História do Brasil (manifestação contra o genocídio dos índios só meia dúzia faz, percebeu?).

Na última sala, a principal relíquia do museu: o calendário asteca, ou a Pedra do Sol, que ficava no Templo Mayor (nas ruínas lá do centrão da Cidade do México). Aqui está a história dele, com explicação de cada detalhe. Resumo da ópera: não era na verdade um calendário, mas sim um monumento ao Sol onde se realizavam sacrifícios.

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Outra peça importantíssima que achamos no Museu de Antropologia é a “big head” de um guerreiro Olmec.

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Saí do museu umas 17h e pouco, com o sol ainda a pino, e resolvi ir andando pela avenida Paseo de la Reforma, que tem por toda sua extensão vários monumentos importantes, como o Ángel de la Independencia (abaixo).

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Continuando a caminhada por esta mesma avenida – claramente área nobre da cidade – fui surpreendida por uma incrível descoberta: uma Feira de Nações Amigas do México. Por quase 2 kms de extensão, centenas de tendas de todos os países imagináveis (Sudão, Árabia Saudita, Equador, Mongólia, Chade, tudo, tudo!) traziam objetos, comidas, imagens de suas culturas. Desde as coisas estereotipadas (salsichão e cerveja na Alemanha; sushi, sakê e gatinhos da sorte no Japão; hot dog nos EUA, etc), até espetos de insetos no estande da China, por exemplo, e roupas africanas no estande do Quênia… Incrível!!!

A avenida estava entupida de transeuntes interessados em conhecer tantas culturas, provar o sorvete italiano, a cerveja tcheca, o doce de leite uruguaio, os pratos apimentados da Indonésia e, claro, tomar Guaraná e comer coxinha no estande do Brasil ♥

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Minha próxima meta era o Monumento da Revolução. Para tanto, entrei na avenida Insurgientes. Me deparei primeiro com um monumento esquisito que fazia uma sombra enorme em todo o quarteirão – Monumento a La Madre. Andei mais uns minutos e achei o que procurava: o Monumento a La Revolución.

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Dizem que tem uma vista bacana do alto dos seus 60 e poucos metros de altura. Não fui conferir. Estava com o corpo moído de andar o dia inteiro.

O Monumento à Revolução Mexicana foi inaugurado em 1938 e é um dos símbolos mais veementes do que significa construir uma cidade sobre um lago, o Texcoco. Assim como o Monumento à Independência, eles vão afundando ano após ano.

A Cidade do México foi construída sobre um lago. A pintura abaixo retrata a Cidade alguns séculos atrás (está e exposição no museu da Torre Latinoamericana). Tudo que era água foi aterrado, dando lugar à urbanização desenfreada.

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Andei mais um pouco e entrei no próximo metrô, em direção ao Zócalo.

Cheguei ao hotel exausta. Além de andar MUITO, não esqueçamos que a Cidade do México está a quase 2.500 metros de altitude, ou seja, o ar não chega aos nossos pulmões com tanta facilidade.

Tomei banho e percebi o estrago do dia (não me refiro à espinha):

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Quando te disserem para levar protetor solar às pirâmides de Teotihuacán, acredite.

Papi e yo estávamos exaustos (ele passou o dia em Puebla), e resolvemos jantar no restaurante do hotel. Eu comi quesadillas com guacamole e cerveja Corona. Quebrou o galho.

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Sexta-feira, 31 de maio –

Hotel sem café da manhã é uma droga, né? Umas 8h fui andando até uma enorme padaria que eu tinha visto no primeiro dia. Pastelaria Ideal. Só que não era bem uma padaria: era um self-service de gordices de carboidrato puro, a grande maioria doces. Croissants de chocolate, bolos, donnuts, biscoitos de manteiga, broa, tuuuuuuuuudo. Mas nada de pão, nem coisa pra beber. Comi um croissant e andei até o Zócalo.

Entrei na Catedral Metropolitana esperando ver uma missa, um coro, algo assim, mas estava muito cedo. Fui até o Palácio do Governo, mas estava tendo um protesto na frente dele e fecharam a entrada. Fiquei sem ver os murais do Diego Rivera que lá residem. Saco.

Decidi improvisar. Fui andando pela avenida Francisco Madero, que é um calçadão cheio de lojas de bacaninhas (Zara, Starbucks, Levis…), restaurantes, cafés…

Quando vi estava sob a sombra da Torre Latinoamerica, um arranha-céu de quase 200 metros que possui um mirante com vista de toda a Cidade do México.

Eu piro em mirantes, gente. Nem me importei de pagar 80 pesos. Valeu a pena, até porque o ingresso permite que você entre no prédio várias vezes no mesmo dia, e foi o que eu fiz: de manhã e de tardinha (já que a claridade da manhã ferrou com as minhas fotos). O ingresso dá direito a acessar o museu, que tem umas pinturas da transformação da Cidade do México ao que é hoje e, o mais legal, o efeito devastador de alguns dos maiores terremotos na cidade. Nos anos 80, teve um terremoto que praticamente destruiu tudo.

De lá de cima delineei meu roteiro: ir ao Palácio de Bellas Artes, depois ao Museu Mural Diego Rivera, depois à Casa da Frida, em seguida ao mercado de Coyoacán e depois à Casa do Diego.

O que realmente fiz: desencanei do Palácio de Bellas Artes momentaneamente e fui andando pela bela praça que cerca a Alameda Central até o Museu Mural Diego Rivera. O museu é o mural. O mural é o museu. São 40 pesos para entrar (se quiser tirar foto são mais uns 30 – eu tenho acesso ao google e prefiro pegar de lá).

O mural é aquele do Diego criança de mãos dadas com uma caveira, “Sueño de una tarde dominical”:

Tinha uma placa detalhando quem é cada um nesse mural. Enquanto tentava entender, um tio percebeu minha profunda admiração pelo mural e começou a puxar papo.

Arturo. Mexicano, por volta dos 50 anos.

Estudou Diego Rivera a vida inteira e achou que eu era merecedora de uma verdadeira aula sobre o muralista. Sem cobrar nada.

Esse do Museu Mural traz diversos elementos da história antiga, recente e atual do México. Tem as fogueiras da Inquisição, o colonizador e genocida Hernán Cortez, o heroi da revolução Benito Juarez, a miséria, a ostentação, o vendedor de doces, o abuso dos militares, cidadãos comuns e ela, Frida Kahlo, atrás do menino Diego Rivera.

Arturo me explicou cada detalhe do mural e me convenceu a ir com ele no Palácio de Bellas Artes conhecer “o mural mais incrível de Diego Rivera”. Quem sou eu para discutir!

O Palácio de Bellas Artes – que antes tinha passado batido, apenas tirando fotos da fachada – custa 40 pesos para entrar. Suas paredes internas são forradas de murais dos principais muralistas mexicanos: Diego Rivera, David Siqueiros (comunista que traiu Trostky – chego lá!) e Rufino Tamayo.

O tal incrível mural do Rivera que Arturo queria me mostrar era esse aqui, “El hombre en la encrucijada mirando con incertidumbre pero con esperanza y una visión alta en la elección de un curso que le guíe a un nuevo y mejor futuro”:

O mural tinha sido encomendado pelo grande empresário americano John Rockefeller. A pintura ficaria no saguão de entrada do complexo Rockefeller, em Nova York. Ao ver o mural de Diego, o empresário não gostou nada de ver o comunista Lênin retratado e mandou o artista mexicano apagar o rosto do dito-cujo.

Rivera se negou; Rockefeller pagou o que devia ao artista e destruiu seu mural. Simples assim.

O governo mexicano soube disso e convidou Diego a fazer o mesmo mural no Palácio de Bellas Artes. Diego topou e adicionou alguns detalhes, dentre eles retratado bêbado (com uma taça na mão e olhos enviesados) o empresário americano cercado de prostitutas. Tem mais! Em cima dessa cena tão americana-capitalista, foram retratadas bactérias e vírus de doenças sexualmente transmissíveis, como gonorreia. ACHO que Rivera se vingou =)

O mural retrata o capitalismo à esquerda e o comunismo à direita. O macrocosmo e o microcosmo. Guerra nuclear. Drogas. Poluição. Ciência. Teoria da Evolução. São muitos elementos. De fato, Arturo tem razão: é incrível.

Os outros murais também são bacanas.

Enfim, se estiver passando pela Cidade do México, conheça o Palácio de Bellas Artes e gaste um tempo sentado na frente desse mural fantástico.

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Fachada do Palácio de Bellas Artes

A seguir, já umas 14h (ferrou com minha programação!), peguei o metrô até Coyoacán, bem ao sul da cidade, conhecer o bairro da Frida e do Trostky (Arturo me convenceu de que o museu valia a pena).

Do metrô até a casa onde Trostky viveu e morreu foram uns bons 30 minutos andando por uma avenidona sem qualquer atrativo. Mas estamos na chuva temos de nos molhar, right?

O Museu Casa de Leon Trotsky também tem frescura com fotos; se quiser fotografar, paga mais. Eu optei por não tirar fotos, por tanto paguei 40 pesos. O ingresso dá direito à guia dentro do museu. Foi o que fiz. Em cerca de 40 minutos vi a casa toda, fotografias da família toda (o único neto, que é responsável pelo museu, tem mais de 80 anos e vive no México com sua prole, descendentes de Trostky!), sua biblioteca… Aprendi muito!

Trotsky foi um marxista e bolchevique. Um dos líderes da Revolução Russa. Desempenhou importantes funções políticas no comunismo russo. Após a morte de Lênin, Trostky e Stálin disputaram o poder na Revolução Soviética. Stálin chegou ao poder e perseguiu seu rival em 1001 países, assassinando filhos e quem estivesse pelo caminho. “Stálin jamais sossegaria enquanto Trotsky estivesse vivo”, disse o guia. Trostky se refugiou em meio mundo.

Meanwhile, Diego Rivera e Frida Kahlo, comunistas, souberam que Trotsky procurava por asilo político. Diego tinha relevância junto ao governo, e convenceu o presidente a aceitar o comunista russo e sua esposa no México.

Primeiramente, o casal ficou na casa de Frida e Diego. Só que Trotsky e Frida tiveram um lance. Sacando os córneos, a esposa do russo fez os dois se mudaram para uma casa só deles.

Trotsky continuou trabalhando pro partido.

O primeiro atentado contra sua vida foi orquestrado pelo muralista, também comunista e amigo de Frida e Diego, David Siqueiros. Só que ele contratou um bando de anta. Dezenas de pessoas invadiram a casa de Trotsky e metralharam geral. Só acertaram paredes. Ninguém se feriu.

Diante do atentado, Trotsky, temendo muito pela sua vida, blindou a casa inteira: não adiantou.

Tinha um cara contratado pelo Stálin para matar Trotsky. O desgraçado se aproximou da irmã da secretária do Trotsky, fez a coitada se apaixonar, tal e tal. Conseguiu acesso à casa de Trotsky como amigo da família. Até que um dia apunhalou Trotsky na nuca.

Trotsky não morreu imediatamente. Ainda ficou no hospital consciente por uns dias. Daí morreu.

No final do tour e da História, o acachapante túmulo com os restos mortais de Trotsky no centro do jardim de sua casa. Uma enorme tumba sombreada por uma bandeira vermelha. Na tumba, a inscrição da foice e do martelo.

Arrepiante.

Fachada do museu:

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Próxima parada: Casa Azul, casa de Frida Kahlo. Por 80 pesos (para tirar foto mais uma grana) temos acesso ao museu da Frida e ao Museu do Diego Rivera, em San Angél (não deu tempo =/). Vi a Casa Azul relativamente rápido: o quarto da Frida, o belo jardim no meio da casa com uma pirâmide; aqueles quadros transcendentais da Frida; sua máscara mortuária; a decoração fofa e bizarra da casa.

Na miúda, tirei foto do jardim:

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Coyoacán é um bairro muito fofo. Só casas de classe média, muito verde, muita calma. Me lembra uma Vila Madalena, só que sem o agito e nem a especulação imobiliária. Na época de Frida, Diego e Trotsky, era como que uma cidade do interior, um bairro industrial bem afastado do centro.

No centro do bairro tem um mercado. Nada melhor e mais autêntico para almoçar, né?

Comi dois tacos: um de champignons e um de lula. Estou viva.

Se liga no visual da barraca dos tacos. Nas travessas, os recheios:

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México, seu lindo!

O mercado vendia de TUDO: galinhas vivas, brinquedos, fantasias do Cháves, frutas, doces e, claro recuerdos. Foi lá que comprei as pouquíssimas bugigangas adquiridas na viagem.

Frida caveira ♥

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Andei até a praça principal de Coyoacán e entrei na igrejinha.

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Quando vi, eram 17h30. Em menos de meia hora o museu do Diego Rivera (de acordo com minha programação, a última parada) estaria fechado. Não daria tempo de chegar, muito menos de ver as coisas.

Diante das circunstâncias, desisti. 😦

Andei até o metrô (longe pra cacete da praça de Coyoacán) e fui até o Hidalgo: decidi subir de novo no mirante da Torre Latinoamericano. Foi uma ótima ideia!

Vista das montanhas (duas delas são vulcões!)

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No centro da foto abaixo, uma bandeirinha do México. É o Zócalo! Estonteante a imensidão da cidade. Ah, lembrando que há poucos prédios na cidade por causa dos frequentes terremotos.

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Praça da Alameda Central:

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Fazia uma tarde linda. Sexta-feira. Todo mundo na rua. E quanta gente!!

Fui andando pela calle Francisco Madero até o Zócalo.

Os artistas de rua de lá dão um banhos nos nossos, brasileiros. Olha a caracterização do soldadinho, que legal:

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(Ele escondeu o rosto com a arma porque não dei dinheiro)

Comprei um sorvete numa sorveteria chique e continuei andando até o Zócalo.

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Liiiiinda tarde!

Voltei pro hotel e fui com meu pai jantar num restaurante de frutos do mar, o Fisher’s. Restaurante todo modernoso, com cara de Lanchonete da Cidade, sabem?

Tomamos margaritas, eu de tamarindo.

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Meu prato era composto de duas entradas. Um era um mini taco com frijoles e o outro eram tacos com cheddar e peixe-espada (que estava com um gosto fortíssimo de calabreza, ainda que o restaurante só trabalhe com frutos do mar).

Enfim.

Queria muito ter ido ao show dos Mariachis na Plaza Garibaldi, mas era meio longinho e nosso voo sairia em poucas horas. Mais uma programação cancelada 😦

Sábado, 1º de junho – 

O dia dos vôos eternos: saímos da Cidade do México com o sol raiando. Fizemos conexão, lá pela hora do almoço, em San Jose, Costa Rica e, depois, uma conexão em Lima de 6h. Achamos que seria uma boa ideia ir comer um ceviche, já que estávamos em Lima e a tarde estava linda. Só que tivemos que pagar a taxa aeroportuária. Quase U$ 100 meu pai e eu.

Fomos até a zona portuária de Callau, onde tem um restaurante gracinha à beira do pacífico:

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Olha o nosso ceviche, que lindo:

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Amo taaaaaaaaaaanto ceviche, mas tanto ♥♥♥

Ceviche é feito de peixe cru marinado no molho de limão. Acompanha cebola roxa, batata doce  e milho. E pimenta e coentro.

Voltamos para o aeroporto que estava simplesmente ENTUPIDO de viajantes, em sua maioria mochileiros europeus (extremamente fedidos, diga-se de passagem).

Nosso voo saiu de Lima de noite e chegou em São Paulo ainda de madrugada. Dormi quase o tempo todo.

FIM.