EUA 2014: NY, Boston, Miami em 4 dias

Breve (não tão breve) histórico. Se quiser role direto para o relato de viagem, lá embaixo.

Tô meio que de saco cheio de pessoas me perguntando “mas como você gosta de fazer viagens tão curtas?”. Olha, não é questão de gosto. É questão de oportunidade. Por mil razões, dentre as quais: viajar durante temporada é caríssimo e tenho horror a lugar entupido de gente; meus trabalhos são instáveis e não consigo planejar férias; viajar muito tempo = caro. viajar pouco tempo = menos caro.

Enfim. Fato é que fiz mais uma dessas viagens curtíssimas agora no começo de abril.

Tudo começou em setembro do ano passado. Minhas milhas da TAM expirariam em 1 mês e daí surgiu uma linda promoção de milhas reduzidas para ir para NY. Nem hesitei.

Meu pai se animou e me deu as milhas dele que estavam vencendo para um voo NY-São Francisco. Ok.

Daí o tempo foi passando, arranjei um trabalho do qual não pretendo sair, a viagem foi chegando e tudo indicava que não conseguiria folgar muitos dias e emendar com o feriado da páscoa – o que eu planejava fazer, a princípio.

Entre cancela daqui, pondera de lá, decidi em janeiro cancelar a parte São Francisco e só faltar 3 dias no trabalho. O problema é que passagem só um trecho é MUITO mais caro que comprar ida e volta. Daí me fodi.

A passagem mais barata para o Brasil que achei era MIA-GRU via Gol (coisa de R$ 1100 – ida e volta custava uns R$ 1500). Mas não tinha escolha: comprei.

Então eu tinha a ida: 10/4 – GRU – NY pela TAM, e a volta, 14/4 MIA-GRU pela Gol. Faltava o resto.

New York – Miami era um valor absurdo, quase R$ 1000 a passagem. Tentei cidades próximas: Washington, Philadelphia, Boston. Consegui passagem Boston-MIA por R$ 440 já com taxas. Ok.

E foi assim, totalmente pensando no dinheiro, que elaborei a viagem. No fim das contas foi excelente, fiz quase tudo do que planejei e passei bem.

10 de abril, quinta-feira

Saí de casa 4 da manhã. Fui de táxi para Guarulhos, usando a liiiinda promoção da Easy Táxi e do Santander, que das 22h às 6h, usando o aplicativo e pagando com cartão de crédito Santander, você paga só 50% do valor do taxímetro. Decolou 8h e pouco. Voo ok. Assisti “Doze Anos de Escravidão” no voo e achei meio blé.

Pousamos em NY 17h e pouco. No controle de passaporte, uma surpresa: o moço não me pediu passagem de volta, não me perguntou o que eu fazia da vida, nada. Carimbou meu passaporte e chamou o próximo. Lindo.

Peguei o Super Shuttle para ir até o albergue. U$ 18 e te deixam na porta do hotel, acho digno. Só que tava um trânsito insano – quinta-feira, 18h e pouco, uma das maiores metrópoles do mundo. Pensa. Mas tudo bem, porque estava uma tarde LINDA e fui abençoada com isso aqui:

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Apenas o skyline de Manhattan com um pôr-do-sol maravilhoso. Só isso.

É brega, sei que é, mas me caiu uma lágrima. Foi tipo NY demonstrando seu amor por mim. I♥NY. De verdade.

Só que o trânsito me ferrou, só cheguei no albergue 20h e pouco e várias coisas que eu pretendia fazer ainda na quinta foram pro saco. Paciência.

Da outra vez que fui pra NY, fiquei no HI Hostel. Bem bom, só que em Uptown, dependia de metrô para absolutamente tudo. Então dessa vez optei por outro.

Como uma das minhas metas em NY era conhecer o Highline Park, o local foi meu ponto de partida. Acabei optando por ficar no bairro de Chelsea, no albergue Chelsea Highline Hostel.

U$ 50 a noite, com café-da-manhã (podrão, mas…) incluso. A melhor parte: quarto com só duas pessoas. Você e mais um.

Só que era um albergue velhão, a beliche zuada, rangia a qualquer movimento e jurei que ela cederia ao meu peso (ao subir as escadinhas, de fato quase tombou em cima de mim. tô gorda mas calma lá, né).

Pior: quando cheguei, a recepcionista gritou: “I’m on my break!” e eu respondi “I need to ckeck in”. Ela veio com a cara mais emburrada do mundo. Tipo, desculpa, passei 10h em avião e outras 2h no trânsito. Vá se foder e respeite os hóspedes.

Isso feito, tomei um banho e saí.

Andei até o metrô. Outro ponto negativo do hostel é que a estação mais próxima ficava a quase 15 minutos de caminhada.

Parei na Christopher Square para ir ao Jazz que me recomendaram. Antes comi um autêntico hot dog americano. Sem purê, nem ervilhas, nem nada dessas bichices que brasileiro inventa. Só pão, salsicha, mostarda e catchup.

De lá fui ao Smalls Jazz, o tal recomendado. U$ 20 a entrada (pros padrões locais, dizem que é honesto).

Descia uma escadinha e lá estavam algumas dezenas de novaiorquinos – certamente nenhum turista – sentados em bancos ouvindo um jazz e tomando cerveja no pós-expediente.

Fiquei um tempo em pé, até a moça garçonete fofa me arranjar um lugar divino na frente da banda:

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Pedi uma Guiness (U$ 8) e fiquei lá de buenas curtindo música de qualidade e tocada com paixão.

Não aguentei ficar muito, porque sou do tipo de pessoa para quem a música é um complemento da atividade, e não a atividade em si. Assim, 2h depois peguei um táxi (pois é, nível financeiro subiu, nível de conforto subiu junto) e fui pro hostel, que era bem pertinho. Não deu nem U$ 10 o táxi.

11 de abril, sexta-feira, NY 

Meu único dia inteiro em NY. Acordei 7h e pouco, comi um bagel com geleia no hostel e andei até a entrada de cima no Highline, isso é: na 10th Ave com a W 30th St.

O Highline Park é um projeto arquitetônico foda. Saca o minhocão, em São Paulo? Então. Trata-se de um elevado enorme para o transporte sobre trilhos, que passa por meia Manhattan, criado na década de 1930. Nos anos de 1980, os trens pararam de circular por lá. A comunidade, pensando no quê fazer, se uniu com o poder público e, em 2009, o parque foi aberto. Dizem que logo, logo inauguram uma segunda parte do parque, que vai da 30th em direção a Uptown (atualmente só funciona o trecho da 30 até Downtown).

Ele tem diversas entradas, é totalmente acessível a deficientes físicos e possui espaços para eventos culturais, como um pequeno anfiteatro, banquinhos e locais para exibição de filmes ao ar livre e tal.

NY é tão cultural ♥

Fiquei um pouco decepcionada porque em todas as fotos eu via o parque Highline realmente como um parque, isso é, com área verde. Só que o inverno norte-americano foi muito rigoroso esse ano, então a primavera está sofrendo: nada de vegetação vigorosa, nada de cerejeiras floridas no Central Park. Uma primavera que mais parece um Outono 😦

Eu num dos únicos pontos do Highline com um pouquinho de vegetação:

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Terminei o percurso no elevado mais rápido do que imaginei. De lá, segui andando até Washington Square, só porque queria tirar foto do arco do triunfo que aparece sempre em Friends (pretendia ir ver o prédio dos Friends também, mas desisti):

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De lá, peguei o metrô para a 66th, para ver o Lincoln Center, um complexo cultural GIGANTESCO que ocupa muitos quarteirões e onde fica o Ballet de NY, o Teatro Municipal e várias outras coisas.

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Segui pela 66th até o Central Park. Queria ver as cerejeiras, tava rolando festival primaveril. Ou pelo menos dizia o site. No caminho achei uma pequena orquestra de crianças executando uma performance. Parei e fiquei olhando. Tocaram, dentre outros, a música do Rei Leão e “New York, New York” (Frank Sinatra) – chorei, te juro:

http://www.youtube.com/watch?v=Ak2MdVfTf34 Toda emotiva besta apaixonada por NY, confesso ♥♥♥

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Central Park liiiindo

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Strawberry Fields de novo. Da outra vez tinha uma decoração mais-MAIS, só que dessa vez tinha morangos. Achei fofo.

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Acima, Sheep Meadow, ainda no Central Park. Trata-se um um extenso gramado onde a galera fica deitada a toa tomando sol no verão.

Minha intensão no Central Park era ver o Carrossel e as cerejeiras. Não achei o carrossel (nem sei se existe) e as cerejeiras não deram flores porque o inverno foi muito rigoroso.

Pior: Central Park é um labirinto verde. No matter what, sempre ando em círculos e nunca acho o que quero. Mas sempre vale a pena.

De repente me deparei com uma estátua do Christopher Columbus (as in Cristóvão Colombo kkkk). E, olha que impressionante: minha intensão era atravessar o parque. Acabei saindo pelo mesmo lugar por onde entrei HAHAHAHHA

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Next stop: fui andando bestamente pela 5ª avenida. Entrei no Bloomindale’s, na H&M, na GAP e em uma outra loja. Não gostei de nada. Definitivamente, não sou esse tipo de turista.

Continuei andando até me deparar com o Rockefeller Center.

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Lá dei um rolê pela incrível loja da NBC, que vende desde um ímã do sofá dos Friends e a caneca do Central Perk até camisetas Dunder Mifflin, e mil objetos úteis e outros nem tanto de tudo que é série que você ama.

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Ainda no Rockefeller Center, tava rolando uma Egg Parade. Lembram da Cow Parade e da Monica Parade, aqui em Sampa? Então. Só que de ovos. Só que é uma caça aos ovos, tipo Páscoa mesmo.

Se liga no site.

Enfim. Mais de 250 ovos Fabergé estilizados por pessoinhas como Ralph Lauren, Carolina Herrera e ROMERO BRITTO estão espalhadas pela cidade. Veja alguns nesse link.

Vários estão no Rockefeller:

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Nisso já eram umas 15h e eu estava desde às 7h só com um bagel na barriga. Fui andando e um T.G. I. Friday’s me pareceu tentador. A garçonete foi uma foooooooooooofa, linda, daquelas que merecem U$ 100 de gorjeta. Me deu bebida de graça (não, não era refil) e tudo. Comi um steak com batatas. Divino.

Na mesa do lado um grupo de brasileiros. Nunca estive tão cercada por brasileiros como dessa vez. Impossível andar um quarteirão sequer sem me deparar com brasileiros em NY. As exceções foram o Smalls Jazz e o Burger Joint (descrição mais abaixo). De resto… BRASILEIROS EVERY-FUCKING-WHERE.

De lá segui para o Museu do Sexo.

Da outra vez já queria ter ido, mas acho que tava tendo alguma mostra fodástica, que o ingresso tava uma fortuna. Dessa vez custou U$ 17. Caro, já que é um museu pequeno e nada demais, mas foi uma experiência interessante.

Primeiro porque é sexo é interessante, e ver gente de todas as idades e jeitos vendo fotos de putaria é interessante.

Segundo porque tava tendo exposição da Linda Lovelace, as in A MINA DO GARGANTA PROFUNDA.

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Uma sala branca. Várias fotos dela pelada. No fundo da sala, uma projeção ENORME do garganta profunda (não postarei a foto se não o wordpress me bloqueia).

Ainda na sala, várias frases dela espalhadas, dizendo que tinha levado o corpo a fazer coisas sexuais que a grande maioria dos seres humanos nem sonha. Hahaha. Diva.

Em outra sala rolava uma exposição sobre internet & sexo. Tinha fotos de todas as taras bizarras que a galera procura na internet, e um quadro no fim perguntando o que você nunca procuraria:

IMG_2847Alguns me fizeram rir (tipo YOU), outros concordei (tipo animals, pedophilia). Eu incluí “blood+torture”.

Na última parte do museu, uma exposição sobre sexo animal. Fotos como o pinto do pato chileno (tá escrito na imagem que é argentino, mas é chileno), uma foto de uma macaca batendo uma siririca, uma foto de leões gays trepando… Coisas phynas hahaha

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No fim, uma puta loja de coisas sexuais, que vendia desde macarrão em forma de pinto, até MIL tipos de vibradores (tinha um de U$ 500!!!), gel pra tudo, coisas para S&M, livros, mil coisas! Muito divertido!

Saí de lá e fui andando até o metrô. Parei para tirar fotinho nesse LOVE fofo:

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Next step: hambúrguer no Burger Joint at Le Parker Meridien. Dentro de um hotel chiquérrimo, ATRÁS DE UMA CORTINA, fica a hamburgueria. Apertada, abafada, com uma fila kilométrica de novaiorquinos – mais um lugar sem brasileiros.

Avisos na parede diziam: “se quando chegar sua vez você hesitar ao pedir, volta pro fim da fila” ou “se não tem no cardápio é porque não tem, não adianta perguntar” hahaha. Newyorkers mal humorados ♥

Comi rapidinho e continuei andando. Passei pela Times Square F-E-R-V-I-L-H-A-N-D-O de gente, coisa mais insuportável.

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De lá direto para a Broadway, assistir Mamma Mia. AMEI PRA CARALHO. Desculpa aê, mas não tem outra expressão. Foi incrível, incrível!!!

E olha que manjo NADA de Abba.

Mas gostei muito. 2h30 e U$ 75 muito bem gastos!

Mil vezes melhor do que o maçante “Fantasma da Ópera”. Dessa vez, entendi 100% (meu inglês melhorou um pouco, mas o fato de não ser ópera foi o mais importante) e realmente curti. Musical bom é isso: aquele que dá vontade de ficar de pé, cantar e dançar junto. O elenco todo cantando “Dancing Queen” no final, como BIS, foi tipo… Delírio.

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Terminou o espetáculo 23h e pouco. Peguei metrô e voltei para o hostel.

Arrumei malas, deixei tudo pronto e dormi um tico.

12 de abril, sábado – Boston

2h30 da manhã acordei. Com tudo pronto, só me troquei e peguei um táxi para Port Authority. Já tinha comprado pela internet uma passagem para Boston, via PeterPan. Meras 27 doletas.

Às 4h saiu o ônibus para Boston. Dormi por 4h, ou o trajeto inteiro.

Acordei com a motorista falando “We are arriving at Boston South Station”. De lá, foi facílimo seguir para o hostel. Um metrô, troca de linha, outro metrô, dobrar esquina, cheguei. Larguei a mala e saí. Eram 8h, a cidade estava vazia, gelada e com um CÉU AZUL MARAVILHOSO.

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As in: meu clima perfeito. 15 ou 16ºC, céu azul, friozinho, mas calorzinho no sol. ♥

Com esse clima perfeito, foi fácil achar Boston linda.

Eu tinha em mãos um day tour escrito pelo cunhado bostoniano de uma grande amiga (valeu Tom, valeu Dê!). Segui quase que a risca.

Ele sugeriu uma parada na Pizza Regina, perto do hostel. De manhã estava fechado e a tarde tinha uma fila de 2h de espera; ele sugeriu o restaurante mais antigo da cidade, mas tinha fila de 1h40 de espera (americano = povo que gosta mais de pegar fila que paulistano, tá louco!!!). De resto, fiz tudo o que ele indicou:

Freedom Trail, um trajeto de alguns Km que passa por importantes marcos históricos da cidade – a grande parte coisa extremamente americana e que não interessa realmente a nós. Mas mesmo assim, são belas arquiteturas, lugares bonitos e com um clima gostoso.

O melhor é que a trilha toda é fácil de ser seguida, porque tem tijolinhos vermelhos no chão. Basta segui-los!

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Viu?

O primeiro lugar onde parei foi o Copp’s Hill Burying Ground. Trata-se de um cemitério no alto de um morro. A VISTA MAIS LINDA. Not a bad place to rest in peace 🙂IMG_2882

Aliás, Boston tá bombando de cemitério.

Nesse, tem uma galera de artistas, mercadores, blabláblá enterrados. Datado do século XVII, era o maior cemitério de Boston.

Continuei seguindo a Freedom trail, passando pela Old North Church, por uma bela praça homenageando vários cidadãos ilustres mortos há muito tempo.

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Continuei a trilha até o fim. Feio falar, mas a maioria do caminho era composto por coisas meio bairristas, não me interessei o suficiente para parar e ficar lendo tudo. Mas é tudo lindo, sim. Valeu a caminhada.

No caminho entrei em um Dunkin’ Donuts. Não é a toa que americano é gordo: uma rosquinha custa U$ 0,89. Uma dúzia (sim, DOZE) sai por 6 e pouco. É ridículo de barato.

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O fim do trajeto é no Boston Common, o parque público mais antigo dos Estados Unidos: data de 1634. Acho louco demais pensar que enquanto aqui na América do Sul branco matava índio, trazia condenado da Europa pra viver aqui e explorava a matéria prima para exportação, lá eles criavam cidades e parques.

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Enfim. É um lugar lindo, embora, assim como o Central Park em NY, a vegetação não esteja tão exuberante quanto estaria se o inverno não tivesse sido tão punk.

De qualquer maneira, era um sábado de um céu azul límpido, temperatura agradável e consequentemente muuuuita gente curtindo o parque com os filhos, os cachorros, a namorada, a bicicleta.

Em frente ao parque está a State House, que é um prédio lindíssimo.

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Oposto à State House, cruzando o Boston Common inteiro está o lugar mais lindo que vi nos últimos tempos. Lhes apresento o Public Garden:

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Mais uma vez, as flores que esperamos ver em um jardim vão ficar para a próxima. Mas não importa. Que lugar lindo, que energia boa esse lugar tem!

Curti uns minutos de sol olhando o lago, sentindo a atmosfera do lugar e tirando várias selfies. hahaha

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Em seguida continuei meu trajeto.

O cunhado da minha amiga escreveu o seguinte: Newbury Street é a rua mais chique para compras na cidade… tem lojas dos designers mais famosos do mundo (Burberry, Chanel, Armani, etc.) e arquitetura e igrejas bonitas. Ou se ela não tem interesse nessa rua, pode andar na avenida paralela, Commonwealth Avenue. Essa avenida também é muita chique e tem arquitetura e igrejas bonitas. 

Não, eu definitivamente não faço o perfil de turista-consumista. Muito menos de grife, argh. O que eu fiz então? Um zig-zag. Comecei andando na Commonwealth, daí fui para a Newbury, daí voltei para a Commonwealth e novamente para a Newbury (dessa forma, conheci as duas) até parar na Copley Square, que tem a Biblioteca e a Trinity Church:

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Do outro lado da rua tinha outra igreja, a Old South Church. E na frente dessa última, já na  Boylston Street, algo que se assemelhava muito, no tamanho e na forma, a um sambódromo, estava sendo montado e causava certo transtorno aos pedestres e automóveis.

Até então nem passava pela minha cabeça o que aconteceria ali. Era sábado, dia 10.

Já no Brasil descobri que dia 15 o atentado na Maratona de Boston completaria um ano, e teria toda uma homenagem. Eis o porquê de todo o aparato que estava sendo montado.

O cunhado da minha amiga me sugeriu dali pegar o metrô e já ir para Harvard. Acontece que estava bem cedo, e Harvard já era praticamente a última coisa do roteiro. Além disso, eu queria almoçar. E bem. Boston é o paraíso dos frutos do mar. Das lagostas, dos mexilhões. Muito amor.

Portanto, continuei nessa rua, que era uma maravilha: restaurantes, cafés, lojas tchã-nã-nã (Apple, Samsung, Sephora, Lindt, etc etc) e muito mais.

Eu tava com fome, já eram quase 14h, mas todos os lugares estavam abarrotados de gente. Mas beleza: foquei em um restaurante chique, porém não tão ostentação, e que tinha um nome bem convidativo – Atlantic Fish  – e entrei.

Lotado. Mas tinha lugar no balcão, o que não era nada mal, já que comer sozinha numa mesa de 4, num restaurante lotado, é meio desagradável.

Não hesitei: pedi um vinho branco. Olha bem minha cara de enóloga, néam. Já que manjo tanto (só que não), pedi ajuda pro garçom. Ele me indicou um: 2008 Pinot Gris, Reserve, Trimbach, Alsace. Demorou mas chegou. Delicioso e fresco. E apenas uma taça – que custou U$ 14!!! –  me deixou alegre. Perfeito.

O vinho foi para harmonizar com o meu prato, um ravioli recheado de lagosta. O molho era branco, com cogumelos e shitakes, creme de manjericão e pedaços de lagosta fresca. Eis:

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Gastei U$ 50, mas valeu muito a pena. Aliás, minha alimentação bostoniana foi perfeita.

Próxima parada: Prudencial Center, um shoppinzão enorme. Mas o que eu queria lá era a vista panorâmica. Fui na entrada do lugar e tinha uma placa: hoje a torre estará fechada para evento. FUÉN. Triste. Adoro vistas panorâmicas, e aquele dia azul magnífico seria o ideal. Mas fazer o quê.

De lá tomei meu rumo à Harvard. A mais antiga universidade americana, que data do século XVII. É uma das melhores e mais prestigiadas do mundo.

Foi facílimo chegar, usando o metrozão.

Comecei o rolê bem perdida. O lugar é enorme e o mapa não me dizia muita coisa.

Daí resolvi andar sem rumo, observando o povo feliz tomando sol na grama, tocando violão, curtindo o sabadão.

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Andei pela Law School, passei pelo Museu de História Natural (adoraria entrar, mas não daria tempo), atravessei tudo e fui até a Harvard Yard. Lá, fiz o que tantos estavam fazendo. Deitei ao sol e fiquei lá, estirada no solzinho pensando como a vida é boa, apesar de tudo.

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Já eram umas 17h e pouco. Dei uma volta por Harvard Square, que estava entupida de gente tomando café, sorvete e papeando contente e feliz.

Peguei o metrô e voltei pro hostel, fiz check-in e talz. Fiquei no Friends Street Hostel. Super bem localizado, a uma esquina do metrô e a curta caminhada do centro. As coisas boas param por aí: reservei uma cama em um quarto misto com 8 camas. Uma noite, U$ 48. Tinha café da manhã inclusivo, mas fui embora antes.

Nota: NUNCA fiquem em um quarto de um só sexo. Ninguém se respeita e é capaz de você encontrar uma moça se depilando no meio do quarto e absorventes sujos, caso seja mulher, e cuecas sujas largadas pelo quarto inteiro, se for homem. Quando é quarto misto, geralmente os sexos se respeitam. Dica de quem já viajou por uns 20 países e ficou em uns 10 hostels.

Quando o recepcionista subiu para mostrar o quarto, qual não é minha surpresa ao entrar em um quarto não com 8, mas DEZESSEIS camas? Pior: estavam montando uma cama de acampamento para uma 17ª pessoa. PIOR²: tudo mulher. Quis morrer. Mas antes reclamei com o cara, que falou em overbooking (caguei, problema deles). Eu disse que ao menos queria a diferença do dinheiro de volta, já que obviamente um quarto com 17 pessoas é mais barato que um com 8. Daí o moço foi bem grosso: disse que eu reservei faz tempo, e agora o quarto com 16 é o valor que eu paguei, então tava tudo certo. E que se eu não estivesse satisfeita teria todo meu dinheiro de volta. As in: pode ir dormir na rua.

Não criei caso, afinal de contas era só uma noite. Mais: algumas horas de sono e uma chuveirada. Mas ainda pretendo mandar um e-mail pro gerente reclamando. Só que de pensar em bolar o e-mail todo em inglês me dá uma preguiiiiça… Meu inglês escrito é sofrível.

Enfim. Me calei, larguei minhas coisas e fui tomar banho num chuveiro vagabundo, em que a água caia quase que em gotas, e mais pra fria do que pra quente. Meu consolo era pensar: HILTON AMANHÃ. AMANHÃ, HILTON.

Voltei pro quarto e tinha uma menina muçulmana fazendo as orações da tarde num canto do quarto, virada para Meca, com tapetinho e tudo. Interessante, nunca tinha visto. Já estive com muçulmanos em Israel e Jordânia e também na Turquia. Mas no primeiro caso não tive contato com momentos religiosos e, no segundo, fui a mesquitas, mas só tinha turista fotografando.

Enfim.

A última coisa da lista do cunhado da minha amiga era um restaurante chamado Union Oyster House. Aspas do moço:  É um restaurante bem velho (abriu em 1826) e com muita história. O rei da França morava lá em exílio! Também era o restaurante favorito dos Kennedys.

Andei até lá: 1h40 de fila. Até entrei no salão – eu não tinha mais nada pra fazer e ainda eram 20h. Mas daí vi um tanque enorme cheio de lagostas vivas. Os caras tiravam as lagostas do tanque direto pro seu prato, praticamente. Ok, garantia de frescor. Mas meu minúsculo e quase inexistente lado vegetariano disse NÃO. Saí de lá e andei até Quincy Market. Tinha passado lá durante o dia: é um mercadão lindinho, cheio de restaurantes.

Dei uma volta e me decidi por um bar/restaurante chamado Salty Dog. Durante o dia vi um monte de gente comendo ostras e outras coisas do mar lá, e ficou gravado na minha mente.

Além disso, o Tom (o cunhado da minha amiga), tinha escrito: “Algumas comidas que eu recomendo: steamed clams com manteiga, clam chowder , mussels com alho”. 

Ou seja: era pra fechar o roteiro com chave de ouro.

Sentei numa cadeira ao ar livre. A noite estava serena – provavelmente quente para os padrões locais. Pedi uma cerveja e bolei meu plano: um jantar de entradas.

Clam chowder primeiro. Trata-se de uma espécie de uma sopa bem grossa com um tipo de fruto do mar de concha, talvez marisco. Deliciosa:

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Depois comi uma ostra: a mais fresca que comi na vida.

Por último, mussels with garlic and bread:

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Ok, não sei o que sei direito de que frutos do mar se tratam, mas devem ser variações de mariscos. Sei que tava tudo ótimo, sem ranço de areia e fresquinho.

Voltei pro hostel. Dormi quase que imediatamente.

13 de abril, domingo – Miami

Acordei às 6h. De metrô cheguei com a maior tranquilidade e facilidade ao aeroporto.

Eu tava morrendo de medo do check-in da American Airlines. Isso porque fui obrigada a despachar minha mala no voo da TAM, e tava com medo de que isso acontecesse de novo. Problem is: a American cobra U$ 40 para despachar. Eu tinha medido a mala e talz, dava certinho como mala pra levar a bordo. Mas sei lá né.

Mas deu. Coube DIREITINHO, sem tirar nem por, no testador de bagagem deles.

Voo tranquilo, 100% litorâneo. Eta litoralzinho feio o leste americano, hein? Tá louco.  Só chegando na Florida é que melhora, obviamente.

O pouso em Miami foi lindo. Primeiro aquele mar caribenho. Depois, altas ilhas, lagos, casas chiquérrimas, lanchas e iates.

Eram 12h40 quando saí do avião. Meu check-in no hotel era só às 15h. Comi um baggel no aeroporto (fui muitíssimo mal tratada) e peguei um super shuttle por U$ 18 até o Hilton, já que no hay transporte público até lá. Uma pena, mas ok.

Cheguei no hotel 13h30. Mas é Hilton. Eles tinham um quarto já pronto pra mim ♥

Hilton Downtown Miami. U$ 150 a diária, sem café da manhã. Mas valeu. Eu precisa disso.

Subi, olhei aquele quarto enorme, aquela cama king size, aquela banheira, tudo só pra mim, e gritei: EU MEREÇO.

#POBREDETECTED

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MEU.QUARTO.

O que eu fiz?

Tomei um banho de banheira. EUA não tá com falta d’água e tô pagando caro. Fim.

Que vida boa, cara.

Depois peguei o metromover, um metrô de superfície gratuito recém-instalado no centro de Miami. Sim, gratuito. Uma maravilha. Fui até o Bayside Market, um shopping ao ar livre que fica em frente ao mar. Olha que chato:

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Queria comprar um monte de coisa, mas nada me atraiu. Coisas feias, caras, de mal gosto. Daí encontrei a Thaís, uma amiga que mora em Miami, que em 2012 fez comigo e com outra amiga um tour bem bacana pela cidade. Passamos a tarde passeando pelo lugar. Saí de lá com um tênis novo e uma blusinha da GAP. Só. Consumismo fail.

Tomei um sorvete enorme da Häagen-Dazs e ficamos sentados, Thais, namorado e eu, conversando sobre a vida.

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Quando o lugar fechou, umas 20h, eles me deixaram no hotel. Eu fiquei lendo um tempo e tal e resolvi ir jantar. Descobri uma pizzaria meio perto do hotel e fui. Chamava Pizza Pazza. Era uma mistura de cantina com pizzaria. Não vendia pizza em pedaço.

Pizzas americanas: nunca serão. Essa era diferentona, tinha queijo de cabra, cebola caramelizada, presunto de parma e talz. Mas a massa… NUNCA SERÃO.

Para acompanhar, cerveja. O que sobrou foi meu café da manhã do dia seguinte.

Voltei pro hotel e curti no lobby minha última noite, tomando uma cervejinha e papeando no whatsapp.

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Minha intenção era acordar meio cedo e ir na piscina do hotel. Mas 3 dias dormindo pouco e mal não permitiram, de modo que acordei e já eram quase 11h (a diária do hotel terminava 12h; meu voo era às 17h).

Mas ok. Valeu cada centavo dos U$ 150 pagos na diária.

Tomei um bom banho, deixei minha mala numa saleta deles, fiz checkout e fui a um outlet de roupas que a Thaís havia recomendado: Ross Dress For Less. Eu não tinha muito tempo, e acho UM SACO ficar experimentando roupa. Pior ainda numerações que não entendo. De forma que peguei uns vestidos que curti, experimentei, gostei de 3, comprei. Tudo na faixa dos U$ 15 até U$ 25. Tinha calvin klein e várias grifes (que pra mim MEANS SHIT).

Olha que chata a vista de dentro do vagão do Metromover…

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Minha última parada, indispensável, era num supermercado. Para comprar Mac & Cheese.

Sou doente por essa merda calórica e gorda que nunca vi pra vender no Brasil:

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É tipo um miojo. Mas ainda mais gordo e do mal. E muito melhor.

Enfim. Comprei 4 caixas (U$ 1,99 cada – o preço da foto é de uma caixa tamanho família), um saquinho de mini-rolos (chocolate recheado com caramelo) e outro saquinho de Kiss, aquele chocolate mínimo em forma de gota da Hersheys. Tudo não deu nem U$ 10. Por isso americano é gordo…

Tava um calor do cão e eu já pingava de suor. Ok, Miami é linda. Mas puta merda, taí uma cidade no mundo que eu não gosto.

Voltei pro Hilton, soquei tudo na mala e peguei um táxi até o aeroporto.

Taxista brasileira. Chata. Preconceituosa. Errou o terminal em que eu deveria ser deixada. UÓ.

Mas ok.

Foi um suplício achar o terminal da GOL. O aeroporto de Miami é enorme, tá em reforma, e a Gol não está onde deveria estar.

Despachei a mala, fui pro embarque e já eram 16h. Meu voo da Gol MIA-GRU, com conexão em Santo Domingo (República Dominicana) estava marcado para às 17h e pouco.

Tava faminta. Vi as opções de alimentação: fracas e desinteressantes. Comi o quê? Isso. Pizza. Hahaha. Meaning: minha última refeição de verdade foi o almoço em Boston, mais de 2 dias atrás. HAHAHA.

Pra completar a gordice, uma bola de sorvete Häagen-Dazs.

O voo Miami-Santo Domingo foi LINDO. Sobrevoamos toda a South Miami:

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Depois as Bahamas, até o sol se por sobre Nassau, capital das Bahamas. A foto não condiz nem em 10% com o que eu vi, então nem vou postar.

Até que a GOL não é tão ruim. Mas não é realmente boa, né.

A conexão em Santo Domingo foi mega rápida. Entrei no avião para São Paulo quase por último. Qual não é minha surpresa quando vejo que tinha UM CASAL COM BEBÊ nas poltronas B e C (eu era a A, janela S-E-M-P-R-E). Mal sentei e eles perguntaram se eu me importava de ficar na janela. Sim, respondi. Só viajo em janela, reservei faz tempo e trabalho amanhã de manhã, então a janela pelo menos me garante um apoio para dormir um pouco.

Primeiro: PRA QUÊ viajar com bebê? Só pra trolar os passageiros, tenho certeza. Inferno.

Segundo: já que TEM que viajar, POR QUÊ não reservar um lugar? Inferno, inferno.

Acordei muitas vezes na madrugada, com o bebê gritando duas vezes, e uma com um cheiro de bosta na minha cara: eles tavam trocando a fralda da menina. Inferno, inferno, inferno.

O jantar da Gol foi um macarrãozinho com legumes e um cheesecake totalmente fake.

Pousei em São Paulo quase 1h antes do previsto. Eram 4h da manhã. Aeroporto às moscas (grande parte dos voos que chegam/saem de Guarulhos são de manhã ou de noite). Passei reto pelo freeshop. Vi a fila de táxi brilhando e não hesitei: saquei o cartão e lá se foram R$ 150 conto (de metrô+bus gastaria R$ 8), mas cheguei em casa em 40 minutos. Às 5h eu tava na minha cama dormindo. Consegui dormir 4h antes de ir trabalhar! Sucesso!

Mais uma viagem ótima e muito bem aproveitada concluída com sucesso.

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System of a Down in São Paulo – eu fui!

Depois de anos de espera – uns 10, para ser exata – minha banda favorita (pra que me enganar?) da adolescência chegou ao Brasil.

Comprei o ingresso no mesmo dia que começaram a vender, uma segunda-feira no fim de julho, e comecei a olhar o calendário contando os dias até 1º de outubro.

E aí chegou.

Confesso que fui ao show pouco animada. Não curto ficar horas de pé, não gosto de multidão e pouquíssimos amigos estariam lá. De fato, só 2: um que ficou na grade – nem preciso dizer que não tenho mais idade pra chegar em show 7 da manhã, ficar 15h de pé, sol de 40ºC e ser expremida pela multidão, né? – e outro que encontrei na muvuca, e foi minha companhia de show.

Foi-se o tempo em que éramos uma trupe de umas 10, 15 pessoas que era o show dentro do show. De um monte de gente que respirava System nos primeiros anos da década, somos nós 3, Bruno, Gui e eu, os remanescentes de um grupo que noivou, casou, converteu, teve filho, envelheceu, cansou.

Por esse motivo, o sentimento que o show me trouxe não foi bem aquele que teria sido nos anos 2000. Mas o Rock’N Roll é mais do que esse mimimi. O Rock contagia. Faz pular e se esgoelar como se não houvesse amanhã. Então, assim que eles entraram no palco, qualquer angústia foi dissipada.

Sendo essa a proposta do show – dar aos fãs brasileiros aquilo que por tanto tempo esperaram – foram direto ao ponto. Sem preâmbulos, sem covers, sem incendiar o palco, nem quebrar guitarras. 2h de músicas fortes, recheadas de protestos político-econômico-sociais, e uma iluminação bacana foram suficientes para levar jovens, vinte-e-poucos-anos e tiozões ao delírio.

29 músicas. O primeiro show NA MINHA VIDA em que sabia cantar TODAS as músicas INTEIRAS. Sabia a ordem de cada música em cada cd, sabia as batidas, a hora dos reefs. Nunca estive tão conectada com a música (sóbria).

Prison Song abriu o show. Já nas primeiras batidas, os primeiros pulos da multidão indicaram o tom do show: UM POEIRAL DOS INFERNOS, resultado de semanas sem uma chuva decente em São Paulo. Durante muitas partes do show a galera passava com a boca e o nariz tapados com a camiseta. O Jóquei bem que podia ter dado um trato naquela terra toda antes do show… Sinto pena das pessoas com problemas respiratórios.

Olhem o set list, que coisa linda – http://www.setlist.fm/setlist/system-of-a-down/2011/jockey-club-sao-paulo-brazil-33d00009.html

Bonito de ver as milhares de pessoas levantando poeira LITERALMENTE <perdão aí, Ivete Sangalo> ao som de Psico. PSICO! GROUPIE! COCAINE! CRAZY!

O público, extasiado, cantava em coro todas as músicas, pouco acreditando que aquele momento – System no Brasil – estava acontecendo. Serj Tankian, esperto, dava trela e deixava frases inteiras serem entoadas pela platéia.

Revezando músicas de uma pegada mais violenta – como Psico, War e Suggestions – com músicas mais levinhas (mas nem tanto), o System evitou que a platéia se cansasse rápido demais [e saísse de lá numa maca, como bem apontou o repórter da Folha em sua crítica do mesmo show no Rio].

Claro que eu senti falta de muita música. A maioria delas mais levinhas, e que no fundo sei que não caberiam muito bem na empolgação do PRIMEIRO show da banda no Brasil. Algumas delas: Spiders, uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos; Atwa, outra levinha lindinha; Ego Brain. Uma que fez uma falta de doer foi “Fuck the System”. Até o último minuto me perguntei por onde estaria, assim como fiz com a sensacional Sugar, que não faltou. Acabou, de fato, encerrando o show.

Não teve bis. Precisava? A rigor, não. Mas deveria. A gente merecia.

Só sei que foi assim.

Bom mesmo é rir da vida

Se tem uma coisa que eu curto é fazer as pessoas rirem. Pq taí uma coisa que eu faço bem e que me faz feliz. Não que eu seja uma comediante. Não. O que eu faço, basicamente, é contar detalhes sórdidos e verdadeiros da minha vida para conhecidos. Ou nem tanto.

Tenho 23 anos, mas já vivi bastante. Bastante, pelo menos, para ter um estoque ilimitado de histórias engraçadas sobre mim para serem contadas após algumas cervejas.

Uma dessas histórias, ocorrida há um tempo:

Fui no centro de tradições nordestinas, CTN. é uma área enorme, tem até agência de turismo… Mas é tudo focado em nordeste.
Tinham meninas oferecendo empréstimo de dinheiro na entrada do lugar!
Fora que tava maior friaca e várias meninas de mini saia e blusa transparente. Uma COISA. E eu e meu amigo bêbado só zuando geraaaaaaaaaaaal
Tipo… Tava crente que encontraria o porteiro do meu prédio ou alguém assim por lá, porque é um rolê proletário, sabe. Não que não seja divertido.
A música? Bom. Me senti num bairro periférico de uma cidade bem no sertão nordestino. Nem saberia especificar o gênero musical… Bem brega e trash para o meu gosto MPBzístico, anyway.

2 capetas + espanhola + 2 cervejas + 3 copos de conhaque com licor de chocolate depois…

– Ahhhh, tá tocando “Você não vale nada mas eu gosto de você”! Hahaha!

E comecei a dançar daqueeele jeito.
E aí colou em mim esse cidadão…
ai, eu VOU lembrar o nome dele, calma.


R alguma coisa…
Ro…
enfim. jajá lembro

Aí ele colou em mim e a gente começou a dançar junto, ou quase, pq  EU NÃO SEI DANÇAR. Mas eu tava bêbada e atrevida, então é só rebolar um pouco e tá lindo.
Alguns amigos meus riam, outro me dava o maior incentivo.
Aliás… O último cara q eu peguei, um bêbado num banheiro de churrasco (outro dia conto), tb peguei por incentivo desse amigo.

Tô bem, não?
Enfim.
Aí o cara falou q tava apaixonado e ficava me olhando com uma cara de lobo mau! huahuahuahuhua

Enfim. Maaaano que ele beijava bem, e tinha um braço e um peitoral… AI. Abusei.
Lembrei!
Rogério

Aí ele me disse que era PADEIRO.
E eu fiquei me coçando pra perguntar se ele queimava a rosca.

Aí mais tarde meu amigo da carona quis vazar e eu fui embora.
FIM.

Metamorfose ambulante (título clichê, oi?)

Passei metade da adolescência xingando pessoas ecléticas, mas. Hm.
Reflitamos:

Enquanto criança, ouvia o que meus pais ouviam: Beatles, Eric Clapton, James Taylor, MPB. E Xuxas da vida, porque eu era criança, né! As roupas? Qualquer coisa. Ou pelada. Como eu adorava ficar pelada por aí.

Aos 11, 12 anos, comecei a gostar de Lulu Santos e Rita Lee.
A convivência com o Chris me aproximou ainda mais do Pop-Rock nacional. Paralamas, Mutantes, Titãs, Skank. Roupas: uniforme. Passava o dia com o uniforme da escola, ou calça jeans e camiseta.
Uns 2 anos mais tarde, a gente entrou numa vibe CLUBBER, sem a parte de música eletrônica, que eu sempre odiei do fundo da alma. As roupas laranjas com escritas em rosa choque eram para festas e para usar no shopping (ugh, como eu era escrota, meu deus!). Ai Ai.

Adolescente = ROCK. Começou com Raimundos, e descambou para uma coisa mais pesada e internacionalizada: System of a Down, Korn, Limp Bizkit, Linkin Park, Metallica, Green Day, Offspring, Ozzy Osbourne, etc… A roupa sempre preta. Camisetas largonas de banda, blusa mesmo no maior calor, aversão a sol.

Uns 20 anos = voltei ao MPB. Comecei a andar com vários grupos de pessoas diferentes, entre eles um muito ligado à MPB (oi, prima?). Percebi que ESSA era a minha vibe. Nada melhor do que um sambinha de raiz. Chico Buarque. Elis. Paulinho da Viola. Gilberto Gil. E quando vi, já gostava até de Luiz Gonzaga. As roupas? Mudaram drasticamente. Vestidinhos floridos e curtos, sempre bronzeada, sandálias rasteiras e havaianas…

Pensando bem, tuuudo o que citei continuo ouvindo. Os gostos não foram se anulando, foram se somando.

Oi, eclética, eu? Imagiiiiiiiiiiiiiiina!

Falaê, Seu Jorge

Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia
Marmita é fria mas se precisa ir trabalhar
Essa rotina em toda firma começa às sete da manhã
Patrão reclama e manda embora quem atrasar

Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Dentista, frentista, polícia, bombeiro
Trabalhador brasileiro
Tem gari por aí que é formado engenheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador

E sem dinheiro vai dar um jeito
Vai pro serviço
É compromisso, vai ter problema se ele faltar
Salário é pouco, não dá pra nada
Desempregado também não dá
E desse jeito a vida segue sem melhorar

Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Garçom, garçonete, jurista, pedreiro
Trabalhador brasileiro
Trabalha igual burro e não ganha dinheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador

Oi, eu tenho um emprego.
Eu mereço, poxa.