♪ There’s a hole in my soul ♪

“E aí, tudo bem?”

Estou com uma imensa dificuldade de responder a essa simples pergunta retórica. Não tá tudo bem. Tô mal, tô triste, tô desmotivada, poucas coisas me animam. Só queria que o mundo parasse um pouco para eu ficar na cama chorando por dias seguidos. Não, não tô bem.

Não consigo lembrar de um período tão prolongado em que eu passasse tanto tempo chorando ou reprimindo choro.

Já tive muitas crises de tristeza na vida, mas não dessa forma. Há meses não tenho ânimo para absolutamente nada. Para terem uma noção: desisti de viajar no fim do ano. Não quero ir pra lugar nenhum, viagens já não são suficientes para diminuir o buraco dentro de mim.

Para toda a humanidade, tá tudo ok na minha vida. De fato, não posso reclamar da grande maioria das coisas. Trabalho? Não amo, mas é o melhor que eu poderia ter, sem a menor sombra de dúvida. Não me sobrecarrega, não me estressa, não me mantém acordada a noite. Dinheiro? Moro com meus pais, então meus gastos são basicamente comigo, tipo pagar terapia (sim, desde o começo do ano tô na terapia), internet, coisas do dia a dia. Como sou filha única, vou herdar tudo (não é muito, mas o suficiente para eu não morrer de fome na velhice). Além disso, guardo uma grana para eventualidades. Amigos? Ok. Tenho muito menos contato com eles do que gostaria, mas eles são muito importantes para mim. Aliás, os botecos não tão frequentes com eles são alguns dos poucos momentos em que não estou na melancolia completa (sim, o álcool ajuda muito). Saúde? Bem, obrigada. Família? Nem bom nem ruim. Vamos nos tolerando, algumas brigas tensas, períodos de calmaria. Comparando com os períodos realmente horrorosos que já vivemos, tá até ok.

O que nos resta? Sim, sim. Amor. Afeto.

Aí você vem me dizer: TODO ESSE DRAMA POR CAUSA DE HOMEM?

Se você realmente quer fazer Olimpíadas de Sofrimento, talvez possa parar por aqui e vazar.


Olha só: são 30 anos, provavelmente metade da minha vida, sem afeto, carinho, amor. De nada, de ninguém. Exagero? Você realmente precisa ler/reler esse post e esse post para tentar compreender como foi minha infância e minha adolescência. Claro que meus pais têm consideração por mim, gostam de mim da forma deles. Tô morando com eles até agora, né? Mas nunca expressaram isso. Nunca tive alguém com quem contar, para quem desabafar, sabe?

Daí a pessoa cresce e começa a desejar afeto. Deseja se sentir amada por alguém. Só que isso nunca acontece. 30 anos desejando um pão inteiro e não recebendo nem migalhas.

Daí a pessoa desenvolve uma compulsão alimentar fodida. O chocolate (inteiro) antes de dormir é o símbolo do que eu mais sonho: alguém para me abraçar antes de eu pegar no sono, e dizer que vai ficar tudo bem. Comfort food.

E daí a pessoa engorda, autoestima já no chão fica ainda pior… etc etc.


Semana passada fui visitar o bebê recém-nascido de uma grande amiga. Assisti o vídeo do parto (humanizado, em casa, com doula e tal). Emocionei. Chorei. Na hora, a emoção foi pela felicidade deles, pela realização do sonho deles. Assim como chorei no casamento. Em todos os casamentos que já fui, na verdade. Chorei até vendo o primeiro beijo de uma amiga no cara por quem ela era apaixonada há anos. A felicidade alheia me comove muito. Às vezes até parece que eu fico mais feliz pelas pessoas do que elas mesmas!

Só que, depois, voltando sozinha pra casa, bateu a realização de que eu não sei se quero casar e ter filhos. Eu não me permito sonhar com isso. Não consigo nem ter alguém pra estar ao meu lado, me abraçar e me sentir amada! Que dirá CASAR E TER FILHO. Daí fiquei revendo aquele vídeo do parto na cabeça… E pensei: eu até poderia ser mãe solteira. Mas QUEM estaria do meu lado no parto? Aliás, quem estaria do meu lado a qualquer momento da minha vida?
Isso mesmo. Ninguém. Não tenho ninguém. Essa dor da solidão é avassaladora e ocupa um espaço cada vez maior dentro de mim.

E é claro que isso afasta ainda mais as pessoas.


Por tanto, sou extremamente vulnerável e carente. Se alguém me dá uma migalha de afeto, eu me jogo de corpo inteiro. E sempre penso “dessa vez será diferente”. Mas nunca é. De modo que cada decepção dói de uma forma quase insuportável. Me derruba.

Imagina. Cada cidadão com que saio, que parece se interessar por mim, pela minha vida, será inevitavelmente fonte de um sofrimento grande. Mais um pra conta. Mais um tijolinho na muralha de amargura, que é como eu me sinto.

Não era pra gente sofrer cada vez menos com essas coisas? Criar uma casca, ou algo assim? Talvez, se você é uma pessoa “normal”. Mas pra mim, não. Me sinto cada vez mais sozinha, cada vez pior.

E daí, com esse psicológico cagadíssimo que só piora dia após dia, achei uma boa ideia me envolver com alguém que já tinha uma mínima noção do meu estrago emocional (geralmente as pessoas não tem ideia de como sou). Dói pra caralho pensar que das únicas DUAS boas semanas que tive em 2016, uma delas foi por causa dele. Pq? Acreditei mais uma vez que dessa vez seria diferente. “Ele me compreende. Pode me ajudar. Me dar um apoio”.

AHÃN. VAI NESSA, TROUXA.

Não vou entrar em muitos detalhes, disse que não iria o expor e não vou, até pq ele não foi um babaca.

Ele agiu como boa parte da população age com pessoas que carregam uma dor muito grande: se distanciando. Compreendo. Não é fácil lidar com toda a carência e atenção que eu demando. Sei que me excedi. Praticamente perdi contato com uma pessoa que sempre foi legal comigo, que me fazia bem.


Sabe o que é foda? É saber que muita gente (no universo de meia dúzia que o google vai mandar pra cá por conta de alguma tag bizarra) que vai ler isso vai achar que sou ridícula e que o drama é, sim, por causa de homem. Olha, pode até ser. A rejeição de toda a espécie humana por mim. Aí faz sentido.

Não guardo (tanta) mágoa de um bofe ou outro. Guardo mágoa da somatória de toda a rejeição que já sofri em todas as relações familiares, amorosas e afetivas na vida.

Você tem noção do que é sentir inveja de um mendigo, que não tem um puto, fodido na vida, mas tá ali dormindo debaixo da marquise abraçado com outra fodida? Bem vindo à minha vida.


Hoje minha psicóloga me encaminhou para um psiquiatra, para confirmar o diagnóstico de depressão e me medicar.

Então. Não, não tô bem.

Malz aí o desabafo.

Às vezes sessões de 45 minutos de terapia são insuficientes…

A vida não tá fácil

Não tá.

Desde que voltei de viagem, em 9 de janeiro, conto nos dedos de uma mão os momentos realmente felizes do ano (na real, só lembro de dois: Casamento de um amigão; Carnaval/Sambódromo; bar semana passada com os brothers. [não, meu aniversário não consta nessa lista pq, mesmo que muita gente que amo tenha ido, muita gente que amo NÃO foi e nem deu justificativa. fiquei mal).

Tenho impressão que gastei a cota de felicidade do quinquênio na minha viagem…

De resto, um misto de melancolia, desânimo e desgosto marcam meu primeiro trimestre de 2015.

O Trabalho.

O trabalho está uma merda. Graças à economia brasileira toda fodida e à crise da água em São Paulo, a construção civil foi reduzida em um volume assombroso. Como meu trabalho está diretamente ligado ao mercado imobiliário, que é um dos que mais sentem essa crise, tenho passado longos períodos de ócio não-remunerado (só ganho pelo que produzo). Em fevereiro, tive o pior salário até agora nesse trabalho. Até menos do que costumava ganhar quando era estagiária, juro. Tudo indica que abril será parecido. A coisa tá feia. Meus colegas de trabalho estão tensos. A chefe está mais tensa ainda.

O Brasil. 

Me deprime. Me dá vontade de gritar, de chorar. Essa onda de conservadorismo está me dando um desgosto sem precedentes com o fato de ser brasileira e morar no Brasil. Manifestação pedindo impeachment, pedindo golpe militar. Não consigo olhar a bandeira do Brasil ou ouvir o hino sem sentir repulsa.

Gente boicotando novela porque gays se beijam. Gente pedindo a morte de uma presidente eleita pela maioria (não esmagadora, ok, mas ainda assim) da população. Gente que grita “Abaixo Maria do Rosário, Viva Bolsonaro”. Enfim. Vocês lêem jornal, sabem do que eu tô falando.

Nunca tive vontade de sair do Brasil. Até 2015.

Se acho que outros países são melhores? Depende. Há lugares e lugares. O que eu não aguento é gente com boa educação pedindo ditadura e apoiando feminicídio.

O que me impede de vazar? Um trabalho mais ou menos decente. Nem fodendo que saio daqui pra limpar bunda de bebê – até porque não curto criança. Seja finlandesa, ugandense ou canadense. Não gosto. São folgadas, são mimadas, são inconvenientes. Tô fora.

A Vida.

Minha vida social está em coma na UTI. Ninguém tem grana pra nada, ninguém quer fazer nada, quem sai só sai com cônjuge/namorad@, chega fim de semana e todo mundo só quer dormir. Eu inclusive.

Meus pais não param de jogar na minha cara o fato de eu estar sozinha e sem amigos. Sempre pra cima a opinião dos meus pais.

Vida está chatíssima e desmotivadora.

O Amor.

Rysos altos do mais puro sarcasmo. Em resumo: sou uma completa imbecil sem amor próprio e que não canso de me humilhar. Mas não sigo em frente porque a vida está tão chata, tão desmotivadora, que me apegar a três ou quatro frases agradáveis por semana é o que me resta para não sucumbir de desgosto.

Ok, é uma maré que vai passar.

#Oremos para que passe logo.

—-

Mas nem tudo é desgraça. Em exatos 15 dias vou fazer uma viagem bacana com o meu pai. Tô pobre pra caralho e não teria condição de ir nem até a Praia Grande, mas como meu pai está pagando a parte aérea e eu tinha dinheiro vivo sobrando da última viagem… Vou pra Dubai passar meros 2 dias, com meu pai, e daí ele volta pro Brasil. Eu sigo para Paris, onde ficarei com meu primo e a namorada, que moram lá.

***

Se você estiver à toa na região central/oeste de São Paulo, faizfavô de me chamar pra uma cerveja. Sério. Por favor. anamyself@gmail.com

😉

Desejos e desabafos ♥

(sem senha! hahaha!)

Sabem o que eu pedi quando cortei o bolo do meu aniversário de 28 anos, três dias atrás? Um homem que não fosse casado. Juro. Falei em voz alta para todo mundo ouvir.

Não tá fácil, gente. Tô nessa fase da vida. Contabilizo TRÊS casados em menos de um ano. Pior que eu sabia que os três eram casados. Pelo menos só me envolvi com um.

~Pelo menos~? Eu deveria estar feliz com isso? 

Por um lado, me sinto a gostosona que tenta os caras. Ajuda um pouco a elevar minha autoestima (como todos sabem, é uma das mais cagadas da face da Terra). Por outro… Porra, só sirvo pra isso?
Faz tempo que eu questionava minha aparência física, como sabem. Melhorei MUITO o modo de me ver, mas ainda me acho gorda, feia, com tanta estria que dá pra tocar harpa em mim, com os peitos tortos e caídos etc etc. Mas nunca tinha questionado o interior. Parabéns, homens casados. Agora além de me achar uma escrota fisicamente, vocês me fazem pensar que eu só sirvo para ser comida. Que eu não presto para namorar. Porque eu sou supersincera. Porque eu falo palavrão pra caralho, falo alto, falo de sexo abertamente, não sou nada “feminina” e muito menos “delicada”. Não tô nem aí pra nada. É isso mesmo, então? Eu não sirvo para namorar?

Merda de sociedade machista escrota.

Sei que até pouco tempo atrás eu achava infidelidade um absurdo. Tinha uma visão romântica e monogâmica da vida. Achava que quem amava de verdade não tinha razão para trair. Só que a vida me deu chicotada na cara, e agora compreendo que tem gente que não sabe lidar com a monogamia (isso não justifica ser desonesto com @ companheir@, viu?). Pior: agora acho que TODO MUNDO – eu, você, seus pais, a chefe, a vizinha crente, todo mundo de verdade – está sujeito a trair e/ou ser traído. Se isso não acontecer a vida inteira, não acho que seja prova de amor ou de ética; acho, na verdade, que faltou uma grande tentação. Por tanto, não ter traído/ser traído seria apenas sorte.

É, eu sei, sou muito 8 ou 80. Sempre fui. Mas não coloco a mão no fogo por NENHUM casal, juro. Cuidado: não estou negando o amor. Estou negando a fidelidade eterna.

Mas não era só isso que eu queria escrever.

Uma amiga minha uma vez disse que tinha feito um texto de como seria o homem perfeito para ela. E daí ela casou e jura que o homem dela atende a todos os itens da lista. Tentemos.

– Eu quero um homem que não seja comprometido, é verdade. Não sou eu quem estou traindo ninguém, não me sinto cúmplice do “crime”. Mas sei que estou influenciando mentiras e, a longo prazo, ajudando a formar uma família desequilibrada e toda trabalhada na desonestidade (sim, me refiro ao suíço).

– Eu quero um cara que seja um grande amigo, mais do que tudo. Para quem eu possa contar da minha vida, e que não fique chocado por eu ser bem vivida e já ter feito mil e uma estripulias </sessaodatarde>
Sei que isso é difícil pra caralho. 80% das minhas amigas não contam coisas do passado para os atuais companheiros. Eu não quero isso para mim. Primeiro porque eu não tenho coisas do passado AMOROSO para contar, não tem do que ter ciúme, já que meus maiores relacionamentos foram com um gringo 10 anos mais velho casado e com um hippie que andava com um conhaque na mochila. Mas principalmente porque isso tudo é quem eu sou! Não quero ter de fingir que sou uma virgem delicada. Não quero mudar minha personalidade para agradar alguém (como vejo VÁRIAS pessoas fazendo). Não quero ser julgada e nem reprimida.

– Eu não quero alguém que me aceite como sou (gorda, boca suja, NADA delicada e feminina etc e etc). Eu quero alguém que GOSTE do fato de eu ser assim. Alguém que se divirta comigo. A gente não deve se conformar com uma aceitação. A gente tem que ser amada, porra!!!

– Eu quero alguém que tenha uma visão política e religiosa parecida com a minha. Ficar com um crente que diz que a Ditadura Militar é que era legal NÃO rola, gente.

– Eu quero alguém que compreenda que independência e liberdade são algumas das melhores coisas do mundo. Tenho horror a gente grudenta que pede satisfação a cada instante.

– Eu quero alguém que seja honesto e tenha um bom caráter. Não tô falando em fidelidade. Deixei claro aí em cima que todo mundo está sujeito a chifrar/ser chifrado. Falo em ser uma boa pessoa, tratar os outros bem, ME tratar bem.

– Eu quero um cara que faça alguns sacrifícios por mim. Porque só eu me esforço. Eu atravesso a cidade para ver alguém, mas ouço de um cara “hoje tenho academia, não posso”. Nem como justifica pra faltar na academia eu sirvo?

É sério. Isso é ser tão exigente assim?

Qual é o meu problema? Não me venham falar que eu sou seletiva, porque não sou. Dou chance para quase todo mundo. Já disse a amigas que eu sigo um lema parecido com o do filme “SIM SENHOR” (com o Jim Carrey) – eu evito dizer não. Desde que o cara não seja um homofóbico, racista, babaca pra caralho etc, eu tento. Mesmo quando vejo que “o santo não bateu”. Eu insisto, tentando provar para mim mesma que eu dei uma chance. Mas mesmo assim.

Gente. Eu juro que sei que nenhum relacionamento é perfeito. Sei que a gente que tem engolir muitos sapos (um dos maiores se chama SOGRA, mas nunca cheguei nem perto disso) e que precisa se adaptar a algumas coisas, fazer pequenos ajustes em outras. Mas não quero renunciar a quem eu sou para ter alguém. Claro que em uma missa de 7º dia do avô do meu namorado eu não vou falar palavrão e nem contar que já dei pra dois ao mesmo tempo. Assim como sei me portar no trabalho, sei me portar em todas as circunstâncias. Mas ser reprimida em uma mesa de bar é pra dar um chute na bunda na hora. Sinceramente.

😦

Vou contar rapidamente meus últimos “relacionamentos”, para vocês entenderem porque cada um não foi pra frente (todos os nomes são falsos) e como não foi culpa minha:

maio/2013: Diego, amigo de um amigo. Foi realmente bem legal, me respeitou, me ajudou a ver um lado B de muitas coisas – inclusive sexual (minha autoestima cagada influencia e muito minha capacidade de sentir prazer, e ele foi um dos poucos que soube lidar com isso). Não cheguei a me apegar, mas era bom. Só que um dia ele me disse que não me imaginava namorando com alguém. Que eu era “livre leve e solta”. Sei que era para ser um elogio, mas fiquei puta. Não sirvo para namorar, então?
Depois disso, o chamei para sair umas duas vezes. Em uma, ele deu a desculpa da academia. Na outra, me ignorou.

setembro/2013: amigo de amigo de amigo. Fernando. Me tratou bem até demais. ATÉ DEMAIS. Saímos duas vezes. Na última, fomos a um restaurante japonês e eu disse que ia maneirar, porque estava gorda. Ele disse: “se está gorda, porque não faz regime?”. Gente. Quase dou na cara dele. Respondi MUITO PUTA dizendo que ninguém tinha o direito de falar isso para mim, que eu – e minha família – me cobra magreza desde criança, que faço regime e sofro com isso desde sempre… E o fdp dando risada dizendo que eu ficava bonitinha brava. Gente. Não. Desculpa, mas isso para mim é falta de respeito. Acham que fui intolerante?
Alguns dias depois, ele começou com ataque de grude. Me mandava msg perguntando o que eu tava fazendo, quando sairíamos de novo. Eu tentava responder com gentileza, mas sem dar esperanças. Até um dia que ele me ligou cinco vezes numa mesma noite (não atendi nenhuma). APENAS NÃO.

outubro, novembro e dezembro/2013: Mauro, o suíço. Pensei apenas em me divertir, mas foi o melhor beijo da minha vida, ele era inteligente, vivido, tinha histórias para contar, um papo bom, me divertia e se interessava pelo que eu falava. E me tratava bem na medida certa – sem me sufocar, mas sem me deixar largada. Só que era casado. E assim que ele foi embora, descobri que a mulher dele estava grávida de 6 meses (agora está de 8. Vai parir em março). Hoje em dia ainda nos falamos no whatsapp. Vez por outra ele fala em saudades e eu quero morrer. Porque é fofo e eu ainda sinto falta dele (embora esteja recuperada), mas acima de tudo, porque sei que, como homem, parte desse “I miss you” é uma forma de impedir que eu o esqueça e me manter como backup. Enfim.

janeiro/2013: Adriano, um cara que conheci na rua. Juro.  Esperando um casal de amigos numa esquina da Rua da Consolação com a Alameda Santos. Me chamou para uma cerveja enquanto eu esperava o casal; trocamos telefones e fomos nos falando via whatsapp (dica para a humanidade: N-U-N-C-A me telefone. NUNCA). Daí saímos em janeiro. Fez USP, tem uma visão de mundo parecida com a minha, bom partido, me tratava bem, inteligente, gentil. Só que sempre que o chamo para alguma coisa ele não pode. É só quando você quer, porra?

fevereiro/2013: Gabriel. amigo de amigos. Casado. Conheço a menina. Deixou muito claro que queria apenas me comer, desde o princípio. A primeira vez que o vi babei. Sempre o achei gatíssimo e minha autoestima cagadíssima me incentiva a pegar todo mundo, mesmo sabendo que é cilada… Então… Porque não? porque odiei o beijo. fim. (ainda bem que odiei. Poderia ser uma situação bem pior que a do suíço).

E essa é a minha vida amorosa, gente.

Frigidez emocional

Parabéns, universo: você conseguiu. Tanto me ferrei na vida, gostando de gente estranha, gente errada, que finalmente, FINALMENTE, parei de ter expectativas quanto às pessoas. Todas as pessoas, que fique bem claro, amigos, homens, desconhecidos.

Isso parece bom: com auto-estima mais ou menos em ordem, pego quem eu quiser (sério, Yes I Can é o lema do ano) e no dia seguinte fica só aquela sensação de leveza, sem qualquer questionamento sobre se ele gostou de mim, se ele vai dar sinal de vida. Vai, não posso reclamar. É bom, sim, curtir o momento sem medo do que vai acontecer depois. Isso porque não consigo mais conceber o tal depois: para mim é agora e pronto. Se tiver algo depois, ótimo. Se não, ótimo também.

Só que essa vida de biscate (não nego, assumo com orgulho!) tem um grandessíssimo problema: perdi a capacidade de me importar. Pior: perdi a capacidade de me apaixonar. Como não crio expectativas, não espero nada de ninguém. Em minha defesa, os caras que ando pegando não são nem-um-pouco o tipo namorável. Ou passaram os últimos anos em relações complicadas/sérias, ou não tão nem aí pra nada nem pra ninguém.

Parece que minha mente criou anticorpos (?) para combater ilusões. É impressionante: curto super o cara na hora, acordo feliz, mas passam 2 dias e já voltei à minha vida pacata e vazia de amores.

Só que ando sentido uma saudade danada de me apaixonar. A vida sem paixões é meio sem graça. É meio sem cores.

Se eu for sincera comigo mesma, vou me dar conta que tem uns 10 anos que não me apaixono… Cheguei a dar umas suspiradas essa ano, mas é claro que não deu certo, então assumi de peito aberto a tarefa de pegar e não me apegar.

Só que tenho medo de ficar cada vez mais frígida, emocionalmente falando. Tenho medo de, quando chegar alguém que realmente valha a pena, eu resista e deixe passar uma boa oportunidade de ser feliz.

Como lidar?

USP e mais do mesmo

Bom, hora de atualizar.

A grande novidade da vez é que passei na USP.

Nem sei se cheguei a falar aqui no blog que prestei geografia. Comecei a fazer cursinho no segundo semestre do ano passado pretendendo fazer alguma coisa ligada a biologia, veterinária… Mas biologia realmente não é a minha. Não suporto biologia celular, não consigo decorar nome de nada e tenho a maior dificuldade do mundo até com as coisas fáceis da biologia.

Mas aí fui vendo que gosto muito de geografia… Até mais do que história. E a concorrência em geografia na USP era ligeiramente baixa. Coisa de 5 e pouco por vaga. Mesma coisa que jornalismo na PUC à época que prestei e passei.

Depois de 2 meses larguei o cursinho e me inscrevi para prestar geografia.

A primeira fase foi triste: fiz 34 pontos de 89 possíveis (cancelaram uma questão – que eu tinha acertado, by the way). A segunda fase, então… Só sentando e chorando. Meu resultado foi pífio. Depois das três provas da segunda fase, estava convencida de que não passaria.

Uns amigos que fazem geografia na USP me garantiam que em alguma lista eu haveria de passar. Mas até disso eu duvidava.

Até o dia 8 de fevereiro, quando cheguei para trabalhar e a @fer4 tinha anunciado no twitter que viu meu nome na lista de convocados da primeira fase da USP. Nem acreditei, mas tava lá:

Ahhhh malandro!!!

Se fiquei feliz? Não tanto assim. Fiquei é surpresa de mesmo tendo ido super mal ter passado. Mas fiquei orgulhosa de poder falar para o mundo: PASSEI NA USP 🙂

No dia seguinte liberaram o boletim de desempenho:

Nice. Orgulhinho.

Ah, o resultado pífio no segundo dia é culpa das exatas, obviamente. Deixei TODAS as questões de física e química em branco. Em branco MESMO. E de matemática só fiz (e acertei) os itens A e B (tinha A, B e C) de uma questão. O resto também deixei em branco. Mesma coisa em biologia: tuuudo em branco.

E ainda assim fui melhor do que a grande maioria e passei na USP!

É, a educação brasileira tem muito arroz com feijão pra comer.

Bom… O meu trabalho novo vai bem.  Sempre no começo é tudo lindo, então acho que só lá pelo 5º ou 6º mês poderei avaliar de verdade se gosto de lá.

Mas alguns fatos já adianto: apanho muuuuito da burocracia de um emprego público. Foi uma treta para ser enfim registrada. Tirando isso, gosto de trabalho externo. Semana passada acompanhei vice-prefeito em formatura de cursos de graduação cujas bolsas foram pagas pela prefeitura; acompanhei entrega de reforma de escola e uma entrevista do prefeito à TV Assembleia. E foi legal pra caramba. É um trampo cansativo, corrido, mas não é difícil. Basta acompanhar os eventos e depois escrever sobre eles. E também cuidar da imprensa, organizar pedidos de entrevistas e reclamações que envolvam a imprensa…

Acho que pela primeira vez na vida não vou ser uma profissional tão medíocre – no sentido literal da palavra, médio, regular, comum – como costumava ser em outros trabalhos. Mas é esperar pra ver.

Com isso vou aprendendo sobre administração pública e conhecendo bastante gente, mas o salário, ó.

As pessoas também são bem legais… Me dou melhor com dois caras, um fotógrafo bem gente boa e um outro jornalista que senta na minha frente. Tão atencioso e gentil que às vezes acho que é falsidade. mas não, acho que é só bonzinho mesmo.

Mas ainda sinto falta da Natália e da Camila 😦

O foda mesmo é o fato de GERAL ser noivo/casado. Sou a única solteira do ambiente da comunicação, que engloba umas 20 pessoas. So sad.

Aliás, minha solteirice está me incomodando de novo. De repente, para tudo que é lugar que eu olho, só tem casais. E só rolê de casal. Ontem fui num karaokê com amigas da faculdade e seus respectivos namorados: 3 casais e eu. Gosto muito delas, e dos namorados delas. E me diverti muito. Mas às vezes sentava e olhava ao redor: casais abraçados e eu sobrando.

Semana passada fiz um churrasco de aniversário. Churrascos de aniversário nunca me decepcionaram até então. Mesmo com situações adversas e às vezes irritantes, sempre acordava no dia seguinte feliz de reunir amigos.

Mas agora mudou.

Primeiro churrasco na minah vida que me fez repensar o ato de comemorar meus aniversários, coisa que eu sempre adorei.

Aquele monte de casal, cada um isolado num canto. E dois ou três solteiros perdidos.

Por mais que eu goste muito da maioria dos casais e sinceramente deseje um futuro próspero para eles, me incomoda pra caralho ver TODO mundo namorando e a vida me deixando para trás de novo… E cada vez mais gritando na minha cara: “VOCÊ FOI FEITA PARA FICAR SOZINHA: ONTEM, HOJE E SEMPRE”. Acabo de completar 25 anos sem qualquer relação. O máximo que tive até hoje foi uma situação em que eu era step, e durou dois meses, e outra situação em que eu era um… uma marmita, e durou 6 meses.

O chato é não ter como fugir dessa situação. E não estou solteira porque “antes só do que mal acompanhada”: posso baixar o nível até o esgoto, e ainda assim fico sozinha. É impressionante.

É só casal, é só namorado por tudo que é lado. E essa agonia e solidão que pelo visto, por mais que uma esperança idiota insista em dizer que não, sei que irá me acompanhar pela vida.

Sempre triste as pessoas me perguntando: “e os rolos?” e eu respondendo: “absolutamente nada”, não por naõ querer falar da minha vida, mas por não ter nada a contar, mesmo.

Hoje, sábado a noite, uma caixa de bombons pela metade e um convite para uma balada ruim em que eu posso pegar uns 20, mas que em NADA altera a solidão…

Amanhã (sim, domingo), eu trabalho. Aniversário de Osasco. Segunda começa a USP: e se renovam as esperanças de conhecer novas pessoas…

Maldita esperança. Odeio muito ficar cheia de espectativas e sempre… SEMPRE quebrar a cara. E SEMPRE continuar sozinha.

E só queria mandar tomar no cu com fervor as pessoas que disserem para eu ter uma atitude mais positiva, ou que disserem que isso é falta de deus no coração. Tanta gente negativa pra caralho que tá sempre namorando… Tanto ateu por aí casado e feliz… Então persisto com a pergunta: O QUE EU TENHO DE ERRADO?

Anônimos, conto com vocês para me dizer o que eu tenho de tão errado que faz com que ninguém no universo cogite qualquer coisa além de uma one night stand comigo.

Enfim.

Os anos passam e os desabafos continuam os mesmos.

Essa vida louca que a gente leva

Ando sumida, eu sei. Morro de saudade da blogosfera. De todos que me liam e que eu lia também.

Mas esse é um prejuízo da vida louca que dói um pouco, mas é menos prejudicial do que estar completamente infeliz e sozinha, como eu era até pouco tempo atrás.

A grande novidade é: eu não odeio o meu trabalho. Não posso dizer que amo, porque trabalho é trabalho. Não acordo feliz, jamais. Tem mil pontos contra: ganho mal e sem nenhum tipo de vínculo ou benefício, é instável, é meio longe de casa, é assessoria de imprensa.

Still.

Eu não odeio.

Primeiro porque eu amo as meninas que trabalham comigo. Amo como a gente se dá bem, como a gente partilha de tantos gostos e opiniões – três filhas únicas, vejam só!

Gosto dos chefes também. Me incomoda um pouco o ambiente extremamente “lá em casa”. E a falta de planejamento e de organização – eu tenho que adivinhar o que fazer, muitas vezes. Mas prefiro isso àquele ambiente hostil de antigamente. (Sim, continuo cheia de rancor da minha ex-chefe).

Do meio de setembro até agora, estou completamente entupida de trabalho, como nunca antes na história desse País. Vivo preocupada e estressada. Nos últimos quinze dias, apenas em 2 consegui fazer 1h de almoço completa. Na maioria dos dias comia enquanto dava informações no telefone e organizava tabelas de excel.

Isso porque assessoro um resort que está sendo inaugurado na Bahia por esses dias. Sem citar nomes pra não me rastrearem, sabem como é. Mas não é difícil descobrir, se você me tem no facebook, no twitter, no linked-in. (Não tem? Adicione-me agora mesmo! Os links estão na barra aí do lado direito!)

Enfim. Corri atrás de tudo dessa inauguração. De celebridades que topassem ir sem cobrar cachê, operadores de turismo, jornalistas. Pode parecer fácil fazer um jornalista ou uma celebridade topar ir pra um resort na Bahia com tudo pago – avião, hospedagem all inclusive e todo o luxo. Mas nem é, viu. Ainda mais para alguém que está de fraldas no mundo da assessoria de imprensa.

Descobrir quem assessora celebridade X. Ouvir um milhão de nãos da grande imprensa. Explicar trezentas vezes as mesmas coisas. Convidar prefeito, governador, ministro, secretário. E alguns deles toparem!

Enfim. Tá foda. E como se não bastasse, ainda me deram um outro cliente. Uma rede de restaurantes de alimentação saudável – que eu já curtia antes da assessoria. Todo dia chego pra trabalhar tensa com a quantidade de e-mails na minha caixa. 30 só quando abro. Se for depois de um fim de semana, uns 50.

Dei umas surtadas. Fiz DR com a chefe pelo MSN.

Mas a vida vai indo.

Engordei mais um pouco – rumo aos 90 Kg (tenho 1,61 m). Minha pele está uma bosta. Meu intestino (que andava controlado) não funciona há 4 dias – simplesmente porque não me sobra tempo de fazer cocô. Não menstruo há 2 meses – e não estou grávida. Fiz teste hoje e tô limpa.

STRESS, mano. Do mais puro e estereotipado.

Ah! E ainda tem o cursinho. Óbvio que das 10 aulas da semana, mato 7. Desencanei das de exatas – só assisto a aula quando for alguma coisa que eu saiba rolar um potencial em mim (assisti aulas sobre matriz, probabilidade, geometria, Newton…). Mas vou te contar que as aulas de história – mesmo que um dos professores seja uma anta conservadora e tapada – e de geografia são o que me mantém. Puta felicidade estudar duas matérias que eu amo.

Aliás, dia 28 de novembro tamos aí prestando geografia na USP. Pra quê? Pra continuar estudando algo que eu goste. Nem pretendo me formar nem nada. Só quero continuar estudando – e de graça.

Enquanto isso…

Nos fins de semana, sou uma outra pessoa. Mais devassa e errada do que jamais imaginei.

Meus amigos dizem que eu tenho o melhor aproveitamento da galera.

Juro.

Tô bebendo, tô pegando, tô curtindo, tô rindo. Tô conhecendo e experimentando (nada homossexual, que fique entendido. Mas nada contra: se rolar vontade e oportunidade, estamos aí).

Nisso, sábado um dos caras que peguei nos últimos tempos me ligou. PRIMEIRA VEZ QUE UM CARA ME LIGA NA VIDA. Te juro. Acho que essa semana ligo de volta pra combinar alguma coisa. É que como a gente ficou foi bizarro demais até pras mentes mais sórdidas – era um chá de bebê. Já começa bem. Aí tenho medo que ele só queira putaria.

E ó.

Mó legal pegar geral e se sentir minimamente desejada.

Mas o vazio é o mesmo – nem uma suruba com 20 nêgos resolvem a falta de amor.

Enfim.

Estou saindo com vários grupos diferentes. Tenho ido a baladas mil. Outro dia dancei “onda onda olha a onda”. Dias depois, fui no “Coração Sertanejo”. No fim de semana anterior, “Stones Rock Bar”.

E pra completar, ganhei um par de ingressos para o show do Green Day, semana passada, escrevendo uma frase para o site da Rolling Stone. Puta orgulho. Mandei bem.

É isso, meus queridos.

Beijo para todo mundo. Meninas do twitter, meninas blogueiras e do twitter, meninos e meninas stalkers. Todo mundo aê merece aquele abraço.

Eu amo o amor, mas o amor não me ama

Eu sou romântica. Eu acho lindo casamento. Eu me debulho de chorar com histórias de amor piegas. Eu choro com a cena mais mal feita do mundo quando tem amor envolvido. Eu choro com comercial. Eu choro com amores de BBB.
E olha só: eu nunca vivi algo nem próximo a um amor de novela. Na verdade, tudo que eu senti até hoje existiu somente dentro de mim, sem qualquer reciprocidade.

Cito aqui uma frase foda da Debra, personagem da excelente série DEXTER:

“Every time I’ve ever been naked with someone, we just fuck.” “This time it’s different. I hate saying this…it feels so cheesy. It feels like making love.”

Eu desconheço essa sensação nova que a Debra sentiu. Para mim, ALWAYS was just fuck. Foda.

Não é fácil amar o amor e sonhar com uma alma gêmea, sabendo que você é uma das poucas pessoas do seu círculo de conhecidos que está sozinha. E sempre esteve. E provavelmente sempre estará.

Porque eu não quero esperar para sempre. Eu não quero criar expectativas. Eu não quero passar a vida achando que metade de mim está perdida por aí.

E o pior de tudo é que eu realmente me sinto como se estivesse incompleta. Sinto que só estarei 100% quando puder me entregar a um amor. E não de amigos. E não de família. Isso já não me basta, embora seja essencial para manter meus pedaços em ordem.

Sábado eu estava à toa em casa e aí tava passando Friends. E aí que era o episódio em que o Chandler pede a Monica em casamento. Já vi esse episódio umas trocentas vezes, e não tem uma vez sequer em que eu não me debulhe em lágrimas. Porque é a coisa mais linda, mais romântica e mais sincera do mundo. É a felicidade no grau máximo. E tudo que eu queria para mim:

(ei você que não sabe inglês. Não achei vídeo com legenda. Mal aí.)

Olha, eu sei que eu estou sendo repetitiva. Já disse tudo que eu penso e mais um pouco aqui, mas quando incomoda, preciso falar.