1 saudade: #CopaMaravilhosa

Já se passaram 2 anos e meio e a certeza é cada vez mais forte: a Copa do Mundo no Brasil foi um dos melhores períodos da minha vida. Um mês inteiro de felicidade ilimitada.

Se tem uma coisa que me dói é conversar com alguém que diz, com orgulho, que não ligou a mínima para a Copa. “Foi bom para dormir” e coisas do gênero. Me dói, de verdade. Além da dor, é pena: essa pessoa não saboreou a alegria ímpar que só uma Copa no Mundo no país do futebol é capaz de proporcionar. Mais: uma Copa do Mundo no país que é conhecido por sua espontaneidade, por sua forma informal de tratar a tudo e a todos, de rir da própria desgraça.

Um dos lemas dos manifestantes anti-copa era “Copa Pra Quem?”. A Copa passou e podemos responder com segurança: COPA PARA TODOS NÓS. FOI LINDO.

Antes de mais nada, recomendo fortemente a leitura desse texto. Ia destacar um trecho, mas o artigo é todo maravilhoso. Leiam. Aliás, leiam todos os textos relacionados à Copa postados nesse site. Dá vontade de abraçar o computador, de tanta saudade ❤


Voltemos no tempo. Em 2007, quando foi decidido que o Brasil sediaria a Copa, eu fiquei genuinamente emocionada. Tal como Lula, Pelé e afins. Sim, depois caiu a ficha: corrupção, mandos e desmandos da Fifa, toda aquela podridão que estamos cansados de saber.

Aí o tempo passou, ~o gigante acordou~, veio toda a indignação. De todas as partes. Direita, esquerda, petralhas, coxinhas, corintianos, palmeirenses, flamenguistas, família, todos. Como um país cheio de gente pobre e carente de infraestrutura até em suas cidades mais ricas sediaria um grande evento como esses?

Não vou me alongar. Todos sabemos disso tudo e estou longe de ser uma boa pessoa para falar a respeito.

Só que eu nunca duvidei de que aconteceria e de que seria incrível.

Esse sentimento esteve guardado lá no fundo. Tão fundo que cheguei a esquecer. Até porque, imagine alguém dizendo, em junho de 2013, que a Copa seria incrível?

E aí chegou a Copa.


12 de junho de 2014

Acordei no feriado de 12 de junho, o dia dos namorados mais Dia dos Solteiros de todos os tempos, me sentindo diferente. (Ok, não só pela Copa, mas…)

No caminho para casa, senti a atmosfera de São Paulo totalmente diferente do que conheci até então, naqueles meus 28 anos de existência nessa cidade que a cada dia me surpreende.

Mas aquele clima me surpreendeu MAIS.

Todo mundo na rua. Vestindo amarelo (numa época em que usar a camiseta da seleção não tinha conotação política). Feliz. Genuinamente feliz.

Eu não sou a maior fã de futebol. Já tive fases de gostar, fui a estádios algumas vezes, mas nunca torci para ninguém e tampouco tive grandes emoções por conta do esporte.

Também não me lembro de estar tão eufórica com uma Copa do Mundo. As Olimpíadas sempre me motivaram, mas não a Copa do Mundo.

Em 2002, na Copa no Japão/Coreia do Sul, muitas vezes eu não me dava ao trabalho de acordar para assistir aos jogos no meio da madrugada. Em 2006, assisti a grande parte dos jogos sozinha em casa e a única coisa realmente interessante era ir para a aula na faculdade depois do jogo e ver todo mundo bêbado, até os professores. Em 2010, eu estava na Europa. No primeiro jogo do Brasil eu estava no trânsito para ir ao aeroporto. No segundo, estava em um passeio na Holanda e nem me importei. No terceiro, estava no show do Paul McCartney na Escócia com papai.

Diante desse cenário de total descomprometimento com o futebol, qual não foi minha surpresa em me pegar, logo na abertura da Copa, TOTALMENTE APAIXONADA E ARREBATADA? Pela Copa, é claro.

Agora que o evento passou faz tempo, sou só amor para falar a respeito. Assisti a grande parte dos jogos, sabia tudo o que estava acontecendo, conhecia os jogadores, torcia, sofria, pensava nisso o tempo inteiro.

Mas o grande lance não estava apenas dentro dos estádios. E é aí que o bicho pega. O clima das ruas nas cidades-sede era a coisa mais linda, impressionante, misturada, heterogênea e tantas outras palavras indescritíveis (de novo, leiam as matérias do site Trivela). Me dá um nó na garganta de tanta emoção. E tenho a mais absoluta certeza que foi a melhor Copa de todas.

Porque o povo brasileiro, apesar de todos os pesares e de todo o viralatismo das elites, é um povo maravilhoso, que faz o possível e o impossível para receber bem o turista – as Olimpíadas mostraram isso novamente.

Não sabíamos quem estava mais feliz com tudo: o gringo deslumbrado que descobriu as maravilhas e bizarrices da cultura brasileira ou os brasileiros descobrindo os gringos que queriam descobri-los etc etc etc ad infinitum.

Sabe qual é a merda de falar de algo que nos apaixona? É que as palavras não são suficientes. Acho que não estou fazendo jus ao que essa Copa proporcionou à minha vida. E à de outros. Cansei de ver amigos e conhecidos clamando aos quatro ventos o quanto a nossa copa foi sensacional, única.

Logo no 4º dia de Copa a imprensa internacional divulgou o primeiro texto falando bem – muito bem! – da Copa. Foi esse aqui, do Yahoo (o link original não existe mais)

Uma Copa de surpresas dentro do campo. Goleadas, grandes craques, hinos à Capela. América Latina viva e forte. Torcedores encantadores e encantados. Gringos de todas as partes invadindo todos os cantos de nossas cidades. Holandeses na Guarapiranga, Ingleses em Manaus, Argentinos em tudo que é canto, torcidas apaixonadas por suas seleções e curtindo TUDO que tem direito no Brasil.

Isso sem falar nas piadas incríveis, os memes, nas torcidas, na vibração.

O que tanta gente que diz que a Copa nem foi tudo isso jamais entenderá: o evento não se resumiu a futebol. Ainda que as partidas tenham sido, em grande parte, surpreendentes e maravilhosas, a Copa foi um momento ÚNICO na história do Brasil e de cada um de nós. Se você não viveu isso, APENAS SINTO. Sério.

Isso porque eu nem tive a oportunidade de ir ao estádio, assistir uma partida in loco! Imagina se tivesse ido!

A Copa foi maravilhosa. Obrigada por tudo. Nunca vou te esquecer, te amo eternamente ♥

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Foto tirada logo após o 7×1

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A vida não tá fácil

Não tá.

Desde que voltei de viagem, em 9 de janeiro, conto nos dedos de uma mão os momentos realmente felizes do ano (na real, só lembro de dois: Casamento de um amigão; Carnaval/Sambódromo; bar semana passada com os brothers. [não, meu aniversário não consta nessa lista pq, mesmo que muita gente que amo tenha ido, muita gente que amo NÃO foi e nem deu justificativa. fiquei mal).

Tenho impressão que gastei a cota de felicidade do quinquênio na minha viagem…

De resto, um misto de melancolia, desânimo e desgosto marcam meu primeiro trimestre de 2015.

O Trabalho.

O trabalho está uma merda. Graças à economia brasileira toda fodida e à crise da água em São Paulo, a construção civil foi reduzida em um volume assombroso. Como meu trabalho está diretamente ligado ao mercado imobiliário, que é um dos que mais sentem essa crise, tenho passado longos períodos de ócio não-remunerado (só ganho pelo que produzo). Em fevereiro, tive o pior salário até agora nesse trabalho. Até menos do que costumava ganhar quando era estagiária, juro. Tudo indica que abril será parecido. A coisa tá feia. Meus colegas de trabalho estão tensos. A chefe está mais tensa ainda.

O Brasil. 

Me deprime. Me dá vontade de gritar, de chorar. Essa onda de conservadorismo está me dando um desgosto sem precedentes com o fato de ser brasileira e morar no Brasil. Manifestação pedindo impeachment, pedindo golpe militar. Não consigo olhar a bandeira do Brasil ou ouvir o hino sem sentir repulsa.

Gente boicotando novela porque gays se beijam. Gente pedindo a morte de uma presidente eleita pela maioria (não esmagadora, ok, mas ainda assim) da população. Gente que grita “Abaixo Maria do Rosário, Viva Bolsonaro”. Enfim. Vocês lêem jornal, sabem do que eu tô falando.

Nunca tive vontade de sair do Brasil. Até 2015.

Se acho que outros países são melhores? Depende. Há lugares e lugares. O que eu não aguento é gente com boa educação pedindo ditadura e apoiando feminicídio.

O que me impede de vazar? Um trabalho mais ou menos decente. Nem fodendo que saio daqui pra limpar bunda de bebê – até porque não curto criança. Seja finlandesa, ugandense ou canadense. Não gosto. São folgadas, são mimadas, são inconvenientes. Tô fora.

A Vida.

Minha vida social está em coma na UTI. Ninguém tem grana pra nada, ninguém quer fazer nada, quem sai só sai com cônjuge/namorad@, chega fim de semana e todo mundo só quer dormir. Eu inclusive.

Meus pais não param de jogar na minha cara o fato de eu estar sozinha e sem amigos. Sempre pra cima a opinião dos meus pais.

Vida está chatíssima e desmotivadora.

O Amor.

Rysos altos do mais puro sarcasmo. Em resumo: sou uma completa imbecil sem amor próprio e que não canso de me humilhar. Mas não sigo em frente porque a vida está tão chata, tão desmotivadora, que me apegar a três ou quatro frases agradáveis por semana é o que me resta para não sucumbir de desgosto.

Ok, é uma maré que vai passar.

#Oremos para que passe logo.

—-

Mas nem tudo é desgraça. Em exatos 15 dias vou fazer uma viagem bacana com o meu pai. Tô pobre pra caralho e não teria condição de ir nem até a Praia Grande, mas como meu pai está pagando a parte aérea e eu tinha dinheiro vivo sobrando da última viagem… Vou pra Dubai passar meros 2 dias, com meu pai, e daí ele volta pro Brasil. Eu sigo para Paris, onde ficarei com meu primo e a namorada, que moram lá.

***

Se você estiver à toa na região central/oeste de São Paulo, faizfavô de me chamar pra uma cerveja. Sério. Por favor. anamyself@gmail.com

😉

Nada é tão ruim quanto parece

Leitores assíduos (ou nem tanto) do meu blog devem estar percebendo uma das minhas grandes e piores características. Ainda mais depois do último post, sobre a minha mãe. Aliás, um milhão de agradecimentos a todos que comentaram no blog, me mandaram e-mail, me twittaram alguma coisa. Sério, gente. Terapia em grupo, é o que é esse blog 🙂 ♥

Mas então. A tal característica: sou sempre vítima. Como assim? Não sou agente ativa da minha vida, sou agente passiva. Sempre tomando no cu, e não enfiando no cu dos outros, num português claro – e condizente com a minha vida. Pior do que isso: tenho uma certa necessidade – e mania-  de fazer os outros sentirem pena de mim. Daí a quantidade de desgraça que eu conto aqui.

Nenhuma dessas histórias é mentirosa. Todas me afetaram e ainda afetam. Não é e nunca será fácil ser eu.

Mas essa minha mania de despertar dó nos outros é a coisa mais deprimente que alguém pode fazer consigo mesmo. Não me orgulho. Por outro lado, PRECISO escrever e desabafar. E não vejo muito sentido em desabafar sobre coisas boas que acontecem.

No fundo, sei que consigo despertar outros sentimentos nas pessoas além da piedade. Vocês, por exemplo, caros leitores (a maioria, nem conheço pessoalmente): sei que vocês me lêem não só por pena, ou pela minha vida tragicômica, ou por curiosidade, mas porque simplesmente gostam de mim/do que escrevo.

Né não?

#DizQueMeAma

Mas sei lá… Eu só conto desgraça. São raros os posts em que falo de coisas boas. E, pode não parecer, mas não sou tão infeliz e miserável quanto pode parecer.

Na verdade, há um bom tempo, vivo na inércia. Alguns dias são legais, alguns dias são ruins e a maioria dos dias é simplesmente boring.

Mas já vivi MUITOS momentos bons, mesmo com mãe louca, mesmo com a auto-estima fudida, mesmo sempre sentindo falta de uma cara metade. Já viajei pra cacete, já conheci gente maravilhosa, já aprendi muito, já ri muito, já me entreguei de corpo e alma. Tenho MUITA coisa boa para lembrar.

Enfim. Esse post é só para saberem que nem tudo é tão ruim quanto parece. Consigo levar as coisas e sei ver a beleza da vida. Num pôr-do-sol, num bate papo gostoso com os amigos, num cachorrinho fazendo graça na rua.

Amor: Fase 1, capítulo I

Acordei com vontade de contar a minha vida. Então segura, que aqui vai um “pequeno” trecho.

Minha vida amorosa divide-se em duas partes, basicamente. Tem a fase platônica e a fase não-platônica. Aí coloca dois cidadãos em cada fase e zaz. That’s all, folks.

Então vamos começar pela Fase 1 – Paixão Platônica, capítulo I – Gordo.

Já contei um pouquinho sobre a minha pré-adolescência e descobertas sexuais aqui (os comentários desse post são os melhores!). Resumão: comecei minha vida sexual CEDÍSSIMO, com meu melhor amigo-irmão-alma-gêmea-lindo, o Chris, que alguns anos depois se descobriu gay. Na mesma época, lá pelos 13 anos (tô falando que é cedo, gente) eu pegava um cara sensação do meu condomínio, vamos chamá-lo de B (hoje ele me odeia tipos MUITO, um dia conto o pq). Daí que C e B começaram a se pegar também. E eu observava toda a evolução entre eles, do primeiro selinho até… Bom, vocês entenderam.

No começo, eu achava que gostava do C. Não, era só amigo mesmo. Depois, achei que gostava do B. Também não: achava o máximo o fato de ver a bissexualidade de uma pessoa se aflorando na minha frente, isso sim. Mente deturpada desde cedo? Yes.
No auge dos meus 14 anos, via dois meninos se comendo na minha frente. E achava o máximo.

Aí tudo isso passou, C mudou, B mudou.

Não tive vida sexual/amorosa e nem nada durante toda a minha adolescência. Nem falo quantos anos fiquei sem ao menos beijar alguém, porque dá vergonha, sérião. Mas eu não me importava tanto, assim. Minha vida era preenchida com ótimas experiências e amigos maravilhosos.

E aí tinha esse cara do meu condomínio. Meu vizinho da frente. Nunca tínhamos tido muito contato, mas ele já tinha sido bem amigo do Chris. Amigo o suficiente para ele ser a única pessoa (tirando B, claro) que sabia sobre nossas experiências precoces.

Enfim. Começou uma história de que eu deveria pegar esse meu vizinho. A ponto de ele pedir para ficar comigo, no melhor estilo “Fica Comigo” – MTV. Crianças, sabe. E eu, mais criança ainda, sem saber o que fazer. Uma vontade louca de rir, vontade maior ainda de me enfiar em um buraco e por lá ficar pelo resto da vida, de vergonha.

Daí que não aconteceu nada, só uma enrolação monstra por alguns dias.

Meses depois, quando ele desencanou total, eu surtei. Fiquei obcecada, e tinha que ficar com ele de qualquer jeito. Mas adivinhem só: ele nem queria. Na verdade, ele nunca quis. Só rolou aquele mini climinha por conta de pressão externa.

Me dá contorções no estômago de vergonha de lembrar dessa época. E ó que já se vão quase 10 anos.

Enfim: aí que eu apaixonei. Apaixonei mesmo, só pensava nele a porra do tempo inteiro, mas é lógico que a partir daí ele passou a me esnobar bonito.

Gente. Eu tinha 14 anos.

Daí comecei a mandar cartas pra ele. Cartas com os escritos mais bregas do universo inteiro, pior do que a pior letra de pagode  (Lua Vai feelings) que você consiga imaginar. *Convulsões de vergonha*. In fact, cheguei a mandar a letra de “Olha o que o amor me faz”, de Sandy & Jr., pra ele. Sério, gente. É vexatório.

E eu passava a merda das aulas inteiras na escola escrevendo coisas pra ele, e pensando nele… Uma coisa bem absurda.

Pior. Nós estudávamos em escolas diferentes. Ele estudava na porra do colégio que me humilhou a vida inteira, e eu tava feliz na escola nova, com admiradores e tudo. Mas ainda tinha um amigo ou outro no colégio antigo. O que fiz: convenci meus amigos a enxerem o saco do coitado do menino pra ficar comigo. O que inexperiência não faz, né? Nem me tocava que isso estava piorando cada vez mais a situação.

Eu continuei gamada. Todo dia de manhã, o via pela janela da cozinha indo para a escola. Apaixonadinha way of life. (Aposto que ele nunca soube disso).

Ele me deu altos foras. Em público, inclusive. E eu ficava chorando anos, coisa mais ridícula. E não demorou para ele ficar com alguém – do condomínio, aliás. Durou pouco, mas eu me remoía de ciúmes. Por outro lado, ele passava mais tempo comigo do que com a “namorada”, mais assuntos em comum, sabe. E eu fui me aproximando dos amigos dele (não por interesse, que fique claro), e gostava cada vez mais dele… E tipos… Se não rolou no começo de tudo, nada mais aconteceria.

Aí teve um dia que eu fiquei com um cara no colégio. E me senti malzaça, pq gostava do vizinho. Cheguei em casa, falei com ele do cara da escola, disse que me sentia mal, mega me declarei chorando e ele só ouvindo e se importando o suficiente para não rir na minha cara. Ponto.

E tinha essa menina, a Carol, que por sinal inspirou a criação desse blog nos idos de 2002 (arquivos infelizmente deletados). Mó amiga minha, dormia lá em casa, coisa e tal. Acontece que ela pegou as minhas duas paixões platônicas e super esfregou na minha cara “eu tenho, você não tem”, e ainda conseguiu fazer todo um grupo se voltar contra mim por um bom tempo.

Mas enfim. A Carol e a minha paixão platônica I namoraram. Ele apaixonadaço e eu me corroendo de inveja, pq nunca deixei de gostar dele. Nota: já tinham se passado uns 2 anos desde o começo dessa história.

E aí terminaram, voltaram, terminaram, voltaram e terminaram. No fim, ele não queria mais ouvir falar dela, mas ela amava ele loucamente. Mulher é tudo idiota.

No dia que eles terminaram oficialmente, ela chegou a vomitar de tanto chorar. E ele lá, na dele. Enquanto geral ficou puta com ele e foi consolá-la, eu fiquei lá conversando com ele… Não como se nada tivesse acontecido, mas ué, ele tinha culpa de não gostar mais dela? E, por outro lado, algum vez eu o culpei por não ter interesse em mim? Por mais ridículos que eu tenha passado (e feito ele passar), NUNCA forcei a barra. Talvez esse tenha sido o meu erro, afinal.

E aí o mundo me odiou. Falou que eu fui injusta, que ri da desgraça alheia.

Ok, então.

Tudo bem que me aproveitei da desgraça alheia, mas, poxa. POSSO?

O legal é que quando a Carol foi filha da puta comigo, todo mundo ficou do lado dela, não do meu.

Cara, que post enorme e desinteressante para pessoas não envolvidas na história, I’m sorry. Mas é sempre bom botar pra fora, né?

Até hoje tenho uma pasta com rascunhos das cartas que mandei a ele, várias citações piegas, poemas óbvios e coisas do gênero. Anos mais tarde, com o grupo todo reunido, distribui pra galera rir um pouco.

Bom… O tempo passou, tive obceção por outros, cresci, coisa e tal. Houve épocas em que estivemos muito próximos, em outras nos distanciamos… E agora começamos a nos aproximar de novo.
O que importa é que até hoje tenho um carinho por ele que não cabe em palavras. Nada de amor, paixão, coisa e tal. Mas uma vontade de abraçar e dizer o quanto ele é foda.

E hoje é apresentação do TCC dele.

Parece que foi ontem que eu via o boletim dele da 8ª série atolado de notas vermelhas. *Orgulho* do homem maduro e responsável que ele se tornou.

— Fim do primeiro segmento da minha vida amorosa. Em breve, novos capítulos —

Friday night

Então. Sexta passada fui de novo lá pra onde eu morava, ver o pessoal. Afinal, bar é SEMPRE lucro, ainda mais quando aceitam VR para pagar a cerveja.

Se foi um erro voltar lá depois de tudo que eu falei? De jeito nenhum. Gosto muito, muito, muuuuito deles, e me dá uma alegria gritante o fato de estar com eles. Às vezes me decepcionam, mas vou deixar de vê-los por causa disso? Não! Vou é me jogar.

E aí…

Olha, quando você bebe muito, fala demais e faz coisas vergonhosas mas tem amnésia, tá tudo lindo. O problema é quando você lembra de tudo detalhadamente. Tópicos da noite que começou às 19h30 e terminou às 11h30 da manhã do dia seguinte.

– Ana sexóloga. Porque, olha: quer prender a atenção de 15 pessoas (ou mais), basta sugerir um papo de sexo. O que eu fiz, basicamente, foi pedir a opinião das pessoas da mesa sobre o que elas gostam, não gostam, fantasiam e tal. Nada absurdo, mas o suficiente para deixar meninas cheias de fogo morrendo de vergonha.

– Ana boxeadora. Fomos para a casa de uns vizinhos de uma amiga, que nós não conheciamos, mas who cares?
República, parede de latas de cerveja e saco de boxe. Pra quê? Roxos até hoje, beijos.

– Pessoas abrindo cerveja presa entre meus peitos com os dentes.

– Acordar com o dia claro, ver que está sobrando e pedir para ir embora. Ninguém te dá a mínima nas 3 vezes, então você pega suas coisas e sai andando por um condomínio imenso que mal conhece. Na caminhada rumo à portaria, uma buzina, uma carona de uma estranha que ouve músicas evangélicas, de saia e cabelos compridos e adesivos “Te amo Jesus”. E eu com olheira, meibêbada ainda. perdida no mundo.
Sei lá, tem gente boa por aí.
A mulher não só me levou até a portaria, como também me levou até o metrô. E me deu um folhetinho da igreja dela, claro.
E aí meus amigos me ligam berraaaaando PQ VC FOI EMBORA blábláblá VAMOS AÍ TE BUSCAR blábláblá FICA AÍ blábláblá. 40 minutos depois, eles aparecem, discutimos meia hora, decidimos que eu vou pra casa, e de bus mesmo, porque tá todo mundo bêbado e minha casa fica longe. Aí fico muito puta, porque CAUSARAM pq eu ia de metrô, e no fim eu continuava com a opção de transporte público. Espero 30 minutos no ponto muito puta e desgostosa da vida. Mais 50 de trajeto até a minha casa. Chego quase meio dia e amargo uma porra de um dia inteiro numa das piores ressacas dos últimos tempos.

FIM.

Pelo menos a minha vida anda… ANIMADA.

Bad esquisitíssima

Lembram quando eu falei do quanto sentia falta de um pessoal que um dia fora importantíssimo para mim, aqui?

Então. Sexta-feira 13 (aniversário do meu pai, aliás), um componente daquele grupo me ligou, chamando para tomar uma cerveja lá onde eles ainda moram. Nem pensei duas vezes: saí do trabalho, andei uns 20 min até a estação de trem, mais uns 40 min até fazer a baldeação para o metrô – lotado e fedido – , e quase 1h30 depois cheguei lá, no bairro da minha ex-escola, dos melhores amigos que tive na vida, de tanta história e tanta coisa…

Nunca medi esforços pelas pessoas que eu amo. NUNCA.

Fui a terceira a chegar, mas logo foi juntando todo mundo… Um chamou o outro, que chamou o outro… E finalmente, com 3 ou 4 exceções, lá estava o mesmo grupo de sempre, como se tivéssemos todos 15 anos de novo. Olhando eles todos, me deu uma felicidade tão grande… Tirava fotos mentais daquela mesa com todos nós juntos, diferentes de como éramos, mas iguais na essência. Vontade de abraçar todo mundo, de sei lá, de explodir de felicidade. É “amo tanto que até dói” literalmente.

E até expressei bastante o quanto estava feliz de todos estarem ali, aparentemente quase tão satisfeitos como eu. Era quase mágico.

Ok.

O lugar esvaziou, muitos dos nossos foram embora e os remanescentes foram para uma sinuca, meio longe de lá.

Eu amo sinuca. Mas jogo mal pra caralho. Geralmente acerto a bola, mas é só isso, também. Encaçapar é raridade. Uma vez ganhei o jogo, mas foi UMA vez. Na vida. Geralmente irrito meus parceiros, de tão ruim que sou. Até aviso antes de começar que eu sou “café-com-leite”.

Adoro sinuca, mas a maioria das vezes fico deprimida ao jogar, ainda mais com gente competitiva.

Enfim. Joguei pessimamente, foi ridículo. Me senti mal, até porque eles desencanaram do jogo no meio e resolveram começar de novo. Sem mim, lógico.

Enquanto isso, o cidadão que desencadeou aquilo tudo me chamando pro rolê (que, por sinal, foi minha obsessão da juventude) e que foi para a sinuca com a gente, desapareceu do mapa com uma amiga nossa. Ainda enquanto isso, toda a humanidade desejava minha outra amiga (amo ela, mas sair com ela implica em deixar sua auto-estima no chão). E eu lá, praticamente expulsa do jogo de sinuca, sozinha num canto. Não deu outra: me deu uma bad absurda, comecei a chorar por horas e horas a fio até que alguém percebesse. E formou-se a roda de piedade ao meu redor.

Uns achando que era por ciúme do outro que desapareceu com a menina (e só reapareceram para ir embora): CHECK
Uns achando que era uma bad nada a ver: CHECK
Uns achando que eu tava cansada e bêbada demais: CHECK (eram 5 e pouco da manhã)

Juntem mais uns mil motivos bestas, baixa auto-estima, solidão, carência, etc e a receita está pronta.

Eu sou RIDÍCULA. Primeiro: como posso ainda ter ciúme de um cidadão que nunca foi NADA meu, passados quase 8 anos da minha fase de obsessão por ele?

Segundo: POR QUE CARALHOS não fui embora depois do bar? Essas coisas nunca dão certo.

Gastei minha terapia de segunda-feira inteira falando sobre isso. Falei coisas impronunciáveis, mas uma até confesso:

minha vida inteira vi os meus amigos homens, que eu sempre admirei e idolatrei bem mais do que mereciam, dando a maior atenção para as minhas amigas (peitos/bundas/rosto bonito etc), e me tratando como uma X.

Isso cansa.

Queria UMA VEZ NA VIDA que me dessem mais importância, sabe. Até por não vê-los há tanto tempo. Queria UMA VEZ NA VIDA ter mais importância do que um rosto bonito ali, um peitão acolá.

O que vou falar é feio, mas é sincero: Não quero mais dividir meus amigos com elas. Ciúme mórbido, possessão doentia, não me importa. Me recuso a sair com eles de novo para formarem-se panelinhas ao redor das meninas bonitas, e eu sobrar.

Ridículo como tudo me afeta tanto, ainda. E dói. Ainda está tudo fresco. As mesmas crises de ciúme e possessão de coisas que nunca nem chegaram perto de serem minhas.

A noite começou maravilhosa. Um dos melhores momentos do ano aquele bar. Assim como esse outro em que, aliás, eu era a única mulher.

E aí a maldita sinuca estragou tudo.

No dia seguinte entro no Orkut e vejo um depoimento de um amigo falando de como a outra amiga estava linda, e como ela é um doce.

VONTADE DE MANDAR TOMAR NO CU, SABE.

Queria ser anônima, nessas horas.

Eu sei que todos os envolvidos neste post vão acabar lendo, mas isso é bom, porque eu jamais teria coragem de falar na cara deles. E no fundo eles sabem como essas coisas sempre me afetaram e afetarão.

Sobre gostar demais das pessoas

Um dia, eu tive um problema sério: dava muito mais importância aos meus amigos do que eles davam a mim.
Num mundo normal, gostar demais não seria um problema, mas para mim era. Cresci cercada de gente fechada, com a maior dificuldade do mundo em demonstrar o que sente. Daqueles que não rolava abraçar COM GOSTO sem ficar um puta climão, como invasão de um terreno estranho.

Na minha vida reina a não-reciprocidade, desde sempre. Eu amo alguém? Esse alguém não me ama, pelo menos não da mesma forma. (Aí repete essa fórmula 500 vezes = story of my life).

Eu deixava de fazer muitas coisas pelos meus amigos. Sou mão de vaca pra cacete, mas sempre me senti bem pagando coisas para eles. Eu me doava 100%. Me compadecia com as histórias, sofria mais do que os protagonistas. Em suma: amava mais do que era amada.

Mas aí o tempo passou, eu cresci, e a distância e a idade adulta se impuseram, me tornando aquilo que eu temia: alguém com dificuldade de expressar o que sente – pelo menos face to face, pq não há vergonha na internet. Alguém que valoriza bem menos os amigos. Alguém que vai preferir ficar em casa vendo séries sozinha à sair com amigos para um rolê não tão interessante.

Como pode? Em que ponto minha vida ficou tão chata? Eu sempre fui meio anti-social, amante da privacidade e do individualismo, mas eu tinha vida social. Eu tinha AMIGOS. Meus dias poderiam ser um tédio, como o são hoje, mas não eram. Tinha sempre alguém sugerindo de pedir uma pizza, de ficar na frente do condomínio conversando, de ir até a padaria ou de ficar na escadaria do prédio falando merda. Não tinha como sentir esse vazio que eu sinto hoje.

Tenho amigos que eu gosto muito, mas não é a mesma coisa. Nunca me doei aos outros como me doava a esses.

Aí foi aniversário de uma das melhores amigas que tive na vida, segunda-feira. Ela que me aprimorou na arte de dizer “eu te amo” e de abraço de verdade – se bem que ela fala tanto “eu te amo” que até desvaloriza; ela secou minhas lágrimas, ouviu minhas lamúrias, soube enxergar cor no preto e branco. Muitas, muitas vezes. Anos e anos seguidos.
Enfim. Foi aniversário dela. Óbvio que ela não atende celular, essa é uma característica nata dela. Daí lá fui eu no quase falecido Orkut dar parabéns. Na mesma página do scrapbook, recados de dois dos que um dia foram grandes amigos: um era o ex namorado dessa citada, outro… hm, difícil definir o outro. Amor platônico da adolescência, destinatário de dezenas de cartas de amor (sim, já fui dessas… – na real duas pessoas receberam cartas de amor minhas… esse e um outro, também do mesmo grupo de amigos. Eu sou uma completa idiota).

E os parabéns deles eram tão vagos… Como se falassem com uma desconhecida.

Como foi que nos separamos desse jeito? Dói, cara. Dói de saudade de um tempo que já foi. E que não volta, infelizmente. A gente mudou, cresceu…
Um dia eu tive amigos, e amei esses amigos. De uma forma ou outra, eles me amaram também. Me fizeram rir da vida, me animaram com as piadas idiotas deles. O fato de estarmos juntos era o suficiente.

E hoje não nos conhecemos mais.

P.S.: nos viamos todos os dias. O tal amor platônico era meu vizinho de porta. E hoje sabe há quanto tempo não o vejo? 1 ano e meio. Os outros, vi há alguns meses. Mesmo que todos estejam diferentes, foi um dos pontos altos do meu 2009.
Outro fez facebook recentemente e entrou no Mafia Wars e no Farmville (dois dos meus grandes vícios atuais na internet). Aí a gente fica trocando presente e eu fico feliz.

Pergunta de um milhão de reais: QUÃO TRISTE E PATÉTICA EU SOU?

OgAAABffIJgLchBzDEYUwS9XN85Kzk0mp5cfxPjHFIPXn6DeDpgv_94NBblKvXINL8BEdAY7ZenTGoYR5vo057qKN0gAm1T1UMxhzH8pGUcBn9kC4WUBgR3h4yH3Aí meu eu atual volta pra esse dia e grita para todos: SE ABRACEM! DIGAM QUE SE AMAM! ISSO VAI TERMINAR LOGO.